Atenção:
Pedimos
desculpas pelos problemas técnicos
apresentados nos dias 29 de fevereiro, 1º
e 02 de março. Em função
disso, a publicação da edição
65 será adiada excepcionalmente no
dia 05 de março, com as participações
sendo aceitas até as 18 horas do dia
anterior.
|
25 /02/2004
- Edição número
64
Eu não pedi pra nascer...
|
| |
|
|
|
Editorial
Com os olhos bem
abertos... É assim que devemos nascer hoje
em dia...
Em um mundo repleto de seres que querem nos passar
para trás, onde a ganância torna
a competição um jogo de vida ou
morte, onde essa mesma competição
parece ser uma alternativa mais viável
que a cooperação...
Com os olhos bem abertos devemos permanecer, já
que, mesmo não tendo feito requerimento
em duas vias, autenticadas e carimbadas, nascemos.
Nascemos e cá estamos, em um mar cheio
de tubarões. Olho fechado, mordida na perna.
Bateu o sono, nos arrancam os anéis e os
dedos...
De que vale se valer de metáforas se nada
mais há para ser dito... Tudo já
foi dito, não foi? Vivemos então
uma eterna repetição de palavras
antes cheias agora vazias, somos vidas outrora
cheias agora vazias, somos restos, outrora poucos
e agora totais...
De que vale se valer de antíteses se somos
a semelhança um do outro? Mesmo em nossas
diferenças, somos iguais. Queremos as mesmas
coisas, caminhamos na mesma direção.
Buscamos todos prazer, felicidade. Todos rumamos
inexoravelmente para a morte. Morte da célula,
morte do corpo. Morte do Ser? Morte da Alma?
Tantas coisas para saber, tantas coisas para conhecer,
tantas coisas para experimentar...
Tantas coisas para fazer, tantas coisas para amar,
tantas coisas para sentir...
Será que somos mesmo os escolhidos de Deus?
Será que Deus existe? E se existe, ainda
tem controle sobre sua criação?
Será que somos mesmo os escolhidos de Deus?
Ou somente mais uma experiência... Somos
o caminho, ou nos atravessamos no caminho? Serão
as orquídeas as escolhidas? Haverão
escolhidos?
São mais perguntas do que respostas. Haverão
respostas para todas perguntas?
São mais perguntas do que respostas. Há
vida além da Terra?
Por que nos pré-ocupamos? Já não
há tanto a fazer? Preencher a vida de significados,
encontrar estes significados, convencê-los
a permanecer em nossas vidas...
Por que nos pré-ocultamos? Nos escondemos
sem saber do quê ou de quem... O medo é
a regra... Cada um em seu canto, atrás
das grades e das chaves de suas casas e de seus
automóveis...
Poderia seguir escrevendo sem parar, aproveitar
estas palavras vindo não sei de onde, mas
algo me diz que é hora de parar...
...para seguir ali, um pouco mais adiante...
Rafael
Luiz Reinehr
PS
(importante!): estou saindo temporariamente
da capitania desta embarcação e
cedendo lugar ao estimado Eduardo Sabbi. Por motivos
alheios à minha vontade, assumirei meu
cargo de oficial do Exército Brasileiro
em Santa Maria – RS e, por período
indeterminado, manterei contato com o Simplicíssimo
e com o Escrever Por Escrever de lá. Mas
não sem antes dar as boas-vindas ao digníssimo
Max Sachetti que publica conosco seu primeiro
conto e também ao ilustríssimo Adalberto
Queiroz, que nos dará a honra de manter
uma coluna quinzenal (Simples Goyuchos) intercalando
com o não menos ilustre Milton Ribeiro,
despejando aqui sua soberba combinação
de letras e palavras. O caldeirão vai ferver!
Quem também faz sua estréia, não
como colaborador mas como colunista é,
ora quem senão ele, o digníssimo
Eduardo Sabbi, que manterá uma coluna semanal
chamada “em passant”, assim mesmo,
com letra minúscula.
Sejam bem-vindos novos tripulantes e até
a próxima semana, se os meios de comunicação
assim me permitirem...
subir
|
Caro
Lula
Daniel
Rech
Permita-me a intimidade,
afinal acompanho sua trajetória há
muito tempo e sempre o tive como exemplo a ser
seguido.
Era um sábado,
presidente, quando peguei minha moto, minha namorada,
minha bandeirinha vermelha com uma estrela amarela
no centro e fui para o comício da vitória
em Porto Alegre, o último antes da eleição.
No dia eu tinha apenas 1 capacete, então
fui multado, mas tudo bem, valia o esforço
para pagar a multa em teu nome, em nome de um
partido de 10 anos de lutas e que agora finalmente
iria chegar à presidência do Brasil.
Eu acreditava muito
na mudança, no fim da corrupção
e desigualdade social, em um país melhor,
apesar do apoio de Sarney e de muitos outros ícones
do regresso brasileiro à sua candidatura.
Eu acreditava que eles estavam sendo usados apenas
para garantir votos e depois não chegariam
perto do governo (como é idiota esse Sarney).
Você ganhou,
peguei minha moto e minha namorada mais uma vez
(dessa vez com 2 capacetes) e saí pra rua
pra comemorar, encontrei um amigo que, com muita
felicidade, me falou: - Não é todo
dia que se muda um país.
No começo
de seu governo, algo me pareceu estranho, não
parece com que eu sempre sonhei, alguma coisa
estava diferente, mas tudo bem, acho que não
fui enganado, de acordo com José Dirceu,
o começo deve ser assim para depois virem
as reais mudanças sociais e políticas.
Passa um pouco mais
de tempo e leio no Correio do Povo, na coluna
de Armando Burd que Sarney tem mais poder agora
do que na época em que foi presidente e
que o PMDB, o mesmo que foi a base do governo
FHC, é a principal base do seu governo.
Comecei a me preocupar.
Logo depois descobri que você deixou o poder
e o dinheiro subirem à cabeça, coisa
que eu esperava de qualquer um, menos de um cara
que lutou como você, um ex-operário,
ex-sindicalista e agora um ex-humilde. Depois
de ficar rodando num Ômega australiano,
fumando (escondido) cigarrilhas holandesas, tendo
licitado roupões de algodão egípcio,
você decidiu comprar um avião, R$160
milhões gastos em um avião, que
não é da Embraer, que não
gerou emprego algum aqui no Brasil. Tem muita
gente rica, rica de verdade, que não usa
algodão egípcio, Lula, ao invés
disso doam muito dinheiro para instituições
filantrópicas. Esse dinheiro é nosso,
presidente, é meu também e não
quero que seja gasto dessa forma.
Agora sim, não há mais dúvida,
eu fui enganado, apunhalado pelas costas, tudo
foi uma grande farsa, você não é
aquele cara de 1989 derrotado pelo Collor e pela
Rede Globo, só pode ser um sósia,
é a única explicação.
Escrevo esta carta pra lhe pedir de volta, já
que você está com dinheiro sobrando,
o dinheiro que gastei na multa que levei no seu
comício (R$120,00), o dinheiro da passagem
de Porto Alegre até São Marcos que
gastei só pra fazer questão de dizer
que votei em você (R$20,00), a “contribuição”
para filiação no partido fundado
por você (R$4,00), o dinheiro que gastei
com um broche do PT pra fazer campanha pra ti
(R$2,00) e vou deixar de lado o tempo que gastei,
os danos morais e o processo que eu deveria abrir
contra você por estelionato eleitoral.
Você deve desculpas a seus eleitores e a
muitos companheiros seus, pessoas que lutaram
ao teu lado, pessoas com um ideal, pessoas com
caráter e ética, o que eles pensam
disso tudo? Junto com seu nome, você está
jogando no lixo diversos outros, está jogando
fora a história de um partido lutador,
está jogando fora, principalmente, a única
coisa que restava ao povo do Brasil, a esperança.
Se me perguntarem se eu votarei em você
na próxima eleição, Lula,
a resposta é bastante simples: - Não,
vou votar na esquerda.
Daniel
Rech
Engenheiro Civil
Av. Osvaldo Aranha 232 – Ap.44
Porto Alegre - RS
subir
|
Conto
Max Sachetti
Pulou da cama cedo
naquela manhã, não que tivesse dormido
muito, passara a noite toda acordado, sonhando
de olhos abertos. Sonhando com a oportunidade
de emprego que finalmente se abria a sua frente,
seria esta a sua chance de sair da situação
periclitante que se encontrava, a solução
para os problemas mais básicos e urgentes.
Levantou-se e tornou a sentar na cama, gosta de
lembrar dos devaneios que fizeram companhia a
ele durante a noite. Tudo o que planejara, as
coisas que faria com o seu primeiro salário.
Com certeza teria mais prazeres, conheceria mais
pessoas, quem sabe até arrumasse uma namorada,
quem sabe.
Era cinco e meia da manhã, quando olhou
para o relógio quase teve uma síncope,
já estava se atrasando e nem fora admitido.
Ainda tinha que tomar banho, pegar trem, metrô,
andar mais um bocado, tinha que chegar a empresa
as oito, sua entrevistava seria as oito e meia,
queria chegar mais cedo, demonstrar pontualidade,
interesse e vontade.
Correu para o banheiro, escovou os dentes, urinou,
despiu-se, tomou banho, vestiu sua melhor roupa
(um tanto usada já), perfumou-se com a
colônia de barba que nunca tinha usado,
fora presente de uma ex, achava frescura demasiada,
mas no momento era a única coisa que lhe
havia sobrado, teria que servir, não tinha
escolha. Olhou para o relógio, seis e três,
pensou que havia sido uma grande idéia
barbear-se antes de dormir, ou melhor, deitar.
Lembrou de conferir a carteira ao sair, tudo em
ordem, a grana da passagem e mais um pouco para
o café, que teria que ficar deixar para
depois da entrevista. Ao passar pelo portão,
olhando de soslaio, viu que seu gato estava voltando
para casa, riu-se dele e pensou que a vida de
gato era boa, dormia o dia todo e a noite saía
para caçar as gatas da vizinhança,
quando amanhecia voltava para casa dormir enquanto
o dia acordava. Vida boa do matuto, que aparecera
em casa dia desses e nunca mais se fora, era o
seu companheiro nas tristezas de sua enorme solidão.
Muito mais do que a mãe, que após
a perda do marido não saía mais
da igreja, nunca quis saber de outro homem, nem
a aliança ela tirara, passado treze anos
e a vida dela era a igreja e os pastéis
que vendia para completar a renda e ter o mínimo
de conforto, se é que se pode dizer assim.
Sorte a deles que recebiam a pensão do
estado, afinal seu pai havia trabalhado como funcionário
público e falecera antes de se aposentar,
morrera cedo, aos quarenta e três, tempo
suficiente para deixar uma esposa apaixonada e
um filho que o conhecera pouco, mas sorte a deles
terem a pensão.
Saiu então para a estação
que por sorte ficava há seis quadras da
sua casa, não precisaria tomar um ônibus,
economizando um pouco seus trocados. Andava rápido
como sempre, o calor incomodava e como não
queria transpirar demais para não deixar
sua camisa em sopa resolveu maneirar na caminhada.
No caminho, tirando a padaria do portuga, nada
mais estava aberto, ainda não era hora
do comércio quês estava fechado,
com exceção do buteco “D’ouro”,
onde já se via os dois bebuns da região
tomando o seu “drink” matinal, pensava,
quase em voz alta ao passar em frente ao buteco,
que devia ser a única maneira de curar-lhes
a tremedeira e que aquilo era uma vida indigna
demais, abominava este vício, convivera
com o pai que por diversas vezes chegara bêbado
em casa, por sorte não era violento, ao
contrário, chorava muito depois de ouvir
a mãe passar-lhe o sermão, ela sempre
dizia as mesmas coisas, que aquilo não
era vida e o exemplo que dava ao filho não
era bom. Achava até a cena um pouco estranha,
sua mãe, uma mulher pequena de cabelos
pretos escorridos dando broncas em um homem tão
grande, que não dizia nada, apenas coloca
suas mãos na face branca e chorava, ficando
vermelho e dando um contraste engraçado
com seus cabelos loiros. Ele sabia que o aquela
mulher lhe dizia era verdade, por isso calava-se
e chorava, morreu um pouco depois. Cirrose dissera
a mãe, na época ele não entendera,
mas hoje sabe bem e fica longe das bebidas, quando
muito uma cervejinha, que a falta de dinheiro
lhe impedia de tomar com os amigos nos fins de
semana nas festas do bairro.
Chegando na quadra da estação percebeu
que não era o único com pressa,
centenas de pessoas, em todas as suas formas;
gordas, magras, altas, baixas, uma variedade grande
da espécie humana, espécie essa
que se encaminha para sua própria extinção,
lembrando do que tinha lido em uma dessas revistas
sobre o mundo e as descobertas dos cientistas,
ainda bem que previam isso para daqui muito tempo,
assim podia continuar a sua vida tranqüilo.
Dentro do trem pensava em sua vida, até
agora esperava que algo grande acontecesse, quem
sabe não seria este emprego o primeiro
passa para começar a construir um futuro
bom? Quem sabe, ele sentia que sim, era sua chance.
Estava de certa forma desesperado, tinha que conseguir,
não havia muitas chances, ele agora tinha
uma, precisava mesmo do emprego, para levar sua
vida em frente. Para poder sair com os amigos,
namorar, um dia quem sabe até casar, se
encontrasse alguém e se o sentimento fosse
mútuo, quem sabe? Quem sabe?
Já no metrô não prestava mais
atenção a nada, só sonhava,
sabia que se conseguisse o emprego o mundo mudaria
para ele e com certeza ele também mudaria
para o mundo, o salário era baixo, mas
era inicial, a empresa é grande, ele era
inteligente, haveria de se promover, quem sabe
um dia ser encarregado, até mesmo chefe
de algo, já se via dando ordens e as pessoas
reconheceriam seu valor e sua inteligência,
iriam obedecê-lo com certeza, nascera para
aquilo, só não conseguira ainda
por azar, mas agora a sorte lhe sorria, sabia
que iria conseguir.
Seguia sonhando, tanto que quase passara do seu
ponto de desembarque, saindo da estação
vasculhou o bolso em busca do mapa que havia feito
no dia anterior com a ajuda de taxista que sempre
estava no ponto próximo a sua casa. Não
conhecia aquela região, então fora
em busca de um guia de ruas. Não sabia
como usar o tal guia, fez-se necessária
a ajuda do taxista, que simpaticamente o ajudara
a traçar o mapa, isso o fazia ter mais
certeza da sua sorte, pois, o taxista poderia
estar de mal-humor, poderia não telo ajudado,
mas ajudou sim e com muita boa vontade. Ficara
ainda mais sonhador, a sorte finalmente lhe sorria.
Achado e analisado o mapa, encaminhou-se para
a empresa que não era nada longe, apenas
oito quadras, consultando o relógio viu
que ainda estava em tempo, não precisaria
correr, ainda era sete e vinte e sete. Oito quadras
em trinta e três minutos, seria moleza.
Segui andando.
Em frente a estação havia alguns
prédios bonitos, uma bela lanchonete com
ar de limpeza radiante, carros novos pela rua,
gente razoavelmente bem vestida, estranhara aquilo,
pois, até mesmo o taxista dissera que aquele
era um bairro pobre e feio.
Agora, já há quatro quadras da estação,
conseguia perceber a verdadeira realidade daquele
bairro, era como aquelas cidades de filmes antigos
de faroeste, como se aqueles prédios fossem
apenas uma armação de madeira sem
recheio, e que cairiam e mostrariam a verdadeira
realidade do lugar, tamanha era a discrepância
entre a vista frontal e a vista interna do lugar,
ruas esburacadas, esgoto a céu aberto,
barracos que lembravam a torre de pisa tamanha
era a inclinação, como se a próxima
brisa mais forte fosse derruba-los, mas nada o
abatia, afinal ele tinha uma entrevista, uma chance.
Como se fechasse os olhos para toda aquela pobreza
continuou andando, se conhecesse Pollyana, diria
que fazia o jogo dela, mas não fazia idéia
de quem era a tal menina, que mais tarde fora
moça, nunca fora muito apegado a livros,
achava-os por demais tediosos, lia quando muito
uma revista, mas não perdia um só
movimento do seu time, dava um jeito de sempre
ler a página de esportes na barbearia próxima
a sua casa. Mas, não nos prendamos a detalhes
tão pequenos, agora ele já havia
ganhado o portão principal da empresa,
lá obtivera a informação
de onde tinha que se encaminhar.
Chegou a sala o sete e cinqüenta e nove,
uma mulher muito gorda e loira, de um loiro muito
artificial, já que conseguia ver as raízes
negras que desavergonhosamente se mostravam para
o mundo, a mulher gorda sorriu-lhe e mostrou os
dentes grandes e amarelados pelos cigarros que
fuma com constância doentia, encerrou o
sorriso tão rápido quanto o abrira
e perguntou se estava ali para a entrevista. Assentiu
com a cabeça, a mulher pediu para que se
sentasse e espera-se alguns minutos. Sentou-se
em uma cadeira desconfortável e viu a mulher
gorda pegar o telefone e discar uns dois ou três
números e depois de alguns segundos dizer
algo que aos seus ouvidos era ininteligível.
Desligando o telefone, ela olhou para ele e disse
que estava com sorte, pois, a pessoa responsável
chegara mais cedo e iria entrevista-lo agora mesmo.
Era só caminhar pelo corredor à
direita e bater na primeira porta a esquerda.
Levantou satisfeito e disse obrigado sorrindo,
mas por dentro vibrava, era sorte mesmo, ele sabia,
a sorte sorria-lhe.
Ao entrar na sala, avistou um homem baixo e um
tanto calvo, seu nariz destacava-se no rosto fino
de olhar esperto, pediu-lhe que se sentasse e
fez um longo discurso sobre a empresa, transmitindo-lhe
a importância e o tamanho da corporação
que já atingiu todos os países vizinhos,
há dois anos também fundara sedes
em alguns países estrategicamente escolhidos
em outros continentes, o homem baixo falava muito
e com muito entusiasmo, parecia realmente apaixonado
pela empresa e seu tom de voz dava-lhe a impressão
de magnitude, como se por acaso ele não
trabalhasse naquela empresa a mesma não
teria alcançado o mesmo sucesso. Mas isso
não fazia com que de desdenhasse dele,
pelo contrário, alimentava ainda mais a
certeza de que iria ter muito sucesso e que se
abria um futuro brilhante bem a sua frente.
O homem baixo começou a falar sobre os
encargos da função disponível,
o que não era nada complicado, tarefas
simples, horário razoável, nada
o impedia de trabalhar na empresa. Então,
como um passe de mágica tudo aconteceu,
o homem baixo propôs-lhe um período
de três meses de experiência, garantindo
salário, transporte e alimentação
que seria feita no refeitório da empresa.
Tudo acertado, começaria no outro dia,
mas antes ele conheceria toda a empresa e o seu
local de trabalho. O homem baixo pediu que esperasse
na sala de entrada, um encarregado viria buscá-lo.
Saiu da sala radiante, impossível lhe era
esconder o contentamento, a sorte estava do seu
lado e desta vez viera para ficar, ele sabia,
ele sentia. Um novo mundo começava para
ele, as portas finalmente se abriam, estava feliz
pelo futuro brilhante, que sabia, ele iria ter,
merecia isso e estava dando os primeiros passos
nessa direção.
O encarregado era um homem alto, muito magro,
de cabelos cor de fogo e olhos muito azuis, de
um azul que parecia saltar da retina, foi logo
lhe dizendo para segui-lo e mandou colocar o capacete
extra que trazia em sua mão esquerda. Colocado
o capacete, encaminharam ao setor da empresa onde
ficavam as máquinas, depois de explicar-lhe
duas vezes quais seriam os seus encargos, o encarregado
foi mostrar o resto da empresa. Não tinha
o mesmo entusiasmo do homem baixo, confidenciou
que o importante era cumprir bem as tarefas exigidas,
a empresa sabia reconhecer os bons funcionários
e por esse aspecto em particular, era um ótimo
negócio trabalhar, ouvia isso enquanto
conhecia o resto da empresa, o refeitório
– pena não ser hora do almoçou,
pensou – e o escritório, o qual não
entrou, apenas foi-lhe apontado e explicado que
entraria ali uma vez por mês, fora isso
só para ser despedido ou promovido, dizendo-lhe
isso, o encarregado fez menção de
que era tudo por hora e que podia ir para casa,
e volta-se no dia seguinte para iniciar no trabalho.
Sorte, pensava ele e foi andando pelas quadras
a caminho da estação, afinal estava
empregado, iria correndo contar a sua mãe,
lhe diria, só parar agrada-la que se não
fosse por ela rezar tanto por ele jamais teria
conseguido, sim senhor, faria isso, estava feliz,
iria poder comparecer as festas com os amigos,
até arranjaria uma namorada e que esse
mundão, enfim sorria para ele.
Chegando em frente à estação
resolveu parar na lanchonete que transpirava ares
de limpeza, resolveu então que faria uma
extravagância, de acordo com o que sua carteira
permitia. Abriu a carteira, contou os trocado,
pediu um bom lanche e um chope, ainda teria dinheiro
para voltar para casa, o necessário para
o dia seguinte pediria a mãe, pois, agora
teria salário e poderia pagar este empréstimo
assim que recebesse. Devorou o lanche com calma,
saboreou o chope como se fosse um vinho francês,
como vira em um desses filmes da tv. Pagou o lanche
e pediu dois chicletes de troco ao homem do caixa.
Ao sair em direção ao metrô
lembrou-se que tinha todas as razões do
mundo para estar feliz, e que nada por hora o
deixaria triste, nada mais o levaria de volta
a depressão que sofria sem saber e por
achar que nada o abateria foi atravessando a rua
sem olhar e não viu o caminhão que
acelerava para atravessar o cruzamento antes que
o semáforo fechasse, o motorista também
não o viu, preocupado que estava em olhar
o semáforo, não queria ser multado.
Mas ouviu bem o barulho da batida.
Ao cair, não entendia o que estava acontecendo,
era como se flutuasse no nada, e nada houvesse
a sua volta. Por um instante chegou a pensar que
estava meditando, igual fazem os tais orientais
de cabelo engraçado que vira em uma revista
da barbearia, ficou ali, caído sem saber,
estava longe, longe do corpo, flutuando em um
espaço que não existia. De repente
sentiu uma pancada no peito e tudo fez sentido,
viu então homens com olhares suspeitos,
um certo tom de preocupação em seus
semblantes, suas vozes rápidas e enérgicas.
Viu que um deles dirigia a ele as duas mãos
na altura do peito, então sentiu outra
pancada e o sentido fez ainda mais sentido, agora
compreendia tudo. Já tinha visto aquilo
em um filme da tv, ele estava morrendo. Mas não
podia morrer, e não iria, ele estava com
sorte demais para morrer, não ia permitir
isso, ele tinha sorte, sabia, o mundo estava se
abrindo para ele. Mais uma pancada, agora ele
conseguia entender o que as vozes diziam, ele
estava voltando, sabia desde o começo que
iria viver, a sorte esta lhe sorrindo. Começou
a pensar em sua mãe, ela tinha criado um
filho forte, que iria escapar dessa para poder
lhe dizer sobre o emprego, para faze-la um pouco
mais feliz. Foi quando ouviu um dos homens dizer
ao que estava do lado, que o rapaz tivera muito
azar.
A menção do azar fê-lo refletir
sobre tudo que acontecera, sobre como a sorte
lhe fora cruel, e se escapasse com vida a empresa
poderia não esperar por sua recuperação,
perderia o emprego sonhado, então lembrou
do seu gato, quem faria companhia a ele? Como
se alimentaria naquela casa? A mãe provavelmente
não lembraria do gato. Que azar tivera
o pobre coitado e que azar o dele próprio,
ia perder seu companheiro. E ao admitir pela primeira
vez que aquilo era muito azar, tudo se escureceu.
A mãe aceitara, relativamente bem, a perda
do filho. Acreditava em Deus e acatava suas decisões,
sofrera muito e entendia da sua maneira a solidão
que agora mais do que nunca seria sua companheira.
Quem não entendeu foi o gato, ficara de
repente, sem o carinho de todas as tardes nos
seus horários de sono, tanto que não
entendeu, mudou de casa em busca de um novo chamego.
subir
|
Simples
Goyuchos (1)
Adalberto Queioz
Do Paranaíba ao Guaíba
No início
era a pradaria e um tropel de cavalos. A tropa
e os tropeiros só
marcharam ao mesmo lado mais tarde. O brasil meridional,
marcado pelo fenômeno generoso do pampa
gaúcho nasceu assim com a mágica
do campo e a figura do campeiro. O gaúcho.
Depois, vieram as guerras e com elas, marcada
a ferro e fogo, a presença de brasileiros
com direito a um nome: gaúchos.
O Brasil central,
no início, era a estepe. E da estepe brotaram
o ouro, a
esmeralda e o homem do campo. Com o fim das minas
e dos aluviões, vieram os campos e a noção
de distância (Goyaz é muito longe...).
A lua e a dolência do que sonha à
distância do reino marcaram corações
em brasa para brasileiros de um nome que a poeira
do tempo quer apagar: goyanos.
Se as duas porções
do Brasil fazem parte da sua geografia interior,
você
provavelmente será um leitor dessas croniquetas.
Há os rios que nos
acompanham em nossos pesares e sonhos. Há
os livros, as canções e as
tradições que nos encantam e nos
divertem, em nossa busca por marcar a nossa permanência
no mundo
Haverá lugar
para as preces e as rezas, as ladainhas e as festas,
as danças e os folguedos. À promessa
ao amigo Reinehr que anima o Simplicíssimo,
sob a égide de nossa proximidade no espaço
virtual, começo respondendo motivado pela
distância geográfica, com esta primeira
crônica que ressalta a dimensão mais
importante desses dois braseiros (brasis) que
batem ao lado esquerdo do meu peito - somos movidos
pela distância.
O cronista Alceu
de Amoroso Lima saudando um de meus poetas prediletos
- o gaúcho Augusto Meyer, lembrava que
a correspondência intensa entre os dois
escribas, minguara quando Meyer rompeu a ponte
Guanabara-Guaíba, estabelecendo-se no Rio.
E lamenta que essas cartas "nunca mais se
renovaram!"
"A distância,
dizia La Rochefoucauld, é como o vento,
que apaga as velas e ateia os incêndios.
O amargo moralista aplicava a imagem apenas ao
amor. Podemos também levá-la aos
domínios da amizade."
Os fados, dizia Amoroso:
com a proximidade desceram também sobre
eles "a cortina do silêncio que a proximidade,
por vezes, engrossa mais do que as distâncias...".
A distância
nesse caso é o obstáculo geográfico
entre os dois brasis, que uns poucos superaram
na década de 70, como eu, quando me mudei
para Porto Alegre e como muitos que vêm
se mudando para a dita "última fronteira
agrícola", chegando a Goyaz nos tardios
80 e que continuam fazendo até hoje.
Em Goyaz, grafado
assim pela nostalgia, as nações
indígenas e os negros dos quilombos plantaram
um Brasil Central totalmente diferente do quadrilátero
em que se erigiu Brasília.
Os que vieram em busca de um El-Dorado nunca de
todo realizado não saíram de mãos
vazias nem sua generosidade foi esquecida no canto
dos poetas do passado que se somam ao canto dos
atuais. Goiás é um pedaço
do Brasil que guarda na Cidade de Goiás
(antiga Vila Boa) e em Pirenópolis o melhor
de nossas tradições.
E se puder aproximar
os Simplicíssimos leitores dos dois gentílicos
surgidos com o correr do homem no pampa e a sua
presença no cerrado, nos grotões
do sertão ou na distância dos banhados
pampeiros - eu terei logrado criar um novo verbete
que já está na boca dos meninos
que freqüentam os CTG´s em pleno cerrado
e dos moços que se educam nas universidades
e nos cursos de extensão de Porto Alegre:
repetiriam comigo: somos "goyuchos".
Da goyana terra,
transcreverei poemas e canções como
esta que fecha a
primeira crônica, sempre procurando cruzar
o vau, juntar os dois veios d´água
viva que encantam nossa gente, retratar a beleza
que escorre nos seres e nos rios generosos de
Goyaz - Araguaia afora, e do Rio Grande como o
Guaíba. (AQ).
Goyaz (*)
Terra moça
e cheirosa
(...)
Nome bonito - Goyaz!
Que prazer experimento
sempre que o leio
nos vagões em movimento,
com aquele Y no meio!
O fordinho e o chevrolet,
rasgando campos, furando matas,
vão, a trancos e barrancos,
rumo às cidades pacatas
que brotaram no sertão.
(...)
Nas pautas musicais
do arame dos mangueiros,
que gênio irá compor
os motivos dos currais,
os desafios brejeiros
e as cantilenas de amor?
Goyaz! recendente
jardim,
feito para a volúpia dos sentidos!
Quem vive neste ambiente,
sorvendo o perfume de seiva
que erra no ar;
quem nasceu numa terra assim,
porque não há de cantar?
(*) Fonte: "Ontem",
de Leo Lynce (1928), transcrito por G.M.Teles
in A Poesia em Goiás, Ed. UFGo, 2.ed.,
1983. p.299/300.
subir
|
Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia
De
Fim de Mundo, Novela e Carnaval.
Não sou dado a tais tipos de elucubração
de ordem mais sociológica [mentira, de
vez em quando me pego fazendo considerações
absurdas sobre todo o mal do mundo, suas conseqüências,
origens, ramificações, etc], nem
pertenço a nenhum grupo religioso fundamentalista
que ainda consiga se escandalizar com –
oh, meu Deus! – o mundo nos dias de hoje.
Mas a verdade é que, ultimamente, aqui
no serviço, andamos em uma brincadeira
sobre o fim do mundo. Para falar a verdade, nem
era disto que eu ia falar, mas eu já chego
lá: tem um matemático que diz que
descobriu o código contido na bíblia,
que explica todos os grandes eventos dos dias
atuais e vindouros e blá, blá, blá,
até andou publicando dois livros –
best sellers, é claro – chamados
“O Código da Bíblia”.
Não, não li. Dei aquela pesquisada
de curioso na Internet, folheei o exemplar de
um amigo e descobri, pelas especulações
do autor, que O MUNDO VAI ACABAR EM 2006!! É,
em caps lock! Coisa de louco, né? Pois,
então, aproveite o que tem para aproveitar,
que mais dois aninhos e babau! Aquela coisa: uma
grande bola de fogo, ou então uma grande
guerra entre TODOS [é, eu disse TODOS],
os países do mundo, ou coisa tão
grandiosa que o valha, é o que vai acabar
dizimando nosso planeta e matando todos estes
viventes por aqui até o Passo Fundo e adelante
e adelante...
Mas, como eu havia dito, não era sobre
isso que queria falar. A conversa, então,
é sobre novela. Ah, futilidade, e tal.
O lance é que, infelizmente, na atualidade
não se pode falar de cultura contemporânea
sem falar a respeito das telenovelas. Que estão
mais do que profundamente arraigadas no gosto
do público é fato notório.
Que vez ou outra surgem estudos mais ou menos
aprofundados a respeito de sua natureza, suas
conseqüências, influência sobre
todos os outros tipos de manifestações
culturais e sobre a sociedade como um todo, também
é fato conhecido. Bem sei, na faculdade
de comunicação social o que tenho
visto de teses e monografias sobre o assunto.
Faz-se análises sobre pontos de vista inacreditáveis,
abordagens profundamente originais e cujas proporções
dificilmente passariam pela cabeça de um
cidadão mediano.
E o que levou a mim a tais considerações?
Bem sabemos que longe está o dia em que
nas telenovelas alguma coisa de original se produziu.
Há tempos, as tramas folhetinescas têm
se alternado com os mesmos e repetitivos princípios
narrativos inalteráveis. Mudam os nomes
[embora, na emissora “grande mãe”,
os atores sejam quase sempre os mesmo, com o cuidado
de alternar um ou outro recém chegado da
malhação...], a sinopse procura
enveredar para uma originalíssima história,
mas, descontadas as devidas e distantes exceções,
tudo continua na mesma: temos, invariavelmente,
um casal apaixonado lutando de todas as maneiras
para ficar juntos, atrapalhados em seu intento
por um terceiro que nutre uma paixão obsessiva
por um dos protagonistas, ou então por
um pai ou mãe totalmente contrária
à realização suprema do amor
desta dupla. Quase sempre as classes sociais são
grosseiramente divididas entre os ricos, ricos
mesmos e os pobres [embora os pobres quase nunca
sejam pobres o bastante para não ter instalado
telefones em suas casas para qualquer eventualidade
dramática], num embate que acaba por ocupar
a trama com seus intentos que acabam refletindo
sempre o princípio básico do bem
[pobres] contra o mal [ricos].
Descontada tal introdução, o que
realmente tem ocupado meus pensamentos e das pessoas
com quem tenho conversado, é referente
a mais atual das novelas, “Celebridade”,
do horário “das oito” da Rede
Globo. Distante de formarmos um grupo de malditos
moralistas, o que se tem mostrado na novela tem
sido alvo de algumas discussões pelo tipo
de reflexo obtido na vida real. Mais especificamente,
centrando-nos na personagem “Darlene”,
da atriz Deborah Secco, ainda que não unicamente
nela, é visível em demasia, e tem
sido utilizada como exemplo, principalmente pelas
meninas que acompanham a novela, o comportamento
completamente devasso e pernicioso da personagem.
Darlene é uma personagem, que, para obtenção
de seus objetivos, em uma obsessão que
chega às raias do risível, tal é
a arbitrariedade de tal vontade, não mede
esforços e nem hesita em transar e em se
relacionar sordidamente com qualquer homem, para
conquistar “a fama”. Esta última,
sempre dita com esta subjetividade pela personagem,
não é reflexo de algum sucesso que
poderá conquistar pela demonstração
de algum atributo seu - artístico, bem
dito - , além da beleza da própria
figura. Darlene é a manicura de um bairro
pobre do Rio de Janeiro, sem qualquer propensão
artística, nem à cada vez mais permeável
carreira da “interpretação”,
que almeja desesperadamente, chegar ao sucesso,
representado por ter uma capa na revista “Fama”.
Como se manterá no sucesso é questão
que não considera. No entanto, o que faz
para alcançar seus objetivos é alarmante.
A facilidade com que troca de parceiros e faz
acordos escusos para a conquista de seus intentos
vai ao longe de qualquer exemplo que se queira
passar para uma filha da mesma idade. Não,
ao não pertenço à Tradição,
Família e Propriedade, mas quando me dou
conta de que suas atitudes – tanto na maneira
de se vestir, quanto referente à suas gírias
e trejeitos – vêm sendo copiados à
grande pelas meninas em idade de identificação,
é que me dou conta do disparate disto tudo.
A mesma superficialidade que aplica para seus
relacionamentos, é sem dúvida, o
exemplo seguido pelas garotinhas que, mais do
copiar seus saiotes curtos de jeans e suas meias
coloridas, têm encontrado identificação
na permissividade de seus casos. O reflexo das
suas atitudes é visível quando se
passeia por um festival como o “Planeta
Atlântida”, por exemplo, e são
ainda mais nestes tempos de Carnaval. A ordem
do “ficar com quantos mais se puder”,
é a motivação do momento,
e o poder de influência de uma novela com
tal audiência é medido nos hábitos
da população em geral.
A Rede Globo engendrou um interessante jogo de
relatividade nesta novela. Como? Ora, no momento
em que a própria novela toma para si a
missão de “mostrar” a indústria
das celebridades, da busca de sucesso desmedido
a qualquer preço, não está
fazendo mais do que antecipar-se a um assunto
que era objeto de estudo não de uma indústria
do entretenimento, mas de pesquisas sociológicas
e quetais. Tomar para si mesma a possibilidade
de cair em cima de um fato que é notório
que é produzida pela própria, que
é todo o mundo superficial e de vaidade
desmedida que cerca a produção de
celebridades, é tornar o assunto esgotado
e enfadonho para análises mais aprofundadas.
Ou seja, é tornar tal fato desgastante,
algo corriqueiro, minimizá-lo para a esfera
do cotidiano, para que passe [ainda mais] a não
ser visto com a peculiaridade devida, mas como
mais uma obra ficcional devidamente produzida
e regurgitada pela gigante do entretenimento televisivo
no Brasil, e uma das maiores do mundo.
A Rede Globo adapta seu próprio discurso
como se produzido por outrem. Ou seja: ela cria
um fato [que é a indústria das celebridades,
realmente], joga-o na esfera do domínio
público, como se por ela não fosse
produzido, e o pega novamente, para elaborar uma
obra ficcional, como se fosse a análise
de um fato produzido por outrem. O que acontece
é que ela se insurge de um duplo poder
- primeiro ao produzir um fato e depois ao devolvê-lo
duas vezes de maneira diferente: de forma não-ficcional,
e, agora, de forma ficcional, como se fosse a
análise fria de um acontecimento, de um
evento, de uma banalidade não gerada por
ela própria! Deus, isto é enlouquecedor!
Na realidade, na sua esperteza, a Rede Globo está
produzindo um “fato” e lucrando em
cima dele de todas as maneiras. Tanto que confunde,
de certa maneira, ficção com realidade,
ao colocar em circulação –
ainda que por tempo limitado – a revista
existente no mundo da ficção “Fama”,
como um produto táctil, ao alcance do “mundo
real”. Neste jogo de dualidades, confunde
espectador, e, de maneira sociológica,
praticamente iguala as relações,
como se o que valesse, comportamentalmente na
ficção, também se fizesse
valer na realidade. Desta maneira, não
se censuram e – melhor para a emissora,
com seus licenciamentos – mas sim se copiam,
comportamentos e modismos. Tudo vira uma grande
festa, um grande bacanal a embalar os cofres da
emissora e a tornar ainda mais tênue os
limites do aceitável. Quando tudo passa
a ser tolerável, não se questiona
que os atores confundam-se com seus personagens,
de tal maneira que romances protagonizados na
novela têm continuidade na vida real. Um
belo jogo estratégico, muito bem planejado
e até então, bem aceito por aqueles
que continuam contribuindo para que este jogo
se fortaleça ainda mais para os financeiramente
beneficiados.
Ah, já ia me esquecendo... Sobre Carnaval?
Bom Carnaval a todos e ziriguidum-tele-teco.
subir
|
en
passant
Eduardo Hostyn Sabbi
Til
e CIA
Uma amiga já tinha lhe dado a letra, mas
ela não fez daquilo uma aposta. Não
era do seu caractere sair por aí enlouquecida
pelo que os outros diziam. É certo que
quando enlouquecia era difícil conter seu
ímpeto, mas isso só acontecia vez
que outra, em presença de tinta rara. Costumava
criticar o sedutor apelo da G, sempre gabando-se
pelo ponto que era só seu, mas também
não poupava a Z quando se repetia em sua
enfadonha sonolência. Na verdade tinha se
tornado uma crítica e tanto, ao que todos
apontavam como o principal motivo de sua solidão.
Que fosse, melhor assim do que ficar sempre abanando
o rabo como a Cê Cedilha, que nunca se acertou
nem com ela, nem com o I. Eles não gostavam
mesmo de rabo. Dizem que sempre chamavam o U quando
a charmosa Q aparecia com seu penduricalho. Mas
isso não nos interessa muito agora, já
que vou lhes falar da aparição de
Til.
Poderia ter sido
qualquer um, poderia não ter sido ninguém.
Mas o alfabeto não lhe deu escolha. Tudo
foi acontecendo sem que se desse conta, sem saber
ao certo que acontecia, mas era fato e, inegável
com tal, acontecia. Era viva e perspicaz a ponto
de saber que algo lhe faltava, que havia perdido
sua tônica e há muito não
se sentia bem nos encontros casuais tanto com
as principais (as da voga) quanto com as consoantes.
Mas Til apareceu do nada, como sempre acontece
em contos como esse e suponho não precise
eu ficar me delongando nessa parte. E apaixonou-se
por Til mesmo antes de ver sua bem torneada silhueta.
As mesmas que eram o centro da inveja do Circunflexo
e muitos Parênteses já tinham aberto.
Aliás, a esposa do Parêntese já
estava de saco cheio, pois sempre tinha que aparecer
para fechá-lo. Mas só ela podia
fazê-lo, pois o completava como ninguém.
Claro que não eram os únicos. As
Aspas que o digam, pois andavam costumeiramente
juntas do início ao fim. Ah sim, as curvas
de Til. Balançaram-na por completo, encheram-na
de motivação. A cada dia, não
via a hora de ao menos falar com ele. Sentia-se
com mais brilho, tinha outra harmonia. Todos perceberam
que ela soava diferente, independente da tinta
ou do papel. As paixões fazem isso com
todo mundo ou quase todo mundo, acredite. Aliás,
não sei se peço para vocês
acreditarem na regra ou na exceção.
Pois todo mundo nesse mundinho segue ora uma,
ora outra.
Til?
Til não estava nem aí. Surgia com
seu charme, dava o ar da graça, mas logo
ia fazer outra cabeça. Páreo duro
ele, nem queiram saber. Não que ela não
tenha insistido ou feito o possível para
mantê-lo sobre si. É que Til insistia
em respostas vagas. Nisso ele era bem diferente
do Agudo e do preciso Pingo no I. Por vezes sentia-se
tão maltratada, como se ele a estivesse
pisoteando. E foi assim que aos poucos as aparições
de Til foram tomando tom fanhoso, cansativamente
fanhoso diga-se de passagem. E como teve até
quem zombasse de sua história apaixonada,
resolveu guardá-la para si, até
que não fosse possível agüentar
as pontas. Até que esse dia chegou. Convenceu-se
de que Til não lhe servia e lamentavelmente
concluiu o que todos o fazem, quando o fazem.
Til era igual a toda a sua CIA, igual a todos
os outros acentos, fossem eles virados para cá
ou para lá, retos ou curvos. E então
foi uma pena. Que mais posso contar para vocês?
Deu-se assim mesmo, sem final feliz. Não
posso fazer nada. Terminou como se nunca tivesse
começado, como se não fora real.
Ficou ali, perdido num site, como um texto qualquer,
assim, com todas as suas letras.
subir
|
Diálogos
da noite de PoA
Pedro Schestatsky
- MATARAM O PC! DIZEM QUE FOI QUEIMA DE ARQUIVO!
- NOSSA! MAS E AÍ, ELE TAVA AFINAL COM
UNS ARQUIVO EM CASA?
- PARECE QUE SIM. QUEIMARAM TUDO!
- PUTZ, VAI TER QUE FAZER TUDO DE NOVO...
_____________________________________________________
-
Aí foi o seguinte véio: fiquei com
ela direto, sem rateada. Fiz de tudo
com a mina e não deu outra. Levei para
a minha casa. Aí só vendo. Precisava
ver a minha performance. Domínio, cara,
domínio. Isto é tudo na hora da
transa. Virei ela de tudo quanto é jeito.
Demoramo umas três horas, ela era
insaciável. Sussurava no meu ouvido que
era o melhor sexo que ela já tinha
tido. E o papai aqui não decepcionava e
mandava vê, com maestria e domínio.
Domínio é fun-da-men-tal.
Silêncio... O outro, mais modesto:
- Tô beijando tri bem.
_____________________________________________________
- Dizem que o espirro
é 1/12 do orgasmo!
- Duvido
- Ah tu duvidas? Isto é porque tu nunca...
- Nunca o quê? Hein?
- Espirrou!
subir
|
I-Racional
Pedro
Volkmann
(M.)S.O.R.T.E.
“Os números complexos sempre existiram
ou foram criados pela mente do homem moderno?”
Jean Piaget – tradução livre
Felicidade é um filme que passa em nossa
vida de vez em quando. Mas no filme do cinema,
um dos esquetes é sobre dois casais e um
caminhão que quase cai na cabeça
deles numa ponte. Esta história ilustra
o indeterminismo, mas tem um final feliz. O mais
estranho é que poderia não ter dado
certo e ter causado um acidente que mudaria para
sempre as vidas deles. Dois ou mais fenômenos
determinados, corretos, correlatos ou não,
entrelaçados sincronicamente causam um
acidente. Bilhões de Trilhões de
fenômenos determinados (etc, etc) e outros
tantos indeterminados entrelaçados sincronicamente
causam a vida. Seria nossa vida puro acidente?
Ou um mero incidente? Nossa vida depende da existência
do tempo?
De outro lado, tem um filme que chama Óleo
de Lourenço que mostra a situação
de um menino com uma doença terminal e
que todo mundo tem pena, mas não luta para
resolver seu problema. É a história
de um casal que luta, luta e salva a vida dos
filhos dos outros. E, depois, tem um livro que
é nossa própria história
que chama “A Roda da Vida”, que fala
sobre a frieza no tratamento com necessitados.
Qual é o lado verdadeiro da moeda? Lutar
ou morrer? De que lado está a (m)sorte?
(Deus está do lado de quem vai vencer...)
Está certo que morremos em cada escolha,
cada sim e não. Mas não adianta,
o que move o mundo é o amor. Porém,
não fique me achando romântico demais,
porque não é disto que estou falando
de amor de verdade, que luta e que bate. É
intenso bastante para lutar por comida e sereno
o bastante para saber perdoar. Porém a
maldita necessidade de se manter posição,
o ego ruim de que me fala meu amigo Renato Abuchaim,
que faz com que “assim caminha a humanidade,
com passos de formiga e sem vontade”. Pois
é, mas a sorte está ai para determinar
as coisas, quem fica e quem vai, quem ganha e
quem perde. Quem ama e quem desama. Um dia você
não fica com a garota porque está
cansado, no outro seu carro quebra e vem um gaiato
e se apodera. E você casa com a Gisele Bünchen...
Como saber o que está certo e o que está
errado, pois em determinados níveis de
percepção isto não mais existe?
Aliás, como diz o ditado: tudo vai acabar
bem, se não está bem é porque
não acabou ainda. Benditos finais, malditos
começos. Celebre a vida, celebre a morte.
Vivemos numa luta inglória, com poucos
momentos de equilíbrio, na corda bamba
da vida.
Na nossa vida, o acaso não é por
acaso, mas não acredito em determinismo,
pois somos donos de nosso livre arbítrio.
A felicidade está sempre a nossa espreita,
logo ali, a uma esquina de distância, em
qualquer dimensão ou tempo.
Então viva feliz, afinal de contas, você
já parou para pensar quantas vezes você
se deparou com ela?
subir
|
Dupliartigo:
Entre o Carnaval e os carnavais*
Márcio Salgues
No carnaval a vida
muda. O país muda. As pessoas mudam. Tantos
pudores cotidianos são esquecidos. Os desejos
mais íntimos afloram à pele nos
carnavais das ruas e dos bailes. Não há
Josés, Marias, Franciscos, nem outras pessoas
que sejam. Há, sim, foliões lançados
ao transe coletivo, à catarse coletiva
dos desejos oprimidos no dia-a-dia em nome de
uma suposta vida normal. Não há
a necessidade de dissimulação para
consigo mesmo. Os foliões se entregam aos
folguedos e à libertinagem.
O carnaval é
a festa que melhor representa a cultura brasileira
em todos os seus aspectos. Num misto de tradições
populares e antigas tradições pagãs.
É a união de inúmeros personagens
míticos e folclóricos: Baco, Momo,
Pierrôs, Colombinas, Baianas das enormes
saias que rodopiam nos desfiles, corpos lânguidos
que saracoteiam pelas ruas exalando sensualidade,
luxúria e o cheiro do cio que enche a atmosfera
libertando os pudores; os carros que fazem suas
alegorias à temas diversos, o gigante Galo
da Madrugada... O mundo pára. A vida pára.
Durante quatro dias,
ninguém mais se preocupa com as oscilações
do mercado, com a cotação do dólar,
com os baixos salários, com os escândalos
de todos os dias, com a corrupção,
com a pobreza, a miséria, a fome... Tudo
é festa. Festeja-se a própria insensatez.
Todos se entregam à ilusão temporária
a que chamam alegria, até que chegue a
quinta-feira e todos retomem suas velhas e rotineiras
vidas.
Carnaval é
a festa de todos. Não há distinção
de classes. Não há luta de classes.
Ainda que as diferenças se façam
perceber na magnitude dos bailes nababescos e
dos camarotes VIP dos endinheirados, celebridades
descartáveis e candidatos à celebridade
descartáveis; onde os “colunistas
sociais” se esfalfam nos regalos e bajulações.
Título curioso, aliás, para uma
categoria que não se vê no meio do
povão, nas arquibancadas dos desfiles das
escolas de samba, nas ruas, onde os corpos suados
pululam ao som dos trios-elétricos, dos
blocos de rua, das orquestras de frevo, Caboclinhos,
Maracatus, Bois-Bumbás e todas as manifestações
populares pelo Brasil adentro, onde está
o verdadeiro carnaval.
Os carnavais dos
versos de Nelson Ferreira, Chiquinha Gonzaga,
Braguinha, Edgard Moraes e tantos outros grandes
nomes da nossa cultura se perdem aos poucos, salvo
iniciativas de grupos isolados... Saudosismo dos
blocos líricos e antigos carnavais? Não
sei... Não vivi esses tempos. Apenas conheço
as canções dos carnavais poéticos...
EVOCAÇÃO
Nº 1
(Nelson Ferreira, 1956)
"Felinto, Pedro
Salgado, Guilherme, Fenelon
Cadê teus blocos famosos
Bloco das Flores, Andaluzas, Pirilampos, Apôs-Fum
Dos carnavais saudosos
Na alta madrugada
O coro entoava
Do bloco a marcha-regresso
E era o sucesso dos tempos ideais
Do velho Raul Moraes
Adeus, adeus minha gente
Que já cantamos bastante
E Recife adormecia
Ficava a sonhar
Ao som da triste melodia..."
... Apenas sinto
a estranha sensação de que a nossa
cultura aos poucos vai sendo canibalizada. A poesia,
o lirismo, as tradições folclóricas
vão sumindo. Os carnavais da grande massa
popular aos poucos vão se tornando em imensas
feiras livres, cujo único objetivo é
a venda de pretensas musiquinhas irritantes, abadás
e cervejas de todas as marcas. E que, como fonte
de lucro abundante, se prolifera nos chamados
“carnavais fora de época”,
onde se despejam, como que num grande buraco negro,
todas as mazelas que açoitam nossa sociedade.
Esconde-se o lixo debaixo do tapete.
E assim, embriagados
nos delírios desses dias de folia, a vida
segue seu rumo. Despercebida e com poucos ideais
e ambições. A sociedade vai sendo
ludibriada e a cultura histórica se transforma
numa cultura descartável, como tudo mais
na sociedade moderna. Assim fazemos a distinção
entre o carnaval do engodo e da ignorância
e o carnaval da cultura e da diversidade histórica
que precisa ser massificado.
E esse carnaval verdadeiro, enquanto houver iniciativas
por parte daqueles que cultuam as nossas tradições,
será sempre a maior manifestação
cultural e popular brasileira.
*
publicado originalmente no site Duplipensar em
20/02/2004

subir
|
Ombudsman
Eduardo Hostyn Sabbi
Bom prezados leitores, aqui estou eu a preencher
este espaço de forma interina (e quase
inteirinha também) devido às circunstâncias
que desconheço (e portanto vocês
também vão ficar na curiosidade).
Pois não é
que a edição sessenta e três
(coisa de ombudsman) começou com um editorial
ao mesmo tempo poético e bombástico?
Maiores explicações do Sr. Rafael
vieram nos comentários e ... puta que pariu,
que ódio da Pátria Amada Brasil!
Depois Nora Borges
esbanjou seu talento descritivo. “São
tantas as histórias dentro das histórias!”,
dela própria, resume tudo. Daniela Castilho
me fez prender a respiração para
saber logo o final da estória que, ao contrário
de Marcel, encurtou a distância.
E claro que não
seria a Cristiane Martins que me faria inaugurar
a sessão porrada desse precário
ombudsman. Gosto muito do jeito dela escrever.
Bastante realístico e profundo, tal qual
o nome de sua coluna.
Seria o gato do Alessandro
Garcia o mesmo que fudeu com a dissertação
do César Schirmer dos Santos? Vou sugerir
uma enquete ou a presença do magnânimo
Holmes, que também nos ajudaria a saber
porque o romance da dona Ataíde nunca será
lançado, pois deveria.
Caramba, o texto
do Rafael com seus bem bolados projetos sociais
me lembrou que estou em dívida para começar
a escrever aquele livro com ele. E o Maurício
Pigmeu que nunca mais saiu em companhia da gatíssima
da sua irmã? Acho que assustamos ele, ela
ou ambos. E em clima mutante como em “Tudo
foi feito pelo sol”, o digníssimo
Rafael Reinehr encerra a brilhante coluna Escrever
por Escrever. Sim caro amigo, é da vida.
Tá Pedro S.
(é um sobrenome difícil), lembrar
do neguinho sambista e colorado Sabará,
tem seus méritos. A moça deve estar
envergonhada mesmo, quem, no lugar dela, não
ficaria? Já o Pedro V (só por uma
questão de justiça), segue cada
vez mais I-racional. Falei pra ele que não
precisava ficar dando explicações
no final de louvável poema. Haja paciência!
Bem feito, vai levar um puxão de orelha
em público!
Nada contra a Valesca
(aliás, vodka é Valesca –
que faz o marketing hein?) e seu texto bastante
interessante, mas fui lá no site Duplipensar
e não vi um artigo do Simplicíssimo.
Talvez eu tenha entendido errado a parceria ...
E chegou a hora mais
esperada: vou falar (mal) do ombudsman (não
eu obviamente e agora vocês entendem porque
o “quase inteirinha” lá de
cima) – ninguém mandou se referir
ao meu artigo com tal desprezo. Só não
falo mais em respeito à irmãzinha.
Mas ocorreu-me que é um tanto chato ler
o chato do Ombudsman com comentários sobre
os textos da edição passada ou re-passada
ou re-re-re-passada, tendo que estar se lembrando
ou voltando ao texto para saber do que se está
falando. Acho que a figura do Ombudsman é
extremamente salutar ao site, mas eu, pessoalmente,
preferiria que ele deixasse seus comentários
no espaço reservado para tal após
cada texto. Quem sabe até se poderia criar
um email ombudsman@simplicissimo.com.br para que
ele pudesse se identificar como o legítimo
ombudsman do site (outro bom tema para uma enquete).
E,
para finalizar, acho que o resultado do Desafio
Simplex sempre deveria mostrar as respostas que
não venceram, como feito na edição
62. Fica mais transparente e estimula a participação
dos leitores, que também poderão
discordar, por que não, do resultado. Vive
la démocratie!!!
subir
|
Desafio
Simplex
O vencedor
do Desafio Simplex da semana foi Eduardo
Dutra Fagundes Macedo, de Porto Alegre-RS,
que respondeu o paradoxo sobre a existência
de Deus da seguinte forma:
1 - Como
ateu, não teria como confrontar
essa idéia.
2 - Como ex-católico, sei que
há três tipos de Deus:
Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito
Santo.
Utilizando a Teoria da Relatividade,
de Albert Einstein, sabe-se que dependemos
de um referencial para formular uma
tese. Deus Pai criou uma pedra que Deus
não pudesse carregar (provavelmente
o Espírito Santo, já que
ele é uma pomba... e Deus Filho
carregou o mundo inteiro nas costas,
portanto deve carregar essa pedra).
Portanto, devemos ter em mente que Deus
é capaz de carregar essa pedra
(adotando o referencial do Deus Pai
ou do Deus Filho), ao mesmo tempo que
Deus (Espírito Santo) não
pudesse carregá-la.
3 - O tio da minha namorada é
Divino - como alguns conhecem Deus.
Enfim, Deus Pai, onipotente, criou diversas
pedras que Divino não pudesse
carregar. Como a das pedreiras do morro
Santana.
Parabéns Eduardo!!!
Vejam só outras respostas criativas:
“Deus
também é onipresente.
Uma pedra que Ele não possa carregar
teria que ter o tamanho do universo.
Como dois corpos não ocupam o
mesmo lugar no espaço e a pedra
ocupa todo o espaço existente,
não haveria lugar p/ Deus.
Conclusões:
1-Como Deus não estariam em nenhum
lugar ele não poderia carregar
a pedra.
2-Deus não é onipotente
e nem onipresente”
(Diego Altieri, Sapucaia do Sul –
RS)
“Eu
fui visitar o meu amigo pé de
alface, e aproveitando a falta de assunto
com ele, mostrei pra ele a contradição
do Simplicíssimo.
Ele (que é cristão) repetiu
o que o Padre Aéerico falou:
\"A onipotência é
contraditória, desde que não
ligada à onisciência. Por
isso, em sua sabedoria, Deus nunca procuraria
criar uma pedra tão pesada que
ele próprio não pudesse
levantar, pois, além disso criar
um loop lógico, ele não
teria nem onde colocar tamanho monólito
nesse universo sem prejudicar toda a
harmonia tão apreciada pelos
nossos astrônomos.\"”
(Henrique Macedo, Porto Alegre –
RS)
Um
novo Desafio (e mais um CD!) espera
por você!
...
continuem participando e divulgando
o Desafio Simplex!
O
próximo desafio já
está aí ...
|
www.simplicissimo.com.br
Copyright © 2003 - Rafael Luiz Reinehr - Todos os direitos
reservados. Sinta-se à vontade para reproduzir os
textos do site, mas não esqueça de citar a
fonte e o autor.
|
|
Desafio Simplex!
Clique
aqui para saber mais!!! |
Pegue
o banner
do Simplicíssimo
e divulgue em seu
sítio ou blógue!

Línque
para
http://www.simplicissimo.com.br
e depois nos avise!

Selo comemorativo
alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente
criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
|
|