Simplicíssimo
Jornal Virtual de periodicidade hebdomadária, quase sempre...


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Editorial

O que tem Michael Jackson e Beethoven a ver, perguntaria o incauto leitor. A princípio, nada. Nada que se possa prontamente imaginar. Beethoven nasceu em 1770 e, até onde se saiba, veio a falecer em 1827. Michael Jackson nasceu em 1958. Até onde pude averiguar, nunca se encontraram pessoalmente. Também não há registro de nenhuma gravação realizada por Michael de uma música de Beethoven. Apesar de não haver realizado uma pesquisa específica, acho bastante improvável Beethoven ter registrado em CD, DAT ou mesmo mini-disc Beat It ou Billy Jean, por exemplo.

Mas, o mais incrível está por vir: não, espera aí! Antes de revelar o que Beethoven e Michael Jackson tem em comum, tenho algo importante a dizer e dividir com os digníssimos leitores do Simplicíssimo!

No último dia 14, nasceu o querido "Escrever por Escrever", meu blógue pessoal. Não poderia deixar de fazer este pequeno "merchandising" para convidá-los a fazer uma visita e, se gostarem da casa, a estabelecerem acampamento definitivo por lá. Levem fraldas pois a criança ainda está engatinhando, recém-rebento!

Mas voltando ao tema que aqui nos trouxe, qual a relação Michael Moore e Daniel Boom, podemos afirmar, categoricamente, que como nunca forma vistos juntos, certamente são a mesma pessoa! Nada mais consta nos autos do processo. Não sou contra nem a favor, muito antes pelo contrário: em se tratando de tudo, nada como principalmente! E tenho dito!

Outra coisa a dizer: em breve estaremos iniciando uma seção de "entrevistas" do Simplicíssimo. Se você tiver alguma sugestão para o nome da seção, mande-nos! Se você tiver realizado uma entrevista com alguma pessoa (qualquer pessoa [ou "coisa"]) mande-nos! Se você acha isso uma besteira, mande-nos à...

Também aproveito para lembrar que estamos realizando a seleção de frases para o Hino do Simplicíssimo. Você pode participar mandando uma frase aleatória que será inclusa no "Hino do Simplicíssimo" a ser gravado em 2004 por músicos de reconhecida capacidade musical da capital gaúcha e disponível no site posteriormente. Sua participação dá direito, além da honra e do orgulho de ter sua frase inserida no seio do Hino, a um certificado Simplicíssimo de participação, entregue em seu domicílio!

Buenas, por ora era só! Até dia 26, na próxima edição! Um Feliz Natal para quem acredita em Papai Noel (ou Jesus Cristo!). Até mais falar!



Rafael Luiz Reinehr

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Mãe por um dia
Mauro Rodrigues

Era sábado, 3 horas da tarde. Saí de casa para juntar-me aos amigos, que todo final de semana jogavam futebol sete no campo do Seminário São Francisco de Paula. Fizemos mais uma partida dura, disputada e vencemos pela diferença mínima. O gol que abriu nossa vitória veio dos meus pés. Há vários jogos não marcava e, embora esta não fosse minha função, ficava insistindo a cada jogo e fracassando. Neste foi diferente, peguei um rebote quase do meio campo e bati colocado, encobrindo a defesa e o goleiro adversário - um belo gol, tenho que dizer. Após a confraternização regada a cerveja e algazarra, voltei para minha casa. Seria mais um fim de tarde de sábado normal, não fosse amanhã o Dia das Mães e o primeiro que passaria sem a minha. Perdera meu pai, também, há pouco mais de uma semana, tudo no meu ano de formatura. Definitivamente esse estava sendo um ano difícil.


Fiz minhas obrigações de fim de semana. Lavei minha roupa, arrumei a casa e após o banho fui assistir TV e ler um livro (que não consigo lembrar o nome) como passatempo. Na TV todos os momentos lembravam o dia D, mas por algum motivo não me tocavam nem anúncios, nem matérias, nem pasmaceiras de novelas... Estava ali inerte, lendo, assistindo, respirando...
Deitei-me cedo naquela noite, não quis sair nem para comprar um lanche. Fiz meu próprio jantar e busquei na música um aconchego. Dedilhei meu violão por horas, passei por rock, sertanejo, baladas, reggae, etc. O adormecer foi tranqüilo e o sono reconfortante para quem trabalhara a semana inteira e tivera um jogo duro há poucas horas. A única idéia que tive foi ir no outro dia visitar o túmulo de minha mãe e prestar-lhe uma homenagem.

O ônibus demora um pouco mais no domingo, mas a beleza e a clareza de um dia límpido de outono, reforça a paciência. Ao chegar ao centro da cidade, comprei flores numa banca e peguei outro ônibus para o cemitério. Pela primeira vez, me ocorria a estranha analogia dos acontecimentos: dia das mães X cemitério. Embora não me sentisse bem com essa mórbida relação, embarquei rumo ao meu destino sem mais questionamentos. Durante o curso da viagem, sobressaltei e solicitei a parada. Desci e voltei algumas quadras até um asilo que acabara de passar pela janela do ônibus. Já era quase uma da tarde.

A cena que vi da janela do ônibus, me tocou de alguma forma. Três velhinhas sobreolhavam, por cima do portão, a rua como que buscando alguém que esperavam, enquanto uma quarta acenava com brados para elas, sentada à soleira em sua cadeira de balanço.

Cheguei à porta do asilo e a atendente veio solicitar meus intentos. Descrevi-lhe meu objetivo, por demais resumido. Esta nem pediu maiores detalhes, abriu o portão e imediatamente levou-me até o interior do asilo, onde mais 10 velhinhos aguardavam à beira da mesa (bem mais farta que de costume como ficara sabendo depois), não antes de ser recebido pelas quatro senhoras que já aguardavam no pátio.

Do ramalhete de flores que carregava tirei uma flor para cada senhora que estava no ambiente. Uma me disse que não era mãe e eu imediatamente solicitei que aceitasse e fosse minha mãe naquele domingo. A alegria que se espalhou no ambiente foi intensa e a emoção que viria foi interpelada pela solicitação da atendente para que logo iniciássemos a refeição. Tentei recusar a oferta, mas a mesma velhinha a quem solicitara a maternidade, interferiu e disse-me que aquele era o dia dos filhos irem almoçar com suas mães ou vice-versa. Algumas sortudas tinham ido almoçar na casa de seus filhos, com seus netos e demais parentes. Para aquelas que ficaram restava um único filho presenteado pelo momento.

Almoçamos e passei uma bela tarde, onde dançamos e colhemos frutas no pomar atrás do asilo. Mais tarde chegaram algumas visitas rotineiras de domingo. Fiquei até o início do entardecer e ao me despedir de todos os presentes, fui convidado a visitar um quarto. A senhora que me carregava pela mão não tivera a sorte de ser mãe durante os anos que passara nesta vida e quis me mostrar cada canto de seu arrumado quarto, contar um pouco de sua trajetória e declarar toda sua emoção com o acontecido. O inusitado ou o destino havia nos unido. Tive um dia especial e pude ser especial para alguém naquele dia.

Algumas semanas depois, liguei para o asilo para falar com minha amiga e fiquei sabendo que o inevitável tinha chegado para ela. Quis pedir detalhes, mas não tinha porquê os solicitar. No dia mais importante daquele ano eu estava lá. Se fora passageiro, assim o seria tudo na vida.

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Nua & Crua
Cristiane Martins

Diálogo Pós Cópula

- Foi bom?

- Muito! E pra ti?

- É... foi bom...

- Achei tua resposta vaga!

- Vaga? Como assim vaga? Queria que eu dissesse que foi a melhor transa que eu tive?

- Não exagera! Só achei que faltou entusiasmo...

- Quer perguntar denovo?

- Ah, deixa pra lá...

- Cê que sabe!

- Tu me deixa louca mulher, quando saio daqui não paro de pensar em ti !

- Isso é papo!

- Papo?

- Papo de quem quer comer denovo, sabe, deixar um pequeno vínculo pra poder voltar...

- Tu é difícil de lidar mesmo!

- Sou só realista! É como te disse, meu coração é de pedra!

- Por que diz isso?

- Não vale a pena...

- O que não vale a pena? Nenhum homem vale a pena?

- Não vale a pena sofrer por homem algum! É ruim demais, perturbador! Ascende um cigarro pra mim?

- Ascendo! Mas eu só queria te dizer que te achei gostosa demais!

- Então tá, isso tu já disse!

- Acho que me exaltei...

- Como assim exaltei?

- Fiquei aqui falando e falando e tu nem sequer disse que sou... bem, que sou bom na coisa...

- Tu é engraçado cara, já disse que foi bom... Quer medalha?

- Cê tá me gozando...

- Já gozei, e como gozei, mas cê tá usando a preposição errada, não foi “de você”, mas “em você..."

- Pelo menos arranquei alguma coisa de ti além da tua roupa né...

- Cê é engraçado pra caramba...

- Não era pra ter graça...

- Mas teve...

- Já são oito horas da manhã... tenho de ir ...

- Não vai ainda... hoje é sábado cara!

- Minha mãe me espera!

- Broxei!

- Ah?!

- Falou na mãe... qualquer mulher broxaria se um homem falasse na sua mãe enquanto eles estivessem na cama ...

- Tu é estranha gata! Me alcança minha calça?

- Claro! Mas tu me prometeu uma massagem e não fez!

- Estou realmente atrasado!

- Parece que tu está trabalhando...

- Não gata! Não distorce! Sabe que tenho compromisso! Fica pra próxima!

- Se houver próxima!

- É um risco que se corre!

- É um risco que tu vai correr...

- Pára senão te arranco esse lençol e começo tudo denovo!

- Tua mãe te mata!

- Agora quem falou foi tu!

- Força do hábito!

- Abre a porta pra mim? Superstição... pra eu voltar sabe ...

- Tu é hilário!

- Me liga?

- Tu me liga! Celular é caro! Minha conta está cada vez mais alta...

- Tu é difícil gata... eu te ligo então!

- Te cuida!

- Vou tentar...

Mais Cristiane Martins:

www.ansiosaeprematura.blogger.com.br
www.teoria_do_caos.kit.net

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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia (severogarcia@msn.com)


O blogueiro: esse desconhecido

Convenhamos, mais ou menos unanimamente, que blogueiro é um termo bagaceiro ao extremo. Quase todas as terminações em eiro têm a característica de serem depreciativas, profundamente ultrajantes. É quase sempre o diminutivo irônico para alguma outra atividade verdadeira, e que acaba por demonstrar a mediocridade daquela pessoa a quem se atribui tal sufixo. Daí, podemos lembrar que poeteiro, por exemplo, é um termo utilizado para demonstrar a baixa qualidade da produção literária daquele cara que se atreve a rimar amor com dor e coração com paixão, e se julga o mais marginal dos seguidores de Fernando Pessoa. Com poucas ressalvas [carreteiro, toureiro, carteiro, verdureiro... é, nem tão poucas assim...], não acho que tal sufixo quando apregoado a este termo que designaram para pessoas que mantêm um blog, consiga, de alguma maneira, ser elogioso ou descreva honrosamente tal atividade. Soa quase como alguém que perde seu tempo blogando [e os verbinhos, ainda que não queiramos, vão surgindo...], atitude ainda não vista de maneira muito benéfica para os que a exercem. Quem a emprega - e são poucos os próprios mantenedores de blog que a usam para si e para seus semelhantes - parece querer minimizar o outro, espezinhá-lo, quase que por assim dizer, tornando menor o exercício de tal atividade.

Quase sempre são os meios de comunicação, de alguma maneira ressentidos por esta ferramenta, que, convenhamos, ainda não disse a que veio e que, apesar de sabermos não se tratar de nenhuma grande revolução, tem sim, muitos benefícios para a rede, tal a facilidade de propagação de informação, facilidade de postagem de o que quer que for, e mesmo contribuição para os grandes jornais do mundo, que já a utilizam como um prático elemento de publicação on-line de notícias. A guerra no Iraque criou uma porção de blogs que trataram de informar com coerência, mantidos por jornalistas e formadores de opinião, os acontecimentos no front.

Agora, por que toda esta introdução? Peguei-me, sem mais nem menos, pensando, o que querem afinal os [aí o termo inevitável...] blogueiros? Quem somos nós, o que nos interessa, que sentimentos nos movem? Nossos objetivos são os mesmos? Tornamo-nos mais semelhantes ao utilizar uma mesma espécie de ferramenta? Queremos nos mostrar à multidão que faz da internet seu meio de informação e divertimento? Somos psicopatas com sede de atenção? Nos interessa a formação de opinião, a masturbação diária de delírios egocêntricos, a postagem exacerbada de ficções auto-indulgentes, as egotrips que tantos “escritores” criam, da noite para o dia? Jornalistas sem mercado de trabalho, é o que somos? Delirantes romancistas, pretendentes a fazedores de opinião? Abelhudos, faladores, umbiguistas? O que nos move a postar longos "ahhh.... hoje eu estou mal!" e coisas do tipo? Quem se interessa pelo fim de semana do jovem asiático que atualiza seu blog com imagens scaneadas dos guardanapos dos restaurantes que freqüenta? Por que tanta dedicação à construção de uma tese inédita sobre a influência dos delírios cinematográficos franceses sobre a produção literária gaúcha [se é que existe tal influência...]?

Se sabemos ser vistos, e postamos para ser vistos e lidos, preocupamo-nos com a qualidade do que está sendo escrito, ou conseguimos nos manter imunes a esta sensação constante de estarmos sendo olhados e fazemos de nosso estilo de escrita, realmente um exercício de um estilo verdadeiro e não cheio de afetações? Posto algo cheio de maneirismos para me fazer parecer com aquele cara que escreve e que eu quero que leia o meu blog? Encho meu blog de lugares-comuns a fim de conseguir mais resultados nos sites de busca e, conseqüentemente, mais visitas e aumento no meu contador? Fico feliz com as pessoas que entram atraídas por frases como "kelly key nua sendo estuprada por orangotangos alucinados" e saem, decepcionadas em não ter conseguido se realizar em seus devaneios eróticos solitários? Alegra-me dizer "ei, hoje completaram 7,854 visitantes do meu blog!"?

Existe quase um sentimento até de dever principalmente com os donos de outros blogs que nos linkam. Uma sensação de demonstração constante de qualidade, uma busca da excelência diária. A pessoas com consciência, que atingiram um certo público visitante freqüente, já não é mais possível os delíros adolescentes de outrora [se existiram]. A sensação é de quase profissionalismo, de pertencer ao meio... Que meio, no entanto, é a pergunta que retumba, impiedosa.

Estudos sérios da utilização desta ferramenta podem e devem ser feitos, para identificar quem são os que a constroem, e mais toda a série de perguntas colocadas acima. Com certeza não são somente os mesmos que criaram a sua página no cjb ou no hpg. Com algum benefício como meio de comunicação, com muito delírio sobre pretensões intelectuais, este universo de blogs é assunto que rende muita discussão, ainda.


Alessandro Garcia é escritor e publicitário e mantém o blog Suburbana [http://suburbana.blogspot.com]. Seria um blogador, portanto?

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Escrever por Escrever XLIV (excertos)
Rafael Luiz Reinehr

{04/09/2001 - Terça-feira – 23:43}

Hoje o dia foi em função do meu (Super)Computador. Comprei um antivírus (Norton Internet Security), um CD regravável e um teclado (Microsoft Pro, com conexão USB e teclas adicionais para Internet e Multimídia). Vendi meu computador antigo por R$ 140,00, dinheiro esse que vou pegar amanhã. Depois fui pegar meu computador. Bailaram US$ 55,00 e R$ 3.700,00 e em troca ganhei um Pentium 4 com processador de 1,7 GHz, placa-mãe da Intel 850 GB, 256 MB de memória RAM, placa de vídeo nVIDIA G Force de 64 MB, Placa de som Soundblaster Live Platinum, gravador de CD da LG de 12x8x32 vezes, mouse da Logitech e drive de 1.44” além de um HD de 40 GB Quantum Fireball. Agora só falta chegar, na semana que vem o DVD de 12x da Creative, que vai me custar mais uns 200 reais.

Pela manhã foi montado o rack-escrivaninha. Ficou ótimo! No começo da tarde, logo após ter pegado meu computador, comecei a montá-lo. Segui as instruções, encaixei as peças, conectei o processador na placa-mãe, assim como a memória e acoplei a placa de vídeo. Quando fui testar o BIOS, nada aconteceu. Relendo o manual de instruções, me dei conta que o gabinete ATX que eu comprei não tem o fornecimento de energia que a placa-mãe da Intel necessita para suprir o processador. Aí fiquei frustrado: além de ter feito um corte profundo na pele que sangrou e me assustou, enquanto estava instalando o computador, ainda fiquei sem ver essa maravilha da tecnologia funcionando. Acabei encomendando um gabinete especial para Pentium 4 na Comujob, que vai me custar R$ 230,00. Agora só não sei o que fazer com o outro gabinete.

Estou vendo Armaggedon. Ação, ficção, emoção...

É... Dinheiro, dinheiro, dinheiro... Com ele faz-se muita coisa, para o bem e para o mal. Sabendo aplicar, não vai faltar. Eu com meu planejamento já sei que não vai faltar dinheiro até o dia 10 desse mês, mesmo comprando o gabinete, graças à venda do meu velho computador. Ficarei no OXO mas pelo menos não no negativo!

Ainda faz parte dos meus planos comprar algumas mídias para gravar músicas e dados, inclusive programas. O que mais espero é o ADSL e minha conexão rápida à Internet, para baixar catataus de MP3 e MP3 PRO.

3 dias de loucura Praia de Belas: não perca! É só até quarta! {05/09/2001 - Quarta-feira – 00:07}

{07/09/2001 - Sexta-feira – 01:39}

“Tempos fúdidos”

“Fumar daña la salud”

FALAR NÃO
FA LAR NÃO
FAL AR TA AR
FAL TAAR
N Ã O

Tenho algumas poesias escritas na época de segundo grau que quero passar para cá. Algumas tinham a intenção (ou mesmo eram para ser) transformadas em música. Vou começar hoje. Depois, vou transcrever algumas das minhas “composições feitas na 3a. e 4a. séries do 1o. grau. Mas isso vai ficar pra bem mais tarde... Simbóra!

Começamos com “Líquens”, obra-prima na qual 6 estrofes foram feitas por 6 colegas meus, no meio de uma aula. Olha só:

LÍQUENS

Choveu ontem e vai chover amanhã

O Sol brilha de dia e à noite brilha a Lua

Eu quero você no meu divã

Para que te veja toda nua

A cadeira do Zezé está quebrada

E ele ficou brabo com o assunto

Além disso perdeu a namorada

E agora está comendo presunto

O mundo anda tão complicado

E ele queria sair para ver o mar

Pois amava os Beatles e os Rolling Stones

E não queria seguir pela infinita highway

O cheiro do seu pensamento

Alcançou as profundezas de minhas narinas

Percebo que te amo quando o cachorro late

Porque é muito caro sofrer

Ah! Não sei, tem que vir uma inspiração

Lá do fundo do meu coração

Como associações mutualísticas

Quero me transformar em hifas e gonídias

Eu vejo um babaca na minha frente

Tentando fazer uma música idiota

Penso como esse babaca se sente

Quando dá de nariz na porta

Pega o livro de Biologia e traduz

Você vai entrar num mundo de emoções

Um mundo verde, pegajoso e nojento

O mundo dos líquens, oh! Yeah!

Se eu disser assim: Jesus te ama

Você irá pensar que eu estarei mentindo

Mas se você parar e pensar em Deus

Verá que no fim do túnel Ele lhe receberá sorrindo

Passei noites de insônia

Com teu rosto em minha lembrança

Não sabia o que fazer

Pra zerar sua poupança

Cadê seu carro? Eu vim de ônibus

No jogo da vida a morte sempre vence

E o lobo solitário é a ameaça verde

Que nem a mim nem a ti pertence

Ruêidi, ruêidi, ruêidi ruédi ruêidi

Quero receber meu cachê

Por escrever essa canção

Como é duro ser bebê!

O caos impera na negritude da luz

A escuridão bestial se encerra nas sombras

O Sol da manhã é um eterno morrer

Onde eu espero o meu anoitecer.


(continua na próxima semana...)

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Diálogos da noite de PoA
Pedro Schestatsky


- Qual é o teu nome, gata?
- Peraí, vem aqui prá luz qu’eu te digo... Hmm, olha, até posso te dizer,
mas já vou te avisando que acho que a gente não vai dar certo!
- Não importa. Só queria te conhecer.
- Neste caso meu nome é Sandra

# # #


Ele, expert em aproaches, aborda duas gatinhas com um amigo do lado:
- Oi...Olha, podem tirar par-ou-ímpar que quem ganhar leva um beijo!
As duas se olham e saem rapidamente. O amigo, que está em processo de
aprendizado, pergunta:
- Você sempre diz isso ?
- É claro que não. Quando elas tão em 3, mando tirá " discordá"!
Ouve, tira um bloquinho do bolso e anota mais uma.

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A caminhada como exercício filosófico: o caso do Caminho de Santiago*
César Schirmer dos Santos

Para Davi Daniel Teixeira, meu encaminhado amigo.

Ao menos desde o advento da escola peripatética a prática da caminhada esteve associada ao exercício filosófico. Os historiadores nos dizem que Aristóteles costumava debater filosofia enquanto caminhava acompanhado dos seus discípulos. Talvez a prática seja ainda mais antiga, pois há testemunho que aquele que é considerado o primeiro filósofo ocidental, Tales de Mileto, certa vez caiu em um buraco enquanto caminhava observando as estrelas. Na ocasião uma jovem escrava não pôde deixar de rir do sábio, que enquanto tentava ver tão longe perdia de vista o que estava tão perto.

Atualmente os filósofos e teóricos em geral não caminham enquanto trabalham, a não ser, por exemplo, quando estão aparecendo em um especial da BBC. A filosofia atual é, em grande parte, obra de pessoas sentadas diante de computadores. Isto não deve nos levar a pensar, todavia, que o caminhar seja totalmente alheio ao filosofar. Na falta de exemplos sobre filósofos atuais, nos ocuparemos deste assunto a partir do belo trabalho etnográfico de Sean Slavin, em Walking as Spiritual Practice, sobre os peregrinos do Caminho de Santiago.

Certamente a peregrinação é um fenômeno muito distinto do ato de filosofar enquanto se caminha. É costumeiro que peregrinos em geral sejam fiéis ou devotos que buscam algum benefício material, prática esta que sem dúvida podemos caracterizar como uma forma de materialismo religioso. Mas neste ponto os peregrinos especificamente enfocados por Sean Slavin são vantajosos ao nosso estudo, pois não são nem devotos procurando a ajuda divina para alguma vantagem material, nem turistas que pretendem apenas admirar a paisagem ou tirar fotos ao estilo eu-estive-aqui. Seus peregrinos são ateus, agnósticos, não-seguidores do catolicismo ou de alguma outra religião específica, pessoas que simplesmente percorrem o caminho e, ainda que involuntariamente, encaminham-se.

Há ainda uma diferença entre as curtas caminhadas dos filósofos da Grécia e da BBC e a prática realizada pelos peregrinos de Sean Slavin. Enquanto os primeiros caminhantes já são praticantes da filosofia, os últimos são pessoas em geral que, voluntariamente ou não, chegam às práticas filosóficas a partir de práticas corpóreas. É o aspecto de introdução à prática do filosofar que enfocaremos nestes peregrinos.

Iniciemos por dar um ar de plausibilidade à nossa sugestão da caminhada como introdução ao filosofar e prática filosófica. Certamente há quem considere tal sugestão implausível, pois as pessoas intelectualizadas com as quais convivemos costumam permanecer sentadas nas suas mesas de trabalho durante o dia, e em assentos de cinema, poltronas em casa ou mesas de bares durante a noite. Além disso, os filósofos modernos são geralmente pessoas que permanecem sentadas, e isto influencia até mesmo seus textos, como em Descartes:

"... por exemplo, que eu esteja aqui, sentado junto ao fogo, vestido com um chambre, tendo este papel entre as mãos..." [1]

Além do estereótipo do intelectual como pessoa sentada, ainda é comum que se considere as pessoas ativas como desmioladas, embora não haja nenhum motivo para relacionar-se uma coisa à outra. Mas ainda veremos tais coisas mudarem, e os sentados serem questionados em relação à manutenção da sua saúde mental.

Voltando ao nosso assunto, aparentemente alguns filósofos gregos praticavam filosofia caminhando, e Nietzsche alude aos pensamentos que surgem enquanto se caminha. Talvez a relação entre caminhar e pensar também possa ser estabelecida a partir das noções de ritmo e velocidade:

"Gosto de caminhar porque é lento, e suspeito que a mente, como os pés, trabalha a cerca de 3 milhas por hora." [2]

Enfim, a relação entre a prática do filosofar e o permanecer parado nos parece arbitrária, e parasitária do costume moderno de colocar a filosofia em letras ao invés dos sons da voz, ou mesmo da reflexão concomitante a uma prática lenta, aeróbica e ritmada como a caminhada.

Atualmente o Caminho de Santiago é percorrido de diversas maneiras, como por exemplo de carro, a cavalo, de bicicleta e à pé. Aqueles que o percorrem de carro não são considerados peregrinos nem mesmo pelas autoridades eclesiásticas. Os que o percorrem de cavalo são uma minoria. Dos considerados peregrinos, cerca de 30% fazem o percurso de bicicleta, cerca de 70% o fazem a pé, e aqui Sean Slavin percebe uma demarcação social, pois os peregrinos pedestres não consideram os ciclistas como peregrinos, visto que, pare eles, é muito difícil permanecer em um estado meditativo quando se está a 40 km/h. [3] Assim emerge algo importante para nós, pois os peregrinos pedestres alcançam um estado mental filosófico, a meditação, através da prática corpórea da caminhada.

E o que é a meditação? No seu trabalho etnográfico, Sean Slavin atribui aos peregrinos dois tipos de estados mentais: o retorno aos sentidos, ao aqui-e-agora do que de fato há para se ver, se ouvir e se cheirar, e a interiorização de cada um em si mesmo. Um estado não impede o outro, ao contrário. Ao fixar-se no mero percorrer, sem preocupar-se com o chegar, o peregrino percebe-se a si mesmo enquanto está a sentir o que há para sentir no momento. [4] Esta interiorização do peregrino em si mesmo muitas vezes é involuntária, e mesmo adversa às crenças anteriores do mesmo, como por exemplo neste relato:

"No começo eu só estava pensando em chegar ou em Santiago ou ao próximo monumento turístico. Então comecei a encontrar diferentes temas e idéias espirituais emergindo. Você começa a andar e, à medida que você o faz, você olha para dentro de si mesmo ... Você faz isto e percebe que o Caminho está lhe ensinando coisas espirituais. Só quando você toma um dia de cada vez você percebe isto. Mas também vi que muitas pessoas quiseram experimentar crença e contato com o espiritual. Eu queria distância disto. Não sou religioso e suspeitava de pessoas que eram." [5]

O peregrino narra uma série de mudanças em si mesmo -- relativas à distinçãoentre interior e exterior -- que experimentou ao longo dos dias em que percorreu o Caminho. No começo ele foca em coisas à frente no espaço e no tempo, como o fim da jornada, ou o próximo ponto turístico. Após algum tempo ele muda o foco das coisas exteriores e materiais às coisas interiores e espirituais. Ele passa de coisas exteriores significantes, como os monumentos, às coisas interiores significantes, e atribui esta mudança ao caminho. Também passa de algo histórico, o monumento, a algo puramente vivido, parte da história mas a-histórico, a própria experiência espiritual. [6]

Esta mudança é narrada pelo peregrino através da metáfora da emergência, do vir-à-tona de algo que estava ali, porém submerso. Isto que estava ali, o que emerge não é algo da passagem, mas o próprio eu do peregrino. Para o peregrino, o Caminho esta a revelá-lo para si mesmo. [7]

Esta auto-revelação é narrada através da metáfora da visão. O peregrino descobre-se a si mesmo porque o Caminho o faz "olhar" para dentro de si a partir de um ponto de vista privilegiado. Neste momento o peregrino é, ao mesmo tempo, observante e observado, e isto é o que o Caminho lhe ensina, a ver-se a si mesmo de um ponto de vista melhor, em relação àquele que ele tinha previamente. [8]

É digno de nota que o Caminho é fonte exterior de autoconhecimento, [9] e nisto há uma importante diferença entre a prática de autoconhecimento do peregrino e a prática de autoconhecimento de Descartes, por exemplo, onde cada um deve chegar a conhecer-se melhor a si mesmo a partir apenas de si mesmo, duvidando de todo o resto. Certamente o peregrino está a refletir, assim como o cartesiano reflete, porém ele, o peregrino, chega ao autoconhecimento de maneira heterônoma, contra a própria vontade, ao contrário do filósofo cartesiano, que inicia seu percurso filosófico-espiritual pela decisão autônoma [10] de seguir um método ou caminho:

"Mas não temerei dizer que penso ter tido muita felicidade de me haver encontrado, desde a juventude, em certos caminhos, que me conduziram a considerações e máximas, de que formei um método, pelo qual me parece que eu tenha meio de aumentar gradualmente meu conhecimento, e de alçá-lo, pouco a pouco, ao mais alto ponto, a que a mediocridade de meu espírito e a curta duração de minha vida lhe permitam atingir." [11]

No relato do peregrino, ao permitir este autoconhecimento, isto é, a passagem do exterior ao interior, o Caminho de certa forma sai da ordem espacial dos monumentos e do ponto final da jornada, a cidade de Santiago, para reconhecer-se apenas na ordem temporal, pois o autoconhecimento advém de percorrê-lo um dia de cada vez. [12] Nisto a peregrinação é semelhante ao processo de autoconhecimento filosófico cartesiano, onde se passa, de maneira ascensional, de uma meditação a outra, chegando-se assim ao conhecimento de si e também à reforma do conhecimento da exterioridade. [13]

Para o peregrino do relato, a espiritualidade está no demorar-se percorrendo o Caminho, não no desejo vulgar de peregrinos que pretendem ter experiências espirituais. Estes parecem querer encontrar esta experiência no espaço, como que no terreno do Caminho -- se comportam como Pac Mans, devoradores de pontos espirituais --, sem entender que a experiência espiritual é a própria peregrinação, na sua dinâmica. [14]

No caso específico do Caminho de Santiago, os peregrinos exploram a polissemia do termo espanhol camino, presente na tradução do mesmo para o português, caminho. Seguir um caminho é ter uma rota, ir deliberadamente de um ponto de partida a um ponto de chegada. Mas seguir um caminho é, também, fazer as coisas do nosso jeito, como quando dizemos "segue teu caminho", ou mesmo, o que nos é mais relevante, ter conhecimento do procedimento adequado na vida, como quando dizemos que uma pessoa está encaminhada ou desencaminhada.

No caso do peregrino mencionado anteriormente, o Caminho o encaminha às coisas espirituais que ele mesmo não procurou. De certa forma, o Caminho o tira da atitude desencaminhada, do peregrino que procura apenas o próximo monumento, à atitude encaminhada, do peregrino que demora-se a seguir lenta e ritmadamente em frente. Seguir em frente é, simplesmente, caminhar. [15] Nesta caminhada, o Caminho o encaminha.

Para o peregrino que encaminha-se, percorrendo o Caminho, a exterioridade do espaço e tempo locais não são determinantes para que ele se desencaminhe. O Caminho é simbólico, a chegada a Santiago não tira o peregrino do Caminho, embora ele não esteja mais percorrendo-o com seu corpo. Uma vez tendo percorrido o Caminho, estando encaminhado, o peregrino segue adiante com sua vida.

--Referências--

Civita, Victor. (ed.). Descartes. Coleção "Os Pensadores", trad. Jacó Guinsburg & Bento Prado Jr., 3ª ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

Descartes, René. 1637. Discurso do método. Em: Victor Civita, Descartes.

_____. 1647. Meditações. Em: Victor Civita, Descartes.

Guenancia, Pierre. 1998. L’intelligence du sensible: essai sur le dualismecartésien. Mesnil-sur-l’Estrée: Gallimard.

Slavin, Sean. 2003. Walking as Spiritual Practice: the Pilgrinage to Santiago de Compostela. Body & society 9(3):1-18.

Solnit, Rebecca. 2000. Wanderlust: a history of walking. New York: Penguin.


--Notas--

* Versão final, escrita em 14 de novembro de 2003. Agradeço ao Rogério P. Severo pelos comentários à versão anterior. Aos demais membros do grupo Dadaseyn, à minha namorada, Mariana Balen Fernandes, e à minha mãe, Lúcia Maria Schirmer dos Santos, agradeço pela leitura da versão anterior.

[1] René Descartes, Meditações, Primeira Meditação, p. 86, AT IX-1 14.

[2] Rebecca Solnit, Wanderlust, p. 10. A velocidade de 3 milhas por hora equivale a cerca de 5km/h.

[3] Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 4.

[4] Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 4.

[5] Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 6.

[6] Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 6. Ao ler este trecho, minha mãe pediu alguns esclarecimentos, pois lhe pareceu que o peregrino dirige-se para dentro de si mesmo em uma rota paralela ao Caminho, sendo seu ponto e partida os monumentos e outros elementos histórico-sociais, e seu ponto de chegada o si mesmo não-histórico. Expliquei-lhe que se trata menos de ir de uma coisa a outra, mais da ocorrência das duas coisas num único fenômeno humano. A experiência vivida por cada um de nós é um elemento social da própria história, mas o demorar-se em perceber-se, reflexivamente, tendo certa experiência sobre si mesmo, é um fenômeno de fruição, de vivência, e, tomado assim, a-histórico. É claro que, nesta separação entre os fenômenos humanos históricos e a-históricos, estamos sendo dualistas, ou seja, supomos a distinção entre a mente e a matéria. Um exemplo grosseiro do que estamos a dizer é a embriaguez. Ainda que o estar embriagado seja o efeito do álcool no cérebro, a experiência da embriaguez não é nada disso. Mas podemos dar exemplos mais sutis do que estamos a dizer, e para mim não há como não citar o querido Pierre Guenancia neste momento: "Não somos dualistas quando refletimos sobre o fato que a música que nos chega aos ouvidos não ressoa, como música, nas orelhas órgãos do corpo, mas no nosso ser por completo onde, para ele apenas, ela tem a significação de música?" (L’intelligence du sensible, p. 11).

[7] Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 6.

[8] Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 6.

[9] Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 6.

[10] "Agora, pois, que meu espírito está livre de todos os cuidados, e que consegui um repouso assegurado numa pacífica solidão, aplicar-me-ei seriamente e com liberdade em destruir em geral todas as minhas antigas opiniões" (René Descartes, Meditações, Primeira Meditação, p. 85, AT IX-1 13, nossos itálicos). Como comentou Rogério P. Severo, na nossa correspondência privada: "a meditação do peregrino é um entregar-se, a de Descartes é um pôr-se em controle".

[11] René Descartes, Discurso do método, Primeira Parte, p. 29, AT VI 2.

[12] Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 6.

[13] René Descartes, Meditações.

[14] Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 6.

[15] Sean Slavin, Walking as Spiritual Practice, p. 7.

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Momento de loucura
Rafael Tourinho Raymundo

Depois da tempestade
Vem a conta do prejuízo
Perdemos o juízo
Falamos verdades
Magoamos o amigo

Depois da calmaria
Vem a monotonia
O sentimento acaba
A chama se apaga
Com a luz do novo dia

Momentos tão sofridos, tentamos esquecer
Vontades reprimidas, tentamos esconder
Orgulho ferido, tentamos disfarçar
Raiva reprimida, tentamos não chorar

Momentos de fúria, cólera passageira
Agindo sem pensar, falando besteira
As pazes que tentamos fazer
Momentos sofridos que fingimos esquecer

Palavras fora do lugar
Palavras ditas sem pensar
Silêncio pra poder pensar numa desculpa

As flores jogadas no chão
Ninguém cede ou pede perdão
Feridas curam-se, ou não
Apenas um momento de loucura

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Ombudsman
Maurício Silveira dos Santos

Simplesmente Ombudsman

Com relação à crítica do filme “Simplesmente Amor”, só posso elogiar o autor por ter dedicado tanto tempo da sua vida para tratar de tal tema e, vejam bem, esta é a opinião de um especialista em gastar tempo escrevendo sobre assuntos pouco importantes; semanalmente, todos vocês são testemunhas. Acho que o artigo está muito bom, tanto quando coloca o filme no seu devido lugar: o de um clichê de sabor adocicado com pretensões a um humor sofisticado e “sensível”, como quando o autor se permite a assisti-lo sem culpas devorando uma sacola de pipocas (espero que não aquelas amanteigadas fedorentas). Só não compreendo o motivo de considerar a história do envolvimento do escritor inglês e da faxineira portuguesa “verossímel”, para mim pareceu bem pior do que os romances e encontros de personagens das novelas da globo e o desfecho, não vou contar detalhes para preservar quem não assistiu à “obra”, é algo tão real quanto um conto de fadas para meninas pré-púberes. O único personagem respeitável no filme é o tal roqueiro cinqüentão, mas isto não impede que o filme se torne um passatempo divertido e com inglês britânico, para variar um pouco o sotaque dos que lucram com os ingressos que pagamos.

Obrigado pelo artigo sobre o Harry Potter caro Rafael MagicBrain. Ele é muito esclarecedor e fez este ombudsman se sentir um estimulador dos novos escritores, já que a idéia partiu de um questionamento desta humilde, porém mui digna coluninha. Sugiro ao aprendiz de escritor (seria também aprendiz de feiticeiro?) intercalar a leitura dos H. Potter com um C. Bucowski (“crônicas de um amor louco”, por ex.) para estimular mais ainda a sua imaginação, sua técnica e sua curiosidade por outras dimensões, neste caso, as dimensões boteconísticas, marginais e etílicas da vida. É sempre bom fazer um “giro de perspectiva”, pelo menos este ombudsman-pigmeu acredita nisso. Devo lembrá-lo, contudo, que não sei se meus conselhos levarão alguém a algum lugar, além de um modesto limbo com vista para o Morro Santana.

Para terminar mais esta esplêndida (...mente inútil) coluna, não poderia deixar de dizer que gostei muito do título do artigo “Nua & Crua”, ainda mais depois de ter gasto várias linhas com o “Simplesmente Amor”. Talvez o idealizador do filme tenha mesmo razão e o amor esteja em toda a parte, até mesmo aqui no Simplicíssimo(louvado seja!). Não vejo, porém, formas certas ou erradas de manifestar o amor e, às vezes, uma noite pode valer mais do que anos de casamento, quem pode saber? Este ombudsman por exemplo, em suas várias encarnações, já foi feliz de várias formas e houve beijos tão singulares que valeram mais do vidas inteiras, cês acreditam? Não? Então tá.

Feliz Natal para todos os que me suportam; beijos especiais para o Macaco Azul, o Tio Adagobaldo e a Phillipa. E abaixo a impessoalidade!!

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Desafio Simplex

O Grande vencedor do Desafio Simplex foi Sérgio Rezende, de Florianópolis, que respondeu à pergunta: "Por que a felicidade é (ou não!) encontrada onde nos vendem os meios de comunicação de massa?" com a brilhante resposta "A felicidade é encontrada no âmago do ser humano mergulhada no lago da plenitude
d\'alma. Essa tal felicidade efêmera empurrada por nossa garghanta abaixo pelos meios de (falta de) comunicação em massa é irreal e inexistente servindo apenas àqueles que preferem ter a ser."

Muito obrigado aos outros participantes! Esta edição do Desafio Simplex obteve participações recorde! Tivemos participantes de Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre, Parobé, Rio de Janeiro e São Paulo. O Desafio Simplex está ficando grandão! Logo, logo vamos ter que começar a distribuir alguns livros também! Inclusive, se alguém tiver algum para doar para sorteio, avisa aí que "colocamos na roda"!

... continuem participando e divulgando o Desafio Simplex!
O próximo desafio já está aí ...


Esse CD pode ser seu!
Desafio Simplex!

Clique aqui para saber mais!!!


Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 

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