Simplicíssimo
Jornal Virtual de periodicidade pascoalmente semanal


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Editorial

Pois, Zé!
Como ia te contando, lá pras bandas do Simplicíssimo, trovões e relâmpagos estão a anunciar novos tempos...

Em primeiro lugar, sinceras desculpas aos Simplileitores e àqueles que estão tentando contato conosco de forma infrutífera. Várias mensagens enviadas através do site (praticamente todas) não estão chegando até a Edição. Não conseguimos identificar ainda o problema, mas provavelmente algo associado ao novo provedor que hospeda o site. Estamos tratando de resolver o problema o quanto antes, para que tanto as participações de autores e suas colaborações quanto as participações no Desafio Simplex possam ser reestabelecidas.

Ademais, o que tenho a dizer?
Os textos de nossos colunistas estão cada vez mais primorosos. Visualizamos um diálogo fantástico entre Milton Ribeiro e Adalberto de Queiroz a cada nova edição. A quem está perdendo, meus pêsames!
Alessandro Garcia, Cristiane Martins, Eduardo Sabbi, Pedro Volkmann e Maurício S. dos Santos são outras sumidades da palavra escrita, cada qual com sua característica singular capaz de açambarcar uma legião de fãs atentos ao seu trabalho.

Gostaria de agradecer imensamente a estas especiais pessoas que fazem comigo o Simplicíssimo, a cada nova semana trazendo seu vigor, sua criatividade, sua inteligência, sua originalidade e sua perserverança, todos quesitos básicos para manter este site respirando e com o coração batendo, lutando firmemente pelo seu posto e sempre em busca de crescimento para atingir os horizontes tocados pela Última Flor do Lácio.

Esta edição dedico a vocês, "fiéis escudeiros" e, acima de tudo, amigos (que, em parte, nem pessoalmente conheço mas já os tenho como parceiros do coração).

Para homenageá-los, surge-me uma interessante idéia, que pode ser aceita ou negada individualmente por vós, queridos colunistas, tendo em vista que não lhes comuniquei de antemão, para preservar a surpresa: Nas próximas edições, a partir da edição de número 72, passarei a honra de editar o Simplicíssimo às suas mãos, cada qual sendo responsável por uma edição sucessiva até o retorno à minha vez após o reinado temporário de cada um. Desta idéia, antecipo já, podem surgir frutos que perenemente continuarão a surgir.

Sendo o que tinha por ora, uma Feliz Páscoa para todos que entendem e aceitam o seu significado e também é calro para aqueles que não compartilham do mesmo sentimento.

Felicidades plenas,

Rafael Luiz Reinehr

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Simples Goyuchos
Adalberto de Queiroz

Ouvir a voz interior ao ritmo da Orquestra
Autor: Adalberto de Queiroz
Copyright © 2004.


A primeira dúvida é logo dissipada, diante da página em branco: fico com a croniqueta, porque ela mostra vantagens em relação ao catatau. Nesses tempos de finais de campeonatos regionais, a metáfora esportiva bem se aplica, como se aplicara em tempos idos ao Mestre Alceu Amoroso Lima: Croniquetas 3 x 0 Catataus. Ademais: a croniqueta é mais digerível para o leitor e representa quase uma geração expontânea para o escriba. Nesse caso, seria a croniqueta uma espécie de chacrete do rabiscador de versos em pele de cronista, arte mais exigente no que respeita ao pronto diálogo com o leitor.

Aplainada a escolha do veículo, posso de pronto tomar a estrada dita vicinal, que se deseja construir entre Goyaz e o Rio Grande, missão original deste espaço.
Começa a divagação em que o cérebro se põe a exercitar para arrancar algumas respostas ao desafio proposto pelo que divide comigo este espaço, o caríssimo amigo "virtual" Milton Ribeiro. E já não sei quem fora o proponente de tal desafio, só a pergunta sobre o fim das orquestras, originalmente formulada por Bravo! em dezembro passado e que suscitou a observação miltoniana neste espaço:

"Em dezembro do ano passado, o Zadig propôs-me uma discussão acerca da necessidade das orquestras sinfônicas, tema que a Bravo! havia abordado muito superficialmente. Seria um post a quatro mãos, escrito em várias partes na forma de sucessivas réplicas".

A divagação do cronista encontra um vasto campo de fuga na observação de Enio Squeff e J.M. Wisnik: "a cristalização da música de concerto requer a formação de orquestras, de musicistas e de um público consumidor menos ingênuo..." (1).

Se não quiser tomar partido na discussão original, sobre a importância da ação da Crítica nessa construção, resta ao colunista leigo em música, falar como parte do público semi-ingênuo mas amante da boa música, sobre o caos estético e a perda que seria para o já reduzido público da música de orquestras que se decretasse seu fim.
A crueldade extremada de uma tal decisão para o apreciador da música seria um golpe similar a extinguir não apenas todas as formas de pincéis, tintas, crayons e guaches dos pintores e dos apreciadores de sua arte, mas, muito antes abolir "o mundo visível" para as artes plásticas.

Um olhar para o século XVIII, dirigido por Curt Lange (2), mostrou que havia só em Minas Gerais aproximadamente mil músicos. Se as Minas do Ciclo do Ouro possuíam, relativamente, mais profissionais da música que a São Paulo dos anos 1980 e Goyaz, na sua brejeirice e exclusão do centro de decisões do país, à época do seu pobre barroco periférico, computava também número respeitável de músicos de bandas e de conjuntos religiosos.

Faltaram aos argumentos de Squeff e Wisnik elementos que me permitissem concluir que essa quantidade de músicos se devia ao mercado. Pensei que só podia ser conseqüência da demanda que as igrejas, com seus tantos ofícios religiosos; além dos inúmeros saraus que as famílias abastadas da época do "Ciclo do Ouro", mas deixo a tarefa de confirmar isso aos meus seis leitores.

Fala-se também na dignidade da profissão de músico no Brasil e alhures. Isso fica martelando na cabeça do escriba, como um piccicatto que não quer calar, dentro da "rádio-cabeça" de que nos fala o músico e pensador César Miranda, do Pró-Tensão (http://protensao.wunderblogs.com).
Será mesmo que a profissão de músico somente se tornou "digna" depois de Beethoven ou a singela pureza e humilde dedicação de J. Haydn já pressupõe a suprema dignidade do artesão?

É que os autores de "Música" escrevem com um olhar fixo para o conceito marxista (ou gramsciano) do "nacional-popular" na cultura a balizar-lhes todo o percurso de análise.

O escritor alemão Thomas Mann, em seu livro mais musical - o Doutor Fausto me apóia no levantamento desta hipótese:

"...na Alemanha, a música goza do mesmo apreço que na França se dedica à Literatura" e por conseqüência, "ninguém mostrará desdém ou sarcasmo ao saber que uma pessoa é músico" (3).

Em meu socorro francófilo, vem o mestre Amadeus. Mozart teria, em carta ao pai, além de constatar que Haydn era o maior músico de sua época, feito críticas aos músicos alemães de sua época e, mesmo deplorando Paris por sua "leviandade" (o flon-flon das conversações), exaltava a cidade-Luz como "a capital dos melhores músicos de orquestra".
Com todos esses insights na cabeça, a roer-lhe os miolos, o cronista depara-se com os bonés de S. Excia. o Presidente Luiz Inácio da Silva. E além de deplorar seu endosso aos invasores de terra, que transitam sob a égide do MST, vê o presidente do Sindicato Brasil posar como "músico fake", com um boné do "hip-hop".

Esqueceria o escriba dos talentos de milhares de músicos de orquestras e grandes regentes que lhe honra ter como compatriotas de diversas gerações, como Padre José Maurício, de Nepomuceno e sua amizade com Machado de Assis, de Carlos Gomes e sua amizade com o Imperador D. Pedro I, de Bruno Kiefer e seu amor germano-rio-grandense com o Brasil e do sublime Villa-Lobos e sua missão educadora que incluiu admitir a amizade com Getúlio, em nome da Música. Como esquecer tudo isso?
- Impossível, diz a música silenciosa do coração do cronista.

Só o abandono gradativo da educação musical em nosso país, da instrução continuada de bons ouvintes, da formação de músicos sinfônicos (sem demérito para as bandas de música, que também se rarefazem agora), geram o pó do desencanto que nos condena ao hip-hop.

A indústria cultural tem um olho no gato - o mercado radiofônico, do jabá das emissoras e programas de auditório etc. - e, outro, no boné do presidente.
Quando me lembro do filme sobre a vida do Villa, lembro-me com suave afeto das pipas e do "corão" (não o livro islâmico, por favor), mas as mil vozes enchendo um estádio de futebol, tendo a bandeira brasileira como símbolo maior.

O verdadeiro dilema, sim, surgindo sobre a importância das orquestras e sua causa de morte, aventada pela matéria de Bravo, residindo na ausência de autonomia para educação musical. Não me parece que a Crítica ou a imprensa difusora da informação de boa qualidade sós e sem projeto de educação continuada necessitem de alvará da sociedade para "puxá-la para cima", pois que, venal, se apressa a ceder cada vez mais à avalanche da indústria cultural para um precipício que parece não ter fim. Também nesse domínio, o Brasil parece continuar descendo a ladeira.

Salvam-se iniciativas como essa relatada pela Bravo!, na ed. 79, abril/04, dando conta do relançamento de "Ouvido básico" obra das musicistas Clarice Miranda e Liana Justus, que contém um CD-ROM, que traz, entre tantas outras informações, mais de 800 imagens, um filme digital que apresenta todos os instrumentos de uma orquestra sinfônica e trechos de várias peças musicais.

E como a Bravo! já pautou esses dois diaristas uma vez, nada melhor que recorrer àquele periódico para outra pauta. Siga o link: http://bravonline.uol.com.br/impressa.php?edit=mu&numEd=79

E sem querer frustrar os leitores afeitos à sobremesa poética, hoje fico no musical, afinal se acreditasse em Schopenhauer, "todas as artes aspiram à condição da Música". E esta croniqueta pretende soar como "une petite phrase" sonora de uma Sonata de Vinteuil (na memória proustiana) a repetir em seu ouvido uma ansiedade artística que merece sua reflexão como cidadãos de bom-gosto. (AQ)

(*)Adalberto de Queiroz
É jornalista e empresário e mantém o blog www.zadig.blogger.com.br
-----------------
Obras citadas:
(1) "Música", Squeff e Wisnik, Ed. Brasiliense, 1982.
(2) Doutor Fausto, Th. Mann, Ed. Nova Fronteira, 1985.

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Nua & Crua
Cristiane Martins

Xiiii é Páscoa!

E já é Páscoa novamente meu filho.

É, o tempo urge!

Agora o que não dá nem pra comentar é sobre o espírito pascal, porque esse simplesmente nem existe mais nos dias de hoje, provavelmente deu lugar à tão concorrida "Colomba Pascal" ou algum outro doce do tipo.

A gente lembra que a Páscoa se aproxima porque o supermercado é invadido por avalanches de chocolates de todos as cores e tamanhos e texturas.

E a festa é grande. Tão grande que existem supermercados que no desespero de fazer uma boa vitrine, bem ao alcance dos olhos e mãos, acabam misturando chocolate com os mais variados tipos de mercadoria. Chega a dar medo.

E todo ano uma nova gama de ovos de chocolate surgem do nada: é Kinder Ovo com surpresa, é Ovo Trakinas com nova forma (achatada e não mais oval como os triviais).

Cada qual mais chamativo com um único público como alvo: as nossas crianças.

E quando eu falo as nossas crianças não me refiro somente aos filhos, considere nessa lista: afilhados, priminhos, irmãos, enteados e por aí vai...

Cada vez mais cedo essas pessoinhas tem perdido suas ilusões, cada vez mais cedo descobrem que o "Coelho da Páscoa" está emagrecendo a cada ano que passa, com menos dinheiro no bolso.

Eu bem me lembro das minhas saudosas Páscoas, na minha doce infantilidade, enchendo os olhos com ninhos confeccionados com todo carinho e zelo de meus padrinhos e pais.

Ovos de chocolate, balas, pirulitos, o Domingo era uma festa, com direito a dor de barriga e muitas vezes uma dolorosa diarréia posterior!

Como é bom ser criança!

Onde foi parar essa inocência hoje em dia?

Eu me pergunto por que a grande maioria dos pais não se preocupa mais em cultivar essa ilusão de que Coelhinho existe.

Particularmente eu não acho que seja ruim. Ouço pais alegando que é melhor contar logo que quem compra os chocolates são os humanos porque mais cedo ou mais tarde eles (as crianças) acabam descobrindo e frustrando-se.

Pra mim isso tudo faz parte de um processo. E que deve acontecer gradativamente, sem sustos, sem traumas.

Eu nem me lembro quando foi que parei de acreditar no Coelhinho, porque isso é natural, com o passar dos anos a criança vai adquirindo e assimilando informações e acaba por si só avaliando e distinguindo realidade de conto de fadas.

Mas com ou sem a ilusão do Coelhinho a Páscoa sobrevive, os telejornais anunciam que a previsão de vendas de chocolate é grande, o dólar cai, sobe, a bolsa fecha em alta, em baixa, o Rubinho deixa o colega de equipe passar na frente e a vida segue seu ciclo.

Meu apelo nessa Páscoa é que não acabem com a ilusão dos pequeninos assim tão rápido. Logo eles vão tornar-se adultos cheios de obrigações e horários e daí lhes restarão pelo menos as boas lembranças dos tempos inocentes, das coisas boas que aconteciam nessas datas comemorativas.

E também, para que nós adultos aproveitemos o feriado para passar com a nossa família, dar um beijo nos pais, fazer um chamego especial no seu amor, fazer um passeio com as crianças, um zoológico, uma fazenda, enfim, fazer algo de diferente, para que a data não passe em branco, para que não seja somente um número marcado em vermelho no calendário.

Porque depois do feriado, só restarão ovos de chocolate quebrados amontoados em liquidações nos supermercado.

Algo que provavelmente você vai comprar para comer de petisco junto com seu chimarrão!

Cristiane Martins
www.ansiosaeprematura.weblogger.com.br


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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia


Crônica fora de época


- Feliz Páscoa! Ho, ho, ho!!

- Ho, ho, ho? Mas nós estamos na Páscoa, e não no Natal! Aliás, quem é você?

- Como assim quem sou eu? Eu sou o Coelhinho da Páscoa! Ho, ho, ho!!

- Coelhinho? Falante? Com um saco vermelho nas costas? Acho que o senhor está meio perdido...

- Que senhor, o quê, meu filho! Vem aqui, senta no colinho e diz pro véio o que você quer ganhar nesta Páscoa!

- Sentar no colinho? Tu deve estar de brincadeira comigo, né? Além de completamente deslocado no espaço e no tempo, ainda curte marmanjo sentando no teu colo... Aliás, quem contratou o senhor? Desde quando shopping center tem coelhinho da páscoa distribuindo presentes?

- Como assim, meu pequeno menino? O Coelhinho da Páscoa sempre esteve vivo no coração de todas as pessoas! Só a cabe a nós acender a santa luz da Páscoa e do Coelhinho e deixar que o seu espírito no envolva!

- Muito bonita a sua historinha. Só que para mim não cola. Coelhinho da Páscoa não existe! Muito menos gordo e sentado em uma cadeira vermelha rodeado de presentes... E quem são estes? Gnomos?

- Fala baixo, meu filho! Descolei este servicinho, convenci a todos da necessidade de mantermos vivo o espírito da Páscoa! De quebra, ainda consegui uma ponta para os meus amiguinhos aqui. Não vai sujar para o nosso lado, hein? Ho, ho, ho!!

- Sim, mas cadê os ovos de chocolate? Desde quando na Páscoa nós temos presentes embrulhados? Aquilo ali é uma manjedoura?

- Bom, sabe como tá a situação... O pessoal do shopping teve que reaproveitar os arranjos do Natal. A coisa não tá boa pra ninguém...

- Ta, tudo bem. Mas, e esta barba?

- Bom, isto foi o que restou do Natal! Ho, ho, ho!! Vem, cá, criancinha linda, senta no colo do Coelhinho da Páscoa!


- Restou do Natal? Ah, então quer dizer que o senhor é mesmo o Papai Noel?


- Há! Não acredita em Coelhinho da Páscoa, mas acredita no Papai Noel, não é? Deixa de frescura e senta no colinho do véio...


Alessandro Garcia não escreve crônicas. Tem a perfeita noção de o único que ainda sabe fazer isto, depois que Fernando Sabino virou biógrafo da Zélia, é Luis Fernando Verissimo. Ainda assim se atreveu a bolir com a discriminada categoria literária. Sua desculpa é que foi o espírito da Páscoa.


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en passant
Eduardo Hostyn Sabbi

Sala de parto

Pois chegou o derradeiro dia. Dia da decisão. É deveras interessante, para não dizer complicado ao extremo, conviver entranhado com o processo eleitoral. Só se sabe mesmo quando se está concorrendo. E eu estou. É um espetáculo e tanto para uma platéia atenta e perspicaz. Alguns revelam o que escondiam, outros escondem o que revelavam. Os que se dizem oposição estão hoje no poder e não percebem que cospem para cima. Aos que restou o rótulo de situação, não há vontade de sê-lo, nem força em contrário. Atitude sensata, uma vez que as peças atrás e futuras se mesclam e se confundem nos dois lados.

Mas a história é um pouquinho mais longa. Parece coisa do destino, do Karma ou do coelhinho da Páscoa mesmo. Há 2 eleições atrás, os mesmos candidatos dividiram ao meio os 80 votos disputados. Semana passada, quando ingressaram na assembléia 113 associados, o resultado temido por ambos ficou distante. E na contagem dos votos, lá estava eu, risco a risco, quase como um painel eletrônico (ou seria um presidiário contando na parede os dias que passam?). A sensação é algo difícil de descrever. Vivi cada voto como o próprio resultado final ou quase isso. Imagine você que eu passaria por 113 resultados finais até explodir de alegria ou banhar-me na tristeza das lágrimas.

Uma vantagem inicial e um raciocínio do tipo amostragem me deu a certeza da vitória logo de cara. Abrimos uma vantagem que logo se desfez e deu lugar para o equilíbrio, mantido até a metade da apuração. Depois disso, para franco desespero deste ser que vos relata essas verdades (daqueles de converter qualquer cristão não-praticante em servo fiel), o adversário tomou a dianteira a passos largos e os votos seguintes conspiravam contra nós. Já na reta final, a tensão aumentou de forma diretamente proporcional à nossa reaproximação. Era o último gás. Faltando 10 votos, estávamos lado a lado. Vieram mais 6 e passamos 3 à frente. Os derradeiros 4 não poderiam ser 100% contra. É como jogar uma moeda para o alto e cair sempre cara ou coroa.

E não foram mesmo. Não foram porquê só haviam 3 na urna e todos 100% contra (ah seu Murphy ...). Olhos arregalados se entreolhavam na sala. 56 a 56. Procurou-se “zil” vezes o centésimo terceiro voto. No fundo da urna, embaixo da mesa e das cadeiras, sob o tapete, entre a samambaia (coitada!). Contamos e recontamos. Algo que nem Coca-cola: era isso aí. Veio a luz: um associado estava presente mas impossibilitado de votar frente a pendências financeiras. Que puxa! Oh azar! E o que chegou pouco antes de fecharmos a urna? E o que chegou pouco depois? O que esqueceu, o que adoeceu, o que se acomodou porque erradamente antes mesmo se convenceu?

Ah, hoje a história pode ser diferente ou quem sabe (e tomara) exatamente igual a 2 eleições passadas. Faltando menos de 6 horas para a apuração, meu coração já dispara. Será mais um teste para minhas até então silenciosas coronárias (que permaneçam assim). Quando esse artigo for publicado à noite, é provável que eu já tenha o resultado fresquinho e poderei adicionar um comentário ainda indefinido. É hora do Golden Gol, um apenas leva (ou não) e já valeu a pena ter tudo isso para contar. Que a força esteja com a gente!

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I-Racional
Pedro Volkmann

Um dia a casa cai

“Admitir que o dissenso é espaço para a criatividade, como indica Lyotard (1998), implica assumir a diversidade e, por que não, a ambigüidade (Burrell, 1999) – no sentido de que os entendimentos são sempre limitados por conceituações e opções filosóficas e ideológicas, como qualidade da conversação.” (Misoczki, 2003)

“Montaigne (1533-1572) procurou não se espantar em demasia com os costumes dos Tupinambá, de quem teve notícias e chegou mesmo a ter contato com três deles em Ruão, afirmando não ver nada de bárbaro ou selvagem no que diziam a respeito deles, porque
na verdade, cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra.” (Laraia, 1997)

Um filme cujo nome ainda não lembrei, trazia a história de uma família que se mudava para uma casa caindo aos pedaços. Eles gostaram da casa e compraram. Só não imaginavam o estado que ela poderia estar. Um dia a casa foi construída. Tudo parecia no seu devido lugar, mas um belo dia (acho que o nome do filme era – ver o título):

Ninguém mais a queria
Pobre Maria,
A faxineira.
Pensou que era uma escada,
Era uma ladeira
Que enrascada.

Para que reconstruir
O mais novo é muito mais belo
Vamos fazer logo um castelo.
Dá um dó, destruir.

Esforços juntar
Do ferro às telhas, da areia ao cimento
Todos se complementam
Nestes dias cinzentos
Porém, para que mudar

Os homens que lá habitam
São felizes como são.
Não conhecem nada melhor, nem pior,
Que maldição
Me irritam.

Será que é nosso dever?
Saber? Fazer?
Desde a Grécia Antiga, há os que pensam
Que fazem, que agem...

Como Descobrir neste monte de escombros
Uma luz no alto da construção?
Uma forma de chegar a solução?
Sei que para muitos parecerá um assombro.

Mas por onde começar?
Cada qual tem sua idéia
Que julga, a panacéia.

Será possível que um projeto
Una engenheiros e arquitetos?
Será que a função
Pode conviver com a estética?
(E dar ao mundo uma lição.)

Pode um texto socialista
Se encaixar numa teoria organizacional
Pode um capitalista
Achar isto sensacional?

Não sei quem é que disse,
Talvez uma miss (brincaderinha)
Porém, tenho que concordar,
Não é fácil navegar
(No Caos.)

Bordieu fala de poder
De querer ter
Das forças e da luta
Quem refuta?

A pluridade é um fato
Mas não reaja como um rato,
Que abandona navios
Quando a vida está por um fio.

Da oposição,
Da destruição
Do diferente e do igual
Da égua e do bagual,
Das planícies e dos vulcões
Saem as grandes criações.
(Não importa se é para a ciência, campo ou uma morada).

Pára Paradigma
Vou fazer uma nova casa em balanço
Como fez o Frank Lloyd
Vou fazer uma música como fez o Pink Floyd
Sem ranço.

É hora de criar, é hora de ousar
Quem ousa contra isto?

Referência:

Laraia, Roque de Barros, “Cultura – Um Conceito Antropológico”, 1997, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro.


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Ombudsman
Rafael Luiz Reinehr

Tá difícil, hein?

Ôxe vida dura esta de editor de site literário... Não sei quem está em pior posição: eu aqui ou o Lula lá...

À parte das brincadeiras, realmente não tem sido fácil gerenciar esta geringonça. Graças a todos santos (homenagem a quem neles acredita, o que não é o meu caso) tenho uma patota de amigos que imensamente me ajudam nesta árdua tarefa.

Mas, voltando ao que interessa, deixe-me ver o que se passou na edição número 69:

No editorial, a providência divina não deixou que nosso queridíssimo editor, que por acaso é este que agora vos fala, escrevesse suas sinceras (entretando raivosas) palavras acerca da Ditadura Militar e sua experiência nas forças armadas na atualidade.

Com o Gabriel, sempre se aprende. Além de me fazer ir ao dicionário procurar o que significa" indeiscente", podemos avançar nossa cultura com básicas noções de latim.

Milton Ribeiro põe fogo põe lenha na fogueira e atiça nosso digníssimo Adalberto a levantar-se e defender sua posição no que diz respeito à neessidade das orquestras sinfônicas, aproveitandoa ocasião para dar uma aula sobre a cronologia da música gravada. Excepcional.

A volta da Cristiane Martins foi conforme o esperado: nossa eterna apaixonada destila suavidade romântica em mais um de seus belíssimos contos.

(este Ombudsman não está servindo aos seus propósitos! Só elogia! E cadê as críticas ferrenhas, corrosivas e destrutivas, tão esperadas pelo povão?)

Alessandro Garcia nos indica os caminhos para um bom romance de mistério. Faz isso com destreza ímpar. Desculpem-me, mas não tenho como falar mal...

Eduardo, preocupado com as eleições, psicotiza, passando a alucinar em múltiplas cores, chamndo loucamente a atenção para o seu artigo, buenacho, por sinal!

Pedro Volkmann e seu conto viajandão tiram qualquer um dos eixos, querendo desesperadamente conhecer K-Pax e tudo o mais!

Carla Schneider nos introduz à collage, assim como a um grande mestre da área, Floriano Martins. Texto sóbrio, reto e belo.

O digníssimo Ombudsman Maurício novamente atém-se a um assunto somente (a visita do Comentador Mascarado), deixando de comentar os textos de alguns dos autores, que sentiram a falta das doces palavras deste querido Ombudsman. Não o critico, entretanto. Cada um sabe do seu cada um.

Espero ser esta a última semana minha neste posto. Estamos correndo desesperadamente atrás de um novo Ombudsman para ocupar o cargo outrora ocupado pela Letícia, mas tal tarefa inglória não é aceita por qualquer alma fraca. Pessoas que gostam de criticar os outros são difíceis de se encontrar por aí (Mentchíííra! - é o que mais há!)...

Se você se voluntaria ou conhece alguém perfeito para o posto, entre em contato!

 

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Desafio Simplex

O vencedor do Desafio Simplex desta semana não existiu devido a problemas decorrentes no provedor que hospeda o sítio, que impossiblitou o recebimento das respostas

Basta-me informar que a pergunta do Desafio continua a mesma só que desta vez teremos prêmio em dobro! Além do CD do Big Mountain, o vencedor ganhará também o compacto disco do No Doubt!

... continuem participando e divulgando o Desafio Simplex!

O próximo desafio já está aí ...

 


Esse CD pode ser seu!
Desafio Simplex!

Clique aqui para saber mais!!!
.

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e depois nos avise!


Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 

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