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Editorial
O
que tem Michael Jackson e Beethoven a ver, perguntaria
o incauto leitor. A princípio, nada. Nada que se
possa prontamente imaginar. Beethoven nasceu em 1770 e,
até onde se saiba, veio a falecer em 1827. Michael
Jackson nasceu em 1958. Até onde pude averiguar,
nunca se encontraram pessoalmente. Também não
há registro de nenhuma gravação realizada
por Michael de uma música de Beethoven. Apesar
de não haver realizado uma pesquisa específica,
acho bastante improvável Beethoven ter registrado
em CD, DAT ou mesmo mini-disc Beat It ou Billy Jean, por
exemplo.
Mas, o mais incrível está por vir: não,
espera aí! Antes de revelar o que Beethoven e Michael
Jackson tem em comum, tenho algo importante a dizer e
dividir com os digníssimos leitores do Simplicíssimo!
No último dia 14, nasceu o querido "Escrever
por Escrever", meu blógue pessoal. Não
poderia deixar de fazer este pequeno "merchandising"
para convidá-los a fazer uma visita e, se gostarem
da casa, a estabelecerem acampamento definitivo por lá.
Levem fraldas pois a criança ainda está
engatinhando, recém-rebento!
Mas voltando ao tema que aqui nos trouxe, qual a relação
Michael Moore e Daniel Boom, podemos afirmar, categoricamente,
que como nunca forma vistos juntos, certamente são
a mesma pessoa! Nada mais consta nos autos do processo.
Não sou contra nem a favor, muito antes pelo contrário:
em se tratando de tudo, nada como principalmente! E tenho
dito!
Outra coisa a dizer: em breve estaremos iniciando uma
seção de "entrevistas" do Simplicíssimo.
Se você tiver alguma sugestão para o nome
da seção, mande-nos! Se você tiver
realizado uma entrevista com alguma pessoa (qualquer pessoa
[ou "coisa"]) mande-nos! Se você acha
isso uma besteira, mande-nos à...
Também aproveito para lembrar que estamos realizando
a seleção de frases para o Hino do Simplicíssimo.
Você pode participar mandando uma frase aleatória
que será inclusa no "Hino do Simplicíssimo"
a ser gravado em 2004 por músicos de reconhecida
capacidade musical da capital gaúcha e disponível
no site posteriormente. Sua participação
dá direito, além da honra e do orgulho de
ter sua frase inserida no seio do Hino, a um certificado
Simplicíssimo de participação, entregue
em seu domicílio!
Buenas,
por ora era só! Até dia 26, na próxima
edição! Um Feliz Natal para quem acredita
em Papai Noel (ou Jesus Cristo!). Até mais falar!
Rafael
Luiz Reinehr
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Mãe
por um dia
Mauro
Rodrigues
Era
sábado, 3 horas da tarde. Saí de casa para
juntar-me aos amigos, que todo final de semana jogavam
futebol sete no campo do Seminário São Francisco
de Paula. Fizemos mais uma partida dura, disputada e vencemos
pela diferença mínima. O gol que abriu nossa
vitória veio dos meus pés. Há vários
jogos não marcava e, embora esta não fosse
minha função, ficava insistindo a cada jogo
e fracassando. Neste foi diferente, peguei um rebote quase
do meio campo e bati colocado, encobrindo a defesa e o
goleiro adversário - um belo gol, tenho que dizer.
Após a confraternização regada a
cerveja e algazarra, voltei para minha casa. Seria mais
um fim de tarde de sábado normal, não fosse
amanhã o Dia das Mães e o primeiro que passaria
sem a minha. Perdera meu pai, também, há
pouco mais de uma semana, tudo no meu ano de formatura.
Definitivamente esse estava sendo um ano difícil.
Fiz minhas obrigações de fim de semana.
Lavei minha roupa, arrumei a casa e após o banho
fui assistir TV e ler um livro (que não consigo
lembrar o nome) como passatempo. Na TV todos os momentos
lembravam o dia D, mas por algum motivo não me
tocavam nem anúncios, nem matérias, nem
pasmaceiras de novelas... Estava ali inerte, lendo, assistindo,
respirando...
Deitei-me cedo naquela noite, não quis sair nem
para comprar um lanche. Fiz meu próprio jantar
e busquei na música um aconchego. Dedilhei meu
violão por horas, passei por rock, sertanejo, baladas,
reggae, etc. O adormecer foi tranqüilo e o sono reconfortante
para quem trabalhara a semana inteira e tivera um jogo
duro há poucas horas. A única idéia
que tive foi ir no outro dia visitar o túmulo de
minha mãe e prestar-lhe uma homenagem.
O ônibus demora um pouco mais no domingo, mas a
beleza e a clareza de um dia límpido de outono,
reforça a paciência. Ao chegar ao centro
da cidade, comprei flores numa banca e peguei outro ônibus
para o cemitério. Pela primeira vez, me ocorria
a estranha analogia dos acontecimentos: dia das mães
X cemitério. Embora não me sentisse bem
com essa mórbida relação, embarquei
rumo ao meu destino sem mais questionamentos. Durante
o curso da viagem, sobressaltei e solicitei a parada.
Desci e voltei algumas quadras até um asilo que
acabara de passar pela janela do ônibus. Já
era quase uma da tarde.
A cena que vi da janela do ônibus, me tocou de alguma
forma. Três velhinhas sobreolhavam, por cima do
portão, a rua como que buscando alguém que
esperavam, enquanto uma quarta acenava com brados para
elas, sentada à soleira em sua cadeira de balanço.
Cheguei à porta do asilo e a atendente veio solicitar
meus intentos. Descrevi-lhe meu objetivo, por demais resumido.
Esta nem pediu maiores detalhes, abriu o portão
e imediatamente levou-me até o interior do asilo,
onde mais 10 velhinhos aguardavam à beira da mesa
(bem mais farta que de costume como ficara sabendo depois),
não antes de ser recebido pelas quatro senhoras
que já aguardavam no pátio.
Do ramalhete de flores que carregava tirei uma flor para
cada senhora que estava no ambiente. Uma me disse que
não era mãe e eu imediatamente solicitei
que aceitasse e fosse minha mãe naquele domingo.
A alegria que se espalhou no ambiente foi intensa e a
emoção que viria foi interpelada pela solicitação
da atendente para que logo iniciássemos a refeição.
Tentei recusar a oferta, mas a mesma velhinha a quem solicitara
a maternidade, interferiu e disse-me que aquele era o
dia dos filhos irem almoçar com suas mães
ou vice-versa. Algumas sortudas tinham ido almoçar
na casa de seus filhos, com seus netos e demais parentes.
Para aquelas que ficaram restava um único filho
presenteado pelo momento.
Almoçamos e passei uma bela tarde, onde dançamos
e colhemos frutas no pomar atrás do asilo. Mais
tarde chegaram algumas visitas rotineiras de domingo.
Fiquei até o início do entardecer e ao me
despedir de todos os presentes, fui convidado a visitar
um quarto. A senhora que me carregava pela mão
não tivera a sorte de ser mãe durante os
anos que passara nesta vida e quis me mostrar cada canto
de seu arrumado quarto, contar um pouco de sua trajetória
e declarar toda sua emoção com o acontecido.
O inusitado ou o destino havia nos unido. Tive um dia
especial e pude ser especial para alguém naquele
dia.
Algumas semanas depois, liguei para o asilo para falar
com minha amiga e fiquei sabendo que o inevitável
tinha chegado para ela. Quis pedir detalhes, mas não
tinha porquê os solicitar. No dia mais importante
daquele ano eu estava lá. Se fora passageiro, assim
o seria tudo na vida.
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Nua
& Crua
Cristiane Martins
Diálogo Pós Cópula
- Foi bom?
- Muito! E pra ti?
- É... foi bom...
- Achei tua resposta vaga!
- Vaga? Como assim vaga?
Queria que eu dissesse que foi a melhor transa que eu
tive?
- Não exagera! Só
achei que faltou entusiasmo...
- Quer perguntar denovo?
- Ah, deixa pra lá...
- Cê que sabe!
- Tu me deixa louca mulher,
quando saio daqui não paro de pensar em ti !
- Isso é papo!
- Papo?
- Papo de quem quer comer
denovo, sabe, deixar um pequeno vínculo pra poder
voltar...
- Tu é difícil
de lidar mesmo!
- Sou só realista!
É como te disse, meu coração é
de pedra!
- Por que diz isso?
- Não vale a pena...
- O que não vale a
pena? Nenhum homem vale a pena?
- Não vale a pena
sofrer por homem algum! É ruim demais, perturbador!
Ascende um cigarro pra mim?
- Ascendo! Mas eu só
queria te dizer que te achei gostosa demais!
- Então tá,
isso tu já disse!
- Acho que me exaltei...
- Como assim exaltei?
- Fiquei aqui falando e falando
e tu nem sequer disse que sou... bem, que sou bom na coisa...
- Tu é engraçado
cara, já disse que foi bom... Quer medalha?
- Cê tá me gozando...
- Já gozei, e como
gozei, mas cê tá usando a preposição
errada, não foi “de você”, mas
“em você..."
- Pelo menos arranquei alguma
coisa de ti além da tua roupa né...
- Cê é engraçado
pra caramba...
- Não era pra ter
graça...
- Mas teve...
- Já são oito
horas da manhã... tenho de ir ...
- Não vai ainda...
hoje é sábado cara!
- Minha mãe me espera!
- Broxei!
- Ah?!
- Falou na mãe...
qualquer mulher broxaria se um homem falasse na sua mãe
enquanto eles estivessem na cama ...
- Tu é estranha gata!
Me alcança minha calça?
- Claro! Mas tu me prometeu
uma massagem e não fez!
- Estou realmente atrasado!
- Parece que tu está
trabalhando...
- Não gata! Não
distorce! Sabe que tenho compromisso! Fica pra próxima!
- Se houver próxima!
- É um risco que se
corre!
- É um risco que tu
vai correr...
- Pára senão
te arranco esse lençol e começo tudo denovo!
- Tua mãe te mata!
- Agora quem falou foi tu!
- Força do hábito!
- Abre a porta pra mim? Superstição...
pra eu voltar sabe ...
- Tu é hilário!
- Me liga?
- Tu me liga! Celular é
caro! Minha conta está cada vez mais alta...
- Tu é difícil
gata... eu te ligo então!
- Te cuida!
-
Vou tentar...
Mais
Cristiane Martins:
www.ansiosaeprematura.blogger.com.br
www.teoria_do_caos.kit.net
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Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia (severogarcia@msn.com)
O blogueiro: esse desconhecido
Convenhamos, mais ou menos unanimamente, que blogueiro
é um termo bagaceiro ao extremo. Quase todas as
terminações em eiro têm a característica
de serem depreciativas, profundamente ultrajantes. É
quase sempre o diminutivo irônico para alguma outra
atividade verdadeira, e que acaba por demonstrar a mediocridade
daquela pessoa a quem se atribui tal sufixo. Daí,
podemos lembrar que poeteiro, por exemplo, é um
termo utilizado para demonstrar a baixa qualidade da produção
literária daquele cara que se atreve a rimar amor
com dor e coração com paixão, e se
julga o mais marginal dos seguidores de Fernando Pessoa.
Com poucas ressalvas [carreteiro, toureiro, carteiro,
verdureiro... é, nem tão poucas assim...],
não acho que tal sufixo quando apregoado a este
termo que designaram para pessoas que mantêm um
blog, consiga, de alguma maneira, ser elogioso ou descreva
honrosamente tal atividade. Soa quase como alguém
que perde seu tempo blogando [e os verbinhos, ainda que
não queiramos, vão surgindo...], atitude
ainda não vista de maneira muito benéfica
para os que a exercem. Quem a emprega - e são poucos
os próprios mantenedores de blog que a usam para
si e para seus semelhantes - parece querer minimizar o
outro, espezinhá-lo, quase que por assim dizer,
tornando menor o exercício de tal atividade.
Quase
sempre são os meios de comunicação,
de alguma maneira ressentidos por esta ferramenta, que,
convenhamos, ainda não disse a que veio e que,
apesar de sabermos não se tratar de nenhuma grande
revolução, tem sim, muitos benefícios
para a rede, tal a facilidade de propagação
de informação, facilidade de postagem de
o que quer que for, e mesmo contribuição
para os grandes jornais do mundo, que já a utilizam
como um prático elemento de publicação
on-line de notícias. A guerra no Iraque criou uma
porção de blogs que trataram de informar
com coerência, mantidos por jornalistas e formadores
de opinião, os acontecimentos no front.
Agora,
por que toda esta introdução? Peguei-me,
sem mais nem menos, pensando, o que querem afinal os [aí
o termo inevitável...] blogueiros? Quem somos nós,
o que nos interessa, que sentimentos nos movem? Nossos
objetivos são os mesmos? Tornamo-nos mais semelhantes
ao utilizar uma mesma espécie de ferramenta? Queremos
nos mostrar à multidão que faz da internet
seu meio de informação e divertimento? Somos
psicopatas com sede de atenção? Nos interessa
a formação de opinião, a masturbação
diária de delírios egocêntricos, a
postagem exacerbada de ficções auto-indulgentes,
as egotrips que tantos “escritores” criam,
da noite para o dia? Jornalistas sem mercado de trabalho,
é o que somos? Delirantes romancistas, pretendentes
a fazedores de opinião? Abelhudos, faladores, umbiguistas?
O que nos move a postar longos "ahhh.... hoje eu
estou mal!" e coisas do tipo? Quem se interessa pelo
fim de semana do jovem asiático que atualiza seu
blog com imagens scaneadas dos guardanapos dos restaurantes
que freqüenta? Por que tanta dedicação
à construção de uma tese inédita
sobre a influência dos delírios cinematográficos
franceses sobre a produção literária
gaúcha [se é que existe tal influência...]?
Se
sabemos ser vistos, e postamos para ser vistos e lidos,
preocupamo-nos com a qualidade do que está sendo
escrito, ou conseguimos nos manter imunes a esta sensação
constante de estarmos sendo olhados e fazemos de nosso
estilo de escrita, realmente um exercício de um
estilo verdadeiro e não cheio de afetações?
Posto algo cheio de maneirismos para me fazer parecer
com aquele cara que escreve e que eu quero que leia o
meu blog? Encho meu blog de lugares-comuns a fim de conseguir
mais resultados nos sites de busca e, conseqüentemente,
mais visitas e aumento no meu contador? Fico feliz com
as pessoas que entram atraídas por frases como
"kelly key nua sendo estuprada por orangotangos alucinados"
e saem, decepcionadas em não ter conseguido se
realizar em seus devaneios eróticos solitários?
Alegra-me dizer "ei, hoje completaram 7,854 visitantes
do meu blog!"?
Existe
quase um sentimento até de dever principalmente
com os donos de outros blogs que nos linkam. Uma sensação
de demonstração constante de qualidade,
uma busca da excelência diária. A pessoas
com consciência, que atingiram um certo público
visitante freqüente, já não é
mais possível os delíros adolescentes de
outrora [se existiram]. A sensação é
de quase profissionalismo, de pertencer ao meio... Que
meio, no entanto, é a pergunta que retumba, impiedosa.
Estudos
sérios da utilização desta ferramenta
podem e devem ser feitos, para identificar quem são
os que a constroem, e mais toda a série de perguntas
colocadas acima. Com certeza não são somente
os mesmos que criaram a sua página no cjb ou no
hpg. Com algum benefício como meio de comunicação,
com muito delírio sobre pretensões intelectuais,
este universo de blogs é assunto que rende muita
discussão, ainda.
Alessandro
Garcia é escritor e publicitário e mantém
o blog Suburbana [http://suburbana.blogspot.com].
Seria um blogador, portanto?
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Escrever
por Escrever XLIV (excertos)
Rafael Luiz Reinehr
{04/09/2001
- Terça-feira – 23:43}
Hoje o dia foi em função do meu (Super)Computador.
Comprei um antivírus (Norton Internet Security),
um CD regravável e um teclado (Microsoft Pro, com
conexão USB e teclas adicionais para Internet e
Multimídia). Vendi meu computador antigo por R$
140,00, dinheiro esse que vou pegar amanhã. Depois
fui pegar meu computador. Bailaram US$ 55,00 e R$ 3.700,00
e em troca ganhei um Pentium 4 com processador de 1,7
GHz, placa-mãe da Intel 850 GB, 256 MB de memória
RAM, placa de vídeo nVIDIA G Force de 64 MB, Placa
de som Soundblaster Live Platinum, gravador de CD da LG
de 12x8x32 vezes, mouse da Logitech e drive de 1.44”
além de um HD de 40 GB Quantum Fireball. Agora
só falta chegar, na semana que vem o DVD de 12x
da Creative, que vai me custar mais uns 200 reais.
Pela manhã foi montado o rack-escrivaninha. Ficou
ótimo! No começo da tarde, logo após
ter pegado meu computador, comecei a montá-lo.
Segui as instruções, encaixei as peças,
conectei o processador na placa-mãe, assim como
a memória e acoplei a placa de vídeo. Quando
fui testar o BIOS, nada aconteceu. Relendo o manual de
instruções, me dei conta que o gabinete
ATX que eu comprei não tem o fornecimento de energia
que a placa-mãe da Intel necessita para suprir
o processador. Aí fiquei frustrado: além
de ter feito um corte profundo na pele que sangrou e me
assustou, enquanto estava instalando o computador, ainda
fiquei sem ver essa maravilha da tecnologia funcionando.
Acabei encomendando um gabinete especial para Pentium
4 na Comujob, que vai me custar R$ 230,00. Agora só
não sei o que fazer com o outro gabinete.
Estou vendo Armaggedon. Ação, ficção,
emoção...
É...
Dinheiro, dinheiro, dinheiro... Com ele faz-se muita coisa,
para o bem e para o mal. Sabendo aplicar, não vai
faltar. Eu com meu planejamento já sei que não
vai faltar dinheiro até o dia 10 desse mês,
mesmo comprando o gabinete, graças à venda
do meu velho computador. Ficarei no OXO mas pelo menos
não no negativo!
Ainda faz parte dos meus planos comprar algumas mídias
para gravar músicas e dados, inclusive programas.
O que mais espero é o ADSL e minha conexão
rápida à Internet, para baixar catataus
de MP3 e MP3 PRO.
3 dias de loucura Praia de Belas: não perca! É
só até quarta! {05/09/2001 - Quarta-feira
– 00:07}
{07/09/2001
- Sexta-feira – 01:39}
“Tempos
fúdidos”
“Fumar
daña la salud”
FALAR
NÃO
FA
LAR NÃO
FAL
AR TA AR
FAL
TAAR
N Ã
O
Tenho algumas poesias escritas na época de segundo
grau que quero passar para cá. Algumas tinham a
intenção (ou mesmo eram para ser) transformadas
em música. Vou começar hoje. Depois, vou
transcrever algumas das minhas “composições
feitas na 3a. e 4a. séries do 1o. grau. Mas isso
vai ficar pra bem mais tarde... Simbóra!
Começamos com “Líquens”, obra-prima
na qual 6 estrofes foram feitas por 6 colegas meus, no
meio de uma aula. Olha só:
LÍQUENS
Choveu
ontem e vai chover amanhã
O
Sol brilha de dia e à noite brilha a Lua
Eu
quero você no meu divã
Para
que te veja toda nua
A
cadeira do Zezé está quebrada
E
ele ficou brabo com o assunto
Além
disso perdeu a namorada
E
agora está comendo presunto
O
mundo anda tão complicado
E
ele queria sair para ver o mar
Pois
amava os Beatles e os Rolling Stones
E
não queria seguir pela infinita highway
O
cheiro do seu pensamento
Alcançou
as profundezas de minhas narinas
Percebo
que te amo quando o cachorro late
Porque
é muito caro sofrer
Ah!
Não sei, tem que vir uma inspiração
Lá
do fundo do meu coração
Como
associações mutualísticas
Quero
me transformar em hifas e gonídias
Eu
vejo um babaca na minha frente
Tentando
fazer uma música idiota
Penso
como esse babaca se sente
Quando
dá de nariz na porta
Pega
o livro de Biologia e traduz
Você
vai entrar num mundo de emoções
Um
mundo verde, pegajoso e nojento
O
mundo dos líquens, oh! Yeah!
Se
eu disser assim: Jesus te ama
Você
irá pensar que eu estarei mentindo
Mas
se você parar e pensar em Deus
Verá
que no fim do túnel Ele lhe receberá sorrindo
Passei
noites de insônia
Com
teu rosto em minha lembrança
Não
sabia o que fazer
Pra
zerar sua poupança
Cadê
seu carro? Eu vim de ônibus
No
jogo da vida a morte sempre vence
E
o lobo solitário é a ameaça verde
Que
nem a mim nem a ti pertence
Ruêidi,
ruêidi, ruêidi ruédi ruêidi
Quero
receber meu cachê
Por
escrever essa canção
Como
é duro ser bebê!
O
caos impera na negritude da luz
A
escuridão bestial se encerra nas sombras
O
Sol da manhã é um eterno morrer
Onde
eu espero o meu anoitecer.
(continua
na próxima semana...)
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Diálogos da noite de PoA
Pedro Schestatsky
- Qual é o teu nome, gata?
- Peraí, vem aqui prá luz qu’eu te
digo... Hmm, olha, até posso te dizer,
mas já vou te avisando que acho que a gente não
vai dar certo!
- Não importa. Só queria te conhecer.
- Neste caso meu nome é Sandra
# # #
Ele, expert em aproaches, aborda duas gatinhas com um
amigo do lado:
- Oi...Olha, podem tirar par-ou-ímpar que quem
ganhar leva um beijo!
As duas se olham e saem rapidamente. O amigo, que está
em processo de
aprendizado, pergunta:
- Você sempre diz isso ?
- É claro que não. Quando elas tão
em 3, mando tirá " discordá"!
Ouve, tira um bloquinho do bolso e anota mais uma.
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A
caminhada como exercício filosófico: o caso
do Caminho de Santiago*
César
Schirmer dos Santos
Para
Davi Daniel Teixeira, meu encaminhado amigo.
Ao
menos desde o advento da escola peripatética a
prática da caminhada esteve associada
ao exercício filosófico. Os historiadores
nos dizem que Aristóteles costumava
debater filosofia enquanto caminhava acompanhado dos seus
discípulos. Talvez
a prática seja ainda mais antiga, pois há
testemunho que aquele que é considerado
o primeiro filósofo ocidental, Tales de Mileto,
certa vez caiu em um buraco
enquanto caminhava observando as estrelas. Na ocasião
uma jovem escrava não
pôde deixar de rir do sábio, que enquanto
tentava ver tão longe perdia de vista
o que estava tão perto.
Atualmente
os filósofos e teóricos em geral não
caminham enquanto trabalham,
a não ser, por exemplo, quando estão aparecendo
em um especial da BBC.
A filosofia atual é, em grande parte, obra de pessoas
sentadas diante de computadores.
Isto
não deve nos levar a pensar, todavia, que o caminhar
seja totalmente
alheio ao filosofar. Na falta de exemplos sobre filósofos
atuais, nos ocuparemos
deste assunto a partir do belo trabalho etnográfico
de Sean Slavin, em
Walking as Spiritual Practice, sobre os peregrinos do
Caminho de Santiago.
Certamente a peregrinação é um fenômeno
muito distinto do ato de filosofar
enquanto se caminha. É costumeiro que peregrinos
em geral sejam fiéis ou
devotos que buscam algum benefício material, prática
esta que sem dúvida podemos
caracterizar como uma forma de materialismo religioso.
Mas neste ponto os
peregrinos especificamente enfocados por Sean Slavin são
vantajosos ao nosso estudo,
pois não são nem devotos procurando a ajuda
divina para alguma vantagem material,
nem turistas que pretendem apenas admirar a paisagem ou
tirar fotos ao estilo
eu-estive-aqui. Seus peregrinos são ateus, agnósticos,
não-seguidores do catolicismo
ou de alguma outra religião específica,
pessoas que simplesmente percorrem
o caminho e, ainda que involuntariamente, encaminham-se.
Há ainda uma diferença entre as curtas caminhadas
dos filósofos da Grécia
e da BBC e a prática realizada pelos peregrinos
de Sean Slavin. Enquanto os
primeiros caminhantes já são praticantes
da filosofia, os últimos são pessoas em
geral que, voluntariamente ou não, chegam às
práticas filosóficas a partir de práticas
corpóreas. É o aspecto de introdução
à prática do filosofar que enfocaremos
nestes peregrinos.
Iniciemos
por dar um ar de plausibilidade à nossa sugestão
da caminhada como introdução
ao filosofar e prática filosófica. Certamente
há quem considere tal sugestão
implausível, pois as pessoas intelectualizadas
com as quais convivemos costumam
permanecer sentadas nas suas mesas de trabalho durante
o dia, e em assentos
de cinema, poltronas em casa ou mesas de bares durante
a noite. Além disso,
os filósofos modernos são geralmente pessoas
que permanecem sentadas, e isto
influencia até mesmo seus textos, como em Descartes:
"...
por exemplo, que eu esteja aqui, sentado junto ao fogo,
vestido com um chambre,
tendo este papel entre as mãos..." [1]
Além
do estereótipo do intelectual como pessoa sentada,
ainda é comum que se considere
as pessoas ativas como desmioladas, embora não
haja nenhum motivo para relacionar-se
uma coisa à outra. Mas ainda veremos tais coisas
mudarem, e os sentados
serem questionados em relação à manutenção
da sua saúde mental.
Voltando ao nosso assunto, aparentemente alguns filósofos
gregos praticavam
filosofia caminhando, e Nietzsche alude aos pensamentos
que surgem enquanto
se caminha. Talvez a relação entre caminhar
e pensar também possa ser estabelecida
a partir das noções de ritmo e velocidade:
"Gosto
de caminhar porque é lento, e suspeito que a mente,
como os pés, trabalha a
cerca de 3 milhas por hora." [2]
Enfim,
a relação entre a prática do filosofar
e o permanecer parado nos parece arbitrária,
e parasitária do costume moderno de colocar a filosofia
em letras ao invés
dos sons da voz, ou mesmo da reflexão concomitante
a uma prática lenta, aeróbica
e ritmada como a caminhada.
Atualmente
o Caminho de Santiago é percorrido de diversas
maneiras, como por exemplo
de carro, a cavalo, de bicicleta e à pé.
Aqueles que o percorrem de carro
não são considerados peregrinos nem mesmo
pelas autoridades eclesiásticas. Os
que o percorrem de cavalo são uma minoria. Dos
considerados peregrinos, cerca de
30% fazem o percurso de bicicleta, cerca de 70% o fazem
a pé, e aqui Sean Slavin
percebe uma demarcação social, pois os peregrinos
pedestres não consideram
os ciclistas como peregrinos, visto que, pare eles, é
muito difícil permanecer
em um estado meditativo quando se está a 40 km/h.
[3] Assim emerge algo
importante para nós, pois os peregrinos pedestres
alcançam um estado mental filosófico,
a meditação, através da prática
corpórea da caminhada.
E o que é a meditação? No seu trabalho
etnográfico, Sean Slavin atribui
aos peregrinos dois tipos de estados mentais: o retorno
aos sentidos, ao aqui-e-agora
do que de fato há para se ver, se ouvir e se cheirar,
e a interiorização
de cada um em si mesmo. Um estado não impede o
outro, ao contrário.
Ao fixar-se no mero percorrer, sem preocupar-se com o
chegar, o peregrino
percebe-se a si mesmo enquanto está a sentir o
que há para sentir no momento.
[4] Esta
interiorização do peregrino em si mesmo
muitas vezes é involuntária,
e mesmo adversa às crenças anteriores do
mesmo, como por exemplo neste
relato:
"No
começo eu só estava pensando em chegar ou
em Santiago ou ao próximo monumento turístico.
Então comecei a encontrar diferentes temas e idéias
espirituais emergindo.
Você começa a andar e, à medida que
você o faz, você olha para dentro de
si mesmo ... Você faz isto e percebe que o Caminho
está lhe ensinando coisas espirituais.
Só quando você toma um dia de cada vez você
percebe isto. Mas também
vi que muitas pessoas quiseram experimentar crença
e contato com o espiritual.
Eu queria distância disto. Não sou religioso
e suspeitava de pessoas que
eram." [5]
O
peregrino narra uma série de mudanças em
si mesmo -- relativas à distinçãoentre
interior e exterior -- que experimentou ao longo dos dias
em que percorreu o
Caminho. No começo ele foca em coisas à
frente no espaço e no tempo, como o fim
da jornada, ou o próximo ponto turístico.
Após algum tempo ele muda o foco das
coisas exteriores e materiais às coisas interiores
e espirituais. Ele passa de
coisas exteriores significantes, como os monumentos, às
coisas interiores significantes,
e atribui esta mudança ao caminho. Também
passa de algo histórico,
o monumento, a algo puramente vivido, parte da história
mas a-histórico,
a própria experiência espiritual. [6]
Esta mudança é narrada pelo peregrino através
da metáfora da emergência,
do vir-à-tona de algo que estava ali, porém
submerso. Isto que estava
ali, o que emerge não é algo da passagem,
mas o próprio eu do peregrino. Para
o peregrino, o Caminho esta a revelá-lo para si
mesmo. [7]
Esta auto-revelação é narrada através
da metáfora da visão. O peregrino
descobre-se a si mesmo porque o Caminho o faz "olhar"
para dentro de si
a partir de um ponto de vista privilegiado. Neste momento
o peregrino é, ao mesmo
tempo, observante e observado, e isto é o que o
Caminho lhe ensina, a
ver-se a si mesmo de um ponto de vista melhor, em relação
àquele que ele tinha previamente.
[8]
É
digno de nota que o Caminho é fonte exterior de
autoconhecimento, [9]
e nisto há uma importante diferença entre
a prática de autoconhecimento do peregrino
e a prática de autoconhecimento de Descartes, por
exemplo, onde cada um
deve chegar a conhecer-se melhor a si mesmo a partir apenas
de si mesmo, duvidando
de todo o resto. Certamente o peregrino está a
refletir, assim como o cartesiano
reflete, porém ele, o peregrino, chega ao autoconhecimento
de maneira heterônoma,
contra a própria vontade, ao contrário do
filósofo cartesiano, que inicia
seu percurso filosófico-espiritual pela decisão
autônoma [10] de seguir um
método ou caminho:
"Mas
não temerei dizer que penso ter tido muita felicidade
de me haver encontrado,
desde a juventude, em certos caminhos, que me conduziram
a considerações
e máximas, de que formei um método, pelo
qual me parece que eu tenha
meio de aumentar gradualmente meu conhecimento, e de alçá-lo,
pouco a pouco,
ao mais alto ponto, a que a mediocridade de meu espírito
e a curta duração
de minha vida lhe permitam atingir." [11]
No
relato do peregrino, ao permitir este autoconhecimento,
isto é, a passagem do exterior
ao interior, o Caminho de certa forma sai da ordem espacial
dos monumentos
e do ponto final da jornada, a cidade de Santiago, para
reconhecer-se apenas
na ordem temporal, pois o autoconhecimento advém
de percorrê-lo um dia de cada
vez. [12] Nisto a peregrinação é
semelhante ao processo de autoconhecimento filosófico
cartesiano, onde se passa, de maneira ascensional, de
uma meditação a outra,
chegando-se assim ao conhecimento de si e também
à reforma do conhecimento
da exterioridade. [13]
Para o peregrino do relato, a espiritualidade está
no demorar-se percorrendo
o Caminho, não no desejo vulgar de peregrinos que
pretendem ter experiências
espirituais. Estes parecem querer encontrar esta experiência
no espaço,
como que no terreno do Caminho -- se comportam como Pac
Mans, devoradores
de pontos espirituais --, sem entender que a experiência
espiritual é
a própria peregrinação, na sua dinâmica.
[14]
No
caso específico do Caminho de Santiago, os peregrinos
exploram a polissemia do
termo espanhol camino, presente na tradução
do mesmo para o português, caminho.
Seguir um caminho é ter uma rota, ir deliberadamente
de um ponto de partida
a um ponto de chegada. Mas seguir um caminho é,
também, fazer as coisas do
nosso jeito, como quando dizemos "segue teu caminho",
ou mesmo, o que nos é mais
relevante, ter conhecimento do procedimento adequado na
vida, como quando dizemos
que uma pessoa está encaminhada ou desencaminhada.
No caso do peregrino mencionado anteriormente, o Caminho
o encaminha às
coisas espirituais que ele mesmo não procurou.
De certa forma, o Caminho o tira
da atitude desencaminhada, do peregrino que procura apenas
o próximo monumento,
à atitude encaminhada, do peregrino que demora-se
a seguir lenta e ritmadamente
em frente. Seguir em frente é, simplesmente, caminhar.
[15] Nesta caminhada,
o Caminho o encaminha.
Para o peregrino que encaminha-se, percorrendo o Caminho,
a exterioridade
do espaço e tempo locais não são
determinantes para que ele se desencaminhe.
O Caminho é simbólico, a chegada a Santiago
não tira o peregrino do
Caminho, embora ele não esteja mais percorrendo-o
com seu corpo. Uma vez tendo
percorrido o Caminho, estando encaminhado, o peregrino
segue adiante com sua
vida.
--Referências--
Civita,
Victor. (ed.). Descartes. Coleção "Os
Pensadores", trad. Jacó Guinsburg & Bento
Prado Jr., 3ª ed. São Paulo: Abril Cultural,
1983.
Descartes, René. 1637. Discurso do método.
Em: Victor Civita, Descartes.
_____. 1647. Meditações. Em: Victor Civita,
Descartes.
Guenancia, Pierre. 1998. L’intelligence du sensible:
essai sur le dualismecartésien.
Mesnil-sur-l’Estrée: Gallimard.
Slavin, Sean. 2003. Walking as Spiritual Practice: the
Pilgrinage to Santiago de Compostela. Body & society
9(3):1-18.
Solnit, Rebecca. 2000. Wanderlust: a history of walking.
New York: Penguin.
--Notas--
*
Versão final, escrita em 14 de novembro de 2003.
Agradeço ao Rogério P. Severo pelos comentários
à versão anterior. Aos demais membros do
grupo Dadaseyn, à minha namorada, Mariana Balen
Fernandes, e à minha mãe, Lúcia Maria
Schirmer dos Santos, agradeço pela leitura da versão
anterior.
[1]
René Descartes, Meditações, Primeira
Meditação, p. 86, AT IX-1 14.
[2]
Rebecca Solnit, Wanderlust, p. 10. A velocidade de 3 milhas
por hora
equivale a cerca de 5km/h.
[3]
Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 4.
[4]
Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 4.
[5]
Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 6.
[6]
Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 6. Ao ler
este trecho, minha mãe pediu alguns esclarecimentos,
pois lhe pareceu que o peregrino dirige-se para
dentro de si mesmo em uma rota paralela ao Caminho, sendo
seu ponto e partida
os monumentos e outros elementos histórico-sociais,
e seu ponto de chegada
o si mesmo não-histórico. Expliquei-lhe
que se trata menos de ir de uma coisa
a outra, mais da ocorrência das duas coisas num
único fenômeno humano. A experiência
vivida por cada um de nós é um elemento
social da própria história, mas
o demorar-se em perceber-se, reflexivamente, tendo certa
experiência sobre si
mesmo, é um fenômeno de fruição,
de vivência, e, tomado assim, a-histórico.
É claro
que, nesta separação entre os fenômenos
humanos históricos e a-históricos, estamos
sendo dualistas, ou seja, supomos a distinção
entre a mente e a matéria. Um
exemplo grosseiro do que estamos a dizer é a embriaguez.
Ainda que o estar embriagado
seja o efeito do álcool no cérebro, a experiência
da embriaguez não é nada
disso. Mas podemos dar exemplos mais sutis do que estamos
a dizer, e para mim
não há como não citar o querido Pierre
Guenancia neste momento: "Não somos dualistas
quando refletimos sobre o fato que a música que
nos chega aos ouvidos não
ressoa, como música, nas orelhas órgãos
do corpo, mas no nosso ser por completo
onde, para ele apenas, ela tem a significação
de música?" (L’intelligence
du sensible, p. 11).
[7]
Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 6.
[8]
Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 6.
[9]
Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 6.
[10]
"Agora, pois, que meu espírito está
livre de todos os cuidados, e que consegui
um repouso assegurado numa pacífica solidão,
aplicar-me-ei seriamente e com
liberdade em destruir em geral todas as minhas antigas
opiniões" (René Descartes,
Meditações, Primeira Meditação,
p. 85, AT IX-1 13, nossos itálicos). Como
comentou Rogério P. Severo, na nossa correspondência
privada: "a meditação do
peregrino é um entregar-se, a de Descartes é
um pôr-se em controle".
[11]
René Descartes, Discurso do método, Primeira
Parte, p. 29, AT VI 2.
[12]
Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 6.
[13]
René Descartes, Meditações.
[14]
Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 6.
[15]
Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 7.
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Momento
de loucura
Rafael Tourinho Raymundo
Depois da tempestade
Vem a conta do prejuízo
Perdemos o juízo
Falamos verdades
Magoamos o amigo
Depois da calmaria
Vem a monotonia
O sentimento acaba
A chama se apaga
Com a luz do novo dia
Momentos tão sofridos,
tentamos esquecer
Vontades reprimidas, tentamos esconder
Orgulho ferido, tentamos disfarçar
Raiva reprimida, tentamos não chorar
Momentos de fúria,
cólera passageira
Agindo sem pensar, falando besteira
As pazes que tentamos fazer
Momentos sofridos que fingimos esquecer
Palavras fora do lugar
Palavras ditas sem pensar
Silêncio pra poder pensar numa desculpa
As flores jogadas no chão
Ninguém cede ou pede perdão
Feridas curam-se, ou não
Apenas um momento de loucura
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Ombudsman
Maurício Silveira dos Santos
Simplesmente
Ombudsman
Com relação à crítica do filme
“Simplesmente Amor”, só posso elogiar
o autor por ter dedicado tanto tempo da sua vida para
tratar de tal tema e, vejam bem, esta é a opinião
de um especialista em gastar tempo escrevendo sobre assuntos
pouco importantes; semanalmente, todos vocês são
testemunhas. Acho que o artigo está muito bom,
tanto quando coloca o filme no seu devido lugar: o de
um clichê de sabor adocicado com pretensões
a um humor sofisticado e “sensível”,
como quando o autor se permite a assisti-lo sem culpas
devorando uma sacola de pipocas (espero que não
aquelas amanteigadas fedorentas). Só não
compreendo o motivo de considerar a história do
envolvimento do escritor inglês e da faxineira portuguesa
“verossímel”, para mim pareceu bem
pior do que os romances e encontros de personagens das
novelas da globo e o desfecho, não vou contar detalhes
para preservar quem não assistiu à “obra”,
é algo tão real quanto um conto de fadas
para meninas pré-púberes. O único
personagem respeitável no filme é o tal
roqueiro cinqüentão, mas isto não impede
que o filme se torne um passatempo divertido e com inglês
britânico, para variar um pouco o sotaque dos que
lucram com os ingressos que pagamos.
Obrigado pelo artigo sobre
o Harry Potter caro Rafael MagicBrain. Ele é muito
esclarecedor e fez este ombudsman se sentir um estimulador
dos novos escritores, já que a idéia partiu
de um questionamento desta humilde, porém mui digna
coluninha. Sugiro ao aprendiz de escritor (seria também
aprendiz de feiticeiro?) intercalar a leitura dos H. Potter
com um C. Bucowski (“crônicas de um amor louco”,
por ex.) para estimular mais ainda a sua imaginação,
sua técnica e sua curiosidade por outras dimensões,
neste caso, as dimensões boteconísticas,
marginais e etílicas da vida. É sempre bom
fazer um “giro de perspectiva”, pelo menos
este ombudsman-pigmeu acredita nisso. Devo lembrá-lo,
contudo, que não sei se meus conselhos levarão
alguém a algum lugar, além de um modesto
limbo com vista para o Morro Santana.
Para terminar mais esta
esplêndida (...mente inútil) coluna, não
poderia deixar de dizer que gostei muito do título
do artigo “Nua & Crua”, ainda mais depois
de ter gasto várias linhas com o “Simplesmente
Amor”. Talvez o idealizador do filme tenha mesmo
razão e o amor esteja em toda a parte, até
mesmo aqui no Simplicíssimo(louvado seja!). Não
vejo, porém, formas certas ou erradas de manifestar
o amor e, às vezes, uma noite pode valer mais do
que anos de casamento, quem pode saber? Este ombudsman
por exemplo, em suas várias encarnações,
já foi feliz de várias formas e houve beijos
tão singulares que valeram mais do vidas inteiras,
cês acreditam? Não? Então tá.
Feliz Natal para todos os
que me suportam; beijos especiais para o Macaco Azul,
o Tio Adagobaldo e a Phillipa. E abaixo a impessoalidade!!
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Desafio
Simplex
O
Grande vencedor do Desafio Simplex foi Sérgio Rezende,
de Florianópolis, que respondeu à pergunta:
"Por que a felicidade é (ou não!) encontrada
onde nos vendem os meios de comunicação
de massa?" com a brilhante resposta "A felicidade
é encontrada no âmago do ser humano mergulhada
no lago da plenitude
d\'alma. Essa tal felicidade efêmera empurrada por
nossa garghanta abaixo pelos meios de (falta de) comunicação
em massa é irreal e inexistente servindo apenas
àqueles que preferem ter a ser."
Muito
obrigado aos outros participantes! Esta edição
do Desafio Simplex obteve participações
recorde! Tivemos participantes de Florianópolis,
Curitiba, Porto Alegre, Parobé, Rio de Janeiro
e São Paulo. O Desafio Simplex está ficando
grandão! Logo, logo vamos ter que começar
a distribuir alguns livros também! Inclusive, se
alguém tiver algum para doar para sorteio, avisa
aí que "colocamos na roda"!
...
continuem participando e divulgando o Desafio Simplex!
O
próximo desafio já está aí
...
subir
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