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01/12/2002 - Edição número 3

 

Índice

Editorial - Nossa Função Social
Rafael Luiz Reinehr

A Grande Cooperativa Mundial
Rafael Luiz Reinehr

Mais um
Rafael Luiz Reinehr

A Velocidade do Pensamento
Rafael Luiz Reinehr

 

 

Editorial

Nossa função social

Esta é a história de um cara que não dá bola para a sociedade, suas leis e coisas erradas e faz apenas o certo, o verdadeiro, justo e bom. Simplesmente segue em frente! Seu nome não interessa. Onde mora também não. Sua profissão: pouco importante. O que realmente importa é que ele tem uma função social. Poderia ter qualquer nome, morar em qualquer lugar e trabalhar com o que quisesse que o que continuaria importando é que ele tem uma função social. E o que significa ter uma função social? É se chamar João e se importar com o que acontece com a Maria e com o José, com o Timothy, o Joseph e a Jenniffer, com o Fu e o Xu, mesmo que não sejam do seu convívio social, mesmo que more na montanha ou embaixo do mar. Se trabalha como médico, que dispense um dia da semana para atender pessoas carentes gratuitamente ou com preços simbólicos; o mesmo vale para outros profissionais liberais como o advogado, o professor particular e quem mais você pensar. O dono de uma empresa privada, regra geral, pouco faz além de engordar sua conta bancária. O mesmo faz o banqueiro e boa parte das empresas ligadas à indústria e comércio. Não há papel social propriamente dito nisto. Ou será que todos se dão por contentes e consideram empregos gerados um favor maravilhoso? Tsc, tsc... A questão é que esse cara do qual estou falando não foi obrigado por nenhuma lei, por nenhuma força diferente da sua própria moral e senso ético a tomar as atitudes que têm em relação ao mundo e às pessoas. Nada tão puro pode vir de uma imposição, quer seja de onde venha. Não dar bola para a sociedade não quer dizer não se importar com ela. "Como é que alguém pode aceitar o que temos hoje em dia. Todos os dias vejo coisas que preferia não ver. Certamente não foi culpa minha a situação em que vivemos, mas não é por isso que não vou tentar consertar tudo e tentar fazer desse um mundo melhor para viver." - disse nosso amigo. Alguém um dia disse a ele que isso ele dizia porque era jovem, tinha vontade de revolucionar, como todos jovens, e que isso iria passar com o tempo. O tempo passou e nada mudou. Ou melhor, mudou: agora ele era maior, mais forte. Tinha mais condições de espalhar suas idéias. Havia estudado, com muitas pessoas conversado. Idéias adquirido, sua criatividade aguçado. Já não mais falava em tom açucarado ou ouvia o que não queria, sem responder e deixar no chão quem havia lhe desafiado. Sabia o que queria e media os esforços, para aumentar a eficiência de suas ações, para alcançar o maior número de pessoas com suas idéias e realizações. Esse cara vive sereno.

Rafael Luiz Reinehr

"Ao término de um período de decadência sobrevém o Ponto de Mutação. A luz poderosa que fora banida ressurge. Há movimento, mas este não é gerado pela força... O movimento é natural, surge espontaneamente. Por essa razão, a transformação do antigo torna-se fácil. O velho é descartado, e o novo é introduzido. Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando daí, portanto, nenhum dano"
I Ching

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A Grande Cooperativa Mundial
Rafael Luiz Reinehr

Um dia pensei: nossa, com tantas pessoas neste planeta, a maioria delas com algum tempo por dia para pensar, outras com muito tempo para pensar... Mas pensar em quê, você dirá! Ora, pensar em soluções para nossos problemas. Aí surgem novos problemas (como sempre!!!): quais são os nossos problemas? Quem é capaz de identificar esses problemas? E que significa nossos? Bem acho que essas questões são ao mesmo tempo fáceis e difíceis de responder (a isso chamamos de paradoxo). Difíceis porque cada pessoa pode ter para si uma noção do que está lhe incomodando em sua vida e em suas relações com os demais, o que está lhe faltando para atingir a felicidade, quais são os valores e bens que mais lhe dão prazer e interessam. Cada um de nós se indagado sobre quais os problemas que afligem a humanidade atualmente iria responder ao menos algum dos seguintes: fome, guerra, falta de amor, desesperança, ganância, tristeza, incompreensão, egoísmo, violência, agressão à Natureza, poluição, barulho, incomunicabilidade entre semelhantes, invasão de privacidade, transportes caóticos, falta de energia, bens materiais excessivamente caros, assim como mão-de-obra ou muito cara ou de má qualidade, perda de valores morais e éticos, analfabetismo, carência de cultura, falta de inteligência por parte dos governantes, insatisfação sexual, tecnologização e desumanização progressivas e excessivas, desarmonia, injustiças dos mais variados tipos, barbárie e canibalização social, intolerância, falta de afeto, fraternidade e compaixão, falta de tempo e escuridão da alma humana. Fáceis porquê todos estamos carecas ou cabeludos de saber (ou pelo menos deveríamos ter essa consciência!) que para que os problemas do nosso microcosmo (pessoal, familiar, social estrito) sejam resolvidos satisfatoriamente, deixando-nos felizes, devemos colaborar e resolver os problemas do nosso macrocosmo (social amplo, a comunidade que habita este planeta como um todo). Dessa forma, se eu não quiser ter meu carro roubado ou não quiser dar dinheiro para o cara que vai ficar "cuidando" do meu carro não roubá-lo ou destruí-lo, ou, de outro modo, não quiser trair meus próprios princípios e minha namorada/esposa ao mesmo tempo (importante lembrar que a traição de uma esposa se aplica no nosso contexto social, pois existem culturas poligâmicas onde notáveis diferenças existem!), temos que pensar em resolver todos os problemas citados acima e mais alguns. É bom ressaltar que todas essas falhas da nossa atual sociedade humana são gerais, dizendo respeito a todos nós e cabe a nós como um todo ajudarmos a solucioná-la. Tá, e aí, você vai dizer. Não falou nada de novo! Tá parecendo aqueles livros de auto-ajuda, que só dizem coisas que todos sabemos mas que precisamos ouvir para nos estimularmos. Bom, eu estou fazendo a minha parte. Agora mesmo escrevendo esse texto, tentando fazer com que você ACORDE, SE SENSIBILIZE, VISTA A CAMISETA, TENHA UMA VISÃO MAIS AMPLA E HUMANA, NÃO SE DEIXE LEVAR POR MAUS EXEMPLOS E CAMINHOS FÁCEIS MAS MORALMENTE ERRADOS!!! Além disso, tenho uma proposta maluca para fazer. Eu a chamei de "A Grande Cooperativa Mundial". Um nome um pouco megalomaníaco por enquanto mas adequado se chegar a ser o que idealizei. Vou explicar o que ela é:

Pelo Mundo afora, existem pessoas necessitando serviços, materiais, espaço, objetos, enfim, "coisas" em geral. Ao mesmo tempo, neste mesmo Mundo, existem pessoas dispostas a oferecer serviços, materiais, espaços e objetos que não necessitam em dado momento, "coisas" essas que ficam inutilmente paradas em um canto qualquer, sem que ninguém o(a) esteja usando. Por que não catalogar tais bens (i)materiais associando-os ao seu valor na área onde são oferecidos e distribuí-los a quem os necessita, em troca de uma outra contribuição para a Cooperativa por parte do beneficiado? Nos dias de hoje, com o advento estruturação e, definidamente, da entrada profunda da Grande Rede (Teia) Mundial em nossas vidas e culturas, esse trabalho torna-se bastante facilitado, podendo haver rápida comunicação entre as diversas "filiais" da Cooperativa espalhadas pelo planeta. Cada serviço ou bem oferecido e usado, geraria um crédito para o fornecedor deste bem ou serviço, ao mesmo tempo que seria criado um débito para o usuário do bem ou serviço para com a Cooperativa (veja bem, e não para com o fornecedor). Penso que os créditos possam ser ilimitados, mas os débitos devem ser restringidos a uma quantia máxima, talvez determinada pela capacidade de oferecer bens e serviços ou então, igual para todos. Certamente tornar-se-ia necessário realizar um projeto piloto desta Cooperativa em alguma localidade específica, para somente então tentar disseminar a idéia em uma área mais ampla. A estruturação completa desse projeto passa por um longo período de planejamento com uma equipe multidisciplinar envolvendo pessoas capacitadas em áreas do conhecimento como Política, Economia, Sociologia, Filosofia, Relações Interpessoais, Informática, e, provavelmente de áreas como física, matemática e mais especificamente estatística. Se alguém que tomar conhecimento desse projeto tiver interesse em tomar parte, deverá entrar em contato através do e-mail superjazz7@terra.com.br Veja bem, a princípio essa é uma idéia de uma atividade essencialmente civil, feita por pessoas comuns para pessoas comuns, sem envolver entidades governamentais, mas não haveria empecilho algum em haver participação ou mesmo regulação das atividades da Cooperativa por parte dos diferentes Estados. Qualquer comentário posterior, favor entrar em contato através do e-mail acima. Aproveitando o ensejo e o tema do Fórum Social Mundial: "Grande Cooperativa Mundial, em busca de um Mundo Melhor, impossível agora, mas certamente possível amanhã".

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Mais um
Rafael Luiz Reinehr

Mais um. Mais um o quê? Mais um político canalha prometendo milagres? Mais um cara metido a escritor tomando o seu tempo em leituras insossas? Mais um disco de pagode, axé ou música sertaneja que vendeu mais de 1 milhão de cópias? Mais um filho da puta que enganou ou traiu você? Mais um gol brasileiro meu povo? Mais um namoro acabado? Mais um desenho animado? Mais um louco alucinado? Mais um homem atropelado? Mais um bandido decapitado? Mais um velho aposentado? Mais um trabalhador desempregado? Mais um menino abandonado? Mais um incompetente no Senado? Mais um imbecil como Deputado? Mais uma noite que não durmo sossegado? Mais um motivo para ficar preocupado? Mais um ator ou cantor ou jogador aparecendo pelado? Mais um corrupto delegado? Mais um corpo em cinzas, queimado? Mais um perdedor arrasado? Mais um dia acabado? Mais um jovem drogado? Mais um idiota viciado? Mais um jogador negociado? Mais um negócio fechado? Mais um filho seqüestrado? Mais um peso pesado? Mais um leite derramado? Mais um barulho alucinado? Mais um ventilador ligado? Mais um louco internado? Mais um enfermo sanado? Mais um inadimplente despejado? Mais um rico despojado? Mais um livro publicado? Mais um jornal editado? Mais um tempero experimentado? Mais um telefonema ocupado? Mais um dia de trabalho dobrado? Mais um dito imbecil em rima pobre e eu mato você seu cabra safado? Mais um com cérebro alugado? Mais um ganhador predestinado? Mais um salafrário desmascarado? Mais um guru iluminado? Mais um carro ultrapassado? Mais um som irado? Mais um pobre subjugado? Mais um apresentador de programa de tevê abobado? Mais um livro surrupiado? Mais um ingênuo puro inocente enganado? Mais um disco do The Brains com sucesso danado? Mais um sem-teto desabrigado? Mais um esnobe humilhado? Mais um fim-de-semana em Gramado? Mais um, mais um, mais um... Mais um pobre oprimido? Mais um empregado despedido? Mais um remédio em forma de comprimido? Mais um triste deprimido? Mais um suicida que não foi ouvido? Mais um coração partido? Mais um acidentado socorrido? Mais um campeonato vencido? Mais um brinco perdido? Mais um vidro polido? Mais um caso de homicídio não resolvido? Mais um assassino absolvido? Mais um profeta usando vestido? Mais um romance sem sentido? Mais um artista desconhecido? Mais um vestido encolhido? Mais um sortudo escolhido? Mais um lamentável mal-entendido? Mais um cadáver apodrecido? Mais um magnata empobrecido? Mais um mistério conhecido? Mais um sem-terra detido? Mais um livro lido? Mais um doido varrido? Mais um apaixonado que foi acertado pelo cupido? Mais um dia de sol no Gasômetro? Mais um dia de sol no Brique? Mais um dia de sol no Alasca? Mais um dia de sol em nossas vidas? Mais um chuvoso entardecer que posso passar dormindo agarradinho em você? Mais um que acreditou em mim quando disse que o mundo não ia acabar no dia 11? Mais um dia escrevendo esse texto sentado na privada escutando Mutantes? Mais um desconhecido que quero conhecer? Mais um Gre-Nal? Mais um Ca-Ju? Mais um Bra-Pel? Mais um óculos de sol esquisito? Mais um colete de peles bonito? Mais um amante de periquito? Mais um concorrente ao Quiquito? Mais um caso de hipomelanose de Ito? Mais um passaporte irrestrito? Mais um agressor maldito? Mais um especialista perito? Mais um filhote de cabrito? Mais um participante de gabarito? Mais um que gosta de agito? Mais um fã do Raulzito? Mais um contrato com entrelinhas? Mais um que deu com a cabeça no poste e ficou a ver estrelinhas? Mais um babando pela Ana Paula Arósio? Mais um comendo os quitutes do seu Ambrósio? Mais um a participar de um simpósio? Mais um dia se passou e você não tem a mínima idéia do que vai colocar no Editorial do seu jornal? Mais um dia e você acorda feliz por saber que está fazendo a coisa certa? Mais um dia e você se sente bem por amar aos outros e às coisas acima de tudo? Mais um momento de tranqüilidade e serenidade que você dá à você mesmo antes de começar suas tarefas diárias? Mais um momento em que paras para pensar e começar a organizar o seu dia? Mais um grande sorriso estampado no rosto, apesar dos problemas, pois é assim que irradiamos bem-estar aos outros? Mais uma boa dose de altruísmo nesse nosso viver? Mais um carinhoso afago no nosso filhinho, cachorrinho, gatinho, esposa(o), namorada(o), amada(o) amante, bem-querer, bichinho de pelúcia? Mais um fim de jornada com a sensação do dever cumprido? Mais um... (continua!)
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A Velocidade do Pensamento
Rafael Luiz Reinehr

Nada temo, não fujo das idéias
Que voam e invadem
Minha mente cansada

Não corro para longe
Pois não adianta fugir
De algo que vai sempre me alcançar:
Meu pensamento

As dúvidas das quais fugia
Já não me preocupam
São elas que me inspiram
Me respondem o que quero saber

Da escuridão surge a luz
De um lampejo, o brilho enfim
Um sorriso e a resposta
Ao medo que já não existe

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