19/05/2004
- Edição número
76
As sombras de Porto Alegre
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Editorial
As
sombras de Porto Alegre
O poeta Augusto Meyer
lhe toma pelo braço e, como bom conselheiro,
o guia. A Rua da Praia é o destino andarilho,
como andarilho é o destino do Negrinho
do Pastoreio e capaz de tudo encontrar. Chega-se
mesmo a apostar que é o pampa o seu destino,
mas seria muita pretensão. Então,
é com a Rua da Praia que se contenta. E
tamanha alegria já lhe basta.
Está proibido
de dizer EU, porque este, afinal, é um
Editorial: tudo há que ser posto em terceira
pessoa.
Agora
trata-se de perseguir e montar os “cavalos
de Mendonza” em sua cavalgada louca,
seguindo os tipos esfarrapados sem-direito-a-nome
que, conquistaram com luta um gentílico
especial, tomar-lhes de empréstimo os muitos
nomes pela vida à fora: ´gaúchos`.
Há
que segui-los, aos farroupilhas que têm
o céu por legado, e que "moram
dentro de sua camisa, debaixo de seu chapéu"
– os desterrados gaudérios, até
a deterioração no sintagma novo:
goyuchos, donos uma fazenda no ar, um território
sem dono em que se juntam duas metades do Brasil
– formação num emérito
Rio Grande e a Goyana origem.
Ousa
dizer como Aug, "quem não viu
a Rua da Praia aos sábados de tarde, por
volta dos vinte e tantos, não sabe o que
perdeu como espetáculo, nem conhecerá
jamais a província que ainda caminhava
pelo ritmo do século passado..."
(replicante, na condição de editorialista
troca os vinte pelos anos setenta e tantos e deixa
a marca de editorialista, como que vingado).
Ah,
desejo de ainda andar "em pleno rigor
do chapéu obrigatório, da bengala,
muitas vezes do plastron", como o senador
que desembargava no Salgado Filho de aviões
da Varig em plenos anos 70.
Essa melancolia que
inclui uma passagem por lugares hoje pouco navegáveis,
traz a sombra de uma Porto Alegre que remonta
aos guias antigos, aos hábitos cavalheirescos,
capazes de gerar na pessoa do poeta um exemplo
de afeto, generosidade e simpatia - um tipo que
gerava a admiração de diferentes
gerações. Um exemplo de boas-maneiras
em meio à vertigem de uma atualidade vencida
pelo mau-gosto em todo o país.
Fica com uma quase
certeza: são os gaúchos da atualidade
os mesmos e antigos defensores da fronteira cisplatina,
estariam destinados a defender os brasileiros
de seu desapego à pertinácia de
construir uma Nação de primeiro
mundo.
[(*)Nota
da Direção: Não há
certezas em tais afirmações e este
jornal eletrônico não se responsabiliza
política e culturalmente pelas afirmações
neste espaço, pois que este e-zine
submeteu sua opinião ao escaravelho da
memória de um simples Goyucho. Suprema
imprudência!]
Sabe-se que só
há um desejo expresso que o editorialista
endossa: o de que o resto do país não
cometa a imprudência de virar as costas
a esses irmãos de hábitos, por vezes,
estranhos e melancólicos da porção
Meridional do Brasil.
Por exemplo: não
há razão para tanta contenda, apenas
por conta e risco de autorizarem seu território
como séde de um Fórum dito Social
– é pouco e perdoável, se
pensarmos que ali também se dá o
único e exitoso Congresso Internacional
da Qualidade e do Movimento Brasil Competitivo;
que ali/aqui se alimenta o mais animado movimento
de excelência e onde a disciplina põe
de alerta o Brasil Competitivo; que ali/aqui não
se deseja mais - pelo menos não explicitamente,
que nenhum cavalo volte a percorrer a triste trilha
Porto Alegre-Rio e ser amarrado a um obelisco,
à beira-mar, naquele paradisíaco
balneário sujeito ao tráfico de
drogas e a uma das mais infelizes classes dirigente,
apesar de ter entre os cidadãos a mais
generosa gente trabalhadora que se possa sonhar
desde o Reino Unido de Portugal e Algarve.
O
Rio Grande sedia contradições e
etnias, levantes e exemplares contendas diárias
– como a de uma pequena cidade cuja câmara
municipal diz “vereador não merece
salário” porque é servidor
do povo, como a atualizar uma velha lição
de Lao Tsé. O Rio Grande dos gaudérios
e das tradições, é o Rio
Grande que nos defendeu das agressões da
Banda Oriental e, operoso, constrói a lição
da disciplina férrea do dia-a-dia, forjada
pelos minuanos e pela lição do Negrinho
do Pastoreio, eterno em sua lição
de mártir e que faz o delírio do
editorialista de plantão, lembrando o que
nos ensinara o mestre Flávio Loureiro Chaves
que tem no poema a síntese de "elaboração
de uma poesia que imprime aos motivos regionais
a marca de uma experiência de revelação
individual e psicológica":
“Negrinho
do Pastoreio,
venho acender a velinha
que palpita em teu louvor.
A luz da vela me mostre
o caminho do meu amor.”
(...)
E este grupo de jovens reunidos em torno de uma
proposta Simplicíssima,
pode repetir na noite gélida:
“Vou levando esta luzinha
treme-treme, protegida
contra o vento, contra a noite...
É uma esperança, queimando
na palma da minha mão.
“Que
não se apague este lume!
Há sempre um novo clarão,
Quem espera acha o caminho
Pela voz do coração.” (Augusto
Meyer).
Pronto, a sombra
rápida de nossas vidas riscou o céu
do Rio Grande e está dito (e escrito) que
este é uma revelação pessoal
que não merece ser um Editorial.
Adalberto
de Queiroz
Editor Interino
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Passado mal redigido
Gabriel Silveira
Saiu da agência por volta das
dez e trinta da noite. Ficara até tarde
por seu perfeccionismo brutal. \"Mesmo assim
a frase não ficou perfeita\". Parou
à porta, jogou sobre o lombo cansado o
sobretudo negro e tirou do bolso um maço
de cigarros. Olhou para ambos os lados. Somente
depois é que puxou da caixa um deles e
prendeu-o à boca queimando em fogo seu
extremo. Virou fumaça. A passos longos,
cruzou a rua de pedras serenadas pela noite e
decidiu ir para casa. Os carros que passavam iluminavam
seu caminho, refletindo-lhe as dores no óculos
pesado. No caminho, ministrou pensamentos racionais
e decidiu levar algo para comer. Mudou, então,
a rota que traçava e pôs-se na direção
da Factory, lanchonete na qual tantas noites madrugara
nos tempos de café e literatura. Não
demorou mais do que dez minutos para chegar até
lá. Empurrou com a mão direita a
porta pesada de vidro temperado e sorriu ao ver
o velho balcão. Pendurou o sobretudo, secou
levemente os óculos soprando-lhe as lentes
e sentou-se já com um sorriso na face sobre
o banco de assento rubro.
- O mesmo de sempre? - perguntou-lhe a atendente.
Ele ergueu os olhos ironicamente e respondeu:
- Não é possível que ainda
lembre-se de mim, Patrícia - disse.
- Lembrastes até de meu nome, por que não
poderia lembrar do que costumava pedir?
- Tente.
- Expresso duplo com chantilly, amanteigados e
dois Parlament avulsos.
- O duplo com o extra e os biscoitos vou querer.
Quanto ao Parlament, traga-me uma carteira inteira.
Meu último foi-se no início da noite.
- E o nome?
- Que nome?
- O seu.
- Ah, isto não lembrastes?
- Não basta lembrar do seu pedido? - disse
ela servindo-lhe o café com os amanteigados.
- Marcelo Diniz. Mas acredito que o café
e o cigarro digam-lhe mais verdades sobre mim
do que este nome.
- O que a gente faz sempre supera o que a gente
é - disse-lhe a mulher, já saindo
para atender outros três homens que chgavam
no bar.
Marcelo ficou com aquilo na cabeça e pensou
que a frase poderia ter sido melhor proferida
para tornar-se mais profética. \"O
que fazemos sempre supera o que somos\".
Pensou que ainda não estava bom mas, quando
ia a reformular recriminou-se, \"Será
que não consigo esquecer esta função
de redator nem por um único segundo?\".
Saiu dali quinze
minutos depois. Pagou a conta com o mesmo valor
que pagava em outros tempos e Patrícia
deixou assim mesmo, \"deixe-o no passado
se o presente lhe incomoda\". Marcelo resolveu
tomar a Av dos Quinze para chegar até seu
apartamento. Só quando já estava
nela e que descobriu-a na escuridão. Os
postes de iluminação pareciam árvores
mortas em busca do dia. Cruzou-a assim mesmo.
Quando chegou no cruzamento da Av. com a Sofia,
rua em que morava, escutou seu nome sendo chamado.
Só depois de alguma resistência é
que olhou para trás. Patrícia, carregando
um casaco negro na mão, chamava-lhe ofegante.
- Seu sobretudo, esquecestes na lanchonete.
- Oh, não era necessário, muito
obrigado.
- Estás indo para casa? - perguntou ela.
- Sim, moro logo na...- falava quando ela o cortou:
- Eu ainda me lembro do seu apartamento.
- Queres me fazer companhia?
No outro dia, quando
Marcelo acordou, seus óculos estavam colocados
sobre seu casaco. Ela não estava mais ali.
Os vidros embassados, a cama desarrumada, o cigarro
pela metade: era o que sobrara da noite. Sem levantar-se
jogou um travesseiro nas costas e sentou-se à
cama. Da cabeceira direita, puxou um caderno azul
com capa aveludada. Escreveu, no topo da página
do dia seguinte que já vivia, \"O
passado é companheiro daqueles que não
suportam o presente e não visionam o futuro\".
E pensou que a frase poderia ter sido melhor redigida.
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Simples
Goyuchos
Milton
Ribeiro
Rascunho
Sobre Meu Pai
Ele não pertencia
ao Departamento de Preocupações
e freqüentemente licenciava-se do de Sustento.
Em nossa casa e em todos os lugares onde ia, suas
funções estavam mais ligadas ao
Ministério do Lazer, Jogos e Cultura, sem
esquecer as Relações Públicas.
Não posso imaginar coisa melhor para uma
criança do que um pai sempre presente,
brincalhão e meio irresponsável.
Desde muito pequeno tive contato com os dois lados
do Dr. Milton Cardoso Ribeiro - o pai adorável
e o apostador do turfe. Meu pai e minha mãe
eram dentistas em uma época em que os bons
profissionais desta área faturavam o que
todos nós deveríamos faturar sempre.
Só que meu pai direcionava grande parte
de seus ganhos para o Jockey Club. Minha mãe
ficava maluca com isto, mas para mim, que não
conhecia outra família, era algo tão
normal que suas reclamações eram
como a música incidental sob a qual vivíamos
tranqüilamente. E esta trilha não
poderia ser mesmo muito tonitruante, pois meu
pai era alguém tão doce que era
difícil brigar com ele.
Nasceu em 17 de fevereiro
de 1927 e morreu em 11 de dezembro de 1993. Sinto
enormemente sua falta. Ele certamente ficaria
encantado com esta novidade tecnológica
em que você me lê e que o faria saber
de tudo rapidamente. Sua Internet eram os muitos
jornais dos quais não se separava e o chatíssimo
rádio de pilha que usava sempre para ouvir
notícias e a metereologia. Algumas vezes
conseguia a proeza de juntar suas manias, como
naquele caso ocorrido no casamento de minha irmã:
em plena festa, organizada num dos hotéis
mais chiques de Porto Alegre, um amigo de Iracema
chegou-se para dizer-lhe que um convidado -- certamente
desinteressado na festa -- estava escondido no
recinto da privada, ouvindo os páreos num
radinho de pilha. Minha irmã voltou-se
rindo para o amigo e disse-lhe: "Deve ser
meu pai!".
Não lembro
de grandes brigas ou discussões com ele.
Lembro é das disputas. Seu perfil de apostador
adequava-se perfeitamente a elas. Eu e ele tínhamos
um jogo que durou de minha adolescência
até sua morte. Toda a vez que ligavávamos
na Rádio da Universidade - especializada
em música erudita -, tratávamos
de identificar o mais rapidamente possível
qual era a música que estava sendo executada.
Isto podia acontecer várias vezes ao dia.
Com isto, sou, até hoje, super-treinado
em descobrir tudo o que de clássico toca
no rádio. Hoje mesmo liguei o rádio
e disse rapidamente, para mim mesmo: "Sarabanda
da Suite Nº 2 da Música Aquática
de Handel". Acertei.
Quando eu tinha menos
de 13 anos, nos dedicávamos - sempre antes
de dormir - à atividade de imaginar histórias
para a música que estivéssemos ouvindo.
Lembro dos numerosos tuaregues que acompanhavam
o Bolero de Ravel... dos prelúdios líquidos
e cheios de peixes de Chopin... dos concertos
atléticos de Bach... das incríveis
histórias de terror que acompanhavam o
Concerto Nº1 para piano e orquestra de Brahms...
É desnecessário dizer que meu pai
amava a música. Qualquer música.
Colocava Mozart e Noel no mesmo patamar e misturava
na mesma noite eruditos e populares. Como pianista
amador, chegou a compor e a dedicar a valsa "Férias
de Julho" para mim e minha irmã.
Acho que meus pais
se amavam. Lembro de gestos de carinho num e noutro
sentido. Minha mãe refere-se a ele como
um homem que só tinha um só defeito
(o já citado) e, quando ele morreu, disse-me
que estava arrependida por ter recebido muito
mais amor do que dera.
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Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro
Garcia
Até
que um novo instante surja
Acho que em um primeiro
momento, quando eu me proponho a escrever um texto
de não-ficção (doravante
denominado “crônica”, já
que estamos cercados por adoráveis criadores
de rótulos), a tendência, não
temática, mas talvez de tom ou dos sentimentos
que irão circundar estas palavras, é
que eu venha a ser tentado a falar de coisas aprazíveis,
quase sempre de interesses que são compartilhados
por vários dos leitores. Isto estabelecido
desde que eu comece a escrever o texto de uma
maneira aleatória, como vem sendo feito
este, e não tendo estabelecido nenhum assunto
pré-determinado.
No entanto, eis-me
aqui, em plena noite outonal, e, mesmo que os
meus sentimentos não tenham se modificado
desde a última coluna aqui escrita - sim,
continuo muito feliz; sim, não sou um maldito
recalcado a reclamar do (oh!) mundo injusto que
nos rodeia -, a sensação de que
está tudo bem, está tudo bom está
teimando em esbarrar em uma insatisfação,
um incômodo que parece que vai me perseguir
durante muito tempo se eu acabar caindo em assuntos
mais triviais.
Mas o problema maior
é o seguinte: eu não sou um cara
sério, o cara mais indicado do mundo para,
em várias linhas me derramar em lamentações
intelectualóides a respeito das mazelas
da sociedade. Ah, que bom!, dirá o leitor
já cansado das manchetes gritantes nos
jornais de todos os dias e que, fôssemos
de uma sensibilidade extrema, nos levaria a prantos
contínuos tais os níveis de infelicidade
experimentados constantemente em todas as partes
do mundo.
Ainda que praticamente
todos os fatos que nos cercam (ou que nos são
jogados com mais ênfase pela mídia)
atualmente estejam vindo revestidos de ignorância
e violência, se eu escolher seguir por este
caminho vou ser somente mais um contribuinte para
que todos estes eventos sejam ainda mais repercutidos,
levando àquele evento que, ainda que não
nos demos conta, conhecemos muito bem: a hiperinformação.
Tema amplamente debatido por intelectuais do porte
de Umberto Eco e José Martin Barbero. E
é fato notório o quanto as repetidas
menções aos mesmos fatos acabam
tornando-os banais. Afinal, sinceramente, e por
mais que tais fatos sejam horrendos, por fazerem
parte diariamente de nossas vidas quem ainda tem
crises emocionais ao saber que um norte-americano
foi decapitado por iraquianos e teve a morte exposta
em vídeo na Internet? E isto é somente
um exemplo da bizarrice diário a qual somos
expostos.
As notícias
se sucedem: mutilações, intolerâncias
religiosas e políticas, tortura oficializada,
seres humanos sendo puxados por coleira (e não
é a Luma de Oliveira em desfile de escola
de samba!). Definitivamente, por mais que o abalo
e o descrédito contínuo de filósofos
e religiosos se manifestasse há tempos,
com dúvidas sobre o aperfeiçoamento
do Homem ao passar dos anos, alguém poderia
imaginar que as coisas chegariam a tal nível?
Um nível em
que tudo se torna revestido por um verniz de lástima
e violência, atingindo até o que
deveria ser o mundo do entretenimento. Sob a sombra
de uma polêmica acesa sobre os empecilhos
criados pela Disney para não permitir a
distribuição do último filme
de Michael Moore, paira, na realidade, um jogo
de interesses, ligações intrínsecas
com o poder, violências impositivas e tentativas
de censura, mais um capítulo em que a podridão
vem à tona travestida de mero produto cultural.
E quando ainda me
resta a utopia de crer que há uma arma,
a escrita, as palavras que formam este texto podem
soar tão verdadeiras, tão eficazes
quanto ridículas. Tão ridículas
quanto Dom Quixote investindo contra os moinhos.
Por isto que, mesmo que a denúncia, o debate
destes assuntos de interesse internacional me
pareça uma verborragia inútil neste
espaço, não fazê-lo (ou tentar,
por que o que se tem aqui são somente tentativas
que, insisto, acabam inflando de falta de sentido
a informação) também me parece
uma fuga. O mais foda são os sentimentos
de que qualquer outra atividade alheia ao debate
destes assuntos parece uma válvula de escape,
um paliativo. Uma bobagem, reconheço. Ninguém
é obrigado e nem deve viver tagarelando
inutilmente, como um destes hyppies de butique
acerca dos males do nosso universo. Ainda assim
e pelo menos hoje (e espero que este sentimento
passe logo, senão vai ser uma droga daqui
para a frente) falar sobre o lançamento
de Tróia, a última besteira do canal
Sony o novo blockbuster das livrarias me parece
nem um pouco adequado. São exemplos aleatórios
estes, é claro, por que estou cheio de
vontade de comentar o último filme que
vi no cinema, as últimas obras literárias
que li (e que provavelmente não serão
os campeões de venda), o novo programa
de operação plástica do canal
Sony, enfim.
Enquanto não
me sinto à vontade para fazê-lo,
conservo-me dentro da introspecção
que me é possível e que se encontra
quase sempre acompanhada de uma imagem que traduz
um ideal de felicidade e que não é
novidade para quem me lê aqui. E quando
esta imagem me for possível vir à
mente desacompanhada da mínima culpa possível
(ah, a maldita culpa cristã!), eu saberei
que estou de bem com tudo. E ela será composta,
tirando ou incluindo um ou outro detalhe de: eu
mesmo, numa tarde fria de outono sentado em um
café da rua da República, com duas
xícaras de cappuccino - uma minha e outra
da minha namorada que, pegando em minha mão
fria me ouve enquanto leio algum trecho fabuloso
de algum livro de Cortázar.
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en
passant
Eduardo Hostyn Sabbi
Musicata
I - do coração
Um dia frio.
O amor ficou doente.
Com uma calma desesperada nos olhos
Você arruma o sutiã e vai embora
E arrebenta nossos sonhos um por um
Havia algo de insano naqueles olhos, olhos insanos
Um infinito sem presente passado ou futuro
Eu te odiei uns dias
Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fez
Por quanto tempo você me enganou
Palavras apenas, palavras pequenas
Amiúde
Nem sempre é 'so easy' se viver
Minha lady me deixou
Estou doente do peito
Meu coração dói tanto que
eu não durmo mais
Um máquina de escrever
Tenho meus olhos molhados querendo chorar
Não resta nada, olhando a estrada
Eu to longe demais
Ah, não posso mais
Porque estou tão preocupado por estar
tão preocupado assim?
O que a gente não pode, explodirá
Cada um sabe a dor e a delícia de ser
o que é
O que perdi não devolvem, mas vou buscar
com revólver
Mau nenhum, a não ser a mim mesmo
E eu vou esquecer de tudo
Por causa de um amor perdido
Me dê ao menos mais um tiro, por favor
O peso do meu corpo não significa mais
charme
Quem se importa de onde vem
E então, a culpa é de quem?
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I-racional
Pedro Armando Furtado
Volkmann
Vale
Quanto Pesa
Quanto vale
uma amizade?
Quanto vale aquele amigo que você tinha
na infância? Que ensinou você a jogar
bola...
Aquele amigo que estava com você no primeiro
dia que você catou uma mulher....
Quanto vale?
Que dinheiro, que vida, que merda...
Será que vale 10 palavras? O Orkut?
Orgulho ferido? Ente querido?
O que um amigo é capaz de fazer por você?
Quem é seu amigo?
Aquele que abre a geladeira da sua casa e reclama
que só tem kaiser?
Aquele que dorme e acorda ligado no seu icq?
Daria tudo para não
ter estado no computador um certo dia...
Naquele dia, tudo mudou.
Pode um dia, um alguém, mudar o seu mundo?
Fazer ficar mais pobre, muito pior?
O certo é
que só resta tentar com...
Palavras ao vento, que pelo menos um cara lê!!!!
Obrigado Marcos Claudino...
E me faz ter vontade de escrever.
Vale uma visita...
Em Guaíba...
Vale um treino de judô.
Vale um lutador de sumo.
Vale um automóvel,
Um apartamento...
Que tormento...
Vale até o aeromóvél.
Vale uma risada,
Um rio, um mar...
Vale aquela arriscada...
O céu, um lauto jantar.
Vale tudo... uma
peleia...
Vale Quanto Pesa...
Até uma reza,
Mas acho que para valer o que pesa..
Tinha que ser do tamanho de uma baleia.
(já pensou em um amigo seu hoje?)
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Diálogos
com Deus
Rafael Luiz Reinehr
Jesus e o Rock'n Roll
- Que som é esse meu filho?
- Isso é Titãs. Uma música
que fizeram em minha homenagem! Escuta só:
- “Quem é que precisaaaaa... Tomar
cuidado com o que diz?
Quem é que precisaaaaa... Tomar cuidado
com o que faz?...
Será que é isso que eu necessito?
Será que é isso que eu necessito?
Quem aqui não tem medo de passar o ridículo?
Quem aqui, como eu tem a idade de Cristo quando
morreu?”
- Muito bom meu filho! Bela banda!
- É verdade... Esse caras são demais.
Vem cá... Será que 33 anos é
muito tarde pra começar uma banda de rock
n’ roll pai?
- Claro que não meu filho! Veja o exemplo
do seu pai! Fui me tornar capitalista só
agora, depois de incontáveis anos de vida!
- Valeu pai!...
Deus já estava dando as costas para sair
do quarto quando...
- Pai!
- Que foi filho? – voltando-se para Jesus.
- Será que rola uma graninha pra eu descolar
uma guitarra maneira?
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Por
isso escrevo
Cláudia Sleman - Rahna
Porque estes versos
São tudo o que tenho.
E porque este amor
é por demais imenso.
Porque
tudo o que possuo
São essas limitadas linhas,
E estas folhas e estas palavras,
Que nem sequer são minhas...
Porque
este amor é tudo...
E tanto...
E tão distante...
Que, a não ser este pranto,
Nada mais me resta.
Porque
te quero
Porque te amo
É que escrevo assim:
Como um grito na noite...
Como um náufrago no oceano,
À deriva em alto mar.
Tão solitário e perdido
E que nada mais avista,
Além dos próprios sonhos...
Além dos próprios medos...
Além do próprio mar...
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Ombudsman
O
ombudsman está temporariamente suspenso,
já que os altos valores cobrados por críticos
como Pedro de Lara (jurado do Programa Sílvio
Santos), partidários do PFL e do PSDB (na
atual conjuntura política) e demais críticos
literários neste país está
abusivo, sendo que a Edição do Simplicíssimo
resolveu não atender aos valores solicitados.
Estamos,
desta feita, atrás da ingrata tarefa de
encontrar um Ombudsman.
Se
você, Simplileitor, conhece alguém
responsável, capaz de fazer a crítica
de todo o site semanalmente, que leia seus textos
na íntegra e consiga fazer uma crítica
sincera e bem embasada até às terças
às 20:00 sem falta, por favor nos avise.
Ah! E que não cobre nada, é bom
avisar!
Campanha
Procura-se um Ombudsman para o Simplicíssimo.
Contatos pelo simplicissimo@simplicissimo.com.br
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SUPER
Desafio Simplex
O
Desafio Simplex agora é Super!
Saiba
como ganhar 89
CDs sem sair de sua casa! Clique aqui!

A
Lista dos Competidores que pontuaram,
por ordem (provisória de classificação
na corrida pelos 89 CDs!:
Luiz
Antonio Ribeiro (Petrópolis -
RJ) - 30 pontos
Alessandro Sachetti (São Paulo
- SP) - 30 pontos
Corina Abreu (Rio de Janeiro - RJ) -
20 pontos
Rebeca Campani Donazar ( Porto Alegre
- RS) - 10 pts.
Pedro Volkmann (Porto Alegre - RS) -
10 pontos
Diego Altieri. Silveira (Sapucaisa do
Su l- RS) - 10 pontos
Roberto Iukio Iwai (São Paulo
- SP) - 10 pontos
Os
pontos da prova da semana ainda estão
sendo avaliados. Só serão
computados os pontos daqueles e-mails
fornecidos que responderem positivamente
ao nosso contato.
O
próximo Desafio já está
aí. Acesse o Super
Desafio Simplex e participe! Divulgue
para seus amigos, façam um bolão
e dividam os prêmios!
LEMBRE-SE:
durante a semana, a qualquer momento,
podemos estabelecer uma prova relâmpago
onde quem cumprir primeiro a tarefa
leva os pontos! Esteja atento!
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www.simplicissimo.com.br
Copyright © 2003 - Rafael Luiz Reinehr - Todos os direitos
reservados. Sinta-se à vontade para reproduzir os
textos do site, mas não esqueça de citar a
fonte e o autor.
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e divulgue em seu
sítio ou blógue!

Línque
para
http://www.simplicissimo.com.br
e depois nos avise!

Selo
comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em
2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
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