15/04/2004
- Edição número
71
Xup pap purula bi mái bei be
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Editorial
Esta
edição tem para mim, um significado
especial: pela primeira vez, após 71 edições,
estou voluntariamente deixando o posto de Editor
do Simplicíssimo para deixar esta - que
pode ser tanto inglória quanto gloriosa
- tarefa aos cuidados de nossos queridos colunistas.
Nas
próximas edições, cada um
deles terá sua chance de, aqui neste espaço,
expor suas idéias e definir o andamento
do sítio.
É
certo que o temor por tal decisão é
natural, mas a confiança nos colegas supera
qualquer medo que possa existir.
Na
próxima edição, nosso editor
será Alessandro Garcia, publicitário,
editor do Suburbana
e colaborador do Duplipensar
e do Paralelos,
sítios co-irmãos nesta idéia
de difundir a literatura e a cultura através
deste mundo virtual e hipertextual.
Na
edição seguinte, a vez passa à
capitã Cristiane Martins e assim sucessivamente,
até que, ao final, eu possa ou levantar
dos escombros ou colocar a bandeira ao alto do
Everest.
O
que tenho a dizer?
Muitíssimo
boa sorte amigos nesta jornada singular. Estarei
presente com uma nova coluna a iniciar na próxima
edição, entitulada Diálogos
com Deus, e também atualizando o blógue
"Tudo Está Escrito no Éter
Universal", aí do lado direito do
site e brincando de blogueiro no Escrever
Por Escrever, esperando a sua visita.
Ademais,
sorvete de flocos, tomatinhos com sal e algodões-doces
para todos. Até a vista!
Rafael
Luiz Reinehr
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Monumentos
Mauro Rodrigues
Foi o dia mais aguardado
do ano para nosso time. Após vencermos
o torneio interescolar regional, na categoria
infantil, iríamos a Porto Alegre colocar
faixas de campeão num confronto com o Internacional.
Esperança e expectativa de todos para conseguir
um elogio ou até um convite de permanência
na escolinha do Colorado gaúcho. Conseguimos,
junto a nossa comunidade, os recursos necessários
para financiar nossa viagem e os uniformes do
Inter local – Grêmio Esportivo Internacional
para ser mais exato – para usarmos durante
o jogo. Estava delineado o nosso objetivo e alcançá-lo
seria questão de horas.
Horas que se passariam bem mais depressa do que
se passou a noite: sem sono, eufórico.
As imagens que me vinham à cabeça
eram desde a glória da vitória em
Porto Alegre até a desgraça de uma
goleada e a transformação em chacota
da nossa excelente campanha no campeonato regional.
Nosso treinador, professor Davi, mobilizou-se
e conseguiu organizar viagem, almoço e
jogo. Cabia a nós lhe retribuir essa oportunidade.
Tudo estava perfeito. O sono durante a viagem
é que me pegou de forma avassaladora. Foram
horas seguidas dormindo até chegar próximo
à capital gaúcha, naquelas horas,
que não se sabe porquê, você
desperta e é o momento exato para que isto
ocorra. A visão do porto e dos prédios
do centro a partir da ponte sobre o Rio Jacuí
me fez arrepiar, com um calafrio percorrendo a
espinha.
Após entrarmos na cidade, o professor Davi
pediu para o motorista ir até o monumento
dos açorianos, entre a Avenida Borges de
Medeiros e a primeira perimetral, que até
hoje não sei o nome real. Ao chegar descemos
do ônibus e corremos pela grama, como crianças
de 12 anos que éramos. Nosso treinador,
por sua vez, dirigiu-se até o monumento
e ficou lá a observá-lo. Eu como
capitão da equipe, aproximei-me e fiquei
ao seu lado, observando aquela obra grandiosa
construída pelo homem. Aos poucos todos
dirigiram-se até nós. Alguns ficaram
quietos olhando, outros cochichando e correndo
sob sua base. Todos olhem esta magnífica
obra de arte, forte, rígida, resistindo
há anos e anos de intempéries e,
ainda assim, continua firme com a sua fronte erguida
como que buscando novos desafios. É isso
que espero de vocês hoje à tarde:
união, cabeça erguida. É
por isso que esse monumento resiste a tudo, inclusive
vocês tentando movê-lo. Ele é
feito de inúmeras peças que se entrelaçam
e têm o mesmo objetivo. Falou, enfim, o
professor.
O silêncio daquele momento inesquecível
se estenderia até nossa volta a Arroio
Grande, embora estivéssemos todos com um
sorriso nos lábios.
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Nua
& Crua
Cristiane Martins
Traição
Eu
sou uma feminista convicta.
Defendo o mulherio a todo e qualquer custo, e
isso não é novidade.
E aconteceu que nesse final de semana eu me deparei
com um texto de uma Jornalista qualquer de 37
anos na revista VIP que me fez quase enfartar.
Óbvio que o texto me chegou as mãos
através do meu (não menos defensor
da raça, a própria eu digo) cunhado
que sabendo da minha condição de
200% fêmea me largou a revista nas mãos
dizendo: "tem um texto para tu ler nessa
revista...".
O enfoque do texto era a "traição".
Li em silêncio e completamente perplexa.
A moça que escrevera o texto, expunha no
rodapé uma frase dizendo "fulana de
tal, 37 anos, jornalista, odeia ser traída".
Acontece que a nossa "amiga" (da onça)
fazia descaradamente a maior campanha Pró-Traição
dizendo que nos tempos dos nossos avós
isso acontecia e era encarado como uma coisa normal
e que era esse o motivo pelo qual os casamentos
daquela época perduravam por muito mais
tempo do que os de agora.
Não me contive ao ler tamanha aberração.
E tenho que expor meus pontos contras (óbvio)
a essa opinião de nossa "Judas".
Primeiro de tudo, apenas para constar: quem foi
que disse que os casamentos de antigamente duravam
por causa das traições?
O que acontecia antigamente era que as mulheres
tinham muito menos espaço e possibilidades
de expressar suas vontade e opiniões, ficavam
em casa bordando, tricotando, fazendo a comida
e afazeres domésticos, cuidando das crianças,
enquanto que seus maridos eram os responsáveis
por trazer dinheiro para dentro de casa.
Ou seja, enquanto que as mulheres ficavam supostamente
trancadas dentro de casa, o marido estava na rua,
todo serelepe dispondo de todo tempo do mundo
e com ótimos cenários para uma "pulada
de cerca".
Por depender integralmente dos maridos, as mulheres
submetiam-se a casamentos que eram quase uma negociação
lucrativa, geralmente para os pais da moça.
Deste modo a "escrava" levava um pseudônimo
de "esposa" e deveria ser fiel e útil
em todas as tarefas que assumira dando o seu precioso
"sim" no altar.
Porém, minha cara colega que odeia ser
traída, preciso te dizer que os tempos
são outros! As mulheres não são
mais aquelas doces senhoras que vestiam aquelas
roupas longas e pesadas e a tudo diziam sim.
Nós temos o nosso lugar, o nosso espaço
e o nosso direito de igualdade.
Se o homem pode pois, dar sua escapadela porque
não deve ignorar sua libido como insinuou
a jornalista, então porque devemos nós
mulheres esquecer das nossas?
Direitos iguais não acham?
No casamento, namoro ou qualquer tipo de relacionamento
onde duas pessoas estão juntas por afinidades,
existem muito mais direitos e deveres do que os
padres nos dizem nos degraus do altar no dia da
consagração do matrimônio.
E o mais importante deles é o respeito.
E falo sobre o respeito mútuo.
Respeitar a cervejinha dele, as reuniões
e chás de panelas dela, o futebol, o vídeo
game!
Mas tudo com discernimento e uma boa dose se “semancol”.
E jamais esquecer que a nossa liberdade termina
onde começa a do outro.
Quem ama não trai! Porque o amor é
misto de atração, de desejo, de
amizade, de carinho e entrega. E se o homem ou
a mulher tem tudo isso com seu parceiro, eu pergunto:
Por que procurar um outro alguém?
Óbvio que nossa libido existe, e é
claro que todo mundo olha uma bundinha gostosa,
um peitão saltando do sutiã, uma
coxa bem torneada, um ombro largo, uma barriguinha
de tanquinho de lavar roupas.
Por Deus, acordem! Somos humanos e sentir atração
física por alguém do sexo oposto
é perfeitamente normal! Mas daí
a partir para o ataque, ou abate se preferirem,
e ainda usar o argumento de "estou salvando
meu relacionamento".
Tenha santa paciência!
Se o seu relacionamento já não está
mais como um dia foi, será que não
está na hora de uma boa conversa?? Colocar
os pingos nos "is" verificar o que acontece
de errado e quando foi que o trem começou
a descarrilar.
Eu sou uma mulher fiel! E exijo fidelidade! Fidelidade
é a base para um relacionamento duradouro
e feliz! Abaixo essas mulheres machistas que ainda
tem a audácia de dizer que odeiam ser traídas?!
Ora vamos ser coerentes em nossas opiniões!
A todos os casais praticantes do amor incondicional
construído com respeito e fidelidade mútua
os meus mais sinceros votos de plena felicidade!
A todos os outros incluindo minha ilustre colega
jornalista, eu desejo um lindo e enorme par de
guampas ostentado em suas cabeças, e toda
a sorte do mundo!
Cristiane Martins
Ainda acredita que o melhor ornamento para a sua
cabeça é no máximo um boné.
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en
passant
Eduardo Hostyn Sabbi
Operação
Noé
Ano
1990. Entre a extinção do Ministério
da Cultura e outras barbaridades do novíssimo
governo Collor, a então ministra Zélia
Cardoso anuncia o plano econômico que confiscou
o seu o meu e o nosso dinheirinho. A Nação
acima da nação. A razão sem
razão (não deixe de ler mais no
interessante artigo do Centro
de Pesquisa e Documentação História
do Brasil). Depois fomos saber que um tal
de PC Farias e, muito provavelmente, bem mais
gente do que podemos imaginar, movimentaram algum
volume de dinheiro bem maior do que chegamos um
dia a sonhar.
Mas
o privilégio de ser beneficiado com informações
de planos sigilosos encontra no Gênesis
seu maior precedente. Conta o livro grande que,
“P” da vida com a maldade dos homens,
decidiu Deus por um grande dilúvio para
acabar com a pouca vergonha. E os quarenta dias
e noites, dizem, quase exterminou com todos seres
vivos, não fosse Deus chamar o cidadão
Noé e confessar-lhe suas intenções.
O escândalo só não foi maior
porque não sobrou viva alma além
dele e seus bichinhos, para estampar a manchete
numa primeira capa qualquer.
Outras
pragas e cúmplices (como Moisés,
por exemplo) seguiram-se, oriundas da mesma egoísta
sete-obcecada divindade que não queria
dividir as suculentas frutas do seu lindo pomar
nos jardins do Éden. Mas voltemos para
a arca, antes que todos os padres do mundo levem
essa reflexão a sério e me excomunguem,
Sim, na arca projetada por Deus para suportar
sua ira (e que mais parecia um big caixão),
entraram 2 de cada espécie. E choveu, choveu
e choveu. Choveu muito (e hoje a gente é
que tem que fazer racionamento de água!!!).
Aí é que me sobressai um detalhe:
o que acontece com o peixe em dias de tempestade?
Respostinha cretina de uma criança de 3
anos: “Nada!”. Fica então difícil
explicar porque os peixes não dominaram
a Terra após o castigo divino. Exceto se
nos reportarmos aos milagres bíblicos do
Novo Testamento. Sim, os peixes teriam retribuído
a preservação da espécie
com a participação em eventos posteriores.
Coisa do tipo “uma mão lava a outra”,
que se vê hoje na política parlamentar
brasileira: “Tu vota nesse meu artigo que
eu voto no teu” (e lá se foi PEC).
E
isso nos mostra uma triste realidade: a Operação
Noé fracassou em limpar a maldade do planeta.
Muito provavelmente por conter em si maldade divina
infinitamente maior que a do homem mau por ele
criado. Ou vai ver que era para ter sido assim
mesmo ...
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Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia
E sua mãe também
Ok. Tem aquela colunista
que reina absoluta como a embaixadora do senso
comum. Escreve textos estabelecendo correlações
entre chocolate e sexo, o tempo que se leva para
curar um amor perdido e outras coisas fofas do
gênero. É considerada como gênio
da trivialidade, craque do bate-papo de situação,
mestre da crônica superficial. Vende bem
seus livros, que viram peça de teatro e
tal. É cronista respeitada, amada por uma
porção de pessoas. Você pode
não gostar. Mas garanto que aquela sua
tia gosta. É, aquela que adora horóscopo
e manda e-mails pesadíssimos para você
com slides de anjos, orações enormes,
ursinhos e figurinhas que piscam. Aquela sua tia
adora. E garanto que sua mãe também.
Pedro Bial vendeu milhões neste verão
com um CD com mensagens positivas e textos bonitinhos
sobre filtro solar e como você deve dançar
sem sentir-se ridículo e amar os seus pais.
E usar filtro solar. Você não curte,
eu penso. Acha brega, lugar-comum, aquela coisa
toda. Mas seu tio curtiu. Sim, aquele tio que
tem coleção dos quadrinhos do Tex,
que compra os CD’s do Roberto Carlos no
final do ano e é fã do Lair Ribeiro.
Aquele seu tio adorou. E sua mãe também.
Você não. Você se diferencia
procurando por notícias pela Internet,
estabelecendo grupos de discussões em comunidades
do Orkut, trocando mensagens no ICQ e ouvindo
os últimos CD do White Stripes e do Weezer.
Acertei, não? Não? Ah, você
não gosta do Weezer. Ok. Coldplay, então?
Errei de novo. Tudo bem, desisto. “Quem
este cara pensa que é para me rotular,
assim?!”, você deve estar pensando.
Como se você fosse um elemento facilmente
identificável em um saco de seres que se
alimentam das mesmas referências e que se
enquadra em um senso comum que, ainda que não
considerado vulgar como os exemplos do primeiro
parágrafo, mama dos mesmos ícones
pop’s, não é?
Você não curte o Pedro Bial mas até
se emociona com algumas músicas do Rei.
Mas não conta para os seus amigos porque
eles podem considerar você um babaca. Ou
pior, conta depois que ele vira um hype nos bailes
descolados que você freqüenta regado
a cachaça de butiá e sons que, outrora
brega, se tornaram cult. Aliás, hoje Vicente
Celestino é cult. Como Zé do Caixão.
E outras coisas mais, que antes envergonhavam,
mas depois viraram sucessos dos descolês.
E aí passa a ser bacana.
Você é politicamente engajado e não
quer ceder aos produtos apelativos do mercado
que fazem uso de uma linguagem mediana para vender
e ser agradável ao pessoal dos oito aos
oitenta anos; não cai no conto das mensagens
bonitinhas para aquecer corações.
Você NÃO é politicamente engajado
e, no entanto, concorda com tudo acima.
Você quer ouvir o que tem vontade, assistir
o que bem entender, ler o que der na telha e até
achar bacana textinhos com poemas e mensagens
de otimismo e que te mandam dar um abraço
na pessoa mais próxima. Mas fica regrado
que esta não é a melhor das alternativas
para se sentir parte “da gurizada”.
Você não quer um colunista metido
a sabichão de uma revista eletrônica
te dizendo como se comportar e como você
ser você mesmo. Mas você chegou até
aqui. Você não curte a Britney Spears,
mas assiste o clipe dela por que é a maior
gostosa. Você considera Paulo Coelho um
boçal, mas não achou O Alquimista
a pior das literaturas. Você se perde no
emaranhado de informações e não
sabe mais quem você é.
Você não gosta de rótulos.
Você não é mod, não
é cyber, não é punk, não
é grunge, não é nerd. Você
não precisa disto. Não precisa de
quem lhe diga o que fazer, do que gostar, qual
cerveja tomar. Mas você também não
é rebelde. Só quer ter o controle
da situação. Escolher. Não
se deixar enganar. É o que o todo o mundo
quer. É o que a sua tia quer, o que o seu
tio quer. É o que você quer. E sua
mãe também.
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I-Racional
Pedro
Volkmann
Só
baboseira
Nada
mais simples e complexo que tentar passar um dia
sem fazer nada. Consegui este feito umas duas
ou três vezes na vida, depois que isto faz
algum sentido. Uma delas foi clássica,
já estava viajando há dois meses
(estava a 15.000 milhas de casa) e um dia, tive
que esperar um dia inteiro por um passeio (o termo
em inglês trip condiz mais com o que eu
iria fazer) que estava para começar em
um ou dois dias. Acordei cedo, tomei café
e sai para a rua. Não havia nada para comprar,
pensar ou fazer. Podia ficar na cama o dia inteiro
coçando o saco ou vendo tv. Que coisa!
Eram 8 da manhã e eu já estava no
Albert’s Park, que fica perto do centro
lá em Auckland. Não havia mais ninguém
lá, só eu e eu. Não estava
preocupado, pois sabia que o parque encheria lá
pelo meio-dia, quando o pessoal da universidade
próxima dali o cruzaria na direção
de suas casas. Deitei no sol, não queria
dormir, fiquei observando as árvores, de
leve, suas folhas, seus troncos. Não tinha
nada para pensar, meu almoço estaria pronto
na hora que eu chegasse e seria ótimo,
como nos outros 59 dias. Que coisa, eu de mente
vazia, deitado na grama, sem pensar em nada. Só
baboseira.
Eram nove horas da manhã, eu tinha levantado
uma vez, caminhado uma quadra e agora tinha uma
vida de Rei: sombra e água fresca.
Muito estranho! Uma hora sem fazer nada, sem querer
fazer nada e ninguém para dizer que eu
estava errado, na verdade não estava, pois
tinha ainda mais um mês de férias,
que inveja de mim mesmo. Não sentia inveja,
não sentia raiva, só sentia o sol
bater de leve no meu corpo. Só baboseira.
Lá pelas dez, já há duas
horas em um completo marasmo, chegou uma amiga,
que por sinal também não tinha nada
para fazer e começou a fazer nada comigo...
Só baboseira.
As onze, hora em que não tinha mais absolutamente
assunto, pois já estávamos há
dois dias neste estado de suprema arte do ócio
produtivo (para não dizer pura vagabundagem),
o tempo não importava mais, nem o mundo.
Só baboseira.
Ao meio-dia, almoço com a minha host-mother.
Delicioso como sempre, arroz, carneiro e legumes,
de sobremesa só baboseira.
Às vezes, fico me perguntando, já
faz seis anos que estou sem férias. Para
que trabalhar deste jeito, para ter uns dias de
pura baboseira?
Não será o cúmulo da baboseira?
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Comportamento
Adriano
Oliveira *
Etnocentrismo,
ética e cultura
Simultaneamente ao período de Páscoa
no mundo inteiro entra em exibição
nos cinemas o filme “A Paixão de
Cristo”. O filme de Mel Gibson trouxe à
tona um aspecto nunca antes abordado por cineastas
que procuraram relatar a história do homem
mais conhecido da história da humanidade.
Dizer que o filme é forte, que é
chocante, não passa de análise superficial
de uma obra que procurou trazer em tempo psicológico
a incrível trajetória do Cristo
ao calvário. Quem de nós não
chegou a torcer para que a crucificação
se consumasse o mais rápido possível?
A dor do maior pensador e mestre de todos os tempos
nos mostra, na verdade, a dignidade deste espírito
que preferiu o suplício a permanecer calado
ou renegar suas convicções.
O filme realmente transportou milhares de pessoas
a um momento histórico de dor e sofrimento,
em que um simples pregador foi vítima de
cruel emboscada e extrema crueldade de homens
sádicos e perversos.
As afirmativas por parte de judeus de que o filme
procura culpar seu povo não se mostra pertinente.
Tanto escrituras sagradas quanto documentos históricos
relatam os fatos ocorridos, legitimando as imagens
do filme dito “polêmico”.
O povo judeu foi constituído historicamente
por disputas com outros povos vizinhos, em busca
de consolidar a tão esperada terra prometida.
Foram protagonistas de verdadeiras chacinas nas
quais crianças e mulheres inocentes morreram
e ainda morrem na tão conhecida fronteira
da Faixa de Gaza.
Depois dos acontecimentos de onze de setembro
não podemos deixar de considerar intolerável
a proposta anti-etnocêntrica, de que as
diferenças culturais sejam respeitadas
sem limites.
Como aceitar o paradoxo de permitir que o fanatismo
religioso destrua vidas, no pressuposto de estar
respeitando a cultura de determinado povo? Torna-se
urgente uma ética universal, comum a todos,
como defende o professor Rogério Koff,
doutor em Comunicação e Cultura,
em seu livro A Cultura do Espetáculo.
Judeus e Palestinos continuam suas matanças
e o mundo inteiro assiste a isso de camarote,
ou melhor, de braços cruzados.
Nessa perspectiva, o filme de Mel Gibson nada
fere os princípios judaicos, e de maneira
alguma desrespeita sua cultura e tradição.
A dita polêmica não passa de mais
uma atitude neurótica de pessoas rígidas
e inflexíveis, a quem é mais confortável
passar sempre pela figura de vítima, do
que olhar para a realidade e perceber que na verdade
o desrespeito à diferença cultural
está sob seus próprios olhos –
ou melhor, em sua própria fronteira.
*acadêmico
de Psicologia da Universidade Federal de Santa
Maria
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Alvo
Anjo
Claudia Sleman - Rahna
Ó indizível esfera,
que desliza fulgente
E calma vagando no negrume
Da noite silente. Tu és, ó lume,
A chama do meu peito ardente.
Ó níveo astro! Discreta
testemunha
De muitos amores. Claustra e altiva
Em seu negro véu. Das nuvens se esquiva.
E teu pratear inefável me acabrunha.
Quanta ternura e cumplicidade!
Ó clara amiga dos amantes.
Se envolta em brumas, és ainda bela.
Parceira confidente a fulgir singela,
Ajude-me a suportar tanta saudade.
Ó alvo anjo a orbitar distante
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Ombudsman
Por
motivos alheios à nossa vontade (e à
dele), nosso Ombudsman não conseguiu enviar
a tempo sua coluna. Assim que o problema "técnico"
for resolvido, estaremos colocando aqui a coluna
do Ombudsman!
Não
se desesperem!
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|
| Desafio
Simplex desta edição |
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| Pergunta:
Estamos em tempos que correm cada
vez mais rápido e nossa vida escapa através
de nossas mãos. Como fazer para aproveitar
melhor o tempo que temos? A melhor resposta
ganha o CD. |
| |
| CD:
|
 |
The
Mavericks
Mmusic for all ocasions |
|
subir
| Resultado
do Desafio Simplex da edição anterior |
| |
|
Pergunta: Explique da forma mais
razoável possível porque o Coelhinho
da Páscoa, mesmo sendo mamífero,
deixa "ovos de chocolate" nos ninhos
durante a Páscoa. |
| |
| CD:
|
 |
No
Doubt
Tragic Kingdom |
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Vencedor: Eduardo Hostyn Sabbi, Porto
Alegre - RS. |
| |
Resposta: Nos
banquetes dos nobres de antigamente, os coelhos
eram usados como guardanapos para a limpeza
dos lábios após as refeições,
geralmente depois daquela excelente sobremesa
de chocolate. Amarrados ao pé das mesas,
os inofensivos bichos nada mais podiam fazer
do que lamber o próprio pêlo,
ingerindo, por conseqüência, sobras
do doce. Após o natural processamento,
os peludinhos soltavam bolinhas anais marrons
que davam uma trabalheira danada para limpar.
A sabedoria popular consolidou então
que, a presença das fezes desse roedor
ao pé das mesas, significava que uma
grande festa nobre havia ocorrido. Não
tardou muito (sim, porque coelhos são
muito rápidos), para a plebe imitar
os nobres. Como os bichanos eram caros (valorizados
pelo nobre hábito), transformaram tudo
em simbologia mesmo e até hoje temos
nos coelhos e ovos de chocolate o símbolo
da transformação pascoal (originalmente
intestinal). Mas há quem duvide da
bobagem que eu escrevi acima e, em só
acreditando no livre arbítrio, fica
difamando os animais com a imagem abaixo:

...
obrigado a todos e continuem participando
e divulgando o Desafio Simplex!
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reservados. Sinta-se à vontade para reproduzir os
textos do site, mas não esqueça de citar a
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Selo comemorativo
alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente
criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
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