07/03/2003
- Edição número 13
"
- Sede Amorzinho! "Batante" água!"
Editorial
Rafael Luiz Reinehr
O homem e a desvalorização de seus símbolos
Carolina Schumacher
A Dinâmica dos Relacionamentos do Médico-Residente
no Hospital Conceição - Uma Breve Etnografia (parte
I de III)
Rafael Luiz Reinehr
A Cartilha do Simplicíssimo (em 23 lições
Rafael Luiz Reinehr
Escrever por Escrever IX (excertos)
Rafael Luiz Reinehr
Editorial
Não
era meu plano ficar batendo na mesma tecla em edições
tão próximas do Simplicíssimo, mas é
muito difícil não falar sobre o assunto que toma de
assalto nossas mentes dia e noite: a iminência da Guerra.
Não só Nostradamus previu mas também a vovó
já dizia: esse assado está com cheiro de queimado!
Fico fascinado com a força e a intensidade com que questões
éticas e de legalidade estão sendo discutidas em todo
mundo. Feridas estão sendo abertas, nações
dos países desenvolvidos estão sendo expostas. Mesmo
a França, agora liderando o time dos "Contra" ainda
sofre com resquícios de seu imperial-colonialismo. A Rússia,
também do "Contra", é lembrada constantemente
da ocupação da Chechênia. Os Estados Unidos
são desmascarados de fora para dentro, pelos seus outrora
tão ferrenhos aliados e defensores mas, o que mais faz minha
estupefactação vibrar energicamente, é que
um levante "de dentro pra fora", que ocorria timidamente
já há vários anos (desde a década de
60), agora tomou vulto e seu sonoro "Não!" à
guerra se faz ouvir até em Plutão! Vemos um menino
em uma escola americana vestindo uma camiseta com a foto de George
Bush com o texto "Terrorista Internacional" ser expulso
da escola, temos protestos de homens e mulheres nu(a)s correndo
pelas pradarias (argh!) em protesto, passeatas, bandeiraços,
telefonemas e e-mails superlotanto o Pentágono e a Casa Branca!
É um fenômeno que não podemos deixar de comentar
e exaltar. É a força da razão humana, da Opinião
Pública Mundial, sobrepujando a loucura de seus governantes!
Como tela de fundo, coloco o "depoimento" de 2 bandas
norte americanas de um estilo que podemos chamar de punk rock misturado
com funk e hardcore. O primeiro é o videoclipe de "Testify",
do Rage Aganst The Machine, "baixável" gratuitamente
no Kazaa (www.kazaa.com),
que fala sobre a mesmice e a corrupção que se perpetua
na "América" (putz, nunca coloquei tantas aspas
em um texto antes!). Começa com um filme em preto e branco
dizendo que os Aliens querem conquistar o mundo, e para tanto colocarão
na terra um "mutante" que se divide em dois (Al Gore e
George Bush), que apesar de parecer dois seres distintos, na verdade
é o mesmo, e é enviado à Terra para domina
o mundo. O clipe, feito em 2000, creio, é um retrato do que
viria a ser o momento atual. O segundo depoimento "em antecipação"
é a letra de "American Jesus", do Bad Religion,
feita na década de 90 e que transcrevo, no original em inglês,
abaixo:
I don´t
need to be a global citizen
Because I´m blessed by nationality
I´m a member of a growing populace
We enforce our popularity
There are things that seem to pull us under and
There are things that drag us down
But there´s a power and a vital presence
That´s lurking all around
We´ve
got the American Jesus
See him on the interstate
We´ve got the American Jesus
He help build the president´s estate
I feel sorry
for the earths population
Cuz so few live in the USA
At least the foreigners can copy our morality
They can visit but they cannot stay
Only precious few can garner our prosperity
It makes us walk with renewed confidence
We´ve got a place to go when we die
And the architect resides right here
We´ve
got the American Jesus
Postering the shim of pain
We´ve got the American Jesus
Overwhelming millions every day
He´s
the farmer´s barren field
The force the army wields
The expression in the faces of the starving children
The power of the man
He´s the fool that drives the clan
He´s the motive and conscience of the murderer
He´s the preacher on TV
The false sincerity
The form letter that´s written by the big computers
He´s nuclear bombs
And the kids with no moms
And I´m fearful that he´s inside me
We´ve
got the American Jesus
See him on the interstate
We´ve got the American Jesus
Each side with his apologies
We´ve
got the American Jesus
Postering the shim of pain
We´ve got the American Jesus
Overwhelming millions every day
Por isso que
gosto de ler os clássicos: me emociono com a atualidade dos
pensamentos de centenas ou milhares de anos atrás, principalmente
no que diz respeito à Política, às Virtudes,
à Justiça e à Ética. Fico pasmo quando
pessoas comuns, contemporâneas, como os autores dessas músicas
conseguem traduzir em palavras, sons e imagens aquilo que muitos
sociólogos com doutorado, livros publicados e menções
de "doutor honoris causa" pra cá e pra lá
não conseguem fazer. A realidade é triste mas é
verdadeira... Em duas semanas de governo um torneiro mecânico
sindicalista de 9 dedos nas mãos conseguiu surpreender o
mundo participando do Fórum Social Mundial em Porto Alegre
e do Fórum Econômico Mundial em Davos, arrancamdo palmas
nos dois eventos. Chegou ao ponto de um respeitável analista
político (estou certo?) do The Guardian, jornal britânico,
escrever que, talvez, o mundo fosse muito melhor se George Bush
fosse presidente do Brasil e Lula fosse, por sua vez, presidente
dos Estados Unidos! Quase tive um chilique ao ler essa! Fantástico!
Quem não tem colírios usa óculos escuros! Imagine
o que estão produzindo no Le Monde Diplomatique...
Rafael
Luiz Reinehr
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O homem
e a desvalorização de seus símbolos
Carolina Schumacher
Bem, na verdade
eu não teria nada para escrever se não fosse algumas
coisas que me vieram à mente a alguns minutos atrás.
Atualmente estou lendo o livro "O Homem e seus Símbolos"
de Carl Gustav Jung e é mais ou menos sobre ele que quero
escrever.
É um
livro de fácil compreensão que vem dar uma base ao
estudo da psicologia Junguiana a qual se diferencia da Freudiana
por aspectos como a valorização do inconsciente não
só como um depósito de material reprimido (como diz
Freud), mas também como um lugar de onde se pode tirar coisas
trazendo à consciência como um produto desde sempre
inconsciente. Isto é, Jung considerava o inconsciente como
um lugar também de criação ou produção
e não somente um depósito inerte como o era para Freud.
Seguindo, o
livro trata da dimensão simbólica do homem desde sempre
e como a racionalidade veio a destruir a importância original
que os símbolos exerciam sobre o homem. Com certeza não
é só essa a mensagem do livro, mas infelizmente não
terminei de lê-lo ainda e minha contribuição
não será tão rica devido aos meus poucos conhecimentos
acerca da psicologia Junguiana - e aqui até faço um
apelo para meus amigos estudiosos de Jung para que me ajudem caso
esteja errada.
Agora então,
finalmente, começo. O homem é um ser que se utiliza
símbolos para viver. Em outro texto já havia escrito
acerca da linguagem humana e lembro que em algum momento falei da
dimensão inconsciente dessa. E aqui encontro um bom gancho
para começar o que quero dizer. O homem desde sempre utilizou
a simbologia a qual trazia junto consigo um aspecto inconsciente
que lhe conferia importância nas decisões das sociedades
primitivas. Antigamente, sonhos, visões ou premonições
assumiam o papel de mensagens as quais dirigiam a ação
e indicavam o caminho para o homem. Um exemplo disso são
os personagens dos filmes que vemos como feiticeiros, pajés,
magos, etc os quais possuíam o poder de receber mensagens
do além. A forma de se interpretar esse fenômeno não
mudaria se fosse transposto para os dias atuais, ou seja, seriam
frutos da imaginação ou do inconsciente. A diferença
está na forma como, antigamente, o homem percebia esses eventos
(sonhos, visões, intuições, premonições),
e lhes conferia uma devida importância. Suas ações
e decisões eram baseadas nessas mensagens vindas do inconsciente.
O que aconteceu com o homem moderno foi a perda dessa percepção
ou a desvalorização dela. O homem continua sonhando
e tendo intuições, mas não lhe confere a sua
devida importância. O homem moderno passou por cima dos símbolos
que estão presentes nos sonhos que tem todas as noites. Deixou
de prestar atenção às suas intuições
num mundo que perdeu a dimensão irracional, e vive como se
não houvesse nada além da sua consciência. Com
isso, perdeu a capacidade de se perceber como um ser simbólico
que vive rodeado de símbolos conscientes e inconscientes.
Em certo trecho
do livro, Jung ressalta o começo do fim da simbologia humana
com o surgimento do cristianismo, ou seja, com a instituição
de um Deus único e soberano em detrimento dos antigos "deuses"
da natureza. Esse fenômeno acarretou o fim da simbologia atribuída
à natureza em geral - a Deusa do lago, a Mãe natureza,
e a crença de que todos os seres pertencentes ao mundo possuíam
vida ou alma como as árvores por exemplo. Porém, o
que aconteceu foi uma troca - digamos desvantajosa - entre milhares
de "pequenos deuses" por um único e grandioso Deus
mostrado pela igreja. Todo o resto era então desvalorizado
e desacreditado. É como se ficasse uma grande falta de significado
ou de essência em nosso mundo: tudo foi trocado por uma única
coisa que passou a simbolizar tudo. Meio complicado isso né
?! Mas o problema não foi exatamente a troca de vários
deuses por um só, o problema parece que está no fato
de que não se colocou nada nos lugares que eram antes preenchidos
por algum sentido ou significado, e o mundo parece que ficou assim
mesmo: cheio de falta de significado. A luz da igreja fez nascer
um homem "sozinho". Tudo isso contribuiu para a desvalorização
do nosso próprio inconsciente - nosso primeiro guia. Tudo
que é muito próximo do homem não é tido
como sagrado nem tampouco digno de ser valorizado.Talvez o homem
antigo fosse mais feliz com seu mundo tão cheio de significado,
e suas crenças tão menos carregadas de pecado e culpa.
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A Dinâmica
dos Relacionamentos do Médico-Residente no Hospital Conceição
- Uma Breve Etnografia (parte I de III)
Rafael Luiz Reinehr
ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO
2. O AMBIENTE DE TRABALHO
3. AS RELAÇÕES PROFISSIONAIS
4. DO PONTO DE VISTA DO PACIENTE
5. DO OUTRO LADO
6. O MÉDICO RESIDENTE E O SEU DIA-A-DIA
7. INTERMEZZO: VOCABULÁRIO MÉDICO-POPULAR
8. ACONTECIMENTOS INCRÍVEIS E NEGLIGÊNCIAS
9. MÉDICO RESIDENTE - A FUNÇÃO SOCIAL VERSUS
A FUNÇÃO HUMANIZADORA
10. CONCLUSÃO
INTRODUÇÃO
O presente exercício
de etnografia tem por objetivo descrever de forma sintética
as atividades profissionais de um grupo de médicos residentes
do Hospital Conceição em seu local de trabalho e verificar
as relações existentes entre os mesmos, entre estes
e seus preceptores e seus pacientes. Para tanto servi-me do conhecimento
adquirido durante este ano de 2000, em que tenho trabalhado como
médico residente no mesmo Hospital, além de entrevistar
especificamente alguns colegas e pacientes, após a exposição
dos objetivos do presente trabalho. A escolha do lugar e do tema
deveu-se tanto pelo fato de que julguei ser interessante para mim
investigar, do ponto de vista antropológico as relações
humanas existentes no meu ambiente de trabalho aliado ao fato de
que meus objetos de estudo estariam presentes ao meu lado diariamente,
não sendo necessário um período de inserção.
Isso significa - creio eu seja esse um aspecto importante - ausência
de mentiras, desconfianças ou dissimulações
durante minha interação com as pessoas. Não
poderia de forma alguma "usar melhor a vestimenta" de
quem estou estudando do que assim o fazendo. Durante o trabalho,
primeiramente descreverei o ambiente de trabalho dos médicos
residentes. Daí em diante passarei para as relações
hierárquicas e profissionais entre o médico residente,
outros funcionários, seus preceptores e os pacientes. A seguir
explicarei alguns mecanismos do funcionamento do Hospital e passarei
a descrever o dia-a-dia típico do médico residente,
passando por algumas experiências contadas por colegas acontecidas
no decorrer das atividades e nos plantões. Também
será apresentada, do ponto de vista do paciente, uma breve
impressão que este tem dos eu médico e dos outros
pacientes. Finalmente, serão levantados os aspectos sociais
e humanitários da profissão do médico residente.
Apesar da grande dificuldade de me distanciar do meu papel de médico
residente, eu o consegui, até certo ponto, quando fui ao
Hospital por 2 vezes em minhas férias de novembro sem o jaleco
branco. Somente aí consegui realmente tomar uma distância
crítica entre o meu papel como médico e o meu caráter
de pesquisador, de etnólogo, podendo assim analisar alguns
aspectos que não conseguia separar normalmente.
O AMBIENTE
DE TRABALHO
Ao Hospital
Nossa Senhora da Conceição pode-se chegar de uma série
de formas: ônibus, carro, táxi ou mesmo a pé,
sendo que a entrada principal encontra-se na Rua Francisco Trein.
Em frente ao Hospital, vemos um amplo comércio: no lado oposto
da rua, temos lancherias e restaurantes, farmácias de manipulação,
farmácias comuns, um banco, padaria, lotérica, estacionamentos,
lojas de produtos "um e noventa e nove" e vários
outros estabelecimentos, além de um ponto de táxi.
Do lado da rua em que se encontra o Hospital, existem vários
carrinhos que vendem lanches rápidos com cachorros-quentes,
xis-búrgueres, salgadinhos, churrasquinhos e refrigerantes,
além de uma barraquinha de ervas naturais para "tratamento"
de qualquer doença, segundo propagandeia a dona do mini-estabelecimento.
A primeira impressão que temos é a de sujeira. A frente
do Hospital tem um visual poluído, com todas aquelas barraquinhas,
fumaça e cheiros misturados, um misto de poluição
visual, sonora e olfativa. Na entrada do Hospital, dois seguranças
fiscalizam a passagem das pessoas, deixando passar as que estão
identificadas com crachás do Hospital e limitando a entrada
de outras pessoas como familiares de pacientes, representantes comerciais
de laboratórios farmacêuticos e outros que não
possuem autorização específica para entrarem
fora do horário de visitas. Os corredores do Hospital são
largos, em média de três a três metros e meio
de largura, com uma iluminação razoável, baseado
em parte na luz solar que adentra as amplas janelas que se encontram
tanto nos quartos dos pacientes quanto nas enfermarias em si. Escolhi
para meu trabalho a enfermaria denominada 3°C, onde ficam os
pacientes de responsabilidade da Medicina Interna, pacientes com
patologias eminentemente clínicas e de gravidade considerável.
Nessa enfermaria, temos duas partes: uma, à esquerda, onde
ficam guardados os prontuários dos pacientes e onde fica
uma secretária responsável pelos aspectos burocráticos
e de gerenciamento de materiais do posto, servindo também
como telefonista e fornecendo informações a familiares
de pacientes. À direita, o espaço é reservado
para a equipe de enfermagem. No local são guardados medicamentos,
materiais para procedimentos médicos ou de enfermagem, seringas,
agulhas e coisas do gênero, além de ser o espaço
onde os auxiliares de enfermagem preparam as medicações
que foram trazidas da farmácia para administrar aos pacientes.
Logo à esquerda dessa sala fica então a sala de prescrição,
onde os médicos residentes e seus doutorandos buscam resultados
de exames, evoluem por escrito e prescrevem seus pacientes. Nessa
sala existe uma grande mesa, várias cadeiras e banquinhos
(em torno de 10), 2 computadores e uma impressora, além de
muitos formulários e papéis de todos os tipos e para
todos objetivos, alguns organizados em um escaninho mas outros tantos
espalhados pela mesa e até mesmo pelo chão, em uma
balbúrdia infernal. Logo ao lado desta sala existe outra
pequenina sala onde se encontra mais um computador, uma pequena
mesa e duas cadeiras, além de um arquivo onde são
guardados artigos científicos de relevância clínica
para fácil acesso aos médicos residentes. Nesta sala
também há uma antiga máquina de xerox, alugada
pelos médicos residentes para que estes possam fazer cópias
de livros ou artigos científicos para uso pessoal. Ainda
sobre a estrutura física do Hospital, temos no centro do
mesmo (já que esse é formado por 3 alas) uma praça
ao ar livre, onde tanto pacientes como funcionários podem
transitar tranqüilamente. Alguns outros aspectos relacionados
aos quartos dos pacientes serão discutidos na parte intitulada
"Do ponto de vista do paciente".
AS
RELAÇÕES PROFISSIONAIS
Nesse andar,
como em praticamente todo o hospital, o trabalho médico direto
é exercido por residentes de Medicina Interna, médicos
formados em Universidades federais ou particulares de todo Estado
e ocasionalmente fora dele. Esses médicos residentes passam,
após conclusão do curso terciário, por um processo
de seleção que inclui uma prova escrita, a apresentação
do currículo e uma entrevista, sendo então selecionados
os melhores para a realização do Programa de Residência
Médica do Hospital, que é, na verdade, uma forma de
pós-graduação e especialização.
Também fazem parte do corpo profissional do setor uma enfermeira
por turno (que são três no total: da 7:00 às
13:00, das 13:00 às 19:00 e das 19:00 às 7:00) e 7
a 8 auxiliares de enfermagem por turno. Além disso, existem
médicos contratados, chamados "preceptores", que
são os orientadores dos médicos residentes. Estes
vêm ao Hospital em determinadas horas do dia conforme sua
disponibilidade e discutem os casos dos pacientes com os médicos
residentes, dirimindo dúvidas que estes porventura tenham
no que diz respeito ao diagnóstico e tratamento das enfermidades
dos pacientes. É claro, existem os pacientes, que são
o motivo de ser do Hospital. Os pacientes que estão internados
no 3°C são pacientes geralmente graves, pacientes que
tenham uma patologia de difícil manejo, pacientes que necessitem
internar para realizar uma avaliação diagnóstica
intra-hospitalar ou mais freqüentemente pacientes com várias
patologias simultâneas ou com seqüelas de uma patologia
anterior. São pacientes com doenças renais, cardíacas,
pulmonares, neurológicas, oncológicas, endocrinológicas,
hematológicas, infecciosas, psiquiátricas e também
psicossomáticas. Além do atendimento médico
prestado diretamente pelos médicos residentes, pelos enfermeiros
e auxiliares de enfermagem e indiretamente pelos preceptores, ainda
estão distribuídos pelo Hospital outros serviços
que servem de apoio a essa estrutura básica, como por exemplo
as especialidades médicas ( Endocrinologia, Nefrologia, Cirurgia
Geral, Urologia, etc.) que podem ser contatadas em casos especiais,
por vezes complicados ou que necessitem uma avaliação
deveras especializada; também existe o Serviço Social,
o Serviço de Fisiatria, a Odontologia além dos serviços
de apoio ao diagnóstico, como a Radiologia, o Laboratório
Central, a Medicina Nuclear, a Ergometria, a Eletrocardio e a Eletroencefalografia,
a Ecografia e assim por diante. Algo curioso que pode se notar logo
em uma primeira olhada é algum ar de inimizade, uma tensão
existente entre médicos residentes e enfermeiras. Isso não
pareceu ser a regra, mas por mais de uma vez pude presenciar atrito
entre um médico residente e uma enfermeira. Ao questionar
ambos sobre as possíveis razões pelas quais tal fato
acontece, já que, a princípio o objetivo de ambos
é melhorar a saúde do paciente, a resposta diferiu
bastante. Enquanto a enfermeira respondeu que isso acontece porque
os médicos residentes são muitas vezes muito impetuosos,
solicitando para já a realização de certos
procedimentos, não compreendendo a indisponibilidade de pessoal
insuficiente para adequação do trabalho de enfermagem,
por outro lado o médico residente respondeu que isso aconteceria
pois a enfermeira se julga "dona"do posto de enfermagem
e, além disso desconsidera o médico residente, já
que este permanecerá no Hospital por uma média de
2 anos, enquanto ela é funcionária contratada, não
precisando se sujeitar às demandas dos residentes. Foi também
possível observar que o mesmo atrito não ocorre entre
residentes e auxiliares de enfermagem, exceto em circunstâncias
muito especiais como por exemplo demora na administração
de uma medicação que tem caráter de urgência
ou também durante os plantões com a equipe de auxiliares
da noite. Segundo grande parte dos médicos residentes, a
equipe de auxiliares de enfermagem que trabalha durante a noite
é muito ruim e de difícil relacionamento: não
administram medicações de forma correta, descuidam
de cuidados simples até mesmo como aferir a temperatura axilar
ou a pressão arterial do paciente e assim por diante. O motivo
pelo qual especulam que isso aconteça é pelo fato
de que são os funcionários contratados há mais
tempo pelo Hospital, pelo fato de trabalharem à noite e,
segundo postulam, com a inversão do ritmo circadiano ocorreria
uma maior probabilidade destes tornarem-se irritadiços e
pouco dispostos ao trabalho (o que dificulta concomitantemente o
trabalho dos médicos residentes, talvez por isso gerando
às vezes um sutil clima de inimizade).
DO
PONTO DE VISTA DO PACIENTE
A entrada dos
pacientes no Hospital se dá de três formas básicas:
a primeira é pelo Serviço de Emergência do Hospital.
Pacientes com enfermidades agudas procuram a Emergência, são
atendidos primeiramente lá e então ficam aguardando,
geralmente por dias, um leito vago na internação do
Hospital. A segunda forma é uma internação
eletiva via Ambulatório, de onde pacientes que são
atendidos nos ambulatórios e necessitam de internação
são encaminhados. As vagas para pacientes ambulatoriais só
se tornam disponíveis após ocupação
dos leitos dos andares de internação pelos pacientes
que recebem alta da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e pelos
pacientes que estão na Emergência. Pelo menos essa
é a regra estabelecida, mas o que acontece não é
bem isso. Muitas vezes se burla o sistema estabelecido e se interna
pacientes via Ambulatório sem que os pacientes que estão
na Emergência subam, o que aumenta a permanência destes
na Emergência. A terceira forma é a internação
"política", onde familiares ou pessoas indicadas
por políticos municipais ou estaduais internam, sobrepujando
qualquer regra básica de ordenação de internação.
A grande maioria dos pacientes, aqueles internados pelo Serviço
de Emergência, são pacientes de classes sociais menos
favorecidas, pacientes que não tiveram acesso prévio
ao sistema de saúde, ou o tiveram mas têm dificuldade
de realizar o tratamento adequado de suas doenças, quer seja
por dificuldades financeiras, intelectuais ou mesmo pelas condições
de trabalho, moradia e sobrevivência a que estão sujeitos.
No andar em que ficam internados, no caso o 3°C, os pacientes
ficam em quartos em que dividem o espaço com mais três
pacientes, em um total de 10 quartos mais três quartos reservados
para isolamento de pacientes com doenças infecto-contagiosas
graves ou com imunossupressão e que conseqüentemente
não podem entrar em contato com outros pacientes. Os quartos
são só femininos ou só masculinos, sendo que
ocasionalmente permite-se um acompanhante do sexo oposto, no caso
familiar de algum paciente quando este necessita de cuidados especiais
ou atenção intensiva, o que nem sempre é possível
ser feito pelo serviço de enfermagem. Entre os leitos dos
pacientes não existe nenhum biombo ou cortina, o que deixa
os pacientes expostos física e psicologicamente a seus companheiros
de quarto. Ocasionalmente, pude constatar pacientes em recuperação
de grandes cirurgias abdominais, com seu abdômen aberto, apenas
protegido por uma tela, em um quarto assim, "semi-privativo",
sendo exposto à "visitação" por parte
dos outros pacientes e pior, na hora da visita, por outras pessoas.
Isso sem contar a sensação de desconforto que é
causada justamente nos outros pacientes que dividem o quarto, como
constatei em conversa particular com uma paciente de 28 anos que
estava no leito ao lado. Da mesma forma, uma queixa freqüente
que parte dos pacientes em relação aos seus companheiros
de quarto diz respeito aos pacientes internados por alcoolismo e
àqueles internados por acidentes vasculares cerebrais. Aos
primeiros porque geralmente são pessoas que internam em mau
estado geral, são mal-cuidados e mal-cheirosos, além
de que, quando começam a melhorar, também,são
considerados mal-educados, pois em geral, pronunciam impropérios.
Dos últimos reclamam principalmente devido ao mau-cheiro
das escaras,que são úlceras provocadas pela pressão
continuada sobre alguma região do corpo, já que esses
pacientes não conseguem se movimentar sozinhos. E, diariamente
são trocados os curativos dessas escaras, sendo que, principalmente
quando infectadas e expostas na hora dos curativos, exalam um mau-cheiro
terrível (que pude presenciar por mais de uma vez). Muitos
pacientes estão restritos aos seus leitos, pois a patologia
que lhes trouxe para o hospital é tão debilitante
que os enfraquece ou mesmo previne que estes possam deambular adequadamente,
ficando assim totalmente dependentes dos cuidados oferecidos pelo
Hospital e por vezes por seus familiares. Isso inclui impossibilidade
até mesmo de fazerem as necessidades fisiológicas
mínimas como evacuar, urinar ou mesmo se alimentar. Quando
perguntamos aos pacientes o que estes pensam de seus médicos,
a resposta geral e quase unânime é a de que seu médico
é muito bom, que é confiável, lhe trata bem,
ou seja, só existem elogios. Poucos pacientes expressam queixas
objetivas em relação a seus médicos, e quando
estas acontecem, dizem mais respeito a demora na realização
de exames ou sofrimento relacionado a procedimentos realizados mas
inerentes a esses procedimentos. Interessante observar que, como
já citado, os pacientes internados no Hospital Conceição
são de classes sociais menos favorecidas, e isso significa
que são pacientes que questionam menos seu médico,
ignoram mais completamente mecanismos de instalação
das doenças, tendo muitas vezes idéias mágicas
acerca da origem de sua patologia, ao contrário do que acontece
com as classes mais informadas, que estão sempre questionando
acerca da doença, das condutas tomadas e qual o plano a seguir.
Cito isso porque também é interessante notar que,
com os pacientes dessas classes mais informadas, o nível
de satisfação é menor, mesmo se compararmos
casos similares com resultados parecidos. Talvez, em parte, porque
o nível de exigência seja maior e talvez porque, justamente
por possuírem uma maior capacidade de argumentação,
os pacientes e familiares de classes mais favorecidas julgam poder
ter privilégios sobre outros pacientes, esquecendo que estão
servindo-se de serviços oferecidos pelo Sistema Único
de Saúde (SUS) [o SUS, quando planejado, almejava oferecer
acesso universal e integral à saúde de todos cidadãos
brasileiros, estando, como podemos acompanhar, pela dificuldade
de acesso a consultas, a exames diagnósticos e medicamentos
e pelo crescimento dos planos privados de assistência à
saúde, em plena decadência]. Muitas queixas derivam
do fato dos pacientes terem de esperam internados por muito tempo
até a realização de um exame, o que ocorre,
após pesquisar seus mecanismos, devido à falta de
profissionais contratados para realização desses exames,
e não devido a falta de equipamentos necessários.
Chegou-se ao cúmulo de o Hospital ficar sem ecocardiograma
pelo período de um mês pois o único ecocardiografista
do Hospital entrara em férias. (!)
(continua em
1 semana...)
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A Cartilha
do Simplicíssimo (em 23 lições) - O seu curso
de aperfeiçoamento na Última Flor do Lácio
Rafael Luiz Reinehr
Lição
número 8
lápis pis
Fui à feira com
o meu filho.
Meu filho viu um pássaro na feira.
Na feira vimos um espelho.
Vimos também muitos lápis.
espelho es
Tito viu um pássaro
no mato.
O filho não viu êsse pássaro.
Êle não foi ao mato.
Estava na feira com Ida.
pássaro aro
es as us is os
are ara aru ari aro
Antônio viu a escada
encostada na parede.
Êle subiu pela escada e foi ao telhado.
Viu uma arara comendo milho no telhado.
As batatas estão
na venda.
As bananas estão na feira.
Os pássaros estão
no mato.
Os urubus estão no telhado.
Os filhos estão
na sala.
Os pais também estão na sala.
Os dentes estão
na bôca.
Os dedos estão na mão.
O espelho está
na sala.
Os lápis estão na pasta.
A escada está
encostada na parede.
As telhas estão no telhado.
prato pra
tronco tron
O leite estava no prato.
O gato viu o leite.
O gato bebeu o leite do prato.
O prato ficou limpo.
gato ga Ga
Meu primo ouviu o trovão.
Viu as nuvens.
Trabalhou mais apressado.
Êle é muito prudente.
pron pre pra prin pro
pru
tron tre tra rin tro tru
- - ga - go gu
O tronco é de
pinho.
Êste tronco não tem galho.
Êste tronco não tem fôlha.
Êste tronco dá tábua e lenha.
Laura está preparando
a galinha.
Laura trabalha apressada.
O povo está esperando a sopa.
Meu primo tocava gaita.
Êle ganhou um prêmio.
Êste foi o primeiro prêmio da sua vida.
pinho nho
nho nha nhi nhe nhu
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Escrever
por Escrever IX (excertos)
Rafael Luiz Reinehr
{22/03/2001
- Quinta-feira - 14:04}
Estou no round
da equipe do Serginho (Sérgio Prezzi) - que está bem
interessante por sinal - mas resolvi recomeçar a escrever
esta "coisa", que pelo que percebo agora está mais
pra Diário de adolescente do que pra livro de Filosofia.
Realmente tenho deixado muito de lado meus escritos. Agora recomeçaram
as aulas na Faculdade. Estou fazendo cinco cadeiras, uma mais legal
que a outra. A Webstereo tocou em uma festa da Medicina Interna
no Parque Knorr. Fomos bastante elogiados... Isso foi bom!
((((((...))))))
Bom, de noite
eu continuo a escrever. Prometo! {22/03/2001 - Quinta-feira - 14:10}
{22/03/2001
- Quinta-feira - 23:26}
"Não
há aprendizado sem manchas". OMO. Venha ver as novidades
do BIG. O BIG é como eu: é big! Comunicação
de massa... A Alemanha nazista e seu comunicador maior: Hitler.
Os judeus são os donos das maiores empresas de telecomunicações
do Mundo... HAL e IBM... Admirável Mundo Novo, 1984, 2001
- Uma Odisséia no Espaço, A Utopia, A Desobediência
Civil, Os Decibéis Impossíveis e Os Hermeneutas...
OBS: Depois
de escrever as linhas acima, acabei decidindo encostar minha cabeça
no travesseiro e dormi, só acordando às 3:30, quando
não escrevi mais nada. Sigo escrevendo agora, Sexta de noite...
{23/03/2001
- Sexta-feira - 22:56}
Hoje tive aula
de Antropologia Visual. Vi um filme do Jean Rouch sobre um ritual,
uma "dança da chuva", realizado por uma tribo africana.
Achei muito interessante. Agora estou com vontade de fazer um documentário,
uma espécie de etnografia em vídeo. Ainda não
sei direito qual vai ser o tema, o assunto que abordarei, mas poderá
tanto ser alguma coisa que conheço, como o Hospital, os médicos
e seus pacientes quanto algo completamente novo como moradores de
rua, prostitutas, homossexuais ou outro grupo social urbano. A primeira
coisa que tenho que fazer é conseguir uma câmera de
vídeo emprestada. Pode ser Super 8, 35mm ou qualquer uma.
Eu não entendo nada disto mesmo... Hoje me disseram que pode
estar começando uma nova Guerra Fria pois supostamente foi
descoberto um agente do FBI que espionava para a Rússia e,
por causa disto, 50 diplomatas russos foram expulsos dos EUA, sendo
que a Rússia irá retaliar. Ach du lieber zeit! E hoje
de madrugada a Estação Orbital MIR caiu no Oceano
Pacífico. Por que os Flinstones comemoravam o Natal se eles
viviam em uma época bem anterior a Cristo? Hoje tive uma
idéia para o design de um óculos (que na verdade já
usei há algum tempo atrás): é usar o negativo
de um filme fotográfico preso por uma daquelas borrachinhas
amarelas de prender dinheiro. Fica bem legal, apesar de ser um pouco
desconfortável. Borboletas. {23/03/2001 - Sexta-feira - 23:21}
{12/04/2001
- Quinta-feira - 22:20}
Há uma
semana, roubaram o aparelho de som do meu carro. JVC KD MX-3000.
O único aparelho de som para carro com CD e MD juntos no
deck. Paguei R$ 1.799,00 no começo do ano passado. Passei
os 10 primeiros meses do ano passado no negativo devido às
prestações do som. A primeira coisa que eu fazia quando
entrava no carro era colocar a frente removível, admirá-lo
e ligá-lo, para ouvir o som maravilhoso que dele saía...
Era meu xodó... Na quinta passada fui ao Hospital de Clínicas
para levar meu pedido de estágio na Endocrino nos meses de
julho e outubro. Na volta estacionei na ruazinha lateral que sai
do Clínicas, bem na esquina com a Ramiro Barcelos, do ladinho
do Ciclo Básico (ou Campus da Saúde). Isso eram 18:10
mais ou menos. Fui para minha aula de Filosofia da Ciência,
feliz da vida. A aula estava bem legal. Altas discussões
sobre Semmelweis e como ele associou a "matéria cadavérica"
à morte de gestantes em uma enfermaria. Saí da aula
cansado, louco para chegar em casa. Ao chegar no carro, vi que a
tranca da porta estava aberta. "Nossa! Que descuido! - pensei
- Entrei e sentei no carro, vendo todos meus papéis e meu
jaleco no assento. Que sorte! - pensei. Então, de repente,
um sentimento de pavor misturado a pânico me acometeu, quando
vi aquele buraco onde antes estava o meu aparelho de som, com o
cabo saltado para fora, parcialmente arrancado. Haviam roubado meu
som!!! Eu não consegui acreditar de cara. Olhei em volta,
totalmente perdido. Não sabia o que fazer. Eram cerca de
21:00 e não havia ninguém naquela ruela. Fui pra casa.
Até agora não me conformei com o acontecido. Hoje
tive aula lá denovo. Antes da aula fui falar com os flanelinhas
que ficam cuidando a fatídica rua. Deixei meu telefone e
disse-lhes que compraria de volta meu rádio e se "por
acaso" o ladrão desse as caras por lá, que ele
entrasse em contato comigo. É claro que minhas esperanças
são beeeem pequenas. Mas existem!!! Deixe o tempo passar,
só ele vai a nossa história contar...
Na semana passada,
a penúltima aula de Introdução à Sociologia
estava uma chatice, então resolvi escrever alguns poemas-canções.
Aí vão eles (o horário abaixo é o horário
de quando eu os terminei):
Impossível
É possível
racionalizar a fé?
É possível discursar sem ideologia?
É possível rezar em termos numéricos?
É possível amar sem ser amado?
É possível dissolver açúcar em sal?
E quebrar uma noz de dentro pra fora?
Correr pelado plantando bananeira?
De trás pra frente plantar uma semente?
Conferir o Gre-Nal sem ranger os dentes?
É possível sorrir feliz e contente?
Chorar dormindo na frente da TV?
E tropeçar na rua ao cruzar com você?
É possível cantar estando afônico?
E jogar videogame com olho biônico?
É possível tremer de calor?
Dormir no verão sem ventilador?
Assar um churrasco sem carne?
Morar na cidade e dançar um tango?
É possível viver sem saber porquê?
É possível impor o impossível,
Ver o invisível e sentir o insensível?
Se for possível, derrube o rei.
04/04/2001 19:45
Tem
fila
Tem fila de
filé com fritas
Fila pra pagar
Fila pra receber
Tem fila que morde gente
E gente que fila bóia
Tem fila de
frango e farofa
Fila pra consultar
Fila pra entrar
Tem fila saindo pelos ralos
E em fila fica o soldado
Tem fila de
feijão com figo
Fila pra chorar
E fila pra cantar
Tem fila porque qui-la
E qui-la por que fila
Ééééé...
Na fila do ônibus
Que eu sou feliz, feliz, feliz
Canta e dança ó cobrador
Que o motorista a roleta já girou
E o tiro (Bam!) na cabeça acertou
04/04/2001 21:00
Os Dardos
do Acaso
Dados podem
ter seis lados
Mas você pode ficar de um lado só
Pois de cima do muro
Cedo ou tarde você cai
Decida e pense, jogue os dados
E escolha o seu lado
Jogue um dardo, acerte o alvo
Ou sem mais nem menos ficarás calvo
Acenda seu último
cigarro
E apague-o a seguir
Abra os braços para a vida
E abrace o que puder sentir
Tire o pó
da sua estante
Mude a vida num instante
Não entre em um tiroteio
Ou sua vida acaba no meio
Não se
case mas queira casa
Encha o peito todo o dia
Sorria e procure alegria
No ar que sugas assim.
04/04/2001 21:11
"Aspargos
e amendoins são responsáveis pelo novo conhecimento
que abala as estruturas da ordem estabelecida"
Grécia,
Macedônia, Pérsia Galeno, Euclides, Arquimedes Geometria,
Cartografia, Navegação Para criar hortaliças
É necessário água e Sol (além das hortaliças)
Também
tem um outro que comecei a escrever no carro, na volta, mas ainda
não está terminado. Só registrarei quando estiver
pronto. Outros excertos incertos que decerto um dia acerto:
"Que sensação
ruim esperar por algo que você não sabe se vem. Quando
se espera algo que acreditamos que venha, somos tomados de impaciência.
Quando se espera algo que não sabemos se vai ou não
vir, somos tomados de angústia. Mas, quando o que esperamos
chega, o alívio toma conta de nosso corpo."
"Nesses
tempos de Internet
Como tudo é rápido
Falo uma coisa aqui
E ali ela está acontecendo
O dinheiro vai
e volta
Tão rápido quanto a informação
O limite dessa rede
Voa nas asas da imaginação
E antes do Ibope
veio o Bebop
Logo depois surgiu o Hip Hop
Seguido de perto do Robocop"
Outra:
"Me dá
ar, me dá ar
Comprimidos de ar comprimido
Para ver se melhora
Minha falta de ar meu amigo
Quero andar
e sentir O vento e a brisa no rosto Sem fugir ou correr Dessa angústia
que invade meu corpo"
Chega! {12/04/2001
- Quinta-feira - 23:30}
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