16/06/2004
- Edição número
80
Voltei!
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Voltei!
É com lágrimas
nos olhos que novamente recebo sob meu comando
o timão desta Nau, psicodelicamente indo
onde nenhum escritor-leitor jamais esteve.
Depois
de 7 semanas distante da função
de redigir este editorial, semanas estas nas quais
fui brilhantemente substituído pelo seleto
grupo de SimpliColunistas que me acompanha nesta
tarefa de trazer (boa) literatura (gratuita) para
seu deleite, chegou a hora de novamente abraçar
esta não pequena responsabilidade.
Muitas coisas aconteceram
nestas 7 semanas. Três colunistas realizaram
pausas em suas atividades por escassez de tempo
em suas vidas particulares, nosso Ombudsman se
transformou em colunista e na edição
anterior ocorreu a estréia de Marcos Claudino
de São Paulo - SP e nesta toma posse Alessandro
Sachetti, de Cândido Mota - SP como nossos
Ombudsmen, intercalando suas ácidas críticas
mescladas com doces sugestões a cada nova
edição.
Além da estréia
de Sachetti (ou Max, como é conhecido),
temos mais duas novidades: a estréia de
Marcelo Adifa, jornalista, economista, ex-diretor
da UNE e poeta, que nos acompanhará nas
próximas edições e a volta
de nossa seção de Entrevistas, a
todo vapor, na pauta com Adriana Deffenti, cantora
gaúcha que fala sobre seu último
CD e sobre o painel atual da música no
Sul e no Brasil.
Para
não deixar cair o balão, seguimos
com o SuperDesafio Simplex, encaminhando-se para
suas últimas 2 semanas. Ainda dá
tempo de participar e concorrer a alguns dos 89
CDS. A divulgação dos vencedores
se dará na edição de número
82, no dia 30 de junho.
Não
posso deixar de comentar o estouro de comentários
que tivemos em nossa última edição:
nada mais nada menos do que 45 comentários
explosivos pipocaram cá e lá nos
textos de nossos autores!
Com tanta novidade,
não posso me esquecer de falar sobre a
festa de 1 ano do Simplicíssimo. Bem, antes,
uma explicação do que estamos comemorando:
Este site surgiu
como um e-zine em 25 de outubro de 2002, sendo
divulgado tão somente através desta
forma até 26 de junho de 2003, quando deu-se
a inauguração oficial do site, na
casa noturna Elo Perdido, em Porto Alegre - RS.
Assim, esta casa tem o privilégio de contar
com 2 aniversários anuais: em 25 de outubro,
o aniversário do e-zine Simplicíssimo
e em 26 de junho o aniversário do sítio
Simplicíssimo.
Todos que estiverem
de passagem por Porto Alegre no sábado
dia 26 de junho estão oficialmente convidados
a comparecerem no Basttidores Bar na Av. Independência
nº 1010 para confraternizarem com a galera
que faz este site ser o portento que é.
Pois sim, não me canso de repetir: manter
um site literário em um contexto como o
nosso, feito tão somente pelo amor de escrever,
sem patrocínio de nenhuma instituição
privada ou estatal, não é tarefa
para qualquer grupo de meias-tigelas.
As ilustres figuras
que compõe esta trupe são o que
há de melhor na Internet brasileira. Para
tirar a prova, imprima qualquer texto das últimas
edições do Simplicíssimo
e compare com o de colunistas de jornais da sua
cidade, de revistas de grande circulação
nacional ou mesmo de escritores de renome.
Sempre é bom
deixar claro que, por ter a proposta de receber
textos de novos escritores, por vezes publicamos
um ou outro texto que pode ser considerado fraco
(principalmente os de um tal de Rafael Reinehr,
mas este é quem financia o site), mas preferimos
fazê-lo justamente pois consideramos que
as vantagens de deixar as portas abertas para
novos escritores e seus escritos suplanta imensamente
as vantagens de ter um sítio certinho,
escrito apenas por figuras carimbadas pela mídia
ou já incluídas em um meio institucionalizado
ao qual deve prestar contas inegavelmente.
Se você já
é da casa, siga adiante na leitura desta
edição. Se é sua primeira
vez, fuçe, esmiuçe e deleite-se
com cada cantinho que esta casa tem a lhe oferecer.
Verás que neste mundo hipertextual são
muitas imbricações a tomar conhecimento.
Visite as páginas
dos autores para conhecê-los melhor, visite
a página de todas colunas individualmente
assim como as edições anteriores,
tão ricas e com textos espetaculares.
Se preferir, utilize
nossa ferramenta de pesquisa para encontrar textos
com temas que achares relevantes. tem de tudo
por aqui!
Depois de fazer tudo
isso, se ainda sobrar um gás, deixe um
comentário no texto de seu autor preferido,
ou em vários se tiver gostado (ou detestado!).
Para finalizar, não
esqueça de colocar o Simplicíssimo
entre seus Favoritos, ou melhor, copie o endereço
e o coloque como sua página inicial ou
como um línque em sua Área de Trabalho.
Ainda - e não
consigo acabar este editorial (quem mandou me
deixar fora por tanto tempo!) - se gostou do que
leu e também tens afinidade com a escrita,
vá em Participe no menu ao lado e nos envie
sua colaboração, que será
avaliada e publicada em edições
vindouras.
Rafael
Luiz Reinehr
"Os
capitalistas tinham tudo no mundo, e todo o restante
das pessoas era escravo. Eles eram donos de todas
as terras, de todas as casas, de todas as fábricas
e de todo o dinheiro. Se alguém os desobedecesse,
eles podiam jogá-lo na prisão, ou
tirar-lhe o emprego e fazê-lo morrer de
fome. Quando uma pessoa comum se dirigia a um
capitalista, era obrigada a encolher-se, fazer-lhe
reverência, tirar o chapéu e chamá-lo
de 'senhor'".
George
Orwell, 1984
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Agnes
Rafael Tourinho
Raymundo |
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As paisagens bucólicas
e a poesia árcade de Cláudio Manuel
da Costa apenas acentuavam o sofrimento de Agnes.
Queria fugir da fumaça que envolvia seu
corpo, limpar as entranhas do tabaco barato que
consumia seus pulmões e tornar índigo
o céu noturno de sua cidade, espesso e
sem estrelas.
Os antigos gregos, que atribuiram a pureza a seu
nome, não imaginavam que aquela moça,
dos olhos profundamente verdes, agora avermelhados
pelo pranto e pelo ópio, estaria, um dia,
envolta em pecado e luxúria. Também,
pudera, aqueles pagãos nada entendiam da
ira divina. Ela, porém, temia-a.
Vinha de uma família fundamentada nas tradições:
catolicismo ortodoxo, submissão ao patriarca,
rigor nos estudos. Tornou-se rebelde e arredia;
aos dezoito, tendo remoído por anos a ânsia
pela liberdade e independência, tomou a
parte que lhe cabia na herança de sua avó
e migrou para o sudeste.
Seguiria-se meia década de lembranças
embaçadas, imagens retorcidas de rostos
desconhecidos e corpos ainda mais estranhos. Viriam
os infortúnios das tentativas afetivas
e os fracassos nas investidas profissionais. E
as perdas por ela sofridas, sempre quando tudo
parecia ajeitar-se, acentuavam o receio de que
aquilo fosse castigo.
Deitada sobre o banco de uma praça tomada
por trombadinhas e estupradores, arrependeu-se.
Pediu ao céu perdão pelas desculpas
não concebidas, nem suplicadas. Pediu perdão
por renegar nome, família, crenças
e futuro em busca de aventuras, façanhas
de prazer efêmero. Por fim, ao lembrar dos
momentos de solidão e desespero, pediu
perdão pela fuga da realidade nas madrugadas
movidas a atos promíscuos.
Queria ser pastora num campo florido, banhar-se
em águas rasas de um riacho gélido,
cavalgar um corcel a galope, cobrir-se com o veludo
da via-láctea, lavar a alma com a chuva
torrencial, despir-se dos pudores e das mágoas.
A partir daquele instante, confiaria mais em seu
senso, aproveitaria os pequenos momentos de cada
dia, respiraria amor e sinceridade – “ventura
do rico, bem do pobre”, como pregava Cláudio.
Deixaria para trás o torpor, enterraria
o ressentimento, tornar-se-ia uma mulher serena,
simples, justa e correta. Estava disposta a mudar.
Se não pudesse ser perfeita, como Marília
de Dirceu, chegaria o mais próximo possível
disto.
Acordou, na manhã seguinte, com as mesmas
vestes rotas e maltrapilhas de dois dias antes,
os cabelos desgrenhados, rosto inchado e boca
seca. Contudo, seu interior era cristalino e cheirava
a jasmim.
E caminhou suavemente em direção
ao noroeste, mal sentindo o esforço de
cada passo – conseqüência da
hipoglicemia e da falta de hemácias –;
mal sentindo a brisa que lhe roçava a face;
mal ouvindo os gritos histéricos e o barulho
de sirenes às suas costas; mal enxergando
o rapaz que corria a seu lado, ultrapassando-lhe,
com um punhado de dólares nas mãos;
mal sentindo o tiro que, por acidente, atravessou
sua omoplata esquerda, em diagonal, perfurando-lhe
o peito, enuveando-lhe a visão e cessando-lhe
a vida.
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| Entrevista
- Adriana Deffenti |
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S
— Você ganhou o apelido
de “Diva do Bonfim” aqui em Porto
Alegre. Como é essa história?
AD
— Isso foi coisa do Nico, de quando gravamos
a ópera (As
7 caras da verdade). Acho que é porque
eu canto lírico mas sou punk demais pro
perfil de cantora lírica. Também
moro no bairro, sei lá!
S
— O CD Peças de Pessoas
inclui um repertório bastante Porto Alegrense,
com vários músicos daqui. São
as tuas influências musicais? Que outras
mais trazes contigo?
AD
— Eu gravei essas músicas porque
me sentia próxima delas, mas isso não
quer dizer que sejam minhas influências
mais importantes. Na veradade eu busquei cantar
coisas novas, inéditas ou quase, e que
eu conseguia imaginar uma outra interpretação.
Influência é uma coisa que a gente
não tem como definir. Tem uma série
de coisas que a gente ouve e pensa que não
tá prestando atenção. Quando
vê, tá fazendo igual!
S
— A propósito, qual sua
opinião sobre a cena musical gaúcha
nos dias de hoje?
AD
— Eu não sou a melhor pessoa pra
opinar sobre isso pois não tenho a menor
idéia do que tá acontecendo em
Uruguaiana, por exemplo! Não sei nada
de música nativa (que é o que
mais se faz no RS, diga-se de passagem!). Mas
do que eu conheço, tem coisas que eu
gosto muito, muito bons compositores de MPB,
instrumental de primeiríssima, rock n´roll
bacana, jazz também, bons instrumentistas/arranjadores
de música erudita... Mas não é
regra. Sinto a maioria dos trabalhos repetindo
padrões, até mesmo padrões
de música que foram consolidados aqui.
Isso tem o lado bom, que mostra que a nossa
música urbana tem identidade. O lado
ruim me parece algo que se passa com a música
mundialmente.
S
— O que falta para nossos artistas
aprecerem e PERMANECEREM visíveis no
eixo Rio-São Paulo, sabidamente centro
distribuidor e criador de opinião a nível
nacional?
AD
— O mercado fonográfico (e não
só ele!) mudar radicalmente! Ou a gente
criar eixos de distribuição da
cultura local pelo país! O pessoal tava
falando sobre os CTGs no seminário "Rumos"
do Itaú Cultural. Os CTGs nada mais são
que um mecanismo difusor de uma cultura (ou
pretensa cultura) gaúcha que funciona
no mundo todo! Os baianos se juntaram em torno
da idéia da axé music e virou
uma praga! Acho que é uma questão
muito mais pragmática e de mercado do
que cultural e, infelizmente, não existe
uma resposta exata pra isso.
S
— Algumas faixas deste CD foram
também gravadas pelo Juli Manzi em “365
exigências de camarim”. Gosto, coincidência
ou algo mais?
AD
— Eu toquei na banda do Juli, gravei vocais
e flautas no disco. Além disso nós
namoramos durante um bom tempo, inclusive quando
ele escolheu "Querendo Chorar" pra
cantar. Eu cantava ela nos shows. Também
cantava a "Música para..."
no meu show antes de sair o "365...".
S
— Mas também existem músicas
de sua autoria. Há alguma inclinação
para interpretar ou compor?
AD
— Existem as duas coisas. Tô compondo
mais no momento.
S
— Fora da música, em que
te inspiras para fazer tua música?
AD
— Na vida.
S
— Há pouco abriste o show
do Ney Matogrosso e Pedro Luiz e a Parede no
Teatro São Pedro. Sem dúvida um
merceido reconhecimento pelo teu rabalho.
Como foi essa experiência?
AD
— Foi muito gratificante. Não esperava
a reação tão efusiva que
teve o público ao me ver. E eu adoro
o Nei, tenho todos os Cds do Pedro Luís
e a Parede. Me deixou muito contente.
S
— E o trabalho com o Nico Nicolaiewsk
y em “As Sete Caras da verdade”,
matéria inclusive de reportagem no Fantástico?
AD
— Superbacana! Gosto um monte do trabalho
do Nico, gosto muito dele também. Gravar
a ópera foi um desafio bastante difícil
e que eu fiquei contente com o resultado. Exigiu
habilidades que eu quase nunca tenho oportunidade
de utilizar.
S
— Percebe-se nos shows um grande
número de fãs do público
feminino que se declaram literalmente apaixonadas
por você, somadas aos barbados de plantão.
Como administras a tietagem? Já passastes
por alguma situação constrangedora?
AD
— Eu gosto de quem tem educação,
não me importa a opção
sexual, se é das fãs homosexuais
a quem estás te referindo. Acho muito
fácil perceber quando alguém se
aproxima com uma intenção negativa.
Eu adoro quando qualquer pessoa se declara apaixonada
demonstrando com respeito. Acho que nunca passei
por uma situação constrangedora
porque deixo isso bem claro. Sou afetuosa e
gosto de ser assim. E não dou mole pra
quem vem me incomodar.
S
— Depois de Peças de Pessoas,
o que este crescente número de fãs
pode esperar por aí?
AD — Tô
com o projeto no próximo cd na cabeça.
Esta semana eu começo a escrever!

S
— Bate-bola:
- casa ou apartamento? apartamento
- cidade ou praia/campo? cidade
- comida chinesa ou italiana? chinesa
- refrigerante ou água mineral? água
mineral
- preto & branco ou colorido? colorido
- preto ou branco? branco
- calça ou saia/vestido? saia/vestido
- tênis ou sapato? sapato
- Comédia ou drama? comédia
- Romance ou ficção? como
assim? Acho que é "documentário"!!!
- Gre ou Nal? não gosto de futebol
- Simples ou Complexo? Simples
| ADRIANA
DEFFENTI - PEÇAS DE PESSOAS
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"Uma das melhores vozes da
música gaúcha, em
seu primeiro cd. Músicas
de Vítor Ramil, Nei Lisboa,
Teixeirinha e até "Going
to California" do Led Zeppelin."
(site Barulhinho)
Site
Oficial:
http://www.adrianadeffenti.com.br/
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Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro
Garcia |
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Possibilidades
Se
em todos os dias de sua vida Joana continuasse
cedendo aos seus rompantes enlouquecidos, provavelmente
estaríamos hoje, ambos, completamente carcomidos
por reminiscências que não fecham
jamais, daquela noite em que eu fiz aquilo e da
outra noite em que Joana fez aquela outra coisa.
Os sentimentos que nos envolveriam seriam de tão
sórdida pequenez, que trocarmos olhares
que não estivessem impregnados de ódio
e outros sentimentos menos nobres, seria um desafio
diário a cuja complexidade dedicaríamos
todo o resto de nossos dias.
Se em algum destes dias em que Joana, por um motivo
qualquer ao qual não ouso fazer alusão
até mesmo por não compreender com
toda a intensidade a sua motivação,
se sentiu incrivelmente tentada a ter um rompante
enlouquecido (coisa baixa, envolvendo preferencialmente
gritos histéricos na janela do nosso apartamento
de fundos, - fazendo do duto de ventilação
um elemento de reverberação sonora
mais do que desejável em tal situação
- arranhões nas partes de minha pele que
mais estivessem a seu alcance e rasgos em minhas
roupas para que ela pudesse alcançar todas
as outras partes, mais sensíveis e comumente
não expostas ao olhar público),
não tivesse se detido por parcos instantes
e analisado a imbecilidade da sua situação
emocional, provavelmente não estaríamos
aqui, hoje, reunidos a comentar, risonhos, tais
momentos, como se lembranças doces de alguma
viagem à Suíça, fossem.
Neste momento, é mais do que certo, há
uma gama de possibilidades que se abrem para o
estado em que eu poderia me encontrar, se Joana
não encontrasse o bom senso e passasse
a regrar as suas ações por pequenos
instantes de reflexão antes de possíveis
rompantes enlouquecidos.
Na
mais extrema das possibilidades, eu me vejo à
saída de algum destes bancos eletrônicos,
a mendigar trocados, junto com uma mulher e uma
criança muito nova e muito ranhenta, compondo
o cenário deprimente que possibilitaria
que eu, com as parcas moedas conseguidas, tivesse
justificativa para gastá-las em garrafas
de alguma cachaça muito vagabunda, que
acelerariam ainda mais uma cirrose, consumindo-me
em questão de meses e acabando com um suplício
que algumas raras moedas diárias fingiam
adiar. Considerando, no entanto, que tal possibilidade
se mostra por demais extrema, e que, sem falsas
modéstias, creio que ainda na pior das
bancarrotas, imbuído de alguma de minhas
poucas, porém sinceras habilidades, eu
seria capaz de engendrar algum serviço
mais nobre do que este primeiro e que prolongaria
a minha existência de maneira simples, porém
honrosa. Por isto, levando em conta todas as conseqüências
que o fato de Joana continuar cedendo aos seus
rompantes enlouquecidos poderiam acarretar, eu
não vou muito mais adiante em considerar
que, em alguma noite em que um destes seus rompantes
tivessem me enervado de tal maneira que eu tenha
sido tomado por uma insanidade ainda mais contumaz,
e atingido-a violentamente com algum objeto pesado
o bastante para causar uma lesão de ordem
mortal em sua cabeça (descontando que a
possibilidade de feri-la repetidas vezes com algum
objeto pontiagudo, ainda que comumente relacionado
a crimes passionais, me parece que necessita de
tal habilidade e precisão, que não
considero esta com uma das alternativas mais viáveis
para um crime cometido sob o calor de forte alteração)
e, com isto, tenha sido encaminhando para um destes
fabulosos institutos de correção,
eu tenha conseguido sair de lá, com a ajuda
de um advogado do estado competente o bastante
para arranjar-me uma liberdade condicional por
bom comportamento.
Sem
considerar, já por antecipação,
possíveis traumas emocionais que a prisão
teria me trazido, mas dando especial ênfase
que tais possíveis traumas não teriam
sido ampliados pelas minhas habilidosas formas
de escapar de ser currado na prisão, eu
chego a conclusão que, depois disto, é
bem provável que eu teria conseguido um
emprego em uma destas pequenas cooperativas de
reciclagem de lixo, e que, após alguns
meses de bom trabalho, com meu razoável
bom nível de quociente intelectual, eu
já estaria galgando níveis mais
elevados na pequena hierarquia trabalhista que
se estabeleceria em tal cooperativa. Dando o espaço
para o adendo de que meus atributos físicos
não são por demais desprezíveis,
e que mesmo em tal situação, me
seria possível despertar olhares um pouco
mais interessados de alguma colega de trabalho,
estou disposto a crer que dentro de outros poucos
meses, eu estaria efetivamente envolvido com esta
colega. Com certeza, dentro da mesma brevidade,
estaria dividindo o espaço ínfimo
de um barraco com ela e mais uma filha pequena
do primeiro casamento, o que acarretar-me-ia,
dentro em pouco, uma série de pequenas
despesas que a vida solitária até
então não me exigiria. Como novo
principal provedor do lar, seria o responsável
pela séria de compras, manutenções,
reparos, gastos com alimentação,
saúde, lazer, e todos estes pequenos itens
que fazem parte dos elementos constituintes de
uma família, por mais rota que ela seja.
Mesmo
crendo que os traumas emocionais supracitados
não teriam se estabelecido em sua forma
mais grave – se considerar como verdadeiros
todos os caminhos sugeridos acima -, não
seria uma situação de completa desonestidade
pensar que, atenuados com esporádicos e
relaxantes goles de uma boa cachaça, tais
traumas se encontrariam em estado de quase completa
inatividade. Levando-se em conta que o vício
que estas freqüentes ingestões de
cachaça tratariam de desenvolver, não
é preciso ser um especialista em medicina
ou nas propriedades químicas do álcool
para ter certeza de que, dentro em breve eu estaria
imerso no mais absoluto alcoolismo que nem a mais
dedicada das mulheres e o mais eficiente dos serviços
de ajuda aos alcoolistas seriam capazes de resolver.
Caso eu considerasse como válida a primeira
afirmativa, trataria, portanto, de atenuar as
dolorosas lembranças de meus tempos de
cárcere com generosas e cada vez mais freqüentes
ingestões de todos os destilados que se
fizessem próximos a mim. Quando não
próximos, trataria de buscá-los
onde pudesse e de patrocinar a sua compra com
os parcos rendimentos que o trabalho na cooperativa
de reciclagem de lixo me proporcionariam. É
fato notório, porém que, dentro
em breve, pobre e desfeito de qualquer ajuda de
custo para manter o provento do lar que eu teria
assumido, uma séria de discussões
começariam a se desencadear entre eu e
minha companheira. Como vítima destas cada
vez mais violentas discussões, que tratariam
de estender-se noite adentro e em proporções
cada vez mais aterradoras, estaria a pequena filha
de minha companheira.
Apesar
das possibilidades por mim consideradas se dividirem
em centenas, quiçá milhares de subdivisões,
com seus agravantes, conseqüências
e caminhos tortuosos diversos, não quero
levar tal gama de chances aos píncaros
da sordidez. Por isto, desde já, não
quero chegar a crer na possibilidade que haveria
de ser desperto em minha pessoa tão baixos
instintos que pudessem levar-me a (uma vez, motivados
pelas freqüentes brigas que meu alcoolismo
e não-contribuição para o
lar acarretariam, é bem verdade que qualquer
tipo de contato sexual entre eu e minha companheira
não mais se dariam. Como, quando menos
se espera, revela-se no homem os mais podres sentimentos,
é uma possibilidade, e, mesmo que fosse
tremendamente desprezível sequer chegar
a cogitá-la, cogitá-la-ei) praticar
atos completamente ilícitos contra a menina
que viria a ser minha enteada. São possibilidades,
repito, que se abririam a mim, e, como tal, relegado
aos mais baixos princípios morais por uma
série de agravantes, entre eles o maldito
vício em álcool, é bem provável
que mergulhado nesta situação pudesse
chegar ao extremo de emporcalhar-me na pedofilia.
No entanto, como suponho que não posso
ir adiante em cogitar ainda mais possibilidades
vis e tortas a que toda a seqüência
de fatos pudessem ter me levado, creio que ater-me
neste ponto já está mais do que
de bom tamanho.
E
neste ponto também é bastante aprazível
de lembrar que se em todos os dias de sua vida
Joana continuasse cedendo aos seus rompantes enlouquecidos,
provavelmente estaríamos hoje, ambos, completamente
carcomidos por reminiscências que não
fecham jamais, daquela noite em que eu fiz aquilo
e da outra noite em que Joana fez aquela outra
coisa. Os sentimentos que nos envolveriam seriam
de tão sórdida pequenez, que trocarmos
olhares que não estivessem impregnados
de ódio e outros sentimentos menos nobres,
seria um desafio diário a cuja complexidade
dedicaríamos todo o resto de nossos dias.
Como
Joana passou a controlar-se em seus rompantes
enlouquecidos, ainda que a custa de medicamente
por demais poderosos, ajuda médica, dedicação
praticamente diária de minha pessoa e outros
recursos mais, acabamos por conseguir viver felizes.
Ao
menos até hoje.
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en
passant
Eduardo Hostyn
Sabbi |
|
Humor
do Cão
_
Alô?
_
Alô Otávio! É a Marta, tudo
bem?
_
Marta, que Marta?
_
Como que Marta? A filha do seu Candinho.
_
Ahhh! Oi, quanto tempo!
_
Bastante mesmo.
_
Tudo bem com você?
_
Mais ou menos.
_
Ué, por quê? O que houve?
_
Pois é Otávio, nem te conto. Meu
cachorro mordeu um guri na rua hoje de manhã.
_
Tem que prender ele por 15 dias para observar.
_
O guri?
_
Não, o cachorro né Marta.
_
Ah certo.
_
Mas conta mais, não queria te interromper.
_
Bom, depois fomos ao pronto socorro pra ver se
não era nada mais grave.
_
Com o cachorro?
_
Não Otávio, com o guri.
_
Ah tá. E o que o médico disse?
_
Perguntou se ele era vacinado.
_
E tu conhecia o guri?
_
Não Otávio o cachorro!
_
Ahhhhh ...
_
Mas os dois eram vacinados.
_ Bom pro guri e
pro cachorro.
_ E pra mim também.
_ Você também
foi mordida?
_ Não Otávio!
Ai meu Deus! Pela incomodação entende?
_ Acho que entendo.
É que isso aqui tá meio complicado,
mas continua.
_ Então ...
te juro que fiquei bem preocupada. Sabe, ele brinca
com as crianças aqui de casa ...
_ O cachorro ou o
guri, Marta?
_ O cachorro! E brinca
com a mãe das crianças também.
_ Hmmm ... uma perguntinha
... só por curiosidade ... o cachorro ou
o guri?
_ O cachorro Otávio!
_ Tá, tá,
só por segurança. Sabe como anda
esse mundo de hoje ...
_ Pior foi pegar
a criança à unha!
_ Mas que raça
é esse bicho?
_ Não Otávio,
o guri! Ele ficou com medo de ir para o hospital
e precisar tomar uma injeção.
_ E por quê
ele não fugiu antes do cachorro?
_ E vou lá
eu saber Otávio? Vai ver que é porque
o cachorro não veste avental, né?
_ Calma Marta foi
só uma pergunta ...
_ E tem mais: depois
apareceu o pai querendo dizer que não prestamos
socorro. Fiquei p. da vida. Que cachorro!
_ Peraí, com
o cachorro, com o pai ou com o guri?
_ Quer saber, nem
devia ter te ligado. Tô ficando com muita
raiva!
_ Raiva? Mas você
também foi mordida? Tem que se vacinar!
_ Arghhhhhhhhhh!
_
Isso pode matar e ... ué, desligou. Essa
gente sem educação me dá
uma raiva ... ops, será que isso é
contagioso?
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I-racional
Pedro Armando Furtado
Volkmann |
|
De
Ré na Contra-Mão
Violentos Haikais 1/X
Moro
no morro
Chupando bala
Morro no morro
Sistemas
Sistematizados Sistematicamente
Qual é senha
para entrar no mundo? Um tapinha do médico
basta para que a gente passe a ser um feliz membro
da sociedade? Ou será preciso mais do que
isto? Uhm, vejamos...
- Meu filho é um espanto! Caminhou com
menos de 1 ano!
- Que nada! O meu sabia ler e escrever com três
anos!
Bem, você pode
até achar engraçado, mas somos sistematizados
a partir do dia em que nascemos. Por favor, não
tomem isto como uma crítica ao sistema,
muito antes pelo contrário, é a
única coisa que nos faz viver, já
que somos muito inferiores fisicamente a muitos
animais. Você conseguiria lutar por um pedaço
de carne contra um lobinho de seis meses? Quem
é melhor caçador? Você ou
uma planta carnívora?
Então, necessitamos formar grupos e viver
em comunidade, mas, para isto, temos que limitar
nossa vontade. Que coisa, que laje. Porém,
existem alguns sistemas mais difíceis do
que outros. Vamos a eles:
1. Aqueles que tem
só a verdade deles.
2. Aqueles que aceitam sua verdade, desde de que
esteja de acordo com a verdade deles.
3. Aqueles que não aceitam verdade alguma,
pois não são baseados nela.
Argh! Acho que assim
temos todos os sistemas humanos incluídos.
É assim, ame ou odeie. Ou ame odiando!
De qualquer forma, quando se sai de uma Matriz,
chegamos em outra e mais outra e mais outra e
assim por diante. É muito pior do que o
filme.
Não se preocupe, você não
está contra ou a favor de tudo isto, você
é o próprio sistema. Reproduzimos
e somos nós mesmos, partes e todo. Xixi,
café, cliclé dizia uma música.
A outra, assim caminha a humanidade, a passos
de formiga e sem vontade.
Uma vez que outra dá para arranjar uma
saída, dar um tempo e entrar de cabeça
em outro sistema. Inteligente, onde cada ser humano
é único e tem suas necessidades
(atendidas). O brabo é que este não
tem manual, é muito mais invisível
que o outro, mas está sempre batendo a
nossa porta. Pensar desta forma é difícil
porque o sistema está impregnado em nossas
mentes. Porém faça o que eu digo,
não faça o que eu faço.
Eu tento fazer assim, andar de ré na contra-mão,
olho todo mundo de frente, mas sigo na minha direção.
Para saber qual o caminho a tomar aprenda a olhar
nos olhos e ver quem não agüenta mais
ser cínico. Estes poucos viventes vão
fazer nascer um novo sistema.
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Diálogos
com Deus
Rafael Luiz Reinehr |
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Deus
e a fome no mundo - Entrevista Coletiva
Há muito requisitado por vários
órgãos da imprensa, Deus decide
dar uma entrevista coletiva para esclarecer alguns
pontos sobre a fome no mundo:
Repórter etíope:
- Qual a razão de tanto sofrimento para
nossas inocentes crianças na década
de 80? Apesar da melhora, ainda existem muitas
a amargar péssimas condições
alimentares e de habitação.
Deus:
- Muito obrigado pela pergunta. Em primeiro lugar
gostaria de agradecer a oportunidade e ressaltar
que esta pergunta não tem uma só
resposta e eu espero que vocês sejam pacientes.
Vamos lá... Para começar, é
importante que todos saibam que a música
"We Are The World" é de minha
autoria. Cedi os direitos autorais a um grupo
de humanos famosos para que pudessem angariar
dinheiro para aliviar a fome na Etiópia.
Em segundo lugar, creio que preciso fazer uma
breve introdução à minha
resposta para que ela fique mais clara: há
5 bilhões de anos...
Repórter alemão:
- Esperrrra aí! Quanta tempa fai turrrrrarrr
éssta prrrréve intrrroduçaum?
Deus:
- Coisa de 250 anos...
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Vê-se a flor
à
luz do lume
desabrochar
em meio à terra
liberando seu ácido olor
- prenúncio
do perfume
que
em noites escuras
permeia
o ar da serra-
estica-se
soberana
pétala
pós pétala
como
num balé mágico
de
sincronismo rítmico
e eis que vendo
negro céu
de estrelas recortado
impõe-se na imensidão de sua coroa
aberta
tão
rubra
como a raiva humana
ou como o sangue
que corre no coração dos apaixonados
Ereta
sublime
como
a vida
que não
arrefece
como a morte
que não nos esquece
Discreta
arredia
como
a dor
que nos embala
como
o tempo
que nos cala
Vê-se
agora
tal flor
exposta em esplendor
tão bela quanto cruel
esperando que uma
mão
- ou o vento
a colha
e
ao
acaso
a ofereça...
Marcelo
Adifa, 25 anos, Poeta, Jornalista e Economista
formado pela Universidade de São Paulo.
Reside atualmente no Rio de Janeiro. Autor de
oito livros de poesia, tem obras publicadas na
Irlanda, Portugal e Espanha entre outros países.
Foi diretor da UEE-SP e da União Nacional
dos Estudantes. E-mail: celtico@bol.com.br
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Ombudsman
Alessandro
Sachetti |
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Ombudsman!?
Isso é de comer?
É uma experiência
nova para mim, ser critico literário, o
que me promove a isso a não ser a minha
própria vontade? Quando o Rafael respondeu
meu e-mail dizendo que eu estrearia na edição
de número 80 aqui do Simplicíssimo
(é claro). Comentei com uma grande amiga,
dizendo:
- Olha só
que legal, vou ser Ombudsman no Simplicíssimo!
- Vai ser o que? Onde? Ombudsman? Isso é
de comer?
- Claro que não! Tá me estranhando
é?
Pois é, dezenas de mensagens explicativas
depois:
- Ah!! Legal! Mas por que não chamam logo
de Crítico Literário?
- Ah, que Ombudsman é mais bonito e fazem
as pessoas pensarem (ou desistirem de).
Será que é
isso mesmo? Eu não sei, mas estou feliz
com a minha estréia, espero que esta seja
a primeira participação de muitas,
e que cresçamos juntos, tanto em público
leitor e escritor. Também acho, não
diria preocupante, mas sim angustiante a baixa
participação, mas acho que se deve
muito a dificuldade de concentração
de muita gente em ler na tela do computador. Nem
todos tem impressora e ainda há os que
tem, mas não tem vontade nenhuma de ler
nossos escritos. Afinal, cultura só atinge
a quem está aberto para ela. Não
que sejamos cultura em forma de palavras, longe
de tal presunção, mas a preguiça
domina muita gente. E como. Acho que estamos aqui
para tentar melhorar isso da maneira possível.
Desafio vocês: Você conhece alguém
que não gosta de ler? Eu conheço
várias. Que tal tentar fazer com que essa
pessoa leia um livro inteiro até o fim
do ano, e o mais importante, entenda o livro (eu
sei, é mais complicado). Quem conseguir,
por favor me avise e me ensine como fez. Ah, não
vale qualquer coisa também, não
é? O mínimo de conteúdo seria
interessante.
Mas, vamos ao que interessa, criticas (!?), afinal
sou pago para isso (vontade eu tenho, só
falta o Rafael confirmar o depósito).
Devagar, quase sem querer falar, o nosso Ed(itor)
falou de tudo que queria, ou quase. No fim, como
todo bom gaúcho (!?) manteve-se regionalista,
falando do seu querido colorado que vai bem no
brasileiro e conquistou o TRI no Campeonato Gaúcho.
Escreveu também de um tal Guilherme Silva
que joga um tal padel (??) e foi campeão
também nas quadras do Mega Padel (???).
Confesso, um tanto perplexo, que não faço
a mínima idéia do que seja isso.
Coisa do Sul? Alguém pode fazer uma breve
elucidação? Já que nem no
dicionário encontrei algo que me explicasse.
A minha querida Daniela Castilho, a quem tive
o grande prazer de conhecer quando eu ainda morava
em Sampa, também foi através dela
que conheci o Simplicíssimo, analisar seu
conto é mais do que um prazer, é
uma honra. Começo sublime querida amiga,
citando Balzac, mas me fez lembrar de uma outra
citação importante de A. Saint-Exupèry
no Pequeno Príncipe: "O essencial
é invisível aos olhos". Nossa
autora discorre sobre a ausência de um sentido
e a força que acomete a todos os outros,
provavelmente para compensar. Ao ler teu texto,
me peguei pensando sobre os sentidos básicos,
nada de sexto, sétimo ou oitavo, mas os
cinco mesmo, de como usamos e desusamos por mera
preguiça de acrescentar. Afinal, perceba
a força da audição e do tato
em um cego, ou da percepção em uma
pessoa surda-muda. Mas voltemos ao texto da nossa
caríssima. Que além de flertar com
a cegueira, flerta também com o acaso,
o engano acertado, horas, dias de conversa, paixão
e muitas dúvidas, assim como em toda paixão.
Com fortes descrições nossa escritora
nos leva a um final inesperado, assim como devem
ser os bons contos, pela forma e pelo enredo,
por beleza e/ou tristeza, pois mesmo o triste
pode ser belo para quem apenas observa. Gostei
também do fato de não "batizar"
seus personagens, correndo o risco de perde-se
ou de perder a nós no meio do caminho,
coisa que não acontece neste conto. Só
para completar, diria que tua frase "olhos
vazios" é mais ampla do que o contexto
que a empregaste, e direciona também às
pessoas que não tem sonhos.
As resenhas canalhas, que sempre gostei de ler,
e agora me vejo na obrigação de
criticar (??), o que dizer? O Maurício
fez uma análise bem estruturada, do autor
Glauco Mattoso que era desconhecido para mim.
Era! Pois, uma breve e, confesso, não aprofundada
visita ao Google, me fez descobrir a página
oficial do autor (glaucomattoso.sites.uol.com.br),
onde pude conhecer mais sobre a vida e obra desse
poeta/escritor, fanzineiro etc.. etc... etc....
Aproveito e sugiro ao Rafael, em nome do Simplicíssimo,
entrar em contato com este caríssimo escritor
e flertar uma participação especial.
O que me diz?
Quanto a todo o mais que escreveu Maurício,
assino embaixo.
Alessandro, meu xará, Garcia, escreve de
amor por linhas turvas, ou seriam olhares bêbados?
Me senti como se estivesse ouvindo de um narrador
e não lendo um texto estático, tal
fábula, tão certa e tão incerta,
de amor. Acerta o autor na maneira como a descreve.
Mas, sempre tem um mas, o escritor poderia ter
dissertado um pouco mais, viajado um pouco mais
antes do fim, a passagem do meio para o fim ficou
um tanto abrupta, como se fosse uma ânsia
de acabar, de libertar-se, parir o teu escrito.
Eduardo volta, atacando agora de defensor da ordem
e da moral, voltando aos tristes dias em que vivemos,
e desse vez não vem festejar o colorado
e nem o tal padel, mas com um caso que, confesso,
também me comoveu e revoltou. Explana e
exemplifica bem, assim como sugere respostas em
forma de perguntas muito bem pensadas. Agora,
se tivesse que escolher uma das tuas perguntas
para te responder seria injusto com as outras
formuladas ou não formuladas, a hipocrisia
impera e revolta, não é mesmo?
Pedro Volkmman vem racionalizando e vai, mas sabe
mesmo para onde está indo? O tempo todo?
Reflexões internas, quem nunca se sentiu
perdido? É bom ter consciência dos
nossos erros, até mesmo para revê-los,
aprender, ect etc etc... aquele papo de pai e
mãe, sabe? Coisas que só ligamos
mais tarde, geralmente quando é tarde demais.
Mas no fundo me parece na busca eterna do "eu",
seria uma crise existencial ou uma existência
em crise? Gostei quando fala dos dias, dos dias
que vieram e dos dias que virão depois
desses dias. Agora ainda é o mais importante,
mais importante do que saber para onde se está
indo, é não estar perdido no caminho.
Também achei muito boa a frase: "A
felicidade vem em gotas. De Fel." Do mais,
me pergunte amanhã.
Como todo bom e-zine, fanzine, ou qualquer outra
publicação que vise um grande público,
aqui no Simplicíssimo também há
humor, afinal, ninguém é triste
o tempo todo. Temos o grande operador de milagres
sendo operado e com medo sim senhor! Um texto
leve e divertido nas letras do ilustríssimo
Rafael.
Ilustre também é seu poema, seu
passageiro livre de perigo. Ou seria distraído?
Algo como ser forte sem saber, o ser mais sem
querer querer.
Ao meu companheiro Ombudsman, Marcos Claudino,
receba as boas-vindas de quem chega agora. Espero
que tenha sido a sua primeira participação
de tantas outras. Só me explica uma coisa:
Como digitar de luvas? Já tentei, mas foram
tantos erros... Passa a receita?
Agradeço a possibilidade e espero corresponder
a altura. Quem quiser corresponder-se comigo escreva
para alesachetti@pop.com.br.
Só não vale enviar corrente.
Só
mais uma sugestão ao amigo Rafael, acho
que atrairíamos mais pessoas ao Simplicíssimo
atraindo mais escritores. De bate pronto te indico
duas pessoas fantásticas. O grande Marco
Aurélio do www.jesusmechicoteia.com.br,
a inteligente Alessandra Félix do www.alefelix.com.br
(ex-Amarula com Sucrilhos) e o grande escritor
Edson Marques do www.mude.weblogger.com.br.
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O
Desafio Simplex agora é Super!
Saiba
como ganhar 89
CDs sem sair de sua casa! Clique aqui!

A
Lista dos Competidores que pontuaram,
por ordem (provisória de classificação
na corrida pelos 89 CDs!:
Alessandro
Sachetti (Cândido Mota - SP) -
540 pontos
Luciano
Trevisan (Júlio de Castilhos
- RS) - 240 pontos
Luiz
Antonio Ribeiro (Petrópolis -
RJ) - 90 pontos
Corina Abreu (Rio de Janeiro - RJ) -
20 pontos
Daniel
Rech (Porto Alegre - RS) - 20 pontos
Rebeca Campani Donazar ( Porto Alegre
- RS) - 10 pts.
Pedro Volkmann (Porto Alegre - RS) -
10 pontos
Diego Altieri. Silveira (Sapucaisa do
Sul- RS) - 10 pontos
Roberto Iukio Iwai (São Paulo
- SP) - 10 pontos
O
próximo Desafio já está
aí. Acesse o Super
Desafio Simplex e participe! Divulgue
para seus amigos, façam um bolão
e dividam os prêmios!
LEMBRE-SE:
durante a semana, a qualquer momento,
podemos estabelecer uma prova relâmpago
onde quem cumprir primeiro a tarefa
leva os pontos! Esteja atento!
Durante
estas 2 últimas semanas teremos
3 Desafios Relâmpagos valendo
3 pontos cada um! ESTEJAM ATENTOS! O
Desafio Relâmpago pode aparecer
a qualquer hora do dia ou da noite!
Atenção!
Os pontos dos Desafios Relâmpagos
serão atualizados juntamente
com o site, nas quartas-feiras!
SEGUE
A LISTA COMPLETA DOS CDs (o primeiro
a escolher o grupo de CDs é,
obviamente, o vencedor da gincana, passando
consecutivamente ao segundo e terceiro
lugares e assim consecutivamente, até
encerrarem os 10 grupos de premiação).
Coletâneas
Acervo
Especial Rock
20 Preferidas Italianas
Globo Special Hits – 2
Rock Stars
Coletânea ShowBizz
Video Music Brasil 1996
A Música do Século 1,
2, 6
Novela em CD – melhores temas
Rock Reflections
A Revista Rock – 89
Os Incríveis Anos 50, 60 e 70
Rock
Internacional
Sixties
– UK
Woodstock Festival 1994
Dick Dale – Calling Up Spirits
The Doors – When The Music is
Over
Metallica – Live in Concert
Bob Dylan´s Greatest Hits
The Wonders – That Thing You Do
10cc – The Collection
The 60´s Greatest Hits
Miscelâneas
De
Las Alturas
Roger Whittaker
Sepultura – Chaos A.D.
Tutta Itália
Os Bons Tempos Estão de Volta
Rei Roberto e Erasmo Cantam
Molotov – Apocalypshit
Orquestra Românticos de Cuba –
Romance no Cinema
Saturday Morning – Cartoons Greatest
Hits
Fats Domino – The Best Of
Grupo Raça – Jeito de Felicidade
De Ros – Universe
De Ros – Ad Dei Gloriam
Richard Powell
Singles
Importados da Inglaterra
Reef
– Sweetie
Reef – I´ve got something
to say
Reef – Sweetie
Garbage – You Look So Fine
Garbage – You Look So Fine
Pop
& Rock Nacional
Ultraje
a rigor – 2 é demais
RPM – Rádio Pirata
Cazuza – Ideologia
Devotos de Nossa Senhora Aparecida
Utopia – Edição
Histórica
Barão Vermelho – Os dois
primeiros
Inocentes – Subterrâneos
Reggae
& Ska
Inner
Circle – Forward Jah Jah People
The Reggae Collection – Keep On
Moving (1 a 4) importado da Inglaterra
Mestres do Ska
Blues & Jazz
Blues
& Soul – vol 2
Blues Invention – British
Sound The Trumpets – Gold Encore
Series
Isley Brothers Greatest Motown Hits
Jimmi Whiterspoon – Cry The Blues
Quinteto Onze e Meia
Jazz – Saxfaction
MPB
& Nacional
Chico
Buarque – MPB Compositores
Catálogo dos Novos Talentos da
MPB
Gilberto Gil – Quanta
Caetano Veloso – Sem Lenço
Sem Documento
Chico Buarque – Instrumental
20 Preferidas – Bossa Nova
Tropicália 30 anos
Jorge Bem Jor – Música
para tocar em elevador
Demônios da Garoa – Esses
divinos
Vinícius de Moraes e Chico Buarque
– A Arte do Encontro
20 Preferidas – Toquinho
Disco/Funk
Dee
Lite – Dewdrops in the Garden
Funk Brasil
The Disco History
Groove Brasil
Funkín Soul – The Best
Of
Partie Dancing – Around The World
Discoteca Folha da Música Brasileira
– Dance
Depeche Mode – Ultra
Cartoon Networks Dance
Édson Cordeiro – Disco
Clubbing ao Vivo
Clássicos
Os
Grandes Clássicos – Ludwig
van Beethoven (1,2,3)
Vozes da Tranqüilidade (2 CDs)
Dvórak
Elgar
A
propósito: todo exercício
de desapego deve ser realizado de forma
gradual e progressiva. Eis porque não
se encontram aqui listados (ainda) meus
CDs dos Mutantes, da Graforréia
Xilarmônica, do ACDC, Iron Maiden,
Ramones, Funkadelic e outras preciosidades.
|
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www.simplicissimo.com.br
Copyright © 2003 - Rafael Luiz Reinehr - Todos os direitos
reservados. Sinta-se à vontade para reproduzir os
textos do site, mas não esqueça de citar a
fonte e o autor.
|
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do Simplicíssimo
e divulgue em seu
sítio ou blógue!

Línque
para
http://www.simplicissimo.com.br
e depois nos avise!

Gentileza
prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto
Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de
mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em
tamanho maior no blógue do amigo.
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Selo
comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em
2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
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