Simplicíssimo
Jornal Virtual de periodicidade a cada semana com um novo editor...


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Editorial

Esta edição tem para mim, um significado especial: pela primeira vez, após 71 edições, estou voluntariamente deixando o posto de Editor do Simplicíssimo para deixar esta - que pode ser tanto inglória quanto gloriosa - tarefa aos cuidados de nossos queridos colunistas.

Nas próximas edições, cada um deles terá sua chance de, aqui neste espaço, expor suas idéias e definir o andamento do sítio.

É certo que o temor por tal decisão é natural, mas a confiança nos colegas supera qualquer medo que possa existir.

Na próxima edição, nosso editor será Alessandro Garcia, publicitário, editor do Suburbana e colaborador do Duplipensar e do Paralelos, sítios co-irmãos nesta idéia de difundir a literatura e a cultura através deste mundo virtual e hipertextual.

Na edição seguinte, a vez passa à capitã Cristiane Martins e assim sucessivamente, até que, ao final, eu possa ou levantar dos escombros ou colocar a bandeira ao alto do Everest.

O que tenho a dizer?

Muitíssimo boa sorte amigos nesta jornada singular. Estarei presente com uma nova coluna a iniciar na próxima edição, entitulada Diálogos com Deus, e também atualizando o blógue "Tudo Está Escrito no Éter Universal", aí do lado direito do site e brincando de blogueiro no Escrever Por Escrever, esperando a sua visita.

Ademais, sorvete de flocos, tomatinhos com sal e algodões-doces para todos. Até a vista!

Rafael Luiz Reinehr

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Monumentos
Mauro Rodrigues

Foi o dia mais aguardado do ano para nosso time. Após vencermos o torneio interescolar regional, na categoria infantil, iríamos a Porto Alegre colocar faixas de campeão num confronto com o Internacional. Esperança e expectativa de todos para conseguir um elogio ou até um convite de permanência na escolinha do Colorado gaúcho. Conseguimos, junto a nossa comunidade, os recursos necessários para financiar nossa viagem e os uniformes do Inter local – Grêmio Esportivo Internacional para ser mais exato – para usarmos durante o jogo. Estava delineado o nosso objetivo e alcançá-lo seria questão de horas.
Horas que se passariam bem mais depressa do que se passou a noite: sem sono, eufórico. As imagens que me vinham à cabeça eram desde a glória da vitória em Porto Alegre até a desgraça de uma goleada e a transformação em chacota da nossa excelente campanha no campeonato regional. Nosso treinador, professor Davi, mobilizou-se e conseguiu organizar viagem, almoço e jogo. Cabia a nós lhe retribuir essa oportunidade. Tudo estava perfeito. O sono durante a viagem é que me pegou de forma avassaladora. Foram horas seguidas dormindo até chegar próximo à capital gaúcha, naquelas horas, que não se sabe porquê, você desperta e é o momento exato para que isto ocorra. A visão do porto e dos prédios do centro a partir da ponte sobre o Rio Jacuí me fez arrepiar, com um calafrio percorrendo a espinha.
Após entrarmos na cidade, o professor Davi pediu para o motorista ir até o monumento dos açorianos, entre a Avenida Borges de Medeiros e a primeira perimetral, que até hoje não sei o nome real. Ao chegar descemos do ônibus e corremos pela grama, como crianças de 12 anos que éramos. Nosso treinador, por sua vez, dirigiu-se até o monumento e ficou lá a observá-lo. Eu como capitão da equipe, aproximei-me e fiquei ao seu lado, observando aquela obra grandiosa construída pelo homem. Aos poucos todos dirigiram-se até nós. Alguns ficaram quietos olhando, outros cochichando e correndo sob sua base. Todos olhem esta magnífica obra de arte, forte, rígida, resistindo há anos e anos de intempéries e, ainda assim, continua firme com a sua fronte erguida como que buscando novos desafios. É isso que espero de vocês hoje à tarde: união, cabeça erguida. É por isso que esse monumento resiste a tudo, inclusive vocês tentando movê-lo. Ele é feito de inúmeras peças que se entrelaçam e têm o mesmo objetivo. Falou, enfim, o professor.
O silêncio daquele momento inesquecível se estenderia até nossa volta a Arroio Grande, embora estivéssemos todos com um sorriso nos lábios.

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Nua & Crua
Cristiane Martins

Traição

Eu sou uma feminista convicta.
Defendo o mulherio a todo e qualquer custo, e isso não é novidade.
E aconteceu que nesse final de semana eu me deparei com um texto de uma Jornalista qualquer de 37 anos na revista VIP que me fez quase enfartar.
Óbvio que o texto me chegou as mãos através do meu (não menos defensor da raça, a própria eu digo) cunhado que sabendo da minha condição de 200% fêmea me largou a revista nas mãos dizendo: "tem um texto para tu ler nessa revista...".
O enfoque do texto era a "traição".
Li em silêncio e completamente perplexa.
A moça que escrevera o texto, expunha no rodapé uma frase dizendo "fulana de tal, 37 anos, jornalista, odeia ser traída".
Acontece que a nossa "amiga" (da onça) fazia descaradamente a maior campanha Pró-Traição dizendo que nos tempos dos nossos avós isso acontecia e era encarado como uma coisa normal e que era esse o motivo pelo qual os casamentos daquela época perduravam por muito mais tempo do que os de agora.
Não me contive ao ler tamanha aberração.
E tenho que expor meus pontos contras (óbvio) a essa opinião de nossa "Judas".
Primeiro de tudo, apenas para constar: quem foi que disse que os casamentos de antigamente duravam por causa das traições?
O que acontecia antigamente era que as mulheres tinham muito menos espaço e possibilidades de expressar suas vontade e opiniões, ficavam em casa bordando, tricotando, fazendo a comida e afazeres domésticos, cuidando das crianças, enquanto que seus maridos eram os responsáveis por trazer dinheiro para dentro de casa.
Ou seja, enquanto que as mulheres ficavam supostamente trancadas dentro de casa, o marido estava na rua, todo serelepe dispondo de todo tempo do mundo e com ótimos cenários para uma "pulada de cerca".
Por depender integralmente dos maridos, as mulheres submetiam-se a casamentos que eram quase uma negociação lucrativa, geralmente para os pais da moça.
Deste modo a "escrava" levava um pseudônimo de "esposa" e deveria ser fiel e útil em todas as tarefas que assumira dando o seu precioso "sim" no altar.
Porém, minha cara colega que odeia ser traída, preciso te dizer que os tempos são outros! As mulheres não são mais aquelas doces senhoras que vestiam aquelas roupas longas e pesadas e a tudo diziam sim.
Nós temos o nosso lugar, o nosso espaço e o nosso direito de igualdade.
Se o homem pode pois, dar sua escapadela porque não deve ignorar sua libido como insinuou a jornalista, então porque devemos nós mulheres esquecer das nossas?
Direitos iguais não acham?
No casamento, namoro ou qualquer tipo de relacionamento onde duas pessoas estão juntas por afinidades, existem muito mais direitos e deveres do que os padres nos dizem nos degraus do altar no dia da consagração do matrimônio.
E o mais importante deles é o respeito. E falo sobre o respeito mútuo.
Respeitar a cervejinha dele, as reuniões e chás de panelas dela, o futebol, o vídeo game!
Mas tudo com discernimento e uma boa dose se “semancol”.
E jamais esquecer que a nossa liberdade termina onde começa a do outro.
Quem ama não trai! Porque o amor é misto de atração, de desejo, de amizade, de carinho e entrega. E se o homem ou a mulher tem tudo isso com seu parceiro, eu pergunto: Por que procurar um outro alguém?
Óbvio que nossa libido existe, e é claro que todo mundo olha uma bundinha gostosa, um peitão saltando do sutiã, uma coxa bem torneada, um ombro largo, uma barriguinha de tanquinho de lavar roupas.
Por Deus, acordem! Somos humanos e sentir atração física por alguém do sexo oposto é perfeitamente normal! Mas daí a partir para o ataque, ou abate se preferirem, e ainda usar o argumento de "estou salvando meu relacionamento".
Tenha santa paciência!
Se o seu relacionamento já não está mais como um dia foi, será que não está na hora de uma boa conversa?? Colocar os pingos nos "is" verificar o que acontece de errado e quando foi que o trem começou a descarrilar.
Eu sou uma mulher fiel! E exijo fidelidade! Fidelidade é a base para um relacionamento duradouro e feliz! Abaixo essas mulheres machistas que ainda tem a audácia de dizer que odeiam ser traídas?! Ora vamos ser coerentes em nossas opiniões!
A todos os casais praticantes do amor incondicional construído com respeito e fidelidade mútua os meus mais sinceros votos de plena felicidade!
A todos os outros incluindo minha ilustre colega jornalista, eu desejo um lindo e enorme par de guampas ostentado em suas cabeças, e toda a sorte do mundo!

Cristiane Martins
Ainda acredita que o melhor ornamento para a sua cabeça é no máximo um boné.



en passant
Eduardo Hostyn Sabbi

Operação Noé

Ano 1990. Entre a extinção do Ministério da Cultura e outras barbaridades do novíssimo governo Collor, a então ministra Zélia Cardoso anuncia o plano econômico que confiscou o seu o meu e o nosso dinheirinho. A Nação acima da nação. A razão sem razão (não deixe de ler mais no interessante artigo do Centro de Pesquisa e Documentação História do Brasil). Depois fomos saber que um tal de PC Farias e, muito provavelmente, bem mais gente do que podemos imaginar, movimentaram algum volume de dinheiro bem maior do que chegamos um dia a sonhar.

Mas o privilégio de ser beneficiado com informações de planos sigilosos encontra no Gênesis seu maior precedente. Conta o livro grande que, “P” da vida com a maldade dos homens, decidiu Deus por um grande dilúvio para acabar com a pouca vergonha. E os quarenta dias e noites, dizem, quase exterminou com todos seres vivos, não fosse Deus chamar o cidadão Noé e confessar-lhe suas intenções. O escândalo só não foi maior porque não sobrou viva alma além dele e seus bichinhos, para estampar a manchete numa primeira capa qualquer.

Outras pragas e cúmplices (como Moisés, por exemplo) seguiram-se, oriundas da mesma egoísta sete-obcecada divindade que não queria dividir as suculentas frutas do seu lindo pomar nos jardins do Éden. Mas voltemos para a arca, antes que todos os padres do mundo levem essa reflexão a sério e me excomunguem, Sim, na arca projetada por Deus para suportar sua ira (e que mais parecia um big caixão), entraram 2 de cada espécie. E choveu, choveu e choveu. Choveu muito (e hoje a gente é que tem que fazer racionamento de água!!!). Aí é que me sobressai um detalhe: o que acontece com o peixe em dias de tempestade? Respostinha cretina de uma criança de 3 anos: “Nada!”. Fica então difícil explicar porque os peixes não dominaram a Terra após o castigo divino. Exceto se nos reportarmos aos milagres bíblicos do Novo Testamento. Sim, os peixes teriam retribuído a preservação da espécie com a participação em eventos posteriores. Coisa do tipo “uma mão lava a outra”, que se vê hoje na política parlamentar brasileira: “Tu vota nesse meu artigo que eu voto no teu” (e lá se foi PEC).

E isso nos mostra uma triste realidade: a Operação Noé fracassou em limpar a maldade do planeta. Muito provavelmente por conter em si maldade divina infinitamente maior que a do homem mau por ele criado. Ou vai ver que era para ter sido assim mesmo ...

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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

E sua mãe também

Ok. Tem aquela colunista que reina absoluta como a embaixadora do senso comum. Escreve textos estabelecendo correlações entre chocolate e sexo, o tempo que se leva para curar um amor perdido e outras coisas fofas do gênero. É considerada como gênio da trivialidade, craque do bate-papo de situação, mestre da crônica superficial. Vende bem seus livros, que viram peça de teatro e tal. É cronista respeitada, amada por uma porção de pessoas. Você pode não gostar. Mas garanto que aquela sua tia gosta. É, aquela que adora horóscopo e manda e-mails pesadíssimos para você com slides de anjos, orações enormes, ursinhos e figurinhas que piscam. Aquela sua tia adora. E garanto que sua mãe também.

Pedro Bial vendeu milhões neste verão com um CD com mensagens positivas e textos bonitinhos sobre filtro solar e como você deve dançar sem sentir-se ridículo e amar os seus pais. E usar filtro solar. Você não curte, eu penso. Acha brega, lugar-comum, aquela coisa toda. Mas seu tio curtiu. Sim, aquele tio que tem coleção dos quadrinhos do Tex, que compra os CD’s do Roberto Carlos no final do ano e é fã do Lair Ribeiro. Aquele seu tio adorou. E sua mãe também.

Você não. Você se diferencia procurando por notícias pela Internet, estabelecendo grupos de discussões em comunidades do Orkut, trocando mensagens no ICQ e ouvindo os últimos CD do White Stripes e do Weezer. Acertei, não? Não? Ah, você não gosta do Weezer. Ok. Coldplay, então? Errei de novo. Tudo bem, desisto. “Quem este cara pensa que é para me rotular, assim?!”, você deve estar pensando. Como se você fosse um elemento facilmente identificável em um saco de seres que se alimentam das mesmas referências e que se enquadra em um senso comum que, ainda que não considerado vulgar como os exemplos do primeiro parágrafo, mama dos mesmos ícones pop’s, não é?

Você não curte o Pedro Bial mas até se emociona com algumas músicas do Rei. Mas não conta para os seus amigos porque eles podem considerar você um babaca. Ou pior, conta depois que ele vira um hype nos bailes descolados que você freqüenta regado a cachaça de butiá e sons que, outrora brega, se tornaram cult. Aliás, hoje Vicente Celestino é cult. Como Zé do Caixão. E outras coisas mais, que antes envergonhavam, mas depois viraram sucessos dos descolês. E aí passa a ser bacana.

Você é politicamente engajado e não quer ceder aos produtos apelativos do mercado que fazem uso de uma linguagem mediana para vender e ser agradável ao pessoal dos oito aos oitenta anos; não cai no conto das mensagens bonitinhas para aquecer corações. Você NÃO é politicamente engajado e, no entanto, concorda com tudo acima.

Você quer ouvir o que tem vontade, assistir o que bem entender, ler o que der na telha e até achar bacana textinhos com poemas e mensagens de otimismo e que te mandam dar um abraço na pessoa mais próxima. Mas fica regrado que esta não é a melhor das alternativas para se sentir parte “da gurizada”. Você não quer um colunista metido a sabichão de uma revista eletrônica te dizendo como se comportar e como você ser você mesmo. Mas você chegou até aqui. Você não curte a Britney Spears, mas assiste o clipe dela por que é a maior gostosa. Você considera Paulo Coelho um boçal, mas não achou O Alquimista a pior das literaturas. Você se perde no emaranhado de informações e não sabe mais quem você é.

Você não gosta de rótulos. Você não é mod, não é cyber, não é punk, não é grunge, não é nerd. Você não precisa disto. Não precisa de quem lhe diga o que fazer, do que gostar, qual cerveja tomar. Mas você também não é rebelde. Só quer ter o controle da situação. Escolher. Não se deixar enganar. É o que o todo o mundo quer. É o que a sua tia quer, o que o seu tio quer. É o que você quer. E sua mãe também.

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I-Racional
Pedro Volkmann

Só baboseira

Nada mais simples e complexo que tentar passar um dia sem fazer nada. Consegui este feito umas duas ou três vezes na vida, depois que isto faz algum sentido. Uma delas foi clássica, já estava viajando há dois meses (estava a 15.000 milhas de casa) e um dia, tive que esperar um dia inteiro por um passeio (o termo em inglês trip condiz mais com o que eu iria fazer) que estava para começar em um ou dois dias. Acordei cedo, tomei café e sai para a rua. Não havia nada para comprar, pensar ou fazer. Podia ficar na cama o dia inteiro coçando o saco ou vendo tv. Que coisa! Eram 8 da manhã e eu já estava no Albert’s Park, que fica perto do centro lá em Auckland. Não havia mais ninguém lá, só eu e eu. Não estava preocupado, pois sabia que o parque encheria lá pelo meio-dia, quando o pessoal da universidade próxima dali o cruzaria na direção de suas casas. Deitei no sol, não queria dormir, fiquei observando as árvores, de leve, suas folhas, seus troncos. Não tinha nada para pensar, meu almoço estaria pronto na hora que eu chegasse e seria ótimo, como nos outros 59 dias. Que coisa, eu de mente vazia, deitado na grama, sem pensar em nada. Só baboseira.

Eram nove horas da manhã, eu tinha levantado uma vez, caminhado uma quadra e agora tinha uma vida de Rei: sombra e água fresca.
Muito estranho! Uma hora sem fazer nada, sem querer fazer nada e ninguém para dizer que eu estava errado, na verdade não estava, pois tinha ainda mais um mês de férias, que inveja de mim mesmo. Não sentia inveja, não sentia raiva, só sentia o sol bater de leve no meu corpo. Só baboseira.

Lá pelas dez, já há duas horas em um completo marasmo, chegou uma amiga, que por sinal também não tinha nada para fazer e começou a fazer nada comigo... Só baboseira.

As onze, hora em que não tinha mais absolutamente assunto, pois já estávamos há dois dias neste estado de suprema arte do ócio produtivo (para não dizer pura vagabundagem), o tempo não importava mais, nem o mundo. Só baboseira.

Ao meio-dia, almoço com a minha host-mother. Delicioso como sempre, arroz, carneiro e legumes, de sobremesa só baboseira.

Às vezes, fico me perguntando, já faz seis anos que estou sem férias. Para que trabalhar deste jeito, para ter uns dias de pura baboseira?
Não será o cúmulo da baboseira?

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Comportamento
Adriano Oliveira *

Etnocentrismo, ética e cultura

Simultaneamente ao período de Páscoa no mundo inteiro entra em exibição nos cinemas o filme “A Paixão de Cristo”. O filme de Mel Gibson trouxe à tona um aspecto nunca antes abordado por cineastas que procuraram relatar a história do homem mais conhecido da história da humanidade.
Dizer que o filme é forte, que é chocante, não passa de análise superficial de uma obra que procurou trazer em tempo psicológico a incrível trajetória do Cristo ao calvário. Quem de nós não chegou a torcer para que a crucificação se consumasse o mais rápido possível?
A dor do maior pensador e mestre de todos os tempos nos mostra, na verdade, a dignidade deste espírito que preferiu o suplício a permanecer calado ou renegar suas convicções.
O filme realmente transportou milhares de pessoas a um momento histórico de dor e sofrimento, em que um simples pregador foi vítima de cruel emboscada e extrema crueldade de homens sádicos e perversos.
As afirmativas por parte de judeus de que o filme procura culpar seu povo não se mostra pertinente. Tanto escrituras sagradas quanto documentos históricos relatam os fatos ocorridos, legitimando as imagens do filme dito “polêmico”.
O povo judeu foi constituído historicamente por disputas com outros povos vizinhos, em busca de consolidar a tão esperada terra prometida. Foram protagonistas de verdadeiras chacinas nas quais crianças e mulheres inocentes morreram e ainda morrem na tão conhecida fronteira da Faixa de Gaza.
Depois dos acontecimentos de onze de setembro não podemos deixar de considerar intolerável a proposta anti-etnocêntrica, de que as diferenças culturais sejam respeitadas sem limites.
Como aceitar o paradoxo de permitir que o fanatismo religioso destrua vidas, no pressuposto de estar respeitando a cultura de determinado povo? Torna-se urgente uma ética universal, comum a todos, como defende o professor Rogério Koff, doutor em Comunicação e Cultura, em seu livro A Cultura do Espetáculo.
Judeus e Palestinos continuam suas matanças e o mundo inteiro assiste a isso de camarote, ou melhor, de braços cruzados.
Nessa perspectiva, o filme de Mel Gibson nada fere os princípios judaicos, e de maneira alguma desrespeita sua cultura e tradição. A dita polêmica não passa de mais uma atitude neurótica de pessoas rígidas e inflexíveis, a quem é mais confortável passar sempre pela figura de vítima, do que olhar para a realidade e perceber que na verdade o desrespeito à diferença cultural está sob seus próprios olhos – ou melhor, em sua própria fronteira.

*acadêmico de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria

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Alvo Anjo
Claudia Sleman - Rahna

Ó indizível esfera, que desliza fulgente
E calma vagando no negrume
Da noite silente. Tu és, ó lume,
A chama do meu peito ardente.

Ó níveo astro! Discreta testemunha
De muitos amores. Claustra e altiva
Em seu negro véu. Das nuvens se esquiva.
E teu pratear inefável me acabrunha.

Quanta ternura e cumplicidade!
Ó clara amiga dos amantes.
Se envolta em brumas, és ainda bela.

Parceira confidente a fulgir singela,
Ajude-me a suportar tanta saudade.
Ó alvo anjo a orbitar distante

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Ombudsman

Por motivos alheios à nossa vontade (e à dele), nosso Ombudsman não conseguiu enviar a tempo sua coluna. Assim que o problema "técnico" for resolvido, estaremos colocando aqui a coluna do Ombudsman!

Não se desesperem!

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Desafio Simplex desta edição
 
Pergunta: Estamos em tempos que correm cada vez mais rápido e nossa vida escapa através de nossas mãos. Como fazer para aproveitar melhor o tempo que temos? A melhor resposta ganha o CD.
 
CD: The Mavericks
Mmusic for all ocasions

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Resultado do Desafio Simplex da edição anterior
 

Pergunta: Explique da forma mais razoável possível porque o Coelhinho da Páscoa, mesmo sendo mamífero, deixa "ovos de chocolate" nos ninhos durante a Páscoa.

 
CD: No Doubt
Tragic Kingdom
 
Vencedor: Eduardo Hostyn Sabbi, Porto Alegre - RS.
 

Resposta: Nos banquetes dos nobres de antigamente, os coelhos eram usados como guardanapos para a limpeza dos lábios após as refeições, geralmente depois daquela excelente sobremesa de chocolate. Amarrados ao pé das mesas, os inofensivos bichos nada mais podiam fazer do que lamber o próprio pêlo, ingerindo, por conseqüência, sobras do doce. Após o natural processamento, os peludinhos soltavam bolinhas anais marrons que davam uma trabalheira danada para limpar. A sabedoria popular consolidou então que, a presença das fezes desse roedor ao pé das mesas, significava que uma grande festa nobre havia ocorrido. Não tardou muito (sim, porque coelhos são muito rápidos), para a plebe imitar os nobres. Como os bichanos eram caros (valorizados pelo nobre hábito), transformaram tudo em simbologia mesmo e até hoje temos nos coelhos e ovos de chocolate o símbolo da transformação pascoal (originalmente intestinal). Mas há quem duvide da bobagem que eu escrevi acima e, em só acreditando no livre arbítrio, fica difamando os animais com a imagem abaixo:

... obrigado a todos e continuem participando e divulgando o Desafio Simplex!

 


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Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 

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