07/04/2004
- Edição número
70
A Paixão de Cristo
|
| |
|
|
|
Editorial
Pois, Zé!
Como ia te contando, lá pras bandas do
Simplicíssimo, trovões e relâmpagos
estão a anunciar novos tempos...
Em primeiro lugar,
sinceras desculpas aos Simplileitores e àqueles
que estão tentando contato conosco de forma
infrutífera. Várias mensagens enviadas
através do site (praticamente todas) não
estão chegando até a Edição.
Não conseguimos identificar ainda o problema,
mas provavelmente algo associado ao novo provedor
que hospeda o site. Estamos tratando de resolver
o problema o quanto antes, para que tanto as participações
de autores e suas colaborações quanto
as participações no Desafio Simplex
possam ser reestabelecidas.
Ademais, o que tenho
a dizer?
Os textos de nossos colunistas estão cada
vez mais primorosos. Visualizamos um diálogo
fantástico entre Milton Ribeiro e Adalberto
de Queiroz a cada nova edição. A
quem está perdendo, meus pêsames!
Alessandro Garcia, Cristiane Martins, Eduardo
Sabbi, Pedro Volkmann e Maurício S. dos
Santos são outras sumidades da palavra
escrita, cada qual com sua característica
singular capaz de açambarcar uma legião
de fãs atentos ao seu trabalho.
Gostaria de agradecer
imensamente a estas especiais pessoas que fazem
comigo o Simplicíssimo, a cada nova semana
trazendo seu vigor, sua criatividade, sua inteligência,
sua originalidade e sua perserverança,
todos quesitos básicos para manter este
site respirando e com o coração
batendo, lutando firmemente pelo seu posto e sempre
em busca de crescimento para atingir os horizontes
tocados pela Última Flor do Lácio.
Esta edição
dedico a vocês, "fiéis escudeiros"
e, acima de tudo, amigos (que, em parte, nem pessoalmente
conheço mas já os tenho como parceiros
do coração).
Para homenageá-los,
surge-me uma interessante idéia, que pode
ser aceita ou negada individualmente por vós,
queridos colunistas, tendo em vista que não
lhes comuniquei de antemão, para preservar
a surpresa: Nas próximas edições,
a partir da edição de número
72, passarei a honra de editar o Simplicíssimo
às suas mãos, cada qual sendo responsável
por uma edição sucessiva até
o retorno à minha vez após o reinado
temporário de cada um. Desta idéia,
antecipo já, podem surgir frutos que perenemente
continuarão a surgir.
Sendo
o que tinha por ora, uma Feliz Páscoa para
todos que entendem e aceitam o seu significado
e também é calro para aqueles que
não compartilham do mesmo sentimento.
Felicidades
plenas,
Rafael
Luiz Reinehr
subir
|
Simples
Goyuchos
Adalberto de Queiroz
Ouvir
a voz interior ao ritmo da Orquestra
Autor:
Adalberto de Queiroz
Copyright © 2004.
A primeira dúvida é logo dissipada,
diante da página em branco: fico com a
croniqueta, porque ela mostra vantagens em relação
ao catatau. Nesses tempos de finais de campeonatos
regionais, a metáfora esportiva bem se
aplica, como se aplicara em tempos idos ao Mestre
Alceu Amoroso Lima: Croniquetas 3 x 0 Catataus.
Ademais: a croniqueta é mais digerível
para o leitor e representa quase uma geração
expontânea para o escriba. Nesse caso, seria
a croniqueta uma espécie de chacrete
do rabiscador de versos em pele de cronista, arte
mais exigente no que respeita ao pronto diálogo
com o leitor.
Aplainada
a escolha do veículo, posso de pronto tomar
a estrada dita vicinal, que se deseja construir
entre Goyaz e o Rio Grande, missão original
deste espaço.
Começa a divagação em que
o cérebro se põe a exercitar para
arrancar algumas respostas ao desafio proposto
pelo que divide comigo este espaço, o caríssimo
amigo "virtual" Milton Ribeiro. E já
não sei quem fora o proponente de tal desafio,
só a pergunta sobre o fim das orquestras,
originalmente formulada por Bravo! em dezembro
passado e que suscitou a observação
miltoniana neste espaço:
"Em
dezembro do ano passado, o Zadig propôs-me
uma discussão acerca da necessidade das
orquestras sinfônicas, tema que a Bravo!
havia abordado muito superficialmente. Seria um
post a quatro mãos, escrito em várias
partes na forma de sucessivas réplicas".
A
divagação do cronista encontra um
vasto campo de fuga na observação
de Enio Squeff e J.M. Wisnik: "a cristalização
da música de concerto requer a formação
de orquestras, de musicistas e de um público
consumidor menos ingênuo..." (1).
Se
não quiser tomar partido na discussão
original, sobre a importância da ação
da Crítica nessa construção,
resta ao colunista leigo em música, falar
como parte do público semi-ingênuo
mas amante da boa música, sobre o caos
estético e a perda que seria para o já
reduzido público da música de orquestras
que se decretasse seu fim.
A crueldade extremada de uma tal decisão
para o apreciador da música seria um golpe
similar a extinguir não apenas todas as
formas de pincéis, tintas, crayons e guaches
dos pintores e dos apreciadores de sua arte, mas,
muito antes abolir "o mundo visível"
para as artes plásticas.
Um
olhar para o século XVIII, dirigido por
Curt Lange (2), mostrou que havia só em
Minas Gerais aproximadamente mil músicos.
Se as Minas do Ciclo do Ouro possuíam,
relativamente, mais profissionais da música
que a São Paulo dos anos 1980 e Goyaz,
na sua brejeirice e exclusão do centro
de decisões do país, à época
do seu pobre barroco periférico, computava
também número respeitável
de músicos de bandas e de conjuntos religiosos.
Faltaram
aos argumentos de Squeff e Wisnik elementos que
me permitissem concluir que essa quantidade de
músicos se devia ao mercado. Pensei que
só podia ser conseqüência da
demanda que as igrejas, com seus tantos ofícios
religiosos; além dos inúmeros saraus
que as famílias abastadas da época
do "Ciclo do Ouro", mas deixo a tarefa
de confirmar isso aos meus seis leitores.
Fala-se
também na dignidade da profissão
de músico no Brasil e alhures. Isso fica
martelando na cabeça do escriba, como um
piccicatto que não quer calar, dentro da
"rádio-cabeça" de que
nos fala o músico e pensador César
Miranda, do Pró-Tensão (http://protensao.wunderblogs.com).
Será mesmo que a profissão de músico
somente se tornou "digna" depois de
Beethoven ou a singela pureza e humilde dedicação
de J. Haydn já pressupõe a suprema
dignidade do artesão?
É
que os autores de "Música" escrevem
com um olhar fixo para o conceito marxista (ou
gramsciano) do "nacional-popular" na
cultura a balizar-lhes todo o percurso de análise.
O
escritor alemão Thomas Mann, em seu livro
mais musical - o Doutor Fausto me apóia
no levantamento desta hipótese:
"...na
Alemanha, a música goza do mesmo apreço
que na França se dedica à Literatura"
e por conseqüência, "ninguém
mostrará desdém ou sarcasmo ao saber
que uma pessoa é músico" (3).
Em
meu socorro francófilo, vem o mestre Amadeus.
Mozart teria, em carta ao pai, além de
constatar que Haydn era o maior músico
de sua época, feito críticas aos
músicos alemães de sua época
e, mesmo deplorando Paris por sua "leviandade"
(o flon-flon das conversações),
exaltava a cidade-Luz como "a capital dos
melhores músicos de orquestra".
Com todos esses insights na cabeça, a roer-lhe
os miolos, o cronista depara-se com os bonés
de S. Excia. o Presidente Luiz Inácio da
Silva. E além de deplorar seu endosso aos
invasores de terra, que transitam sob a égide
do MST, vê o presidente do Sindicato Brasil
posar como "músico fake", com
um boné do "hip-hop".
Esqueceria
o escriba dos talentos de milhares de músicos
de orquestras e grandes regentes que lhe honra
ter como compatriotas de diversas gerações,
como Padre José Maurício, de Nepomuceno
e sua amizade com Machado de Assis, de Carlos
Gomes e sua amizade com o Imperador D. Pedro I,
de Bruno Kiefer e seu amor germano-rio-grandense
com o Brasil e do sublime Villa-Lobos e sua missão
educadora que incluiu admitir a amizade com Getúlio,
em nome da Música. Como esquecer tudo isso?
- Impossível, diz a música silenciosa
do coração do cronista.
Só
o abandono gradativo da educação
musical em nosso país, da instrução
continuada de bons ouvintes, da formação
de músicos sinfônicos (sem demérito
para as bandas de música, que também
se rarefazem agora), geram o pó do desencanto
que nos condena ao hip-hop.
A
indústria cultural tem um olho no gato
- o mercado radiofônico, do jabá
das emissoras e programas de auditório
etc. - e, outro, no boné do presidente.
Quando me lembro do filme sobre a vida do Villa,
lembro-me com suave afeto das pipas e do "corão"
(não o livro islâmico, por favor),
mas as mil vozes enchendo um estádio de
futebol, tendo a bandeira brasileira como símbolo
maior.
O
verdadeiro dilema, sim, surgindo sobre a importância
das orquestras e sua causa de morte, aventada
pela matéria de Bravo, residindo na ausência
de autonomia para educação musical.
Não me parece que a Crítica ou a
imprensa difusora da informação
de boa qualidade sós e sem projeto de educação
continuada necessitem de alvará da sociedade
para "puxá-la para cima", pois
que, venal, se apressa a ceder cada vez mais à
avalanche da indústria cultural para um
precipício que parece não ter fim.
Também nesse domínio, o Brasil parece
continuar descendo a ladeira.
Salvam-se
iniciativas como essa relatada pela Bravo!, na
ed. 79, abril/04, dando conta do relançamento
de "Ouvido básico"
obra das musicistas Clarice Miranda e Liana Justus,
que contém um CD-ROM, que traz, entre tantas
outras informações, mais de 800
imagens, um filme digital que apresenta todos
os instrumentos de uma orquestra sinfônica
e trechos de várias peças musicais.
E
como a Bravo! já pautou esses dois diaristas
uma vez, nada melhor que recorrer àquele
periódico para outra pauta. Siga o link:
http://bravonline.uol.com.br/impressa.php?edit=mu&numEd=79
E sem querer frustrar os leitores afeitos à
sobremesa poética, hoje fico no musical,
afinal se acreditasse em Schopenhauer, "todas
as artes aspiram à condição
da Música". E esta croniqueta
pretende soar como "une petite phrase"
sonora de uma Sonata de Vinteuil (na memória
proustiana) a repetir em seu ouvido uma ansiedade
artística que merece sua reflexão
como cidadãos de bom-gosto. (AQ)
(*)Adalberto
de Queiroz
É jornalista e empresário e mantém
o blog www.zadig.blogger.com.br
-----------------
Obras citadas:
(1) "Música", Squeff e Wisnik,
Ed. Brasiliense, 1982.
(2) Doutor Fausto, Th. Mann, Ed. Nova Fronteira,
1985.
subir
|
Nua
& Crua
Cristiane Martins
Xiiii
é Páscoa!
E já é
Páscoa novamente meu filho.
É, o tempo
urge!
Agora o que não
dá nem pra comentar é sobre o espírito
pascal, porque esse simplesmente nem existe mais
nos dias de hoje, provavelmente deu lugar à
tão concorrida "Colomba Pascal"
ou algum outro doce do tipo.
A gente lembra que
a Páscoa se aproxima porque o supermercado
é invadido por avalanches de chocolates
de todos as cores e tamanhos e texturas.
E a festa é
grande. Tão grande que existem supermercados
que no desespero de fazer uma boa vitrine, bem
ao alcance dos olhos e mãos, acabam misturando
chocolate com os mais variados tipos de mercadoria.
Chega a dar medo.
E todo ano uma nova
gama de ovos de chocolate surgem do nada: é
Kinder Ovo com surpresa, é Ovo Trakinas
com nova forma (achatada e não mais oval
como os triviais).
Cada qual mais chamativo
com um único público como alvo:
as nossas crianças.
E quando eu falo
as nossas crianças não me refiro
somente aos filhos, considere nessa lista: afilhados,
priminhos, irmãos, enteados e por aí
vai...
Cada vez mais cedo
essas pessoinhas tem perdido suas ilusões,
cada vez mais cedo descobrem que o "Coelho
da Páscoa" está emagrecendo
a cada ano que passa, com menos dinheiro no bolso.
Eu bem me lembro
das minhas saudosas Páscoas, na minha doce
infantilidade, enchendo os olhos com ninhos confeccionados
com todo carinho e zelo de meus padrinhos e pais.
Ovos de chocolate,
balas, pirulitos, o Domingo era uma festa, com
direito a dor de barriga e muitas vezes uma dolorosa
diarréia posterior!
Como é bom
ser criança!
Onde foi parar essa
inocência hoje em dia?
Eu me pergunto por
que a grande maioria dos pais não se preocupa
mais em cultivar essa ilusão de que Coelhinho
existe.
Particularmente eu
não acho que seja ruim. Ouço pais
alegando que é melhor contar logo que quem
compra os chocolates são os humanos porque
mais cedo ou mais tarde eles (as crianças)
acabam descobrindo e frustrando-se.
Pra mim isso tudo
faz parte de um processo. E que deve acontecer
gradativamente, sem sustos, sem traumas.
Eu nem me lembro
quando foi que parei de acreditar no Coelhinho,
porque isso é natural, com o passar dos
anos a criança vai adquirindo e assimilando
informações e acaba por si só
avaliando e distinguindo realidade de conto de
fadas.
Mas com ou sem a
ilusão do Coelhinho a Páscoa sobrevive,
os telejornais anunciam que a previsão
de vendas de chocolate é grande, o dólar
cai, sobe, a bolsa fecha em alta, em baixa, o
Rubinho deixa o colega de equipe passar na frente
e a vida segue seu ciclo.
Meu apelo nessa Páscoa
é que não acabem com a ilusão
dos pequeninos assim tão rápido.
Logo eles vão tornar-se adultos cheios
de obrigações e horários
e daí lhes restarão pelo menos as
boas lembranças dos tempos inocentes, das
coisas boas que aconteciam nessas datas comemorativas.
E também,
para que nós adultos aproveitemos o feriado
para passar com a nossa família, dar um
beijo nos pais, fazer um chamego especial no seu
amor, fazer um passeio com as crianças,
um zoológico, uma fazenda, enfim, fazer
algo de diferente, para que a data não
passe em branco, para que não seja somente
um número marcado em vermelho no calendário.
Porque depois do
feriado, só restarão ovos de chocolate
quebrados amontoados em liquidações
nos supermercado.
Algo que provavelmente
você vai comprar para comer de petisco junto
com seu chimarrão!
Cristiane Martins
www.ansiosaeprematura.weblogger.com.br
subir
|
Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia
Crônica
fora de época
- Feliz Páscoa! Ho, ho, ho!!
-
Ho, ho, ho? Mas nós estamos na Páscoa,
e não no Natal! Aliás, quem é
você?
-
Como assim quem sou eu? Eu sou o Coelhinho da
Páscoa! Ho, ho, ho!!
-
Coelhinho? Falante? Com um saco vermelho nas costas?
Acho que o senhor está meio perdido...
-
Que senhor, o quê, meu filho! Vem aqui,
senta no colinho e diz pro véio o que você
quer ganhar nesta Páscoa!
-
Sentar no colinho? Tu deve estar de brincadeira
comigo, né? Além de completamente
deslocado no espaço e no tempo, ainda curte
marmanjo sentando no teu colo... Aliás,
quem contratou o senhor? Desde quando shopping
center tem coelhinho da páscoa distribuindo
presentes?
-
Como assim, meu pequeno menino? O Coelhinho da
Páscoa sempre esteve vivo no coração
de todas as pessoas! Só a cabe a nós
acender a santa luz da Páscoa e do Coelhinho
e deixar que o seu espírito no envolva!
-
Muito bonita a sua historinha. Só que para
mim não cola. Coelhinho da Páscoa
não existe! Muito menos gordo e sentado
em uma cadeira vermelha rodeado de presentes...
E quem são estes? Gnomos?
-
Fala baixo, meu filho! Descolei este servicinho,
convenci a todos da necessidade de mantermos vivo
o espírito da Páscoa! De quebra,
ainda consegui uma ponta para os meus amiguinhos
aqui. Não vai sujar para o nosso lado,
hein? Ho, ho, ho!!
-
Sim, mas cadê os ovos de chocolate? Desde
quando na Páscoa nós temos presentes
embrulhados? Aquilo ali é uma manjedoura?
-
Bom, sabe como tá a situação...
O pessoal do shopping teve que reaproveitar os
arranjos do Natal. A coisa não tá
boa pra ninguém...
-
Ta, tudo bem. Mas, e esta barba?
-
Bom, isto foi o que restou do Natal! Ho, ho, ho!!
Vem, cá, criancinha linda, senta no colo
do Coelhinho da Páscoa!
- Restou do Natal? Ah, então quer dizer
que o senhor é mesmo o Papai Noel?
- Há! Não acredita em Coelhinho
da Páscoa, mas acredita no Papai Noel,
não é? Deixa de frescura e senta
no colinho do véio...
Alessandro Garcia não escreve crônicas.
Tem a perfeita noção de o único
que ainda sabe fazer isto, depois que Fernando
Sabino virou biógrafo da Zélia,
é Luis Fernando Verissimo. Ainda assim
se atreveu a bolir com a discriminada categoria
literária. Sua desculpa é que foi
o espírito da Páscoa.
subir
|
en
passant
Eduardo Hostyn Sabbi
Sala de parto
Pois
chegou o derradeiro dia. Dia da decisão.
É deveras interessante, para não
dizer complicado ao extremo, conviver entranhado
com o processo eleitoral. Só se sabe mesmo
quando se está concorrendo. E eu estou.
É um espetáculo e tanto para uma
platéia atenta e perspicaz. Alguns revelam
o que escondiam, outros escondem o que revelavam.
Os que se dizem oposição estão
hoje no poder e não percebem que cospem
para cima. Aos que restou o rótulo de situação,
não há vontade de sê-lo, nem
força em contrário. Atitude sensata,
uma vez que as peças atrás e futuras
se mesclam e se confundem nos dois lados.
Mas a história
é um pouquinho mais longa. Parece coisa
do destino, do Karma ou do coelhinho da Páscoa
mesmo. Há 2 eleições atrás,
os mesmos candidatos dividiram ao meio os 80 votos
disputados. Semana passada, quando ingressaram
na assembléia 113 associados, o resultado
temido por ambos ficou distante. E na contagem
dos votos, lá estava eu, risco a risco,
quase como um painel eletrônico (ou seria
um presidiário contando na parede os dias
que passam?). A sensação é
algo difícil de descrever. Vivi cada voto
como o próprio resultado final ou quase
isso. Imagine você que eu passaria por 113
resultados finais até explodir de alegria
ou banhar-me na tristeza das lágrimas.
Uma
vantagem inicial e um raciocínio do tipo
amostragem me deu a certeza da vitória
logo de cara. Abrimos uma vantagem que logo se
desfez e deu lugar para o equilíbrio, mantido
até a metade da apuração.
Depois disso, para franco desespero deste ser
que vos relata essas verdades (daqueles de converter
qualquer cristão não-praticante
em servo fiel), o adversário tomou a dianteira
a passos largos e os votos seguintes conspiravam
contra nós. Já na reta final, a
tensão aumentou de forma diretamente proporcional
à nossa reaproximação. Era
o último gás. Faltando 10 votos,
estávamos lado a lado. Vieram mais 6 e
passamos 3 à frente. Os derradeiros 4 não
poderiam ser 100% contra. É como jogar
uma moeda para o alto e cair sempre cara ou coroa.
E não foram
mesmo. Não foram porquê só
haviam 3 na urna e todos 100% contra (ah seu Murphy
...). Olhos arregalados se entreolhavam na sala.
56 a 56. Procurou-se “zil” vezes o
centésimo terceiro voto. No fundo da urna,
embaixo da mesa e das cadeiras, sob o tapete,
entre a samambaia (coitada!). Contamos e recontamos.
Algo que nem Coca-cola: era isso aí. Veio
a luz: um associado estava presente mas impossibilitado
de votar frente a pendências financeiras.
Que puxa! Oh azar! E o que chegou pouco antes
de fecharmos a urna? E o que chegou pouco depois?
O que esqueceu, o que adoeceu, o que se acomodou
porque erradamente antes mesmo se convenceu?
Ah, hoje a história
pode ser diferente ou quem sabe (e tomara) exatamente
igual a 2 eleições passadas. Faltando
menos de 6 horas para a apuração,
meu coração já dispara. Será
mais um teste para minhas até então
silenciosas coronárias (que permaneçam
assim). Quando esse artigo for publicado à
noite, é provável que eu já
tenha o resultado fresquinho e poderei adicionar
um comentário ainda indefinido. É
hora do Golden Gol, um apenas leva (ou não)
e já valeu a pena ter tudo isso para contar.
Que a força esteja com a gente!
subir
|
I-Racional
Pedro
Volkmann
Um
dia a casa cai
“Admitir que
o dissenso é espaço para a criatividade,
como indica Lyotard (1998), implica assumir a
diversidade e, por que não, a ambigüidade
(Burrell, 1999) – no sentido de que os entendimentos
são sempre limitados por conceituações
e opções filosóficas e ideológicas,
como qualidade da conversação.”
(Misoczki, 2003)
“Montaigne
(1533-1572) procurou não se espantar em
demasia com os costumes dos Tupinambá,
de quem teve notícias e chegou mesmo a
ter contato com três deles em Ruão,
afirmando não ver nada de bárbaro
ou selvagem no que diziam a respeito deles, porque
na verdade, cada qual considera bárbaro
o que não se pratica em sua terra.”
(Laraia, 1997)
Um filme cujo nome
ainda não lembrei, trazia a história
de uma família que se mudava para uma casa
caindo aos pedaços. Eles gostaram da casa
e compraram. Só não imaginavam o
estado que ela poderia estar. Um dia a casa foi
construída. Tudo parecia no seu devido
lugar, mas um belo dia (acho que o nome do filme
era – ver o título):
Ninguém mais
a queria
Pobre Maria,
A faxineira.
Pensou que era uma escada,
Era uma ladeira
Que enrascada.
Para que reconstruir
O mais novo é muito mais belo
Vamos fazer logo um castelo.
Dá um dó, destruir.
Esforços juntar
Do ferro às telhas, da areia ao cimento
Todos se complementam
Nestes dias cinzentos
Porém, para que mudar
Os homens que lá
habitam
São felizes como são.
Não conhecem nada melhor, nem pior,
Que maldição
Me irritam.
Será que é
nosso dever?
Saber? Fazer?
Desde a Grécia Antiga, há os que
pensam
Que fazem, que agem...
Como Descobrir neste
monte de escombros
Uma luz no alto da construção?
Uma forma de chegar a solução?
Sei que para muitos parecerá um assombro.
Mas por onde começar?
Cada qual tem sua idéia
Que julga, a panacéia.
Será possível
que um projeto
Una engenheiros e arquitetos?
Será que a função
Pode conviver com a estética?
(E dar ao mundo uma lição.)
Pode um texto socialista
Se encaixar numa teoria organizacional
Pode um capitalista
Achar isto sensacional?
Não sei quem
é que disse,
Talvez uma miss (brincaderinha)
Porém, tenho que concordar,
Não é fácil navegar
(No Caos.)
Bordieu fala de poder
De querer ter
Das forças e da luta
Quem refuta?
A pluridade é
um fato
Mas não reaja como um rato,
Que abandona navios
Quando a vida está por um fio.
Da oposição,
Da destruição
Do diferente e do igual
Da égua e do bagual,
Das planícies e dos vulcões
Saem as grandes criações.
(Não importa se é para a ciência,
campo ou uma morada).
Pára Paradigma
Vou fazer uma nova casa em balanço
Como fez o Frank Lloyd
Vou fazer uma música como fez o Pink Floyd
Sem ranço.
É hora de
criar, é hora de ousar
Quem ousa contra isto?
Referência:
Laraia, Roque de
Barros, “Cultura – Um Conceito Antropológico”,
1997, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro.
subir
|
Ombudsman
Rafael Luiz Reinehr
Tá
difícil, hein?
Ôxe
vida dura esta de editor de site literário...
Não sei quem está em pior posição:
eu aqui ou o Lula lá...
À
parte das brincadeiras, realmente não tem
sido fácil gerenciar esta geringonça.
Graças a todos santos (homenagem a quem
neles acredita, o que não é o meu
caso) tenho uma patota de amigos que imensamente
me ajudam nesta árdua tarefa.
Mas,
voltando ao que interessa, deixe-me ver o que
se passou na edição número
69:
No
editorial, a providência divina não
deixou que nosso queridíssimo editor, que
por acaso é este que agora vos fala, escrevesse
suas sinceras (entretando raivosas) palavras acerca
da Ditadura Militar e sua experiência nas
forças armadas na atualidade.
Com
o Gabriel, sempre se aprende. Além de me
fazer ir ao dicionário procurar o que significa"
indeiscente", podemos avançar nossa
cultura com básicas noções
de latim.
Milton
Ribeiro põe fogo põe lenha na fogueira
e atiça nosso digníssimo Adalberto
a levantar-se e defender sua posição
no que diz respeito à neessidade das orquestras
sinfônicas, aproveitandoa ocasião
para dar uma aula sobre a cronologia da música
gravada. Excepcional.
A
volta da Cristiane Martins foi conforme o esperado:
nossa eterna apaixonada destila suavidade romântica
em mais um de seus belíssimos contos.
(este
Ombudsman não está servindo aos
seus propósitos! Só elogia! E cadê
as críticas ferrenhas, corrosivas e destrutivas,
tão esperadas pelo povão?)
Alessandro
Garcia nos indica os caminhos para um bom romance
de mistério. Faz isso com destreza ímpar.
Desculpem-me, mas não tenho como falar
mal...
Eduardo,
preocupado com as eleições, psicotiza,
passando a alucinar em múltiplas cores,
chamndo loucamente a atenção para
o seu artigo, buenacho, por sinal!
Pedro
Volkmann e seu conto viajandão tiram qualquer
um dos eixos, querendo desesperadamente conhecer
K-Pax e tudo o mais!
Carla
Schneider nos introduz à collage, assim
como a um grande mestre da área, Floriano
Martins. Texto sóbrio, reto e belo.
O
digníssimo Ombudsman Maurício novamente
atém-se a um assunto somente (a visita
do Comentador Mascarado), deixando de comentar
os textos de alguns dos autores, que sentiram
a falta das doces palavras deste querido Ombudsman.
Não o critico, entretanto. Cada um sabe
do seu cada um.
Espero
ser esta a última semana minha neste posto.
Estamos correndo desesperadamente atrás
de um novo Ombudsman para ocupar o cargo outrora
ocupado pela Letícia, mas tal tarefa inglória
não é aceita por qualquer alma fraca.
Pessoas que gostam de criticar os outros são
difíceis de se encontrar por aí
(Mentchíííra! - é
o que mais há!)...
Se
você se voluntaria ou conhece alguém
perfeito para o posto, entre em contato!
subir
|
Desafio
Simplex
O
vencedor do Desafio Simplex desta semana
não existiu devido a problemas
decorrentes no provedor que hospeda
o sítio, que impossiblitou o
recebimento das respostas
Basta-me
informar que a pergunta do Desafio continua
a mesma só que desta vez teremos
prêmio em dobro! Além do
CD do Big Mountain, o vencedor ganhará
também o compacto disco do No
Doubt!
...
continuem participando e divulgando
o Desafio Simplex!
O
próximo desafio já
está aí ...
|
www.simplicissimo.com.br
Copyright © 2003 - Rafael Luiz Reinehr - Todos os direitos
reservados. Sinta-se à vontade para reproduzir os
textos do site, mas não esqueça de citar a
fonte e o autor.
|
|
Desafio Simplex!
Clique
aqui para saber mais!!! |
.
Pegue
o banner
do Simplicíssimo
e divulgue em seu
sítio ou blógue!

Línque
para
http://www.simplicissimo.com.br
e depois nos avise!

Selo comemorativo
alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente
criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
|
|