Simplicíssimo
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Editorial

Voltei!

É com lágrimas nos olhos que novamente recebo sob meu comando o timão desta Nau, psicodelicamente indo onde nenhum escritor-leitor jamais esteve.

Depois de 7 semanas distante da função de redigir este editorial, semanas estas nas quais fui brilhantemente substituído pelo seleto grupo de SimpliColunistas que me acompanha nesta tarefa de trazer (boa) literatura (gratuita) para seu deleite, chegou a hora de novamente abraçar esta não pequena responsabilidade.

Muitas coisas aconteceram nestas 7 semanas. Três colunistas realizaram pausas em suas atividades por escassez de tempo em suas vidas particulares, nosso Ombudsman se transformou em colunista e na edição anterior ocorreu a estréia de Marcos Claudino de São Paulo - SP e nesta toma posse Alessandro Sachetti, de Cândido Mota - SP como nossos Ombudsmen, intercalando suas ácidas críticas mescladas com doces sugestões a cada nova edição.

Além da estréia de Sachetti (ou Max, como é conhecido), temos mais duas novidades: a estréia de Marcelo Adifa, jornalista, economista, ex-diretor da UNE e poeta, que nos acompanhará nas próximas edições e a volta de nossa seção de Entrevistas, a todo vapor, na pauta com Adriana Deffenti, cantora gaúcha que fala sobre seu último CD e sobre o painel atual da música no Sul e no Brasil.

Para não deixar cair o balão, seguimos com o SuperDesafio Simplex, encaminhando-se para suas últimas 2 semanas. Ainda dá tempo de participar e concorrer a alguns dos 89 CDS. A divulgação dos vencedores se dará na edição de número 82, no dia 30 de junho.

Não posso deixar de comentar o estouro de comentários que tivemos em nossa última edição: nada mais nada menos do que 45 comentários explosivos pipocaram cá e lá nos textos de nossos autores!

Com tanta novidade, não posso me esquecer de falar sobre a festa de 1 ano do Simplicíssimo. Bem, antes, uma explicação do que estamos comemorando:

Este site surgiu como um e-zine em 25 de outubro de 2002, sendo divulgado tão somente através desta forma até 26 de junho de 2003, quando deu-se a inauguração oficial do site, na casa noturna Elo Perdido, em Porto Alegre - RS. Assim, esta casa tem o privilégio de contar com 2 aniversários anuais: em 25 de outubro, o aniversário do e-zine Simplicíssimo e em 26 de junho o aniversário do sítio Simplicíssimo.

Todos que estiverem de passagem por Porto Alegre no sábado dia 26 de junho estão oficialmente convidados a comparecerem no Basttidores Bar na Av. Independência nº 1010 para confraternizarem com a galera que faz este site ser o portento que é. Pois sim, não me canso de repetir: manter um site literário em um contexto como o nosso, feito tão somente pelo amor de escrever, sem patrocínio de nenhuma instituição privada ou estatal, não é tarefa para qualquer grupo de meias-tigelas.

As ilustres figuras que compõe esta trupe são o que há de melhor na Internet brasileira. Para tirar a prova, imprima qualquer texto das últimas edições do Simplicíssimo e compare com o de colunistas de jornais da sua cidade, de revistas de grande circulação nacional ou mesmo de escritores de renome.

Sempre é bom deixar claro que, por ter a proposta de receber textos de novos escritores, por vezes publicamos um ou outro texto que pode ser considerado fraco (principalmente os de um tal de Rafael Reinehr, mas este é quem financia o site), mas preferimos fazê-lo justamente pois consideramos que as vantagens de deixar as portas abertas para novos escritores e seus escritos suplanta imensamente as vantagens de ter um sítio certinho, escrito apenas por figuras carimbadas pela mídia ou já incluídas em um meio institucionalizado ao qual deve prestar contas inegavelmente.

Se você já é da casa, siga adiante na leitura desta edição. Se é sua primeira vez, fuçe, esmiuçe e deleite-se com cada cantinho que esta casa tem a lhe oferecer. Verás que neste mundo hipertextual são muitas imbricações a tomar conhecimento.

Visite as páginas dos autores para conhecê-los melhor, visite a página de todas colunas individualmente assim como as edições anteriores, tão ricas e com textos espetaculares.

Se preferir, utilize nossa ferramenta de pesquisa para encontrar textos  com temas que achares relevantes. tem de tudo por aqui!

Depois de fazer tudo isso, se ainda sobrar um gás, deixe um comentário no texto de seu autor preferido, ou em vários se tiver gostado (ou detestado!).

Para finalizar, não esqueça de colocar o Simplicíssimo entre seus Favoritos, ou melhor, copie o endereço e o coloque como sua página inicial ou como um línque em sua Área de Trabalho.

Ainda - e não consigo acabar este editorial (quem mandou me deixar fora por tanto tempo!) - se gostou do que leu e também tens afinidade com a escrita, vá em Participe no menu ao lado e nos envie sua colaboração, que será avaliada e publicada em edições vindouras.

Rafael Luiz Reinehr

"Os capitalistas tinham tudo no mundo, e todo o restante das pessoas era escravo. Eles eram donos de todas as terras, de todas as casas, de todas as fábricas e de todo o dinheiro. Se alguém os desobedecesse, eles podiam jogá-lo na prisão, ou tirar-lhe o emprego e fazê-lo morrer de fome. Quando uma pessoa comum se dirigia a um capitalista, era obrigada a encolher-se, fazer-lhe reverência, tirar o chapéu e chamá-lo de 'senhor'".

George Orwell, 1984

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Agnes
Rafael Tourinho Raymundo

As paisagens bucólicas e a poesia árcade de Cláudio Manuel da Costa apenas acentuavam o sofrimento de Agnes. Queria fugir da fumaça que envolvia seu corpo, limpar as entranhas do tabaco barato que consumia seus pulmões e tornar índigo o céu noturno de sua cidade, espesso e sem estrelas.

Os antigos gregos, que atribuiram a pureza a seu nome, não imaginavam que aquela moça, dos olhos profundamente verdes, agora avermelhados pelo pranto e pelo ópio, estaria, um dia, envolta em pecado e luxúria. Também, pudera, aqueles pagãos nada entendiam da ira divina. Ela, porém, temia-a.

Vinha de uma família fundamentada nas tradições: catolicismo ortodoxo, submissão ao patriarca, rigor nos estudos. Tornou-se rebelde e arredia; aos dezoito, tendo remoído por anos a ânsia pela liberdade e independência, tomou a parte que lhe cabia na herança de sua avó e migrou para o sudeste.

Seguiria-se meia década de lembranças embaçadas, imagens retorcidas de rostos desconhecidos e corpos ainda mais estranhos. Viriam os infortúnios das tentativas afetivas e os fracassos nas investidas profissionais. E as perdas por ela sofridas, sempre quando tudo parecia ajeitar-se, acentuavam o receio de que aquilo fosse castigo.

Deitada sobre o banco de uma praça tomada por trombadinhas e estupradores, arrependeu-se. Pediu ao céu perdão pelas desculpas não concebidas, nem suplicadas. Pediu perdão por renegar nome, família, crenças e futuro em busca de aventuras, façanhas de prazer efêmero. Por fim, ao lembrar dos momentos de solidão e desespero, pediu perdão pela fuga da realidade nas madrugadas movidas a atos promíscuos.

Queria ser pastora num campo florido, banhar-se em águas rasas de um riacho gélido, cavalgar um corcel a galope, cobrir-se com o veludo da via-láctea, lavar a alma com a chuva torrencial, despir-se dos pudores e das mágoas.

A partir daquele instante, confiaria mais em seu senso, aproveitaria os pequenos momentos de cada dia, respiraria amor e sinceridade – “ventura do rico, bem do pobre”, como pregava Cláudio. Deixaria para trás o torpor, enterraria o ressentimento, tornar-se-ia uma mulher serena, simples, justa e correta. Estava disposta a mudar. Se não pudesse ser perfeita, como Marília de Dirceu, chegaria o mais próximo possível disto.

Acordou, na manhã seguinte, com as mesmas vestes rotas e maltrapilhas de dois dias antes, os cabelos desgrenhados, rosto inchado e boca seca. Contudo, seu interior era cristalino e cheirava a jasmim.

E caminhou suavemente em direção ao noroeste, mal sentindo o esforço de cada passo – conseqüência da hipoglicemia e da falta de hemácias –; mal sentindo a brisa que lhe roçava a face; mal ouvindo os gritos histéricos e o barulho de sirenes às suas costas; mal enxergando o rapaz que corria a seu lado, ultrapassando-lhe, com um punhado de dólares nas mãos; mal sentindo o tiro que, por acidente, atravessou sua omoplata esquerda, em diagonal, perfurando-lhe o peito, enuveando-lhe a visão e cessando-lhe a vida.

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Entrevista - Adriana Deffenti

S Você ganhou o apelido de “Diva do Bonfim” aqui em Porto Alegre. Como é essa história?
AD — Isso foi coisa do Nico, de quando gravamos a ópera (As 7 caras da verdade). Acho que é porque eu canto lírico mas sou punk demais pro perfil de cantora lírica. Também moro no bairro, sei lá!

S O CD Peças de Pessoas inclui um repertório bastante Porto Alegrense, com vários músicos daqui. São as tuas influências musicais? Que outras mais trazes contigo?
AD — Eu gravei essas músicas porque me sentia próxima delas, mas isso não quer dizer que sejam minhas influências mais importantes. Na veradade eu busquei cantar coisas novas, inéditas ou quase, e que eu conseguia imaginar uma outra interpretação. Influência é uma coisa que a gente não tem como definir. Tem uma série de coisas que a gente ouve e pensa que não tá prestando atenção. Quando vê, tá fazendo igual!

SA propósito, qual sua opinião sobre a cena musical gaúcha nos dias de hoje?
AD — Eu não sou a melhor pessoa pra opinar sobre isso pois não tenho a menor idéia do que tá acontecendo em Uruguaiana, por exemplo! Não sei nada de música nativa (que é o que mais se faz no RS, diga-se de passagem!). Mas do que eu conheço, tem coisas que eu gosto muito, muito bons compositores de MPB, instrumental de primeiríssima, rock n´roll bacana, jazz também, bons instrumentistas/arranjadores de música erudita... Mas não é regra. Sinto a maioria dos trabalhos repetindo padrões, até mesmo padrões de música que foram consolidados aqui. Isso tem o lado bom, que mostra que a nossa música urbana tem identidade. O lado ruim me parece algo que se passa com a música mundialmente.

SO que falta para nossos artistas aprecerem e PERMANECEREM visíveis no eixo Rio-São Paulo, sabidamente centro distribuidor e criador de opinião a nível nacional?
AD — O mercado fonográfico (e não só ele!) mudar radicalmente! Ou a gente criar eixos de distribuição da cultura local pelo país! O pessoal tava falando sobre os CTGs no seminário "Rumos" do Itaú Cultural. Os CTGs nada mais são que um mecanismo difusor de uma cultura (ou pretensa cultura) gaúcha que funciona no mundo todo! Os baianos se juntaram em torno da idéia da axé music e virou uma praga! Acho que é uma questão muito mais pragmática e de mercado do que cultural e, infelizmente, não existe uma resposta exata pra isso.

S Algumas faixas deste CD foram também gravadas pelo Juli Manzi em “365 exigências de camarim”. Gosto, coincidência ou algo mais?
AD — Eu toquei na banda do Juli, gravei vocais e flautas no disco. Além disso nós namoramos durante um bom tempo, inclusive quando ele escolheu "Querendo Chorar" pra cantar. Eu cantava ela nos shows. Também cantava a "Música para..." no meu show antes de sair o "365...".

S Mas também existem músicas de sua autoria. Há alguma inclinação para interpretar ou compor?
AD — Existem as duas coisas. Tô compondo mais no momento.

SFora da música, em que te inspiras para fazer tua música?
AD — Na vida. 

SHá pouco abriste o show do Ney Matogrosso e Pedro Luiz e a Parede no Teatro São Pedro. Sem dúvida um merceido reconhecimento pelo teu  rabalho. Como foi essa experiência?
AD — Foi muito gratificante. Não esperava a reação tão efusiva que teve o público ao me ver. E eu adoro o Nei, tenho todos os Cds do Pedro Luís e a Parede. Me deixou muito contente.

SE o trabalho com o Nico Nicolaiewsk y em “As Sete Caras da verdade”, matéria inclusive de reportagem no Fantástico?
AD — Superbacana! Gosto um monte do trabalho do Nico, gosto muito dele também. Gravar a ópera foi um desafio bastante difícil e que eu fiquei contente com o resultado. Exigiu habilidades que eu quase nunca tenho oportunidade de utilizar.

S Percebe-se nos shows um grande número de fãs do público feminino que se declaram literalmente apaixonadas por você, somadas aos barbados de plantão. Como administras a tietagem? Já passastes por  alguma situação constrangedora?
AD — Eu gosto de quem tem educação, não me importa a opção sexual, se é das fãs homosexuais a quem estás te referindo. Acho muito fácil perceber quando alguém se aproxima com uma intenção negativa. Eu adoro quando qualquer pessoa se declara apaixonada demonstrando com respeito. Acho que nunca passei por uma situação constrangedora porque deixo isso bem claro. Sou afetuosa e gosto de ser assim. E não dou mole pra quem vem me incomodar.

S Depois de Peças de Pessoas, o que este crescente número de fãs pode esperar por aí?
AD
— Tô com o projeto no próximo cd na cabeça. Esta semana eu começo a escrever!

S Bate-bola:
- casa ou apartamento?
apartamento
- cidade ou praia/campo?
cidade
- comida chinesa ou italiana?
chinesa
- refrigerante ou água mineral?
água mineral
- preto & branco ou colorido?
colorido
- preto ou branco?
branco
- calça ou saia/vestido?
saia/vestido
- tênis ou sapato?
sapato
- Comédia ou drama?
comédia
- Romance ou ficção?
como assim? Acho que é "documentário"!!!
- Gre ou Nal?
não gosto de futebol
- Simples ou Complexo?
Simples

ADRIANA DEFFENTI - PEÇAS DE PESSOAS


"Uma das melhores vozes da música gaúcha, em seu primeiro cd. Músicas de Vítor Ramil, Nei Lisboa, Teixeirinha e até "Going to California" do Led Zeppelin." (site Barulhinho)

Site Oficial:
http://www.adrianadeffenti.com.br/

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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

Possibilidades

Se em todos os dias de sua vida Joana continuasse cedendo aos seus rompantes enlouquecidos, provavelmente estaríamos hoje, ambos, completamente carcomidos por reminiscências que não fecham jamais, daquela noite em que eu fiz aquilo e da outra noite em que Joana fez aquela outra coisa. Os sentimentos que nos envolveriam seriam de tão sórdida pequenez, que trocarmos olhares que não estivessem impregnados de ódio e outros sentimentos menos nobres, seria um desafio diário a cuja complexidade dedicaríamos todo o resto de nossos dias.

Se em algum destes dias em que Joana, por um motivo qualquer ao qual não ouso fazer alusão até mesmo por não compreender com toda a intensidade a sua motivação, se sentiu incrivelmente tentada a ter um rompante enlouquecido (coisa baixa, envolvendo preferencialmente gritos histéricos na janela do nosso apartamento de fundos, - fazendo do duto de ventilação um elemento de reverberação sonora mais do que desejável em tal situação - arranhões nas partes de minha pele que mais estivessem a seu alcance e rasgos em minhas roupas para que ela pudesse alcançar todas as outras partes, mais sensíveis e comumente não expostas ao olhar público), não tivesse se detido por parcos instantes e analisado a imbecilidade da sua situação emocional, provavelmente não estaríamos aqui, hoje, reunidos a comentar, risonhos, tais momentos, como se lembranças doces de alguma viagem à Suíça, fossem.

Neste momento, é mais do que certo, há uma gama de possibilidades que se abrem para o estado em que eu poderia me encontrar, se Joana não encontrasse o bom senso e passasse a regrar as suas ações por pequenos instantes de reflexão antes de possíveis rompantes enlouquecidos.

Na mais extrema das possibilidades, eu me vejo à saída de algum destes bancos eletrônicos, a mendigar trocados, junto com uma mulher e uma criança muito nova e muito ranhenta, compondo o cenário deprimente que possibilitaria que eu, com as parcas moedas conseguidas, tivesse justificativa para gastá-las em garrafas de alguma cachaça muito vagabunda, que acelerariam ainda mais uma cirrose, consumindo-me em questão de meses e acabando com um suplício que algumas raras moedas diárias fingiam adiar. Considerando, no entanto, que tal possibilidade se mostra por demais extrema, e que, sem falsas modéstias, creio que ainda na pior das bancarrotas, imbuído de alguma de minhas poucas, porém sinceras habilidades, eu seria capaz de engendrar algum serviço mais nobre do que este primeiro e que prolongaria a minha existência de maneira simples, porém honrosa. Por isto, levando em conta todas as conseqüências que o fato de Joana continuar cedendo aos seus rompantes enlouquecidos poderiam acarretar, eu não vou muito mais adiante em considerar que, em alguma noite em que um destes seus rompantes tivessem me enervado de tal maneira que eu tenha sido tomado por uma insanidade ainda mais contumaz, e atingido-a violentamente com algum objeto pesado o bastante para causar uma lesão de ordem mortal em sua cabeça (descontando que a possibilidade de feri-la repetidas vezes com algum objeto pontiagudo, ainda que comumente relacionado a crimes passionais, me parece que necessita de tal habilidade e precisão, que não considero esta com uma das alternativas mais viáveis para um crime cometido sob o calor de forte alteração) e, com isto, tenha sido encaminhando para um destes fabulosos institutos de correção, eu tenha conseguido sair de lá, com a ajuda de um advogado do estado competente o bastante para arranjar-me uma liberdade condicional por bom comportamento.

Sem considerar, já por antecipação, possíveis traumas emocionais que a prisão teria me trazido, mas dando especial ênfase que tais possíveis traumas não teriam sido ampliados pelas minhas habilidosas formas de escapar de ser currado na prisão, eu chego a conclusão que, depois disto, é bem provável que eu teria conseguido um emprego em uma destas pequenas cooperativas de reciclagem de lixo, e que, após alguns meses de bom trabalho, com meu razoável bom nível de quociente intelectual, eu já estaria galgando níveis mais elevados na pequena hierarquia trabalhista que se estabeleceria em tal cooperativa. Dando o espaço para o adendo de que meus atributos físicos não são por demais desprezíveis, e que mesmo em tal situação, me seria possível despertar olhares um pouco mais interessados de alguma colega de trabalho, estou disposto a crer que dentro de outros poucos meses, eu estaria efetivamente envolvido com esta colega. Com certeza, dentro da mesma brevidade, estaria dividindo o espaço ínfimo de um barraco com ela e mais uma filha pequena do primeiro casamento, o que acarretar-me-ia, dentro em pouco, uma série de pequenas despesas que a vida solitária até então não me exigiria. Como novo principal provedor do lar, seria o responsável pela séria de compras, manutenções, reparos, gastos com alimentação, saúde, lazer, e todos estes pequenos itens que fazem parte dos elementos constituintes de uma família, por mais rota que ela seja.

Mesmo crendo que os traumas emocionais supracitados não teriam se estabelecido em sua forma mais grave – se considerar como verdadeiros todos os caminhos sugeridos acima -, não seria uma situação de completa desonestidade pensar que, atenuados com esporádicos e relaxantes goles de uma boa cachaça, tais traumas se encontrariam em estado de quase completa inatividade. Levando-se em conta que o vício que estas freqüentes ingestões de cachaça tratariam de desenvolver, não é preciso ser um especialista em medicina ou nas propriedades químicas do álcool para ter certeza de que, dentro em breve eu estaria imerso no mais absoluto alcoolismo que nem a mais dedicada das mulheres e o mais eficiente dos serviços de ajuda aos alcoolistas seriam capazes de resolver. Caso eu considerasse como válida a primeira afirmativa, trataria, portanto, de atenuar as dolorosas lembranças de meus tempos de cárcere com generosas e cada vez mais freqüentes ingestões de todos os destilados que se fizessem próximos a mim. Quando não próximos, trataria de buscá-los onde pudesse e de patrocinar a sua compra com os parcos rendimentos que o trabalho na cooperativa de reciclagem de lixo me proporcionariam. É fato notório, porém que, dentro em breve, pobre e desfeito de qualquer ajuda de custo para manter o provento do lar que eu teria assumido, uma séria de discussões começariam a se desencadear entre eu e minha companheira. Como vítima destas cada vez mais violentas discussões, que tratariam de estender-se noite adentro e em proporções cada vez mais aterradoras, estaria a pequena filha de minha companheira.

Apesar das possibilidades por mim consideradas se dividirem em centenas, quiçá milhares de subdivisões, com seus agravantes, conseqüências e caminhos tortuosos diversos, não quero levar tal gama de chances aos píncaros da sordidez. Por isto, desde já, não quero chegar a crer na possibilidade que haveria de ser desperto em minha pessoa tão baixos instintos que pudessem levar-me a (uma vez, motivados pelas freqüentes brigas que meu alcoolismo e não-contribuição para o lar acarretariam, é bem verdade que qualquer tipo de contato sexual entre eu e minha companheira não mais se dariam. Como, quando menos se espera, revela-se no homem os mais podres sentimentos, é uma possibilidade, e, mesmo que fosse tremendamente desprezível sequer chegar a cogitá-la, cogitá-la-ei) praticar atos completamente ilícitos contra a menina que viria a ser minha enteada. São possibilidades, repito, que se abririam a mim, e, como tal, relegado aos mais baixos princípios morais por uma série de agravantes, entre eles o maldito vício em álcool, é bem provável que mergulhado nesta situação pudesse chegar ao extremo de emporcalhar-me na pedofilia. No entanto, como suponho que não posso ir adiante em cogitar ainda mais possibilidades vis e tortas a que toda a seqüência de fatos pudessem ter me levado, creio que ater-me neste ponto já está mais do que de bom tamanho.

E neste ponto também é bastante aprazível de lembrar que se em todos os dias de sua vida Joana continuasse cedendo aos seus rompantes enlouquecidos, provavelmente estaríamos hoje, ambos, completamente carcomidos por reminiscências que não fecham jamais, daquela noite em que eu fiz aquilo e da outra noite em que Joana fez aquela outra coisa. Os sentimentos que nos envolveriam seriam de tão sórdida pequenez, que trocarmos olhares que não estivessem impregnados de ódio e outros sentimentos menos nobres, seria um desafio diário a cuja complexidade dedicaríamos todo o resto de nossos dias.

Como Joana passou a controlar-se em seus rompantes enlouquecidos, ainda que a custa de medicamente por demais poderosos, ajuda médica, dedicação praticamente diária de minha pessoa e outros recursos mais, acabamos por conseguir viver felizes.

Ao menos até hoje.

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en passant
Eduardo Hostyn Sabbi

Humor do Cão

_ Alô?

_ Alô Otávio! É a Marta, tudo bem?

_ Marta, que Marta?

_ Como que Marta? A filha do seu Candinho.

_ Ahhh! Oi, quanto tempo!

_ Bastante mesmo.

_ Tudo bem com você?

_ Mais ou menos.

_ Ué, por quê? O que houve?

_ Pois é Otávio, nem te conto. Meu cachorro mordeu um guri na rua hoje de manhã.

_ Tem que prender ele por 15 dias para observar.

_ O guri?

_ Não, o cachorro né Marta.

_ Ah certo.

_ Mas conta mais, não queria te interromper.

_ Bom, depois fomos ao pronto socorro pra ver se não era nada mais grave.

_ Com o cachorro?

_ Não Otávio, com o guri.

_ Ah tá. E o que o médico disse?

_ Perguntou se ele era vacinado.

_ E tu conhecia o guri?

_ Não Otávio o cachorro!

_ Ahhhhh ...

_ Mas os dois eram vacinados.

_ Bom pro guri e pro cachorro.

_ E pra mim também.

_ Você também foi mordida?

_ Não Otávio! Ai meu Deus! Pela incomodação entende?

_ Acho que entendo. É que isso aqui tá meio complicado, mas continua.

_ Então ... te juro que fiquei bem preocupada. Sabe, ele brinca com as crianças aqui de casa ...

_ O cachorro ou o guri, Marta?

_ O cachorro! E brinca com a mãe das crianças também.

_ Hmmm ... uma perguntinha ... só por curiosidade ... o cachorro ou o guri?

_ O cachorro Otávio!

_ Tá, tá, só por segurança. Sabe como anda esse mundo de hoje ...

_ Pior foi pegar a criança à unha!

_ Mas que raça é esse bicho?

_ Não Otávio, o guri! Ele ficou com medo de ir para o hospital e precisar tomar uma injeção.

_ E por quê ele não fugiu antes do cachorro?

_ E vou lá eu saber Otávio? Vai ver que é porque o cachorro não veste avental, né?

_ Calma Marta foi só uma pergunta ...

_ E tem mais: depois apareceu o pai querendo dizer que não prestamos socorro. Fiquei p. da vida. Que cachorro!

_ Peraí, com o cachorro, com o pai ou com o guri?

_ Quer saber, nem devia ter te ligado. Tô ficando com muita raiva!

_ Raiva? Mas você também foi mordida? Tem que se vacinar!

_ Arghhhhhhhhhh!

_ Isso pode matar e ... ué, desligou. Essa gente sem educação me dá uma raiva ... ops, será que isso é contagioso?

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I-racional
Pedro Armando Furtado Volkmann
 

De Ré na Contra-Mão


Violentos Haikais 1/X

Moro no morro
Chupando bala
Morro no morro

Sistemas Sistematizados Sistematicamente

Qual é senha para entrar no mundo? Um tapinha do médico basta para que a gente passe a ser um feliz membro da sociedade? Ou será preciso mais do que isto? Uhm, vejamos...
- Meu filho é um espanto! Caminhou com menos de 1 ano!
- Que nada! O meu sabia ler e escrever com três anos!

Bem, você pode até achar engraçado, mas somos sistematizados a partir do dia em que nascemos. Por favor, não tomem isto como uma crítica ao sistema, muito antes pelo contrário, é a única coisa que nos faz viver, já que somos muito inferiores fisicamente a muitos animais. Você conseguiria lutar por um pedaço de carne contra um lobinho de seis meses? Quem é melhor caçador? Você ou uma planta carnívora?
Então, necessitamos formar grupos e viver em comunidade, mas, para isto, temos que limitar nossa vontade. Que coisa, que laje. Porém, existem alguns sistemas mais difíceis do que outros. Vamos a eles:

1. Aqueles que tem só a verdade deles.
2. Aqueles que aceitam sua verdade, desde de que esteja de acordo com a verdade deles.
3. Aqueles que não aceitam verdade alguma, pois não são baseados nela.

Argh! Acho que assim temos todos os sistemas humanos incluídos. É assim, ame ou odeie. Ou ame odiando!
De qualquer forma, quando se sai de uma Matriz, chegamos em outra e mais outra e mais outra e assim por diante. É muito pior do que o filme.
Não se preocupe, você não está contra ou a favor de tudo isto, você é o próprio sistema. Reproduzimos e somos nós mesmos, partes e todo. Xixi, café, cliclé dizia uma música. A outra, assim caminha a humanidade, a passos de formiga e sem vontade.
Uma vez que outra dá para arranjar uma saída, dar um tempo e entrar de cabeça em outro sistema. Inteligente, onde cada ser humano é único e tem suas necessidades (atendidas). O brabo é que este não tem manual, é muito mais invisível que o outro, mas está sempre batendo a nossa porta. Pensar desta forma é difícil porque o sistema está impregnado em nossas mentes. Porém faça o que eu digo, não faça o que eu faço.
Eu tento fazer assim, andar de ré na contra-mão, olho todo mundo de frente, mas sigo na minha direção.
Para saber qual o caminho a tomar aprenda a olhar nos olhos e ver quem não agüenta mais ser cínico. Estes poucos viventes vão fazer nascer um novo sistema.

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Diálogos com Deus
Rafael Luiz Reinehr

Deus e a fome no mundo - Entrevista Coletiva

Há muito requisitado por vários órgãos da imprensa, Deus decide dar uma entrevista coletiva para esclarecer alguns pontos sobre a fome no mundo:
Repórter etíope:
- Qual a razão de tanto sofrimento para nossas inocentes crianças na década de 80? Apesar da melhora, ainda existem muitas a amargar péssimas condições alimentares e de habitação.
Deus:
- Muito obrigado pela pergunta. Em primeiro lugar gostaria de agradecer a oportunidade e ressaltar que esta pergunta não tem uma só resposta e eu espero que vocês sejam pacientes. Vamos lá... Para começar, é importante que todos saibam que a música "We Are The World" é de minha autoria. Cedi os direitos autorais a um grupo de humanos famosos para que pudessem angariar dinheiro para aliviar a fome na Etiópia. Em segundo lugar, creio que preciso fazer uma breve introdução à minha resposta para que ela fique mais clara: há 5 bilhões de anos...
Repórter alemão:
- Esperrrra aí! Quanta tempa fai turrrrrarrr éssta prrrréve intrrroduçaum?
Deus:
- Coisa de 250 anos...

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A Flor
Marcelo Adifa


Vê-se a flor
       à luz do lume
       desabrochar em meio à terra
liberando seu ácido olor
                - prenúncio do perfume
                          que em noites escuras
                          permeia o ar da serra-

estica-se soberana
        pétala pós pétala
        como num balé mágico
        de sincronismo rítmico
             e eis que vendo
                    negro céu
                    de estrelas recortado
impõe-se na imensidão de sua coroa aberta

tão rubra
         como a raiva humana
ou como o sangue
         que corre no coração dos apaixonados

Ereta sublime
        como a vida
               que não arrefece
como a morte
         que não nos esquece

Discreta arredia
        como a dor
que nos embala
        como o tempo
que nos cala

Vê-se agora
         tal flor
exposta em esplendor
         tão bela quanto cruel
esperando que uma
mão
         - ou o vento
                 a colha e
                 ao acaso
                 a ofereça...

Marcelo Adifa, 25 anos, Poeta, Jornalista e Economista formado pela Universidade de São Paulo. Reside atualmente no Rio de Janeiro. Autor de oito livros de poesia, tem obras publicadas na Irlanda, Portugal e Espanha entre outros países. Foi diretor da UEE-SP e da União Nacional dos Estudantes. E-mail: celtico@bol.com.br

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Ombudsman
Alessandro Sachetti

Ombudsman!? Isso é de comer?

É uma experiência nova para mim, ser critico literário, o que me promove a isso a não ser a minha própria vontade? Quando o Rafael respondeu meu e-mail dizendo que eu estrearia na edição de número 80 aqui do Simplicíssimo (é claro). Comentei com uma grande amiga, dizendo:

- Olha só que legal, vou ser Ombudsman no Simplicíssimo!
- Vai ser o que? Onde? Ombudsman? Isso é de comer?
- Claro que não! Tá me estranhando é?
Pois é, dezenas de mensagens explicativas depois:
- Ah!! Legal! Mas por que não chamam logo de Crítico Literário?
- Ah, que Ombudsman é mais bonito e fazem as pessoas pensarem (ou desistirem de).

Será que é isso mesmo? Eu não sei, mas estou feliz com a minha estréia, espero que esta seja a primeira participação de muitas, e que cresçamos juntos, tanto em público leitor e escritor. Também acho, não diria preocupante, mas sim angustiante a baixa participação, mas acho que se deve muito a dificuldade de concentração de muita gente em ler na tela do computador. Nem todos tem impressora e ainda há os que tem, mas não tem vontade nenhuma de ler nossos escritos. Afinal, cultura só atinge a quem está aberto para ela. Não que sejamos cultura em forma de palavras, longe de tal presunção, mas a preguiça domina muita gente. E como. Acho que estamos aqui para tentar melhorar isso da maneira possível. Desafio vocês: Você conhece alguém que não gosta de ler? Eu conheço várias. Que tal tentar fazer com que essa pessoa leia um livro inteiro até o fim do ano, e o mais importante, entenda o livro (eu sei, é mais complicado). Quem conseguir, por favor me avise e me ensine como fez. Ah, não vale qualquer coisa também, não é? O mínimo de conteúdo seria interessante.
Mas, vamos ao que interessa, criticas (!?), afinal sou pago para isso (vontade eu tenho, só falta o Rafael confirmar o depósito).
Devagar, quase sem querer falar, o nosso Ed(itor) falou de tudo que queria, ou quase. No fim, como todo bom gaúcho (!?) manteve-se regionalista, falando do seu querido colorado que vai bem no brasileiro e conquistou o TRI no Campeonato Gaúcho. Escreveu também de um tal Guilherme Silva que joga um tal padel (??) e foi campeão também nas quadras do Mega Padel (???). Confesso, um tanto perplexo, que não faço a mínima idéia do que seja isso. Coisa do Sul? Alguém pode fazer uma breve elucidação? Já que nem no dicionário encontrei algo que me explicasse.
A minha querida Daniela Castilho, a quem tive o grande prazer de conhecer quando eu ainda morava em Sampa, também foi através dela que conheci o Simplicíssimo, analisar seu conto é mais do que um prazer, é uma honra. Começo sublime querida amiga, citando Balzac, mas me fez lembrar de uma outra citação importante de A. Saint-Exupèry no Pequeno Príncipe: "O essencial é invisível aos olhos". Nossa autora discorre sobre a ausência de um sentido e a força que acomete a todos os outros, provavelmente para compensar. Ao ler teu texto, me peguei pensando sobre os sentidos básicos, nada de sexto, sétimo ou oitavo, mas os cinco mesmo, de como usamos e desusamos por mera preguiça de acrescentar. Afinal, perceba a força da audição e do tato em um cego, ou da percepção em uma pessoa surda-muda. Mas voltemos ao texto da nossa caríssima. Que além de flertar com a cegueira, flerta também com o acaso, o engano acertado, horas, dias de conversa, paixão e muitas dúvidas, assim como em toda paixão.
Com fortes descrições nossa escritora nos leva a um final inesperado, assim como devem ser os bons contos, pela forma e pelo enredo, por beleza e/ou tristeza, pois mesmo o triste pode ser belo para quem apenas observa. Gostei também do fato de não "batizar" seus personagens, correndo o risco de perde-se ou de perder a nós no meio do caminho, coisa que não acontece neste conto. Só para completar, diria que tua frase "olhos vazios" é mais ampla do que o contexto que a empregaste, e direciona também às pessoas que não tem sonhos.
As resenhas canalhas, que sempre gostei de ler, e agora me vejo na obrigação de criticar (??), o que dizer? O Maurício fez uma análise bem estruturada, do autor Glauco Mattoso que era desconhecido para mim.
Era! Pois, uma breve e, confesso, não aprofundada visita ao Google, me fez descobrir a página oficial do autor (glaucomattoso.sites.uol.com.br), onde pude conhecer mais sobre a vida e obra desse poeta/escritor, fanzineiro etc.. etc... etc.... Aproveito e sugiro ao Rafael, em nome do Simplicíssimo, entrar em contato com este caríssimo escritor e flertar uma participação especial. O que me diz?
Quanto a todo o mais que escreveu Maurício, assino embaixo.
Alessandro, meu xará, Garcia, escreve de amor por linhas turvas, ou seriam olhares bêbados? Me senti como se estivesse ouvindo de um narrador e não lendo um texto estático, tal fábula, tão certa e tão incerta, de amor. Acerta o autor na maneira como a descreve. Mas, sempre tem um mas, o escritor poderia ter dissertado um pouco mais, viajado um pouco mais antes do fim, a passagem do meio para o fim ficou um tanto abrupta, como se fosse uma ânsia de acabar, de libertar-se, parir o teu escrito.
Eduardo volta, atacando agora de defensor da ordem e da moral, voltando aos tristes dias em que vivemos, e desse vez não vem festejar o colorado e nem o tal padel, mas com um caso que, confesso, também me comoveu e revoltou. Explana e exemplifica bem, assim como sugere respostas em forma de perguntas muito bem pensadas. Agora, se tivesse que escolher uma das tuas perguntas para te responder seria injusto com as outras formuladas ou não formuladas, a hipocrisia impera e revolta, não é mesmo?
Pedro Volkmman vem racionalizando e vai, mas sabe mesmo para onde está indo? O tempo todo? Reflexões internas, quem nunca se sentiu perdido? É bom ter consciência dos nossos erros, até mesmo para revê-los, aprender, ect etc etc... aquele papo de pai e mãe, sabe? Coisas que só ligamos mais tarde, geralmente quando é tarde demais. Mas no fundo me parece na busca eterna do "eu", seria uma crise existencial ou uma existência em crise? Gostei quando fala dos dias, dos dias que vieram e dos dias que virão depois desses dias. Agora ainda é o mais importante, mais importante do que saber para onde se está indo, é não estar perdido no caminho. Também achei muito boa a frase: "A felicidade vem em gotas. De Fel." Do mais, me pergunte amanhã.
Como todo bom e-zine, fanzine, ou qualquer outra publicação que vise um grande público, aqui no Simplicíssimo também há humor, afinal, ninguém é triste o tempo todo. Temos o grande operador de milagres sendo operado e com medo sim senhor! Um texto leve e divertido nas letras do ilustríssimo Rafael.
Ilustre também é seu poema, seu passageiro livre de perigo. Ou seria distraído? Algo como ser forte sem saber, o ser mais sem querer querer.
Ao meu companheiro Ombudsman, Marcos Claudino, receba as boas-vindas de quem chega agora. Espero que tenha sido a sua primeira participação de tantas outras. Só me explica uma coisa: Como digitar de luvas? Já tentei, mas foram tantos erros... Passa a receita?
Agradeço a possibilidade e espero corresponder a altura. Quem quiser corresponder-se comigo escreva para alesachetti@pop.com.br. Só não vale enviar corrente.

Só mais uma sugestão ao amigo Rafael, acho que atrairíamos mais pessoas ao Simplicíssimo atraindo mais escritores. De bate pronto te indico duas pessoas fantásticas. O grande Marco Aurélio do www.jesusmechicoteia.com.br, a inteligente Alessandra Félix do www.alefelix.com.br (ex-Amarula com Sucrilhos) e o grande escritor Edson Marques do www.mude.weblogger.com.br.

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A Lista dos Competidores que pontuaram, por ordem (provisória de classificação na corrida pelos 89 CDs!:


Alessandro Sachetti (Cândido Mota - SP) - 540 pontos

Luciano Trevisan (Júlio de Castilhos - RS) - 240 pontos

Luiz Antonio Ribeiro (Petrópolis - RJ) - 90 pontos

Corina Abreu (Rio de Janeiro - RJ) - 20 pontos

Daniel Rech (Porto Alegre - RS) - 20 pontos

Rebeca Campani Donazar ( Porto Alegre - RS) - 10 pts.

Pedro Volkmann (Porto Alegre - RS) - 10 pontos

Diego Altieri. Silveira (Sapucaisa do Sul- RS) - 10 pontos

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Durante estas 2 últimas semanas teremos 3 Desafios Relâmpagos valendo 3 pontos cada um! ESTEJAM ATENTOS! O Desafio Relâmpago pode aparecer a qualquer hora do dia ou da noite!

Atenção! Os pontos dos Desafios Relâmpagos serão atualizados juntamente com o site, nas quartas-feiras!

SEGUE A LISTA COMPLETA DOS CDs (o primeiro a escolher o grupo de CDs é, obviamente, o vencedor da gincana, passando consecutivamente ao segundo e terceiro lugares e assim consecutivamente, até encerrarem os 10 grupos de premiação).

Coletâneas

Acervo Especial Rock
20 Preferidas Italianas
Globo Special Hits – 2
Rock Stars
Coletânea ShowBizz
Video Music Brasil 1996
A Música do Século 1, 2, 6
Novela em CD – melhores temas
Rock Reflections
A Revista Rock – 89
Os Incríveis Anos 50, 60 e 70

Rock Internacional

Sixties – UK
Woodstock Festival 1994
Dick Dale – Calling Up Spirits
The Doors – When The Music is Over
Metallica – Live in Concert
Bob Dylan´s Greatest Hits
The Wonders – That Thing You Do
10cc – The Collection
The 60´s Greatest Hits


Miscelâneas

De Las Alturas
Roger Whittaker
Sepultura – Chaos A.D.
Tutta Itália
Os Bons Tempos Estão de Volta
Rei Roberto e Erasmo Cantam
Molotov – Apocalypshit
Orquestra Românticos de Cuba – Romance no Cinema
Saturday Morning – Cartoons Greatest Hits
Fats Domino – The Best Of
Grupo Raça – Jeito de Felicidade
De Ros – Universe
De Ros – Ad Dei Gloriam
Richard Powell

Singles Importados da Inglaterra

Reef – Sweetie
Reef – I´ve got something to say
Reef – Sweetie
Garbage – You Look So Fine
Garbage – You Look So Fine

Pop & Rock Nacional

Ultraje a rigor – 2 é demais
RPM – Rádio Pirata
Cazuza – Ideologia
Devotos de Nossa Senhora Aparecida
Utopia – Edição Histórica
Barão Vermelho – Os dois primeiros
Inocentes – Subterrâneos

Reggae & Ska

Inner Circle – Forward Jah Jah People
The Reggae Collection – Keep On Moving (1 a 4) importado da Inglaterra
Mestres do Ska


Blues & Jazz

Blues & Soul – vol 2
Blues Invention – British
Sound The Trumpets – Gold Encore Series
Isley Brothers Greatest Motown Hits
Jimmi Whiterspoon – Cry The Blues
Quinteto Onze e Meia
Jazz – Saxfaction

MPB & Nacional

Chico Buarque – MPB Compositores
Catálogo dos Novos Talentos da MPB
Gilberto Gil – Quanta
Caetano Veloso – Sem Lenço Sem Documento
Chico Buarque – Instrumental
20 Preferidas – Bossa Nova
Tropicália 30 anos
Jorge Bem Jor – Música para tocar em elevador
Demônios da Garoa – Esses divinos
Vinícius de Moraes e Chico Buarque – A Arte do Encontro
20 Preferidas – Toquinho

Disco/Funk

Dee Lite – Dewdrops in the Garden
Funk Brasil
The Disco History
Groove Brasil
Funkín Soul – The Best Of
Partie Dancing – Around The World
Discoteca Folha da Música Brasileira – Dance
Depeche Mode – Ultra
Cartoon Networks Dance
Édson Cordeiro – Disco Clubbing ao Vivo

Clássicos

Os Grandes Clássicos – Ludwig van Beethoven (1,2,3)
Vozes da Tranqüilidade (2 CDs)
Dvórak
Elgar

A propósito: todo exercício de desapego deve ser realizado de forma gradual e progressiva. Eis porque não se encontram aqui listados (ainda) meus CDs dos Mutantes, da Graforréia Xilarmônica, do ACDC, Iron Maiden, Ramones, Funkadelic e outras preciosidades.


E ELE FINALMENTE CHEGOU!


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Gentileza prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em tamanho maior no blógue do amigo.

 


Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 

 

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