Simplicíssimo
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07/03/2003 - Edição número 13

 

" - Sede Amorzinho! "Batante" água!"

Editorial
Rafael Luiz Reinehr

O homem e a desvalorização de seus símbolos
Carolina Schumacher

A Dinâmica dos Relacionamentos do Médico-Residente no Hospital Conceição - Uma Breve Etnografia (parte I de III)
Rafael Luiz Reinehr

A Cartilha do Simplicíssimo (em 23 lições
Rafael Luiz Reinehr

Escrever por Escrever IX (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

 

 

Editorial

Não era meu plano ficar batendo na mesma tecla em edições tão próximas do Simplicíssimo, mas é muito difícil não falar sobre o assunto que toma de assalto nossas mentes dia e noite: a iminência da Guerra. Não só Nostradamus previu mas também a vovó já dizia: esse assado está com cheiro de queimado! Fico fascinado com a força e a intensidade com que questões éticas e de legalidade estão sendo discutidas em todo mundo. Feridas estão sendo abertas, nações dos países desenvolvidos estão sendo expostas. Mesmo a França, agora liderando o time dos "Contra" ainda sofre com resquícios de seu imperial-colonialismo. A Rússia, também do "Contra", é lembrada constantemente da ocupação da Chechênia. Os Estados Unidos são desmascarados de fora para dentro, pelos seus outrora tão ferrenhos aliados e defensores mas, o que mais faz minha estupefactação vibrar energicamente, é que um levante "de dentro pra fora", que ocorria timidamente já há vários anos (desde a década de 60), agora tomou vulto e seu sonoro "Não!" à guerra se faz ouvir até em Plutão! Vemos um menino em uma escola americana vestindo uma camiseta com a foto de George Bush com o texto "Terrorista Internacional" ser expulso da escola, temos protestos de homens e mulheres nu(a)s correndo pelas pradarias (argh!) em protesto, passeatas, bandeiraços, telefonemas e e-mails superlotanto o Pentágono e a Casa Branca! É um fenômeno que não podemos deixar de comentar e exaltar. É a força da razão humana, da Opinião Pública Mundial, sobrepujando a loucura de seus governantes! Como tela de fundo, coloco o "depoimento" de 2 bandas norte americanas de um estilo que podemos chamar de punk rock misturado com funk e hardcore. O primeiro é o videoclipe de "Testify", do Rage Aganst The Machine, "baixável" gratuitamente no Kazaa (www.kazaa.com), que fala sobre a mesmice e a corrupção que se perpetua na "América" (putz, nunca coloquei tantas aspas em um texto antes!). Começa com um filme em preto e branco dizendo que os Aliens querem conquistar o mundo, e para tanto colocarão na terra um "mutante" que se divide em dois (Al Gore e George Bush), que apesar de parecer dois seres distintos, na verdade é o mesmo, e é enviado à Terra para domina o mundo. O clipe, feito em 2000, creio, é um retrato do que viria a ser o momento atual. O segundo depoimento "em antecipação" é a letra de "American Jesus", do Bad Religion, feita na década de 90 e que transcrevo, no original em inglês, abaixo:

I don´t need to be a global citizen
Because I´m blessed by nationality
I´m a member of a growing populace
We enforce our popularity
There are things that seem to pull us under and
There are things that drag us down
But there´s a power and a vital presence
That´s lurking all around

We´ve got the American Jesus
See him on the interstate
We´ve got the American Jesus
He help build the president´s estate

I feel sorry for the earths population
Cuz so few live in the USA
At least the foreigners can copy our morality
They can visit but they cannot stay
Only precious few can garner our prosperity
It makes us walk with renewed confidence
We´ve got a place to go when we die
And the architect resides right here

We´ve got the American Jesus
Postering the shim of pain
We´ve got the American Jesus
Overwhelming millions every day

He´s the farmer´s barren field
The force the army wields
The expression in the faces of the starving children
The power of the man
He´s the fool that drives the clan
He´s the motive and conscience of the murderer
He´s the preacher on TV
The false sincerity
The form letter that´s written by the big computers
He´s nuclear bombs
And the kids with no moms
And I´m fearful that he´s inside me

We´ve got the American Jesus
See him on the interstate
We´ve got the American Jesus
Each side with his apologies

We´ve got the American Jesus
Postering the shim of pain
We´ve got the American Jesus
Overwhelming millions every day

Por isso que gosto de ler os clássicos: me emociono com a atualidade dos pensamentos de centenas ou milhares de anos atrás, principalmente no que diz respeito à Política, às Virtudes, à Justiça e à Ética. Fico pasmo quando pessoas comuns, contemporâneas, como os autores dessas músicas conseguem traduzir em palavras, sons e imagens aquilo que muitos sociólogos com doutorado, livros publicados e menções de "doutor honoris causa" pra cá e pra lá não conseguem fazer. A realidade é triste mas é verdadeira... Em duas semanas de governo um torneiro mecânico sindicalista de 9 dedos nas mãos conseguiu surpreender o mundo participando do Fórum Social Mundial em Porto Alegre e do Fórum Econômico Mundial em Davos, arrancamdo palmas nos dois eventos. Chegou ao ponto de um respeitável analista político (estou certo?) do The Guardian, jornal britânico, escrever que, talvez, o mundo fosse muito melhor se George Bush fosse presidente do Brasil e Lula fosse, por sua vez, presidente dos Estados Unidos! Quase tive um chilique ao ler essa! Fantástico! Quem não tem colírios usa óculos escuros! Imagine o que estão produzindo no Le Monde Diplomatique...

Rafael Luiz Reinehr

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O homem e a desvalorização de seus símbolos
Carolina Schumacher

Bem, na verdade eu não teria nada para escrever se não fosse algumas coisas que me vieram à mente a alguns minutos atrás. Atualmente estou lendo o livro "O Homem e seus Símbolos" de Carl Gustav Jung e é mais ou menos sobre ele que quero escrever.

É um livro de fácil compreensão que vem dar uma base ao estudo da psicologia Junguiana a qual se diferencia da Freudiana por aspectos como a valorização do inconsciente não só como um depósito de material reprimido (como diz Freud), mas também como um lugar de onde se pode tirar coisas trazendo à consciência como um produto desde sempre inconsciente. Isto é, Jung considerava o inconsciente como um lugar também de criação ou produção e não somente um depósito inerte como o era para Freud.

Seguindo, o livro trata da dimensão simbólica do homem desde sempre e como a racionalidade veio a destruir a importância original que os símbolos exerciam sobre o homem. Com certeza não é só essa a mensagem do livro, mas infelizmente não terminei de lê-lo ainda e minha contribuição não será tão rica devido aos meus poucos conhecimentos acerca da psicologia Junguiana - e aqui até faço um apelo para meus amigos estudiosos de Jung para que me ajudem caso esteja errada.

Agora então, finalmente, começo. O homem é um ser que se utiliza símbolos para viver. Em outro texto já havia escrito acerca da linguagem humana e lembro que em algum momento falei da dimensão inconsciente dessa. E aqui encontro um bom gancho para começar o que quero dizer. O homem desde sempre utilizou a simbologia a qual trazia junto consigo um aspecto inconsciente que lhe conferia importância nas decisões das sociedades primitivas. Antigamente, sonhos, visões ou premonições assumiam o papel de mensagens as quais dirigiam a ação e indicavam o caminho para o homem. Um exemplo disso são os personagens dos filmes que vemos como feiticeiros, pajés, magos, etc os quais possuíam o poder de receber mensagens do além. A forma de se interpretar esse fenômeno não mudaria se fosse transposto para os dias atuais, ou seja, seriam frutos da imaginação ou do inconsciente. A diferença está na forma como, antigamente, o homem percebia esses eventos (sonhos, visões, intuições, premonições), e lhes conferia uma devida importância. Suas ações e decisões eram baseadas nessas mensagens vindas do inconsciente. O que aconteceu com o homem moderno foi a perda dessa percepção ou a desvalorização dela. O homem continua sonhando e tendo intuições, mas não lhe confere a sua devida importância. O homem moderno passou por cima dos símbolos que estão presentes nos sonhos que tem todas as noites. Deixou de prestar atenção às suas intuições num mundo que perdeu a dimensão irracional, e vive como se não houvesse nada além da sua consciência. Com isso, perdeu a capacidade de se perceber como um ser simbólico que vive rodeado de símbolos conscientes e inconscientes.

Em certo trecho do livro, Jung ressalta o começo do fim da simbologia humana com o surgimento do cristianismo, ou seja, com a instituição de um Deus único e soberano em detrimento dos antigos "deuses" da natureza. Esse fenômeno acarretou o fim da simbologia atribuída à natureza em geral - a Deusa do lago, a Mãe natureza, e a crença de que todos os seres pertencentes ao mundo possuíam vida ou alma como as árvores por exemplo. Porém, o que aconteceu foi uma troca - digamos desvantajosa - entre milhares de "pequenos deuses" por um único e grandioso Deus mostrado pela igreja. Todo o resto era então desvalorizado e desacreditado. É como se ficasse uma grande falta de significado ou de essência em nosso mundo: tudo foi trocado por uma única coisa que passou a simbolizar tudo. Meio complicado isso né ?! Mas o problema não foi exatamente a troca de vários deuses por um só, o problema parece que está no fato de que não se colocou nada nos lugares que eram antes preenchidos por algum sentido ou significado, e o mundo parece que ficou assim mesmo: cheio de falta de significado. A luz da igreja fez nascer um homem "sozinho". Tudo isso contribuiu para a desvalorização do nosso próprio inconsciente - nosso primeiro guia. Tudo que é muito próximo do homem não é tido como sagrado nem tampouco digno de ser valorizado.Talvez o homem antigo fosse mais feliz com seu mundo tão cheio de significado, e suas crenças tão menos carregadas de pecado e culpa.

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A Dinâmica dos Relacionamentos do Médico-Residente no Hospital Conceição - Uma Breve Etnografia (parte I de III)
Rafael Luiz Reinehr

ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO
2. O AMBIENTE DE TRABALHO
3. AS RELAÇÕES PROFISSIONAIS
4. DO PONTO DE VISTA DO PACIENTE
5. DO OUTRO LADO
6. O MÉDICO RESIDENTE E O SEU DIA-A-DIA
7. INTERMEZZO: VOCABULÁRIO MÉDICO-POPULAR
8. ACONTECIMENTOS INCRÍVEIS E NEGLIGÊNCIAS
9. MÉDICO RESIDENTE - A FUNÇÃO SOCIAL VERSUS A FUNÇÃO HUMANIZADORA
10. CONCLUSÃO

INTRODUÇÃO

O presente exercício de etnografia tem por objetivo descrever de forma sintética as atividades profissionais de um grupo de médicos residentes do Hospital Conceição em seu local de trabalho e verificar as relações existentes entre os mesmos, entre estes e seus preceptores e seus pacientes. Para tanto servi-me do conhecimento adquirido durante este ano de 2000, em que tenho trabalhado como médico residente no mesmo Hospital, além de entrevistar especificamente alguns colegas e pacientes, após a exposição dos objetivos do presente trabalho. A escolha do lugar e do tema deveu-se tanto pelo fato de que julguei ser interessante para mim investigar, do ponto de vista antropológico as relações humanas existentes no meu ambiente de trabalho aliado ao fato de que meus objetos de estudo estariam presentes ao meu lado diariamente, não sendo necessário um período de inserção. Isso significa - creio eu seja esse um aspecto importante - ausência de mentiras, desconfianças ou dissimulações durante minha interação com as pessoas. Não poderia de forma alguma "usar melhor a vestimenta" de quem estou estudando do que assim o fazendo. Durante o trabalho, primeiramente descreverei o ambiente de trabalho dos médicos residentes. Daí em diante passarei para as relações hierárquicas e profissionais entre o médico residente, outros funcionários, seus preceptores e os pacientes. A seguir explicarei alguns mecanismos do funcionamento do Hospital e passarei a descrever o dia-a-dia típico do médico residente, passando por algumas experiências contadas por colegas acontecidas no decorrer das atividades e nos plantões. Também será apresentada, do ponto de vista do paciente, uma breve impressão que este tem dos eu médico e dos outros pacientes. Finalmente, serão levantados os aspectos sociais e humanitários da profissão do médico residente. Apesar da grande dificuldade de me distanciar do meu papel de médico residente, eu o consegui, até certo ponto, quando fui ao Hospital por 2 vezes em minhas férias de novembro sem o jaleco branco. Somente aí consegui realmente tomar uma distância crítica entre o meu papel como médico e o meu caráter de pesquisador, de etnólogo, podendo assim analisar alguns aspectos que não conseguia separar normalmente.

O AMBIENTE DE TRABALHO

Ao Hospital Nossa Senhora da Conceição pode-se chegar de uma série de formas: ônibus, carro, táxi ou mesmo a pé, sendo que a entrada principal encontra-se na Rua Francisco Trein. Em frente ao Hospital, vemos um amplo comércio: no lado oposto da rua, temos lancherias e restaurantes, farmácias de manipulação, farmácias comuns, um banco, padaria, lotérica, estacionamentos, lojas de produtos "um e noventa e nove" e vários outros estabelecimentos, além de um ponto de táxi. Do lado da rua em que se encontra o Hospital, existem vários carrinhos que vendem lanches rápidos com cachorros-quentes, xis-búrgueres, salgadinhos, churrasquinhos e refrigerantes, além de uma barraquinha de ervas naturais para "tratamento" de qualquer doença, segundo propagandeia a dona do mini-estabelecimento. A primeira impressão que temos é a de sujeira. A frente do Hospital tem um visual poluído, com todas aquelas barraquinhas, fumaça e cheiros misturados, um misto de poluição visual, sonora e olfativa. Na entrada do Hospital, dois seguranças fiscalizam a passagem das pessoas, deixando passar as que estão identificadas com crachás do Hospital e limitando a entrada de outras pessoas como familiares de pacientes, representantes comerciais de laboratórios farmacêuticos e outros que não possuem autorização específica para entrarem fora do horário de visitas. Os corredores do Hospital são largos, em média de três a três metros e meio de largura, com uma iluminação razoável, baseado em parte na luz solar que adentra as amplas janelas que se encontram tanto nos quartos dos pacientes quanto nas enfermarias em si. Escolhi para meu trabalho a enfermaria denominada 3°C, onde ficam os pacientes de responsabilidade da Medicina Interna, pacientes com patologias eminentemente clínicas e de gravidade considerável. Nessa enfermaria, temos duas partes: uma, à esquerda, onde ficam guardados os prontuários dos pacientes e onde fica uma secretária responsável pelos aspectos burocráticos e de gerenciamento de materiais do posto, servindo também como telefonista e fornecendo informações a familiares de pacientes. À direita, o espaço é reservado para a equipe de enfermagem. No local são guardados medicamentos, materiais para procedimentos médicos ou de enfermagem, seringas, agulhas e coisas do gênero, além de ser o espaço onde os auxiliares de enfermagem preparam as medicações que foram trazidas da farmácia para administrar aos pacientes. Logo à esquerda dessa sala fica então a sala de prescrição, onde os médicos residentes e seus doutorandos buscam resultados de exames, evoluem por escrito e prescrevem seus pacientes. Nessa sala existe uma grande mesa, várias cadeiras e banquinhos (em torno de 10), 2 computadores e uma impressora, além de muitos formulários e papéis de todos os tipos e para todos objetivos, alguns organizados em um escaninho mas outros tantos espalhados pela mesa e até mesmo pelo chão, em uma balbúrdia infernal. Logo ao lado desta sala existe outra pequenina sala onde se encontra mais um computador, uma pequena mesa e duas cadeiras, além de um arquivo onde são guardados artigos científicos de relevância clínica para fácil acesso aos médicos residentes. Nesta sala também há uma antiga máquina de xerox, alugada pelos médicos residentes para que estes possam fazer cópias de livros ou artigos científicos para uso pessoal. Ainda sobre a estrutura física do Hospital, temos no centro do mesmo (já que esse é formado por 3 alas) uma praça ao ar livre, onde tanto pacientes como funcionários podem transitar tranqüilamente. Alguns outros aspectos relacionados aos quartos dos pacientes serão discutidos na parte intitulada "Do ponto de vista do paciente".

AS RELAÇÕES PROFISSIONAIS

Nesse andar, como em praticamente todo o hospital, o trabalho médico direto é exercido por residentes de Medicina Interna, médicos formados em Universidades federais ou particulares de todo Estado e ocasionalmente fora dele. Esses médicos residentes passam, após conclusão do curso terciário, por um processo de seleção que inclui uma prova escrita, a apresentação do currículo e uma entrevista, sendo então selecionados os melhores para a realização do Programa de Residência Médica do Hospital, que é, na verdade, uma forma de pós-graduação e especialização. Também fazem parte do corpo profissional do setor uma enfermeira por turno (que são três no total: da 7:00 às 13:00, das 13:00 às 19:00 e das 19:00 às 7:00) e 7 a 8 auxiliares de enfermagem por turno. Além disso, existem médicos contratados, chamados "preceptores", que são os orientadores dos médicos residentes. Estes vêm ao Hospital em determinadas horas do dia conforme sua disponibilidade e discutem os casos dos pacientes com os médicos residentes, dirimindo dúvidas que estes porventura tenham no que diz respeito ao diagnóstico e tratamento das enfermidades dos pacientes. É claro, existem os pacientes, que são o motivo de ser do Hospital. Os pacientes que estão internados no 3°C são pacientes geralmente graves, pacientes que tenham uma patologia de difícil manejo, pacientes que necessitem internar para realizar uma avaliação diagnóstica intra-hospitalar ou mais freqüentemente pacientes com várias patologias simultâneas ou com seqüelas de uma patologia anterior. São pacientes com doenças renais, cardíacas, pulmonares, neurológicas, oncológicas, endocrinológicas, hematológicas, infecciosas, psiquiátricas e também psicossomáticas. Além do atendimento médico prestado diretamente pelos médicos residentes, pelos enfermeiros e auxiliares de enfermagem e indiretamente pelos preceptores, ainda estão distribuídos pelo Hospital outros serviços que servem de apoio a essa estrutura básica, como por exemplo as especialidades médicas ( Endocrinologia, Nefrologia, Cirurgia Geral, Urologia, etc.) que podem ser contatadas em casos especiais, por vezes complicados ou que necessitem uma avaliação deveras especializada; também existe o Serviço Social, o Serviço de Fisiatria, a Odontologia além dos serviços de apoio ao diagnóstico, como a Radiologia, o Laboratório Central, a Medicina Nuclear, a Ergometria, a Eletrocardio e a Eletroencefalografia, a Ecografia e assim por diante. Algo curioso que pode se notar logo em uma primeira olhada é algum ar de inimizade, uma tensão existente entre médicos residentes e enfermeiras. Isso não pareceu ser a regra, mas por mais de uma vez pude presenciar atrito entre um médico residente e uma enfermeira. Ao questionar ambos sobre as possíveis razões pelas quais tal fato acontece, já que, a princípio o objetivo de ambos é melhorar a saúde do paciente, a resposta diferiu bastante. Enquanto a enfermeira respondeu que isso acontece porque os médicos residentes são muitas vezes muito impetuosos, solicitando para já a realização de certos procedimentos, não compreendendo a indisponibilidade de pessoal insuficiente para adequação do trabalho de enfermagem, por outro lado o médico residente respondeu que isso aconteceria pois a enfermeira se julga "dona"do posto de enfermagem e, além disso desconsidera o médico residente, já que este permanecerá no Hospital por uma média de 2 anos, enquanto ela é funcionária contratada, não precisando se sujeitar às demandas dos residentes. Foi também possível observar que o mesmo atrito não ocorre entre residentes e auxiliares de enfermagem, exceto em circunstâncias muito especiais como por exemplo demora na administração de uma medicação que tem caráter de urgência ou também durante os plantões com a equipe de auxiliares da noite. Segundo grande parte dos médicos residentes, a equipe de auxiliares de enfermagem que trabalha durante a noite é muito ruim e de difícil relacionamento: não administram medicações de forma correta, descuidam de cuidados simples até mesmo como aferir a temperatura axilar ou a pressão arterial do paciente e assim por diante. O motivo pelo qual especulam que isso aconteça é pelo fato de que são os funcionários contratados há mais tempo pelo Hospital, pelo fato de trabalharem à noite e, segundo postulam, com a inversão do ritmo circadiano ocorreria uma maior probabilidade destes tornarem-se irritadiços e pouco dispostos ao trabalho (o que dificulta concomitantemente o trabalho dos médicos residentes, talvez por isso gerando às vezes um sutil clima de inimizade).

DO PONTO DE VISTA DO PACIENTE

A entrada dos pacientes no Hospital se dá de três formas básicas: a primeira é pelo Serviço de Emergência do Hospital. Pacientes com enfermidades agudas procuram a Emergência, são atendidos primeiramente lá e então ficam aguardando, geralmente por dias, um leito vago na internação do Hospital. A segunda forma é uma internação eletiva via Ambulatório, de onde pacientes que são atendidos nos ambulatórios e necessitam de internação são encaminhados. As vagas para pacientes ambulatoriais só se tornam disponíveis após ocupação dos leitos dos andares de internação pelos pacientes que recebem alta da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e pelos pacientes que estão na Emergência. Pelo menos essa é a regra estabelecida, mas o que acontece não é bem isso. Muitas vezes se burla o sistema estabelecido e se interna pacientes via Ambulatório sem que os pacientes que estão na Emergência subam, o que aumenta a permanência destes na Emergência. A terceira forma é a internação "política", onde familiares ou pessoas indicadas por políticos municipais ou estaduais internam, sobrepujando qualquer regra básica de ordenação de internação. A grande maioria dos pacientes, aqueles internados pelo Serviço de Emergência, são pacientes de classes sociais menos favorecidas, pacientes que não tiveram acesso prévio ao sistema de saúde, ou o tiveram mas têm dificuldade de realizar o tratamento adequado de suas doenças, quer seja por dificuldades financeiras, intelectuais ou mesmo pelas condições de trabalho, moradia e sobrevivência a que estão sujeitos. No andar em que ficam internados, no caso o 3°C, os pacientes ficam em quartos em que dividem o espaço com mais três pacientes, em um total de 10 quartos mais três quartos reservados para isolamento de pacientes com doenças infecto-contagiosas graves ou com imunossupressão e que conseqüentemente não podem entrar em contato com outros pacientes. Os quartos são só femininos ou só masculinos, sendo que ocasionalmente permite-se um acompanhante do sexo oposto, no caso familiar de algum paciente quando este necessita de cuidados especiais ou atenção intensiva, o que nem sempre é possível ser feito pelo serviço de enfermagem. Entre os leitos dos pacientes não existe nenhum biombo ou cortina, o que deixa os pacientes expostos física e psicologicamente a seus companheiros de quarto. Ocasionalmente, pude constatar pacientes em recuperação de grandes cirurgias abdominais, com seu abdômen aberto, apenas protegido por uma tela, em um quarto assim, "semi-privativo", sendo exposto à "visitação" por parte dos outros pacientes e pior, na hora da visita, por outras pessoas. Isso sem contar a sensação de desconforto que é causada justamente nos outros pacientes que dividem o quarto, como constatei em conversa particular com uma paciente de 28 anos que estava no leito ao lado. Da mesma forma, uma queixa freqüente que parte dos pacientes em relação aos seus companheiros de quarto diz respeito aos pacientes internados por alcoolismo e àqueles internados por acidentes vasculares cerebrais. Aos primeiros porque geralmente são pessoas que internam em mau estado geral, são mal-cuidados e mal-cheirosos, além de que, quando começam a melhorar, também,são considerados mal-educados, pois em geral, pronunciam impropérios. Dos últimos reclamam principalmente devido ao mau-cheiro das escaras,que são úlceras provocadas pela pressão continuada sobre alguma região do corpo, já que esses pacientes não conseguem se movimentar sozinhos. E, diariamente são trocados os curativos dessas escaras, sendo que, principalmente quando infectadas e expostas na hora dos curativos, exalam um mau-cheiro terrível (que pude presenciar por mais de uma vez). Muitos pacientes estão restritos aos seus leitos, pois a patologia que lhes trouxe para o hospital é tão debilitante que os enfraquece ou mesmo previne que estes possam deambular adequadamente, ficando assim totalmente dependentes dos cuidados oferecidos pelo Hospital e por vezes por seus familiares. Isso inclui impossibilidade até mesmo de fazerem as necessidades fisiológicas mínimas como evacuar, urinar ou mesmo se alimentar. Quando perguntamos aos pacientes o que estes pensam de seus médicos, a resposta geral e quase unânime é a de que seu médico é muito bom, que é confiável, lhe trata bem, ou seja, só existem elogios. Poucos pacientes expressam queixas objetivas em relação a seus médicos, e quando estas acontecem, dizem mais respeito a demora na realização de exames ou sofrimento relacionado a procedimentos realizados mas inerentes a esses procedimentos. Interessante observar que, como já citado, os pacientes internados no Hospital Conceição são de classes sociais menos favorecidas, e isso significa que são pacientes que questionam menos seu médico, ignoram mais completamente mecanismos de instalação das doenças, tendo muitas vezes idéias mágicas acerca da origem de sua patologia, ao contrário do que acontece com as classes mais informadas, que estão sempre questionando acerca da doença, das condutas tomadas e qual o plano a seguir. Cito isso porque também é interessante notar que, com os pacientes dessas classes mais informadas, o nível de satisfação é menor, mesmo se compararmos casos similares com resultados parecidos. Talvez, em parte, porque o nível de exigência seja maior e talvez porque, justamente por possuírem uma maior capacidade de argumentação, os pacientes e familiares de classes mais favorecidas julgam poder ter privilégios sobre outros pacientes, esquecendo que estão servindo-se de serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) [o SUS, quando planejado, almejava oferecer acesso universal e integral à saúde de todos cidadãos brasileiros, estando, como podemos acompanhar, pela dificuldade de acesso a consultas, a exames diagnósticos e medicamentos e pelo crescimento dos planos privados de assistência à saúde, em plena decadência]. Muitas queixas derivam do fato dos pacientes terem de esperam internados por muito tempo até a realização de um exame, o que ocorre, após pesquisar seus mecanismos, devido à falta de profissionais contratados para realização desses exames, e não devido a falta de equipamentos necessários. Chegou-se ao cúmulo de o Hospital ficar sem ecocardiograma pelo período de um mês pois o único ecocardiografista do Hospital entrara em férias. (!)

(continua em 1 semana...)

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A Cartilha do Simplicíssimo (em 23 lições) - O seu curso de aperfeiçoamento na Última Flor do Lácio
Rafael Luiz Reinehr

Lição número 8

lápis pis

Fui à feira com o meu filho.
Meu filho viu um pássaro na feira.
Na feira vimos um espelho.
Vimos também muitos lápis.

espelho es

Tito viu um pássaro no mato.
O filho não viu êsse pássaro.
Êle não foi ao mato.
Estava na feira com Ida.

pássaro aro

es as us is os
are ara aru ari aro

Antônio viu a escada encostada na parede.
Êle subiu pela escada e foi ao telhado.
Viu uma arara comendo milho no telhado.

As batatas estão na venda.
As bananas estão na feira.

Os pássaros estão no mato.
Os urubus estão no telhado.

Os filhos estão na sala.
Os pais também estão na sala.

Os dentes estão na bôca.
Os dedos estão na mão.

O espelho está na sala.
Os lápis estão na pasta.

A escada está encostada na parede.
As telhas estão no telhado.

prato pra
tronco tron

O leite estava no prato.
O gato viu o leite.
O gato bebeu o leite do prato.
O prato ficou limpo.

gato ga Ga

Meu primo ouviu o trovão.
Viu as nuvens.
Trabalhou mais apressado.
Êle é muito prudente.

pron pre pra prin pro pru
tron tre tra rin tro tru
- - ga - go gu

O tronco é de pinho.
Êste tronco não tem galho.
Êste tronco não tem fôlha.
Êste tronco dá tábua e lenha.

Laura está preparando a galinha.
Laura trabalha apressada.
O povo está esperando a sopa.

Meu primo tocava gaita.
Êle ganhou um prêmio.
Êste foi o primeiro prêmio da sua vida.

pinho nho

nho nha nhi nhe nhu

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Escrever por Escrever IX (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{22/03/2001 - Quinta-feira - 14:04}

Estou no round da equipe do Serginho (Sérgio Prezzi) - que está bem interessante por sinal - mas resolvi recomeçar a escrever esta "coisa", que pelo que percebo agora está mais pra Diário de adolescente do que pra livro de Filosofia. Realmente tenho deixado muito de lado meus escritos. Agora recomeçaram as aulas na Faculdade. Estou fazendo cinco cadeiras, uma mais legal que a outra. A Webstereo tocou em uma festa da Medicina Interna no Parque Knorr. Fomos bastante elogiados... Isso foi bom!

((((((...))))))

Bom, de noite eu continuo a escrever. Prometo! {22/03/2001 - Quinta-feira - 14:10}

{22/03/2001 - Quinta-feira - 23:26}

"Não há aprendizado sem manchas". OMO. Venha ver as novidades do BIG. O BIG é como eu: é big! Comunicação de massa... A Alemanha nazista e seu comunicador maior: Hitler. Os judeus são os donos das maiores empresas de telecomunicações do Mundo... HAL e IBM... Admirável Mundo Novo, 1984, 2001 - Uma Odisséia no Espaço, A Utopia, A Desobediência Civil, Os Decibéis Impossíveis e Os Hermeneutas...

OBS: Depois de escrever as linhas acima, acabei decidindo encostar minha cabeça no travesseiro e dormi, só acordando às 3:30, quando não escrevi mais nada. Sigo escrevendo agora, Sexta de noite...

{23/03/2001 - Sexta-feira - 22:56}

Hoje tive aula de Antropologia Visual. Vi um filme do Jean Rouch sobre um ritual, uma "dança da chuva", realizado por uma tribo africana. Achei muito interessante. Agora estou com vontade de fazer um documentário, uma espécie de etnografia em vídeo. Ainda não sei direito qual vai ser o tema, o assunto que abordarei, mas poderá tanto ser alguma coisa que conheço, como o Hospital, os médicos e seus pacientes quanto algo completamente novo como moradores de rua, prostitutas, homossexuais ou outro grupo social urbano. A primeira coisa que tenho que fazer é conseguir uma câmera de vídeo emprestada. Pode ser Super 8, 35mm ou qualquer uma. Eu não entendo nada disto mesmo... Hoje me disseram que pode estar começando uma nova Guerra Fria pois supostamente foi descoberto um agente do FBI que espionava para a Rússia e, por causa disto, 50 diplomatas russos foram expulsos dos EUA, sendo que a Rússia irá retaliar. Ach du lieber zeit! E hoje de madrugada a Estação Orbital MIR caiu no Oceano Pacífico. Por que os Flinstones comemoravam o Natal se eles viviam em uma época bem anterior a Cristo? Hoje tive uma idéia para o design de um óculos (que na verdade já usei há algum tempo atrás): é usar o negativo de um filme fotográfico preso por uma daquelas borrachinhas amarelas de prender dinheiro. Fica bem legal, apesar de ser um pouco desconfortável. Borboletas. {23/03/2001 - Sexta-feira - 23:21}

{12/04/2001 - Quinta-feira - 22:20}

Há uma semana, roubaram o aparelho de som do meu carro. JVC KD MX-3000. O único aparelho de som para carro com CD e MD juntos no deck. Paguei R$ 1.799,00 no começo do ano passado. Passei os 10 primeiros meses do ano passado no negativo devido às prestações do som. A primeira coisa que eu fazia quando entrava no carro era colocar a frente removível, admirá-lo e ligá-lo, para ouvir o som maravilhoso que dele saía... Era meu xodó... Na quinta passada fui ao Hospital de Clínicas para levar meu pedido de estágio na Endocrino nos meses de julho e outubro. Na volta estacionei na ruazinha lateral que sai do Clínicas, bem na esquina com a Ramiro Barcelos, do ladinho do Ciclo Básico (ou Campus da Saúde). Isso eram 18:10 mais ou menos. Fui para minha aula de Filosofia da Ciência, feliz da vida. A aula estava bem legal. Altas discussões sobre Semmelweis e como ele associou a "matéria cadavérica" à morte de gestantes em uma enfermaria. Saí da aula cansado, louco para chegar em casa. Ao chegar no carro, vi que a tranca da porta estava aberta. "Nossa! Que descuido! - pensei - Entrei e sentei no carro, vendo todos meus papéis e meu jaleco no assento. Que sorte! - pensei. Então, de repente, um sentimento de pavor misturado a pânico me acometeu, quando vi aquele buraco onde antes estava o meu aparelho de som, com o cabo saltado para fora, parcialmente arrancado. Haviam roubado meu som!!! Eu não consegui acreditar de cara. Olhei em volta, totalmente perdido. Não sabia o que fazer. Eram cerca de 21:00 e não havia ninguém naquela ruela. Fui pra casa. Até agora não me conformei com o acontecido. Hoje tive aula lá denovo. Antes da aula fui falar com os flanelinhas que ficam cuidando a fatídica rua. Deixei meu telefone e disse-lhes que compraria de volta meu rádio e se "por acaso" o ladrão desse as caras por lá, que ele entrasse em contato comigo. É claro que minhas esperanças são beeeem pequenas. Mas existem!!! Deixe o tempo passar, só ele vai a nossa história contar...

Na semana passada, a penúltima aula de Introdução à Sociologia estava uma chatice, então resolvi escrever alguns poemas-canções. Aí vão eles (o horário abaixo é o horário de quando eu os terminei):

Impossível

É possível racionalizar a fé?
É possível discursar sem ideologia?
É possível rezar em termos numéricos?
É possível amar sem ser amado?
É possível dissolver açúcar em sal?
E quebrar uma noz de dentro pra fora?
Correr pelado plantando bananeira?
De trás pra frente plantar uma semente?
Conferir o Gre-Nal sem ranger os dentes?
É possível sorrir feliz e contente?
Chorar dormindo na frente da TV?
E tropeçar na rua ao cruzar com você?
É possível cantar estando afônico?
E jogar videogame com olho biônico?
É possível tremer de calor?
Dormir no verão sem ventilador?
Assar um churrasco sem carne?
Morar na cidade e dançar um tango?
É possível viver sem saber porquê?
É possível impor o impossível,
Ver o invisível e sentir o insensível?
Se for possível, derrube o rei.

04/04/2001 19:45

Tem fila

Tem fila de filé com fritas
Fila pra pagar
Fila pra receber
Tem fila que morde gente
E gente que fila bóia

Tem fila de frango e farofa
Fila pra consultar
Fila pra entrar
Tem fila saindo pelos ralos
E em fila fica o soldado

Tem fila de feijão com figo
Fila pra chorar
E fila pra cantar
Tem fila porque qui-la
E qui-la por que fila

Ééééé... Na fila do ônibus
Que eu sou feliz, feliz, feliz
Canta e dança ó cobrador
Que o motorista a roleta já girou
E o tiro (Bam!) na cabeça acertou

04/04/2001 21:00

Os Dardos do Acaso

Dados podem ter seis lados
Mas você pode ficar de um lado só
Pois de cima do muro
Cedo ou tarde você cai
Decida e pense, jogue os dados
E escolha o seu lado
Jogue um dardo, acerte o alvo
Ou sem mais nem menos ficarás calvo

Acenda seu último cigarro
E apague-o a seguir
Abra os braços para a vida
E abrace o que puder sentir

Tire o pó da sua estante
Mude a vida num instante
Não entre em um tiroteio
Ou sua vida acaba no meio

Não se case mas queira casa
Encha o peito todo o dia
Sorria e procure alegria
No ar que sugas assim.

04/04/2001 21:11

"Aspargos e amendoins são responsáveis pelo novo conhecimento que abala as estruturas da ordem estabelecida"

Grécia, Macedônia, Pérsia Galeno, Euclides, Arquimedes Geometria, Cartografia, Navegação Para criar hortaliças É necessário água e Sol (além das hortaliças)

Também tem um outro que comecei a escrever no carro, na volta, mas ainda não está terminado. Só registrarei quando estiver pronto. Outros excertos incertos que decerto um dia acerto:

"Que sensação ruim esperar por algo que você não sabe se vem. Quando se espera algo que acreditamos que venha, somos tomados de impaciência. Quando se espera algo que não sabemos se vai ou não vir, somos tomados de angústia. Mas, quando o que esperamos chega, o alívio toma conta de nosso corpo."

"Nesses tempos de Internet
Como tudo é rápido
Falo uma coisa aqui
E ali ela está acontecendo

O dinheiro vai e volta
Tão rápido quanto a informação
O limite dessa rede
Voa nas asas da imaginação

E antes do Ibope veio o Bebop
Logo depois surgiu o Hip Hop
Seguido de perto do Robocop"

Outra:

"Me dá ar, me dá ar
Comprimidos de ar comprimido
Para ver se melhora
Minha falta de ar meu amigo

Quero andar e sentir O vento e a brisa no rosto Sem fugir ou correr Dessa angústia que invade meu corpo"

Chega! {12/04/2001 - Quinta-feira - 23:30}

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