Simplicíssimo
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Editorial

As sombras de Porto Alegre

O poeta Augusto Meyer lhe toma pelo braço e, como bom conselheiro, o guia. A Rua da Praia é o destino andarilho, como andarilho é o destino do Negrinho do Pastoreio e capaz de tudo encontrar. Chega-se mesmo a apostar que é o pampa o seu destino, mas seria muita pretensão. Então, é com a Rua da Praia que se contenta. E tamanha alegria já lhe basta.

Está proibido de dizer EU, porque este, afinal, é um Editorial: tudo há que ser posto em terceira pessoa.

Agora trata-se de perseguir e montar os “cavalos de Mendonza” em sua cavalgada louca, seguindo os tipos esfarrapados sem-direito-a-nome que, conquistaram com luta um gentílico especial, tomar-lhes de empréstimo os muitos nomes pela vida à fora: ´gaúchos`.

Há que segui-los, aos farroupilhas que têm o céu por legado, e que "moram dentro de sua camisa, debaixo de seu chapéu" – os desterrados gaudérios, até a deterioração no sintagma novo: goyuchos, donos uma fazenda no ar, um território sem dono em que se juntam duas metades do Brasil – formação num emérito Rio Grande e a Goyana origem.

Ousa dizer como Aug, "quem não viu a Rua da Praia aos sábados de tarde, por volta dos vinte e tantos, não sabe o que perdeu como espetáculo, nem conhecerá jamais a província que ainda caminhava pelo ritmo do século passado..." (replicante, na condição de editorialista troca os vinte pelos anos setenta e tantos e deixa a marca de editorialista, como que vingado).

Ah, desejo de ainda andar "em pleno rigor do chapéu obrigatório, da bengala, muitas vezes do plastron", como o senador que desembargava no Salgado Filho de aviões da Varig em plenos anos 70.

Essa melancolia que inclui uma passagem por lugares hoje pouco navegáveis, traz a sombra de uma Porto Alegre que remonta aos guias antigos, aos hábitos cavalheirescos, capazes de gerar na pessoa do poeta um exemplo de afeto, generosidade e simpatia - um tipo que gerava a admiração de diferentes gerações. Um exemplo de boas-maneiras em meio à vertigem de uma atualidade vencida pelo mau-gosto em todo o país.

Fica com uma quase certeza: são os gaúchos da atualidade os mesmos e antigos defensores da fronteira cisplatina, estariam destinados a defender os brasileiros de seu desapego à pertinácia de construir uma Nação de primeiro mundo.

[(*)Nota da Direção: Não há certezas em tais afirmações e este jornal eletrônico não se responsabiliza política e culturalmente pelas afirmações neste espaço, pois que este e-zine submeteu sua opinião ao escaravelho da memória de um simples Goyucho. Suprema imprudência!]

Sabe-se que só há um desejo expresso que o editorialista endossa: o de que o resto do país não cometa a imprudência de virar as costas a esses irmãos de hábitos, por vezes, estranhos e melancólicos da porção Meridional do Brasil.

Por exemplo: não há razão para tanta contenda, apenas por conta e risco de autorizarem seu território como séde de um Fórum dito Social – é pouco e perdoável, se pensarmos que ali também se dá o único e exitoso Congresso Internacional da Qualidade e do Movimento Brasil Competitivo; que ali/aqui se alimenta o mais animado movimento de excelência e onde a disciplina põe de alerta o Brasil Competitivo; que ali/aqui não se deseja mais - pelo menos não explicitamente, que nenhum cavalo volte a percorrer a triste trilha Porto Alegre-Rio e ser amarrado a um obelisco, à beira-mar, naquele paradisíaco balneário sujeito ao tráfico de drogas e a uma das mais infelizes classes dirigente, apesar de ter entre os cidadãos a mais generosa gente trabalhadora que se possa sonhar desde o Reino Unido de Portugal e Algarve.

O Rio Grande sedia contradições e etnias, levantes e exemplares contendas diárias – como a de uma pequena cidade cuja câmara municipal diz “vereador não merece salário” porque é servidor do povo, como a atualizar uma velha lição de Lao Tsé. O Rio Grande dos gaudérios e das tradições, é o Rio Grande que nos defendeu das agressões da Banda Oriental e, operoso, constrói a lição da disciplina férrea do dia-a-dia, forjada pelos minuanos e pela lição do Negrinho do Pastoreio, eterno em sua lição de mártir e que faz o delírio do editorialista de plantão, lembrando o que nos ensinara o mestre Flávio Loureiro Chaves que tem no poema a síntese de "elaboração de uma poesia que imprime aos motivos regionais a marca de uma experiência de revelação individual e psicológica":

“Negrinho do Pastoreio,
venho acender a velinha
que palpita em teu louvor.
A luz da vela me mostre
o caminho do meu amor.”
(...)

E este grupo de jovens reunidos em torno de uma proposta Simplicíssima, pode repetir na noite gélida:
“Vou levando esta luzinha
treme-treme, protegida
contra o vento, contra a noite...
É uma esperança, queimando
na palma da minha mão.

“Que não se apague este lume!
Há sempre um novo clarão,
Quem espera acha o caminho
Pela voz do coração.” (Augusto Meyer).

Pronto, a sombra rápida de nossas vidas riscou o céu do Rio Grande e está dito (e escrito) que este é uma revelação pessoal que não merece ser um Editorial.

Adalberto de Queiroz
Editor Interino

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Passado mal redigido
Gabriel Silveira


Saiu da agência por volta das dez e trinta da noite. Ficara até tarde por seu perfeccionismo brutal. \"Mesmo assim a frase não ficou perfeita\". Parou à porta, jogou sobre o lombo cansado o sobretudo negro e tirou do bolso um maço de cigarros. Olhou para ambos os lados. Somente depois é que puxou da caixa um deles e prendeu-o à boca queimando em fogo seu extremo. Virou fumaça. A passos longos, cruzou a rua de pedras serenadas pela noite e decidiu ir para casa. Os carros que passavam iluminavam seu caminho, refletindo-lhe as dores no óculos pesado. No caminho, ministrou pensamentos racionais e decidiu levar algo para comer. Mudou, então, a rota que traçava e pôs-se na direção da Factory, lanchonete na qual tantas noites madrugara nos tempos de café e literatura. Não demorou mais do que dez minutos para chegar até lá. Empurrou com a mão direita a porta pesada de vidro temperado e sorriu ao ver o velho balcão. Pendurou o sobretudo, secou levemente os óculos soprando-lhe as lentes e sentou-se já com um sorriso na face sobre o banco de assento rubro.
- O mesmo de sempre? - perguntou-lhe a atendente.
Ele ergueu os olhos ironicamente e respondeu:
- Não é possível que ainda lembre-se de mim, Patrícia - disse.
- Lembrastes até de meu nome, por que não poderia lembrar do que costumava pedir?
- Tente.
- Expresso duplo com chantilly, amanteigados e dois Parlament avulsos.
- O duplo com o extra e os biscoitos vou querer. Quanto ao Parlament, traga-me uma carteira inteira. Meu último foi-se no início da noite.
- E o nome?
- Que nome?
- O seu.
- Ah, isto não lembrastes?
- Não basta lembrar do seu pedido? - disse ela servindo-lhe o café com os amanteigados.
- Marcelo Diniz. Mas acredito que o café e o cigarro digam-lhe mais verdades sobre mim do que este nome.
- O que a gente faz sempre supera o que a gente é - disse-lhe a mulher, já saindo para atender outros três homens que chgavam no bar.
Marcelo ficou com aquilo na cabeça e pensou que a frase poderia ter sido melhor proferida para tornar-se mais profética. \"O que fazemos sempre supera o que somos\". Pensou que ainda não estava bom mas, quando ia a reformular recriminou-se, \"Será que não consigo esquecer esta função de redator nem por um único segundo?\".

Saiu dali quinze minutos depois. Pagou a conta com o mesmo valor que pagava em outros tempos e Patrícia deixou assim mesmo, \"deixe-o no passado se o presente lhe incomoda\". Marcelo resolveu tomar a Av dos Quinze para chegar até seu apartamento. Só quando já estava nela e que descobriu-a na escuridão. Os postes de iluminação pareciam árvores mortas em busca do dia. Cruzou-a assim mesmo. Quando chegou no cruzamento da Av. com a Sofia, rua em que morava, escutou seu nome sendo chamado. Só depois de alguma resistência é que olhou para trás. Patrícia, carregando um casaco negro na mão, chamava-lhe ofegante.
- Seu sobretudo, esquecestes na lanchonete.
- Oh, não era necessário, muito obrigado.
- Estás indo para casa? - perguntou ela.
- Sim, moro logo na...- falava quando ela o cortou:
- Eu ainda me lembro do seu apartamento.
- Queres me fazer companhia?

No outro dia, quando Marcelo acordou, seus óculos estavam colocados sobre seu casaco. Ela não estava mais ali. Os vidros embassados, a cama desarrumada, o cigarro pela metade: era o que sobrara da noite. Sem levantar-se jogou um travesseiro nas costas e sentou-se à cama. Da cabeceira direita, puxou um caderno azul com capa aveludada. Escreveu, no topo da página do dia seguinte que já vivia, \"O passado é companheiro daqueles que não suportam o presente e não visionam o futuro\". E pensou que a frase poderia ter sido melhor redigida.

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Simples Goyuchos
Milton Ribeiro

Rascunho Sobre Meu Pai

Ele não pertencia ao Departamento de Preocupações e freqüentemente licenciava-se do de Sustento. Em nossa casa e em todos os lugares onde ia, suas funções estavam mais ligadas ao Ministério do Lazer, Jogos e Cultura, sem esquecer as Relações Públicas. Não posso imaginar coisa melhor para uma criança do que um pai sempre presente, brincalhão e meio irresponsável. Desde muito pequeno tive contato com os dois lados do Dr. Milton Cardoso Ribeiro - o pai adorável e o apostador do turfe. Meu pai e minha mãe eram dentistas em uma época em que os bons profissionais desta área faturavam o que todos nós deveríamos faturar sempre. Só que meu pai direcionava grande parte de seus ganhos para o Jockey Club. Minha mãe ficava maluca com isto, mas para mim, que não conhecia outra família, era algo tão normal que suas reclamações eram como a música incidental sob a qual vivíamos tranqüilamente. E esta trilha não poderia ser mesmo muito tonitruante, pois meu pai era alguém tão doce que era difícil brigar com ele.

Nasceu em 17 de fevereiro de 1927 e morreu em 11 de dezembro de 1993. Sinto enormemente sua falta. Ele certamente ficaria encantado com esta novidade tecnológica em que você me lê e que o faria saber de tudo rapidamente. Sua Internet eram os muitos jornais dos quais não se separava e o chatíssimo rádio de pilha que usava sempre para ouvir notícias e a metereologia. Algumas vezes conseguia a proeza de juntar suas manias, como naquele caso ocorrido no casamento de minha irmã: em plena festa, organizada num dos hotéis mais chiques de Porto Alegre, um amigo de Iracema chegou-se para dizer-lhe que um convidado -- certamente desinteressado na festa -- estava escondido no recinto da privada, ouvindo os páreos num radinho de pilha. Minha irmã voltou-se rindo para o amigo e disse-lhe: "Deve ser meu pai!".

Não lembro de grandes brigas ou discussões com ele. Lembro é das disputas. Seu perfil de apostador adequava-se perfeitamente a elas. Eu e ele tínhamos um jogo que durou de minha adolescência até sua morte. Toda a vez que ligavávamos na Rádio da Universidade - especializada em música erudita -, tratávamos de identificar o mais rapidamente possível qual era a música que estava sendo executada. Isto podia acontecer várias vezes ao dia. Com isto, sou, até hoje, super-treinado em descobrir tudo o que de clássico toca no rádio. Hoje mesmo liguei o rádio e disse rapidamente, para mim mesmo: "Sarabanda da Suite Nº 2 da Música Aquática de Handel". Acertei.

Quando eu tinha menos de 13 anos, nos dedicávamos - sempre antes de dormir - à atividade de imaginar histórias para a música que estivéssemos ouvindo. Lembro dos numerosos tuaregues que acompanhavam o Bolero de Ravel... dos prelúdios líquidos e cheios de peixes de Chopin... dos concertos atléticos de Bach... das incríveis histórias de terror que acompanhavam o Concerto Nº1 para piano e orquestra de Brahms... É desnecessário dizer que meu pai amava a música. Qualquer música. Colocava Mozart e Noel no mesmo patamar e misturava na mesma noite eruditos e populares. Como pianista amador, chegou a compor e a dedicar a valsa "Férias de Julho" para mim e minha irmã.

Acho que meus pais se amavam. Lembro de gestos de carinho num e noutro sentido. Minha mãe refere-se a ele como um homem que só tinha um só defeito (o já citado) e, quando ele morreu, disse-me que estava arrependida por ter recebido muito mais amor do que dera.

 

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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

Até que um novo instante surja

Acho que em um primeiro momento, quando eu me proponho a escrever um texto de não-ficção (doravante denominado “crônica”, já que estamos cercados por adoráveis criadores de rótulos), a tendência, não temática, mas talvez de tom ou dos sentimentos que irão circundar estas palavras, é que eu venha a ser tentado a falar de coisas aprazíveis, quase sempre de interesses que são compartilhados por vários dos leitores. Isto estabelecido desde que eu comece a escrever o texto de uma maneira aleatória, como vem sendo feito este, e não tendo estabelecido nenhum assunto pré-determinado.

No entanto, eis-me aqui, em plena noite outonal, e, mesmo que os meus sentimentos não tenham se modificado desde a última coluna aqui escrita - sim, continuo muito feliz; sim, não sou um maldito recalcado a reclamar do (oh!) mundo injusto que nos rodeia -, a sensação de que está tudo bem, está tudo bom está teimando em esbarrar em uma insatisfação, um incômodo que parece que vai me perseguir durante muito tempo se eu acabar caindo em assuntos mais triviais.

Mas o problema maior é o seguinte: eu não sou um cara sério, o cara mais indicado do mundo para, em várias linhas me derramar em lamentações intelectualóides a respeito das mazelas da sociedade. Ah, que bom!, dirá o leitor já cansado das manchetes gritantes nos jornais de todos os dias e que, fôssemos de uma sensibilidade extrema, nos levaria a prantos contínuos tais os níveis de infelicidade experimentados constantemente em todas as partes do mundo.

Ainda que praticamente todos os fatos que nos cercam (ou que nos são jogados com mais ênfase pela mídia) atualmente estejam vindo revestidos de ignorância e violência, se eu escolher seguir por este caminho vou ser somente mais um contribuinte para que todos estes eventos sejam ainda mais repercutidos, levando àquele evento que, ainda que não nos demos conta, conhecemos muito bem: a hiperinformação. Tema amplamente debatido por intelectuais do porte de Umberto Eco e José Martin Barbero. E é fato notório o quanto as repetidas menções aos mesmos fatos acabam tornando-os banais. Afinal, sinceramente, e por mais que tais fatos sejam horrendos, por fazerem parte diariamente de nossas vidas quem ainda tem crises emocionais ao saber que um norte-americano foi decapitado por iraquianos e teve a morte exposta em vídeo na Internet? E isto é somente um exemplo da bizarrice diário a qual somos expostos.

As notícias se sucedem: mutilações, intolerâncias religiosas e políticas, tortura oficializada, seres humanos sendo puxados por coleira (e não é a Luma de Oliveira em desfile de escola de samba!). Definitivamente, por mais que o abalo e o descrédito contínuo de filósofos e religiosos se manifestasse há tempos, com dúvidas sobre o aperfeiçoamento do Homem ao passar dos anos, alguém poderia imaginar que as coisas chegariam a tal nível?

Um nível em que tudo se torna revestido por um verniz de lástima e violência, atingindo até o que deveria ser o mundo do entretenimento. Sob a sombra de uma polêmica acesa sobre os empecilhos criados pela Disney para não permitir a distribuição do último filme de Michael Moore, paira, na realidade, um jogo de interesses, ligações intrínsecas com o poder, violências impositivas e tentativas de censura, mais um capítulo em que a podridão vem à tona travestida de mero produto cultural.

E quando ainda me resta a utopia de crer que há uma arma, a escrita, as palavras que formam este texto podem soar tão verdadeiras, tão eficazes quanto ridículas. Tão ridículas quanto Dom Quixote investindo contra os moinhos. Por isto que, mesmo que a denúncia, o debate destes assuntos de interesse internacional me pareça uma verborragia inútil neste espaço, não fazê-lo (ou tentar, por que o que se tem aqui são somente tentativas que, insisto, acabam inflando de falta de sentido a informação) também me parece uma fuga. O mais foda são os sentimentos de que qualquer outra atividade alheia ao debate destes assuntos parece uma válvula de escape, um paliativo. Uma bobagem, reconheço. Ninguém é obrigado e nem deve viver tagarelando inutilmente, como um destes hyppies de butique acerca dos males do nosso universo. Ainda assim e pelo menos hoje (e espero que este sentimento passe logo, senão vai ser uma droga daqui para a frente) falar sobre o lançamento de Tróia, a última besteira do canal Sony o novo blockbuster das livrarias me parece nem um pouco adequado. São exemplos aleatórios estes, é claro, por que estou cheio de vontade de comentar o último filme que vi no cinema, as últimas obras literárias que li (e que provavelmente não serão os campeões de venda), o novo programa de operação plástica do canal Sony, enfim.

Enquanto não me sinto à vontade para fazê-lo, conservo-me dentro da introspecção que me é possível e que se encontra quase sempre acompanhada de uma imagem que traduz um ideal de felicidade e que não é novidade para quem me lê aqui. E quando esta imagem me for possível vir à mente desacompanhada da mínima culpa possível (ah, a maldita culpa cristã!), eu saberei que estou de bem com tudo. E ela será composta, tirando ou incluindo um ou outro detalhe de: eu mesmo, numa tarde fria de outono sentado em um café da rua da República, com duas xícaras de cappuccino - uma minha e outra da minha namorada que, pegando em minha mão fria me ouve enquanto leio algum trecho fabuloso de algum livro de Cortázar.

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en passant
Eduardo Hostyn Sabbi

Musicata I - do coração

Um dia frio.
O amor ficou doente.
Com uma calma desesperada nos olhos
Você arruma o sutiã e vai embora
E arrebenta nossos sonhos um por um
Havia algo de insano naqueles olhos, olhos insanos
Um infinito sem presente passado ou futuro
Eu te odiei uns dias
Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fez
Por quanto tempo você me enganou
Palavras apenas, palavras pequenas
Amiúde
Nem sempre é 'so easy' se viver
Minha lady me deixou
Estou doente do peito
Meu coração dói tanto que eu não durmo mais
Um máquina de escrever
Tenho meus olhos molhados querendo chorar
Não resta nada, olhando a estrada
Eu to longe demais
Ah, não posso mais
Porque estou tão preocupado por estar tão preocupado assim?
O que a gente não pode, explodirá
Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é
O que perdi não devolvem, mas vou buscar com revólver
Mau nenhum, a não ser a mim mesmo
E eu vou esquecer de tudo
Por causa de um amor perdido
Me dê ao menos mais um tiro, por favor
O peso do meu corpo não significa mais charme
Quem se importa de onde vem
E então, a culpa é de quem?

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I-racional
Pedro Armando Furtado Volkmann

Vale Quanto Pesa

Quanto vale uma amizade?
Quanto vale aquele amigo que você tinha na infância? Que ensinou você a jogar bola...
Aquele amigo que estava com você no primeiro dia que você catou uma mulher....
Quanto vale?
Que dinheiro, que vida, que merda...
Será que vale 10 palavras? O Orkut?
Orgulho ferido? Ente querido?
O que um amigo é capaz de fazer por você?
Quem é seu amigo?
Aquele que abre a geladeira da sua casa e reclama que só tem kaiser?
Aquele que dorme e acorda ligado no seu icq?

Daria tudo para não ter estado no computador um certo dia...
Naquele dia, tudo mudou.
Pode um dia, um alguém, mudar o seu mundo?
Fazer ficar mais pobre, muito pior?

O certo é que só resta tentar com...
Palavras ao vento, que pelo menos um cara lê!!!!
Obrigado Marcos Claudino...
E me faz ter vontade de escrever.

Vale uma visita...
Em Guaíba...
Vale um treino de judô.
Vale um lutador de sumo.

Vale um automóvel,
Um apartamento...
Que tormento...
Vale até o aeromóvél.

Vale uma risada,
Um rio, um mar...
Vale aquela arriscada...
O céu, um lauto jantar.

Vale tudo... uma peleia...
Vale Quanto Pesa...
Até uma reza,
Mas acho que para valer o que pesa..
Tinha que ser do tamanho de uma baleia.
(já pensou em um amigo seu hoje?)

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Diálogos com Deus
Rafael Luiz Reinehr

Jesus e o Rock'n Roll


- Que som é esse meu filho?

- Isso é Titãs. Uma música que fizeram em minha homenagem! Escuta só:

- “Quem é que precisaaaaa... Tomar cuidado com o que diz?
Quem é que precisaaaaa... Tomar cuidado com o que faz?...
Será que é isso que eu necessito? Será que é isso que eu necessito?
Quem aqui não tem medo de passar o ridículo?
Quem aqui, como eu tem a idade de Cristo quando morreu?”

- Muito bom meu filho! Bela banda!

- É verdade... Esse caras são demais. Vem cá... Será que 33 anos é muito tarde pra começar uma banda de rock n’ roll pai?

- Claro que não meu filho! Veja o exemplo do seu pai! Fui me tornar capitalista só agora, depois de incontáveis anos de vida!

- Valeu pai!...

Deus já estava dando as costas para sair do quarto quando...

- Pai!

- Que foi filho? – voltando-se para Jesus.

- Será que rola uma graninha pra eu descolar uma guitarra maneira?

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Por isso escrevo
Cláudia Sleman - Rahna


Porque estes versos
São tudo o que tenho.
E porque este amor
é por demais imenso.

Porque tudo o que possuo
São essas limitadas linhas,
E estas folhas e estas palavras,
Que nem sequer são minhas...

Porque este amor é tudo...
E tanto...
E tão distante...
Que, a não ser este pranto,
Nada mais me resta.

Porque te quero
Porque te amo
É que escrevo assim:
Como um grito na noite...
Como um náufrago no oceano,
À deriva em alto mar.
Tão solitário e perdido
E que nada mais avista,
Além dos próprios sonhos...
Além dos próprios medos...
Além do próprio mar...

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Ombudsman

O ombudsman está temporariamente suspenso, já que os altos valores cobrados por críticos como Pedro de Lara (jurado do Programa Sílvio Santos), partidários do PFL e do PSDB (na atual conjuntura política) e demais críticos literários neste país está abusivo, sendo que a Edição do Simplicíssimo resolveu não atender aos valores solicitados.

Estamos, desta feita, atrás da ingrata tarefa de encontrar um Ombudsman.

Se você, Simplileitor, conhece alguém responsável, capaz de fazer a crítica de todo o site semanalmente, que leia seus textos na íntegra e consiga fazer uma crítica sincera e bem embasada até às terças às 20:00 sem falta, por favor nos avise. Ah! E que não cobre nada, é bom avisar!

Campanha Procura-se um Ombudsman para o Simplicíssimo. Contatos pelo simplicissimo@simplicissimo.com.br

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SUPER Desafio Simplex

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Luiz Antonio Ribeiro (Petrópolis - RJ) - 30 pontos

Alessandro Sachetti (São Paulo - SP) - 30 pontos

Corina Abreu (Rio de Janeiro - RJ) - 20 pontos

Rebeca Campani Donazar ( Porto Alegre - RS) - 10 pts.

Pedro Volkmann (Porto Alegre - RS) - 10 pontos

Diego Altieri. Silveira (Sapucaisa do Su l- RS) - 10 pontos

Roberto Iukio Iwai (São Paulo - SP) - 10 pontos

Os pontos da prova da semana ainda estão sendo avaliados. Só serão computados os pontos daqueles e-mails fornecidos que responderem positivamente ao nosso contato.

O próximo Desafio já está aí. Acesse o Super Desafio Simplex e participe! Divulgue para seus amigos, façam um bolão e dividam os prêmios!

LEMBRE-SE: durante a semana, a qualquer momento, podemos estabelecer uma prova relâmpago onde quem cumprir primeiro a tarefa leva os pontos! Esteja atento!


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Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 

 

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