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31/01/2003 - Edição número 8

 

"É de chocolate que o amor é feito"

Editorial
Rafael Luiz Reinehr

Batatinha quando nasce
Adri e Rogério

Pensamentos Privados
Rafael Luiz Reinehr

Os patos
Eduardo H. Sabbi


Quéli C. Giuriatti

Solidão
Débora de Azevedo

Cesto de Retalhos
Débora de Azevedo

Confusões Familiares
Rafael Luiz Reinehr

"A Verdadeira Amizade"
Albert Einstein, enviado por Mirian Laise Paul

(sem título) autor desconhecido
enviado por Rafaela Luiza Trevisan

"Para Quê"
Florbela Spanca, enviado por Quéli C. Giuriatti
 

 

 

Editorial

Finalmente eis cá nossa primeira "edição especial" somente com poesias. Muitos enviaram seus escritos retirados do baú, a duras penas, pois estavam em baixo daqueles álbuns de figurinhas ou daquelas roupas antiiiiiiiiiigas, que guardamos sabe lá porquê (talvez para alimentar nossa nostalgia...); outros preferiram enviar algo escrito por outrem, mas que lhes tivesse significado especial. Outros ainda enviaram poemas que não pude ler completamente, por falha "tecnológica" (incompatibilidade entre versões do programa de leitura) e desta feita não houve tempo hábil para publicá-los (estes, com certeza, estarão em uma edição vindoura do Simplicíssimo). Hoje estou sem muito para escrever, portanto deixo-vos com as delícias poéticas que vêm a seguir, estendendo o convite, mais uma vez, à sua participação nas edições seguintes do Simplicíssimo, tanto como leitores como produtores de "ajuntamentos de palavras". Fiquem com o seu Deus (ou deuses) ou com a absoluta falta de necessidade dele ou com a dúvida sobre a sua existência e até a próxima semana!

Rafael Luiz Reinehr

"A vida é escuridão, exceto quando há impulso, e todo impulso é cego, exceto quando há saber, e todo saber é vão, exceto quando há trabalho, e todo trabalho é vazio, exceto quando há amor"
Gibran

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Batatinha quando nasce...
estrofe popular, encaminhada por Adriana e Rogério

Batatinha quando nasce
Se esparrama pelo chão
Menininha quando dorme
Põe a mão no coração...

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Pensamentos Privados
Rafael Luiz Reinehr

Faço força para não pensar

Enquanto caem das minhas entranhas

Sentimentos digeridos e absorvidos

Que já não me servem mais

Libero, em toda minha impaciência

O vil odor que agora assola o ambiente

O hálito pensante sobrenada cansado,

Inerte, só, desesperado

Não quero mais essa angústia

Limpo minh'alma e sigo andando

Há muito que sei o meu caminho

Ele eu sigo, sorrindo contente

(esse poema foi o primeiro de uma série de 5 poemas escritos para participar de um concurso nacional promovido pela Editora Shan. Está publicado em "Antologia Poética Brasileira 1999", da Série Gaivota. O mesmo foi literalmente escrito sentado em uma privada, durante o ato de evacuar, e é uma reflexão profunda sobre o referido ato.)

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Os patos
Eduardo Hostyn Sabbi

Quando o inverno chegar
Ou o outono se for
Chegará o frio do mar
Mudará o ar sua cor

E assim também os ânimos
Daqueles que vivem sozinhos
Cabisbaixos e tristonhos
A seguirem seus caminhos

Pisando o chão de orvalho
E vendo a chuva a escorrer na janela
Ou a molhar seu agasalho
Enquanto o vento enegrece a vela

Pois já partiram para o sul
Os que sabiam de antemão
Que mais difícil que este azul
Seria a solidão

Ah! Quando o inverno chegar
Ou o outono se for
Congelará a alma a estar
Sem par a tremer de dor

E sem poder partilhar segredos
Ao ver a noite cair no dia
Tomarão conta os medos
Bem mais cedo que se previa

"Coragem" dizem dos que esperam
Sem nenhuma pressa em existir
Alheios ainda mais do que eram
Mas com a ânsia de resistir

E deixam estar até voltar ao que eram
E outro mesmo rumo seguir
Certos que sempre estiveram
Da primavera chegar quando o inverno de partir

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...
Quéli Giuriatti

Sempre assim
Longe de mim
Costumeiro vaivém da vida
Que leva e traz coisas boas e ruins
Porque insistes em privar-me do amor sem fim

A busca, cândida e árdua, do coração de mulher
Quer, quer, quer
Pra ontem, pra hoje e pra amanhã
Sem tardar por demais, nem pensar na semana que vem, mês que vem, nem vem que não tem
O quanto antes melhor
O quanto de amor maior
O quanto de cor que puder

Inspiração

Olhos doces que olham pra mim e me vêem
Sem dó nem piedade
Sem pena da vaidade
Sem medo de ser feliz

Onde estão, os olhos doces de pecado e visão?

Sensação

Onde quer que esteja, agora surja e apareça e acabe pra já com a minha solidão

Quéli Giuriatti, nem drogada nem prostituída, jornalista, 25 anos. Pessoa séria que não deve ser levada muito a sério. Gosta de rir, andar em bandos de amigos e amigas e escrever coisas. Principalmente, de gente e seus relacionamentos. Sobretudo, de amor.

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Solidão
Débora de Azevedo

Solidão
Minha companheira leal,
Está sempre ao meu lado
Vivi em uma constelação, e sempre na multidão.
Mas não conheço ninguém além da solidão.
Sempre fui só, pois penso sem dó.
Faço e não volto atrás, sou dura, sou impura.
Quero assim, pois mando apenas em mim.
Queres me encontrar?
Encontre antes a solidão, pois eu sou a escravidão.
Tu sabes o que faz, a solidão me acompanha, e se quiser que seja assim...
...Pois mando apenas em mim.

Débora de Azevedo, estudante de Odontologia e nas horas vagas tem como diversão seu trabalho em sua pequena produtora divulgando algumas bandas e levando-as para o interior do Estado (Vale dos Sinos e região serrana). Também divide seu tempo com trabalho voluntário onde ajuda crianças e idosos carentes levando amor, carinho, atenção e cultura. Estas poesias, se é que se pode chamá-las assim, estão guardadas há tempo. São de minha autoria e saem do "nada" vindas de um sentimento momentâneo. Elas fluem normalmente em noites de insônia e profunda rebeldia, onde expresso meu sentir. Nem sei se é tão poético, ou talvez harmonioso, não sigo regras gramaticais e nenhum estilo poético. Na verdade não as considero poesias e sim um explosivo desabafo. Estas foram dedilhadas em noites de profunda agonia... ...As lágrimas corriam sobre o papel e iam formando letras, palavras, frases, bem isto aí...

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Cesto de Retalhos
Débora de Azevedo

É minha própria alma grande cesto de retalhos.
E os há de todos os tipos: bonitos, bem feios e falhos.

Retalhos de saudade; retalhos de temor;
alguns há ódio, outros tantos de amor.

Retalhos de incerteza da nossa vida futura;
de ver assim praticamente no mundo tanta loucura.

Retalhos que sobraram de vestes da minha vida;
retalhos de fé e esperança de ver a justiça cumprida.

Retalhos de todos os momentos;
momentos alegres ou tristes;
da tristeza dos meus pesares;
do prazer de saber que tu existes!

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Confusões Familiares
Rafael Luiz Reinehr

Eu nunca estive aqui

Mas não sabia para onde ir

Nunca havia te encontrado

Eu nunca estive na sua casa

Que tem cheiro de desconhecido

Tem escadas que levam longe

Para perto de algo familiar

Um lugar onde tudo acontece

Onde se pode fazer o que quiser

Em toda a volta, no céu ou sob a terra

À nossa volta, de cabeça para baixo

Faça o que quiser fazer

Pegue algo de novo

Mas eu já estive aqui

Pois este era o meu lugar

Foi aqui que te encontrei

Será a minha voz que eu ouço agora?

Vejo muitos ao meu redor

O seu rosto não me é estranho

Eu realmente saí daqui?

Essas confusões...

...tão familiares

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A Verdadeira Amizade
enviado por Mirian Laise

Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes denovo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um do outro há de se lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos denovo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente,
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

Albert Einstein

(Mirian Laise tem 20 anos e é estudante do 6° semestre de Pedagogia - Educação Infantil/Séries Iniciais pela ULBRA - Campus Cachoeira do Sul.)

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poema sem título
encaminhado por Rafaela Luiza Trevisan, autor desconhecido

"O que faz a gente ser grande é não perder o futuro de vista.
É chegar a um porto, fincar a bandeira da conquista e,
nesse mesmo instante, começar a buscar outros portos.
É criar desafios, calcular riscos, avançando sempre.
Porque a grande aventura é viver!
E a vida, assim como as ondas, tem um jeito diferente de se repetir,
de prometer descobertas e abrigar todos os tipos de sonhos e embarcações.
O que faz a gente ser grande é ser como o mar:
incansável na sua busca pela onda perfeita.
Até descobrir que a perfeição está na própria busca."

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Para Quê
enviado por Quéli C. Giuriatti

Tudo é vaidade neste mundo vão...
Tudo é tristeza; tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
Vem logo a noite encher o coração!

Até o amor nos mente, essa canção
Que o nosso peito ri à gargalhada,
Flor que é nascida e logo desfolhada,
Pétalas que se pisam pelo chão!...

Beijos d'amor! Pra quê?!...
Tristes vaidades!
Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!

Só acredita neles quem é louca!
Beijos d'amor que vão de boca em boca,
Como pobres que vão de porta em porta!...

Florbela Espanca (A Mensageira das Violetas)

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