Simplicíssimo
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Editorial

Em tempos em que até o nome da novela das 6 engorda, nada como um antídoto para isto:

- "É isto aí minha amiga. O que você está fazendo aí no sofá? Levanta daí e ligue agora mesmo: 33 78 78 78. Aproveite já nossa promoção..."

Infelizmente, vivemos onde a charlatanice e a propaganda enganosa são levadas impunemente. Vendem-se informações irreais de forma descarada e irresponsável, de forma tão insistente e acintosa que chega a enjoar. Não conheço uma pessoa aqui em Porto Alegre que não esteja incrivelmente incomodado com a voz irritante da loira do Magridiet. Até o ator global Caio Blat, que até onde se saiba, adepto dos alimentos naturais e pregador de um estilo de vida "orgânico" acabou cedendo à pressão do dinheiro para vender mais esta farsa.

Para muitos que não são aqui do Sul, cabe um esclarecimento: o Magridiet é um suposto produto "natural" composto de fibras capaz de fazer milagres levando a reduções incríveis de peso em pouco tempo.

Como médico endocrinologista, tenho o dever de informar que tal medicação, como é proposta enganosamente na propaganda, não existe! Os efeitos prometidos nunca ocorrem. Digo isso de fato e não por opinião, pois já atendi numerosas pacientes que utilizaram a referida substância sem efeito algum no peso. Mas então, como algumas pessoas efetivamente perdem peso com o tal do Magridiet? Explico: juntamente com o tal do Magridiet FPH (como chamam) vem uma dieta hipocalórica, a qual os pacientes são orientados a seguir em conjunto com o uso da medicação. E o que se observa? Simples: aquelas pacientes (digo aquelas pois a imensa maioria são mulheres) que usam o Magridiet e fazem a dieta sugerida, perdem peso; aquelas pacientes que só usam o Magridiet não perdem peso. Qualquer estudante da segunda série do primeiro grau poderia afirmar com certeza, a esta altura, que o que funciona, na situação citada é a dieta e não o Magridiet.

E assim vemos várias outras situações da vida cotidiana acontecerem na nossa frente sem que possamos nos pronunciar e nos defender. Onde está a vigilância sanitária, o Ministério da Saúde, o PROCOM ou o raio que o parta para fazer alguma coisa??? O silêncio é assustador! Compraram os órgãos reguladores? A mídia, que veicula tais colossos de charlatanismo não deveria ter sua ética e averiguar a veracidade das informações veiculadas, mesmo através de comerciais deste tipo, para evitar um dano ao consumidor-espectador? Podemos, já que falamos tanto hoje em dia de empresas com "Responsabilidade Social", falar também de empresas de televisão com um tipo de "responsabilidade social" sobre o que é veiculado.

Bom, o que importa mesmo é que nesta edição temos uma novidade importante: a presença de um Ombudsman! Isto mesmo! O Simplicísimo agora vai ter um feroz e sangüinário caçador de erros em nossos calcanhares, pronto para disparar sua acidez ao mínimo tropeço. Ou mesmo que os tropeços não ocorram! Seja bem-vindo Maurício! Tenho certeza que seus apontamentos serão sempre criteriosamente analisados pela Edição e, creia, escreva o que seu espírito lhe ordenar que tudo será publicado na íntegra.

Nesta edição, depois de uma pausa devido à série de "edições especiais" que tomou conta do Simplicísimo, teremos a volta da seção "Escrever por Escrever", que é bom que se diga, vale a pena atentar a data, pois ela foi escrita há anos atrás. Não confunda carvalhos com baralhos! Até semana que vem!

Rafael Luiz Reinehr

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E com vocês: o pigmeu-moral que queria ser ombudsman; e o seu avesso.
Maurício Santos

Por auto-eleição e acolhimento posterior do nobre editor do Simplicíssimo, sento, a partir de hoje, no trono de ressentidos que é o lugar de um ombudsman. Deve ter sido invenção do jornalismo americano, sei lá, e, querem saber, tenho preguiça de investigar/construir uma genealogia da figura. O ombudsman, dizem os manuais de jornalismo, deve ser uma espécie de advogado do leitor. Ele é eleito ou escolhido e tem estabilidade no cargo, ou seja, não pode ser demitido por um tempo de mandato pré-determinado (um ou dois anos, por exemplo). Semanalmente tem seu espaço garantido para escrever o que bem entender sobre as matérias, editoriais, escolhas de pauta, posturas do veículo. Normalmente é “ajudado” por leitores indignados ou espertos, desocupados ou ufanistas, que crêem estar colaborando para um jornalismo mais “democrático”. O ombudsman é, no fim das contas, a fina-flor da liberal-democracia jornalística. A doença da grande mídia, contudo, é muito mais pustulosa do que pode parecer, e querer dar conta de suas profundas estruturas gangrenosas com um ombudsman é como acreditar que uma passeata com bandeiras brancas e bons sentimentos pudessem barrar a insânia do massacre ao povo do Iraque a ser cometido pelo eixo paranóico-militar-petrolífero-neoconservador estadudinense. Por isso, a presença do ombudsman se limita a dar uma aparência de maior legitimidade e transparência para o veículo que o contrata; como cantava Lobão, é tudo pose ... Há algo engraçado com relação a isso: alguns jornais ,como o gaúcho zerohora por exemplo, são tão escancaradamente antidemocráticos e vinculados a setores políticos e econômicos determinados, que nem mesmo o simulacro de um ombudsman conseguem criar e suportar, seria muito risco, mesmo com um cenário cuidadosamente preparado, tal é o nível da manipulação.

Mas porque todo esse lero-lero? Só para avisar que este que vos escreve pretende ser um anti-ombudsman ou, quem sabe, um ombudsman pigmeu-moral, um ombudsman que admite o alto grau de narcisismo de seus (não)colegas de imprensa, que sabe que não querem defender democracia coisa nenhuma, muito menos leitores ou algo como a lisura jornalística. Os verdadeiros ombudsmen, se existissem, nunca seriam contratados, e a verdadeira democracia, se existisse, prescindiria deles. Além disso, o Simplicíssimo já é escrito por seus próprios leitores, ou seja, não é um veículo de comunicação tradicional. Está mais para uma rede-livre, rede-quente, um pequeno turbilhão de palavras ansiosas por afetar, cantar, dançar, beijar. Então este ombudsman-pigmeu não será mais que o seu chato de plantão, que se permitirá dizer o que bem entende, como quem distribui flores para estranhos ou cospe de sua sacada na cuca dos desavisados ... Tudo pela diversão!

É claro que na medida em que escrevo pretendo ser lido, por isso, às favas com o papinho de uma amiga minha: “me visto assim para mim mesma, porque gosto, para me sentir bonita e não para os outros”. Pipocas !! As pessoas se vestem para os outros, para alguns outros, para serem olhadas, admiradas, desejadas, devoradas (e isso também vale ao avesso). Eu também; tenho carência de que me leiam e gostem e queiram ler novamente, mas também careço de desconforto, irritação, discordância , quem sabe ódio! Odeiem-me! Por favor, detestem-me! E depois me mandem beijocas.

Então, a partir da próxima edição farei minhas intervenções sem compromisso. Direi o que quiser sobre o que bem entender do que foi publicado no Simplicíssimo (ou não) e aceitarei o que vier de volta. Viverei o quanto Deus ou o editor ou os leitores-assinantes-autores deixarem e isso já terá bastado. E no fim das contas, como diria o velho Nietzsche, só resta a ALEGRIA porque esta quer eternidade, quer profunda eternidade.

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Saudosa Mangueira
Pedro Scestatsky

Chegar no Maracanã foi moleza. Agora meu objetivo era o Morro da Mangueira. Inspirado pela figura de Cartola & Carlos Cachaça e motivado por um documentário de Ivo Dornelles, não pensava em outra coisa nos últimos dias: visitar um dos berços do samba no país, um lugar responsável pela identidade brasileira, um lugar adorado por todos que o visitam, inclusive Bill Clinton, no ano passado. E queria também um pouco de emoção nesta minha vida tão sacal, ultimamente. A minha última grande emoção tinha sido um jogo do Inter vários meses atrás em que ganhamos de virada. Na parada de táxi do maracana:

“boa tarde, carioca, poderia me dar a simples informação de como chego no Morro da Mangueira”.
Risos.
“Voce quer subir o morro, nao é?”
“Sim, como faço”.
“Entre no carro”.
“Não, não, valeu. Tô afim de ir de ônibus mesmo, é óbvio, se tu me
permitires”.
“Ah, então ce pega o 722 meHmo, passa bem ali ó”.
“Obrigado”

Decidi não perder o meu tempo explicando que eu não estava interessado em drogas. Lá vinha o 722. Coração disparando forte. Da mesma maneira do que o ônibus que ia para Rocinha, brancos e pretos lotavam o veículo meio-a-meio. Nao sei bem porque esta observacao, mas por algum motivo achei digna de nota. Ou talvez porque seja meio racista no fundo, não sei, ninguém sabe de si. Um dia inventarão um exame de sangue para detectar racismo. Aí sim, vai triplicar o número de faculdades de Direito. Só a ULBRA vai abrir umas 15. Mas não vamos dispersar. Perguntei então para aquela ilustre ordinária (no bom sentido) passageira

“Com licença, qual é o seu nome senhora?”
“Meu nome é Dejair”
“Boa tarde, senhora Dejair. O negócio é o seguinte: estou muito a fim de conhecer o morro de vocês aí. Em parte pelo samba, em parte pelo Cartola. Bem acho que dá no mesmo. O problema é que não conheço muita gente aí estou com medo de ser assaltado, a sra sabe. Tenho a pele muito branca,. a sra sabe”
“E o que é que eu tenh a ver com isso, garoto”
Começou a rir, só estava me “cozinhando”.
“Aqui mora a D.Neuma, ao lado a D.Zica patati patatá...”
Mulher de Cartola, pensei. Nossa, tinha que visitá-la, mas não agora.
“E este é o Osvaldo, um dos organizadores da escola”
“Bom dia, muito prazer Osvaldo. Poderia caminhar um pouco com você?”
“Claro, gaúcho”

Me mostrou a favela, as construções, as crianças e alguma histórias. Confirmou algo que eu já tinha lido: Carlos Cachaça não estava presente no dia da fundação da escola. Tinha conhecido uma moçoila lá da Candelária, bem ao lado. Já Chico Porrão estava lá, juntamente com Angenor Ferreira, mais conhecido como Cartola e mais alguns outros sambistas. Estive no casebre famoso. Depois fomos para escola. Bill Clinton estivera lá há um ano atrás, com Pelé. Lá estava a famosa quadra de samba, com seus camarotes imponentes. O mais centrão era de Jamelão, intérprete histórico ejá sem muito fôlego. Visitei a diretoria e falei com o grande presidente. OK, agora queria visitar D.Zica. Na verdade só consegui falar com a Dona Zica após três subidas no morro. Ela nunca podia me receber. Mas fui insistente. Nosso primeiro encontro foi muito breve. Estava saindo para o médico por dores lombares. Me tratou com distinção. Na segunda vez estava dando uma longa entrevista para um documentário. No terceiro dia aí sim, conversamos bem, sobre Cartola principalmente. Fiquei encantado com aquela velhinha de 87 anos. Me deu seu livro, seu telefone, e não me convidou para feijoada que estava fazendo. Seria demais, mas tudo bem, a receita estava no livro que estava levando. Tirei algumas fotos, dei-lhe uns beijos e fui embora, louco para revelar as fotos e escrever alguma coisa sobre o acontecido: entrar na casa de Cartola e quase ver seu baú de pertences pessoais, que incluia sua famosa violinha. Isto, D. Zica não quis me mostar. Quem sabe da próxima vez.

“Bem, acho que vou indo, D. Zica, sabe como é, né? Não posso esperar pelo anoitecer aqui por essas bandas”
“Que é isso, garoto? Vai ficar aí mais um pouquinho e vai comer minha feijoada."
Já tinha ouvido falar que D. Zica era ex-cozinheira do Copacabana Palace. Não hesitei.
“Claro. Zica. Por que não?
A experiência de ter comido a feijoada da Dona Zica foi a maior da minha vida e após finalizado o banquete, ainda na na mesa (bastante estufado) perguntei:
“Puxa Dona Zica, como é que se faz esta feijoada? Queria tanto fazer para os meus amigos em Porto Alegre!”

Feijoada da Dona Zica (é a “estranheza” do conto. É o que temos...)

“Bem gaúcho, o primeiro ingrediente é o amor, pois sem amor não existe um
bom tempero, e nem uma boa cozinha”
“Naturalmente, Zica”
“Então vamos para os condimentos, que são bem conhecidos: alho, cebola,
folhinha de louro e uma pitadinha de pimenta do reino. Não esquecer do óleo
e sal. E mais: carne seca, costelinha defumada, paio, pezinho e orelha de porco, calabresa e toucinho defumado.

Modo de fazer para 10 pessoas: 1 Kg de feijão e 11/2 Kg da carne seca ao toucinho, ou seja, mais ou menos 250 gr de cada ingrediente defumado. Coloque o feijão para cozinhar e, à parte, as carnes. Depois de estarem cozidas, escorra a gordura e misture-as no feijão. Para acompanhar, arroz branco, couve, farinha de mandioca e laranja. Por fim, sugiro um bom aperitivo, aquela caipirinha. Assim se delicia essas duas maravilhas tipicamente brasileiras...”
“Ah, mas eu prefiro mesmo e uma cervejinha gelada, Dona Zica. Pode ser? Ah tá, porque se não puder eu não tomo. A senhora é quem sabe”

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Tôco
Alessandro Garcia


A anã me olhava dando risadinhas com seus dentinhos careados parecendo querer demonstrar que este era o seu método de sedução que melhores resultados lhe trouxeram até agora. Eu, entre compadecido, enojado e fascinado, dava um sorrisinho cumplíce para que a anã não achasse que eu, afinal, sou alguma espécie de filho da puta mal educado. Se bem sei, risadinhas continuam a fazer parte da relação de conveniências que procuram assegurar alguma espécie de troca empática entre duas pessoas - e a anã parecia realmente querer conquistar a minha empatia. Com sua sainha de crochê que deveria ter pertencido a alguma criança de uns cinco ou sete anos muito relaxada, ela deixava à mostra somente o cotoco que formava sua canela grossa. Se ela estivesse sentadinha a balançar os cotoquinhos alegremente, junto com aquelas risadinhas de dente careados, creio que seja possível dizer que ela teria me conquistado com muito mais rapidez do que conquistou.

*****

Eu não sei porque continuo vindo aqui - não sei se a anã tem conseguido ser feliz no seu intento de me seduzir ou se o encanto bizarro tem se entranhado no meu ser -, mas a verdade é que, olhando meio de lado, a anãzinha não é assim tão desprezível. Tem alguma gracinha naquele seu jeito de colocar o cabelinho fino para trás da orelha com o dedinho indicador em riste. Na verdade, não gosto de vê-la com este olhar preconceituoso, como se fosse um objeto raro ou alguma anomalia apresentada em circo tal qual aqueles seres deformes com uma cabeça extra colada ao pescoço. Na maioria das vezes, infelizmente, é este tipo de atividade que os anões em geral costumam exercer, mas esta anãzinha decidiu-se por uma forma alternativa de ganhar a vida. Só que eu não sei se é realmente bem sucedida no que faz, porque sempre que venho aqui, ela continua ali, no mesmo lugar, com as mesmas risadinhas, no entanto. Só mudam as sainhas de crochê e os tops, de vez em quando. A meia eu já notei que é quase sempre a mesma - e, na verdade, não sei porque insiste em utilizar meinhas de algodão branco com sandálias como se parecesse uma menininha arrumada pelos pais. Vai ver se vale disto para despertar o encanto em quem a observa, afinal de contas, não creio existir muitas outras artimanhas disponíveis para uma anã utilizar: mulher fatal, diva loira ou gostosona de shortinho parecem não lhe caber. No máximo um calçãozinho enfiado no reguinho pequeno pode ficar de alguma maneira excitante, mas acho que, no final das contas, a puerilidade que exala naquele seu balançar de perninhas [hoje se pôs sentadinha, como que adivinhando meus pensamentos de ontem...] e no jeitinho dócil com que põe o cabelinho fino para trás das orelhas pontiagudas acaba sendo a maneira mais satisfatória de encanto que consegue proporcionar.

*****

A anãzinha hoje foi mais ousada. Me olhou e, além de sorrir, balançou os dedinhos curtos em minha direção com aquela abanadinha típica de tia gorda do interior em porta de festa de aniversário. Não retribuí o gesto. Acho que preciso rever meus conceitos, pois, talvez não seja tão bem educado assim. A verdade, é que a anãzinha que tanto me tem encantado, hoje está me irritando profundamente: tenho vontade de bater na sua cara ou de levantá-la pelas axilas e balançar o seu corpinho até que não mais esboce sinal de vida. Tenho destas coisas de vez em quando: uma ternura quase sem fim que me faz delirar com pequenas coisinhas que encontro pelo caminho e que não costumam ser notadas pela maioria das pessoas, podendo ser flores em meio a pequenos toletes de merda ou mesmo criancinhas a bater insistentemente no vidro do meu carro. Em instantes depois, posso estar com vontade de enforcar a vovó mais doce e generosa que venha me oferecer um pedaço de bolo de cenoura com chá de pêssego. Acho que tem a ver com o excesso de candura que muitas vezes exala destas coisas e que entope alguma artéria sentimental minha, não me tornando mais paciente para suportá-las. Que bom que, ao final, fico apenas com a vontade se desenhando em minha cabeça e, ao que me lembre, nunca cheguei a levar a cabo nenhum destes intentos mais violentos. Acho que a doçura me toma de novo agora, pois já não creio que seria algo muito justo de se fazer pegar a anãzinha pelas axilas e sacudi-la violentamente até que rompesse em espasmos ou rebentasse alguma veia importante da cabecinha. Uma vez parece que ouvi falar de alguma diferente formação craniana que gera uma fragilidade extrema no cérebro destes serezinhos de pequeno porte, portanto é bom não abusar destas coisas da qual tenho pouca informação. Pegá-la agora pelas axilas e sacudi-la violentamente para saber se tem pouca resistência a bruscos gestos de movimentação de seu pequenino corpo não deve ser a experiência mais indicada para o momento.

*****

Acho que vou até ela. Está tão triste que tenho vontade de niná-la no colo. Lógico que esta candura que em mim se incorpora vem acompanhada de princípios de dominação - e quem não gostaria de ter uma anãzinha sob domínio para satisfazer seus devaneios eróticos? Ela tem carinha de safada. Não sei se é mais uma das suas artimanhas, mas hoje se botou casmurra e nem seus dentinhos careados quis me mostrar. Seus gestos são mais curtos do que normalmente seriam e, se afasta o cabelo dos olhinhos é porque eles realmente a atrapalham, e não por que com isto queira impor algum princípio de sexy appeal. Acho que desistiu de mim. Na verdade, acho que nunca a mereci de verdade. Quem compreenderá, afinal, o que se passa em sua cabecinha?

Alessandro Garcia (http://suburbana.blogspot.com ) é escritor e publicitário, tem 24 anos, e acha Porto Alegre a capital do mundo. Apaixonado por Legião Urbana e Pearl Jam (e contraditoriamente, fã ardoroso de música soul), sabe que tudo é uma questão de manter a mente aberta, a espinha ereta e o coração tranqüilo.

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Escrever por Escrever XXXVII (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{18/08/2001 – Sábado – 18:12}

Começarei a transcrever a “Agenda-Diário de 1999”. Nela encontraremos minha maior iagem até agora: “Aventuras Rafaelísticas em Londres”!

(24/04/1999)

Hoje tomei consciência de uma coisa chamada Jornal de Pesquisa, onde você escreveria tudo de relevante que acontece a você durante o dia, para posterior uso em uma futura redação de um trabalho qualitativo que você planeja realizar. Vou tomar essa idéia para mim e iniciar a escrever meu Diário de Apontamentos, onde relatarei acontecimentos que preencheram meu dia e pensamentos e sentimentos que povoaram minha mente.

(27/04/1999)

Hoje o dia inteiro foi muito corrido. E tinha muitas coisas a fazer na faculdade, além de ainda ter que arrumar minhas trouxas para a viagem. Almocei com a Sheila, lá no meu apê. Ficamos juntos até por volta das 16:00, quando ela tinha orientação de mestrado e eu tinha de ir justificar minha ausência nos primeiros dias de junho. Voltei para casa e eu e mamãe terminamos de arrumar as malas e fomos para o aeroporto; a Sheila veio! Que bom! Mamãe chorou na despedida, assim como vovó havia chorado lá em Agudo, no domingo. Quando o avião decolou, em Porto Alegre, rumo a Londres... ... nossa, foi uma sensação muito estranha: de que alguma coisa em minha vida iria mudar, e muito. Sensação que algo novo iria ser apresentado para mim, um novo mundo, uma nova visão de vida. Ao mesmo tempo em que isso me fascinou, eu senti medo. Medo de deixar as coisas antigas de lado. Deixar minha casa, minha família, minha namorada, minhas coisas, enfim, para trás, mesmo que fosse por um tempo determinado e curto. Algo vaiacontecer!

(28/04/1999)

Já passa da meia-noite aqui em Londres. No Brasil deve ser cerca de 8:32, ou melhor, 20:32. Depois de tanto viajar, finalmente a recompensa: essa cidade linda, cheia de muito verde e pessoas bonitas. Fui muito bem recebido pelo Alessandro e pela Phillippa. Conheci também o Ed, que mora com eles. A janta estava ótima (massa a bolonhesa, salada de alface e tomate, pão torrado e, de sobremesa, morangos!). Depois me levaram a um pub, onde bebi 2 pints (1 pint=568 ml) de cerveja Lager. Agora estou no meu alojamento no Wittington Hospital. Acabei de conhecer o Navil, meu vizinho de quarto; a outra vizinha, Blue, está dormindo. Já estou apijamado, pronto para dormir.Devemos ser espontâneos. Lembrar da não-ação: a atitude mais certa que temos de tomar é a de não fazer as coisas, deixar que elas sejam feitas por si só, naturalmente. Para descobrirmos nossa verdadeira essência, não devemos procurar em nenhum local que não seja dentro de nós mesmos pois senão estaremos cavalgando um boi à procura de um boi!

(29/04/1999)

Hoje fui até o St. Bartholomew’s. Conheci Miss Rita Simpson, a “administradora de departamento” da Endocrinologia, Dr. Michael Besser, Dr. Ashley Grossman – parecem ser todos bem legais. O hospital é um espetáculo, com seus prédios antigos, muitas flores (tulipas!) em toda a parte. Assisti a um seminário de Hormônio do Crescimento ( naverdade uma discussão sobre tratamento compartilhado entre “GPs & Endocrinologists” para insuficiência hipofisária de GH). “Almocei” sanduíches e suco de laranja oferecidos por um laboratório. À tarde, fomos eu e Phillippa às compras. Fiz minha carteira de estudante internacional, comprei minha passagem de trem pelo Eurotunnel para Paris, comprei um guia de Paris naDyllon’s e fizemos compras no supermercado.

À noite fomos eu, Navil e Norin (uma colega do Alessandro) jantar na sua casa. Depois da janta voltei para o alojamento e arrumei minhas coisas para a viajem de amanhã: Paris aí vou eu!!! Li um pouco do guia de Paris para aprender algumas expressões relevantes. Estou com saudades do pessoal do Brasil, e com um pouco de medo da minha aventurade amanhã. Tudo vai dar certo! {18/08/2001 – Sábado – 18:41}


(continua na próxima semana...)

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Pataxós e papais
Hamilton LIma


Alguém ainda se lembra do crime hediondo contra o índio Pataxó Hã-Hã-Hãe Galdino Jesus dos Santos? Se esqueceu é só rememorar um pouco. Foi no dia 20 de abril de 1997, na cidade de Brasília, capital desta república da justiça curiosa.

O local do crime, um banco da parada de ônibus na 703 Sul, foi sua última cama. Um grupo de rapazes de classe média passando no local achou interessante comprar combustível e queimar o indígena. Depois fugiram. Galdino teve seu corpo queimado em 95%, morrendo mais tarde.
Os autores da “brincadeira” foram os jovens Max Rogério Alves, Antônio Novély Cardoso de Vilanova, Tomás Oliveira de Almeida e Eron Chaves Oliveira. Um deles filho de juiz federal, o que atrapalhou bastante o andamento do processo, pois para que a lei seja cumprida a paternidade é importante no Brasil.

Em uma homenagem do povo de Brasília, o lugar onde Galdino foi assassinado transformou-se em Praça do Compromisso com a Justiça, a Paz e a Vida. O local é conhecido como "Praça Galdino", onde o artista Siron Franco ergueu um monumento. Todos os guias turísticos passam pela praça para mostrar o grau de justiça do país.

Os rapazes foram julgados, mas de acordo com o jornal Correio Braziliense, os assassinos de Galdino nunca estiveram numa penitenciária comum, como deveriam estar. Eles permaneceram inicialmente em uma biblioteca desativada, um privilégio concedido porque serem filhos de pessoas influentes.

Uma vez condenados, a vida dos jovens continuou boa. Parte-se do princípio no Brasil que o poder econômico e político permite todo tipo de violência contra segmentos carentes da sociedade.
Flagrados pela reportagem do Correio Braziliense em bares e consumindo cervejas, os jovens provaram que a justiça brasileira é boa para quem tem influência.

Esta semana os jovens foram ouvidos pelo Tribunal de Justiça por descumprir os benefícios judiciais, que lhes permitia trabalhar e estudar.
A sociedade brasileira está apreensiva. Existe a possibilidade de um juiz amigo do outro juiz mandar desenterrar o índio e condená-lo por ter cruzado o caminho dos assassinos desqualificados.

Sarcasmos à parte, os jovens conseguiram até renovar suas carteiras de habilitação no Detran de Brasília, um benefício concedido apenas aos cidadãos que não estejam com problemas legais. Retratos do Brasil.

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Desafio Simplex

Quem ganhou o Desafio Simplex da semana passada foi Carla Schneider, de Porto Alegre - RS, com a espetacular receita de Sorvete Frito. Confira a receita:

! SORVETE FRITO !
(Tempura de Sorvete)
(Ice Tempura)

O que você vai precisar:

. 2 litros do sorvete que você mais gostar
. 2 xícaras com nozes trituradas
. 3 colheres de sopa de chocolate em pó
. 6 ovos
. 2 pacotes de baunilha em pó
. 2 colheres de sopa de açúcar
. óleo para fritar
. 1 pacote de biscoito de maizena (triturado no liquidificador)
. Uma pitada de paciência (porque tudo na vida tem seu preço!)
. Uma porção de fé (acredite! essa receita dá certo e é uma delícia!)

Como se faz isso?

:: etapa 1 ::
. Modele 8 bolas de seu sorvete predileto e deixe-as no freezer por 6 horas.

:: etapa 2 ::
. Em um prato, coloque as nozes trituradas com o chocolate em pó.
. Retire do freezer, uma bola de sorvete por vez, e passe nas nozes com chocolate (esta será a primeira camada a cobrir o sorvete) e leve para o freezer por mais 6 horas. Ah! Lembre-se que culinária é uma arte e sendo você o artista modele sempre a bola de sorvete com a camada de cobertura para que fiquem bem juntinhas!

:: etapa 3 ::
. Prepare a segunda camada de cobertura para as bolas de sorvete: bata 3 ovos com 1 pacote de essência de baunilha e uma colher de sopa de açúcar.
. Retire, uma bola de sorvete por vez, e passe essa segunda camada de cobertura. Feito isso, deixe no freezer por mais 6 horas.

:: etapa 4 ::
. Faça agora a terceira camada de cobertura das bolas de sorvete. Novamente bata os outros 3 ovos com 1 pacote de essência de baunilha e uma colher de sopa de açúcar. Feito isso, esqueça as bolas de sorvete no freezer por 24 horas (isso mesmo! pelo menos 1 dia)

Como se serve isso?

:: etapa 5 ::
1. Coloque em um recipiente o óleo para fritar.
2. Frite uma bola de sorvete por vez, e sirva imediatamente.
3. Coloque calda de chocolate ou coisas do gênero, se te agradar!

Características especiais:

Essa é uma receita moderninha pois você faz em 05 etapas, então dá tempo de fazer outras coisas do seu dia-a-dia e voltar para continuar nela. É também uma receita charmosa (origem oriental) ehehe do tipo que você dá o toque final ali, na companhia de quem for apreciar essa delícia com você. Olha que beleza: você tem assim a oportunidade de demonstrar sua dedicação fazendo essa delícia para alguém que realmente deve importar para você!

Ah! Vamos lembrar também que trata-se de um receita original (o sorvete fique intacto por dentro, com uma casquinha crocante por fora!). Algumas pessoas já experimentaram, como eu. Confira os comentários:

´2.2.03 ::: - experimentamos a melhor sobremesa EVER : sorvete frito! Não me pergunte como eles fazem isso, mas eu fiquei passada como é bom.´ veja aqui

´Setembro 08, 2003 - puxa, fiquei triste por nao ter mais sorvete frito.. =[ mas td bem´ no link

´na semana passada, descobri uma sobremesa no Ichiban (405 sul) que é o fino da bossa: tempura de sorvete. Três bolas de sorvete de creme fritas (não me perguntem qual é a mágica!), com cobertura de chocolate amargo por cima´ veja aqui

... continuem participando e divulgando o Desafio Simplex!
O próximo desafio já está aí ...

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