26/09/2003
- Edição número 42
Altíssima
Fidelidade
Editorial
Rafael Luiz Reinehr
Transgênicos, da Revolução Farroupilha ao
cinema de Schwarzenegger
Eduardo Sabbi
Festival de Cinema de Gramado II – Segunda noite: a revanche
Pedro Schestatsky
Janeiro de 2002
Aline Machado Oliveira
Escrever por Escrever XXXVI (excertos)
Rafael Luiz Reinehr
Amnésia
Fabricio Pessôa
Desafio Simplex
Editorial
Em discussão recente sobre a efemeridade de vários
relacionamentos no meio artístico, chegou-se à
conclusão de que um dos principais motivos por tal efemeridade
seria justamente a maior possibilidade que o meio traz de conhecr
novas pessoas.
Aliado à isso temos o exemplo das novelas brasileiras,
que com toda sua sensualidade, são responsáveis
em grande parte tanto pela formação quanto pela
dissolução de pares românticos (na vida
real).
Pode-se supor que a grande incidência de estímulos
de ordem sexual e afetiva que são gerados e transmitidos
no meio artístico gere uma espécie de "confusão
sentimental" - representada por fácil saturação
da situação vigente e necessidade (ou suposta
necessidade) de conhecer novos horizontes e passar por novas
experiências - e com ela a necessidade de um(a) novo(a)
parceiro(a).
Ao fim de todos "troca-trocas" que ocorrem, sempre
vem à mente a grande mensagem do filme Alta Fidelidade
(High Fidelity), transmitida através da metáfora
das "calcinhas", como resolvi chamar: nela, o protagonista
contava que, sempre que iniciava um relacionamento, sua nova
parceira usava uma calcinha nova, rendada, vermelha ou preta,
toda enfeitada e assim o fazia durante o segundo, terceiro,
enfim, durante os primeiros encontros. Depois de algum tempo,
quando o hábito de estarem juntos sobrevinha, quando
já estavam "acostumados" um ao outro, a namorada
passava a usar aquelas "velhas calcinhas brancas de algodão,
lavadas e ralavadas muitas vezes, cheias de bolinhas".
Nesse momento, a paixão evanescia e ele partia em busca
de uma nova parceira, que, ao conhecer, invariavelmente tornava
a usar a mesma calcinha nova, rendada, vermelha ou preta e a
história se repetia.
Afunal, após 5 relacionamentos que passavam por calcinhas
novas e velhas calcinhas de algodão se sucedendo uma
após a outra, nosso herói deu-se conta de que
poderia enfrentar esse ciclo eternamente buscando a parceira
"perfeita" (que nunca viria), mas preferiu encarar
a realidade e aceitar que todas pessoas tem suas calcinhas novas
e velhas. Todas pessoas tem várias qualidades e também
muitos defeitos, do seu próprio ponto de vista. O que
precisava fazer era encontrar a pessoa que tivesse as qualidades
que lhe satisfizessem e os defeitos que pudesse tolerar. E assim
o fez, vivendo feliz para sempre...
Bem, deixando de lado essa
historieta com uma moral bem legalzinha até, vamos aos
anúncios da programação do Simplicíssimo
para as próximas edições:
edição 43: especial
Desarmamento (ainda dá tempo de mandar sua contribuição!)
edição 44: especial
Poesia Prá Que Te Quero (mande as suas, tire da gaveta
e dê uma espanada na vergonha!)
É isso aí figura!
Tira bunda da cadeira e vamos fazer este zine-sítio-blógue
ficar do seu jeito, com a sua cara! Sem a sua idéia,
não existe o Simplicíssimo!
Ah! Estejam atentos nas próximas
semanas porque estaremos cheios de novidades no sítio...
Além de mais e novas enquetes, as promoções
do Desafio Simplex vão variar, e teremos um SuperDesafio
Simplex preparado para a edição especial de 1
ano, no dia 24 de outubro! Aguardem!
Rafael
Luiz Reinehr
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Transgênicos,
da Revolução Farroupilha ao cinema de Schwarzenegger
Eduardo Sabbi
O
assunto é polêmico e ainda toma conta dos noticiários
dessa semana no país. O governo acertou em cheio quando
afirmou que a decisão seria baseada no conhecimento científico.
Em tema tão controverso, é muito importante tentarmos
evitar a parcialidade dos fanáticos e não nos
afundarmos em questões políticas, religiosas e
ideológicas. (Aliás, a saúde agradecerá
muito o dia em que a Igreja Católica engajar-se na campanha
pró-uso de preservativos...). Pois imaginando formar
uma opinião mais sólida sobre o plantio de sementes
de alimentos modificados geneticamente, parti para uma extensa
pesquisa.
As vantagens dos transgênicos estão no aumento
de produção e menor custo com inseticidas. O primeiro
ponto parece ideal para quem quer acabar com a fome. O segundo,
aponta para um gasto de R$ 307,00/hectare no plantio de sementes
tradicionais, contra R$ 66,00/hectare quando do uso da semente
transgênica. Muito embora o fenômeno da tolerância
bacteriana possa vir a acontecer com o tempo, imagina-se que
a tecnologia vá acompanhar essa evolução.
Como desvantagens, estudam-se o impacto na saúde e no
meio-ambiente que, se por um lado é visto com cautela
pela maior parte dos países interessados no assunto,
com reais investimento na pesquisa, ao mesmo tempo tropeça
em grupos mais radicais que não pensam duas vezes ao
afirmar sua postura paranóide do caos.
Há quem diga que aqueles que se posicionam a favor dos
transgênicos estariam a favor e movidos pelas empresas
que o comercializam e seu suposto/previsto monopólio.
A contrapartida pode ser tão falsa ou verdadeira quanto
a primeira idéia: seriam os que lutam contra os transgênicos
a favor e movidos pelas empresas produtoras dos agrotóxicos
atualmente utilizados nas lavouras? Nem uma coisa, nem outra.
Com relação ao monopólio, nem Gates nem
os EUA parecem ter conseguido dominar o mundo, mas que tentam,
tentam.
Há também o receio de que nosso humano desatino
expanda a biotecnologia aplicada a alimentos (e hoje em dia
também em animais – hello Dolly!) para a própria
(ir)racional espécie humana. Obviamente que isso irá
acontecer um dia e pode até já estar sendo feito,
vai saber. Mas temeroso seria o propósito manipulativo.
Seriam criadas soluções da ciência para
males da saúde, verdadeiros exércitos fortalecidos
para a batalha ou legiões de povos com seu cérebro
modificado a só dizer sim, ou sim senhor. Bem, a batalha
do futuro é com máquinas, não com homens.
Já tivemos uma pequena amostra disso na última
guerra do Iraque, com muitos mísseis disparados a uma
grande distância e aviões de controle remoto. Mesmo
assim, um verdadeiro filme de ficção estrelado
por Arnoldo Schwarzenegger não é facilmente descartado.
O custo do progresso é óbvio. Quando se vibrou
com a invenção da roda, do avião, da eletricidade,
etc., não se imaginou a construção de tanques
de guerra, carros velozes por demais para causarem acidentes
fatais nas mãos da irresponsabilidade humana, caças
de combate, cadeira elétrica e daí por diante.
Tão pouco acharíamos uma maioria disposta a voltar
no tempo antes de importantes descobertas da nossa história
científica.
Pois uma das questões é estabelecer alguns parâmetros
de bio-segurança no produto em foco. Para a saúde
do consumidor, os pontos críticos são a existência
de algum potencial alergênico ou tóxico. Uma vez,
após uma palestra, fui questionado sobre o uso de medicamentos
psiquiátricos e a conseqüente exposição
dos pacientes aos seus efeitos colaterais. A resposta cabe como
uma luva aqui. Penso que tudo o que ingerimos é potencialmente
alergênico, tóxico ou causador de algum efeito
indesejado. E, em se tratando da química medicamentosa,
deve ser usado sob estritos parâmetros terapêuticos
com estudado custo-benefício (por isso a auto-medicação
é, por si só, um veneno). Mas curiosamente, os
estudos não se aprofundam nos alimentos naturais tanto
quanto nos medicamentos e nos alimentos geneticamente modificados.
Talvez se o fizéssemos encontraríamos motivos
suficientes para estimular toda a biotecnologia, talvez não.
E vale lembrar que a WHO (World Health Organization) deixa claro
que, dentre os alimentos geneticamente modificados disponíveis
no mercado e liberados para consumo, não há um
sequer que apresente risco à saúde humana. Isso
me parece um aval a ser fortemente considerado, bem como os
técnicos da Embrapa, que sinalizam no mesmo sentido.
Sobre o efeito no meio-ambiente, cujas preocupações
recaem sobre as transmutações, pouco ouvi de críticas
a aparentes e inocentes enxertos de rosas, por exemplo, quando
o princípio me parece semelhante. Vai que daí
surja um espécime deformada e carnívora que venha
a comer nossas criancinhas. Quem garante? Pausa para o filme
de ficção ... Tampouco ouvi falar sobre a proibição
de um tecido “x” usado para confeccionar roupas,
mesmo sabendo de “n” pessoas que incham, avermelham-se
e se coçam todas com essa ou aquela roupa. Se o que estamos
falando é não modificar a natureza pelas mãos
do homem, melhor seria cortar as nossas mãos. Não
há como não modificar a vida diante do simples
fato de existirmos. Ah, e quem nunca optou por um refrigerante
de bolhinhas daquela marca que dizia “É isso aí!”,
ao invés de um suco natural, em algum momento de sua
vida?
Pois criado o problema, era necessária uma atitude. Fechar
os olhos foi um privilégio do governo anterior e empurrar
com a barriga nesse momento teria proporções quase
atômicas. A entrada das primeiras sementes em território
nacional ocorreu de forma bastante irresponsável, sendo
meritório o título de “produto contrabandeado”
e, não duvido, remexendo Maquiavel em sua cova. Mas quem
sabe essa não foi a única forma de nos inserir
na discussão mundial sobre as novas biotecnologias? Produtores
gaúchos aguardavam aflitos à decisão, da
qual dependia a escolha de sementes, a garantia de financiamentos
bancários e, em alguns casos, a viabilidade de uma safra
inteira. E assim como na Revolução Farroupilha,
onde o Rio Grande do Sul protagonizou a primeira experiência
republicana do país (mesmo sem saber aonde tudo isso
ia parar – e ainda não temos certeza), é
esse mesmo povo que se lança pioneiramente no Brasil
a arriscar com a moderna biotecnologia.
Pergunta-se o quanto não estaria o Brasil sendo cobaia
dos estudos mundiais desse tipo de alimentos. Pouco provável,
nada impossível. Embora mais ou menos aceito ou discutido
por uma ou outra sociedade, já estamos vivendo a globalização
desse tema, a exemplo de países como Nova Zelândia
e Reino Unido. Ihhhh olha aquele filme aí de novo...
Pois não é que nosso presidente viaja justo nessa
hora sem decidir nada antes e deixando tudo nas mãos
do vice mineiro que treme só em falar na responsabilidade
do ato? Mas apesar de tudo, já temos notícia da
assinatura extra-oficial da liberação do plantio
transgênico, o que deve se confirmar nas próximas
horas. Mas enganam-se os que imaginam que a discussão
se encerra por aí (semelhante mais uma vez aos filmes
de ficção). Não só pelo constante
estudo das questões pelos organismos internacionais competentes,
mas também porque ativistas contrários aos transgênicos
prometem vir com tudo e já se acumulam em manifestos
lá em Brasília. E não podemos deixar de
falar nos que querem aparecer. Sempre tem. Antes mesmo de uma
decisão, o poder judiciário ameaçava aniquilar
qualquer medida provisória, uma vez que entende passar
por cima de uma decisão prévia desse poder, entendendo
como desacato e sentindo-se menosprezado. Nesse ponto a jornalista
Ana Amélia Lemos comenta: “o judiciário
só se manifesta quando provocado” (vejam por exemplo
as manifestações da classe na reforma da previdência).
Como se não bastasse, a empresa Monsanto, uma das produtoras
das sementes de soja transgênico que entrou no estado,
já avisou que cobrará royalities dos agricultores
(o “copyright” da idéia toda) e está
no seu direito. Aliás, nessa história toda, quem
não está?
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Festival
de Cinema de Gramado II – Segunda noite: a revanche
Pedro
Schestatsky
O
tempo estava passando e lá estava eu de novo sem um plano
definido para
noite. Acho que não estou mais na idade de sair sozinho.
Isto demanda uma
quantidade de energia e hormônios muito grandes. Mas o
que eu podia fazer?
Ficar em casa batendo punheta é que não. Rumei
então para o Palácio dos
Festivais, da mesma maneira que havia feito na noite anterior.
A mostra foi à tarde e começou com uma picaretagem
estilo Andy Warhol, que
sinceramente, não vejo graça nenhuma. Vejo sim,
como o Cristiano Zanella
também viu, uma certa injustiça nisto. Enquanto
meu primo gastara mais de
20000 reais produzindo o filme, trabalhando que nem um cavalo
noite a fio,
chega um sujeito, que é a cara do “Gabriel, O pensador”,
pega uma câmera de
vídeo provavelmente estragada e fica mais 30 min filmando
uma parede,
ganhando a mesma credencial e estadia de graça no Serrano.
Sobre os
roteiros, achei que sobrou muito sexo e violência injustificáveis,
gratuitos
e um pouco cagados. Bem repetitivo. Ano que vem vou apresentar
um filme tipo
Andy Warhol em troca de uma credencial. Já decidi isso.
O Cristiano até já
prometeu que vai me dar umas sobras de seus filmes, que eu poderia
fazer
umas montagens aleatórias e apresentá-las como
uma “obra pós-moderna
carregada de segundas mensagens”. Depois os outros me
explicariam o seu
significado e eu concordaria com tudo.
O meu pressentimento sobre o Cristiano estava certo. No caminho
me liga o
meu tio anunciando a premiação mais que merecida.
“Vão ter que me engolir”,
diria o cineasta momentos depois, parafraseando o velho Zagallo.
Nos
reunimos todos na padaria para festejar, junto com várias
equipes de outros
curtas. O clima era de felicidade, mesmo entre os que não
ganharam nada.
Legal. Depois de várias cervejas, começou a rolar
o papo da “festa dos
artistas” no Serra Azul. “Vamos invadir aquela merda”,
gritavam alguns mais
entusiasmados, dispostos a revolucionar o ambiente. Aí
eu dei uma ponderada:
“Pois é pessoal, talvez seja difícil entrar
lá. Eu acabei de checar isso”
Alguns me olharam com certo ceticismo (“quem é
você?”), mas era a pura
verdade. Eles teriam que entender isso ou, do contrário,
dariam com seus
narigões bem no meio da porta. Um plano deveria ser minuciosamente
planejado. Esqueci de dizer que estacionara o carro defronte
ao Serra Azul e
entrara no hotel para saber sobre a festa. Quase fui barrado,
mas como a
festa ainda não havia começado, os seguranças
não viram graça nenhuma em me
barrar naquele momento. Iriam esperar até mais tarde,
para quando tivesse
platéia assistindo.
Havia uma comitiva discutindo os últimos preparativos.
Perguntei para um
segurança distraído qual era o nome do rapaz que
estava a frente do grupo.
Cheguei então perto da comitiva e perguntei:
“André Warfárin?”
“Sim, sou eu”
“Eu me chamo Pietro, sou um simples mortal. Gostaria de
saber como faço para
entrar nesta festa. Por isso vim cedo. De quem é esta
festa?”
“Olha, é da revista “pçydaisvbçqi”
e, infelizmente só vai entrar quem tem
convite” – falava como se fosse gay.
“Me dá um”
“Não tenho nem para mim”
“Sei... Que revista é essa, hein? Nunca ouvi falar”
Os seguranças riram junto com Warfárin. Ele então
respondeu com certa
arrogância: “Acho que tu deves te informar melhor,
baby. Esta revista tá
SHOW”
“Acho que você tem toda razão. Até
mais”
“Até, gato”
Não tinha como insistir. Poderia me fazer de gay e deixar
ele pensar que ia
me comer depois em troca de um convite, mas não estava
tão a fim de ir
naquela festa, embora confesse que, na saída, cheguei
até pensar em entrar
no banheiro e esperar 5 horas pelo início do evento.
Olhei-me no espelho
adiante e percebi que minha barba estava por fazer.
Lá estávamos, eu e várias figuras integrantes
do momento cinematográfico
gaúcho atual, em franca desigualdade com relação
as chances de obtenção de
convite. Eles não paravam de usar seus celulares, negociando
credenciais (já
que as suas de praxe, não valiam nada para aquela festa
independente). Senti
que ia sobrar mais uma vez na parada. Mas eu tinha uma vantagem
sobre eles
que nem eu me dava conta. Alguém me pedira para segurar
o Kikito recém
ganho, enquanto ia fumar um beck com amigos. E qual não
foi a minha e a
surpresa de todos quando uma senhora saiu do salão e
veio direto em minha
direção me oferecendo seu convite. “Toma
que tu merece!”. YES, agora eu
estava com poder. As pessoas em volta passaram então
a me admirar um pouco.
Radiante de felicidade, pedi licença e conduzi-me a porta.
“Vou tentar fazer
o possível e o impossível para vocês entrarem,
especialmente você FLU (um
dos fundadores do Defalla), confiem em mim”, disse com
sinceridade. Não
consegui nada, mas no final das contas todos ali entraram por
suas próprias
forças. Duvido que me fizessem entrar se eu não
tivesse conseguido por
minhas “próprias forças”. Eu não
tinha ganho nada.
Me diverti à beça lá dentro, embora tivesse
que ter bebido para isso e feito
algumas confusões, como cumprimentar efusivamente Werner
Schunemann como se
fosse Hique Gomes. A sorte é que eu tinha visto várias
vezes “Verdes Anos” e
fiz alguns comentários pertinentes a tempo sobre este
filme para me
recuperar. Que sorte.
Nem sei como aconteceu, mas quando me dei conta estava sainda
da festa com
uma guria bem interessante por sinal. Chamava-se Ângela
e aquilo me agradava
muito, pelo seu nome e por sua energia. Ela tinha um sotaque
paulista
exagerado e uma personalidade algo excêntrica, nada que
me incomodasse
muito. Era uma das “bobetes” do Bob Pop Show. Fazíamos
boas piadas um com o
outro. Contei aquela que eu levei um dia inteiro para decorar,
do ladrão que
foi roubar as galinhas do Rui Barbosa e foi pego em flagrante.
Aí o Rui
disse (é meio sacal de ler – leia meio por cima):
“Pare!
Alto lá, verme rastejante que vagueia errante e desnorteado
pelos
pantanais inférteis de ignorância. Não é
pelo peso do bípide, nem tampouco
pelo valor total do galináceo, mas sim por teres a ousadia
de penetrar
sorrateiramente nos umbrais de minha residência. Se for
por mera estultice,
perdoar-te-ei, mas se for para zombares de minha alta prosopopéia,
juro
contascois metafóricas que reduzir-te-ei a parcas cinzas
escaravélicas sob o
bico do meu sapato”
Aí o ladrãozinho respondeu:
“OK, seu Rui. Mas só me diz uma coisa: levo ou
não levo as galinhas?”
(Esta piada eu decorara com muito custo, tendo sido obrigado
a contá-la pelo
menos 1x/dia – para não esquecer)..............................................................
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Janeiro
de 2002
Aline Machado Oliveira
O sol
queima,a terra está parada
O som do catavento é que persiste
Eu,na varanda a descansar
E um desejo crescente de amar.
Amor de veraneio,que vantagem?
Se começa com dia pra terminar
Esse sol,essa areia e esse mar
Meu coração,vou te resguardar.
Esse céu cobre de dúvidas minh’alma
E se eu te expusesse na areia?
O mar te cobriria,e a cor púrpura
Dominaria esse oceano que questiona.
Será que apenas eu vivo pensando
Perseguindo respostas sem ter fim
Uma só certeza vaga pulsa em mim
Estou a viajar neste planeta.
Acho que vou montar qualquer cometa
E,como louca,voar pelo universo
Até encontrar meu lar, minh’alma gêmea
Sossegar meu coração sem mais perguntas.
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Escrever
por Escrever XXXVI (excertos)
Rafael Luiz Reinehr
Para
aqueles (poucos) que acompanham com atenção o
Escrever por Escrever aqui no Simplicíssimo desde o princípio
(raros ou mesmo ninguém) ou mesmo desde as últimas
edições (alguém, alguém???), deve
ter notado que, na edição passada eu iria começar
a transcrever (como fiz no Escrever por Escrever original, de
onde tiro estes excertos que ora coloco na Internétch)
minhas agendas-diário de 1994/1995, 1997, 1998 e 1999.
Acontece que andei revisando estas minhas agendas e não
encontrei uma densidade muito grande de pensamentos, considerações,
elocubrações, apontamentos e idéias relevantes
ou interessantes... Também havia uma concentração
grande de eventos pessoais nestas agendas-diário e, dialogando
com minha namorada, achamos por bem suprimir tais passagens.
Algo que vou transcrever, tanto porque me traz boas lembranças
e também porque tem algumas passagens interessantes é
minha viagem para Londres, em 1999. Viagem feita, volto para
o ano de 2001 e sigo adiante até 24 de setembro de 2002,
quando acabo o Escrever por Escrever, que depois se transformou,
de certa forma, no Simplicíssimo (já que este
passou a ocupar meu tempo e também foi meu espaço
para expressão de pensamentos e idéias...). Segue
então o Escrever por Escrever a partir de 14 de agosto
de 2001...
{14/08/2001
- Terça-feira – 22:57}
Estou em Agudo. Hoje começou a paralisação
por tempo indeterminado dos residentes médicos. Por enquanto
só estão parados o Conceição e o
Hospital de Clínicas. Acho que nenhum outro hospital
no Brasil já começou a greve. Dia 19 terá
uma Assembléia no Rio de Janeiro para decidir sobre a
greve no resto do Brasil.
Amanhã vou para Santa Maria visitar a Carol. Ficarei
por lá até Sexta-feira, acho... (((...)))
{15/08/2001
- Quarta-feira – 16:03}
Acabei de “acabar” com uns bolinhos de polvilho
que a vó fez para mim. Ela também lavou o carro
para mim! Que amor! (((...)))
{16/08/2001
– Quinta-feira – 14:56}
Lembranças do passado é um pleonasmo?
Estou em Santa Maria, no apartamento da Carol. Até agora
tudo em paz, tranqüilo, legal, bem bom! Agora estou sentado
do lado dela, ela estudando inglês e eu teclando essas
maltraçadas linhas. Acabei de ver um computador com a
configuração que eu queria por R$3020,00 na Micro
News. Será que é esse?
Estou resfriado. (((...)))
{18/08/2001
– Sábado – 15:29}
Hoje pela manhã tive uma idéia que diz respeito
a piadas sem graça. Tudo começou quando, acordando
ao lado da Carol hoje de manhã, resolvi contar uma piada,
totalmente sem graça, e ela riu. Aí me dei conta
que, para uma mulher rir de uma piada sem graça contada
por um homem, existem basicamente 2 possibilidades: ou ela é
idiota ou ela gosta do cara que contou. Como conheço
a Carol e sei que ela não é idiota, concluo que
ela gosta de mim... Tá, e a novidade? Olha só...
Roda de amigos, algumas mulheres desconhecidas na roda, você
conta intencionalmente uma piada sem graça. No término
da piada, todos seus amigos vão fazer aquele tradicional
“Dãããããã!!!”,
as mulheres que não estiverem a fim de você vão
ficar indiferentes (afinal de contas elas são “adultas”
para ficarem zoando de você mas (olha só que interessante!)
aquelas que gostarem de você vão dar pelo menos
um sorrisinho simpático. Então, é producente
que, logo após terminada a infame piada, você dê
uma olhada rápida no círculo em que se encontra
para ver se nele existe uma presa fácil que vá
corresponder aos seus anseios, usando o infalível “Teste
da Piada Sem Graça®”. Com ele, as mulheres
estarão à sua disposição! (((...)))
{18/08/2001
– Sábado – 18:12}
Começarei a transcrever a “Agenda-Diário
de 1999”. Nela encontraremos minha maior viagem até
agora: “Aventuras Rafaelísticas em Londres”!
(24/04/1999)
Hoje tomei consciência de uma coisa chamada Jornal de
Pesquisa, onde você escreveria tudo de relevante que acontece
a você durante o dia, para posterior uso em uma futura
redação de um trabalho qualitativo que você
planeja realizar. Vou tomar essa idéia para mim e iniciar
a escrever meu Diário de Apontamentos, onde relatarei
acontecimentos que preencheram meu dia e pensamentos e sentimentos
que povoaram minha mente.
(27/04/1999)
Hoje o dia inteiro foi muito corrido. E tinha muitas coisas
a fazer na faculdade, além de ainda ter que arrumar minhas
trouxas para a viagem. Almocei com a Sheila, lá no meu
apê. Ficamos juntos até por volta das 16:00, quando
ela tinha orientação de mestrado e eu tinha de
ir justificar minha ausência nos primeiros dias de junho.
Voltei para casa e eu e mamãe terminamos de arrumar as
malas e fomos para o aeroporto; a Sheila veio! Que bom! Mamãe
chorou na despedida, assim como vovó havia chorado lá
em Agudo, no domingo. Quando o avião decolou, em Porto
Alegre, rumo a Londres... ... nossa, foi uma sensação
muito estranha: de que alguma coisa em minha vida iria mudar,
e muito. Sensação que algo novo iria ser apresentado
para mim, um novo mundo, uma nova visão de vida. Ao mesmo
tempo em que isso me fascinou, eu senti medo. Medo de deixar
as coisas antigas de lado. Deixar minha casa, minha família,
minha namorada, minhas coisas, enfim, para trás, mesmo
que fosse por um tempo determinado e curto. Algo vai acontecer!
(segue
na próxima edição, já na Inglaterra...)
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Amnésia
Fabricio Pessôa
Alguém
sabe a solução?
Me diga então
Me diga como fazer
Me diga como esquecer
Como limpar meu coração.
Várias vezes pensei estar curado
Várias vezes pensei ter superado
Todas as depressões do passado,
Porém sem notar
Volto ao mesmo lugar
Onde fico trancado
Tentando fugir
Tentando sumir,
De nada adianta.
As vezes até nem percebo
O quão preso estou
E vou
Vou caminhando
Até chegar ao abismo
Por onde desço rolando
Rolando pelos fatos de minha vida
Rolando pelas feridas
Sofridas
De quem amou e não pode mais.
Do amor teimoso que vai e volta
E vai
E teima em voltar.
Vai pro teu lugar!
Teu lugar é enterrado
Bem longe de mim
Não quero mais sofrer assim
Deixa eu ser feliz, enfim!
Vá pra longe dos meus pensamentos
Dos meus momentos.
Mas como isso?
Sei lá
Deixa eu pensar...
Já sei
Alguém por favor
Ajude a acabar com minha dor
Me consegue uma amnésia!
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Desafio
Simplex
Veja
só quem ganhou o Desafio Simplex da edição
anterior:
P.:
Sugira
a próxima enquete do Simplicíssimo
R.:
Milton
Ribeiro, com a original enquete:
O
que deveria fazer seu blogueiro preferido durante as férias?
a)
Férias? Que férias?
b) Ir a um lugar info-incluído e passar as manhãs
num cyber atualizando e respondendo ao blog.
c) Esquecer da vida numa praia deserta, mas fazendo anotaçãoes
em um notebook entre um e o outro beijo na(o) namorada(o).
d) Desaparecer.
...continuem
participando e divulgando o Desafio Simplex! O
próximo desafio já está aí ...
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