Simplicíssimo
Jornal Virtual de periodicidade que ninguém mais sabe...


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Editorial

Edição de número 68. Maio de 68. Estudantes se rebelam contra a sociedade instituída, contra o que a esquizoanálise chama de "Capitalismo Mundial Intergado".

Edição sui generis: de nossos 6 colunistas fixos, 3 não enviaram textos e nõ responderam aos apelos deste editor. Espero que não tenham passado desta para melhor. Aguardamos contato!

Edição do questionamento: porquê apesar do bomnúero de acessos diários não são deixados comentários nos textos dos autores, grande parte das vezes textos palpitantes, sensíveis, polêmicos, inteligentes e bem escritos?

Edição do retorno, da lavagem de roupa suja: volto a assumir a capitania desta barca, tentando reorganizar aspectos deficientes. Tivemos até texto repetido publicado em uma edição anterior!

Edição da redenção: assim como em A Paixão de Cristo, tentaremos ressurgir para redimir os pecados (?) nossos e de nossos leitores. Atinem-se, digníssimos Simplileitores!

Edição do Rafael, do Eduardo, do Alessandro, do Pedro e do Leonardo.

Edição do leitor.

Edição para repensar e reformular.

Rafael Luiz Reinehr

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en passant
Eduardo Hostyn Sabbi

Sonho (t)meu

_ O que está fazendo acordada mulher, vai dormir
_ Mas ... mas ... eu estou dormindo!
_ Poxa, eu devia ter desconfiado. Só assim mesmo para eu fazer parte dos teus sonhos
_ Então vai logo saindo que amanhã acordo cedo.
_ E que tal um beijinho?
_ Nah, nah, nah, nem vem que não tem.
_ Por que não? É sonho mesmo ...
_ Sem essa. Daí vai virar pesadelo. Eu sonho o meu sonho e você o seu.
_ E quem disse que esse sonho não é o meu?
_ Você mesmo admitiu logo na sua segunda fala. Olha ali em cima.
_ Mudei de idéia, os sonhos permitem isso. Agora estou achando que o sonho é meu.
_ Pois está achando errado, vá sonhar acordado! Esse sonho é meu!
_ Quem garante? Está vendo alguma marca registrada por aqui?
_ Não, mas ... escuta aqui ó, eu tava quieta no meu canto, você que veio me incomodar.
_ Raciocina um pouco, é uma questão de ponto de vista
_ Hmmmm não sei não, isso está ficando confuso. Hei! O que estou fazendo com esse cabelo claro?
_ Sonho é sonho, tudo pode acontecer. Vem aqui me dar um beijinho ...
_ Deus me livre, nunca te vi na vida. Quero dizer ... na vida acordada ... assim de dia .... você sabe.
_ Então, tá aí a chance de conhecer um cara legal. Vai perder essa oportunidade?
_ Cara de onde você saiu? De um livro do Shinyashiki? Passa, passa ...
_ Ah. Não faz assim amorzinho ...
_ Amorzinho? Olha aqui a gente sequer se conhece e ... quem é esse menino?
_ Como assim, quem é esse menino? É o nosso filho, acabo de colocá-lo no sonho.
_ Mas não temos filho! Não somos casados, nem namorados, nem sequer nos conhecemos, nem ... nem nada!
_ Talvez no teu sonho não, mas no meu sim.
_ Isso está passando dos limites.
_ ... viu só? Você está magoando o menino. Olha a carinha dele! Que mãe você é!
_ Ah tadinho. Não quis fazer isso ... Espera aí, que sorriso é esse no seu rosto! Não acredito, você está usando a criança para que eu caia no seu jogo!
_ Eu? Imagina ...
_ Canalha! Você vai ver, quero a separação!
_ Você não pode pedir a separação.
_ Como não? Você mesmo disse que no sonho tudo é possível, pois quero minha separação!
_ Mas nem sequer tem um bom motivo para isso!
_ Ah é, é?
_ O que está fazendo? Tira a mão do meu bolso ... o que é isso?
_ Aháaaaa, agora eu tenho um bom motivo. Uma carta de amor de uma vadia qualquer!
_ Não sei do que você está falando!
_ Todos dizem isso nessa hora, quero a separação!
_ Pois eu não quero.
_ Então vai ser litigiosa. Esse é o meu advogado.
_ De onde saiu esse cara?
_ Do meu sonho, ora bolas. Pode assinar aí os papéis.
_ Nem pensar, ele que fale aqui com o meu advogado.
_ Puxa, você conseguiu um com mais cara de falcatrua que o meu!
_ Era o que tinha, assim, na emergência, chamei o primeiro que veio na cabeça. Não tava a fim de pensar muito tempo.
_ Ah, isso é verdade. Mas e o que eles tanto conversam?
_ Sei lá, não entendo nada, parece até uma outra língua.
_ Até que enfim uma coisa real nesse sonho.
_ Peraí, eles estão voltando.
_ Devem ter encontrado uma solução, parecem bem felizes.
(...)
_ O quê, tudo isso? É um absurdo! Não tenho essa grana toda!
_ Nem eu, que assalto!
_ Não fala assim, eles estão ficando brabos ...
_ É mesmo melhor acordarmos antes que sejamos processados ...
_ Tens razão querida.
_ Ai, ai, ai, não começa.
_ Ok, desculpa. Vamos acordar então.
_ Certo, tenha um bom dia.
_ Você também. Aliás, quem sabe me dá o seu telefone, te ligo quando a gente acordar e ...
_ Argggghhhhh! Pára com isso e vai dormir, quero dizer vai acordar!


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Instruções Para dar Corda no Relógio
Alessandro Garcia

O tão falado Complexo

Em 1960, o autor de O Complexo de Portnoy levantou uma questão que, na época, não parecia tão pertinente, mas hoje é fundamental. Quais as chances de a ficção poder continuar competindo com as histórias da vida real? Philip Roth continua: "Está aqui: o escritor norte-americano da metade do século 20 dá um duro danado para tentar entender, depois descrever e, em seguida, tornar crível boa parte da realidade americana".

Segundo Roth "A realidade bestifica, enoja, enfurece e acaba sendo uma espécie de constrangimento à parca imaginação do autor; nossos talentos são superados pela atualidade e a cultura produz quase todo o dia dados de fazer inveja a qualquer romancista".

Comecei a investigar a obra de Philip Roth depois de assistir Revelações, que é baseado no seu livro A Marca Humana. O filme, aliás, não é uma grande realização - tenho, no entanto, que ler o livro para ser ainda mais contumaz nas minhas críticas. Mas a verdade é que a obra de Roth é uma beleza. Comecei com o seu primeiro, Goodbye, Columbus [e ainda o estou lendo, na realidade, falta um conto; mas, não me agüentando de curiosidade, comecei a ler, simultaneamente o tão falado Complexo de Portnoy. Sobre o primeiro, descobri, também, que já teve o conto que dá título ao livro, transformado em filme, de 1969]. O autor gira grandemente em cima da condição do judaísmo, tanto nos contos do seu primeiro livro, quanto no seu romance. Complexo de Portnoy é corrosivo, com seu personagem, Alexander Portnoy, em debates freqüentes sobre sua herança materna profundamente rígida e tradicional.

É notório como grande parte dos clássicos da literatura norte-americana são calcados na figura do personagem único, homem, contestatório e em crise ou em revolta pela sua própria condição. Seja ela familiar, nacional, racial, entre outros pontos que costumam ser o mote principal destes livros. É possível se dar conta claramente de tal constatação com livros muito conhecidos como O Apanhador no Campo de Centeio e seu Holden Caufield desiludido com a condição humana de uma maneira geral, um crítico do cinismo e hipocrisia dos homens. Mais tarde, também encontrei tais características, ainda que em quantidade bem menor, e de uma maneira mais saudavelmente tratada no Arturo Bandini de John Fante do Pergunte ao Pó. Isto vai ocorrer muito mais claramente, no entanto, em Espere a Primavera, Bandini, em que o então adolescente Arturo irrompe em desgosto pela condição ítalo-americana pulsante que o diferencia de seus colegas na escola e o torna pretendente ainda menos desejado por meninas como a Rosa.

Voltamos a tal temática claramente em Complexo de Portnoy. Mais do que um personagem que escandalizou críticos à época de seu lançamento, a despeito de seu comportamento devasso e sexulamente perverso [seu personagem, quase enlouquecido, narra ensandecidamente a trajetória de sua vida, que passou por sessões diárias e praticamente intermináveis e seqüenciais de masturbação, na sua infância/adolescência], o Alexander Portnoy de Philip Roth é um sujeito em ódio constante por sua condição de judeu. Mas, da mesma maneira que Fante, Roth é extremamente astuto em tratar tais ataques com uma leveza tal e com um humor gigantesco, que é impossível querer considerar qualquer tipo de rompante de Portnoy contra sua própria raça como ataques indiretos de Roth, ele próprio um judeu. No seu primeiro livro, Goodbye, Columbus, já é possível observar tal mergulho nas características judaicas de maneira igualmente veemente. Longe da mordacidade de Portnoy, no entanto, os personagens dos diversos e longos contos deste livro são figuras que acabam tendo seu destino traçado - em suas próprias ações ou como vítimas de reações de outrem - por sua condição judaica. Muitas vezes com um sentimento de inferioridade, uma contestação como a que Portnoy faz a todo momento, achando que os judeus se colocam como vítimas eternas por seu passado.

Costurando ataques que, se seriamente fossem tratados, resultariam em violentas críticas à séria de normas, preceitos, festas, princípios e características judaicas, Philip Roth consegue um personagem que se digladia com seu nariz "tipicamente judeu" e sua cabeleira "afro-judaica", entre outros pontos pessoais que o personagem usa contra si mesmo. Na sua fase adulta, já longe das longas sessões masturbatórias em que - com Roth destilando a sua própria mordaz perversidade - utilizava, por exemplo, o sutiã ou a calcinha de sua irmã para alcançar longas golfadas de esperma ao teto, o que move então o personagem é a busca da "pomba" de qualquer shikse que se ofereça para o sexo. Shikse é como chama as mulheres goy - uma não-judia. Sua predileção sexual se direciona principalmente para elas. Mesmo contestando a condição dos goyim de cristãos, na sua fé por um Jesus que ele considera patético ("toda a sua religião é em cima de um judeu") e mortifica nos quadros afetados nas casas que freqüenta, ele parece tentado a, segundo suas próprias palavras, "seduzir uma garota de cada um dos quarenta e oito Estados" americanos, tal é a profusão de parceiras em sua vida, e a facilidade com que se livra delas. Não conseguindo se fixar de maneira emocional com nenhuma, usa-as em diversidade de acordo com suas peculiaridades sexuais. E é com a descrição de algumas destas peculiaridades que podemos entender as críticas que o autor teve com então lançamento deste livro, em 1967. Enquanto em algumas encontra a que sabe chupar, nas outras, é o tamanho dos seios que lhe seduz; a bunda avantajada de outra pode ser também o detalhe que o fará se separar da devassa que topa de tudo.

É com uma temática que - à primeira vista (e lógico, sob a interpretação de um leitor por demais ingênuo e primário...) - poderia remeter unicamente para as aventuras sexuais de um judeu fascinado pelas shikses diversas, que elege quase como deusas do sexo, (talvez pela impureza delas de goy, já que, por mais contestador de sua própria condição judaica que seja, fica óbvia uma admiração por sua tradição. Da sua maneira, possuindo-as sexualmente, e com elas fazendo - e, quando não, lamentando - as mais perversas práticas sexuais, é como se apropriasse-se delas, de sua condição que inveja. Uma galhofa do autor, lógico.), que Roth conseguiu, de maneira magistral, praticamente um tratado definitivo das aflições que, volta e meia, reúnem em piadas de judeus tais características, se insurgem na vida de alguém nascido em uma família judaica. Seja através do desespero do personagem pelo extremo zelo de seus pais, principalmente de sua mãe, que volta e meia o coloca em situações constrangedoras, ou a pretensa superioridade que deles emanam, a criticar a todo momento qualquer não-judeu que se aproxime de suas relações. Tudo isto contado com um cinismo, uma perversão e uma inteligência aguda pelo narrador - externamente um fútil bem empregado a perder-se nas devassidões sexuais, mas que, sem grande esforço, revela o atordoado Portnoy em contínuas sessões de análise - é a um psicólogo ou analista que conta sua trajetória desde a infância - a tentar entender sua própria condição e os motivos pelos quais se sente quase um desgraçado a penetrar no mundo e peculiaridades goyische. Alexander Portnoy é corrosivo, cáustico, perverso. Não a toa a característica dos seus "distúrbios":

[Complexo de Portnoy. [De Alexander Portnoy (1933- )]. Distúrbio em que fortes impulsos éticos e altruístas se apresentam em perpétua luta com extremados anseios sexuais, frequentemente de natureza perversa. Segundo Spielvogel, "são abundantes os atos de exibicionismo, voyeurismo, fetichismo, auto-erotismo e coito oral; em consequência da 'moralidade' do paciente, entretanto, nem a fantasia nem o ato resultam em genuína satisfação sexual, mas antes em avassaladores sentimentos de culpa e temor de punição, especialmente sob a forma de castração'. (Spielvogel, O. "O pênis perplexo", Internationale Zeitschrift Für Psychoanalyse, vol. XXIV, p. 909.) Acredita Spielvogel que muitos dos sintomas podem remontar aos vínculos adquiridos na relação materno-filial.]

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I-Racional
Pedro Volkmann

Dilemas

Adoro Rush, isto mesmo a banda canadense que esteve recentemente no Estádio Olímpico. A segunda estrofe de uma música deles chamada “Xanadu” é:

I had heard the whispered tales
Of immortality
The deepest mystery
From an ancient book. I took a clue
I scaled the frozen mountain tops
Of eastern lands unknown
Time and Man alone
Searching for the lost --- Xanadu

A música tem um clima muito próximo de cumes gelados de montanhas, é uma primazia. Porém o que me chama a atenção nesta música é seu tema que é perseguido e ambicionado pelo homem, acredito, desde que este tem conhecimento de seu trágico destino inexorável. Seguindo mais adiante a letra fala Kubla Khan. Que será isto? Tentei verificar no oráculo do novo milênio, o Google e nada (se alguém souber do que se trata por favor me avise).
Do nada, de uma disciplina que estou fazendo, me é exigida a leitura de Jorge Luis Borges, Ficções e me dou de cara com Uqbar.
Onde estão escondidos estes significados? O que na verdade se quer dizer com “terras do leste desconhecidas”? O que nos leva a este fascinante mundo das lendas e de acreditar que nossos antepassados têm a resposta para tudo?
O que nos leva a buscar a imortalidade, já que a morte faz parte da vida? (dentro daquela ótica que para haver luz é necessário haver sombra).
A nossa racionalidade nos leva a crer que podemos suplantar a tudo, até a nós mesmos ou nossa existência. Mesmo filtrada, ela parte do raciocínio de que somos super homens, niilistas e mais outras definições de alguns filósofos, modernos ou não. Escolha o seu.
Já que disse niilista, também nos leva a nada, nesta vida dual, cheia de altos e baixos.
Buscamos o impossível, o possível e o ridículo. Exigimos tudo de alguém, quando este alguém não tem nada para nos dar e não exigimos nada de quem tem tudo.
Que tal ter ética com quem é ético?
Fazer poesia para quem é poético!
Racional com quem raciocina! Imagina?
Como diriam meus amigos castelhanos,
Nossos hermanos,
Cambiar de ruta, para não encontrar filhos da...

Nossa vida é um dilema, até da um poema.

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Deixa a grana me levar
Leonardo Silvino

"A receptividade das massas é muito limitada, sua inteligência não vai muito longe, mas seu poder de esquecimento é enorme. Em vitude destes fatos, toda a propaganda efetiva deve se limitar a uns poucos pontos essenciais. Slogans devem ser repetidos até que o último integrante da última parcela do público tenha absorvido a mensagem" Adolf Hitler.

Zeca Pagodinho afirmava que existia apenas uma marca de cerveja que não bebia de jeito nenhum. Meses depois surpreende a todos numa campanha de lançamento da Nova Schin. Zeca pede para o país inteiro repetir o refrão e experimentar a nova cerveja numa campanha memorável que caiu no gosto popular. Na semana passada, Zeca reaparece em comercial da arqui-rival dizendo que experimentou mas voltou para seu amor verdadeiro, a Brahma.

Quando soube que o pacto de não-agressesão seria interrompido e a propaganda anti-soviética seria restaurada, Paul Joseph Goebbels, ministro da propaganda do III Reich, ficou furioso. Inicialmente, ele tivera o trabalho de conduzir a opinião pública contra os russos, depois no pacto de 1939 teve de fazer as massas esquecerem tudo o que foi dito e incentivar a amizade com os irmãos do oeste. Com a volta das hostilidades, Goebbels deveria, novamente, voltar atrás sem que a população percebesse quem eram os inimigos de ontem ou de amanhã. Nazistas e publicitários sabem que a massa só quer ser feliz.

O poder de esquecimento das pessoas foi muito bem retratado por George Orwell em sua obra-prima. Na ficção do livro 1984, os cidadãos do megabloco da Ocenania (uma antevisão da Alca e o Reino Unido dissidente da União Européia) ora eram inimigos da Eurásia ora da Lestásia. Quem era amigo e quem é inimigo, neste nosso mundo que mais parece ficção, também pouco importa desde que a população sinta medo; a não ser que se acredite em fascilósofos com seus delírios de antimídia esquerdista publicados na grande imprensa.

Tão vergonhoso quanto o espaço dado aos fascilósofos é ver "notícias" como a demonstração do estoque de Brahma na casa do cantor logo após o escândalo. Quem são os acionistas e quem são os maiores anunciantes?

Ainda fresca na memória está a infame lista de Pelé. A desculpa é parecida. Segundo o Rei, a lista foi enviada pronta e tal. Não há desculpa para vender livros da Fifa nos países que atletas inexpressivos foram incluídos, mesmo que isso custe a reputação. Neste lugares, as edições do livro vão ter um procura tal qual o filme caça-níquel de Mel Gibson sobre a vida de Jesus.

Não vale a pena citar se Cafu é melhor que Gérson ou um jogador desconhecido é melhor que Nílton Santos, mas a bizarra escolha de Pelé em selecionar apenas um jogador da seleção de 1970 e vários da conquista do pentacampeonato. Não se tende a valorizar as pessoas que conviveram com você ou o dinheiro fala mais alto?

Num episódio dos Simpsons sobre a onda de futebol nos EUA, Pelé é ridicularizado como um mercenário. Ele aparece para fazer um anúncio em campo, carrega um saco de dinheiro e sai rindo de todos. Eu gosto de levar vantagem em tudo, certo? Errado. A Lei do Gérson (o mesmo da lista citada) ficou conhecida num comercial de cigarro há mais de 20 anos, mas ela existe muito antes do descobrimento.

No final das contas, quase todos sairão ganhando. Pelé ficará ainda mais rico, as agências aumentarão seu poderio, a Ambev continuará líder no mercado e a Schincariol ganhará a simpatia popular. A Nova Schin sairá como a menina que era feia, ganhou auto-estima e arranjou um namorado. Este a trocou pela menina mais rica, deixando a vida o levar.

Antes deste escandâlo a Ambev jogou as suas fichas nos comerciais da Antarctica contra a Nova Schin. Provavelmente, se esta guerra que só favorece as agências de publicidade, não fosse feita, o efieto de lançamento da Nova Schin estaria murchando. A guerra das cervejas só aumentará as veiculações de anúncios e a sede do público por novos "assaltos" onde quase os lutadores estão sóbrios.

E por falar nisso, o que acontecerá com Zeca Pagodinho?

A sua gravadora é a grande perdedora. A empresa investiu pesado na carreira do pagodeiro com o intuito de acabar com o estigma de música de suburbano. Ficará muito difícil convencer a classe média brasileira a comprar um disco de alguém que trai contratos. O brasileiro médio não gosta de vencedores. O brasileiro médio gosta muito menos de pessoas sem palavra. Talvez por aí explique porque muitos querem ir para os EUA mas mais de 80% da população é antiamericana.

Zeca tende a ir pelo mesmo caminho do pagodeiro Belo. Claro que não há comparações na qualidade de ambos os artistas, mas dificilmente o herói de Xerém não escutará nas ruas que é um mercenário, vendido e traíra. Enquanto a vida leva Zeca, os publicitários levarão suas vidas numa boa.

A reputação de Zeca já mudou. Antes jornais e entrevistadores o exibiam como um entendedor de cerveja, agora a mesma mão ataca com piadas e insinuações de que o classificam como um bêbado, malandro e irresponsável.

Zeca se defende dizendo que qualquer um faria o que ele faz. Será? Tem pessoas que o dinheiro não compra, para todas as outras existe o cartão de crédito. Se todos no Brasil pensassem assim, estariamos hoje com o IDH de países africanos. O Brasil seria um grande Burundi ou Suazilânida. Com todo o respeito a estes países, mas com o potencial que o país tem, as qualidades geográficas e culturais, resta-nos apenas ter um pouco de dignidade.

Se alguém não gosta de um produto ou não o consome como pode deixar sua própria carreira em risco sugerindo que as pessoas experimentem o que nem você bebe. Zé Geraldo que está zerado, ensina: "a falsa força de um cartão de crédito ao invés de um fio de bigode."

Quanto vale a sua palavra? Quer pagar quanto?

E assim caminha a brasilidade. Nosso presidente operário continua em campanha. É muito provável que Lula só lembre de assumir o governo quando acabar. O Brasil votou no Duda mendonça e não sabia, como diria a Xenïa Antunes. E por falar em milhões, quantos metalugicos aposentados você conhece que tem mais de um milhão de reais declarados? Eu conheço apenas um.

São por "ídolos" e músicas que enaltecem a apatia, glorificam a pobreza e maltratam o nosso idioma como: "Deixa a vida me levar, vida leva eu..." e "Eu só quero é ser feliz. Andar tranqüilamente na favela que nasci..." é que os netos dos netos de seus netos irão afirmar: o Brasil é o país do futuro.

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Ombudsman
Rafael Luiz Reinehr

Desta vez, não tem mais jeito. Nossa ombudsman novamente falhou sem justificativas e, infelizmente, está deixando o Simplicíssimo. Hoje assumo eu para tapar o furo e, quem sabe, na edição de número 70 teremos um novo Ombudsman a substituir a Letícia, intercalando a tarefa de criticar a edição anterior com o Maurício.

Falando da edição 67: o Editorial fiquei sem entender... Um monte antônimos ou expressões sem nexo... Deve ter um sentido que ainda não foi revelado...

O texto Noção de Valores, de Marcos Claudino, nos propõe uma pausa para repensarmos sobre se aquilo que valorizamos realmente tem o valor que se apresenta ou somente apresenta o valor que lhe é dado pela grande massa e pela mídia.

Em Ainda sobre bigodes, Evelise faz um breve e engraçado ,porém quase insignificante comentário sobre o bigode de meu amigo Eduardo, terminando com uma descarada cantada...

Milton Ribeiro, faz em sua coluna quinzenal uma reflexão sobre a Revolta de Canudos e suas conseqüências. É desesperadora a facilidade com que este homem maneja as palavras.

Eduardo brinca com suas tartarugas na sua coluna en passant. O efieto ficou interessante, apesar da difícil visualização das imagens.

Pedro Volkamnn conseguiu tirar do lixo inspiração para criar poema e filosofia em um só texto. Sem críticas possíveis.

Max Sachetti exalta sua dor de cotovelo em um poema de dar dó mesmo ao mais insensível bárbaro.

Meu amigo Maurício, digníssimo Ombudsman pecou. Pecou por concentrar sua crítica somente na peixada do Eduardo. Mostra sua sensibilidade para com os animaizinhos, refere-se ao atentado de Madrid, mas certamente deixa todos outros colunistas desconsolados com a flata de referência aos seus textos.

Este aqui mesmo que vos fala apercebe-se que não foi adequado nesta tarefa (que não é a sua) de criticar os textos previamente publicados, pois a agúcia e tato para isso é ferramenta da qual não disponho (pudera eu desenvolvê-la!).

Vemo-nos agora aqui neste espaço tão somente novas catástrofes aconteçam a nossos colunistas fixos ou ameaças extraterrenas interfiram com a transmissão de informações via internete.

Forte e fraterno amplexo.

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Desafio Simplex

Pergunta: Parte dos mais recentes acontecimentos científicos, há rumores sobre a existência de um 10º planeta. Queremos saber se você acredita ou não, sendo que a melhor teoria/hipótese sobre o tema leva o prêmio.

Vencedor: Daniel Rech, de Porto Alegre - RS, com a resposta: "Os rumores se referem a um 10° planeta no Sistema Solar ou em todo o Universo? Se for o primeiro caso, acredito que não, na verdade eu não acredito que o homem tenha chegado a lua, por que acreditaria no 10° planeta? Porém, em todo o Universo acredito que existam muitos planetas desconhecidos, o que é bastante óbvio. PS: Não tenho conhecimento do assunto, justamente no melhor CD da história do Desafio. Oh azar!!!"

... obrigado a todos e continuem participando e divulgando o Desafio Simplex!
O próximo desafio já está aí ...


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e depois nos avise!


Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 

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