Simplicíssimo
Jornal Virtual de periodicidade indiscutivelmente "once a week"


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Editorial

"...years gone by and still words don´t come easily..." (Baby Can I Hold You Tonight - Tracy Chapman)

Tenho certeza de que alguém já deve ter escrito sobre isso, mas como eu ainda não li, escrevo eu também:

Desde criança uma dúvida me inquieta: afinal de contas, o que querem dizer com salgadinho "sabor pizza"? Confesso que nunca entendi esta "classificação". Sabor pizza, tudo bem... Mas pizza de quê? É de calabresa? Mussarela? Aliche? Alho e óleo? Tomates secos com rúcula? De sorvete de creme com hortelã?
Também não entendi esta moda anos 90 de classificar alguns salgadinhos como sabor churrasco... Certo, sabor churrasco... Mas é picanha? Alcatra? Maminha? Costela? Vazio?
Já que é pra esculhambar, vamos também questionar a palavra "tutti-fruti". Certo, quer dizer "todas as frutas"... Mas sei que não podem ser TODAS as frutas. Então, que frutas são e em que combinação? Quantos por cento de maçã, de laranja, de pêssego e de pera? E de maracujá, qual seu percentual no "tutti-fruti"?

Deixando de lado estas viagens, quero falar de algo muito sério, que aqui vou chamar de...

..."Combate à impessoalidade - Um brevíssimo ensaio" (pequena introdução à "Combate à impessoalidade - Um breve ensaio")

Nesta época de fim-de-ano, festas natalinas e milhares de amigos e inimigos-secretos rolando, ocorre o momento propício para algo que representa o cúmulo da impessoalidade: dar um cheque-presente ou pior, um vale-CD como presente.
Vejam só: tal ato de desmedida insensibilidade significa, entre outras coisas, um total desconhecimento - e também uma completa falta de interesse - dos hábitos e gostos da pessoa presenteada. As justificativas apresentadas pelos "sem inventividade" são as mais escalafobéticas:

-" Ai, eu não tive tempo de escolher uma coisa bem legal pra ti, então resolvi deixar que tu mesmo escolhesse!"

-" É muito difícil escolher presente para homem/mulher (depende o caso, valem os dois!), então achei que seria melhor que você mesmo pegasse o que mais combina contigo!"

-" Como eu sei que tu gostas de música, te esse vale-CD para que possas escolher aquele que mais te agrada!"

-" Meniiiiiiina(o)! Olhei tanta coisa nas lojas que até fiquei confusa(o), mas não encontrei nada que fosse a tua cara! A melhor solução foi deixar pra ti a decisão sobre o teu presente! Boa idéia né?"

Conseguem imaginar impessoalidade maior? Bem, agora que eu perguntei, consegui imaginar uma maior: imagina os pais indo ao berçário, pegar seu bebê com dois dias de vida, prontos para irem pra casa aproveitar os júbilos (e encarar as mazelas) de seu bebê recém-nascido. Ao chegarem lá, a enfermeira pergunta:

- Qual é o bebê de vocês?
E o pai responde:
- Pode dar qualquer um que estamos com pressa!

Essa foi Sóda!
Fim de ano chegando, reformulações no Simplicíssimo também... Brevíssimo teremos algumas alterações estruturais tanto no e-zine quanto no site, para tentarmos nos adaptar ao incremento de textos que temos recebido e também para tornar de mais fácil leitura e acessibilidade os textos de nossos colaboradores e colunistas.
Você quer ter uma coluna fixa no Simplicíssimo? Acha isso impossível? Será? Não! Isto não é impossível! Mande 2 ou 3 dos seus melhores contos, crônicas, poemas ou ensaios e a razão pela qual você deseja ser colunista do Simplicíssimo e seu sonho poderá se tornar realidade! Junte-se a nós nesta divertida séria brincadeira de juntar as letrinhas para formar palavras e juntar as palavras para formar sentenças e juntar as sentenças para mudar as idéias e mudar as idéias para mudar as ações e mudar as ações para mudar o mundo!

Um grande amplexo algodonoso e até a próxima sexta-feira!


Rafael Luiz Reinehr

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O Macaco Azul
Daniel Rech*



(O O)

Era uma vez, um lugar feliz, longínquo, onde todos os animais viviam em extrema harmonia e felicidade: sexo, drogas, Rock´n´Roll, paz, amor e tudo mais. Até que um dia uma macaca, enjoada de macacos, resolveu sair com um araro azul, toda sua família foi contra, afinal, segundo a tradição, macacos são macacos e araras são araras e estes dois seres não podem sair juntos. Apesar do preconceito de toda a selva, o amor deles foi mais forte e eles fugiram para outro lugar mais longínquo ainda.

O araro estava fazendo uma faculdade, porém obrigou-se a largar, afinal seu amor pela macaca era muito maior, ela que sempre foi uma vagabunda e jamais estudou nem trabalhou, então, logo começaram a surgir dificuldades em suas vidas, o que piorou ainda mais com a gravidez não desejada (macacos são seres não evoluídos e não tinham criado métodos anticoncepcionais) da macaca (contrariando todas as leis da genética, mas isso é só uma fábula). Após alguns meses, nasceu um lindo macaquinho azul, mas a dificuldade financeira, fez com que o lindo macaco azul fosse largado, após um ano, ao leito de um rio qualquer em um cesto e fosse parar em um lugar, muito longínquo mesmo, só habitado por macacos normais, marrons, convencionais e vivendo normalmente.

A chegada do macaco azul, a princípio, provocou espanto que, aos poucos, transformou-se em risos, pois os demais macacos o achavam engraçado por este ser azul.

O macaco azul logo pediu comida aos demais, mas ninguém queria chegar perto dele, ninguém o queria ajudar e ele nada tinha para comer, e para piorar, muitos riam dele. Isso fez com que se criasse em seu interior uma raiva absurda, pois os outros macacos tinham comida guardada, pois trabalhavam, mas ninguém queria dar emprego a um macaco azul; os outros macacos tinham lindas macacas, mas essas não davam a mínima para um macaco azul, então o macaco azul entrou para o mundo do crime, começou a roubar para comer, estuprar várias macacas: “essas galinha (nada a ver - macacas são macacas e galinhas são galinhas) merecem mesmo” e fazer coisas absurdas. Logo, as macacas violentadas por ele ficaram grávidas e deram a luz a macacos azuis, parecidos com o tão temido macaco azul da floresta, os novos bebês macacos, com o passar dos anos, também foram violentamente excluídos da sociedade, por serem filhos do único macaco bandido de toda a história do lugar. Esses se refugiaram juntos nos intermédios desse lugar e ensinados por seu pai começaram a aterrorizar a vida dos demais macacos e se multiplicar de uma maneira descontrolada. Isso provocou uma eterna guerra entre as duas espécies de macacos, porém com o passar dos anos ninguém mais sabia o motivo, apenas sabiam que deveriam odiar um ao outro.

Moral do história: Veja o que uma macaca idiota e um araro imbecil conseguem fazer.

Diz a lenda que após dois anos e meio que os dois largaram o macaco azul ao leito do rio, o araro morreu de overdose, a macaca foi internada em uma clínica e morreu com 72 anos após ser atingida por um meteoro.

*Daniel Rech é baixista da banda Los Beselhos, Engenheiro Civil, colorado, escritor nas horas vagas. Seu e-mail é danielrech@netinside.com.br e o endereço da banda é http://www.losbeselhos.theblog.com.br

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Nua & Crua
Cristiane Martins

Light

Vivemos numa época light.

A coca cola é light, o requeijão é light, temos até programas light para o computador para não prejudicar o bom funcionamento do mesmo.

Mas o mais triste é que existem pessoas apostando nos relacionamentos light!

Não querem se envolver, não querem cobranças, nem entrega. Isso desgasta.

Então é muito mais light (e cômodo) não ter um relacionamento sério.

Ter alguém para se divertir e passar alguns momentos de "festa" nos finais de semana e só!

Não querem amar: é perigoso...

Não querem se entregar: é perigoso...

Perigoso para mim são pessoas superficiais, que se recusam a assumir um namoro mais sério apenas por medo, porque apostar todas as nossas cartas, nos mostrar por inteiro pode nos fazer sofrer no futuro.

Para mim o que vale é a felicidade constante, o domingo no aconchego do abraço, a pipoquinha na frente da TV... todas essas coisas boas que o "estar namorando" nos proporciona.

Alguém que se preocupa com a gente, que ri com nossas alegrias e conquistas, chora conosco nas tristezas, procura uma saída para nossos problemas!

Claro que nem tudo é um mar de rosas... e nem poderia.

Nessa nossa vida corrida tudo fica difícil, chegamos em casa cansados, estressados e muitas vezes com a mínima vontade de bater um papo, de saber da cotação do dólar, de saber da continuação da guerra.

O importante é ter alguém para dormir eroscadinho, saber dosar, ter limites, perseverança...Nem sempre essa pessoa estará disponível para nós, assim como nem sempre estaremos100% atenção!

Relacionamento light pra mim é furada!É esconder o sol com a peneira. Tentar fugir da solidão por algumas horas, e depois voltar aomarasmo.

Sem cobranças, mas também sem compartilhamento.

Sem entrega, mas também sem recompensa...

Sem beijo de boa noite, sem mãos dadas num passeio a beira mar...

Eu condeno! Condeno quem tem medo. Medo de pelo menos tentar ser feliz ao lado delguém.

Apostar mesmo que um relacionamento dará certo, que colherá frutos...

Light para mim... só se for um mousse, sorvete com coca-cola, de preferência saboreando bem agarradinho com quem se ama!

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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia (severogarcia@msn.com)


Momentos de graça e romantismo (ou: Os doces instantes de imbecilidades que nos conquistam)

Filmes de amor são os raros e explícitos momentos de imbecilidade a que nos dedicamos sem a maior das vergonhas. Sabemos por antemão o andamento de suas tramas e, no entanto, nos permitimos a auto-enganação indulgente que nos possibilita a graça de alguns minutos de risos e o sentimento de que, afinal, o mundo não está perdido. Não está perdido por que o amor está em toda parte. Isto – a certeza de que o amor este em toda parte – é o que fala um personagem no começo de “Simplesmente Amor”, quando observa as chegadas e partidas em um aeroporto. Por mais que tudo esteja ruim “lá fora”, as pessoas em aeroportos se abraçam ao partir ou ao chegar às pessoas que amam, e isto por que, afinal, há muitas pessoas que se amam! E este não é um prólogo padrão para começo de resenha de filme. Não é, porque, por mais estranho que pareça, tenho a pretensão de tentar tirar lição – para o bem ou para o mal – de tudo o que me cai em mãos ou, como espectador, tenho a possibilidade de apreciar. Então, uma vez tendo me disponibilizado, de caso pensado, a assistir a um filme obviamente romântico – sobre amor, com amor, casais apaixonados, e esta coisa toda, então – tenho, não a ingenuidade, mas talvez o positivismo de sugar bons resultados ou mensagens válidas ou simplesmente saborear os momentos explícitos de imbecilidade a que resolvi me dedicar.

Imbecilidade, eu sei, parece um termo forte demais para se usar quando se comete a inofensiva tarefa de deleitar-se com um filmeco de amor. No entanto, por mais que este termo não nos ataque enquanto estamos rindo com as piadas – “Olha que inteligente, Richard Curtis fez com que o primeiro-ministro inglês pareça um cara mais ameaçador do que o presidente americano!” –, e nos engalfinhando na pipoca e graciosos de mãos dadas com a guria, quase que invariavelmente a sensação – a de imbecilidade... – pinta depois. Nada daqueles chavões de “oh, fui me enfurnar em um grande cinema de shopping comandado por uma multinacional para comer pipoca e refrigerante (de uma multinacional), vendo uma comédia enlatada imposta pelos gigantes imperialistas”. Não, não vamos tão longe assim. A gente só se sente razoavelmente imbecil, por que, por vezes, rir com uma trama fictícia, armada para a ilusão dos nossos sentimentos e se sentir razoavelmente bem e achar que o amor, afinal, existe – ainda que sob a forma pictórica e estereotipada de todos os finais felizes de aniversários e festas de escolas que acabam sendo o epílogo de quase todos estes filmes ingleses (quando não terminam em casamento ou funeral) ... – faz com que nos sintamos, sim, um pouco constrangidos! Mas só um pouco... O outro tanto eu deixo para realmente me sentir feliz ao final da sessão, de mãos dadas com minha guria, saboreando pipoca e refrigerante e me encantando com um filmeco inglês com histórias inverossímeis sobre o amor.

É aquela história de “o amor está em todas as partes” (''Love is All Around'', a mesma música-tema de ''Quatro Casamentos e um Funeral'', aparece neste filme, também, só que hilariamente modificada para uma canção caça-níquel de Natal, cantada pelo astro de fim de carreira Billy Mack, interpretado por Bill Nighy, nos momentos mais hilariantes do filme.)

Ok, ok, as sensações são estas. E eu sempre me interessei, demasiadamente, pelas sensações despertadas pelas obras sobres os críticos – literários, cinematográficos, etc... Resumo da ópera você consegue em qualquer site ou segundo caderno de jornal, agora, saber o que a pessoa sentiu assistindo um filme ou lendo um livro é outra questão. E os filmes românticos, que não se pretendem mais profundos ou analíticos, têm comumente, a possibilidade de despertar, ao menos em mim, dois tipos de sensação: a de estupidez completa ou a de deleite prazeroso por que uma boa história foi contada.

Os filmes que conseguem me despertar o primeiro sentimento normalmente são aqueles formados por tramas tão estúpidas e forçadas ao extremo, que nem para sessão da tarde servem. Tramas amorosas inverossímeis, reviravoltas burlescas e aventuras tôscas acabam me deixando realmente irritados, quando chego a conclusão – antes que o filme termine, hein! – que mesmo com tudo isto, o casal vai ficar junto no final. É, nós sabemos que no final, quase sempre o casal fica junto – diretor que resolve fazer o contrário, em um ataque de originalidade que pretende para sua obra, invariavelmente colhe a ruína ou pouca receptividade ao seu filme. Temos que reconhecer, somos absolutamente conservadores em se tratando de trama romântica, ao menos no cinema. Ou ao menos em filmes como estes, mais rápidos e dugustáveis com a pressa de um lanche encostado ao balcão. O charme do cinema inglês pede tramas rechonchudas de amor e promessas inacabáveis de final feliz.

Desde já, saibamos, então, que “Simplesmente Amor” termina com felicidades para todos! Grande surpresa, hein?! Mais surpresa? Todos felizes, em um aeroporto, esperando as pessoas amadas, tal qual no começo. Não, minhas revelações não chegam a estragar nada, até por que não há nada tão surpreendente assim. O que temos neste filme é um pretenso épico amoroso conduzido pela estrela principal dos últimos grandes sucessos de comédias românticas inglesas. Richard Curtis, o diretor deste, é o roteirista de “Quatro Casamentos e um Funeral”, “Um Lugar Chamado Notting Hill” e co-roteirista de “O Diário de Bridget Jones”. Era lógico que, cedo ou tarde, ele fosse querer dirigir o seu próprio filme. Estreou bem, muito bem, pode-se dizer. Com temáticas universais, os apelos sentimentais mostrados em seu filme conseguiram fazer tanto sucesso na Inglaterra quanto nos Estados Unidos. Na Inglaterra, não seria surpresa: nos três filmes – quatro com este último – temos Hugh Grant, o ator mais querido daquele país, fora o fato de todos estes filmes contar com aquele humor tipicamente inglês, cheio de sarcasmos e citações mórbidas, com o sotaque que eles consideram o maior charme do mundo. Nos Estados Unidos, mesmo com o personagem de Billy Bob Thorton fazendo o papel de um presidente americano arrogante meio tarado (uma mistura de Bill Clinton e George W. Bush), o filme também conseguiu uma grande bilheteria, arrecadando cerca de US$ 32 milhões.

Apesar da presença de Hugh Grant no filme – desempenhando o papel de um improvável primeiro-ministro inglês com o mesmo cabelo desalinhado e os mesmos cacoetes e gracejos de “Amor à Segunda Vista”, que se apaixona pela sua assistente de gabinete (a popular e linda atriz inglesa de novelas Martine McCutcheon), um dos principais motivos para o bom desempenho no filme (e, dizem, o preferido das espectadoras...) é a presença do ator Colin Firth. Ele e a atriz portuguesa Lúcia Moniz protagonizam talvez a mais verossímil e encantadora das nove pequenas historietas que se intercalam durante o filme inteiro. Firth é Jamie, um escritor que viaja para o sul da França a fim de terminar seu livro e acaba se apaixonando por Aurélia, a faxineira que diariamente arruma a pequena casa onde está hospedado. Mesmo com a distância das culturas e sem que nenhum dos dois tenha conhecimento sobre a língua do outro – e este é o grande mote atrativo – com a paixão deste casal o diretor tenta passar a máxima que o amor é mesmo universal.

A sucessão de tramas acontece de maneira bastante natural, sendo que não chega a haver aquela relação forçada de telenovela, em que todo o mundo se conhece (isto acontece somente nas duas cenas finais, na festa de fim de ano do colégio e na supracitada cena do aeroporto). Quando isto ocorre, não chega a ter uma função de servir de “anzol” para a justificativa de outro personagem: foi somente a opção argumentativa do autor. Como a personagem de Emma Thompson, irmã do primeiro-ministro e às voltas com a traição do marido (Alan Rickman) com a secretária. Como as histórias são ambientas em uma Londres às vésperas do Natal, tudo parece ainda mais mágico, e compras de final de ano são uma boa justificativa para piadas com presentes e canções natalinas. E é como um engraçado atendente de shopping que surge (em um das suas duas pequenas participações) Rowan Atkinson, o Mr. Bean, amigo pessoal do diretor.

Ademais, temos o recém-viúvo (Liam Neeson), às voltas com o enteado apaixonado (o garoto que fala como adulto Thomas Sangster), e, claro, o personagem de Rodrigo Santoro, como um designer que é objeto de desejo da sua colega de trabalho Laura Linney. Teve quem contasse até o seu número de cenas e falas (segundo a revista Época, doze cenas e dez falas), mas isto é um exagero de revista muito preocupada com o desempenho de um brasileiro no cinema estrangeiro, ou maldade de quem quer contabilizar o seu talento pelo número de aparições na tela. O fato é que o personagem de Santoro é o com menor densidade dramática na trama – na verdade, nada sabemos dele além de que trabalha no mesmo escritório que a personagem de Laura. Sua cena mais importante é quando, finalmente, sozinho no apartamento com Laura, são interrompidos constantemente pelo telefone dela, sempre às voltas com o irmão doente e internado. Depois disto, e daquele clima constrangedor de reencontro no escritório, seus personagens são praticamente esquecidos e fica em aberto que fim tiveram.

O filme conta, ainda, com pontinhas de Denise Richards, Shannon Elizabeth, Claudia Schiffer, tudo em 129 minutos da projeção. São mais de duas horas, com diversas histórias, umas funcionando mais do que as outras, obviamente. Consegue-se um bom saldo no fim: afinal, sair do cinema com um sorriso pela tarde agradável proporcionada pelo filme, sempre é um bom saldo, não é?

Alessandro Garcia é um sujeito romântico, no final das contas. Publicitário e escritor, consegue se emocionar ainda com boas tramas de filmes ingleses bonitinhos. Suas especulações diárias e ficções de toda ordem são despejadas com regularidade tôsca no Suburbana [http://suburbana.blogspot.com], uma casa de boa família.

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Escrever por Escrever XLIII (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

(18/06/1999)

Ô dia bom! Pela manhã, Pediatria na Zona 4. Dei monitoria para a Farmaco III (cardiopatia isquêmica) e aí tava com a tarde livre. Fui na Good Music e comprei o violão elétrico dos meus sonhos: um Jasmine muito bom (!), pelo qual paguei R$ 939,00, à vista! Ganhei um jogo de cordas Martin do Nei Van Sória, dono da loja. Me mandei para Agudo. Viajem chuvosa mas tranqüila, escutando Metallica e The Brains.

Chegando, comi os pastéis da vovó e depois fui na festa de São João no Pavilhão Católico. Vi um monte de pessoas, conversei com a Sheila, a Greice e tantas outras pessoas. Acabei convidando a Carolina Schumacher para “dar uma volta”. Resultado: acabamos ficando. (((...))) Foi bem bom! Aprendi um novo jeito de se beijar! Levei ela pra casa e fui dormir. Que noite gostosa...

(19/06/1999)

Se ontem tinha sido bom... Acordei 13:10, almocei, fui tocar no César. Me convidaram para tocar algumas músicas na Volksfest, em julho. Vai ser bom. Mostrei as fotos de Londres para tia Elaine. Fui na casa da Carolina; jantamos na casa do primo dela. Depois, (((...)))

(20/06/1999)

Levantei ao meio-dia, comi frango do Schüller. Fui na casa da Carol, saímos para passear. A levei no “morro das pedras” no caminho para Picada do Rio e no morro que dá para ver a cidade. 17:00 me despedi da vó e da tia e da Carolina e me vim para Porto. Fui na mãe e no Fabiano. Meu pai me ligou, e também a Carol. Que amor. Agora vou dormir...

(21/06/1999)

“Estudar para saber, para conhecer, para comunicar, para viver”

(23/11/1999)

É... Tamos aí... Prova da AMRIGS feita, o resultado sai amanhã... Acho que desta vez não deu. Mas vamos lá! Como me disseram: essa prova é que nem Carnaval: tem todo ano! Isso me lembra das coisas que eu quero fazer ano que vem: estudar música prá caramba, fazer capoeira, musculação e correr (além do tênis e do basquetezinho, é claro), fazer academia de dança de salão, aulas de canto, escrever o “Joe Volume”... Ih! Tem um montão de coisa aí...

Em janeiro tem o vestibular para Filosofia, tem o livro de Piadas da Internet, o de “anti-auto-ajuda” [Pare de se auto-ajudar (e ajude aos outros)], o de causos de residentes, professores, enfermeiras e pacientes. Vamos ver se vou ou não para o Serviço Militar (Aeronáutica em Floripa!), quero ver se arranjo uns bicos para ganhar uma graninha. Quero investir no meu apartamento: tenho que mudar a decoração, começar a “construir” minha adega, me organizar. Quero ver se também ensaio bastante com The Brains, faço algumas novas boas composições, compro um bom teclado, talvez um saxofone e um violino. Nunca se sabe.

Tô aqui no bloquinho da Santa Casa, são 8:30, eu cheguei às 7:50 e o primeiro paciente á só às 9:30...

“Things happen. And things change.” {30/08/2001 – Quinta-feira – 02:04}

{31/08/2001 – Sexta-feira – 23:56}

Eu não suporto mais esse notebook! Ele está uma merda! Não consigo mais “controlá-lo”... Ele parece que criou vida própria... ...e está insuportável!!! Tudo bem, acho que semana que vem chega o outro computador, aí eu passo as informações importantes para ele e formato esse aqui; dou uma nova “alma” para ele...

A Carol está aqui em PoA desde hoje pela manhã. Bem bom! Como é bom ter sua companhia, beijos, carinhos, atenção... Gostaria de poder dar o mesmo carinho e atenção, mas é que acabo me envolvendo em tantas coisas... Tenho tanto por arrumar, organizar, estudar... Ainda por cima tenho que ganhar uma grana para pagar o computador e o que vou ficar devendo para mamãe e vovó (R$ 3.000,00).

Ultimamente ando com uma fome desgranida. Vontade de comer, comer, comer... Ontem jantei e mesmo assim fui na Lancheria do Parque, no Pigmeu Moral, e comi 6 (seis!) peitos de frango e ainda fiquei com fome! Hoje a mesma coisa: fome, fome, fome... Já estou pensando no restaurante chinês de amanhã ou depois...

Hoje fomos Carol e eu assistir “Doce Novembro”. Água com açúcar mas bem bonitinho. Finalmente um final não tão feliz em um filme americano! Tava na hora!

Presença de Anita... Que presença! Filha do Bebeto Alves, Mel Lisboa...

Conchita...

Amanhã vou no Bourbon ver se compro um “rack-escrivaninha” para o computador que está chegando. Também vou dar uma arrumadinha lá em cima, para recebê-lo bem, assim como ao ADSL. Tá bom. Isso aí! {01/09/2001 – Sábado – 00:14}

{04/09/2001 - Terça-feira – 01:22}

Hoje tivemos um dos melhores ensaios da The Brains, e também um dos mais divertidos. Gostei da minha peformance, com algumas ressalvas.

Comprei meu rack-escrivaninha, que vai ser montado hoje pela manhã. O computador também chega hoje (tudo menos o teclado e o DVD, que chegam na semana que vem. Vou desenbolsar “A Grana”!

Por falar em grana, estou novamente fazendo o meu “Em caixa”, anotando meus ganhos e gastos, desde 01/09/2001, com alguns gastos retrospectivos inclusos. Vai ser bem “legas”! – como diz a Bia Seligman...

Tenho que comprar o Norton Antivírus amanhã, para proteger meu computador. Também tenho que aprender a instalar e configurar um Firewall para proteger o computador contra invasão de hackers, já que estarei conectado à Rede 24 horas por dia.

Tenho que estudar. Tenho que ler Medicina. Muito. Muito. Muito mesmo...

Amanhã tenho que ver o orçamento que foi feito do meu computador antigo, o Pentium 100 com Hd Quantum de 1,7 Gb estragado. Talvez eu o pegue de volta (ou pelo menos o teclado) para começar a usar meu computador amanhã.

Agora vou terminar de ver um filme na TV (muito louco!) e vou dormir. Amanhã ainda quero arrumar a papelada lá em cima. Lembrar de anotar o ensaio (R$ 4,00), a gasolina (R$ 82,00) e o xis moita (R$ 3,00).

Fazer um planejamento “cincadino”, ou seja, a cada cinco dias de ganhos e gastos. Já fiz um piloto e ficou bem legal. Posso ampliar esse planejamento para 3 meses e quem sabe até para 6 meses com intervalos maiores (15 dias?) ou um ano. Fica difícil de explicar. Só vendo para saber como é. {04/09/2001 - Terça-feira – 01:41}

(continua na próxima semana...)

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Morte aos poetas chatos!
Pedro Schestatsky


No colégio sempre me ensinaram que os bons poetas eram os antigos. Aqueles mesmo: os românticos, os simbolistas, os parnasianos etc. Lia com CERTA vontade, mas sem nenhuma convicção maior. Na verdade era apenas uma criatura terrestre com os pés quase no século 21, farto de devaneios literários, vôos vocabulares eruditos, lirismo excessivo, rigor métrico e outras xaropeações.

Sabia disso, eu e alguns outros colegas, mas não contávamos para ninguém, nem para os nossos melhores amigos (“que feio!”) com medo de sermos crucificados ou tachados de toupeiras. Mas o colégio acabou. Ficamos velhos e com mais personalidade e, naturalmente, com alguns anseios no campo literário. Quero apenas UM POUCO DE PRAZER na prosa e na poesia, quero entoar versos inflamados ou trechos sobre assuntos picantes, de real interesse, dentro do nosso contexto, coisas que realmente me tocam. Quero rir. É óbvio que sempre existirão as obras antigas, ditas ATEMPORAIS, de extrema pertinência e alcance, ainda nos dias de hoje, como Dostoievsy. É claro. Isso, sim, me interessa.

Lendo este conto dias depois percebo que citei 2 vezes o nome de Deus. Talvez por pura força de expressão. Ou não?

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O que me atrai em Harry Potter (resposta ao Ombudsman)
Rafael Tourinho Raymundo*


Harry Potter é, antes de tudo, entretenimento. Eventuais lições de moral surgem organicamente nas histórias, porém sem o objetivo de ensinar, catequizar ou politizar pessoas - apenas entreter. E não é apenas entretenimento para crianças. A própria autora, J. K. Rowling, já afirmou, em entrevista, que nunca teve o objetivo de escrever para ou pensando em crianças. De fato, ela consegue misturar humor, drama, romance, ação e mistério numa história fluída e interessante. E se essa história atraiu tantos leitores e inseriu tanta gente ao maravilhoso mundo da leitura, merece alguma consideração.

Li o primeiro volume da saga por curiosidade; o filme entraria em cartaz nos cinemas em poucas semanas. Fui introduzido num universo paralelo, onde humanos possuem poderes e enfrentam criaturas mágicas. Percebi que, para uma história ''infantil'', Harry Potter e a Pedra Filosofal era um livro muito bem escrito, de uma autora imaginativa e perspicaz, pontuado por jogos de quadribol, feitiços, sapos de chocolate encantados, desafios de lógica e pequenos mistérios revelados lá no fim, assim como outros tantos deixados o ar.

Uma historinha engraçadinha e interessante e que, apesar de episódica, deixava pontos em aberto. Passei, então, para o segundo, que mantinha a idéia do primeiro, apesar de ser mais obscuro e intrigante. Ao terminar o terceiro, o preferido entre muitos fãs, estava completamente obcecado, fascinado; Harry e seus amigos já eram pré-adolescentes; a trama tornou-se mais séria, inteligente, atraente; foram revelados novos segredos importantes para a saga, e as histórias, antes tramas individuais, começaram a se completar. O segredo que Dumbledore conta para Harry no final do livro 5, por exemplo, remete a algo do começo da saga, mantendo a coerência.

Hoje percebo como J.K. foi feliz ao reunir diferentes elementos da História, da mitologia e da fantasia popular. Ela, que há poucos anos era mãe solteira e desempregada, esboçou uma série dividida em sete partes, buscando como referência toda sua bagagem cultural de professora. E por ser tão boa contadora de histórias, tornou-se milionária ao criar personagens que cativam pela coragem e companheirismo que demonstram. Astuta, foi escrevendo omances cada vez maiores e mais complexos, tendo como pano-de-fundo a guerra entre bruxos das trevas e bruxos do bem, não como num conto-de-fadas comum, mas inserida no mundo real.

É isso que diferencia Harry Potter de tantas outras obras de fantasia. Os bruxos são humanos, vivendo na Terra, em meio aos não-bruxos. As criaturas mágicas vivem paralelamente às criaturas normais, no mundo contemporâneo. Por isso me irrito quando alguém tenta comparar o sucesso de Harry Potter ao sucesso de Senhor dos Anéis (outra obra muito boa). Tolkien criou línguas, mapas e toda uma cronologia para um povo totalmente mágico e totalmente irreal; Senhor dos Anéis é apenas uma trilogia épica situada numa terra que tomou décadas da vida do autor para ser criada com perfeição. A obra de Rowling é algo relativamente mais simples, apesar de tão completa e interessante.

Não é de se admirar que os livros tenham virado filmes e jogos de computador. Por um lado é uma pena, já que o diretor das películas cortou partes importantes e engraçadíssimas das histórias. Por outro, é ótimo poder concretizar nossa imaginação com imagens fantásticas e trilha sonora impecável, que exprime toda mágica contida nos livros.

Ficaria feliz de continuar a escrever sobre Harry Potter, mas não quero me estender ainda mais. Portanto, volto a afirmar que tais histórias são inteligentes e interessantes. Elas ajudaram crianças e adultos a descobrir o prazer pela leitura, levando-os a Artemis Fowl, Senhor dos Anéis, Sherlock Holmes e tantas outras histórias não tão similares assim. É uma obra boa, não apenas uma sensação de momento, e vale apena ler pelo menos os três primeiros volumes para ter uma opinião formada.

*Rafael Tourinho Raymundo/LittleBrain, 16 anos, estudante do Ensino Médio e aspirante a escritor, que se deprime cada vez que lê um livro da Agatha Christie, do Conan Doyle ou da Rowling e percebe que talvez nunca consiga arquitetar um mistério tão bem.

Blog: http://pequenocerebro.tripod.com
E-mail: littlebrain@terra.com.br

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A poesia do côncavo
João Marcelo Pacheco

Caminharei por dois sentidos
com minhas mãos e boca unidas
me perderei nas úmidas voltas
que antecedem seu esplendor natural

Terei as maravilhas do anti-pudor
como testemunha da façanha
te encharcarei com água benta
que consegui retirar das nuvens

Um adorno emoldura minha passagem
nas entranhas da beleza a minha volta
apenas gozarei de meu olfato
que não pode sentir o aroma curvilíneo

Ah! é doce namorarmos nus sobre a lua
e imaginar a vida transpondo a cada
instante que a beijo...

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Ombudsman
Maurício Silveira dos Santos

Viva o tio Adagobaldo!

É claro que esse ombudsman se identificou instantaneamente com o tio Adagobaldo, um homem direto, capaz de se relacionar com o mundo sem ter de ser mediado por um arsenal de pequenas tranqueiras de banheiro, perfuminhos, pozinhos e cremes diferenciados e específicos para cada parte do corpo. Também veio à memória os bons tempos em que o Charles Bronson em “Desejo de Matar” (o primeiro da série) enfrentava a bandidagem com uma meia-carpim cheia de moedas dentro, e era sua única arma; dá-lhe porrada! Ao mesmo tempo que essa coisa de homem vaidoso foi crescendo, foi crescendo junto o profissionalismo dos vingadores urbanos de direita como o Charles Bronson e, lá pelo filme 4, ele já andava por aí com bazucas e mísseis para matar os bandidos do subúrbio que já haviam estuprado, torturado e assassinado todos os seu familiares até a quinta geração. Acho que os machos perfumados demais e os vingadores desequilibrados são parte da mesma idiotia pregada pela mídia, não é à toa que têm se desenvolvido juntos, como um par de ervas-daninhas pestilentas. Deve funcionar mais ou menos assim: “seja um cara moderno, liberal, perfumado, magro, sensível, unhas impecáveis e roupas caras, mas se alguém provocar, bate no cara até matar, depois mata a família dele e tudo o que possa parecer ameaçador para uma pessoa bonita e doce como você”. Que horror. Por isso devo bradar: viva o tio Adagobaldo!

Caro editor, deixe de se lamuriar por acreditar que as pessoas não lêem seu diário (ex)pessoal publicado semanalmente no Simplicíssimo(louvado seja!). Este ombudsman, por exemplo, sempre o lê. Aliás, as últimas notícias do passado foram muuuiiitto interessantes. Essa mania de estar toda a hora socado na tal catedral por exemplo. Para mim é uma grande novidade sua faceta carola. O mais interessante é que se não estava se martirizando e acendendo velas na igreja, estava enchendo a cara de cervejas e outras cachaças britânicas em dezenas de botecos e clubs e pubs e só deus sabe onde. Que belo católico-pigmeu, hein?! E, no meio daquela crise toda sobrou um tempinho para “aprofundar” algumas discussões com a Phillipa. A propósito, não quer mandar para os leitores uma fotinho da moçoila? Aí, dois dias depois das roupas “irem sumindo” (póde??!!) e vocês fazerem o que tinha de ser feito entre lágrimas, relatos de traições e pacientes, você decidiu que não iria mais “fazer nada até resolver tudo”. É mais ou menos como o cara que devora uma barra de chocolate antes do almoço mas decide, orgulhoso de seu comedimento, que só comerá a sobremesa depois de limpar o prato. Essas viagens (digo literalmente) são de enlouquecer!

O “Blues da Piedade” é mesmo muito bom, foi uma boa lembrança. Quanto ao texto Reputação Hacker, sugiro a leitura de Zona Autônoma Temporária, de Hakim Bey, que mesmo sendo do final dos 80 é excelente e trata do assunto levantado pelo Carlos Magno, mas talvez dê um horizonte ético e ao mesmo tempo radicalmente rebelde que o coloca na ofensiva. Já vou, estou com preguiça, tenham piedade de mim e dos geradores de lero-lero inútil que talvez substituam este ombudsman brevemente...

Piedade Senhor, piedade...e abraços para todos.

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Desafio Simplex

Quem ganhou o Desafio Simplex da semana passada foi Mauro Rodrigues de Porto Alegre-RS, com a sugestão da seguinte pergunta para o próximo Desafio Simplex:

"Por que a felicidade é (ou não!) encontrada onde nos vendem os meios de comunicação de massa?"

Então tá! A pergunta está feita! A melhor resposta a essa pergunta leva o CD "London Calling" do The Clash. Não perca esta chance!

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Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 

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