26/05/2004
- Edição número
77
Tetos desabam em cabeças francesas
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Tetos
desabam em cabeças francesas
Imagina no jornal
de Cidreira: teto da rodoviária desaba,
matando três pessoas. Ainda bem que é
inverno. Ninguém vai para a praia. Ops,
péra. O título não fala de
Cidreira, fala de franceses. Será que eram
três franceses curtindo nosso mar em pleno
maio? Vou buscar o jornal. Puxa! Foi no aeroporto
de Paris, que coisa. E nem foi terrorismo. Que
coisa, será que eles importaram alguns
engenheiros ou arquitetos daqui? Nada, a vida
fora daqui é tão árdua e
cheia de nuances quanto nós temos aqui.
Pergunte para um menino de classe média
alta que passou uma temporada trabalhando na Europa
sobre o emprego dele. Gerente de marketing? Consultor
financeiro? Nada disto, ele foi ser garçom,
ajudante de obras ou motorista. Aqui este mesmo
sujeito não faria isto nem amarrado. Está
certo que o salário na Europa é
bem melhor do que o daqui, mas venhamos e convenhamos,
a dor ensina a gemer.
Temos Sem-tetos, sem-terra, sem-casa-na-praia,
sem-empregos...
Temos tetos caindo, desabando, em fenômenos
naturais nunca antes vistos por estas bandas.
Leiam o Eduardo, o Rafael, o Alessandro, o Milton
e os outros colaboradores do simplicíssimo.
São pessoas que estão escrevendo
pelo simples fato de ter vontade de dizer alguma
coisa para vocês. Podem ler até minha
coluna, pois ela está para lá de
irracional e homenageia uma amiga em especial.
Não, não é a Rita.
Todos nós nos dizemos cabeças pensantes
que vivem na luta diária de ter consciência
que temos poucas chances de transformar o mundo,
mas tentamos mudar suas terças à
noite, ou suas manhãs de quartas, com histórias
quentinhas, escritas de madrugada, como esta.
Normalmente, tenho uma amiga que revisa os textos
para mim, porém são uma e quarenta
da manhã e ela ainda não conectou.
Portanto, siga meus apelos, comente nossos textos,
mesmo nossos erros de português cometidos
na ânsia de comunicar algo, uma idéia,
um sonho, uma paixão.
Sabem que escrevo pouco, sou rápido e rasteiro,
mas pelo menos sou ecológico.
Ih, o Pedro se perdeu... Nada, queria falar sobre
os fenômenos naturais, pois é mudando
sua terça à noite ou quarta de manhã
que você pode começar a evitá-los.
Pense nisto e não esqueça, leia
e comente nossos textos. Escrevemos para você
e queremos dizer coisas que tenham significados
para você.
Puxa, parece propaganda de igreja nova, mas vai,
dá uma força ai.
Pedro
Volkmann
Editor Interino
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Frio
destino
Luiz Antonio Ribeiro |
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Era
moreno. Era pouco, muito pouco, quase nada de
tamanho. Pobre criança, vítima do
mundo, enfrentando tudo e todos de peito aberto.
Estava agora na calçada, pés descalços,
camisa vermelha desbotada, bermudinha gasta. Tinha
a barriga vazia, mas a cabeça cheia, de
sonhos, medos e esperanças.
Sentado junto ao meio fio brincava com umas pedrinhas,
se distraía, pelo menos assim, dizia sua
mãe, não pensava besteira. Às
vezes, olhava para os lados, paranóia delirante
lhe tomava, um pouco de raiva, insatisfação,
porém ainda era muito moço para
reagir. Olhou para a rua e viu uma nota de dez
reais caída. Sorriu. Já se imaginou
chegando em casa com um frango, vendo o sorriso
da mamãe e o orgulho do papai. Esperou
passarem os carros e correu para sua sorte. Pegou
o dinheiro e sorriu, por um momento olhou as cores
vermelhas da nota. Pensou se aquele vermelho vinha
do sangue. Olhou para o céu e agradeceu
a Deus, quando de uma garagem saiu um carrão
prata em alta velocidade e como bala ultrapassa
o menino. Com o impacto a nota desprende-se da
mão dele. Não viu nada, não
sabia o que tinha acontecido só sentia
muita dor.
Freada. Sai do carro um moço novo de terno,
recém advogado, vítima de um mundo
mesquinho e careta. Também enfrentava tudo
de peito aberto, não tinha medo de nada,
só de si mesmo. Olhou para a pobre criança
e chorou, vagando em pensamentos: Porra Deus,
por que o senhor não dá esse menino
seu momento de glória? No seu único
momento de destaque na vida, o senhor o veste
de vermelho, para que não possa Ter nem
o orgulho de ver o próprio sangue. Iria
morrer assim? Não, não poderia deixar.
Aproximou-se e viu que o moreno estava pálido,
mas do sangue via-se pouco. Maldita camisa.
Pegou o menino no colo e o levou para sua arma
de prata. No caminho do hospital procurava conversar,
distrair o menino que deitado no banco detrás
permanecia calado. Com o pouco de força
que tinha conseguiu sussurrar:
- Moço, eu tô morrendo.
Desespero. Poderia ser verdade, ou não.
Não deixaria isso acontecer, não
ali, tinha dinheiro, podia fazer alguma coisa.
- Deixa de besteira, menino. Você vai se
safar dessa. Quer apostar?
- Eu sei, moço, eu tô morrendo de
fome. O senhor pegou o dinheiro que eu tava segurando?
- Peguei sim, fique tranqüilo. Não
sabia que dinheiro, nem quanto era, mas podia
pagar.
- Então depois eu quero, é que eu
vou dar pra minha mãe.
- Sim, menino, agora descanse.
Os dois fecharam os olhos juntos. O moço
abriu logo depois, a criança, nunca mais.
O moço não havia percebido e tranqüilo
cantarolava uma música qualquer. Estava
feliz, tinha sido ser humano, ajudado alguém
na hora em que precisava.
Chegou ao hospital e ainda no estacionamento disse:
- Menino, chegamos. Viu nem demorou. Agora você
vai ficar bem melhor.
Olhou o menino imóvel. Imóvel também
ficou. Não sabia o que fazer. Chorou de
medo. Ou de raiva, agora pouca diferença
fazia. Foi tomado por um desespero. E se o vissem
com aquele menino morto ali? O que pensariam?
Poderia arruinar o seu início de carreira,
o seu futuro. Não pensou duas vezes. Deu
meia volta no seu carrão prata e tomou
o caminho de volta. Estava desiludido, porém
sabia que aquilo era o que se devia fazer.
Chegando lá, pegou o menino, já
frio, agora sim, com muito sangue escondido na
vermelha camisa, deitou-o no meio fio. Viu ao
lado uma nota de dez reais ali por perto. Pegou-a,
tirou mais uma de sua carteira e fechou as duas
na pequena mãozinha fria. Voltou para o
carro e ciente de que fizera o certo, dirigiu-se
para o trabalho. Tinha sido uma manhã difícil,
pelo menos até agora.
E a criança deitada lá está
até agora, mas não se vê nenhuma
nota de dez reais.
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Pequenas
Resenhas Canalhas
Maurício
Silveira dos Santos |
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Vou
logo tascar uma citação: “O
principal protótipo do novo mundo mítico,
evidentemente, não é senão
o Mickey Mouse de Walt Disney, cuja imagem mirrada
e ridícula conquistou parte importante
da humanidade...”, gostaram? E se em
outro trecho o super-homem for chamado de desastrado
e bobalhão? E se o movimento hippie for
acusado de “facultar aos medíocres
acreditarem que a sua ineficácia representa
uma posição metafísica séria,
ligada de algum modo portentoso à força
do sentimento positivo, ao individualismo corajoso
e à sabedoria mística do oriente”?
O livro se chama ‘ O Mito e o Homem Moderno’
e foi escrito no início dos anos 70 por
Raphael Patai, autor antes desconhecido por mim
e que é lembrado também por ter
escrito uma biografia sobre o fundador do sionismo.
O livro tem momentos
divertidíssimos, pois Patai não
é nada contido nas suas tentativas de interpretação
de fenômenos históricos, psicológicos,
sexuais, políticos, científicos,
midiáticos, cotidianos, de hábitos
ou vícios, religiosos ou doentios; tudo
isso tendo como motivo condutor o quê? Adivinhem...
Os mitos. Para ele a vida funciona movida a mito,
talvez tudo não passe de mito. Você
pode pensar que algo no mundo seja objetivo, racional,
claro, matemático... Pipocas!! É
tudo mito.
Para se ter uma
idéia, desfilam pelas pouco mais de trezentas
páginas da edição brasileira
(ed. Cultrix), que eu encontrei em um simpático
sebo da cidade, assuntos como autocastração,
Al Capone no Japão, o refrigerante como
mito da satisfação oral, os radicais
nus (sobre militantes da contracultura dos anos
70), os ÓVNIS, o super-homem sexual, precisa-se
de um mito instrumental para a democracia (que
medo!), o mito de James Bond, o mito do mundo
marxista; entre outras pérolas. O preço
que estava anotado na contracapa desta interessante
obra era 7000, 00 cruzeiros, mas acabei pagando
pouco mais de 10 reais, uma pechincha!
Patai é sem
dúvida um homem criativo, erudito, inteligentíssimo
e bem-humorado, se bem que reacionário
e datado em muitas de suas opiniões e interpretações.
Ele declara guerra a quaisquer movimentos contestatórios,
revolucionários e aos personagens históricos
destes movimentos. Sua leitura mitológica
da realidade tem uma clara “quedinha”
para a direita, fazendo com que estes movimentos
pareçam inúteis e as figuras históricas
a eles relacionados pareçam equivocadas
ou doentias. Há até um tópico
denominado “o mito da greve geral”!
Deve ser por isso que acabei encontrando o Patai
no site do Olavo de Carvalho, o filósofo
maluquinho.
De qualquer forma, amigos, este é um livro
que vale a pena. Aprendi muito com ele. Há
uma torrente de informações e referências
literárias de várias épocas
e estilos a cada página com a função
de embasar as explicações e conclusões
do autor que, além dos adjetivos acima
elencados, deve ser uma das pessoas menos preguiçosas
do mundo.
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Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro
Garcia |
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Mané
Lolo
Mané
Lolo é um sujeito meio estranho. Tem aquele
jeitão inconfundível de interiorano
e uns hábitos que todos nós julgamos
extremamente engraçados - se não
lhe trouxessem uma pecha, assim, de, digamos,
joão-bobo - irônicos e mordazes que
somos com o pobre do rapaz. Mané Lolo dá
aquele sorrisão de "e aí, tudo
bem?" o tempo todo, a mão sempre estendida,
pronta para os cumprimentos a toda hora. Mané
Lolo não deixa de ser um cara simpático,
o problema é que Mané Lolo é
tão simpático que às vezes
chega a ser irritante. Mas havemos de ser relevantes
com ele.
Mané
Lolo não tem aquela maldade que todos nós
- cidadãos urbanizados, nascidos e criados
na capital - temos. Sua maldade é quase
que fruto de uma necessidade de se sentir inserido
na "malandragem" que os outros têm
e que ele deve achar meio bacana. Por isso, Mané
Lolo tenta ser malandro, também. De um
jeito meio risível, é lógico,
por que não deixa de ser extremamente engraçado
Mané Lolo loroteando sobre suas conquistas
amorosas e sobre os assédios de que se
diz vítima, na rua, no trabalho, a qualquer
hora, como se pedaço de mau caminho, fosse.
Mané
Lolo é extremamente engraçado contando
sobre os assédios que diz sofrer. Não
chega a dar pena por que sabemos que não
é um inocente; Mané Lolo quer pertencer
ao mainstream, quer fazer parte, gerar fomentação
de seus atos, parecer menos mané por sob
a carapaça de gel que envolve seu cabelo,
sempre penteado corretamente e parecer menos tanso,
por dentro das camisas, sempre extremamente socadas
para dentro de calças que parecem querer
esmigalhar as pobres bolas do pobre Mané
Lolo, de tão apertadas que são.
"Eu gosto assim", diz, vez ou outra
o Mané Lolo, "acho que fico mais sensual".
Nestas horas a gente não ri, por que dá,
realmente, uma certa pena.
Mané
Lolo é um sujeito bizarro.
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en
passant
Eduardo Hostyn
Sabbi |
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P.H.T.L.S.
Sim,
sou daqueles que acredita que a educação,
direta ou indireta, é um caminho fundamental
para as mudanças. Entende-se aqui direta
como aquela resultante de uma transmissão
acadêmica do conhecimento e indireta por
outros meios, como a aprendizagem pelo exemplo.
Tal distinção, se realmente existe,
não deve gerar uma confusão de
importância. Ambas se justificam, se sobrepõe
e se complementam.
Pois
não é diferente na Medicina. Digo
isso enquanto tento, em vão, encontrar
enlouquecidamente meu exemplar de O Ponto de
Mutação para embasar o quanto
nós, médicos, por décadas
descuidamos do doente pela restrita atenção
à doença. E é esgoto aberto,
banheiros no chão, lombrigas entrando
e saindo como e quando querem. Remedinho aqui
e ali, a causa do mal ainda causa o mal. E sabemos
disso, mas nem sempre agimos de acordo com o
nosso conhecmento.
É
no primeiro capítulo do seu manual, que
o curso PHTLS (Basic and Advanced Prehospital
Trauma Life Support – recomendo a
todos da área de saúde!) aborda
com propriedade a questão da prevenção
do trauma (acidentes em geral: automobilísticos,
domésticos, quedas, violência urbana,
etc.). No mundo todo, são 16 mil mortes
diárias por trauma sendo que 146 mil/ano
ocorrem nos Estados Unidos, onde o trauma é
a terceira causa de morte, atrás apenas
das doenças cardiovasculares e do câncer.
Mais além, outras 2,5 milhões
de pessoas foram hospitalizadas naquele país
em 1997, em decorrência de lesões
não-fatais pelo trauma.
Outro
dado assustador: considerando a expectativa
de vida média dos grupos etários
e os anos em potencial de vida perdida, o trauma
liderou o gráfico entre norte-americanos
com 1 a 44 anos de idade em casuística
no ano de 1995 (e imagino que seja assim ainda
hoje). Enquanto o câncer retira um montante
de 2 milhões de anos em potencial para
o grupo, o trauma joga pelos ares 3,5 milhões
de anos. Cerca de 80% das mortes em adolescentes
e 60% das mortes em crianças decorrem
do trauma. E para quem ainda tem dúvidas
ou só é sensível no bolso,
há um custo estimado em $325 bilhões
de dólares gastos anualmente com o trauma.
Seguindo
com o manual e as estatísticas norte-americanos
(eles são realmente bons nisso), em 1966
o congresso aprovou lei exigindo o uso de capacetes
para motociclistas e as taxas de fatalidades
despencaram. Mas em 1975, movido pelos “direitos
humanos” e a “democracia”
do livre arbítrio, a lei foi retirada
e as taxas cresceram até nova medida
judicial ser instalada.
O
termo “acidente”, como algo inevitável,
de causa desconhecida, não serve ao trauma.
O que ocorre geralmente é o resultado
do descuido, da desinformação
e da imprudência. E longe de tornar nosso
dia-a-dia um ritual obsessivo de verificações
de segurança, atitudes bastante simples
de prevenção
são apontadas como o ponto mais importante
na busca da solução do trauma.
O uso de cinto de segurança, assentos
infantis apropriados no banco traseiro e airbag
nos veículos, o capacete para ciclistas
e motociclistas, as restrições
para o uso de álcool pelos motoristas,
proteção de piscinas (cobertura
ou cercados) são apenas alguns exemplos.
Mais
uma vez lançando mão dos recursos
numéricos, centros de controle do trauma
e doença norte-americanos fazem interessante
estimativa entre os investimentos na área
e seus e resultados:
·
Cada $1 investido em aconselhamento pediátrico
economiza $10
· Cada $1 investido em capacetes de ciclistas
economiza $29
· Cada $1 investido em assentos de segurança
infantis economiza $32
· Cada $1 investido em detectores de
fumaça economiza $69
E
por aí afora. Educação,
educação e educação.
Desde o berço até a universidade
da terceira idade, nem todo mundo tem uma segunda
chance para aprender com os erros. A propósito,
que esforço você tem feito pela
vida?
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I-racional
Pedro Armando Furtado
Volkmann |
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Melões
e cólicas
Fruta maldita
Da Rita
Tinha seu valor
Ardor
Dia “d”
Ela está bucólica
Melões
Perdões
Sermões
Safanões
Dia “e”
Romântica
Pêras
Ceras
Beiras
Faceiras
Dia “f”
Simbólica
Ovo
Novo
De novo
Renovo
Dia “g”
Grudada
Pequenos
Terrenos
Venenos
Morenos (mentira)
Dia “h”
Safada
Proporcionais
Sensacionais
Normais
Bacanais
Dia “i”
Amada
Desnudos
Macanudos
Carnudos
Miúdos
Dia “j”
Melancólica
Dia após dia
Rebeldia
Selvageria
(E amor)
Dia “x”
Abobrinha
Chega de um jeito
Com um risinho
Se mostra de outro
Afeto, carinho.
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Diálogos
com Deus
Rafael Luiz Reinehr |
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Jesus
e Nietsche
- Pai, olha só: estou lendo este livro
“Ecce Homo” de Friederich Nietsche.
Tem uma parte aqui que ele diz: “Eu não
sou um homem, sou dinamite”. O que será
que ele quis dizer, pai?
- Bem, meu filho, pelo que lembro da ocasião
em que Nietsche disse isso, ele estava se recuperando
de um período de enfermidade...
- A localização temporal e a situação
de vida interferem na interpretação
de suas palavras?
- Sim meu filho! Esta é uma lição
muito importante! Não podemos separar as
palavras de um homem de seu contexto histórico.
Se as usarmos em um outro tempo, podemos estar
incorrendo em grave falácia!
- Certo! Mas e sobre a dinamite?
- Como estava dizendo, Nietsche havia passado
por algumas intempéries, após as
quais mudou sua forma de encarar a vida e o mundo.
Escreveu isso para que lembrassem que era um homem
de contrastes em relação a realidade
à sua volta. Estava pronto para destruir
com tudo o que estivesse instituído. Daí,
sua auto-denominação de “dinamite”.
- E ele realmente fez essas mudanças todas
a que se propunha?
- Infelizmente, filho meu, pouco após redigir
estas palavras, Nietsche pirou na batatinha e
parou de falar coisa com coisa. Perdeu seu crédito
daí por diante. Apesar de sua obra continuar
sendo reconhecida até hoje, não
pôs em obra suas idéias mais revolucionárias.
- Que triste, né pai...
- É meu filho... Às vezes, os homens
não estão prontos para tantas mudanças
em tão pouco tempo...
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Nosso sonho acabou
Tudo o que era, não é mais
Desde então não tenho paz
Com o ser que agora sou.
Quero
parar de chorar
Ah, que bom que seria
Se eu pudesse, gritaria:
“Não estou mais a te amar!”
Não
posso fazer
Estaria mentindo pra mim
Dizendo que chegou ao fim
O que ainda me faz sofrer
Me
resta esperar, quem sabe um dia
O destino pra mim sorria
E diga que estou livre
Quem
sabe no dia da morte
Eu finalmente tenha a sorte
Que antes eu nunca tive
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Realmente
encontrar um crítico literário por
estas bandas está difícil. Uma entidade
com tempo não só para ler todos
os textos do site e, depois disso, destilar sua
fúria e sua ira em um ajuntado de palavras
fervorosamente ligadas com fins de criticar escritos
alheios não é para qualquer um.
Assim,
estamos organizando um Curso de Formação
de Críticos Literários para suprir
a demanda crescente de órgãos como
Jornais e Revistas impressos e virtuais. Se você
quiser informaçãoes sobre o curso,
entre em contato com o Simplicíssimo.
Espero
que não tenha levado a sério o que
está escrito aí em cima.
Enquanto
isso, segue a...
"Campanha
Procura-se um Ombudsman para o Simplicíssimo".
Contatos
pelo simplicissimo@simplicissimo.com.br
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O
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A
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por ordem (provisória de classificação
na corrida pelos 89 CDs!:
Luciano
Trevisan (Júlio de Castilhos
- RS) - 190 pontos
Alessandro
Sachetti (Cândido Mota - SP) -
140 pontos
Luiz
Antonio Ribeiro (Petrópolis -
RJ) - 30 pontos
Corina Abreu (Rio de Janeiro - RJ) -
20 pontos
Daniel
Rech (Porto Alegre - RS) - 20 pontos
Rebeca Campani Donazar ( Porto Alegre
- RS) - 10 pts.
Pedro Volkmann (Porto Alegre - RS) -
10 pontos
Diego Altieri. Silveira (Sapucaisa do
Sul- RS) - 10 pontos
Roberto Iukio Iwai (São Paulo
- SP) - 10 pontos
OBS:
Os pontos computados da segunda tarefa
referem-se somente a aqueles que responderam
ao nosso e-mail. A terceira tarefa continua
valendo, está em andamento!
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Copyright © 2003 - Rafael Luiz Reinehr - Todos os direitos
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e depois nos avise!

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comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em
2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
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