Simplicíssimo
Jornal Virtual de periodicidade escalafobeticamente insana


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Editorial

Coisas do destino: havia escrito uma página inteira sobre o Primeiro de Abril e a Ditadura Militar. Quando fui salvar o arquivo, aquela fatídica mensagem "Salvar como - Não está respondendo". Nunca havia visto coisa igual... Não havia salvado nenhuma vez anteriormente. Fucei todo o computador para ver se encontrava algum resquício do texto... Neca de Pitibiriba...

Agora estou aqui, enchendo lingüiça para ocupar espaço e tomar seu tempo.

Na edição passada, fomos surpreendidos por um tal de Comentador Mascarado, que, pelo que tudo indica, vai dar as caras com mais freqüência neste site. Em uma mensagem criptografada secreta, ele nos disse que seu objetivo é esquentar um pouquinho as janelas de comentários, ser um incentivador ao questionamento e à discussão. Tudo o que tenho a dizer: Boa sorte Comentador Mascarado!

Esta edição está especialíssima. Não vou tecer comentários sobre os textos pois os mesmos estão TODOS igualmente ótimos! Conselho de amigo: Leia com calma! Não pule nenhum!

Ademais, nada a acrescentar. Na próxima semana comemoramos a Páscoa. Convoca-se os Simplileitores e Articulistas a escrever alguns textos alusivos à ocasião. Quem sabe não teremos uma edição especial de Páscoa?

Forte e fraterno amplexo,

Rafael Luiz Reinehr

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O honrado jurista irrepublicável
Gabriel Silveira




As estrelas desapareciam, uma a uma, amedrontadas com os raios do sol que repontava no leste próximo. Ele não se mexia. Era como se não mais pertencesse à temporalidade banal da burrice institucionalizada. Vivia em outro mundo. Algumas poucas nuvens brincalhonas ainda tentavam esconder a imponência com que o sol acordava, para que a gigantesca e orgulhosa lua fosse pega de surpresa. Bartholomeu observava tudo com serena paz, contemplando mais seu pensamento rápido e racional do que as imagens bobas mas deslumbrantes que o firmamento construía em seu renascer açucarado. Virara a noite pensando em como poderia pagar uma dívida, assustadora para um velho de pouca renda, de 7.800 pesos que o aluguel já acumulara. Para ele, homem que viveu, em seu esplendor, entre os mais valorizados aristocratas da sociedade pré-revolucionária, era uma afronta à sua moral e à sua honradez plena ficar em dívida com algo que há alguns anos seria tão banal. Afinal, talvez tivesse cometido um erro em mudar-se para esta grande casa, ele e a criada, coisa que fez ainda esperançoso pela volta dos dourados tempos regidos pelo espírito fidalgo. Mesmo marginalizado naquela sociedade impostamente moderna, Bartholomeu regeu seu pensamentos durante toda a noite como uma coruja irredutível em seus apontamentos noturnos. E foi assim que, quando acendeu pela última vez naquela manhã seu cachimbo já mordiscado de preocupações, estava em tranqüila paz, consciente do que fazer e como fazer para que a dívida com sua honra fosse quitada. \"Não mais Bartholomeu Bornadoli será chamado de devedor\". Levantou da cadeira de madeira escura e manchada em que havia passado a noite inteira e pôs seu cachimbo sobre o vaso de cerâmica envelhecida que ficava sobre a grande mesa da sala maior que havia herdado do antigo clero municipal. Pegou seu sobretudo à saída e a criada correu em lhe entregar a cartola negra e pomposa e a bengala com facetas romanas em prata, presente do velho Conde de Rouen. Ainda recebeu da servente sua pasta de jurista renomado e, antes de bater a porta, conferiu se ali estava tudo que precisava para resolver suas tarefas. Saiu decidido a passos firmes na calçada engomada pela chuva e pôs-se de cabeça alta e respeitosa. Encontrou a população esbaforida em busca dos melhores horários de empregos nas indústrias que acabavam de divulgar as vagas extras abertas na safra para profissionais sem qualificação. Ele não contemplou-os. Seguiu confinado em seu pensamento límpido e consciente de que tinha a resposta para a solução da esparrela que o tempo havia lhe armado. Cruzou a Praça da Nova República espantando os pombos que lhe pareciam mais acizentados do que nunca e alguns jovens formados no berço da revolução lhe gritaram palavras de ordem, \"Viva o novo\", diziam inconformes. \"Incubadora do inferno, você verão seus tolos. A revolução é indeiscente\", disse e continuou seus passos calculados em torno das pedras azuladas que formavam as novas ruas da ordem embutida. Quando chegou na imobiliária central subiu a escada romanesca em trote contínuo, degrau por degrau, mas com uma velocidade digna de um homem que entra em um tribunal ferrenho com a certeza de conquistar sua absolvição. Chegou até o balcão e disse à moça antipática em sua aversão ao conservadorismo:

- Desejo acertar minhas contas.
- Seu nome, por favor - respondeu-lhe.
- Bartholomeu Bornadoli.
- B.. b, aqui, sim, ah, sim, passe na terceira mesa à esquerda, por favor.
- Obrigado, disse Bartholomeu e, virando a cabeça antes que o corpo pôs-se em sua marcha abstinente até a mesa indicada, que era a última e mais isolada de todas.

Sentou-se à cadeira à pedido do senhor que ali estava.

- Senhor Bartholomeu - começou sem apresentar-se - a sua questão é um bocado incômoda. Se a nova república seguisse os princípios draconianos da sua ordem, já seríeis um homem morto.
- Senhor gerente - cargo que reconhera pela insígnia que carregava fixado em sua camisa azulada - poupe-me de suas broncas. Não é a uma criança que se dirige, além do mais, vim acertar minhas contas com a república, disse sorrindo.

O homem hesitou por alguns segundos olhando para os papéis que solicitara logo que o velho entrara na Imobiliária e disse-lhe:

- Bom, somando os juros inevitáveis em tantos meses de atraso, são 7.800 pesos.
- Que assim seja, então.

Puxou sua pasta e abriu-a com cuidado. Depois puxou uma caneta simples e escreveu sobre um papel algumas palavras entregando-o diretamente ao homem.

- Sublata causa, tollitur effectus? - leu o gerente em questionamento.
- Sim, sublata causa, tollitur effectus - respondeu-lhe. Depois tirou da mesma pasta de jurista uma arma pesada em sua imoralidade e disparou contra sua própria cabeça. Morreu homem, honrado e irrepublicável.

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Simples Goyuchos
Milton Ribeiro

Uma Polêmica Suscitada pela Bravo!

Antigamente, a música - mesmo a mais grandiosa - era utilizada como pano de fundo para jantares e comemorações. Para nós é difícil conceber isto, mas a música de Vivaldi, por exemplo, era ouvida sob o provavelmente alegre som de comensais italianos alcoolizados... Excetuando-se os saraus privados, o único local onde podia-se ouvir música em silêncio era nas igrejas. O ritual de deslocar-se até uma sala de concertos a fim de ouvir e ver silenciosamente a performance de orquestras, cantores e recitalistas é relativamente recente - começou há uns 150 anos. Sob uma forma mais barulhenta, a música popular aderiu a este ritual no século XX, porém hoje seus concertos visam mais a celebração do artista do que a finalidades "expressivas" ou "interpretativas". Alguns radicais, como o extraordinário pianista canadense Glenn Gould (1932-1982) - cujas interpretações de Bach são até hoje difíceis de superar - trilharam o caminho inverso chegando ao extremo de abandonar suas carreiras de concertistas por não acreditarem mais que o formato de concertos e shows fosse aceitável, quando comparado às vantagens oferecidas pelos estúdios de gravação. Não obstante o abandono dos holofotes e dos aplausos - em seu caso sempre entusiásticos -, Gould seguiu pianista e continuou produzindo discos cada vez melhores; mesmo sem ter marcado um mísero concerto em seus 27(!) últimos anos de vida.

Glenn Gould acreditava que a tecnologia oferecida pelos estúdios o colocava mais próximo de seu ideal artístico, que colocava a técnica pianística em segundo plano. Apesar de ser um instrumentista absolutamente preciso e hábil, a impressão mais forte que temos ao ouvi-lo não é a do virtuosismo, mas a da expressividade. Com ele, pode-se ouvir a música. Gould pensava que existia somente uma interpretação perfeita de cada obra e que esta só poderia ser obtida em estúdio com auxílio da tecnologia.

A verdade é que as gravações revolucionaram inteiramente nossa abordagem à música. Em menos de um século, passamos do sarau ao CD, fomos do amadorismo afetuoso e comovedor de nossas residências (que bom se pudéssemos voltar no tempo, não?) ao sampler. Vejamos como:

1877: Thomas Edison constrói e dá nome ao primeiro fonógrafo, um aparelho que registra e reproduz sons, utilizando um cilindro de parafina.

1888: O disco envernizado substitui o cilindro de Edison.

1925: Aparece o primeiro toca-discos elétrico, que funcionava com discos de 78 rpm. Um movimento - cheio de chiados - de uma sonata de Beethoven poderia ocupar vários discos... Meu pai tinha o Op. 111 do compositor alemão em 8 discos ou 16 lados de discos 78 rpm!

1940: O acetato e o verniz começam a ser substituídos pela fita magnética.

1948: Surge o LP, que podia receber até 30 minutos de música (uma sinfonia de Mozart!) de cada lado. Todos os discos de 78 rotações deveriam ser jogados fora.(Este é outro assunto...)

1958: O som estereofônico torna obsoletas as gravações anteriores, feitas em mono. Chegou a vez de jogar fora tudo o que não era estéreo.

1965: A fita cassete ameaça o disco, mas não o vence.

1979: Aparecem as fitas digitais (DAT) com som semelhante ao do CD; isto é, muito mais claras do que tudo o que já havia surgido antes.

1983: Chega o CD, mais uma vez desvalorizando todas as outras gravações realizadas em outros meios.

Gould falava em quão recente era a supostamente eterna tradição das salas de concerto e ridicularizava vários de seus aspectos. Por que haveria de ser necessário atravessar a cidade - talvez com chuva ou sem a vestimenta adequada -, para ir sentar- com hora marcada -, em cadeiras normalmente piores do que as de nossas casas, a fim de ouvir o mesmo velho e conhecido repertório tocado com acompanhamento de sussurros e tosses? Segundo ele, a única coisa que mantinha viva a tradição dos concertos era a oligarquia do mundo dos negócios musicais, acrescida do que Gould chamava de "uma afetuosa, ainda que às vezes frustrante, característica humana: a relutância em aceitar as conseqüências de uma nova tecnologia."

Eu, modestamente, adoro ir a concertos. Amo aquela celebração dedicada aos músicos e à música; mas concordo com Gould em muitas coisas. É complicado sair de casa para ver, muitas vezes, concertos constrangedoramente inferiores àquilo que temos em nossa discoteca. Outra coisa triste é o conservadorismo do repertório apresentado: principalmente no Brasil, considera-se que estejamos eternamente "educando o público para a música erudita". Com este argumento, as orquestras obtém o aval para apresentarem somente o mainstream do repertório. (Há as exceções, mas são raras...) Enquanto isto, o LP e o CD abriram um leque de opções que mudaram nosso conhecimento musical. Obras extraordinárias puderam voltar a fazer parte de nossa cultura, grande parte da música de câmara (música escrita para pequenos grupos de instrumentistas) e da música antiga, inadequadas para as grandes salas, voltaram através dos discos.

Houve uma importante alteração na maneira de tocar a música e, por conseguinte, de ouvi-la e compreendê-la. Uma vez que, no estúdio, os músicos não tinham mais de preencher os grandes espaços das salas de concerto com som, todo o processo de fazer música passou a colocar mais ênfase na clareza e beleza do fraseado. Os microfones que fizessem o resto! Os antigos instrumentos - de som mais fraco - retornaram à vida e surgiram as gravações com interpretações históricas, utilizando instrumentos de época, que respeitam a dinâmica e a forma original das obras.

Peço agora que vocês, meus prezados 7 leitores, leiam principalmente a segunda observação abaixo. Ao final dela, vocês entenderão o motivo pelo qual este texto acaba (ou não acaba) tão bruscamente.

Observações:

(1) A maior parte dos argumentos aqui colocados livremente estão sistematizados no livro de Otto Friedrich Glenn Gould: A Life and Variations.

(2) Em dezembro do ano passado, o Zadig propôs-me uma discussão acerca da necessidade das orquestras sinfônicas, tema que a Bravo! havia abordado muito superficialmente. Seria um post a quatro mãos, escrito em várias partes na forma de sucessivas réplicas. Só que nunca consegui sincronizar minha agenda gaúcha com a análoga goiana do meu querido amigo. Neste post, penso ter utilizado uma vicinal bastante polêmica e informativa, mas minha expectativa real é a de que a tal vicinal seja suficientemente provocativa para que acabemos na ampla avenida proposta pelo Zadig.


Milton Ribeiro mantém o blog www.miltonribeiro.blogger.com.br .

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Nua & Crua ( o retorno)
Cristiane Martins

Depois de longas férias forçadas, onde a escrava aqui estava no tronco recebendo chicotadas do seu senhorio com o fundo musical básico "lerê lerê lerê lerê lerê" a romântica e feminista incurável retorna a ativa! Para alegria de uns e desespero geral da nação! Segue o baile!!

Lenda
Escrito em 29/03/2004

Enfim pensara que o mundo não fora tão injusto consigo...
Tudo acontecera de uma forma tão normal, nada que fosse prematuro, mas ainda assim por mais que tentasse aceitar os fatos, tudo parecia tão cruel, tudo tão sem sentido.
Passou a mão sobre a cabeça, ainda uns poucos fios brancos espalhavam-se aqui e ali, fios brancos que de longe lembravam a cabeleira espessa que ostentava quando jovem.
Muitos anos se passaram, anos doces, inesquecíveis, mas difíceis também, todos temos fases difíceis para tornarmos mais fortes.
Riscou um palito de fósforo e ascendeu a vela de cebo que encontrava-se no altar iluminando os olhos profundos da virgem santa vestida impecavelmente em seu manto azul.
Não que ele não possuísse energia elétrica, sim, sempre desfrutara de muitos confortos, muito mais que uma simples lâmpada sobre a cabeça, mas o fato é que agora tudo parecia tão fútil, tudo tão desnecessário.
Nada traria sua alegria novamente.
Nem roupas caras, nem carros novos e possantes, nem todo o dinheiro do mundo.
À ele restaram somente lembranças de uma vida compartilhada, de um mundo que pintara de todas as cores, de um mundo que vivera no amor e na felicidade.
Um suspiro quase apagou a companheira de cebo, e por um momento pareceu que a virgem imaculada sussurrasse alguma palavras.
Talvez pudesse ter sido fruto se sua idade avançada, esclerose, loucura, insanidade.
Mas e quem se importava?
Quem se importaria agora com um velho louco habitando um vasto casarão construído com tantas esperanças, com tanto zelo e amor...
Nem sua amada estava presente para compartilhar.
Talvez estivesse...
Talvez bem mais que em seu pensamento e em seu coração já tão velho e sofrido.
Com dificuldade caminhou pelos cômodos da casa, um a um...
Apreciou por algum momento a mobília coberta pelo pó, e fechando os olhos pôde até mesmo ouvir os gritos das crianças correndo pela casa, escorregando no corrimão da escada central provocando surtos de loucura nas mães zelosas, suas filhas ingratas!
Subindo a escada do velho sótão com certa dificuldade amparado pela bengala de cedro, alcançou uma pequena portinhola que dava em um quarto onde fazia muitos anos que não entrava.
Entrou, tentando não ser vítima das teias de aranha que formavam cortinas nos cantos do velho e nostálgico cômodo.
Lá encontravam-se apenas restos, vestígios de tudo que aquela velha casa representara um dia: um antigo berço, ainda coberto pelo tênue mosquiteiro quase que o levou às lágrimas, e foi nesse momento que ele avistou uma luz adentrando pela janela.
Primeiramente ele pensou que fosse a luz da lua cheia enchendo todo o pequeno quarto de sua imensidão, mas logo por entre as chamas brancas ele percebeu que sua doce amada flutuava tão levemente quanto um anjo. Alva e formosa, mesmo sabendo ser um pecado para um católico tão fervoroso, ele imaginou que naquele momento sua amada estava mais linda do que a Virgem Maria!
Ele arrastou-se até a janela, mas a cada passo que ele dava, ela ficava mais distante dele, perdendo-se na copa da grande figueira que erguia-se garbosa em seu quintal monumental!
Na esperança de alcançá-la ele abriu o vidro da janela que encobria uma noite estrelada de lua, a noite mais maravilhosa que ele presenciara em toda a sua vida.
E ela permanecia lá, flutuando na sua leveza natural, chamando-o a conhecer um mundo que ele jamais sonhara, dizendo baixinho: venha amor, venha comigo, tenho muitas coisas para te mostrar, coisas que jamais pôde imaginar tua vã consciência.
Por desespero e por medo que mais uma vez a vida lhe tirasse sua doce amada, ele joga-se janela abaixo num surto impensado de paixão, de solidão, de loucura talvez!
Nesse momento, toda a noite iluminou-se, a lua brilhou o quanto pôde e as estrelas multiplicaram-se cravejando o céu de diamantes...
O dia amanheceu em paz!
Nunca soube-se ao certo o que acontecera com o velho louco do casarão da esquina vinte e três. Nenhum corpo jamais fora encontrado, embora toda a polícia da cidade empenhara-se em buscas, jamais ninguém soube da verdade.
Tudo o que tinham de vestígios era uma vela de cebo queimada no altar onde Nossa Senhora permanecia imaculada, uma janela de um velho sótão aberta, por onde entram hoje em dia passarinhos a procura de um lugar seguro para construir um ninho.
O resto da história ninguém jamais pôde contar...
O resto permanece apenas como lenda, contada vez que outra, distorcida na boca de românticos e amantes apaixonados !

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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

Das nuances da literatura e suas maldições

Edgar Allan Poe estabelece que a gênese do bom conto deve partir de um efeito único a ser atingido e assim ir acomodando os acontecimentos de forma a satisfazê-lo, insistindo na regularidade e eficiência que deverão manter a atenção do leitor e de um único eixo dramático, não permitindo intervenções, comentários e descrições quando desnecessários. Ele visa a um objetivo único, ímutável, caminha em direção a uma luz sem propósitos de alterações que possam vir a confundir o leitor a respeito da proposta inicial do autor. Poe estabelece uma situação inicial e a partir dela trabalha de forma concentrada situações capazes de criar o suspense no leitor conduzindo-o até o clímax. Para Poe, isto é o necessário para o escritor do conto atingir seus objetivos.

Já Julio Cortázar, no ensaio Alguns aspectos do conto [publicado no livro "Valise de Cronópio" da editora Perspectiva], nos diz que os contos de Tchekov visam apresentar algo que está além do conto em si, tanto antes como depois. Muito além do fato narrado, escondem-se outros fatores que devem ser destrinchados pelo leitor. Utilizando como exemplo o conto "O bilhete de loteria", onde a tensão está concentrada em Ivan Dmitritchi e sua esposa que imaginam terem ganho o prêmio da loteria. Durante o conto a ação é praticamente nula, apenas com os dois se observando e imaginando o que fazer com o dinheiro, porém quando certificam-se de que não ganharam nada, voltam-se para a realidade. Não há nada além disso se pensarmos de acordo com a teoria de Poe, mas de acordo com o pensamento de Cortázar sobre a obra de Tchekov as coisas se passariam de modo diferente. O que seria, então, esta outra intenção?

Existem subterfúgios diversos, possibilidades mil de se esconder as diversas nuances existentes em um conto. Ou de contá-las da maneira mais fascinante possível, deixando ao leitor o intrincado jogo de revelação sobre o que de fato ele representa. Em uma palestra para escritores cubanos da Revolução, Cortázar discorreu sobre sua maneira de olhar para o conto. Para ele, a função de um conto é quebrar seus próprios limites para ir muito além da pequena história que narra. E neste quesito, a escolha do tema se torna imprescindível como ato de criação. Cortázar defende que o tema deve ser uma condição primordial para o contista esmiuçar sua história de maneira aglutinante e mais vasta que um mero argumento. E para isto, é necessário uma total dedicação e motivação com o assunto a ser retratado, caso contrário, o conto já nasce completamente comprometido. Dedicação, conhecimento - o esmiuçar do tema escolhido, procurando retirar do conto, desde a sua proposta de escrita, todos os diferentes ângulos de análise possível ou apresentar um, deixando para o leitor as possibilidades interpretativas de todos os outros existentes.

E isto vai além de toda a verborragia que perpassa uma produção literária que hoje tem insistido mais nas digressões e no vomitar vazio de palavras, do que no esmiuçar destas diversas possibilidades que Cortázar nos apresenta. A atual safra de contos que tem se apresentado, principalmente através das revistas eletrônicas tão vastas na net, têm apresentado, quase sem novas ousadias, o apego as características dos escritores “malditos”. Não à toa, as suas referência esbarram quase que inevitavelmente em John Fante, Charles Bukowski, Jack Kerouac, Alan Ginsberg, entre outros. Sobre o primeiro, acho peculiar que também sempre esteja inserido no rol da “maldição”. Sua obra prima, Pergunte ao Pó, tão aclamada por Charles Bukowski, apesar de contar com fluxos de memória freqüentes, narração em primeira pessoa e com uma temática comum nestas obras -- a busca de sentido pelo personagem título que vaga insone, com pouco dinheiro e intercalando diversas aventuras mundanas pelas noites de alguma grande cidade -- a meu ver não pode ser simplesmente comparada com obras como a de seu próprio “discípulo” Bukowski e suas insanas e toscas aventuras repletas de gratuita imersão na quase pornografia e constante embriaguez de seus personagens alter-egos.

Alguns jornalistas e críticos, interessados em fazer um mapa atualizado sobre quem são os escritores da dita nova geração que têm se prestado a perpetuar tal espécime de “categoria literária”, se assim se pode chamar, têm, no entanto, ensacado todos os escritores estreantes como cópias mal disfarçadas uns dos outros.

É notória, no entanto, a constatação de um tipo de literatura atual que, se não totalmente fundamentada nos alicerces da geração dos malditos, têm apresentado elementos que os equiparem em algum ponto a esta literatura evidentemente provocativa de então. Lógico que a literatura como provocação é uma atitude louvável quando não calcada em experimentações já desgastadas e em formas fáceis. O apelo para o estranhamento, como se buscou outrora, deve buscar ao menos o novo para se fazer original e não caricatura de um estilo que, mais do que discriminado como foi na sua primeira geração, hoje tem se convertido em status, grife identificadora. Desta maneira, quem não quer ser maldito?

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en passant
Eduardo Hostyn Sabbi

Grenal

Hoje não recebi
Mas vou esperar
Nenhuma mensagem tua
Ao menos um pouco mais
Deve ser pois o fim do mundo
Agora só que me resta paciência
Fim da Microsoft, da energia elétrica
Quem sabe então você faça contato
Alguma rima e pouca estética
Para acabar com isso de fato
Fim daquela vontade tua
Será o fim dessa angústia
Que era falar comigo
Prá ficarmos de novo
O fim de nós
juntos a sós

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I-Racional
Pedro Volkmann

Andarilhos e suas ferraris

É duro acordar em K-Pax, principalmente quando a rotação dos dois sóis faz com que a noite tenha apenas duas horas. Porém tenho que confessar que é melhor assim do que naqueles dias onde temos noites intermináveis, com dias minúsculos. Prejudica minha visão. Gosto de explicar as coisas, julgá-las. Examino-as a luz do sol. Com espelhos, muitos espelhos que me fazem ver a realidade de muitos ângulos, coisa de pesquisador. (Será possível enxergar a uma pessoa enxergar a realidade de duas ou mais maneiras?) Na nossa galáxia tem um planeta que está descrito em uma enciclopédia que vocês acham das boas. Eles não gostam de espelhos, porque eles não gostam de vocês. É verdade! Eles não gostam de espelhos e cópulas porque ambos multiplicam homens. Vocês bem sabem que não é verdade, pois muitas cópulas não resultam em homens. Porém, faz sentido o pensamento deles? Claro que não! Cópulas podem resultar em homens (eu também odeio homens), mas também em mulheres (adoro elas!!!!). Porém, a frase não reporta homens no sentido amplo? Quanto aos homens criados por espelhos, estes são fajutos, cópias baratas, efêmeras que não duram um segundo além da vaidade de cada ser humano. Incríveis estes humanos, vivem de aparência porque são feios por dentro (mas são felizes). Adoro minha vida de xereta estelar. Fico xeretando e conhecendo seus hábitos, tão rudimentares, porém queria a felicidade deles (dos terráqueos).
Seres ignóbeis, consciências errantes, conhecem a morte e provocam as guerras. Cientistas de araque desconhecem a cura de doenças simples como o câncer, a aids e o mal de amor, todas elas erradicadas. Busco nos confins do universo a cura dos males mais profundos da nossa existência - as unhas encravadas, pães amanhecidos e a serventia de espelho de cortesia no pára-sol do carro. E eles apaixonados pela Sandy, pela Sandy!!! Que coisa, se ainda fosse a Fernanda Lima eu até entenderia. Olha lá tem um lendo uma Mary Claire, uma revista famosa no PPGA e o outro escutando o disco do Daniel – Endomarketing, super comercial (mas vende) ao invés daquele clássico do Wagner, Viçosa terra amada. Que mundo escroto.
A ciência é um primor, ao contrário de nossos arqui-inimigos, os habitantes de Tlön, os humanos tem uma geometria interessante, científica, desde o que eles chamavam de Grécia Antiga, com aqueles filósofos que admitiam escravos. Está certo, estavam muito atrasados em relacionamentos humanos. Tinha um maluco naquela época que procurava um ser humano! Com uma lanterna!!! Devia procurar dentro de si e aproveitar o tempo antes daquela igreja metida acabar por mil anos com a ciência. Vamos fazer uma ressalva, ele não poderia imaginar que alguém ia propor uma igreja universal. Descobriram princípios muito importantes naquela época. São seres intrigantes estes humanos. Viajam para Cabo Verde, a convite de seus amigos (quando patrocinados por estes), escrevem comédias, Ilídios Sapienses.
Um Imperador ateia fogo na própria cidade. Matam um cara que dizia que o amor era legal. São loucos estes romanos, para parafrasear um escritor de história em quadrinhos Belga que trabalhava na França e se dizia o cara. Eu faço melhor. Principalmente agora que não existo. Quero dizer existo, mas o Calvino diria que não, pelo menos na ótica de um certo personagem dele. Será que alguém pode achar que faria algo melhor se não existisse? Fazer e existir podem ser isolados em um contexto? Meu texto é assim meio estranho, acho meu trabalho uma merda! Tenho que vasculhar o universo atrás de descobertas importantes para K-Pax.
Demorou muito para alguém descobrir a Física Quântica, os coitados não imaginam o quanto é fácil viajar muito acima da velocidade da luz. Tenho pena, mas esperança. Eles têm muito mais acertos do que erros. Não extinguiram toda a diversidade de seus povos, índios, Peri e Ceci. Estão sempre alerta, caminham a passos de formiga, mas caminham e não temem a pesquisa. Alexandras enfrentam ciclones, ficam atordoadas, mas vão em frente. Vou dar uma chance a eles, vou pulverizar o próximo objeto de Tlön que aparecer lá, assim a ciência deles tem mais tempo de entender o nosso universo.
Bombardearam o Saddam, mal sabe o Bush que o cara que vai assumir o Iraque também é líder religioso, as coisas funcionam mais ou menos assim no Oriente Médio. Mataram o descobridor da máquina de contar anéis de minhocas, não prestam atenção no que fazem. Acabaram de quebrar uma imagem de um santo, numa briga de faca dentro de uma igreja. Quem vai consertar o Rafael. Quebrou a perna e a cabeça, nem cola Bonder ajeita. Estes serezinhos me tiram do sério. Vou colocar no meu relatório. Aliás, meu relatório, para variar está atrasado. Meu chefe, o Pedro, está Armando uma para cima de mim. Está só esperando eu me tele-transportar para a sede, está com sede de mijada.
Já sei, vou usar a força do meu pensamento e misturar o meu relatório com o do colega ao lado, que é bem Caxias, já deve estar com o dele pronto. Como os relatórios devem terminar com uma palavra chave – FIM – vai incitar dúvidas, pois vamos ter dois trabalhos com um único fim, o que vai causar espanto naqueles terráqueos nojentos, que são puro ego. Grande plano.
Vou fazer o que me disse o único terráqueo que eu acho legal, o Nilton, vou agitar um pouco este negócio aqui, para gerar calor, estou sentindo um friozinho interior (deve ser por causa do esperado sermão).
Pronto.
----Tele-transporte – ATIVAR

Chefe: Prezados observadores: quero parabenizá-los pelo excelente texto elaborado em conjunto. Jamais alguém conseguiu fazer um texto tão convincente e verossímil quanto o de vocês. Os seres da terra são atormentados e planejados ao mesmo tempo. Um escritor da Terra tinha que fazer um texto e escreveu isto, dando várias variáveis quando um escritor tenta escrever um texto definitivo. Desde copiar um já existente, passando por possibilidades de juntar dois escritores e um único fim, coisa impossível na Terra, por razões já citadas acima. Como vocês chegaram a esta brilhante descrição do planeta? Terráqueos são simples andarilhos em busca de seus sonhos, suas convicções. Pensam em Ferraris, para ter na garagem e sabem que suas próprias pegadas são a única coisa capaz de faze-los trilhar o caminho da esperança de um mundo melhor. Quem foi o mentor deste texto? Quem escreveu? É possível uma pesquisa sem o viés do(s) pesquisador(es)? Quais são as maiores dificuldades que vocês enfrentaram? Dados duvidosos encontrados em Enciclopédias de Quarenta Volumes? O perigo da Terra em acabar com a ciência, pois à medida que objetos de Tlön são lá achados ela vai ficando igual ao nosso odiado inimigo? Como podemos fazer para que a ciência mantenha seu curso e sua dignidade? Espero que nossos amigos de K-Pax possam responder as questões de seu chefe Pedro Armando. Pelo bem da ciência. Pela humanidade.

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A ARTE DE FISGAR
Carla Schneider

Convido você a chegar com os olhos mais perto daquelas três imagens que estão logo ali, mais para baixo, no meio desse texto. Vai lá, espia e volta aqui para continuarmos a conversa.

Viu? Pois bem, filhas de Floriano Martins, estas imagens revelam o gosto deste artista por ´brincar´, ter o espírito livre para explorar, ser e fazer por puro prazer. Este é certamente o processo básico que envolve qualquer fazer artístico. Como ele costuma dizer ´recorta, colar, montar, festejar, discutir, propor uma mudança de sentidos, jogar, manter as coisas de pé´. E assim rapidamente descobrimos o estilo de Floriano Martins. Segue a intuição, entrega-se ao acaso, cria a partir do material que tem à mão, como cartolina e imagens impressas que foram recortadas e coladas, agora em novo contexto. Acredito que a genialidade se encontra no ato de criar muito, com pouco. Necessitamos apenas da essência.

O fazer artístico que envolve deslocar imagens de seu contexto original para um novo, mudando seu significado, chama-se collage. E não vá pensando que é simplesmente colocar a cola e pronto. O termo collage refere-se a este quebra-cabeça de imagens ora justapostas, sobrepostas, isoladas, resultando numa atração de tal força que elas acabam se grudando mesmo que não haja cola. A trama de significados, neste caso, funciona como cola. Este jogo de analogia entre imagens provém de longa data, de várias manifestações artísticas e caseiras, mas é no Cubismo, no Dadaísmo e principalmente no Surrealismo, que se encontra em maior extensão. Produzir collage muito se assemelha a produzir sonhos. Ambos trabalham com fragmentos, interrupções, cortes, deslocamentos, elementos desconexos, alegóricos, simbólicos. Justamente por deter estas características, a arte surrealista acabou por ampliar o termo collage. Desconfio, que há um grande parentesco entre fazer collage e fazer poesia.

Floriano Martins se diverte, leva a sério esta brincadeira de fazer collage a ponto de nos chamar para um passeio por suas trilhas. Tudo começa no primeiro encontro, que pode ser a primeira vista, ou não, mas acredito que o encontro acontece quando você pára, olha, observa, vê e conclui que estas collages deixam seus olhos irrequietos, intrigados, não se dando por satisfeitos. Tem alguma coisa de estranho por aqui, poderiam eles dizer. Deixe-me ver. E assim, o olhar vai se aprofundando, mergulhando na collage e, pronto, fomos fisgados! Repare que estas imagens elaboradas por Floriano Martins precisam ser completadas por nossos olhos, e para isso, nos exigem mais do que o olhar. Necessitamos ver, ver além do óbvio. Deste convite instigante, desafiador, resulta um fascinante quebra-cabeça que através da junção de fragmentos, desencadeia um novo simbolismo: decifra-me ou te devoro.

Gostaria de lhe oferecer minha visão frentre a estas collages da série Rasuramorei. Que fique bem claro que esta é a minha visão, a trilha pela qual meus olhos seguiram. Entretanto, considerando-se seu caráter enigmático, estas collages requerem que juntemos todas as pistas. Espero que você veja além do que vi, pois este é o fascínio que se dá quando conseguimos nos comunicar com uma obra de arte, quando ela é rica a ponto de nos permitir as mais variadas interpretações.

Houve um tempo em que acompanhei bem de perto as produções artísticas de Floriano Martins, quer seja na poesia, nos ensaios ou, mais profundamente, nas collages. Posso dizer que a grande maioria delas trazem imagens de livros, escrituras. Nada mais coerente e sincero, se consideramos a veia poética deste artista, e o fato dele confirmar que a quase totalidade de seus trabalhos com a collage se dá em função de sua poesia, do diálogo com ela, mesmo que se trate de capa de livro de ensaios ou de outros poetas.

Nesta série em especial, Rasuramore, vejo que os livros incorporam uma aura que, por sua vez, cria um ambiente sacro. Percebo seres centrais que evocam presença religiosa, humana e mitológica. O todo emana: escritos sagrados.


Rasuramore I

Em Rasuramore I encontra-se uma figura central que nos conduz à religiosidade, devido ao seu manto, à postura corporal, ajoelhada e à dinâmica do papel que voa evidenciando uma atmosfera suave. Acredito que para Floriano o ato de escrever seja mesmo uma religião, assim como o encontro no poema-livro Sábias areias, que tem todo um ritmo de leitura semelhante às rezas.


Rasuramore II

Rasuramore II nos traz um homem posicionado de tal maneira que mais parece o próprio habitante do livro ao qual está sobreposto, o que por si já faz uma analogia direta às mãos que, a meu ver, também são partes sacras do corpo humano. Olhando mais profundamente para a figura "homem-livro-mãos", vejo que entre estes elementos há uma dinâmica redundante, quase que circular, resultando num todo sem fim. Sendo assim, o olho dirige-se primeiramente para a cabeça do homem, que segura uma haste, que se junta à mão esquerda, que segura o livro, que segura o homem, que carrega a haste, que se junta à mão esquerda etc. Ao fundo, mais no canto superior direito, há uma representação que se assemelha a uma montanha, fazendo com que a figura "homem-livro-mãos" transporte-se para o primeiro plano da collage, em uma situação espacial que parece flutuar. Esta montanha ao fundo pode significar pilha, montanha de livros que nos dá margem para saltarmos à escada de livros em Rasuramore III. Esta escada, por sua vez, funciona como caminho certo, guiando-nos a caminho da terceira collage.


Rasuramore III

Aqui, o elemento central é um livro totalmente aberto, exposto, sendo segurado por uma mitológica figura feminina, posicionada sobre os livros que lhe servem de pedestal. Como é interessante perceber o olho passeando por esta collage! Vejo primeiramente a escada de livros que convida para o passeio. Mais adiante encontro as vestes da Vênus, logo após seu corpo, seu rosto a contemplar o livro que segura. Sim, cheguei ao livro, elemento central, aberto de tal maneira que nos invade de curiosidade, convidando-nos à leitura. Aqui podemos ficar o tempo que quisermos, deleitando-nos com as mais variadas histórias. Caso não nos percamos dentro do livro conseguiremos prosseguir o passeio seguindo pelo manto da Vênus, que se esparrama pela escada de livros, e parece nos dizer: "a saída é por aqui".

Partindo da observação de como Floriano Martins dispôs as figuras centrais na série Rasuramore, sendo elas respectivamente religiosa, humana e mitológica, é possível concluir que há evidências de que os livros sejam a morada delas. É como se, caso eu quisesse conhecer melhor uma destas figuras, com certeza as encontraria nos livros.

Acredito que Floriano Martins tem suas collages como iscas, que acabam por nos fisgar, levando-nos para o prato principal deste artista, ou seja, sua poesia, seus poemas. A idéia que tenho é que acabamos por ser jogados numa viagem insólita, onírica, artimanha típica de quem é poeta de vertente surrealista.

Texto originalmente publicado em: Martins, Floriano. Almas em Chamas. Ceará: Letra e Música Comunicação Ltda, 1998, pp.283-287

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Ombudsman
Maurício Silveira dos Santos

Como podíamos viver sem eles?

Está quase tudo muito bom, quase tudo divertido. Sonhos compartilhados, psicodelia, publicitárias ítalo-germânicas, dilemas existenciais e o ótimo texto do Alessandro. Quanto ao nosso editor, me compadeço das suas investidas para tentar colocar ordem na casa, mesmo admirando a desordem criativa. Boa sorte editor, às vezes é preciso ser durão, e pode contar comigo se for para detonar algum autor relapso.

É claro que todos perceberam, esta última edição nos brindou com uma grande surpresa: o Comentador Mascarado(C.M.) e seu cavalo Golder (será golder um cavalo?). Antes havia duas pessoas que liam obrigatoriamente o Simplicíssimo do início ao fim, cada título, cada matéria, cada comentário: o nosso estimado editor e este ombudsman. Houve mais de uma oportunidade em que pensei, no meio de um ou outro texto modorrento, que eu devia ser a única pessoa a enfrentar tal missão ingrata, mas que era o meu dever de ombudsman. Agora amigos, pasmem, o Comentador Mascarado, logo após a publicação do último número, tascou comentários sobre todos os textos. Poesia, crônica, conto, política, editorial ou seja lá o que for o Comentador Mascarado não faz cerimônia, lê e manda ver nas suas exegeses. Já estou me atacando de inveja, este mal que me acompanha; e já que na última semana a Letícia não publicou a sua coluna como ombudswoman vou transferir minha inveja para o C.M. e seu parceiro Golder. Mas não quero mal para eles, pelo contrário, espero que a disposição de ambos se mantenha e proponho que o C.M., além dos seus comentículos a cada texto tenha uma coluna fixa que pode ter Golder como colaborador e repórter para externas.

Pocotó, pocotó, pocotó e até mais muchachos.

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Desafio Simplex

O vencedor do Desafio Simplex desta semana foi Adalberto Queiroz, que sugeriu, para aumentar a divulgação do Simplicíssimo as seguintes alternativas:

"Permita-me sugerir:
1 Campanha de email marketing para divulgar o nosso site.
2 Retirada de tantas funções (setinhas, mouses etc.) que atrapalham a navegabilidade do site.
3 Que os participantes sejam divulgadores, pelo menos, de suas próprias colunas por email
4 Que volte o email marketing da própria edição de forma resumida, não tão pesada como era antes, para chamar a atenção e um LEIA MAIS que remeta o simples leitor ao site."

... continuem participando e divulgando o Desafio Simplex!
O próximo desafio já está aí ...


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Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 

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