06 /02/2004
- Edição número
61
Crescendo e se energizando... Viva o desapego!
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Editorial
Esta
é uma edição especial do
Simplicíssimo, com certeza.
Além
do e-zine ter sido produzido praticamente todo
“livre de edição”, só
com recorta/cola para manter a originalidade dos
textos enviados por seus autores... Uns vão
gostar, outros nem tanto. Dê sua opinião.
...
o quê? Você está lendo este
Editorial pelo site e não conhece o e-zine,
que confortavelmente leva o Simplicíssimo
à sua caixa de entrada 1 vez por semana
os artigos mais interessantes e ecléticos
da grande teia? Não pode ser! Vá
já em Indique e se auto-indique para receber
GRATUITAMENTE sua dose semanal desta FANTÁSTICA
sopa de letras artística e culturalmente
cozinhadas em uma Panela de Expressão.
...mas
voltando, a segunda novidade a informar é
que começamos, nesta edição,
com uma parceria com o site Duplipensar,
publicando o primeiro Dupliartigo selecionado
pela nossa edição para constar nas
páginas do Simplicíssimo. Seu autor
é Paulo Ghiraldelli Jr., diretor do Centro
de Estudos em Filosofia Americana (CEFA).
EUA
esses que andam pisando na bola comigo! Estou
tentando comprar uma máquina fotográfica
digital naquela m... e por um motivo qualquer
(fraudes? Má-vontade?) a resposta é
sempre: não aceitamos cartões de
crédito internacionais. Pior: a resposta
só é dada depois de você preencher
dezenas de formulários, fornecer seu número
de cartão de crédito, passar por
trocentas medidas de segurança inclusive
ter que mandar uma cópia em frente e verso
de seu cartão se for sua primeira compra
na loja e ainda telefonar para um número,
falar em inglês com uma pessoa que parece
que está trabalhando há 5 dias seguidos
sem parar tamanho o mau humor, para finalmente
esta pessoa lhe dizer, com a maior tranqüilidade
que não aceitam cartões de crédito
internacionais! Porque os f.d.p. não bloqueiam
o trâmite no meio para evitar que percamos
tempo no processo? Já sei: isso só
pode ser revanchismo em relação
à história dos aeroportos brasileiros!
Viu só bando de abostados que ficaram defendendo
e se curvando aos EUA no episódio da reciprocidade:
um brasileiro sofrendo na pele a discriminação
por ser brasileiro. Preconceito. PRECONCEITO do
pior tipo.
Não
mudo de idéia quanto ao governo americano
e boa parte da sociedade enquanto não assinarem
(e cumprirem) o tratado de Kyoto. E não
me venham com o papo de anti-americanismo que
isto não existe. Ninguém são
o suficiente é contra toda a nação
americana. O que temos, muitos de nós,
brasileiros (e iraquianos, afegãos, argentinos,
mexicanos, cubanos, etc.) contra a América
diz respeito àqueles que estão no
poder e seus subordinados que cagam na mesma linha.
Depois
do desabafo, temos ainda a estréia de Gabriel
Silveira no Simplicíssimo, assim como um
texto de Daniel Rech que era para ter saído
na semana passada, os brilhantes textos dos nossos
colunistas Cristiane Martins, Alessandro Garcia,
Pedro Volkmann, Pedro Schestatsky e um texto não
tão brilhante assim de minha autoria. Aqui
cabe ressaltar que o Escrever por Escrever, minha
coluna semanal que está chegando ao número
51 está para acabar. Só restam,
depois desta, mais duas edições.
É chegada a hora da despedida. Segurem
seus corações.
Ainda
temos, diretamente de algum paraíso praiano,
nosso amigo ombudsmann Maurício que deu
um jeito de juntar uma palmeira com alguns fios
da casca do côco para construir um rudimentar
computador com acesso à Internet e deu
um jeito de enviar seu texto do meio do nada para
nosso deleite. E, já que estamos falando
em Ombudsman, nossa Ombudswoman sofreu pesadas
críticas na edição anterior
do Simplicíssimo, mostrando que a posição
de crítico em que se encontra é,
realmente, uma das mais difíceis do Jornal.
O
site continua crescendo. Já estamos organizando
mais parcerias com outros sítios afins
do Simplicíssimo, formando uma forte corrente
de apoio e solidariedade virtual. Nesta edição,
já tivemos que publicar 11 artigos, demonstrando
que o Simplicíssimo é, pelo menos
em número de artigos publicados semanalmente,
um dos maiores sites do gênero Literário/Cultural
do Brasil, e nos orgulhamos disso com toda certeza.
Se
você conhece alguém que gosta de
ler, adora escrever ou se esse alguém for
você, não fique encabulado: envie
sua contribuição para o Simplicíssimo!
Sempre lembrando que, para ter sua própria
página de autor, é necessário
preencher adequadamente o formulário de
participação do site e enviar suas
recomendações e sua foto!
Vamos
nessa que ta bom à beça. Divirta-se
com a leitura. Se preferir, imprima o Simplicíssimo
para ler confortavelmente antes de dormir. Assim,
depois de lê-lo voe pode levar para seu
trabalho ou escola e compartilha-lo com seus amigos,
ajudando assim na divulgação deste
meio que é, na verdade, meio de divulgação
para novos (e consagrados) escritores.
Um
grande amplexo fraterno para todos e até
a próxima semana.
Rafael
Luiz Reinehr
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Do
fundo do coração
Gabriel
Silveira
Fechou a mão
direita ao redor do pulso esquerdo e roçou
sua pele. Não conseguia, de maneira alguma,
sentir-se à vontade naquele ambiente escuro
e barulhento. Dorian Kalsing era um homem das
letras, um apaixonado pela literatura e, não
fosse por sua fraqueza à luxúria,
ele certamente não estaria ali agora. Mas
estava e, assim, era sua obrigação
não desperdiçar o soturno momento
senão em sua busca por uma companhia. Entretanto,
por mais que as mulheres lhe incitassem à
ação, ele não se levantava
da pequena cadeira que havia sentado logo que
chegara, ainda cedo, à festa. Ora, Dorian,
apesar de desprovido de todos os apegos materiais,
era, por natureza, um homem bonito e atraente,
alto, ombros largos, cabelo moreno e elegante.
Mesmo assim, não sentia-se à vontade
naquele ambiente pulverizado com míseras
e estúpidas mentes da mesma idade física
que a sua, mas atrás anos luz em capacidade
intelectual. Quando já estava adentrando
pensamentos críticos sobre a sociedade
moderna e seus contrastes morais, uma menina sentou-se
ao seu lado. Sou Gabriela, disse, e você,
qual seu nome? Dorian, Dorian Kalsing, disse ele,
sem entender muito bem do que se tratava aquela
desinibida forma de aproximação.
Nos próximos dois minutos, o silêncio
dos padres convertidos mais à resignição
do que à fé religiosa, tomou conta
da mesa. Por mais paradoxal que possa parecer
naquele ambiente aquecido pelo vulgar, enrijecido
pela sensualidade, arrogante pelo volume regulado
ao extremo, foi o silêncio de palavras que
criou um elo entre os dois. Bastou então
um observar simultâneo, um olhar confesso
e os dois saíram dali. Dorian a pegou pela
mão e a levou até onde pudessem
conversar, longe da escuridão das luzes
da boate. Sentaram-se à beira de um pequeno
jardim que se prostrava à margem da concretude
da boate e puseram-se a conversar. Entre as saudações
que não foram necessárias e as explicações
que perderam-se no caminho, discutiram assuntos
como se fossem velhos conhecidos, concordando
em alguns ponto, discordando em outros mas sempre
assim, com uma naturalidade sutil e ao mesmo tempo
envolvente. Quem via a cena de dentro da festa,
imaginava estar tendo uma visão do éden,
dois corpos brilhantes em euforia pelo descobrimento
de seus iguais, um verde doce da natureza de fundo
e luz artificial formando um astral crepuscular
como um véu de encantamento. Ali, assim,
os dois permaneceram por uma, duas e outras muitas
horas que talvez fossem apenas minutos. Dali só
saíram quando a rainha das azaléias
já tomava o horizonte anunciando a aurora.
Foram caminhando por ruas e assuntos sem perder
a fascinação até que encontraram
o desencontro necessário: na frente da
casa dela, Dorian silenciou e o desejo luxurioso
adentrou novamente seus pensamentos. Ergueu sua
mão em lentidão doce e sincera e,
em carinho manifesto disse-lhe, Deixa-me beijar-te
a boca. Ela sorriu e disse-lhe, Neste mundo de
tão concretos argumentos e de tão
dolorosas expiações não há
perfeição, não há
felicidade plena. Dá-me a satisfação
de não esquecer nunca mais o que tu foste
esta noite. Priva-nos de macular nosso encontro
com a dor e a tristeza que vem com os ventos da
paixão. Uma lágrima ousou molhar
a resignação de Dorian. Gabriela
virou-se, respirou fundo e foi caminhando lentamente
até a porta como se pensasse duas ou vinte
vezes no que acabara de fazer. Ele a respeitou
e foram sozinhos para sempre.
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O
Grande Desafio
Daniel Rech
Depois
da minha vitória no Desafio Simplex de
semanas atrás, dei uma sugestão
pro Rafael para que no próximo desafio
fosse distribuído um CD da banda da qual
faço parte, Los Beselhos. A sugestão
foi aceita e aí está. Antes de participar,
você pode ouvir as músicas pra saber
se realmente vale o esforço no endereço
a seguir: www.losbeselhos.theblog.com.br
(no canto superior direito da página há
links para tal).
Depois de aceitar
minha sugestão, o Rafael pediu então
pra que eu criasse o desafio, então pensei
em algo que me intriga muito ao longo da minha
curta existência, vou explicar.
Assisti a um vídeo
de 1970 do Pink Floyd, em uma entrevista, David
Gilmour citava que as pessoas diziam que o Rock
estava morrendo e acabaria em breve. Há
34 anos já falavam isso. Como é
que até hoje Ele ainda existe, como é
que pessoas ainda compram CDs e DVDs do Led Zeppelin
e do Pink Floyd, como é que até
hoje The Beatles são escutados por todos,
mesmo com todo esforço da mídia
e das gravadoras em acabar com o Rock.
Aliás, quem
eles pensam que são? Querem nos fazer acreditar
que o rock hoje se resume a Reação
em Cadeia e bandas genéricas de Pearl Jam,
ou uma garota bonitinha canadense punk pré-fabricada.
Eles destruíram o nome Rock’n’Rio
e muitos outros ícones, eles querem nos
fazer ouvir 300 vezes por dia a mesma música
no rádio e só ela e depois dizem
que é crime comprar um CD pirata com aquela
música, eles querem nos empurrar garganta
abaixo o que pode lhes dar lucro, eles querem
mandar no artista e na sua arte.
Então estou
muito curioso pra saber as respostas do Desafio
Simplex, por que eu não entendo, mesmo
com todo esforço desses caras, como é
que eu e muitos outros ainda nos interessamos
por Deep Purple? E por que Los Hermanos teve fãs
de verdade apenas depois que renegou a mídia,
a gravadora e a Anna Julia? Aguardo as respostas.
Daniel Rech
http://www.francamente.cjb.net
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Nua
& Crua
Cristiane Martins
Solamente Una Clase de Español
Setembro/23/2002
Eu estava decidida
a esquecer aquele amor platônico ... não
queria mais sentir aquela dor!
Queria vida nova!
Primeiro passo, ocupar
meu tempo ócio ... nada de ficar pensando
besteira!
Foi nesse mesmo tempo
que a empresa resolveu oferecer um Curso de Espanhol,
e o que era melhor, o curso era praticamente gratuito
sendo que tinha de pagar somente o xerox do livro,
o que dava uma ninharia!
Ótimo –
pensei – aula nas segundas e quartas-feiras
das 19hrs as 20hrs , tudo o que preciso, só
me sobravam então 5 dias para pensar naquele
verme!
As aulas começaram
e quem pelo menos já teve uma ou duas aulas
de Espanhol sabe que é uma língua
complicada! Parece ser extremamente fácil
porque quem em sã consciência não
sabe que “Hola, como estás?”
significa “Oi como está?” ...
até aí tudo bem, não, tudo
ótimo porque daí começam
as complicações ...é um tal
de “LL” que tem que pronunciar como
“J” , e o “V” que tem
que pronunciar como “B” e também
tem uma história de “B TICA”
que eu não faço a mínima
idéia do que seja – que me perdoe
a professora de Espanhol, mas êta lingüinha
que incomoda essa hein??
Okay, mas tudo fazia
parte do processo, e eu estava disposta a fazer
de tudo para ocupar minha mente exageradamente
doentia que no almoço somente conseguia
visualizar um maravilhoso musse de maracujá
enquanto que ponderadamente me servia de umas
míseras frutas e dois “pésinhos”
de couve-flor... tudo em prol de um belo corpo
para o verão ...
Daí que na
tal terceira aula, seria Quarta aula se eu não
tivesse “cabulado” aula na última
quarta-feira perdendo toda a lição
da desgraçada da fonética ... putz,
justo a fonética ??? Tudo bem, pensemos
na fonética mais tarde ... eu estava lá,
estava cansada, fadigada, mas precisava manter-me
ocupada – pensei – e essa era uma
boa maneira ....
A professora entrou
na sala com seus cabelos ruivos esvoaçantes
e sorridentemente disse assim: “Hoje vamos
ouvir uma musica da Shakira” ... Oh my God!
– pensei - quer dizer : “Oh, Dios
Mio, esqueci que a aula é de Espanhol e
não Inglês ...
Shakira? Nada demais?
Por um acaso você já escutou alguma
música dessa mulher?? Qual música?
Qual música? “La canción se
llama ANTOLOGIA” ela sorriu ... E ela ainda
sorri????
Começa o desespero
enquanto que o CD ia girando no magnetofón
(santo Deus, o que fizeram com nosso pobre aparelho
de som??):
“Para amarte
necesito una razón
y es difícil creer que no exista
una más que
este amor.”
Enquanto que a doce
Shakira ia destilando o veneno eu quase caí
da cadeira ... claro, claro que a música
tem de servir para mim... óbvio ...
“Sobra tanto
dentro
de este corazón
que a pesar de que
dicen
qie los años
son sabios
todavía se
siente el dolor.”
Alguém “pelamordedeus”
desliga esse magneto-to ... sei lá o que
... desliga essa droga de CD ... e pronto ....
“Pero olvidaste
una final
instrucción
porque aún
no sé como
vivir són tu amor.”
Será que estão
surdos ??? Todos riam e cantarolavam junto...
tudo errado! Tudo errado! Não, não
a pronúncia ... Tudo errado: música
errada no momento errado e eu era a pessoa errada!!!
Eu já estava
verde, verde tal “Incrível Hulk”
(fala sério, quem não se lembra
dele?) e os pés de couve-flor do almoço
começavam a subir pela parede do meu estômago
em direção a boca ...
“... y fue
por ti que descubrí lo
que es amar, lo que
es amar.”
A ruiva dirigiu-se
para o CD ... Terminou? Terminou a sessão
tortura???
Tudo por água
abaixo ... todas suas estratégias escorrendo
pelo ralo ... “Odeio Shakira” .....
Levantei-me e sentindo
meu sangue fervendo nas minhas veias eu fui me
aproximando daquele ser que sorria enquanto dizia
que ia deixar algumas páginas do livro
como “tarea” .....
Repleta de uma súbita
raiva, olhos fulminantes de tanta raiva .... eu
me aproximei dela e ... e ... com esforço
engoli o pedaço de couve-flor que já
estava na traquéia e disse: “Você
me empresta o CD? Adoro Shakira!”
Mais
Cristiane Martins:
www.ansiosaeprematura.weblogger.terra.com.br
www..teoriadocaos.weblogger.com.br
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Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia
Madrugada
É
O grande e bizarro senhor de bigodes fartos achava
que eu ainda queria mais café. Me olhava
com ar solícito demais para o meu gosto
reservado, como que me inquirindo com a constância
silenciosa e irritante "quer mais café,
seu merda?". Eu fingia que não me
importava - na verdade, me importava um pouco,
mas conseguia disfarçar bem. A madrugada
estava quente demais para me encharcar desta maneira
de café e, a bem da verdade, eu estava
ali somente por causa da roliça senhora
que me fazia rir à grande com suas histórias
antiquadas recheadas de anões holandeses
negros e gordos. Não podia crer que eles
existissem, é lógico, mas aquela
senhora tinha um jeito de me manter durante horas
a fios sem nem mesmo conseguir desviar o olhar
de seus olhos baços e de sua boca constantemente
ressecada: acho que era o café. Mas ela
não parava de tomar. Eu insistia para que
bebesse algumas cervejas, a madrugada está
terrivelmente quente, eu dizia, sem conseguir,
no entanto, convencê-la que estava fazendo
um mal negócio enchendo de lucro os bolsos
daquele senhor grande e bizarro de bigodes fartos
que parecia se comprazer terrivelmente em encher
com uma freqüência extraordinária
a caneca da senhora adoradora de café.
"Bebe
um pouco aqui, bebe", a senhora roliça
me ordenou, praticamente empurrando minha nuca
de encontro à caneca onde aquele café
absurdamente quente parecia esperar somente a
chance de encher meus beiços de bolhas
de queimadura. "Vai pra puta que te pariu,
gorda de merda!", eu ainda berrei, derramando,
por fim, com um safanão mais circunstancial
que intencional, o café por cima das pernas
varizentas da roliça senhora. Engraçado
que ela não deu um grito quando aquela
calda escurecida e medonhamente quente encharcou
suas pernas. Me olhou, sim, com profundo pesar
e mal abriu os lábios quando berrou com
clareza "Dimitri", e fez sair de uma
das pequenas portas que eu não tinha notado,
junto ao caixa do bizarro e grande senhor de bigodes
fartos, um anão negro e gordo, que se movia
com seus tocos curtos para junto de mim, com imprompérios
em forte sotaque holandês.
AAlessandro
Garcia é escritor e publicitário,
escreve no blog Suburbana [http://suburbana.blogspt.com]
e já escreveu vários contos sobre
anões.
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Escrever
por Escrever LI (excertos)
Rafael Luiz Reinehr
{13/02/2002 –
Quarta-feira – 18:26}
Não teve
ensaio da The Brains no sábado. Não
teve imersão. Na segunda, só fomos
eu e o Fabiano. O João achou uma desculpa
esfarrapada e não foi. Fiz várias
capas do CD da The Brains. Até agora vendi
57 (sozinho, porque o Fabiano e o João
nem se coçaram!!!), a maioria lá
no Hospital. Temos que vender uns 106 para sairmos
do prejú (ou melhor, para EU sair do prejú!).
Passei no Concurso
lá em Dois Irmãos, em Primeiro Lugar!
Logo deve ter reunião para divisão
dos horários. Não fui no Serviço
Militar, no dia em que tinha que ir. Agora estou
com medo, e nem sei onde ir e o que fazer...
Agora coloquei duas
coisas na cabeça: no fim do ano trocar
o Gol por um Golf 2.0, com rodas de liga leve,
aro 16 (digamos) e película, além
de MP3 player e também comprar uma máquina
fotográfica profissional, que acho vai
ser uma Nikon F100, que custa em torno de US$
1.000,00. Só falta trabalhar para juntar
o dinheiro, que ainda não tenho. Nas minhas
férias em maio queria ir para Ilha Grande,
em Angra dos Reis, mas não sei se vai ser
possível. De repente deixo para o fim do
ano...
Quero me associar
no SIMERS (o Sindicato Médico do Rio Grande
do Sul), trocar de celular, fazer um convênio
com a UNIMED (como paciente) e sei lá mais
o quê. Agora estou escutando uma música
do Universo Colorido, que parece estar sendo cantada
em francês, mas não consigo ter certeza
(não falo francês)...
Hoje fui no Jekyll
para levar nosso CD, mas a relações
públicas não estava lá. Tomei
um banho de chuva e o carro uma chuva de granizo.
Para completar, ao chegar em casa, o portão
não abriu e tive que levar pedrada na cabeça,
ao sair do carro, para abrir o portão...
Fim-de-semana fomos
eu e a Carol para praia. Lá para Capão
da Canoa. Estava bem bom. Nem fizemos Carnaval.
Mas comemos e comemos muito. Passei mais na cama
do que no sol. Tenho que arrumar minha cama. Tenho
que arrumar minhas bagunças. Tenho que
me arrumar. Hoje vamos ver o filme “Uma
Mente Brilhante”, depois da janta, que vai
ser Frango ao Catupiry. Tenho que atualizar minha
lista de filmes que tenho em CD, baixados da Internet.
No mais, é
isso. Ando pouco criativo. Não tenho pintado,
nem escrito. Quando pego na guitarra é
que saem alguns riffs interessantes. Tenho que
criar... {13/02/2002 – Quarta-feira –
18:39}
{06/03/2002 –
Quarta-feira – 20:44}
Coisas escritas
dias atrás:
(clima meio melancólico,
angustiado)
Agora escutando
The Catheters.
Tantas pessoas e
tantas vidas
Vividas por elas
e só por elas
Sentidas
Nascidas sozinhas
Tantas comidas,
descidas, subidas
Que levam a caminhos
Espinhos e pedras
Que quebram e fazem
sangrar
O sonho de quem
um dia
Achou que era fácil
tão fácil
Viver uma vida sofrida,
Perdida, caída,
Tantos pedaços
que montam
Como uma colcha,
retalhos
E gotas de orvalho
Que molha e brilha
e
Encanta, anuncia
A vinda de um dia
quem dera
Jamais sonharia,
sentiria
Que ele houvesse
de ser
Para mim, aquilo
que
É para nós
ou seja um tudo
E um nada que sobra
no
Fim de um começo
sem fim
Que abraça
e me laça
Contigo e eu sinto
que
Então, finalmente,
somos um.
(escrito em 25/02/2002,
às 18:00, no Campus do Vale da UFRGS)
De que adianta o
que nada vale
Se tudo o que vale
não temos
Nem teremos mas
buscamos e
Por isso sofremos
Se o que temos não
vale,
Porquê?
Porque assim fazemos,
já
Que os outros queremos
Que assim seja,
fazemos
Fazemos como querem,
Queremos, mas não
temos saída
Senão separar
o que querem
Do que quero, senão
nada
Valerá, o
que tenho ou terei
Se não souber
o que vale
De verdade verdadeira
Pra mim e só,
só pra mim
A Vida, a Beleza,
a Certeza
A Pureza, a Verdade,
sem
Alteza, nobreza
ou riqueza,
Que passa e não
sobra,
Só cobra
volume, rapidez
Excesso e angústia
Que nada, nada disso
e
Tudo aquilo, que
quero,
O que mais quero
é você
E você sabe
o que mais?
(escrito em 25/02/2002,
às 18:06, no Campus do Vale da UFRGS)
Nothing is a man
Without virtù
in his soul
With pain but with
no sane
He came, but went
through
He blamed, still
the same
The same old man
that said
Once again and time
ahead
That truth was full
Full of wishes,
of dreams
Of coins and cottons
of spots
And patches, with
paths
That show us the
way
The tao has been
decided
The game has started
None of us knows
about it
And then, what comes
next.
Nothing is a man
When his soul is
empty of
Wisdom
When his mind is
full of
Sand and works with
The eyes on earth.
Drink a little bit
of your
Own blood
And sleep, the sleep
of
The justs.
(escrito em 25/02/2002,
às 18:13, no Campus do Vale da UFRGS) {06/03/2002
– Quarta-feira – 21:05}
{01/04/2002 –
Segunda-feira, 17:13}
Esse pão
ta cada vez mais difícil de ganhar, já
dizia a Onno. Eu escrevo tão pouco ultimamente.
Tenho trabalhado tanto, mas tanto mesmo que nem
vida de verdade acho que tenho mais. Esse mês
vou me controlar: só vou fazer uns 16 plantões.
Mês passado fiz 23 plantões de 12
horas. Dormi mais nos bicos do que em casa. Tudo
porque eu estava numa neura de trocar de carro.
Queria comprar um Golf ou um Audi. Ainda quero,
mas descobri (a duras penas) que não vale
a pena sofrer tanto para antecipar algo que vai
acontecer mesmo, nem que seja 1 ou dois anos depois.
Agora já me conformei em não ter
o carro no fim do ano, mas mesmo assim ainda estou
pensando em um jeito de comprá-lo.
Ontem fiz um trabalho
sobre a Hannah Arendt, para minha cadeira de Política
I. Depois eu coloco ele aqui. Bem legal.
Hoje em Segunda
Maluca no Manara. Na quinta-feira retrasada teve
o primeiro ensaio da SuperJazz7. Estava muito
legal. Uma viagem só! Tomara que dê
certo!
Tenho que tocar
mais, tenho que pegar mais sol, tenho que sair
mais para me divertir. Tenho que escutar mais
música, tenho que conversar com a Cris,
tenho que aproveitar mais o dia e a noite. Tenho
que aprender mais, tenho que saber mais, tenho
que criar mais, tenho que agir!
Pintar, compor,
dançar, viver, atuar, sentir... {01/04/2002
– Segunda-feira – 17:22}
(continua em 1 semana... faltam só 2 Escrever
por Escrever!!! – “todo Carnaval em
seu fim... fim... fiiiiiiim...”)
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Diálogos
da noite de PoA
Pedro Schestatsky
- Tô oferecendo carona prá um monte
de gatinha e nenhuma delas aceita. Não
consigo entender.
- Ué - responde o amigo - pensa que só
tu tem carro. Se é que se pode
chamar aquele chevetinho verde de carro. Tenha
paciência, Nestor!!!
_____________________________________________________
-
Vamos dançar? Bah....Foi mal.... Desculpa
mesmo, pensei que fosse outra
pessoa, completamente diferente, desculpa...
Mais tarde..
- Tu chegou na pessoa errada? Quem era? - pergunta
o amigo
- O Jorge, aquele cabeludo do terceiro ano. Agora
tô fudido, além de levar
um pau na saída, todo mundo no colégio
vai dizer que eu sou veado
- Não força João, deixa de
ser paranóico. E a vez que tu chegou no
Luis?
Não deu nada e ele ainda pegou no teu pé.
Só vê agora se deixa de ser ratão
e traz teus óculos, que, por sinal, nunca
te vi usando!
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I-Racional
Pedro
Volkmann
Nada mais estranho
ou normal que chamar alguém de louco. -
O Zé, aquele que só pode comer sopa
com garfo. - A Camila, iiiiiiii, aquela mulher
é uma louca, pois não pára
com aqueles gritinhos histéricos. Pois
é, é irracional rotular as pessoas
de loucas só por não entendemos
a sua percepção ou seu sentimento.
Pois é com a irracionalidade acontece assim
também. Classificamos de loucos, aquelas
figuras que nos parecem irracionais.
Você já
parou para pensar sobre isto? Quais são
os meandros da racionalidade? O que este conceito
tem por trás? Tem um francês, que
admito, conheci faz pouco tempo – confesso,
que falou um pouco sobre este assunto.. Um tal
de Edgar é, este mesmo que você está
pensando, o Edgar Morin. Diz ele que são
necessárias algumas coisinhas para complementar
este conceito. Arracionalidade e aquelas coisas
que simplesmente são que independem completamente
da razão e obviamente a racionalidade.
Este é a negação da primeira
e a arracionalidade são aquelas coisas
que não podem ser questionadas pela racionalidade.
Tudo bem, agora você está pensando
que eu não sou racional. Estou escrevendo
uma barbaridade, mais ou menos embasado em um
cara que não conheço direito. Aliás,
aqui vai uma dica para um certo cara, estou precisando
aprender Métodos, entenda quem tiver irracionalidade
bastante para isto. Deixando os parênteses
de lado, voltemos ao assunto: cheguei até
aqui para tentar chegar a algumas definições
(adefinições, indefinições)
sobre dúvidas que me assolam desde garoto
(ou não).
“Nossa sombra
é a prova cabal de que somos um empecilho
para a luz e seu caminho. Somos culpados da antecipação
do final de uma odisséia que se repete
desde que o sol é o sol”.
“Isto prova
a inevitabilidade de nossa ação
no tempo e espaço, pois mesmo sem qualquer
intenção atrapalhamos o próprio
tempo”.
“Isto prova
que nós mesmos somos responsáveis
pelo tempo, basta ver um discurso do Enéas”.
“Se você
sabe quem é o Enéas, começo
a provar que a racionalidade não existe
sem a irracionalidade, basta dizer que você
é racional o bastante para acompanhar política
pela tv”.
“Podemos partir
de uma besteira qualquer para fazer filosofia
barata”.
“Podemos até
fazer um texto cheio de esquisitices para dizer
que o povo está cheio de falta de razão”.
O que é mais
irracional, fazer errado ou ver o erro e não
tomar partido?
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|
Dupliartigo:
Bobbio Morreu, Lula Vive*
Paulo Ghiraldelli Jr.
O século XX,
ao contrário do que muitos pensam, não
começou em 01/01/1900. Começou em
1871, com a Comuna de Paris. Ali ocorreu o primeiro
esboço do que seria a marca do "século
XX"- seu verdadeiro início. Pois foi
na capital francesa, naquele ano, que socialistas,
anarquistas, marxistas etc. criaram, ainda que
por poucos dias, um "governo dos pobres e
dos trabalhadores" - o que seria a reivindicação
ouvida nos poucos mais de 100 anos que se seguiram
até o início dos anos 90, recentes,
quando o "comunismo real" deixou de
existir, com fim do Bloco Soviético. Norberto
Bobbio nasceu em Turim em 18 de outubro de 1909
e faleceu recentemente, no dia 8 de janeiro de
2004, na mesma cidade. Ninguém mais que
Bobbio, como intelectual, representou o século
XX, assim delimitado, como a "sociedade do
trabalho" - a época em que nazistas,
comunistas, socialistas, etc. apresentaram propostas
para uma sociedade perfeita baseada na "reorganização
da sociedade do trabalho".
Bobbio formou-se
em direito. Foi militante anti-fascista. Tornou-se
senador vitalício pelo Partido Socialista
Italiano e, nos tempos do sucesso (eleitoral e,
digamos, de carisma diante dos intelectuais) do
Eurocomunismo, nos anos 70 e 80, destacou-se como
o principal interlocutor "liberal" dos
comunistas, aqueles socialistas que estavam no
todo poderoso PCI, associados ao braço
intelectual do Partido, o Instituto Antonio Gramsci.
O debate, que hoje
já não mais excita os estudantes
de ciências humanas, era o que girava em
torno da polêmica "reforma ou revolução".
Os comunistas italianos, franceses etc. haviam
rompido, em parte, com o comunismo soviético.
Os motivos foram vários. As coisas começaram
a piorar entre os comunistas com a invasão
da Hungria pelas tropas soviéticas, em
1956. Os soviéticos invadiram ao Hungria
com a desculpa de que o regime socialista daquele
país estava cedendo espaço para
a "propaganda ocidental liberal, e estavam
traindo a revolução". A partir
de então, aqueles partidos comunistas europeus
que eram mais intelectualizados e mais democráticos
que os alinhados às diretrizes de Moscou,
passaram a procurar uma "via para o socialismo"
que não fosse puramente eleitoral, diferente
daquela de convívio "eterno"
com o capitalismo e com a "democracia burguesa"
(como era o projeto da social-democracia), e distinta
também daquela que defendia a revolução
armada, que teria como fim a implantação
da "ditadura do proletariado" (como
era o dos partidos de origem bolchevique, o partido
de Lênin, o que fez a Revolução
de 1917 na Rússia). Bobbio, então,
perguntava para os comunistas: se vocês
chegarem ao poder sem qualquer coligação,
vão manter a chamada "democracia burguesa"
ou vão, através da legalidade, implantar
uma "nova legalidade" que, no limite,
irá destruir as liberdades consagradas
por todos - liberais, socialistas e participantes
do eurocomunismo?
Essa pergunta ficou
sem resposta! O fim do Bloco Soviético
precipitou tudo. Trouxe liberdade para muitos
oprimidos pelo comunismo, mas também trouxe
um mundo diferente que Eric Hobbsbawn nunca conseguiu
entender. Bobbio, por sua vez, passou a ser apenas
um grande professor, um grande autor, mas não
mais o centro de atenções que foi
nos anos 80, quando todos nós tínhamos,
como obrigação de professores de
ciências humanas, ler tudo que havia sido
escrito por Gramsci - o filósofo e deputado
italiano, que morreu nos cárceres de Mussolini,
e que parecia ser o inspirador do Eurocomunismo
para muitos. E Bobbio estava no centro do debate
sobre Antonio Gramsci e seus escritos sobre formas
de viabilização do socialismo. No
Brasil, Carlos Nelson Coutinho (PMDB) e Weffort
(PT), publicaram os ensaios que, entre nós,
equivaliam ao que se fazia na Itália na
época: os escritos onde comunistas afirmavam
o vamor da democracia liberal. Na Educação,
nós, na Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (então
eu facia meu primeiro mestrado, em filosofia da
educação), começávamos
a ler Gramsci através das aulas de Dermeval
Saviani, que havia estado na Itália, trazendo
para o Brasil um material inédito em educação.
Estávamos criando o PT, o Partido dos Trabalhadores,
e Lula, agora nosso Presidente, pareceia encarnar
um novo tipo de socialismo. O PT parecia ser o
autêntico partido de estilo eurocomunista
(a meus olhos, até hoje ele é isso).
O Eurocomunismo desapareceu
após o descrédito do marxismo, com
o fim do Bloco Soviético. O PT, ao contrário,
cresceu, perdeu Weffort para o PSDB (o partido
do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso) e
ganhou Carlos Nelson Coutinho, e chegou ao poder
com Lula, após duas outras eleições
perdidas. Neste mundo, ninguém mais lia
Bobbio. Ele morreu, agora, já sem ser lembrado
pelo próprio PT, que não sabe se
escuta o frenesi de velha guarda de Chomski (o
norte-americano quase-marxista que não
teve oportunidade de conviver com socialistas
democráticos) ou se adere a um estilo de
social democracia que apenas apaga incêndios
da sociedade industrial.
A morte de Bobbio
é a marca da morte do que foi a busca pela
reorganização da sociedade do trabalho.
A vida de Lula é a de construção
de uma sociedade feliz para o Brasil e para o
mundo, seja ela montada a partir dos valores do
trabalho ou não. A filosofia política,
por sua vez, se desloca para os Estados Unidos,
e o debate sobre formas do "politicamente
correto" e proteção de minorias
suplanta o debate sobre viabilização
da democracia socialista. No Brasil, embora tudo
isso se faça sentir, Lula ainda luta não
por conquistas socialistas ou comunistas, mas
simplesmente por princípios liberais que
ainda não conseguimos concretizar. Ainda
não temos um judiciário confiável,
nosso legislativo ainda legisla em causa própria,
nossa educação não garante
escola pública de boa qualidade para a
população de jovens, nosso povo,
em sua maioria, é faminto e, enfim, se
temos sucesso é, justamente, o de termos
conseguido eleger o Lula. Vamos fazer a transição
entre o século de Bobbio e o século
de Lula diante do Império. Venceremos?
Tudo depende de quanto Lula pode não ser
saudosista do mundo de Bobbio e de quanto ele
não precisa esquecer tudo que foi, um dia,
o Eurocomunismo.
Paulo
Ghiraldelli Jr
Diretor Científico do CEFA
Scholar do Pragmatism Archive da Oklahoma State
University
*
publicado originalmente no site Duplipensar em
12/01/2004

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Ombudsman
Maurício Silveira dos
Santos
O
Ombudsman vai à praia
As meninas e as
suas roliças e bem torneadas coxas desfilam
sem destino pelas estreitas servidões,
preenchidas até o tutano de seus fêmures
por uma ânsia de serem desejadas. E os rapagões
com suas tatuagens assustadoras, suas bermudas
colocadas estrategicamente bem abaixo da cintura,
na linha do púbis, demonstram sua inserção
cultural no chamado mundo globalizado, fazem como
os negões “rappers” da América,
sem esquecer os vários centímetros(ou
polegadas?) das suas cuecas (muitas ainda lavadas
pelas mamães de plantão) que devem
ficar à mostra. O jovem do sexo masculino
no ocidente parece encontrar sempre uma maneira
mais lamentável ou esteticamente mais repulsiva
de propalar sua virilidade.
Barrigas, pirulitos,
sotaques, filas nos telefones públicos...
longos telefonemas que impacientam os demais veranistas;
há sempre aventuras a contar mesmo que
sejam as mesmas dos últimos anos e as que
inevitavelmente se repetirão nos anos vindouros.
O tempo, o sol, o vento, o mar e aquela última
fofoca sobre o familiar que todos malham como
uma espécie de hábito bizarro para
se sentirem garantidos no mundo da normalidade
da classe média.
O que comerei hoje?
Iscas de filé de peixe ou camarões?
Beberei cerveja? Devo “experimentar”?
Qual o grau de proteção solar lambuzarei
sobre minha pele que já arde? Devo tomar
água da pia? O vaso sanitário não
funciona bem, mas praia é assim mesmo,
né? Desta vez tenho meu próprio
guarda-sol. Só meu. É lindo, colorido
e todos o invejam, não conseguem dissimular.
Contudo, essa não é a melhor e mais
importante notícia. O que realmente me
faz feliz é que eu lembrei de trazer meu
robusto e negro guarda-chuva. É notável,
todos parecem odiá-lo apavorados que as
chuvas de verão se intensifiquem e encharquem
seus sonhos acalentados durante meses de ter seu
veraneio risonho e ensolarado para depois retornarem
refeitos para os seus bretes, no trânsito
ou no escritório, recordando com nostalgia
o perfume do protetor solar e o sabor daquela
cerveja que nas contas da memória surge
mais gelada do realmente estava. Mas eu amigos,
nunca esquecerei meu guarda-chuva, porque não
há férias sem tempestade como não
há dia de trabalho sem sol, pelo menos
para quem é viciado em viver acordado.
Abraço do
seu ombudsman, diretamente de uma praia qualquer
de S.C.
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Desafio
Simplex
Novamente,
não houveram vencedores do Desafio
Simplex da semana. Ninguém se
atreveu a citar 5 razões pelas
quais o Rock não vai morrer.
Será que isso é o sinal
do fim dos tempos? Não, não
me refiro ao fato de não termos
participantes, ávida é
assim mesmo, mas ao fato de que, então,
se todos acreditam que o Rock vai morrer,
devemos então estar a caminho
do Juízo Final!
De qualquer
forma, teremos mais uma acumuladinha
do Desafio Simplex! A pergunta continua
a mesma, e o vencedor leva, além
do CD “Alguma Coisa” da
Los Beselhos o CD “Tragic Kingdom”
do No Doubt.
Participe!
Serão aceitas respostas até
Às 18:00 da terça-feira
dia 10/02/04.
...
continuem participando e divulgando
o Desafio Simplex!
O
próximo desafio já
está aí ...
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www.simplicissimo.com.br
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reservados. Sinta-se à vontade para reproduzir os
textos do site, mas não esqueça de citar a
fonte e o autor.
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Desafio Simplex!
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aqui para saber mais!!! |

Selo comemorativo
alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente
criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
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