Simplicíssimo
Jornal Virtual de periodicidade "cási así, cón una volúpia semanal"


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Esse CD pode ser seu!
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Editorial

Essa semana recebi do médico endocrinologista e idealizador do Instituto da Criança com Diabete - Dr. Balduíno Tschiedel - uma idéia "brilhante" como pauta para este editorial. O Dr. Balduíno (que por sinal será um dos futuros entrevistados do Simplicíssimo) trouxe-me um artigo publicado no dia 9 de novembro último na Folha de São Paulo.

O artigo, entitulado "Ateus se unem para "sair do armário"" aborda o fato de que, nos Estados Unidos, apesar de 10% da população declarar não ter religião, não existe sequer 1 governador, senador ou deputado que se proclame ateu ou agnóstico.

Há cerca de 5 meses integrantes desta minoria estão se articulando pela Internet, tendo criado um manifesto que está disponível no site www.the-brights.net

"Em lugar de se definirem como "godless" (sem Deus), ateus ou agnósticos, expressões de raiz negativa, tentam designar o grupo com a palavra "bright" (inteligente, brilhante), usada apenas como substantivo e não para adjetivar" - diz a Folha.

Outro dado interessante é que cerca de 60% dos cientistas do país e 93% dos integrantes da Academia Nacional de Ciências seriam brights, assim como alguns "não-cientistas" como o cineasta Woody Allen, o ensaísta Noam Chomsky, o megaempresário Bill Gates e astros do cinema como Jodie Foster, Jack Nicholson e Angelina Jolie teriam perfil para serem "brights".

Em visita ao site podes descobrir melhor as nuances e as propostas deste projeto coordenado por este grupo de pessoas que crê na ciência e na razão como bens superiores à religião. Se sua afinidade for intensa, podes até te cadastrar como um "bright"!

Não esqueçam que estão abertas as participações para a criação do "Hino do Simplicíssimo". Você pode mandar sua frase através do Participe no meno à esquerda no sítio e ter sua sentença como parte integrante desta futura obra de arte. Sua criatividade será parte integrante de um Hino, e isto fará com que tenhas mais uma história para contar a seus netos. De lambuja, se sua frase for escolhida, ganharás um lindo certificado autenticando sua participação nesta promoção. Mais de 20 frases serão escolhidas. E não esqueça! Mande seu nome e endereços completos para a entrega do Certificado!

Leia! Mas leia mesmo! Indique! Divulgue o Simplicíssimo! Inclua sua mãe, sua avó e sua tia (até a periquita, se souber ler!) nesta ciranda cirandinha!!!

Sugestões para melhorar o site sempre são bem-vindas! As portas da percepção estão abertas. Vem pra cá que a casa é sua! Critica mas pra construir, digníssima figura ilustre! Queremos ouvir a tua voz!

Rafael Luiz Reinehr

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Um Conto Ordinário
Pedro Schestatsky

Nota do autor: este foi o melhor conto que eu escrevi em toda a minha vida.
Não estou para brincadeiras.

Acordou cedo. Vestiu-se rapidamente como fazia todos os dias. Tomou café:
um pão com manteiga e um Nescau gelado. Escovou os dentes e caminhou até a
garagem, não sem antes dar uma pequena lida no jornal - o resto ele lia na
firma. Ligou o carro, abriu o portão e saiu em meio a uma fumaceira rumo à
Protásio Alves (trabalhava no Centro). Aquele dia acelerava mais que o
habitual. Não estava atrasado. Na altura da Felipe Camarão com a Osvaldo,
acordou. Abriu os olhos. Tarde demais. Morreu.

Nota do Editor: Pedro Schestatsky começa, a partir da próxima edição, com uma
coluna fixa semanal que se chamará "Diálogos da Noite de PoA", além de seguir
participando com seus microcontos paralelamente.


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Tabela "Exclusódica"
Mauro Belo Schneider

Chegar ao 3º ano é a maior demonstração de coragem e força de vontade!
Para isso, é preciso ter muita persistência e, ao longo do tempo, domínio de
conhecimentos sobre diversas matérias. E, talvez, a que mais cobre
raciocínio dos alunos seja a Química. Aliás, aprender a formação e a origem
das coisas que fazem parte de nossas vidas (ao exemplo da tela do
computador, a televisão, o rádio, a luz, entre outras) é magnífico . Sem
contar que através do estudo químico, conseguimos ter a noção ampla de tudo
que acontece ao nosso redor... Aquelas dúvidas, tais como: “por que o azeite
e a água não se homogeneizam?”, “por que o nosso corpo precisa de ferro e
proteínas...?”, não nos chateiam mais! Mas, você já imaginou como é a vida
daqueles que nunca tiveram aulas de química? Como eles conseguem sobreviver
neste mundo que está cada dia mais químico? São excluídos...
É muito triste saber que, apenas, aumenta esta taxa de exclusão social. Os
homens, apesar de tantos avanços tecnológicos, parecem estar esquecendo a
grande lição que a tabela periódica lhes ensinou: “ELÉTRON POSITIVO COM
ELÉTRON NEGATIVO GERA ESTABILIDADE!”. Ou seja, não importa se o ser é
negro, pobre, vermelho, branco, feio, bonito, perfeito ou desengonçado...
Todos devem ter os mesmos direitos, o mesmo grau de escolaridade, pois só
assim se alcança a estabilidade e, consequentemente, a tão desejada paz.
Como eu já citei a “divina” tabela periódica, continuemos seguindo os seus
ensinamentos... Todos sabem, ou deveriam saber, que ela está dividida,
atualmente, em: Metais, Não-metais e Gases Nobres. Enquanto que há alguns
anos, a divisão era a seguinte: Metais, Não-metais, Semi-metais, Gases
Nobres. Afinal, por que pausar neste tópico? Simplesmente, porque esta é a
mais explícita amostra de que quanto menos divisão e exclusão houver, mais
fácil é de se lidar!
A sociedade é uma verdadeira tabela periódica, existem os grupos, as
famílias, os elementos... E, claro, os mais fortes. Os mais fracos. Os que
doam. Os que recebem. Os neutros. Transpondo para o nosso cotidiano,
poderíamos fazer uma ligação (não a química!) entre a classe média/alta e os
Não-metais. Assim, poderíamos fazer o mesmo entre a classe baixa e os
Metais. Quem sabe, até, entre os miseráveis e os Gases Nobres. Muitos podem
estar se perguntado o que é isso... Para responder, não entrarei em
detalhes, somente lembrarei que os Metais são aqueles que doam, os
Não-metais estão sempre recebendo, e os Gases Nobres não reagem para nada!
Enfim, está mais do que provado que a exclusão existe e não leva a
lugar nenhum. Os governantes deveriam se preocupar mais com esta exclusão
química. Aliás, imagine você se um ignorante, que não aprendeu os conceitos
químicos, vai até a farmácia à procura de um remédio para dor de cabeça...
Sem coragem para pedir ajuda ao balconista, ele percorre as prateleiras e,
mesmo analfabeto, reconhece as letras “As” em um frasco de remédio. Logo,
lembra-se que a caixa vazia que tinha em casa, também, tinha estas mesmas
letras (talvez fosse o comprimido AAS). Coitado, é um excluído! Mal sabe ele
que se tomar aquilo, irá morrer...


P.S.: “As” é o Não-metal mais tóxico da tabela periódica, usado em venenos
para ratos, chamado Arsênio.

25/09/2003



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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia (severogarcia@msn.com)





 

 

 

 

 


Após diversas colaborações esporádicas - bem sabe o nosso querido amigo e editor Rafael - tomo como desafio e como convite que muito me honra, manter uma coluna fixa nesta casa eletrônica que cada vez cumpre mais seu papel na veiculação da palavra escrita em todas as suas formas. O conteúdo da minha coluna, será quase que em sua totalidade, formado por textos em ficção. Mas eventuais devaneios, pretensos ensaios e considerações enlouquecidas de toda ordem serão constantemente anexados, também, em um constante ir e vir, transitando entre o real e o onírico. O que justifica, de certa maneira, o título da minha coluna INSTRUÇÕES PARA DAR CORDA NO RELÓGIO, nome de um texto do deus Julio Cortázar, meu escritor supremo, e cujo estilo acaba norteando de certa maneira minha busca na literatura. Este texto, para quem interessar possa [e eu espero que interesse a muitos, porque já indiquei Cortazar a muitos desavisados, e todos, eu disse todos, agradeceram efusivamente por tal indicação, porque Cortázar é garantia do mais absoluto deleito e deslumbre em literatura.], faz parte do ótimo livro Histórias de Cronópios y de Famas. Começando, transcrevo, então, os pequenos textos de Cortázar, seguidos pelo meu texto Três Lados.


Preâmbulo às Instruções para dar corda no relógio
Pense nisto: quando dão a você de presente um relógio estão dando um pequeno inferno enfeitado, uma corrente de rosas, um calabouço de ar. Não dão somente o relógio, muitas felicidades e esperamos que dure porque é de boa marca, suíço com âncora de rubis; não dão de presente somente esse miúdo quebra pedras que você atará ao pulso e levará a passear. Dão a você - eles não sabem, o terrível é que eles não sabem - dão a você um novo pedaço frágil e precário de você mesmo, algo que lhe pertence mas não é seu corpo, que deve ser atado a seu corpo com sua correia como um bracinho desesperado pendurado a seu pulso. Dão a necessidade de dar corda todos os dias, a obrigação de dar-lhe corda para que continue sendo um relógio; dão a obsessão de olhar a hora certa nas vitrinas das joalherias, na notícia do rádio, no serviço telefônico. Dão o medo de perde-lo, de que seja roubado, de que possa cair no chão e se quebrar. Dão sua marca e a certeza de que é uma marca melhor do que as outras, dão o costume de comparar seu relógio aos outros relógios. Não dão um relógio, o presente é você, é a você que oferecem para o aniversário do relógio.


Instruções para dar corda ao Relógio
"Lá bem no fundo está a morte, mas não tenha medo. Segure o relógio com uma mão, com dois dedos na roda da corda, suavemente faça-a rodar. Um outro tempo começa, perdem as árvores as folhas, os barcos voam, como um leque enche-se o tempo de si mesmo, dele brotam o ar, a brisa da terra, a sombra de uma mulher, o perfume do pão.
Quer mais alguma coisa? Aperte-o ao pulso, deixe-o correr em liberdade, imite-o sôfrego. O medo enferruja as rodas, tudo o que se poderia alcançar e foi esquecido vai corroer as velas do relógio, gangrenando o frio sangue dos seus pequenos rubis. E lá bem no fundo está a morte, se não corrermos e chegarmos antes para compreender que já não interessa nada."


TRÊS LADOS.


1. Ana Cristina se desentendeu com o chefe naquele dia. Uma bobagem qualquer dita por ele e com a qual ela não concordou. Uma risadinha, mais ou menos sarcástica - e sarcasmo não era uma das suas principais características - e ele disse que era melhor ela tomar cuidado. Não devia se envolver tanto no que não lhe dizia respeito, não era sua função, foi o que ele falou. Não deu muita importância para aquela frase até o final do expediente; agora, em casa, no entanto, era como uma dor de cabeça a latejar com a mesma constância das risadas enlatadas que se repetiam no programa de televisão. Nem prestava atenção à trama, ainda que isto não fosse muito importante: o mesmo grupo de amigos vagabundos, fúteis e com dinheiro se encontrando todos os dias para se encharcar de café em um barzinho com sofá, enquanto soltavam nove piadas a cada dez frases inteiras. Nada a ver com a sua vida. Um escape, portanto? Ana Cristina não se preocupava muito com isto. A cabeça, lotada de outras preocupações (o irmão doente, a mãe longe, para quem tinha de enviar dinheiro a cada mês, o ex-namorado, um completo imbecil, o emprego de merda, aquele chefe tarado...) que deveriam ser simplesmente afugentadas com o que estivesse passando na televisão. Sim, definitivamente, um escape.
Um velho burro, aquele. Sem visão alguma! Que se afunde na merda ele e aquela empresa dos infernos! Com todos aqueles escritores medíocres, juntos. Não vou me meter mais a dar opinião...
Preparou o banho, meticulosa na cerimônia com a qual se presenteava algumas vezes por semanas, derramando um pouco dos sais que ainda restavam. Na televisão da sala, as mesmas risadas. Preciso parar de ver esta imbecilidade. Ao lado da banheira, a pilha de livros que editavam e que costumavam ser sua leitura durante a imersão naquela água espumante. Naquela noite não leu pegou nenhum deles para ler. Não agüentava mais o lugar-comum daqueles contratados metidos a Cortázar. Sacou o chuveirinho e se masturbou com a água quente enquanto se lembrava daquele escritorzinho em começo de carreira - sim, olhara para ela quando passara! Lógico que pensava safadezas... - e a bosta de livro que ele não haveria de escrever para fazer a vontade do editor todo poderoso e estúpido.

2. - Por que tu não quis jantar? - Não estou com fome, já falei, mulher. Só quero dormir. Aquela putinha me paga. Acha que pode se meter onde não deve. Secretária de merda. Só não a coloco para a rua porque é uma gostosa. Vou passar ela, ainda. - Tu vai ficar com a luz acesa a noite inteira? - Quero ler este último que vocês publicaram... Muito parecido com aquele outro, por sinal, não acha? - É, mas o próximo vai ser diferente... Se não me decepcionar como todos os outros. Bando de amadores. Não sei onde estou com a cabeça para publicar estes digitadores diletantes. Tem que levar pelo cabresto, senão acham que podem fazer o que quiserem. Mas este vai me dar o que eu quero. - Diferente, como? Quem é ele? Não é mais um destes guris que escrevem na Internet, né? Vocês estão com o catálogo cheio destes... - Não, depois tu vê. Este é muito bom, escreve bem. Só precisa de uma certa orientação. Metido a fazer drama psicológico, estas coisas, tu sabe. Quando tudo o que o público quer é ler putaria, esta gurizada fica achando que podem ser Dostoievski! Imitadores de Bukówski, é por isto que clama o público! E se eles querem safadeza, eu vou dar safadeza para eles... Safada! Vou comer aquela putinha, ainda!

3. Quando eu entrei na sala do meu editor, ele perguntou por que eu não havia incluído nenhuma cena de sexo no meu livro. Eu falei que não achava necessário, simplesmente. Nenhum motivo especial. Ele não se deu por satisfeito, começou a argumentar acerca da necessidade de inclusão de alguma cena mais tórrida, um palavrão que fosse. Achou que a minha cena subentendida, que termina em um beijo e recomeça a partir da manhã era excessivamente pudica, e que tal narrativa clamava por detalhes mais escabrosos. Como eu não me abalava e mantinha a minha postura em relação ao texto, e como ele havia sido previamente aprovado, em reuniões anteriores, me mantive quieto. Jorge, meu editor, começou a rasgar uma seda, elogiando meu texto grandemente, e o quanto eles queriam - realmente! - publicá-lo. Eu não me fiz de rogado, agradeci suas palavras e disse que estava tudo certo, então. Mas ele emendou, dizendo que, bem, você sabe, como um escritor que despontou através da Internet, eu tinha uma certa, digamos, reputação ou categoria a respeitar. Categoria?, eu perguntei. É, categoria. Você está ciente, de que quando decidimos por publicá-lo, o que nos atraiu primeiramente, foi aquele seu tipo de texto cru, escatologias, coisas sobre anãs taradas e irmãos que trepam. Sei... Pois bem, e agora, quando solicitamos para você um original inédito, você nos apresenta um texto de qualidade fenomenal, isto todos reconhecemos aqui na editora, e nos sentimentos realmente honrados por publicá-los, mas, bem, seu texto falta o que... como direi? Um punch! Isto, um punch! Não há devassidão, não há sujeira, todos muito limpos, muito assépticos... Queremos coisas como estas que seus amigos escrevem. Meus amigos? Sim, este pessoal que escreve pela Internet coisas sobre cabras enlouquecidas, alcoólatras punheteiros... Queremos ousar com o novo catálogo de nossa editora, e contamos com você para isto! Então, eu perguntei se eles haviam desistido de me publicar. Ele disse, não, claro que não. Só queremos que você dê uma melhor elaborada nesta tua trama. Estaremos aqui para as modificações que se fizerem necessárias. E para sugestões, inclusive! Contamos contigo!, ele falou esfregando a mão no bigode e estendendo-me, em seguida. Quando passei pela mesa da secretária, em sua ante-sala, ela me olhou e deu um sorriso cúmplice, como se soubesse tudo o que havia sido falado pelo diretor.
Cheguei em casa pensando em mandar tudo à merda, e enviar meu trabalho para outras editoras. No entanto, lembrei do quanto havia sido complicado conseguir que um editor ao menos lesse meu trabalho. Tentando fugir do lugar-comum desta literatura que vaga pela rede, penei durante meses para elaborar uma história com uma consistência que por fim, me agradou tremendamente. E, achava, agradava também à editora. Mas eis que meu editor querido clama por putaria, sexo desenfreado e anãs ensandecidas! O que posso fazer, senão atender ao pedido deste que custeará meu primeiro livro e me elevará ao panteão dos imortais? Devo corromper minha arte em troca de alguns poucos trocados e a chance de tornar meu nome conhecido? Deve ser um punheteiro depravado, este editor. Garanto que fica se insinuando para aquela sua secretária. Bem interessante, por sinal. Acho que é chegada em um escritor, a safada.

Alessandro Garcia (http://suburbana.blogspot.com) é escritor e publicitário, tem 24 anos, e acha Porto Alegre a capital do mundo. Apaixonado por Legião Urbana e Pearl Jam (e contraditoriamente, fã ardoroso de música soul), é vocalista da banda de funk-rock Zero Kelvin e idolatra Julio Cortázar. Sabe que, no final das contas, tudo é uma questão de manter a mente aberta, a espinha ereta e o coração tranqüilo.

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Escrever por Escrever XL (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{29/08/2001 - Quarta-feira – 22:28}

Porto Alegre está prestes a convulsionar! Todo mundo parando, paralisando, greves nascem e crescem a todo dia! O caos está tomando conta! Logo estará reinando! Revolução Civil! “Impeachment”!!! Pegar em armas! 14 de julho de 1789...

Amanhã tem Pigmeu Moral na Lancheria. Amanhã tem aula de canto. Dia 3 começa meu curso de 3 meses de “Percepção Musical”. Amanhã quero comprar uma placa de rede Ethernet 10/100 para Internet...

Segue o baile:

(12/05/1999)

Hoje acordei mal: dor de cabeça, em todo corpo. Hoje é “view day” aqui, o que significa que é um dia especial (pelo menos aqui para os ingleses), pois nesse dia, os hospitais recebem visita de pessoas ilustres, nobres, etc. Nada espetacular. Uma feira no pátio do hospital, chuvisco durante a tarde toda, uma “tea party” às 15:00. Nada muito especial a meu ver, mas para eles é um “acontecimento”!

À noitinha fomos a um pub perto do hospital, conversar e beber algumas cervejas, que é tudo que eu posso fazer... Quando voltei para casa, telefonei para o meu amor. Como é bom ouvir a voz dela! Fui dormir.

(13/05/1999)

Fiquei em função com os preparativos da minha apresentação de caso amanhã. Tive algum tempo para ir à Biblioteca para ler o e-mail que a Sheila me mandou e mandar alguns. Também fiz o câmbio de US$ 500,00 para £ 298,51, comprei alguns filmes para a máquina fotográfica, jantei no hospital, depois fiz compras no supermercado tomei aquele banho de chuva na volta!). Telefonei para o Alessandro para lhe dar meu número de telefone. Nada de especial.

(14/05/1999)

Hoje foi o dia de minha apresentação. Durante a manhã participei de uma aula teórica sobre hiperprolactinemia, com um paciente com um macroprolactinoma assistindo a aula! Depois fiquei em função imprimindo as lâminas para a apresentação e não consegui almoçar. Bem, a apresentação... Correu tudo muito bem! Tirando meu nervosismo inicial, não me atrapalhei no inglês. Foi ótimo!

Depois fui para a Biblioteca ler e mandar uns e-mails. Meu amor está triste por uma coisa que ela revelou em terapia. Como eu queria estar junto com a Sheila agora... Depois jantei e fui para a cama. Terminei de ler “O Tao da Física”. Quero ver se começo logo “O Ponto de Mutação”.

(15/05/1999)

Dia de turismo. Dormi até às 10:00, aí resolvi ficar em casa até depois do almoço. Acabei não almoçando, porque a comida me pareceu ruim! De tarde fui à National Gallery. Pinturas bem legais. “Sunflowers”, de Picasso. Eles tem 2 quadros iguais aos que eu vi no Louvre, de um pintor “marítimo” – não entendi! Depois fui à Tate Gallery. Massa! Comprei “Starry Night”, de Van Gogh. No caminho de volta, entrei numa loja de aquários. Conheci Henry, o Pacu e seu dono, Thomas, que esteve em Porto Alegre há 16 anos atrás. Comprei um bichinho para o meu futuro aquário.

De noite o Erik me convidou para irmos a um bar com alguns amigos dele. Fui. Estava legal. Papo furado rolando solto, inclusive em Alemão!!! Depois comi um Double Cheese Bacon no Burger Kings (muito bom!) e na volta demos uma passada na festa que estava rolando no nosso prédio. O Erik ficou. Eu fui dormir porque tenho planos para o Domingo!

(16/05/1999)

Hoje então fui no British Museum. Bem legal! Vi e tirei fotos de coisas bem interessantes, se bem que meu espírito não estava para museus. Depois fui na Dillon’s e comprei alguns livros. De noite liguei para a vó, o pai e a Sheila. Acho que todos estão bem. Fiquei meio triste e até com raiva: a Sheila me pareceu tão distante... não sei explicar, mas fiquei chateado...

(17/05/1999)

Dormi supermal à noite, acordei várias vezes, pensando no que estaria acontecendo com a Sheila. Lá pelas 11:00 (aqui) nós conseguimos nos comunicar por “chat”, depois de trancos e barrancos. Discutimos um pouquinho mas tudo bem. Acho que eu estou meio paranóico, ou talvez seja um mecanismo de defesa, criado apás experiências anteriores... Tudo ficou bem.

O dia foi legal, ambulatório até às 19:15, depois reunião (saí antes para jantar). À noite li um pouquinho do meu novo livro “Evidence-Based Medicine – How to Practice & Teach EBM”, do David Sacket. Dormi.

(18/05/1999)

Hoje acordei supercansado. Não tomei banho nem passei minha camisa; só lavei o cabelo na pia. Dia chuvoso. Tivemos o board round e depois fui para a biblioteca, ler e mandar e-mail. Depois teve o ambulatório novamente, aí almocei (estava horrível, acho que não comi nem metade da carne de cordeiro com molho esquisito!) e fui deitar um pouquinho (até às 15:15!). Levantei e fui “clerkar” o paciente que tenho que apresentar na sexta: Mr. Gatt, de Malta. Depois fui novamente para a Biblioteca, atualizar minhas contas e meu diário, estudar semiologia cardiovascular e mandar uns greeting cards para a Sheila, para o fim-de-semana e também o endereço eletrônico do Dr. Ashley Grossman para o Dr. Mauro Czepielewski. Jantei e fui denovo para a Biblioteca. Ao voltar para a “Nurses Home”, fui tocar um pouco de piano no “Seminar Room” e acabei ficando lá, sozinho, olhando Street Fighter na TV. Depois fui dormir.

(19/05/1999)

Está sendo bem gostoso escrever esse diário. Só tenho que me disciplinar a escrever os acontecimentos do dia no máximo durante o dia seguinte, para não esquecer nem o fato nem o sentimento envolvido. Por exemplo: agora são 1:20 da madrugada do dia 23 de maio (faltam 13 dias para eu voltar para o Brasil!) e eu não me lembro direito o que fiz na quarta. Só sei que não foi nada especial. Só as coisas do hospital, biblioteca, e-mails, rounds, coisas do gênero. Uma coisa que às vezes me ajuda a lembrar o que fiz é o meu diário de gastos: graças a ele, me lembrei que tirei xerox do livro “One Evidence Based Resource for Pain Relief” para o Dr. Newton Barros. Lembrei também que hoje eu não paguei o almoço do hospital (esqueci!!) e que jantei no hospital também. Também sei que depois disso fui dormir...


(continua na próxima semana...)

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Brasil Brasileiro
Cristiane Martins


Que houve com meu salário?

Que houve, onde estará?

Mal recebo o desgraçado...

Já percebo que irá acabar.

Gente passando fome,

Gente passando necessidade,

Gente fugindo da polícia,

Gente morrendo de saudades.

Brasil, terra bonita

Terra da adversidade

Tem loira inteligente

Morena burra,

Gente fora da realidade.

E a gente vai rebolando,

Aperta o cinto daqui,

Afrouxa a saia de lá.

Hoje come pão com manteiga.

Amanhã o que será?

Samba neguinha, dança loirão,

Rebola a galera do desemprego,

Choram as mães com filhos na prisão.

Esse é o meu Brasil.

Terra de todo mundo.

Povo alegre, sorridente

Melhor gente não há no mundo.

Bater lata no carnaval.

Passar fome é coisa banal.

Chorar as mágoas, reclamar...

Mas acha tudo isso normal.

Nota do Editor: Cristiane Martins é, em essência, escritora. Ótima contista,cronista e poeta. Mantém um blógue ( www.ansiosaeprematura.blogger.com.br) e um sítio (www.teoria_do_caos.kit.net ) na Internet. Vale a visita! Este Editor ainda a convence em tornar-se colunista fixa do Simplicíssimo antes que ela publique seu livro com obras inéditas.

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Ombudsman
Maurício Silveira dos Santos

Mesmo não podendo deixar de destacar a pobreza quantitativa de comentários aos artigos deste último número do Simplicíssimo (louvado seja!) tenho de admitir que o nível do debate foi bem interessante. Me refiro especificamente ao editorial do caro amigo Rafael que, desta vez, não teve gosto de sabão maraschin nem despertou a sensação de uma vivência nonsense-lisérgica de segunda catiguria, mas teve sim um jeitão Caros Amigos. Para quem não conhece, é uma publicação de esquerda para muitos bem interessante e para outros com um tom algo panfletário. Após o editorial veio o comentário do Adalberto que, além de manter o nível, aprofundou a discussão, relativizando uma série de argumentos do nosso editor e fazendo várias ressalvas. O Adalberto escreve com uma elegância difícil de encontrar nesses tempos de Mac Donald´s , shoppings e TV como principais formas de lazer e, pasmem(!), vivência “cultural” na nossa sociedade. Mas há sempre pessoas perturbadas como o Adalberto que gostam de ler e escrever e começam , estranhamente, a desenvolver seu pensamento, sua crítica e sua sensibilidade contra a correnteza de catabólitos culturais que pretende “alimentar” nossas pobres almas. Viva os perturbados! Viva eu, viva tu e viva o editor que também é um perturbado. Aliás acho que os leitores do Simplicíssimo (god bless!) tendem a uma terrível forma de perturbação. Perturbados do mundo uni-vos; só temos a perder Malhações, Big Mac´s, Caras e as infinitas encarnações simultâneas de Chuck Norris e Neo´s!

Por outro lado, caro Adalberto e leitores, não vamos exagerar na condescendência com a elite político-militar (não o povo) dos esteites. É muito difícil negar sua função imperial (sugiro a leitura de A. Negri – Império), mesmo que sendo o “nódulo central” de poder (por sua condição militar-econômica) de uma rede imperial de um certo Capitalismo Mundial Integrado descrito por Félix Guattari. Também não vamos generalizar a ressaca imperial de países como a França e afirmar que isto permeia todas as suas produções críticas, todos os seus intelectuais, e a sua resistência ao lixo estadudinense; nenhum europeu de bom senso (sabe-se lá o que é isso...) deixa de ouvir um bom jazz ou apreciar um filme de W. Allen (que aliás brinca com o fato de seus filmes fazerem mais sucesso na europa e, especificamente, na França em seu último filme). Sempre houve uma direita horrenda na França, aquela que apoiou o nazismo e hoje é representada por Le Pen e seu bando, mas também houve a resistência, intelectuais como Camus e lutas libertárias em vários campos (tu deves, Adalberto, saber detalhes por ser ligado a cultura francesa, podias nos passar este conhecimento). É, eu sei, os franceses muitas vezes têm uma imagem grã-finóide e arrogante... causa ou conseqüência de seu passado imperial? Nos EUA também há uma produção de “contra-cultura” interessantíssima, mas a estrutura institucional de poder, ou seja, a política representativa é mais conservadora que a fórmula da Q-boa e as coisas não mudam ... sai Bush ... entra Bush ... (deus nos proteja). E aí o Adalberto fala do Lula. Acho que o Lula é um acontecimento histórico e não um “ícone operário”, e isso para resumir uma obra num verso; cuidado com a arrogância intelectual caro Adalberto... esse “jeito francês de ser” pode contagiar...

Chega de política leitores, tudo isso é culpa do editor e do Adalberto, esses perturbados. Com relação ao “ficar”, bem, nunca gostei dessa história de ficar porque nenhuma cachopa me queria. É que eu sempre fui chato e perturbado, sendo assim, eu tinha de ficar sempre comigo mesmo, se é que vocês me entendem. Vida cruel, desamparo, solidão, ai ai ai, preciso ouvir um Guilherme Arantes para me acalmar, o que vocês acham, Aline e Carla? :” infelizmente nem tudo é/ exatamente como a gente quer ...” (G. Arantes em ‘Deixa Chover’).

ps – grato aos que agüentaram até aqui; o ombudsman hoje estava convencido de que tinha algo interessante para escrever sobre política, empáfia!

Bye bye fellows.

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Desafio Simplex

Quem ganhou o Desafio Simplex da semana passada foi...

... NINGUÉM GANHOU O DESAFIO SIMPLEX DESTA SEMANA!!!

Somente 2 (DUAS, II, D-U-A-S!!!!) pessoas participaram e mandaram somente a questão da enquete, sem as alternativas, estando então incompleta a enquete e não podendo assim receber o prêmio! Apesar de avisados sobre o fato, acabaram não elaborando as respostas. Desta forma, o prêmio fica ACUMULADO, e na próxima semana o ganhador do Desafio Simplex ganhará o já citado CD do Joe Satriani entitulado "The Extremist" e o CD "Minuano" dos Engenheiros do Hawaii.

Para concorrer aos CDs basta escolher uma foto bem bacana de alguma viagem que você, digníssimo leitor realizou. Envie com dados da viagem, informando o local e a data, além do significado desta foto para você. Aproveita que são 2 CDs de uma só vez! Barbada! A foto mais esdrúxula e bonita ao mesmo tempo ganha o Desafio!


... continuem participando e divulgando o Desafio Simplex!
O próximo desafio já está aí ...

 

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