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26/09/2003 - Edição número 42

 

Altíssima Fidelidade

 

Editorial
Rafael Luiz Reinehr

Transgênicos, da Revolução Farroupilha ao cinema de Schwarzenegger
Eduardo Sabbi

Festival de Cinema de Gramado II – Segunda noite: a revanche
Pedro Schestatsky

Janeiro de 2002
Aline Machado Oliveira

Escrever por Escrever XXXVI (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

Amnésia
Fabricio Pessôa

Desafio Simplex


 

Editorial

Em discussão recente sobre a efemeridade de vários relacionamentos no meio artístico, chegou-se à conclusão de que um dos principais motivos por tal efemeridade seria justamente a maior possibilidade que o meio traz de conhecr novas pessoas.
Aliado à isso temos o exemplo das novelas brasileiras, que com toda sua sensualidade, são responsáveis em grande parte tanto pela formação quanto pela dissolução de pares românticos (na vida real).
Pode-se supor que a grande incidência de estímulos de ordem sexual e afetiva que são gerados e transmitidos no meio artístico gere uma espécie de "confusão sentimental" - representada por fácil saturação da situação vigente e necessidade (ou suposta necessidade) de conhecer novos horizontes e passar por novas experiências - e com ela a necessidade de um(a) novo(a) parceiro(a).
Ao fim de todos "troca-trocas" que ocorrem, sempre vem à mente a grande mensagem do filme Alta Fidelidade (High Fidelity), transmitida através da metáfora das "calcinhas", como resolvi chamar: nela, o protagonista contava que, sempre que iniciava um relacionamento, sua nova parceira usava uma calcinha nova, rendada, vermelha ou preta, toda enfeitada e assim o fazia durante o segundo, terceiro, enfim, durante os primeiros encontros. Depois de algum tempo, quando o hábito de estarem juntos sobrevinha, quando já estavam "acostumados" um ao outro, a namorada passava a usar aquelas "velhas calcinhas brancas de algodão, lavadas e ralavadas muitas vezes, cheias de bolinhas". Nesse momento, a paixão evanescia e ele partia em busca de uma nova parceira, que, ao conhecer, invariavelmente tornava a usar a mesma calcinha nova, rendada, vermelha ou preta e a história se repetia.
Afunal, após 5 relacionamentos que passavam por calcinhas novas e velhas calcinhas de algodão se sucedendo uma após a outra, nosso herói deu-se conta de que poderia enfrentar esse ciclo eternamente buscando a parceira "perfeita" (que nunca viria), mas preferiu encarar a realidade e aceitar que todas pessoas tem suas calcinhas novas e velhas. Todas pessoas tem várias qualidades e também muitos defeitos, do seu próprio ponto de vista. O que precisava fazer era encontrar a pessoa que tivesse as qualidades que lhe satisfizessem e os defeitos que pudesse tolerar. E assim o fez, vivendo feliz para sempre...

Bem, deixando de lado essa historieta com uma moral bem legalzinha até, vamos aos anúncios da programação do Simplicíssimo para as próximas edições:

edição 43: especial Desarmamento (ainda dá tempo de mandar sua contribuição!)

edição 44: especial Poesia Prá Que Te Quero (mande as suas, tire da gaveta e dê uma espanada na vergonha!)

É isso aí figura! Tira bunda da cadeira e vamos fazer este zine-sítio-blógue ficar do seu jeito, com a sua cara! Sem a sua idéia, não existe o Simplicíssimo!

Ah! Estejam atentos nas próximas semanas porque estaremos cheios de novidades no sítio... Além de mais e novas enquetes, as promoções do Desafio Simplex vão variar, e teremos um SuperDesafio Simplex preparado para a edição especial de 1 ano, no dia 24 de outubro! Aguardem!

Rafael Luiz Reinehr

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Transgênicos, da Revolução Farroupilha ao cinema de Schwarzenegger
Eduardo Sabbi

O assunto é polêmico e ainda toma conta dos noticiários dessa semana no país. O governo acertou em cheio quando afirmou que a decisão seria baseada no conhecimento científico. Em tema tão controverso, é muito importante tentarmos evitar a parcialidade dos fanáticos e não nos afundarmos em questões políticas, religiosas e ideológicas. (Aliás, a saúde agradecerá muito o dia em que a Igreja Católica engajar-se na campanha pró-uso de preservativos...). Pois imaginando formar uma opinião mais sólida sobre o plantio de sementes de alimentos modificados geneticamente, parti para uma extensa pesquisa.

As vantagens dos transgênicos estão no aumento de produção e menor custo com inseticidas. O primeiro ponto parece ideal para quem quer acabar com a fome. O segundo, aponta para um gasto de R$ 307,00/hectare no plantio de sementes tradicionais, contra R$ 66,00/hectare quando do uso da semente transgênica. Muito embora o fenômeno da tolerância bacteriana possa vir a acontecer com o tempo, imagina-se que a tecnologia vá acompanhar essa evolução. Como desvantagens, estudam-se o impacto na saúde e no meio-ambiente que, se por um lado é visto com cautela pela maior parte dos países interessados no assunto, com reais investimento na pesquisa, ao mesmo tempo tropeça em grupos mais radicais que não pensam duas vezes ao afirmar sua postura paranóide do caos.

Há quem diga que aqueles que se posicionam a favor dos transgênicos estariam a favor e movidos pelas empresas que o comercializam e seu suposto/previsto monopólio. A contrapartida pode ser tão falsa ou verdadeira quanto a primeira idéia: seriam os que lutam contra os transgênicos a favor e movidos pelas empresas produtoras dos agrotóxicos atualmente utilizados nas lavouras? Nem uma coisa, nem outra. Com relação ao monopólio, nem Gates nem os EUA parecem ter conseguido dominar o mundo, mas que tentam, tentam.

Há também o receio de que nosso humano desatino expanda a biotecnologia aplicada a alimentos (e hoje em dia também em animais – hello Dolly!) para a própria (ir)racional espécie humana. Obviamente que isso irá acontecer um dia e pode até já estar sendo feito, vai saber. Mas temeroso seria o propósito manipulativo. Seriam criadas soluções da ciência para males da saúde, verdadeiros exércitos fortalecidos para a batalha ou legiões de povos com seu cérebro modificado a só dizer sim, ou sim senhor. Bem, a batalha do futuro é com máquinas, não com homens. Já tivemos uma pequena amostra disso na última guerra do Iraque, com muitos mísseis disparados a uma grande distância e aviões de controle remoto. Mesmo assim, um verdadeiro filme de ficção estrelado por Arnoldo Schwarzenegger não é facilmente descartado.

O custo do progresso é óbvio. Quando se vibrou com a invenção da roda, do avião, da eletricidade, etc., não se imaginou a construção de tanques de guerra, carros velozes por demais para causarem acidentes fatais nas mãos da irresponsabilidade humana, caças de combate, cadeira elétrica e daí por diante. Tão pouco acharíamos uma maioria disposta a voltar no tempo antes de importantes descobertas da nossa história científica.
Pois uma das questões é estabelecer alguns parâmetros de bio-segurança no produto em foco. Para a saúde do consumidor, os pontos críticos são a existência de algum potencial alergênico ou tóxico. Uma vez, após uma palestra, fui questionado sobre o uso de medicamentos psiquiátricos e a conseqüente exposição dos pacientes aos seus efeitos colaterais. A resposta cabe como uma luva aqui. Penso que tudo o que ingerimos é potencialmente alergênico, tóxico ou causador de algum efeito indesejado. E, em se tratando da química medicamentosa, deve ser usado sob estritos parâmetros terapêuticos com estudado custo-benefício (por isso a auto-medicação é, por si só, um veneno). Mas curiosamente, os estudos não se aprofundam nos alimentos naturais tanto quanto nos medicamentos e nos alimentos geneticamente modificados. Talvez se o fizéssemos encontraríamos motivos suficientes para estimular toda a biotecnologia, talvez não. E vale lembrar que a WHO (World Health Organization) deixa claro que, dentre os alimentos geneticamente modificados disponíveis no mercado e liberados para consumo, não há um sequer que apresente risco à saúde humana. Isso me parece um aval a ser fortemente considerado, bem como os técnicos da Embrapa, que sinalizam no mesmo sentido.

Sobre o efeito no meio-ambiente, cujas preocupações recaem sobre as transmutações, pouco ouvi de críticas a aparentes e inocentes enxertos de rosas, por exemplo, quando o princípio me parece semelhante. Vai que daí surja um espécime deformada e carnívora que venha a comer nossas criancinhas. Quem garante? Pausa para o filme de ficção ... Tampouco ouvi falar sobre a proibição de um tecido “x” usado para confeccionar roupas, mesmo sabendo de “n” pessoas que incham, avermelham-se e se coçam todas com essa ou aquela roupa. Se o que estamos falando é não modificar a natureza pelas mãos do homem, melhor seria cortar as nossas mãos. Não há como não modificar a vida diante do simples fato de existirmos. Ah, e quem nunca optou por um refrigerante de bolhinhas daquela marca que dizia “É isso aí!”, ao invés de um suco natural, em algum momento de sua vida?

Pois criado o problema, era necessária uma atitude. Fechar os olhos foi um privilégio do governo anterior e empurrar com a barriga nesse momento teria proporções quase atômicas. A entrada das primeiras sementes em território nacional ocorreu de forma bastante irresponsável, sendo meritório o título de “produto contrabandeado” e, não duvido, remexendo Maquiavel em sua cova. Mas quem sabe essa não foi a única forma de nos inserir na discussão mundial sobre as novas biotecnologias? Produtores gaúchos aguardavam aflitos à decisão, da qual dependia a escolha de sementes, a garantia de financiamentos bancários e, em alguns casos, a viabilidade de uma safra inteira. E assim como na Revolução Farroupilha, onde o Rio Grande do Sul protagonizou a primeira experiência republicana do país (mesmo sem saber aonde tudo isso ia parar – e ainda não temos certeza), é esse mesmo povo que se lança pioneiramente no Brasil a arriscar com a moderna biotecnologia.

Pergunta-se o quanto não estaria o Brasil sendo cobaia dos estudos mundiais desse tipo de alimentos. Pouco provável, nada impossível. Embora mais ou menos aceito ou discutido por uma ou outra sociedade, já estamos vivendo a globalização desse tema, a exemplo de países como Nova Zelândia e Reino Unido. Ihhhh olha aquele filme aí de novo...

Pois não é que nosso presidente viaja justo nessa hora sem decidir nada antes e deixando tudo nas mãos do vice mineiro que treme só em falar na responsabilidade do ato? Mas apesar de tudo, já temos notícia da assinatura extra-oficial da liberação do plantio transgênico, o que deve se confirmar nas próximas horas. Mas enganam-se os que imaginam que a discussão se encerra por aí (semelhante mais uma vez aos filmes de ficção). Não só pelo constante estudo das questões pelos organismos internacionais competentes, mas também porque ativistas contrários aos transgênicos prometem vir com tudo e já se acumulam em manifestos lá em Brasília. E não podemos deixar de falar nos que querem aparecer. Sempre tem. Antes mesmo de uma decisão, o poder judiciário ameaçava aniquilar qualquer medida provisória, uma vez que entende passar por cima de uma decisão prévia desse poder, entendendo como desacato e sentindo-se menosprezado. Nesse ponto a jornalista Ana Amélia Lemos comenta: “o judiciário só se manifesta quando provocado” (vejam por exemplo as manifestações da classe na reforma da previdência). Como se não bastasse, a empresa Monsanto, uma das produtoras das sementes de soja transgênico que entrou no estado, já avisou que cobrará royalities dos agricultores (o “copyright” da idéia toda) e está no seu direito. Aliás, nessa história toda, quem não está?

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Festival de Cinema de Gramado II – Segunda noite: a revanche
Pedro Schestatsky

O tempo estava passando e lá estava eu de novo sem um plano definido para
noite. Acho que não estou mais na idade de sair sozinho. Isto demanda uma
quantidade de energia e hormônios muito grandes. Mas o que eu podia fazer?
Ficar em casa batendo punheta é que não. Rumei então para o Palácio dos
Festivais, da mesma maneira que havia feito na noite anterior.
A mostra foi à tarde e começou com uma picaretagem estilo Andy Warhol, que
sinceramente, não vejo graça nenhuma. Vejo sim, como o Cristiano Zanella
também viu, uma certa injustiça nisto. Enquanto meu primo gastara mais de
20000 reais produzindo o filme, trabalhando que nem um cavalo noite a fio,
chega um sujeito, que é a cara do “Gabriel, O pensador”, pega uma câmera de
vídeo provavelmente estragada e fica mais 30 min filmando uma parede,
ganhando a mesma credencial e estadia de graça no Serrano. Sobre os
roteiros, achei que sobrou muito sexo e violência injustificáveis, gratuitos
e um pouco cagados. Bem repetitivo. Ano que vem vou apresentar um filme tipo
Andy Warhol em troca de uma credencial. Já decidi isso. O Cristiano até já
prometeu que vai me dar umas sobras de seus filmes, que eu poderia fazer
umas montagens aleatórias e apresentá-las como uma “obra pós-moderna
carregada de segundas mensagens”. Depois os outros me explicariam o seu
significado e eu concordaria com tudo.
O meu pressentimento sobre o Cristiano estava certo. No caminho me liga o
meu tio anunciando a premiação mais que merecida. “Vão ter que me engolir”,
diria o cineasta momentos depois, parafraseando o velho Zagallo. Nos
reunimos todos na padaria para festejar, junto com várias equipes de outros
curtas. O clima era de felicidade, mesmo entre os que não ganharam nada.
Legal. Depois de várias cervejas, começou a rolar o papo da “festa dos
artistas” no Serra Azul. “Vamos invadir aquela merda”, gritavam alguns mais
entusiasmados, dispostos a revolucionar o ambiente. Aí eu dei uma ponderada:
“Pois é pessoal, talvez seja difícil entrar lá. Eu acabei de checar isso”
Alguns me olharam com certo ceticismo (“quem é você?”), mas era a pura
verdade. Eles teriam que entender isso ou, do contrário, dariam com seus
narigões bem no meio da porta. Um plano deveria ser minuciosamente
planejado. Esqueci de dizer que estacionara o carro defronte ao Serra Azul e
entrara no hotel para saber sobre a festa. Quase fui barrado, mas como a
festa ainda não havia começado, os seguranças não viram graça nenhuma em me
barrar naquele momento. Iriam esperar até mais tarde, para quando tivesse
platéia assistindo.
Havia uma comitiva discutindo os últimos preparativos. Perguntei para um
segurança distraído qual era o nome do rapaz que estava a frente do grupo.
Cheguei então perto da comitiva e perguntei:
“André Warfárin?”
“Sim, sou eu”
“Eu me chamo Pietro, sou um simples mortal. Gostaria de saber como faço para
entrar nesta festa. Por isso vim cedo. De quem é esta festa?”
“Olha, é da revista “pçydaisvbçqi” e, infelizmente só vai entrar quem tem
convite” – falava como se fosse gay.
“Me dá um”
“Não tenho nem para mim”
“Sei... Que revista é essa, hein? Nunca ouvi falar”
Os seguranças riram junto com Warfárin. Ele então respondeu com certa
arrogância: “Acho que tu deves te informar melhor, baby. Esta revista tá
SHOW”
“Acho que você tem toda razão. Até mais”
“Até, gato”
Não tinha como insistir. Poderia me fazer de gay e deixar ele pensar que ia
me comer depois em troca de um convite, mas não estava tão a fim de ir
naquela festa, embora confesse que, na saída, cheguei até pensar em entrar
no banheiro e esperar 5 horas pelo início do evento. Olhei-me no espelho
adiante e percebi que minha barba estava por fazer.
Lá estávamos, eu e várias figuras integrantes do momento cinematográfico
gaúcho atual, em franca desigualdade com relação as chances de obtenção de
convite. Eles não paravam de usar seus celulares, negociando credenciais (já
que as suas de praxe, não valiam nada para aquela festa independente). Senti
que ia sobrar mais uma vez na parada. Mas eu tinha uma vantagem sobre eles
que nem eu me dava conta. Alguém me pedira para segurar o Kikito recém
ganho, enquanto ia fumar um beck com amigos. E qual não foi a minha e a
surpresa de todos quando uma senhora saiu do salão e veio direto em minha
direção me oferecendo seu convite. “Toma que tu merece!”. YES, agora eu
estava com poder. As pessoas em volta passaram então a me admirar um pouco.
Radiante de felicidade, pedi licença e conduzi-me a porta. “Vou tentar fazer
o possível e o impossível para vocês entrarem, especialmente você FLU (um
dos fundadores do Defalla), confiem em mim”, disse com sinceridade. Não
consegui nada, mas no final das contas todos ali entraram por suas próprias
forças. Duvido que me fizessem entrar se eu não tivesse conseguido por
minhas “próprias forças”. Eu não tinha ganho nada.
Me diverti à beça lá dentro, embora tivesse que ter bebido para isso e feito
algumas confusões, como cumprimentar efusivamente Werner Schunemann como se
fosse Hique Gomes. A sorte é que eu tinha visto várias vezes “Verdes Anos” e
fiz alguns comentários pertinentes a tempo sobre este filme para me
recuperar. Que sorte.
Nem sei como aconteceu, mas quando me dei conta estava sainda da festa com
uma guria bem interessante por sinal. Chamava-se Ângela e aquilo me agradava
muito, pelo seu nome e por sua energia. Ela tinha um sotaque paulista
exagerado e uma personalidade algo excêntrica, nada que me incomodasse
muito. Era uma das “bobetes” do Bob Pop Show. Fazíamos boas piadas um com o
outro. Contei aquela que eu levei um dia inteiro para decorar, do ladrão que
foi roubar as galinhas do Rui Barbosa e foi pego em flagrante. Aí o Rui
disse (é meio sacal de ler – leia meio por cima):

“Pare! Alto lá, verme rastejante que vagueia errante e desnorteado pelos
pantanais inférteis de ignorância. Não é pelo peso do bípide, nem tampouco
pelo valor total do galináceo, mas sim por teres a ousadia de penetrar
sorrateiramente nos umbrais de minha residência. Se for por mera estultice,
perdoar-te-ei, mas se for para zombares de minha alta prosopopéia, juro
contascois metafóricas que reduzir-te-ei a parcas cinzas escaravélicas sob o
bico do meu sapato”
Aí o ladrãozinho respondeu:
“OK, seu Rui. Mas só me diz uma coisa: levo ou não levo as galinhas?”
(Esta piada eu decorara com muito custo, tendo sido obrigado a contá-la pelo
menos 1x/dia – para não esquecer)..............................................................

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Janeiro de 2002
Aline Machado Oliveira

O sol queima,a terra está parada
O som do catavento é que persiste
Eu,na varanda a descansar
E um desejo crescente de amar.

Amor de veraneio,que vantagem?
Se começa com dia pra terminar
Esse sol,essa areia e esse mar
Meu coração,vou te resguardar.

Esse céu cobre de dúvidas minh’alma
E se eu te expusesse na areia?
O mar te cobriria,e a cor púrpura
Dominaria esse oceano que questiona.

Será que apenas eu vivo pensando
Perseguindo respostas sem ter fim
Uma só certeza vaga pulsa em mim
Estou a viajar neste planeta.

Acho que vou montar qualquer cometa
E,como louca,voar pelo universo
Até encontrar meu lar, minh’alma gêmea
Sossegar meu coração sem mais perguntas.

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Escrever por Escrever XXXVI (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

Para aqueles (poucos) que acompanham com atenção o Escrever por Escrever aqui no Simplicíssimo desde o princípio (raros ou mesmo ninguém) ou mesmo desde as últimas edições (alguém, alguém???), deve ter notado que, na edição passada eu iria começar a transcrever (como fiz no Escrever por Escrever original, de onde tiro estes excertos que ora coloco na Internétch) minhas agendas-diário de 1994/1995, 1997, 1998 e 1999. Acontece que andei revisando estas minhas agendas e não encontrei uma densidade muito grande de pensamentos, considerações, elocubrações, apontamentos e idéias relevantes ou interessantes... Também havia uma concentração grande de eventos pessoais nestas agendas-diário e, dialogando com minha namorada, achamos por bem suprimir tais passagens. Algo que vou transcrever, tanto porque me traz boas lembranças e também porque tem algumas passagens interessantes é minha viagem para Londres, em 1999. Viagem feita, volto para o ano de 2001 e sigo adiante até 24 de setembro de 2002, quando acabo o Escrever por Escrever, que depois se transformou, de certa forma, no Simplicíssimo (já que este passou a ocupar meu tempo e também foi meu espaço para expressão de pensamentos e idéias...). Segue então o Escrever por Escrever a partir de 14 de agosto de 2001...

{14/08/2001 - Terça-feira – 22:57}

Estou em Agudo. Hoje começou a paralisação por tempo indeterminado dos residentes médicos. Por enquanto só estão parados o Conceição e o Hospital de Clínicas. Acho que nenhum outro hospital no Brasil já começou a greve. Dia 19 terá uma Assembléia no Rio de Janeiro para decidir sobre a greve no resto do Brasil.
Amanhã vou para Santa Maria visitar a Carol. Ficarei por lá até Sexta-feira, acho... (((...)))

{15/08/2001 - Quarta-feira – 16:03}

Acabei de “acabar” com uns bolinhos de polvilho que a vó fez para mim. Ela também lavou o carro para mim! Que amor! (((...)))

{16/08/2001 – Quinta-feira – 14:56}

Lembranças do passado é um pleonasmo?
Estou em Santa Maria, no apartamento da Carol. Até agora tudo em paz, tranqüilo, legal, bem bom! Agora estou sentado do lado dela, ela estudando inglês e eu teclando essas maltraçadas linhas. Acabei de ver um computador com a configuração que eu queria por R$3020,00 na Micro News. Será que é esse?
Estou resfriado. (((...)))

{18/08/2001 – Sábado – 15:29}

Hoje pela manhã tive uma idéia que diz respeito a piadas sem graça. Tudo começou quando, acordando ao lado da Carol hoje de manhã, resolvi contar uma piada, totalmente sem graça, e ela riu. Aí me dei conta que, para uma mulher rir de uma piada sem graça contada por um homem, existem basicamente 2 possibilidades: ou ela é idiota ou ela gosta do cara que contou. Como conheço a Carol e sei que ela não é idiota, concluo que ela gosta de mim... Tá, e a novidade? Olha só... Roda de amigos, algumas mulheres desconhecidas na roda, você conta intencionalmente uma piada sem graça. No término da piada, todos seus amigos vão fazer aquele tradicional “Dãããããã!!!”, as mulheres que não estiverem a fim de você vão ficar indiferentes (afinal de contas elas são “adultas” para ficarem zoando de você mas (olha só que interessante!) aquelas que gostarem de você vão dar pelo menos um sorrisinho simpático. Então, é producente que, logo após terminada a infame piada, você dê uma olhada rápida no círculo em que se encontra para ver se nele existe uma presa fácil que vá corresponder aos seus anseios, usando o infalível “Teste da Piada Sem Graça®”. Com ele, as mulheres estarão à sua disposição! (((...)))

{18/08/2001 – Sábado – 18:12}

Começarei a transcrever a “Agenda-Diário de 1999”. Nela encontraremos minha maior viagem até agora: “Aventuras Rafaelísticas em Londres”!

(24/04/1999)
Hoje tomei consciência de uma coisa chamada Jornal de Pesquisa, onde você escreveria tudo de relevante que acontece a você durante o dia, para posterior uso em uma futura redação de um trabalho qualitativo que você planeja realizar. Vou tomar essa idéia para mim e iniciar a escrever meu Diário de Apontamentos, onde relatarei acontecimentos que preencheram meu dia e pensamentos e sentimentos que povoaram minha mente.

(27/04/1999)
Hoje o dia inteiro foi muito corrido. E tinha muitas coisas a fazer na faculdade, além de ainda ter que arrumar minhas trouxas para a viagem. Almocei com a Sheila, lá no meu apê. Ficamos juntos até por volta das 16:00, quando ela tinha orientação de mestrado e eu tinha de ir justificar minha ausência nos primeiros dias de junho. Voltei para casa e eu e mamãe terminamos de arrumar as malas e fomos para o aeroporto; a Sheila veio! Que bom! Mamãe chorou na despedida, assim como vovó havia chorado lá em Agudo, no domingo. Quando o avião decolou, em Porto Alegre, rumo a Londres... ... nossa, foi uma sensação muito estranha: de que alguma coisa em minha vida iria mudar, e muito. Sensação que algo novo iria ser apresentado para mim, um novo mundo, uma nova visão de vida. Ao mesmo tempo em que isso me fascinou, eu senti medo. Medo de deixar as coisas antigas de lado. Deixar minha casa, minha família, minha namorada, minhas coisas, enfim, para trás, mesmo que fosse por um tempo determinado e curto. Algo vai acontecer!

(segue na próxima edição, já na Inglaterra...)

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Amnésia
Fabricio Pessôa

Alguém sabe a solução?
Me diga então
Me diga como fazer
Me diga como esquecer
Como limpar meu coração.
Várias vezes pensei estar curado
Várias vezes pensei ter superado
Todas as depressões do passado,
Porém sem notar
Volto ao mesmo lugar
Onde fico trancado
Tentando fugir
Tentando sumir,
De nada adianta.
As vezes até nem percebo
O quão preso estou
E vou
Vou caminhando
Até chegar ao abismo
Por onde desço rolando
Rolando pelos fatos de minha vida
Rolando pelas feridas
Sofridas
De quem amou e não pode mais.
Do amor teimoso que vai e volta
E vai
E teima em voltar.
Vai pro teu lugar!
Teu lugar é enterrado
Bem longe de mim
Não quero mais sofrer assim
Deixa eu ser feliz, enfim!
Vá pra longe dos meus pensamentos
Dos meus momentos.
Mas como isso?
Sei lá
Deixa eu pensar...
Já sei
Alguém por favor
Ajude a acabar com minha dor
Me consegue uma amnésia!

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Desafio Simplex

Veja só quem ganhou o Desafio Simplex da edição anterior:

P.: Sugira a próxima enquete do Simplicíssimo

R.: Milton Ribeiro, com a original enquete:

O que deveria fazer seu blogueiro preferido durante as férias?

a) Férias? Que férias?
b) Ir a um lugar info-incluído e passar as manhãs num cyber atualizando e respondendo ao blog.
c) Esquecer da vida numa praia deserta, mas fazendo anotaçãoes em um notebook entre um e o outro beijo na(o) namorada(o).
d) Desaparecer.

...continuem participando e divulgando o Desafio Simplex! O próximo desafio já está aí ...

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