28/03/2004
- Edição número
68
Caosmose, autopoiese
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Editorial
Edição
de número 68. Maio de 68. Estudantes se
rebelam contra a sociedade instituída,
contra o que a esquizoanálise chama de
"Capitalismo Mundial Intergado".
Edição
sui generis: de nossos 6 colunistas fixos, 3 não
enviaram textos e nõ responderam aos apelos
deste editor. Espero que não tenham passado
desta para melhor. Aguardamos contato!
Edição
do questionamento: porquê apesar do bomnúero
de acessos diários não são
deixados comentários nos textos dos autores,
grande parte das vezes textos palpitantes, sensíveis,
polêmicos, inteligentes e bem escritos?
Edição
do retorno, da lavagem de roupa suja: volto a
assumir a capitania desta barca, tentando reorganizar
aspectos deficientes. Tivemos até texto
repetido publicado em uma edição
anterior!
Edição
da redenção: assim como em A Paixão
de Cristo, tentaremos ressurgir para redimir os
pecados (?) nossos e de nossos leitores. Atinem-se,
digníssimos Simplileitores!
Edição
do Rafael, do Eduardo, do Alessandro, do Pedro
e do Leonardo.
Edição
do leitor.
Edição
para repensar e reformular.
Rafael
Luiz Reinehr
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en
passant
Eduardo Hostyn Sabbi
Sonho
(t)meu
_ O que está
fazendo acordada mulher, vai dormir
_ Mas ... mas ... eu estou dormindo!
_ Poxa, eu devia ter desconfiado. Só assim
mesmo para eu fazer parte dos teus sonhos
_ Então vai logo saindo que amanhã
acordo cedo.
_ E que tal um beijinho?
_ Nah, nah, nah, nem vem que não tem.
_ Por que não? É sonho mesmo ...
_ Sem essa. Daí vai virar pesadelo. Eu
sonho o meu sonho e você o seu.
_ E quem disse que esse sonho não é
o meu?
_ Você mesmo admitiu logo na sua segunda
fala. Olha ali em cima.
_ Mudei de idéia, os sonhos permitem isso.
Agora estou achando que o sonho é meu.
_ Pois está achando errado, vá sonhar
acordado! Esse sonho é meu!
_ Quem garante? Está vendo alguma marca
registrada por aqui?
_ Não, mas ... escuta aqui ó, eu
tava quieta no meu canto, você que veio
me incomodar.
_ Raciocina um pouco, é uma questão
de ponto de vista
_ Hmmmm não sei não, isso está
ficando confuso. Hei! O que estou fazendo com
esse cabelo claro?
_ Sonho é sonho, tudo pode acontecer. Vem
aqui me dar um beijinho ...
_ Deus me livre, nunca te vi na vida. Quero dizer
... na vida acordada ... assim de dia .... você
sabe.
_ Então, tá aí a chance de
conhecer um cara legal. Vai perder essa oportunidade?
_ Cara de onde você saiu? De um livro do
Shinyashiki? Passa, passa ...
_ Ah. Não faz assim amorzinho ...
_ Amorzinho? Olha aqui a gente sequer se conhece
e ... quem é esse menino?
_ Como assim, quem é esse menino? É
o nosso filho, acabo de colocá-lo no sonho.
_ Mas não temos filho! Não somos
casados, nem namorados, nem sequer nos conhecemos,
nem ... nem nada!
_ Talvez no teu sonho não, mas no meu sim.
_ Isso está passando dos limites.
_ ... viu só? Você está magoando
o menino. Olha a carinha dele! Que mãe
você é!
_ Ah tadinho. Não quis fazer isso ... Espera
aí, que sorriso é esse no seu rosto!
Não acredito, você está usando
a criança para que eu caia no seu jogo!
_ Eu? Imagina ...
_ Canalha! Você vai ver, quero a separação!
_ Você não pode pedir a separação.
_ Como não? Você mesmo disse que
no sonho tudo é possível, pois quero
minha separação!
_ Mas nem sequer tem um bom motivo para isso!
_ Ah é, é?
_ O que está fazendo? Tira a mão
do meu bolso ... o que é isso?
_ Aháaaaa, agora eu tenho um bom motivo.
Uma carta de amor de uma vadia qualquer!
_ Não sei do que você está
falando!
_ Todos dizem isso nessa hora, quero a separação!
_ Pois eu não quero.
_ Então vai ser litigiosa. Esse é
o meu advogado.
_ De onde saiu esse cara?
_ Do meu sonho, ora bolas. Pode assinar aí
os papéis.
_ Nem pensar, ele que fale aqui com o meu advogado.
_ Puxa, você conseguiu um com mais cara
de falcatrua que o meu!
_ Era o que tinha, assim, na emergência,
chamei o primeiro que veio na cabeça. Não
tava a fim de pensar muito tempo.
_ Ah, isso é verdade. Mas e o que eles
tanto conversam?
_ Sei lá, não entendo nada, parece
até uma outra língua.
_ Até que enfim uma coisa real nesse sonho.
_ Peraí, eles estão voltando.
_ Devem ter encontrado uma solução,
parecem bem felizes.
(...)
_ O quê, tudo isso? É um absurdo!
Não tenho essa grana toda!
_ Nem eu, que assalto!
_ Não fala assim, eles estão ficando
brabos ...
_ É mesmo melhor acordarmos antes que sejamos
processados ...
_ Tens razão querida.
_ Ai, ai, ai, não começa.
_ Ok, desculpa. Vamos acordar então.
_ Certo, tenha um bom dia.
_ Você também. Aliás, quem
sabe me dá o seu telefone, te ligo quando
a gente acordar e ...
_ Argggghhhhh! Pára com isso e vai dormir,
quero dizer vai acordar!
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Instruções
Para dar Corda no Relógio
Alessandro Garcia
O
tão falado Complexo
Em 1960, o autor
de O Complexo de Portnoy levantou uma questão
que, na época, não parecia tão
pertinente, mas hoje é fundamental. Quais
as chances de a ficção poder continuar
competindo com as histórias da vida real?
Philip Roth continua: "Está aqui:
o escritor norte-americano da metade do século
20 dá um duro danado para tentar entender,
depois descrever e, em seguida, tornar crível
boa parte da realidade americana".
Segundo Roth "A
realidade bestifica, enoja, enfurece e acaba sendo
uma espécie de constrangimento à
parca imaginação do autor; nossos
talentos são superados pela atualidade
e a cultura produz quase todo o dia dados de fazer
inveja a qualquer romancista".
Comecei a investigar
a obra de Philip Roth depois de assistir Revelações,
que é baseado no seu livro A Marca Humana.
O filme, aliás, não é uma
grande realização - tenho, no entanto,
que ler o livro para ser ainda mais contumaz nas
minhas críticas. Mas a verdade é
que a obra de Roth é uma beleza. Comecei
com o seu primeiro, Goodbye, Columbus [e ainda
o estou lendo, na realidade, falta um conto; mas,
não me agüentando de curiosidade,
comecei a ler, simultaneamente o tão falado
Complexo de Portnoy. Sobre o primeiro, descobri,
também, que já teve o conto que
dá título ao livro, transformado
em filme, de 1969]. O autor gira grandemente em
cima da condição do judaísmo,
tanto nos contos do seu primeiro livro, quanto
no seu romance. Complexo de Portnoy é corrosivo,
com seu personagem, Alexander Portnoy, em debates
freqüentes sobre sua herança materna
profundamente rígida e tradicional.
É notório
como grande parte dos clássicos da literatura
norte-americana são calcados na figura
do personagem único, homem, contestatório
e em crise ou em revolta pela sua própria
condição. Seja ela familiar, nacional,
racial, entre outros pontos que costumam ser o
mote principal destes livros. É possível
se dar conta claramente de tal constatação
com livros muito conhecidos como O Apanhador no
Campo de Centeio e seu Holden Caufield desiludido
com a condição humana de uma maneira
geral, um crítico do cinismo e hipocrisia
dos homens. Mais tarde, também encontrei
tais características, ainda que em quantidade
bem menor, e de uma maneira mais saudavelmente
tratada no Arturo Bandini de John Fante do Pergunte
ao Pó. Isto vai ocorrer muito mais claramente,
no entanto, em Espere a Primavera, Bandini, em
que o então adolescente Arturo irrompe
em desgosto pela condição ítalo-americana
pulsante que o diferencia de seus colegas na escola
e o torna pretendente ainda menos desejado por
meninas como a Rosa.
Voltamos a tal temática
claramente em Complexo de Portnoy. Mais do que
um personagem que escandalizou críticos
à época de seu lançamento,
a despeito de seu comportamento devasso e sexulamente
perverso [seu personagem, quase enlouquecido,
narra ensandecidamente a trajetória de
sua vida, que passou por sessões diárias
e praticamente intermináveis e seqüenciais
de masturbação, na sua infância/adolescência],
o Alexander Portnoy de Philip Roth é um
sujeito em ódio constante por sua condição
de judeu. Mas, da mesma maneira que Fante, Roth
é extremamente astuto em tratar tais ataques
com uma leveza tal e com um humor gigantesco,
que é impossível querer considerar
qualquer tipo de rompante de Portnoy contra sua
própria raça como ataques indiretos
de Roth, ele próprio um judeu. No seu primeiro
livro, Goodbye, Columbus, já é possível
observar tal mergulho nas características
judaicas de maneira igualmente veemente. Longe
da mordacidade de Portnoy, no entanto, os personagens
dos diversos e longos contos deste livro são
figuras que acabam tendo seu destino traçado
- em suas próprias ações
ou como vítimas de reações
de outrem - por sua condição judaica.
Muitas vezes com um sentimento de inferioridade,
uma contestação como a que Portnoy
faz a todo momento, achando que os judeus se colocam
como vítimas eternas por seu passado.
Costurando ataques
que, se seriamente fossem tratados, resultariam
em violentas críticas à séria
de normas, preceitos, festas, princípios
e características judaicas, Philip Roth
consegue um personagem que se digladia com seu
nariz "tipicamente judeu" e sua cabeleira
"afro-judaica", entre outros pontos
pessoais que o personagem usa contra si mesmo.
Na sua fase adulta, já longe das longas
sessões masturbatórias em que -
com Roth destilando a sua própria mordaz
perversidade - utilizava, por exemplo, o sutiã
ou a calcinha de sua irmã para alcançar
longas golfadas de esperma ao teto, o que move
então o personagem é a busca da
"pomba" de qualquer shikse que se ofereça
para o sexo. Shikse é como chama as mulheres
goy - uma não-judia. Sua predileção
sexual se direciona principalmente para elas.
Mesmo contestando a condição dos
goyim de cristãos, na sua fé por
um Jesus que ele considera patético ("toda
a sua religião é em cima de um judeu")
e mortifica nos quadros afetados nas casas que
freqüenta, ele parece tentado a, segundo
suas próprias palavras, "seduzir uma
garota de cada um dos quarenta e oito Estados"
americanos, tal é a profusão de
parceiras em sua vida, e a facilidade com que
se livra delas. Não conseguindo se fixar
de maneira emocional com nenhuma, usa-as em diversidade
de acordo com suas peculiaridades sexuais. E é
com a descrição de algumas destas
peculiaridades que podemos entender as críticas
que o autor teve com então lançamento
deste livro, em 1967. Enquanto em algumas encontra
a que sabe chupar, nas outras, é o tamanho
dos seios que lhe seduz; a bunda avantajada de
outra pode ser também o detalhe que o fará
se separar da devassa que topa de tudo.
É com uma
temática que - à primeira vista
(e lógico, sob a interpretação
de um leitor por demais ingênuo e primário...)
- poderia remeter unicamente para as aventuras
sexuais de um judeu fascinado pelas shikses diversas,
que elege quase como deusas do sexo, (talvez pela
impureza delas de goy, já que, por mais
contestador de sua própria condição
judaica que seja, fica óbvia uma admiração
por sua tradição. Da sua maneira,
possuindo-as sexualmente, e com elas fazendo -
e, quando não, lamentando - as mais perversas
práticas sexuais, é como se apropriasse-se
delas, de sua condição que inveja.
Uma galhofa do autor, lógico.), que Roth
conseguiu, de maneira magistral, praticamente
um tratado definitivo das aflições
que, volta e meia, reúnem em piadas de
judeus tais características, se insurgem
na vida de alguém nascido em uma família
judaica. Seja através do desespero do personagem
pelo extremo zelo de seus pais, principalmente
de sua mãe, que volta e meia o coloca em
situações constrangedoras, ou a
pretensa superioridade que deles emanam, a criticar
a todo momento qualquer não-judeu que se
aproxime de suas relações. Tudo
isto contado com um cinismo, uma perversão
e uma inteligência aguda pelo narrador -
externamente um fútil bem empregado a perder-se
nas devassidões sexuais, mas que, sem grande
esforço, revela o atordoado Portnoy em
contínuas sessões de análise
- é a um psicólogo ou analista que
conta sua trajetória desde a infância
- a tentar entender sua própria condição
e os motivos pelos quais se sente quase um desgraçado
a penetrar no mundo e peculiaridades goyische.
Alexander Portnoy é corrosivo, cáustico,
perverso. Não a toa a característica
dos seus "distúrbios":
[Complexo de Portnoy.
[De Alexander Portnoy (1933- )]. Distúrbio
em que fortes impulsos éticos e altruístas
se apresentam em perpétua luta com extremados
anseios sexuais, frequentemente de natureza perversa.
Segundo Spielvogel, "são abundantes
os atos de exibicionismo, voyeurismo, fetichismo,
auto-erotismo e coito oral; em consequência
da 'moralidade' do paciente, entretanto, nem a
fantasia nem o ato resultam em genuína
satisfação sexual, mas antes em
avassaladores sentimentos de culpa e temor de
punição, especialmente sob a forma
de castração'. (Spielvogel, O. "O
pênis perplexo", Internationale Zeitschrift
Für Psychoanalyse, vol. XXIV, p. 909.) Acredita
Spielvogel que muitos dos sintomas podem remontar
aos vínculos adquiridos na relação
materno-filial.]
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I-Racional
Pedro
Volkmann
Dilemas
Adoro Rush, isto mesmo a banda canadense que esteve
recentemente no Estádio Olímpico.
A segunda estrofe de uma música deles chamada
“Xanadu” é:
I had heard the whispered
tales
Of immortality
The deepest mystery
From an ancient book. I took a clue
I scaled the frozen mountain tops
Of eastern lands unknown
Time and Man alone
Searching for the lost --- Xanadu
A música tem
um clima muito próximo de cumes gelados
de montanhas, é uma primazia. Porém
o que me chama a atenção nesta música
é seu tema que é perseguido e ambicionado
pelo homem, acredito, desde que este tem conhecimento
de seu trágico destino inexorável.
Seguindo mais adiante a letra fala Kubla Khan.
Que será isto? Tentei verificar no oráculo
do novo milênio, o Google e nada (se alguém
souber do que se trata por favor me avise).
Do nada, de uma disciplina que estou fazendo,
me é exigida a leitura de Jorge Luis Borges,
Ficções e me dou de cara com Uqbar.
Onde estão escondidos estes significados?
O que na verdade se quer dizer com “terras
do leste desconhecidas”? O que nos leva
a este fascinante mundo das lendas e de acreditar
que nossos antepassados têm a resposta para
tudo?
O que nos leva a buscar a imortalidade, já
que a morte faz parte da vida? (dentro daquela
ótica que para haver luz é necessário
haver sombra).
A nossa racionalidade nos leva a crer que podemos
suplantar a tudo, até a nós mesmos
ou nossa existência. Mesmo filtrada, ela
parte do raciocínio de que somos super
homens, niilistas e mais outras definições
de alguns filósofos, modernos ou não.
Escolha o seu.
Já que disse niilista, também nos
leva a nada, nesta vida dual, cheia de altos e
baixos.
Buscamos o impossível, o possível
e o ridículo. Exigimos tudo de alguém,
quando este alguém não tem nada
para nos dar e não exigimos nada de quem
tem tudo.
Que tal ter ética com quem é ético?
Fazer poesia para quem é poético!
Racional com quem raciocina! Imagina?
Como diriam meus amigos castelhanos,
Nossos hermanos,
Cambiar de ruta, para não encontrar filhos
da...
Nossa vida é
um dilema, até da um poema.
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Deixa
a grana me levar
Leonardo Silvino
"A receptividade
das massas é muito limitada, sua inteligência
não vai muito longe, mas seu poder de esquecimento
é enorme. Em vitude destes fatos, toda
a propaganda efetiva deve se limitar a uns poucos
pontos essenciais. Slogans devem ser repetidos
até que o último integrante da última
parcela do público tenha absorvido a mensagem"
Adolf Hitler.
Zeca Pagodinho afirmava
que existia apenas uma marca de cerveja que não
bebia de jeito nenhum. Meses depois surpreende
a todos numa campanha de lançamento da
Nova Schin. Zeca pede para o país inteiro
repetir o refrão e experimentar a nova
cerveja numa campanha memorável que caiu
no gosto popular. Na semana passada, Zeca reaparece
em comercial da arqui-rival dizendo que experimentou
mas voltou para seu amor verdadeiro, a Brahma.
Quando soube que
o pacto de não-agressesão seria
interrompido e a propaganda anti-soviética
seria restaurada, Paul Joseph Goebbels, ministro
da propaganda do III Reich, ficou furioso. Inicialmente,
ele tivera o trabalho de conduzir a opinião
pública contra os russos, depois no pacto
de 1939 teve de fazer as massas esquecerem tudo
o que foi dito e incentivar a amizade com os irmãos
do oeste. Com a volta das hostilidades, Goebbels
deveria, novamente, voltar atrás sem que
a população percebesse quem eram
os inimigos de ontem ou de amanhã. Nazistas
e publicitários sabem que a massa só
quer ser feliz.
O poder de esquecimento
das pessoas foi muito bem retratado por George
Orwell em sua obra-prima. Na ficção
do livro 1984, os cidadãos do megabloco
da Ocenania (uma antevisão da Alca e o
Reino Unido dissidente da União Européia)
ora eram inimigos da Eurásia ora da Lestásia.
Quem era amigo e quem é inimigo, neste
nosso mundo que mais parece ficção,
também pouco importa desde que a população
sinta medo; a não ser que se acredite em
fascilósofos com seus delírios de
antimídia esquerdista publicados na grande
imprensa.
Tão vergonhoso
quanto o espaço dado aos fascilósofos
é ver "notícias" como
a demonstração do estoque de Brahma
na casa do cantor logo após o escândalo.
Quem são os acionistas e quem são
os maiores anunciantes?
Ainda fresca na memória
está a infame lista de Pelé. A desculpa
é parecida. Segundo o Rei, a lista foi
enviada pronta e tal. Não há desculpa
para vender livros da Fifa nos países que
atletas inexpressivos foram incluídos,
mesmo que isso custe a reputação.
Neste lugares, as edições do livro
vão ter um procura tal qual o filme caça-níquel
de Mel Gibson sobre a vida de Jesus.
Não vale a
pena citar se Cafu é melhor que Gérson
ou um jogador desconhecido é melhor que
Nílton Santos, mas a bizarra escolha de
Pelé em selecionar apenas um jogador da
seleção de 1970 e vários
da conquista do pentacampeonato. Não se
tende a valorizar as pessoas que conviveram com
você ou o dinheiro fala mais alto?
Num episódio
dos Simpsons sobre a onda de futebol nos EUA,
Pelé é ridicularizado como um mercenário.
Ele aparece para fazer um anúncio em campo,
carrega um saco de dinheiro e sai rindo de todos.
Eu gosto de levar vantagem em tudo, certo? Errado.
A Lei do Gérson (o mesmo da lista citada)
ficou conhecida num comercial de cigarro há
mais de 20 anos, mas ela existe muito antes do
descobrimento.
No final das contas,
quase todos sairão ganhando. Pelé
ficará ainda mais rico, as agências
aumentarão seu poderio, a Ambev continuará
líder no mercado e a Schincariol ganhará
a simpatia popular. A Nova Schin sairá
como a menina que era feia, ganhou auto-estima
e arranjou um namorado. Este a trocou pela menina
mais rica, deixando a vida o levar.
Antes deste escandâlo
a Ambev jogou as suas fichas nos comerciais da
Antarctica contra a Nova Schin. Provavelmente,
se esta guerra que só favorece as agências
de publicidade, não fosse feita, o efieto
de lançamento da Nova Schin estaria murchando.
A guerra das cervejas só aumentará
as veiculações de anúncios
e a sede do público por novos "assaltos"
onde quase os lutadores estão sóbrios.
E por falar nisso,
o que acontecerá com Zeca Pagodinho?
A sua gravadora é
a grande perdedora. A empresa investiu pesado
na carreira do pagodeiro com o intuito de acabar
com o estigma de música de suburbano. Ficará
muito difícil convencer a classe média
brasileira a comprar um disco de alguém
que trai contratos. O brasileiro médio
não gosta de vencedores. O brasileiro médio
gosta muito menos de pessoas sem palavra. Talvez
por aí explique porque muitos querem ir
para os EUA mas mais de 80% da população
é antiamericana.
Zeca tende a ir pelo
mesmo caminho do pagodeiro Belo. Claro que não
há comparações na qualidade
de ambos os artistas, mas dificilmente o herói
de Xerém não escutará nas
ruas que é um mercenário, vendido
e traíra. Enquanto a vida leva Zeca, os
publicitários levarão suas vidas
numa boa.
A reputação
de Zeca já mudou. Antes jornais e entrevistadores
o exibiam como um entendedor de cerveja, agora
a mesma mão ataca com piadas e insinuações
de que o classificam como um bêbado, malandro
e irresponsável.
Zeca se defende dizendo
que qualquer um faria o que ele faz. Será?
Tem pessoas que o dinheiro não compra,
para todas as outras existe o cartão de
crédito. Se todos no Brasil pensassem assim,
estariamos hoje com o IDH de países africanos.
O Brasil seria um grande Burundi ou Suazilânida.
Com todo o respeito a estes países, mas
com o potencial que o país tem, as qualidades
geográficas e culturais, resta-nos apenas
ter um pouco de dignidade.
Se alguém
não gosta de um produto ou não o
consome como pode deixar sua própria carreira
em risco sugerindo que as pessoas experimentem
o que nem você bebe. Zé Geraldo que
está zerado, ensina: "a falsa força
de um cartão de crédito ao invés
de um fio de bigode."
Quanto vale a sua
palavra? Quer pagar quanto?
E assim caminha a
brasilidade. Nosso presidente operário
continua em campanha. É muito provável
que Lula só lembre de assumir o governo
quando acabar. O Brasil votou no Duda mendonça
e não sabia, como diria a Xenïa Antunes.
E por falar em milhões, quantos metalugicos
aposentados você conhece que tem mais de
um milhão de reais declarados? Eu conheço
apenas um.
São
por "ídolos" e músicas
que enaltecem a apatia, glorificam a pobreza e
maltratam o nosso idioma como: "Deixa a vida
me levar, vida leva eu..." e "Eu só
quero é ser feliz. Andar tranqüilamente
na favela que nasci..." é que os netos
dos netos de seus netos irão afirmar: o
Brasil é o país do futuro.
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Ombudsman
Rafael Luiz Reinehr
Desta
vez, não tem mais jeito. Nossa ombudsman
novamente falhou sem justificativas e, infelizmente,
está deixando o Simplicíssimo. Hoje
assumo eu para tapar o furo e, quem sabe, na edição
de número 70 teremos um novo Ombudsman
a substituir a Letícia, intercalando a
tarefa de criticar a edição anterior
com o Maurício.
Falando
da edição 67: o Editorial fiquei
sem entender... Um monte antônimos ou expressões
sem nexo... Deve ter um sentido que ainda não
foi revelado...
O
texto Noção de Valores, de Marcos
Claudino, nos propõe uma pausa para repensarmos
sobre se aquilo que valorizamos realmente tem
o valor que se apresenta ou somente apresenta
o valor que lhe é dado pela grande massa
e pela mídia.
Em
Ainda sobre bigodes, Evelise faz um breve e engraçado
,porém quase insignificante comentário
sobre o bigode de meu amigo Eduardo, terminando
com uma descarada cantada...
Milton
Ribeiro, faz em sua coluna quinzenal uma reflexão
sobre a Revolta de Canudos e suas conseqüências.
É desesperadora a facilidade com que este
homem maneja as palavras.
Eduardo
brinca com suas tartarugas na sua coluna en passant.
O efieto ficou interessante, apesar da difícil
visualização das imagens.
Pedro
Volkamnn conseguiu tirar do lixo inspiração
para criar poema e filosofia em um só texto.
Sem críticas possíveis.
Max
Sachetti exalta sua dor de cotovelo em um poema
de dar dó mesmo ao mais insensível
bárbaro.
Meu
amigo Maurício, digníssimo Ombudsman
pecou. Pecou por concentrar sua crítica
somente na peixada do Eduardo. Mostra sua sensibilidade
para com os animaizinhos, refere-se ao atentado
de Madrid, mas certamente deixa todos outros colunistas
desconsolados com a flata de referência
aos seus textos.
Este
aqui mesmo que vos fala apercebe-se que não
foi adequado nesta tarefa (que não é
a sua) de criticar os textos previamente publicados,
pois a agúcia e tato para isso é
ferramenta da qual não disponho (pudera
eu desenvolvê-la!).
Vemo-nos
agora aqui neste espaço tão somente
novas catástrofes aconteçam a nossos
colunistas fixos ou ameaças extraterrenas
interfiram com a transmissão de informações
via internete.
Forte
e fraterno amplexo.
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Desafio
Simplex
Pergunta:
Parte dos mais recentes acontecimentos
científicos, há rumores
sobre a existência de um 10º
planeta. Queremos saber se você
acredita ou não, sendo que a
melhor teoria/hipótese sobre
o tema leva o prêmio.
Vencedor:
Daniel Rech, de Porto Alegre - RS, com
a resposta: "Os rumores se referem
a um 10° planeta no Sistema Solar
ou em todo o Universo? Se for o primeiro
caso, acredito que não, na verdade
eu não acredito que o homem tenha
chegado a lua, por que acreditaria no
10° planeta? Porém, em todo
o Universo acredito que existam muitos
planetas desconhecidos, o que é
bastante óbvio. PS: Não
tenho conhecimento do assunto, justamente
no melhor CD da história do Desafio.
Oh azar!!!"
...
obrigado a todos e continuem participando
e divulgando o Desafio Simplex!
O
próximo desafio já
está aí ...
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Copyright © 2003 - Rafael Luiz Reinehr - Todos os direitos
reservados. Sinta-se à vontade para reproduzir os
textos do site, mas não esqueça de citar a
fonte e o autor.
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Desafio Simplex!
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e divulgue em seu
sítio ou blógue!

Línque
para
http://www.simplicissimo.com.br
e depois nos avise!

Selo comemorativo
alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente
criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
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