21 /01/2004
- Edição número
59
Maturana, taturana e a autopoiese da alface
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Editorial
O quê fazer...
São Paulo completando 450 anos... Comemorando
o seu quadrisesquicentenário aniversário
e nós aqui, nos achando grande coisa por
estarmos na luta há pouco mais de 1 ano
e 2 meses (mas quase três!)...
Feliz mesmo é
o porco, que chafurda na lama. Mas sua lama é
mais limpinha que a que costumamos nós,
seres dotados de “inteligência superior”,
de “racionalidade”, chafurdar.
Somos obrigados a
respirar gases tóxicos oriundos do Hemisfério
Norte.
Temos que aceitar
um fichamento discriminatório por não
fazermos parte de um seleto grupo de países
“sem risco alto de terrorismo”.
Devemos baixar a
cabeça quando um f.d.p. de um piloto de
m... americano mostra seu dedo médio para
a câmera da Polícia Federal.
Enquanto
isso, muita coisa boa é feita aqui dentro.
Falo política mas também culturalmente.
Duas empresas privadas, o Itaú
Cultural e o Santander
Cultural estão na linha de ponta no
patrocínio da cultura em nosso meio. Esses
bancos, através de suas empresas vinculadas,
trazem artistas de fora e do próprio país,
organizam eventos artísticos musicais,
de artes cênicas e plásticas eventos
literários e patrocinam programs de TV
associados à cultura e aspectos de amplo
interesse social.
Qual o benefício:
visibilidade. Muitos podem achar que realizam
tão somente sua obrigação.
Bem, então que todos realizem sua obrigação.
Não estamos aqui falando só dos
bancos e das entidades privadas. Estamos falando
de você, você e você que está
aí, desocupadamente lendo este texto. E,
se chegou até aqui, realmente sugiro que
levante sua bunda daí e se inscreva em
um programa de voluntariado e crie o seu próprio.
Pois, se tem uma única coisa realmente
importante – do meu ponto de vista –
que ainda somos inferiores aos Estados Unidos
é na disposição do povo em
ajudar aos menos favorecidos.
Mudando
bruscamente de assunto, peço a todos interessados
em processos de auto-organização
dos sistemas vivos (vale para células e
grupos humanos) que se direcionem para a página
do Itaú Cultural onde Humberto
Maturana define brevemente sua teoria da Autopoiese.
Ao mesmo tempo que
vos encaminho para lá, já de pronto
me preocupo com o tempo que este línque
vai durar na Internet. Sim, porque cada vez que
colocamos um línque para uma página
fora do Simplicíssimo ficamos à
mercê da administração do
site ao qual estamos remetendo o leitor. Portanto,
se o línque ficar quebrado, e isso é
muito provável de acontecer nos próximos
6 meses, não esquenta! Procura algo sobre
Maturana no Google (tem muita coisa!) ou escreve
pra gente pedindo algumas referências!
Até a próxima
semana e tudo de bom!
Rafael
Luiz Reinehr
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Entressafra
Marcos
Claudino
Voltamos.
Na verdade já estávamos por aqui,
gatos pingados, minguados e mamados, todos os
outros dias. Mas a sensação era
de trabalhar em feriado. Ninguém queria
resolver nada, fazer nada, nem eu...
E as semanas de dois ou três dias úteis
se acabaram. Acostumemo-nos novamente com uma
semana completa, com cinco dias a trabalhar, produzir,
render, desenvolver. Estamos em compasso marcha
lenta. Agora, a espera é pelo carnaval.
As escolas de samba já elegeram seus enredos,
já até os gravaram. A partir de
quarta-feira, qualquer uma delas oferece ensaios,
mostra suas bundas e cuícas.
E o final do carnaval significa justamente isso.
O início oficial do ano. O ano novo finalmente
chega, cobra nossos exageros com a quaresma, com
penitência, resignação e arrependimento.
Mas, o que fazer entre o ano novo e o carnaval?
Será que eu posso trocar de carro, comprar
uma casa, fazer um negócio? Não
é pecado?
Será que eu posso jogar umas farpas ao
governo PT / PMDB, cada dia mais direita, cada
dia mais irritante, cada dia mais decepcionante,
não pelos resultados, mais pelas atitudes,
declarações e formas de obtenção
dos resultados? Será sacrilégio?
Será que eu posso pensar que teremos mais
um BBB a irritar e massificar a idiotice popular?
Seria desrespeito às tradições?
Enfim, os rostos demonstram ressacas mal curadas.
As barrigas apresentam mais pneus que antes, e
a farmácia da esquina vende muito sal de
fruta aos bravos trabalhadores de janeiro.
A ficha ainda não caiu, e faremos força
para que não caia tão cedo...
Lembranças da gatinha que conheceu na praia,
lembranças da descontração
que, embora numa cidade grande seja muito mais
farta, o ar litorâneo ou do campo oferece
mais prazer. Porque no fundo, o que é bom
não é o lugar, mas o status de turista,
nem que seja da Praia Grande... Paulistas sentem-se
norte-americanos em Santos, comprando, consumindo,
engordando...
Mas, a luta continua, as contas pedem quitação,
o salário pede reajuste, e a rotina ronda
nosso dia a dia de forma assustadora.
Feliz retorno ao recesso "ano-novo / carnaval",
fé e esperança irmãos!!
Mesmo com Rincón!!!!
Marcos
Claudino (mc02@uol.com.br),
34 anos, profissional de RH, trabalhou nas duas
semanas das festas, participou de uns 150 churrascos,
continua vivo, sem Kaiser, e metido a besta...
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Nua
& Crua
Cristiane Martins
O chefe
O
chefe é aquele cara chato que contratam
para te controlar, descobrir teus erros, te chatear
com sermões, ou seja, o cara é um
pentelho.
Ontem ele estava de verde, o meu chefe.
Repugnante com aquela cara de quem entende de
tudo, mas que na verdade nada sabe.
Normalmente ele fica horas na frente do computador
com a mão direita sobre o mouse como se
estivesse realmente envolvido em algum grande
projeto. Por vezes fico morrendo de vontade de
despencar da minha mesa até a dele só
pra ver se o que o verme olha não são
aqueles sites pornôs cheios de pop ups inconvenientes,
mas me contenho em olhar de longe, e tentar ler
aquela mente sanguinária.
Caminha de lá pra cá com as mãos
para trás, olhos atentos nas telas dos
computadores dos estagiários, botões
da camisa quase estourando, de tão grande
a barriga da criatura, coisa medíocre.
Vez que outra ele atende o telefone sem fio ensebado
pela pele oleosa da sua cara.
Bem no estilo Oráculo do filme Matrix (para
quem não olhou, o que duvido muito, o Oráculo
tudo sabe e tudo vê) ele manda e não
pede ao telefone :
--- Sim, eu quero pra hoje. Agora. Como tu vai
fazer eu não sei, só sei que quero
isso no máximo em 10 minutos.
Xiii... ele percebeu que eu o observava. E lá
vem o abacate ambulante em minha direção,
me achou, me achou, vamos, desmaterialize, transforme-se!
Ainda tentei gritar “morfar” bem perto
do meu relógio para ver se eu viraria um
super herói japonês, mas não...
e lá vem ele.
Decido encará-lo. Afinal, sou uma mulher
ou um rato?
Finjo estar digitando qualquer coisa no meu computador
e ele pára bem atrás de mim. Sinto
sua respiração quente em minhas
costas, sinto até o cheiro do alho que
o verme comeu na janta de ontem. Então
me encho de coragem e olho para ele...
--- Aquele relatório que te pedi ontem?
Está pronto?
Relatório? Relatório... tento pensar
rápido pois não me lembro de raio
de relatório nenhum... relatório,
relatório, vamos lá mente, funcione...
e nada!
Eu sou um rato, eu sou um rato!
Resolvi encenar:
--- Na verdade está quase, só faltam
alguns retoques, mas até o almoço
estará pronto.
--- Meio dia então. E nenhum minuto mais...
O olhar dele me cozinhava. Se bem que na verdade
eu percebi que ele mais olhava para aquela pilha
de papéis que não saem da minha
mesa, do que para mim. Minha mesa, meu território.
Ninguém se mete em minha bagunça
organizada!
Mas que relatório é esse?? Tento
afastar alguns papéis, tentando achar uma
pista, um vestígio, algo que me leve a
lembrar relatório do que o ¿soberano¿
me pediu e ... nada!
Eu desisto, eu desisto... volto a olhar meu e-mails.
Às vezes, por alguns minutos eu acho que
ele controla minha máquina lá da
mesa dele, depois me esqueço disso e me
delicio com os e- mails de piadinhas que recebo.
E lá vai ele naquela rotina irritante de
supervisionar. Olha daqui, mete o bedelho no trabalho
de alguém acolá... e assim ele passa
o dia, para receber pelo menos umas quatro ou
cinco vezes o valor do meu salário no final
do mês.
Meu tempo está urgindo... e nada de relatório.
É hoje que me demitem, é hoje.
11:55 e lá vem ele. Será que ele
tem um relógio cuco que avisa que está
na hora de decapitar alguém?? Mais uns
cinco passos e ele chega, quatro, três,
já sinto um aperto na garganta quando...
ouço um barulho estranho em meu computador
e ... puf... lá se vai a energia elétrica!
Ahhh
eu amo a AES SUL, eu amo esses consertos em rede
elétrica sem aviso prévio. Salva
pelo gongo!
Indignado ele me olha como se eu fosse culpada
da falta de energia elétrica, da falta
de paz no mundo, da falta de papel higiênico
no banheiro da casa dele...
E eu alegre e sorridente (por dentro é
claro, porque por fora exibo um melancólico
olhar de indignação) pego minha
bolsa e saio de fininho: hora do almoço...
depois eu vejo o que vou fazer, isso se a energia
elétrica voltar...
De barriga cheia penso melhor!
Mais
Cristiane Martins:
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Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia
Os
inquietantes dias que se adentram trazem a necessidade
do novo. A mesma necessidade que nos faz felizes
ao escrever, com capricho, o nome na agenda nova
com que fomos presenteados por alguém no
Natal. Uma tia, quase sempre. Enfim, os dias posteriores,
quase que como em um manifesto de penitência,
nos pedem promessas, projetos, planos mirabolantes,
resoluções.
A
volta, finalmente! Após dias de reclusão,
resguardado desta necessidade absurda que tais
dias nos sugerem, eis-me aqui, novamente, com
meu pulsar cínico a esclarecer aos leitores,
de como, afinal, se dá corda no relógio.
Sob a graça e a benção de
São Julio Cortazar, lógico.
Então,
sem mais delongas, que o daqui pra frente seja
útil e proveitoso para todos. Que os projetos
da Corporação Simplicíssimo
e Seus Asseclas se concretizem, que procuremos
o novo, sem esquecer os clássicos. Mais
leituras para as cabeças e divertimento
para os corpos. Vida longa a quem faz pensar.
Pequenas
resoluções de ano novo
1.
Quando
eu o encontrei na segunda vez em frente ao restaurante,
ele tentava se desviar dos pingos da chuva. Assim
que me viu, abriu um sorriso que denunciou todos
os seus dentes inexistentes e pareceu crer que
eu realmente me aconchegaria no seu cobertor imundo
e cheio de rastros de ranho. Com todo um misânscene
ao mesmo tempo deprimente e tocante, encostou
um dos joelhos no chão e, à minha
frente, enfiou o naco de pão entre os dentes
como quem morde uma rosa com todo o cuidado. Era
um misto de figurante de peça de Shakespeare
e cachorro pedindo comida.
Ainda
que contra os meus princípios convenientes
de pequeno burguês, favorável às
ideologias apoiadoras de sistemas governamentais
que garantam a subsistência dos desvalidos,
contrário, portanto, ao ato de dar esmolas
à pobres-diabos que cruzam comigo pela
rua à toda hora, saquei da carteira e,
em uma esmerada inflexão dos joelhos, procurando
dar continuidade à representação
por ele iniciada, me estiquei o mais que pude
para lhe alcançar uma nota de dez reais.
Não
me dei por conta de que uso daria à quantia
– não me importava o destino final
do dinheiro que lhe entregava. Ele pegou da nota,
dobrou-a em sete pequenas porções
e a enfiou dentro do naco de pão. Reclinou-se
com um floreio, socando o pão no bolso
e foi remexer a lixeira do bar do outro lado da
rua. Ana, ao meu lado, me disse que eu era um
imbecil por dar dinheiro ao homem e que ele iria
encher a cara de cachaça. Pensei que mesmo
sendo ainda o último dia do ano e que minhas
resoluções começariam a vigorar
somente a partir do próximo, não
ficava bem quebrar os dentes de Ana, por que,
afinal, ainda tínhamos que chegar à
casa de Clóvis para a festa.
2.
Das
lembranças da noite anterior que restavam
à sua volta quando acordou, se encontravam
o cinzeiro repleto de guimbas de cigarro, as dezenas
de copos sujos, garrafas vazias e todos os cheiros
que continuavam a empestear o ar. Do seu lado,
ninguém e, por toda a casa os destroços
da maldita festa. Como todo final de festa, o
fim das ilusões de estar cercado - reforçadas
pelos abraços e desejos de feliz ano novo
- e a certeza da solidão, única
verdade inconteste.
Não
tinha vontade de levantar da cama. À frente,
a televisão continuava emitindo um chiado
ininterrupto em uma estação inexistente.
Em algum ponto do corpo, a dor. Não virou
para ver que não acharia o controle remoto
que estava em algum lugar muito perdido da casa.
Foi o tempo de não olhar e não ver
o Sérgio, que dormia no chão de
tabuão, ao lado de sua cama. Somente não
contrariando mais a verdadeira necessidade que
tinha de caminhar até o guarda-roupa, achar
alguma toalha limpa e uma calcinha que não
fosse bege, é que teria a chance de levantar
da cama, tropeçar no corpo de Sérgio
– jazia como um cadáver: nu e gelado
– e se espantar por que, afinal, não
estava sozinha em casa. Como não contrariou
a vontade, por que se sentia realmente uma puta,
deitada com os cabelos desgrenhados e fedendo
à cigarro, com gosto de batom e licor e
cerveja e uísque na boca e achando que
um banho poderia lhe fazer melhor, foi que resolveu
caminhar até o guarda-roupa para achar
alguma toalha limpa e uma calcinha que não
fosse bege (ia encontrar Mário e se tudo
caminhasse da maneira corriqueira de sempre, estariam
transando antes do final da tarde e não
gostaria de estar usando calcinha bege). Levantou
da cama e tropeçou em Sérgio, deitado
como um cadáver: sem roupa e com os olhos
arroxeados. Como não precisara dar mais
que dois passos no exercício de levantar
da cama e acertar o ombro direito de Sérgio
com o peito de seu pé, foi somente no terceiro
passo, quando firmou este mesmo pé no chão
frio de tabuão, que sentiu realmente, a
dor insuportável (ainda que tivesse suportado,
porque, tudo o que fez foi berrar como uma porca
abatida com um golpe de faca e cair novamente
na cama; de resto, continuou existindo como sempre
e sentindo a dor) que começava na parte
traseira da coxa e se estendia ainda e de maneira
latejante até a polpa da sua bunda, envolvendo
todos os músculos de suas nádegas
e encontrando seu centro de maior potência
em algum ponto infinito do seu cu.
Quando
desabou sobre a cama, junto com a dor, ouviu os
murmúrios de Sérgio, perturbado
pelo seu chute involuntário, mas que continuava
no seu estado de semidesmaio a babar o chão
de seu quarto. A dor, prolongando-se, através
de sua espinha até a nuca conseguiu se
manifestar em toda a sua intensidade, não
dando atenção para a cabeça
já incomodada pelas fartas doses na noite
anterior de licor e cerveja e uísque. A
dor foi mais do que suficiente para atingir algum
ponto do cérebro que lhe recordou os excessos
da noite passada. Das lembranças da noite
anterior que restavam à sua volta, mais
do que um cinzeiro repleto de guimbas de cigarro,
as dezenas de copos sujos, garrafas vazias e todos
os cheiros que continuavam a empestear o ar, vieram
também os insistentes pedidos de Sérgio,
suas malemolentes e risonhas recusas; os mais
insistentes pedidos de Sérgio e suas esquivas
e hesitantes recusas; os ainda mais insistentes
pedidos de Sérgio e seus nãos de
voz embargada, denunciando, por insistência
ou cansaço, um sim ou algo semelhante a
isto, entre dentes e álcool, de quem se
deixa levar por mãos que acariciam e abrem
caminho, vagarosa, porém decididamente.
Das lembranças da noite anterior vieram
uma língua molhada que entrava no seu ouvido,
alguns murmúrios excitados e dentes gelados
que mordiam sua orelha, um corpo pesado sobre
o seu corpo estirado provavelmente na mesma cama
em que acordara e uma calcinha não bege
arrancada com força e jogada em um canto
do quarto. Das lembranças da noite anterior,
algum creme ou gel que se fazia frio entre suas
nádegas, amortecendo em parte sua sensibilidade
ali e um corpo que entrava vagaroso, mas terminava
rompendo com estocadas (parecia) intermináveis
e em gritos seus que não se faziam ouvidos.
Das
lembranças da noite anterior, seu corpo
mole e seus sentidos alterados. Algum corpo que
desabava para o chão depois de gemer e
seu seguinte estado de inconsciência.
Da
sensação desta manhã, a dor,
somente a dor.
Da
dor a certeza, travestida em resolução
de novo ano, de não voltar mais a tomar
no cu.
Alessandro
Garcia é escritor e publicitário
e tem lido John Fante nos primeiros dias do ano.
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Escrever
por Escrever XLIX (excertos)
Rafael Luiz Reinehr
“O
LEMINGUE ASSASSINO”
Capítulo
1 – “Vamos John, levante-se”
-Vamos John, levante-se!
Foi com essa frase
que iniciei aquele dez de setembro, quando tudo
começou.
Eram sete horas
e eu, já de rosto lavado, dentes escovados
e trajando meu paletó novo, estudava pela
última vez aquelas palavras com as quais
conseguiria o tão esperado emprego de contador
particular da família Bedrock.
Às oito em
ponto estávamos eu e mais meia dúzia
de pretendentes ao cargo em frente ao portão
do número 1253 da Acme Street. Pouco após
minha chegada, uma pessoa que depois vim a saber
ser o mordomo da mansão veio abrir-nos
o portão e conduzir-nos ao local das entrevistas.
A saleta onde esperávamos era um pequeno
cubículo sem janelas, e por sinal muito
estranhamente decorada, de onde sobressaíam
desde arranjos de flores exóticas e uma
pequena planta carnívora até vasos
chineses da antiga dinastia Ming.
Já estava
esperando mais de duas horas quando o mordomo
anunciou:
- Sir John Camelot
da Silva, por favor. Levantei-me, enchi o peito
e, com toda coragem, dirigi-me ao escritório,
onde a senhora Bedrock esperava.
Capítulo
2 – A entrevista
- Silva, John da
Silva, certo?
- Eu mesmo. John
Camelot da Silva a seu dispor senhora.
- Bom, vamos direto
ao assunto: por que você quer o emprego?
- Bem, como acabei
de me formar há pouco, estou procurando
um emprego para sustentar a mim e à minha
mãe, que está doente e não
pode trabalhar.
- E quais são
suas expectativas aqui?
- Para ser sincero,
eu espero um bom salário em troca de um
bom trabalho, o qual tenho certeza que posso oferecer.
- Tudo bem. Já
chega. Preencha esta ficha de identificação
e responda a essas questões técnicas
sobre o seu trabalho. Não se preocupe:
são apenas algumas perguntas referentes
a aspectos básicos de contabilidade. Faça
isso na sala ao lado e entregue ao mordomo que
lhe dará mais instruções
depois de terminado o “teste”.
- Muito obrigado,
senhora. Até logo e um bom dia.
- Bom dia.
Capítulo
3 – “Mamãe!”
Cheguei em casa às
dez e meia, feliz e confiante, com muita esperança
de ter conseguido o emprego. Quando entrei no
quarto de mamãe ela estava estatelada no
chão, em meio a um ataque de convulsões.
Chamei uma ambulância mas quando ela chegou
era tarde: dona Genoveva, a quitandeira da rua
do Conde, já havia morrido, levando consigo
toda uma vida de sofrimentos e desgostos, causados
pela horrível morte do marido e pela fuga
de seu primogênito, Peter, do qual nunca
mais teve notícias. E agora, o que seria
de mim sem minha mãe?
Capítulo
4 – O dia seguinte
Na manhã seguinte
à do capítulo um, acordei com esperança
de que tudo não havia passado de um sonho.
Logo dei-me conta de que não havia, pois
não fui acordado, pela primeira vez em
vinte e seis anos, por alguém que não
fosse mamãe, e sim pela campainha da porta.
Fui ver quem era e, para minha surpresa, era Theodore
Charles, o mordomo da senhora Bedrock. Convidei-o
para entrar.
- Bom dia Charles,
o que o traz aqui?
- Caro senhor Silva,
vim lhe confirmar que o emprego é seu.
- O quê? A
senhora Bedrock me escolheu?
- Exatamente, senhor...,
mas existem algumas condições.
- Condições?
Que condições?
- Bem, o senhor deverá
morar na mansão, não poderá
ter animais e folga somente às quartas
e sábados.
- Não tem
problema quanto a isso. E quando começo?
- Amanhã mesmo.
Apresente-se à mansão às
oito em ponto com todos seus bens dos quais precisará
para seu serviço e também suas roupas
e demais pertences.
- Tudo bem. Estarei
lá. Bom dia e muito obrigado, Charles.
- Bom dia, senhor
Silva.
Depois da saída
do mordomo fiquei pensando na vida: no dia anterior,
um acontecimento tão triste e hoje uma
notícia tão boa. Então tratei
de arrumar meus pertences e dar um jeito de alugar
a casa, já que não precisaria mais
dela por um bom tempo...
Capítulo
5 – A mansão dos Bedrock
Às oito em
ponto estava eu em frente do número 1253
da Acme Street. Fui recebido por Alfredo, o jardineiro,
que abriu o portão para mim.
O jardim era enorme
e imaginei o trabalho que dava para cuidá-lo
com apenas um jardineiro. Nos fundos da casa havia
um grande lago e no lado direito um pequeno bosque
de pinheiros que dava para uma pequena aldeia
chamada Kingparker, a quinhentos metros dali.
No lado esquerdo ficava um bonito pomar e uma
pequena horta, muito comum nessas mansões
do interior da Inglaterra.
A casa em si era,
como já havia dito anteriormente, muito
estranhamente decorada, ostentando quadros, tapetes,
móveis e vasos que nào tinham nada
a ver com o resto da decoração.
Charles, o mordomo, mostrou-me meu quarto e o
escritório onde trabalharia. Logo depois,
foi apresentar-me aos demais empregados da casa:
Joana, a cozinheira, Joaquim, o copeiro, Jussara,
a arrumadeira e Jebediah, o motorista.
Além da senhora
Bedrock, ainda moravam na casa seus dois filhos,
Lemus e Ingrid e seu irmão paraplégico
Nestor, muito simpático e extrovertido,
apesar do seu problema.
Encontrei finalmente
a senhora Bedrock, que levou-me até a biblioteca
para explicar-me detalhadamente qual seriam os
meus afazeres naquela casa. {11/09/2001 –
Terça-feira – 15:16}
{16/09/2001 –
Domingo – 11:03}
Mais um Domingo.
Gelado. Mãos frias, coração
quente. Meu computador lá em Porto Alegre
está baixando várias músicas
em MP3 e um filme em DivX. Grande Pentium 4 de
1.7 GHz e acesso à Internet via banda larga/ADSL.
Eu estou em Dois Irmãos, em um Posto de
Saúde. Daqui a pouco vou almoçar.
Ontem estava de plantão no Posto Central
de Novo Hamburgo. Um caos. Hoje à noite
estarei no Centro Clínico, em Novo Hamburgo.
Nestes três plantões, ganharei R$
585,00 (mais ou menos US$ 217,00).
Ainda em greve,
tanto na UFRGS quanto na residência médica.
Amanhã iremos para a Assembléia
Legislativa protestar.
Amanhã a
The Brains começa a gravar seu CD, lá
no Brothers, das 20:00 às 24:00.
Agora vou parar
de escrever. Talvez hoje à noite Jorge
e eu começaremos a fazer o roteiro do filme
“15 Horas”. Tchau. {16/09/2001 –
Domingo – 11:22}
{20/09/2001 –
Quinta-feira – 01:09}
Hoje é dia
do gaúcho! Hoje a Carolina vem me visitar,
assim como minha tia Solange! (((...)))
Agora estou aqui
no segundo andar, no meu escritório, escutando
Frank Jorge, que baixei do AudioGalaxy, no meu
novo supercomputador com ADSL e tudo o mais. Uma
maravilha, não canso de dizer. É
a primeira coisa que escrevo no “ Escrever
por Escrever” com ele. Bem, agora que tenho
essa opção de escutar música
enquanto escrevo, vou colocar ocasionalmente a
trilha sonora que me embala. Agora há pouco
começou com Frank Jorge tocando “Ta
na Boa”; agora está tocando “
Esperando a Saudade”, do mesmo, no meu WinAmp
com dezenas de skins alternantes...
Tenho que estudar.
Ainda não posso dizer que comecei...
A The Brains começou
a gravar na segunda-feira. Bateria e baixo estão
prontos. Na terça eu gravo as guitarras
e a voz fica para a outra semana. Vamos ver como
ficará o resultado final.
Deixe-me parar por
aqui hoje. Tantas coisas acontecendo e eu deixando
de registrar... Mas não é por nada...
Tenho tempo para registrar tudo que ainda vai
me acontecer e os estímulos e conclusões
que receber e tirar, respectivamente... {20/09/2001
– Quinta-feira – 01:22}
{02/10/2001 –
Terça-feira – 19:56}
Já faz um
tempão que não escrevo. Muitas coisas,
pra variar, aconteceram...
Não teve mais
encontro do Pigmeu Moral, gravei as guitarras
das músicas da The Brains, iniciamos a
gravar a voz, na quinta terminamos vozes e faremos
a mixagem. Depois só falta a parte de design
gráfico do CD e a “copiação”!
Fui para Agudo, no aníver da Carol. Tava
bem bom. Ela está, ultimamente, um tesão,
digo, com muito tesão, e acaba por me deixar
assim também! (((...)))
Ontem peguei meu
aparelho de DVD para computador. Acho que mais
tarde vou instalá-lo. Quem sabe agora?
Fui! {02/10/2001 – Terça-feira –
20:03}
{29/10/2001 –
Segunda-feira – 20:58}
Que saudades de
escrever por escrever! Estou estressado! Fim de
ano, provas de residência chegando. Vou
fazer no Clínicas, no Conceição
e no Rio de Janeiro (se bem que no Rio acho que
nem vou fazer!). Fora isso, a função
com a gravação e produção
do CD da The Brains me deixa atormentado. O CD
está gravado, falta terminar de fazer a
capa e levar para a gráfica para imprimir.
Estou com meu computador novo funcionando às
mil maravilhas, baixando mais de 2,5GB de MP3
e DivX por dia, pirateando de leve algumas coisinhas
(que a receita não me ouça e não
me leia!)... No mais, vou começar a dar
aula de guitarra para uns garotos, filhos de uma
médica que conheci em um plantão
na ULBRA de Novo Hamburgo. Mais isso: esse mês
terei 12 plantões... Bem no mês das
provas!!!! Ops! Ligou a Cris! Tenho que desligar...
Depois escrevo mais! {29/10/2001 – Segunda-feira
– 21:04}
{05/11/2001 –
Segunda-feira – 18:23}
Tem algumas coisas
que tenho que escrever para não esquecer
de fazer depois. A primeira delas é a de
organizar a “Sociedade ou Comunidade Anarquista
Gaúcha” e passar a divulgar a idéia
da Anarquia por aí. Comprei alguns Escritos
Anarquistas na Feira do Livro. Tenho que me inteirar
mais do assunto, da história da Anarquia
neste e planeta e daí por diante...
A segunda coisa
que não posso me esquecer é que
dia 02 de novembro decidi começar uma coleção
de girafas. A Girafa número 1 é
uma girafinha de borracha que tenho em cima da
minha escrivaninha. Agora vou começar a
juntar girafas de plástico, borracha, pelúcia,
madeira, metal, pedra e tudo que é tipo
que eu encontrar...
Esse fim-de-semana fiz 48 horas de plantões
que me renderam R$ 1.078,00 (cerca de US$ 400,00).
A Carol está aqui! Bem bom! Hoje vamos
na Lancheria do Parque. Também comprei
na feira do Livro o livro de poesias do Frank
Jorge, 3 livros de poesias do Glauco Mattoso,
obras da série “Escritos Anarquistas”
e o livro Gauleses irredutíveis, sobre
a história do rock gaúcho nos últimos
40 anos... Deu... {05/11/2001 – Segunda-feira
– 18:33}
(continua
na próxima semana...)
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Diálogos
da noite de PoA
Pedro Schestatsky
- Vamos fazer uma revolução? - pergunta
a gatinha hiperpolitizada
- Só - responde o Betão, com os
olhinhos vermelhos
- Por uma sociedade mais humana e igualitária!
- Normal
- Quando e como vamos começar?
- Agora. Pega no béck, companheiro!
____________________________________________________________
-
Solange chega eufórica:
- Mari, nem sabe!
- O quê - super curiosa
- Um cara veio falar comigo, um gato. Superinteligente,
falou sobre "a
transição da cultura do jovem ocidental
na virada do século", da sua viagem
para o Peru, da sua coleção de discos
do "The Doors" e do último filme
do
“FelinO”...
- Peraí: Peru, Doors e “FelinO”?
- É, sua boba, o diretor francês.
Ele também disse que esteve na França!
Mari franze a testa, intrigada. Solange continua:
-...e o nome dele é...
- José Carlos. Acertei?
- É isso! Mas, mas como?
- Chuta.
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Quem
me governa
Eduardo
Dutra Fagundes Macedo
Imagine uma constante
disputa pelo poder entre conservadores e radicais,
ambos extremistas. Golpes de estado, seqüestros,
ditaduras. Imagine agora que o país onde
isso ocorre não é Cuba, não
é a União Soviética e essa
cena pertence a esse século. (Mas que país
é esse?) Além disso, esse país
é muito próximo de você. Aliás,
esse país é você. E os políticos
são as emoções, os desejos.
Algumas pessoas têm
dificuldade de estabelecer parâmetros para
a sua atuação na vida e se debatem
com esses “políticos” freqüentemente.
Transcrevo parte do discurso de posse dos conservadores,
que adentraram o meu corpo:
“ Eu prometo
que, todos os dias, acordarei às sete e
quinze da manhã, farei uma caminhada de
uma hora, tomarei meu café, escovarei os
dentes após as refeições.
Prometo também não realizar gastos
supérfluos. Manter-me-ei magro, lerei todos
os livros clássicos (mesmo que ache muito
chato), casarei na igreja e no papel, formar-me-ei
no menor tempo exigido, pagarei os impostos em
dia, não comerei carne vermelha...”
Um dia, os radicais
deram um golpe de estado. Leia trechos dos panfletos
distribuídos na época:
“Repelimos
qualquer tentativa de regrar as atitudes do Corpo!
Abaixo as vestimentas, caso estiver quente! Abaixo
o dinheiro! Dormir, só na hora que houver
sono! Trabalho, Dinheiro, Leis são ilusões
coletivas que só trazem infelicidade! Poligamia
é saudável – os animais não
são polígamos? os índios
não eram?
“Solte seus
animais de estimação na rua! Compre
o máximo que puder e não pague!
Fique pelado no meio de uma avenida movimentada
e proteste contra os veículos automotores
poluidores! Discuta a função da
residência, da propriedade privada em geral!
Não deixe a ditadura tornar a vida monótona!”
Há, após
esses governos, conseqüências trágicas:
no modo conservador, os ideais sufocam quando
não são alcançados, levando
a pessoa a ficar decepcionada e a procurar outro
modo de governo. Na ânsia de melhorar, acaba
ficando uma ilha isolada do mundo (desculpe a
comparação, Fidel), com ideais que
as outras pessoas ou não entendem ou não
estão preparadas para aceitar.
Contudo, existem
movimentos que querem amenizar esses conflitos
entre conservadores e radicais. É um tipo
de Terceira Via emocional. E é imprescindível
que se busque auxílio de um cientista político,
ou melhor, de um psicólogo.
Infelizmente, não
chegaremos a eleger nossos governantes aos dezesseis
anos. Ainda teremos que votar no Collor, passarmos
por algumas ditaduras militares, até conseguirmos
chegar no equilíbrio – se é
que ele existe.
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...
Juliana Robin
My whishes are lost
In a sea of sadness.
The big shadow of sorrow
Stands before me..
And catch all my fellings
All my hope in live..
My tears so dirty that blind my eyes..
Love..
Hang me dearly..
I was born just to love
I was born a slave of heart.
I was born just to love you
I was born just to be your slave...
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Ombudsman
Maurício Silveira dos
Santos
Meu
amigo Pé-de-Alface
Caros leitores, admito
que senti uma tremenda vontade de deixar de ser
ombudsman para poder entrevistar um pé-de-alface.
Há tantas possibilidades... entrevistar
um pé-de-alface rock-star, entrevistar
um pé de alface prestes a ser devorado
já apertadinho no sanduíche, entrevistar
um pé-de-alface orgânico militante
ecológico e devorá-lo depois da
entrevista num gorduroso Bauru ao prato. Não
é permitido ao ombudsman, contudo, participar
do (louvado seja!) Simplicíssimo com textos
que não a sua religiosa coluna. Eu nem
gostaria de ganhar o CD da Men at Work, sempre
considerei esta banda um saco, insípida,
inodora e à toa, gostaria mesmo é
de entrevistar um pé-de-alface.
Pensando nisso também
me veio em mente quem eu não gostaria de
entrevistar. Eu não gostaria de entrevistar
a menina no espelho. Ela é muito confusa,
tristonha, tem um complexo de Clarice Lispector
e um sério problema de identidade. Se eu
a entrevistasse poderia rapidamente perder minha
sanidade, que já anda por um fio, e acabar
dando trela para o espelho do banheiro pela manhã
para discutir com ele os fundamentos de minha
existência miserável. Eu só
ganharia com isso, no mínimo, um atraso
para o trabalho e algumas palavras pouco carinhosas
do meu chefe e, no máximo, um passaporte
para o país de Alice de onde não
sei se sairia tão cedo até porque
lá poderia gostar de fumar aquele cachimbo
esssperrto com a lagarta piradona.
“Se olho para
o abismo ele olha de volta”. Este é
o último verso do poema do Rafael T., uma
beleza, quando pensei lá pelo meio da leitura
que o Rafael ia se perder no emaranhado de suas
próprias palavras e cair numa grudenta
e inútil ontologia do desespero ele dá
uma de nietzscheano e me sai com essa. O abismo
está e sempre estará lá,
pronto para olhá-lo nos olhos, mas o Rafael
quer se desapegar dele e não ficar celebrando
o que não lhe agradou ou não lhe
agrada no mundo.
Não poderia
deixar de registrar a primeira discordância
com minha estimada colega de coluna, a “ombudswoman”
(ombudsgirl ?) Letícia. Não acho
realmente que o Daniel Rech tenha sido vulgar.
Aliás, aconselho o Daniel a ler Glauco
Mattoso para continuar trilhando o caminho da
“literatura de entranhas” se este
for o seu desejo, e também sugiro a mesma
leitura a minha “partner” e as meninas
possuídas por inclementes TPM’s e
acompanhadas por anti-príncipes encantados,
bebedores de cerveja arredondados e falcatruas
em geral.
Por hoje é
isso. Deixo-os agora e em ótima companhia:
SONETO
ELITISTA
Poetas têm
mania de grandeza.
Se julgam portadores
do intelecto.
Quem não lhes
puxa o saco é analfabeto.
Zarolhos reis da
língua portuguesa!
Parecem patrulheiros
da nobreza,
Zelosos de seu vão
poder de veto.
Mas eu, malditamente,
sou correto
E faço uma
limpeza na limpeza.
A sofisticação
que vá pros quintos!
Estou farto de tanto
salto alto,
E apelo pelos mais
baixos instintos!
Que digam que de
bom gosto sou falto!
Prefiro lamber botas,
pés e pintos,
E nem sequer as unhas
lhes esmalto!
Glauco Mattoso
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Desafio
Simplex
Incrível
! ! ! Inexplicável ! ! ! Interessante
! ! !
Não
houve ganhador do Desafio Simplex esta
semana!
Pelo jeito,
ninguém nunca entrevistou um
pé de alface! Por esse motivo,
o prêmio ficou acumulado. Na próxima
semana, continua valendo o mesmo Desafio:
crie uma entrevista fictícia
com um pé de alface. A entrevista
mais original ganha, além do
CD The Works, do Men At Work, o CD Joyride,
do Roxette.
A promoção
que envolve o CD da banda Los Beselhos,
doada pela própria ao Simplicíssimo
fica para a próxima semana.
Se
você ainda não entrevistou
uma alface, corra: você tem até
terça-feira dia 27 de janeiro
às 18:00!!!
...
continuem participando e divulgando
o Desafio Simplex!
O
próximo desafio já
está aí ...
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www.simplicissimo.com.br
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reservados. Sinta-se à vontade para reproduzir os
textos do site, mas não esqueça de citar a
fonte e o autor.
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Desafio Simplex!
Clique
aqui para saber mais!!! |

Selo comemorativo
alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente
criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
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