Simplicíssimo
Jornal Virtual de periodicidade hermeneuticamente semicatorzenal


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Editorial

...o perdedor, pois foi quem mais aprendeu!

Quisera eu ser capaz de julgar os atos das pessoas.

Imagine: existem aqueles que conseguem julgar nações inteiras!

Mal e mal, consigo parcialmente julgar sinais e sintomas para tentar definir, dentro de uma invenção humana, qual enfermidade este ou aquele ser humano possui.

Duro o trabalho dos juízes, dos políticos, dos governantes. Duro mesmo.

Por isso devem merecer os R$25.000,00 a que farão jus nossos nobres deputados pela chamada extraordinária agora em julho.

Multiplicam-se 25.000 por mais ou menos 400 (devem ir mais, já que é um extra que não se pode "jogar fora") e temos R$10.000.000,00. Isto mesmo: DEZ MILHÕES DE REAIS serão destinados a 400 RICOS deputados federais por uma convocação extraordinária, para fazer um trabalho que deveriam estar fazendo em suas confortáveis terças, quartas e quintas-feiras ou, quem sabe, em 30 dos seus 60 dias de férias anuais.

Que merda de Fome Zero é essa? Onde foi parar? Puta que o pariu, ou "hijo de la puta madre", como diria Alberto Granado a seu amigo Fuser, mais conhecido como Che Guevara, em Diários de Motocicleta.

Nestas ocasiões, penso: porque não sou um merda ignorante que não tá nem aí com o que acontece de injusto neste mundo?

E o que se paz para combater esta corja?

Como Platão já bem escrevia em "A República": quem busca os caminhos da política não são pessoas de bem. Estas, tentam evitar ao máximo seu envolvimento com as coisas públicas. Preocupam-se em cuidar da própria vida. Quem se envolve com o público está atrás de poder ou dinheiro. O homem de bem só trata de se envolver com a "coisa pública" quando a situação fica catastrófica.

Acontece que a situação ESTÁ CATASTRÓFICA e nossos homens de bem não estão aparecendo. Ou pior, e é o que temo: nosso sistema democrático está deixando estes homens de bem de fora do poder. Não temos condições nem de escolher adequadamente quem nos representará e quem definirá nosso futuro em nossa própria terra.

Somos seres políticos ignorantes. Perdemos a capacidade de nos indignar. Vivemos na inércia. Não sabemos nos articular a fim de defender nossos próprios direitos.

Em uma situação como a descrita acima, um levante popular deveria invadir o Congresso Nacional para mostrar a indignação com esta situação absurda!

O primeiro passo é tirar a capital federal de Brasília e trazê-la para São Paulo ou para o Rio de Janeiro, onde o clamor popular seria muito mais facilmente ouvido. É justamente o que não se quer: ouvir o povo. Lá no meio do Planalto Central, afastado de tudo e de todos, fica mais fácil governar impunemente.

Chega de destilar minha ira.

Parabéns ao Alessandro Sachetti, ganhador do Super Desafio Simplex! Você se esforçou pra caramba, participando de quase todas as provas e ganhando com todo louvor e merecimento! Alessandro terá direito a escolher 2 grupos de premiação, e todos os outro concorrentes poderão, após a escolha do melhor colocado, escolher seu grupo de CDs, até o último lugar.

Hoje contamos com a estréia de mais um Simplicolunista: é o Luiz Maia, que diretamente de Recife nos brindará semanalmente com sua interpretação particular da vida e suas nuances em sua coluna Utopias. Seja extremamente bem-vindo!

Ademais: ter juízo crítico é um dos parâmetros que diferencia os razoáveis dos loucos. Se isso é bom ou ruim, deixo para você decidir.

Rafael Luiz Reinehr

"É possível ser absolutamente franco, pelo menos consigo mesmo, e não temer a verdade integral?".

Fiódor Dostoiévski , Memórias do Subsolo

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A Cozinha da Mãe Rosa
Conrad Rose

Mãe Rosa acordou cedo, afinal a filha ligara na noite anterior anunciando que chegaria pro almoço de domingo. Apressou-se a cozinhar um quilo de feijão preto - ainda sem tempero, e pouco depois - quando a água fervia pro café, Seu Onofre chamou-a ao portão para que ela recebesse sua encomenda. Dois quilos de costeletas suínas que foram lavadas e colocadas numa tigela. Ali espremeu quatro suculentos limões, picou seis dentes de alho, muito alecrim fresco, uma colher e meia de sopa de sal e 50 mililitros de cachaça: da boa, em barril de carvalho - presente do bom e velho Onofre. E refrigerou.
Socou uma cebola grande e três dentes de alho. Com mais algumas folhas de louro e sal a gosto temperou o feijão. Da parede sacou toucinho e fritou-o em tiras na própria banha, invejando as redondezas - que anteviam as visitas da Mãe Rosa e ansiavam pelas quermesses. Escorreu parte da banha em outra frigideira e dourou alho picado. Cozinhou arroz com pouco sal e meia cebola ralada. Colheu cheiro-verde, erva-doce, almeirão e couve. Na frigideira do alho refogou a couve. Lavou e descascou cenouras e batatas. Picou tomates. Com lenha, ateou fogo à churrasqueira. Então, Mãe Rosa ligou a vitrola e escolheu um LP dentre centenas: Orlando Silva; e degustou um café preto cantarolando seresta.
Voltou à cozinha, juntou dois copos de 250 mililitros de fubá, dois de açúcar, dois de leite e três quartos do mesmo de óleo de soja; uma colher de chá de sal e misturou tudo, cozinhando numa panela até formar um mingau bem cozido, acrescentando uma colher de sobremesa de erva-doce antes de largar para esfriar.
Quando a filha chamou ao telefone - como sempre fazia - a perguntar-lhe se necessitava algo, embora crescesse sabendo do esmero que Mãe Rosa tinha com sua cozinha, esta já acrescentara o alho dourado e o cheiro-verde picado ao arroz, ainda na panela; dispusera almeirão, coberto por finas rodelas de cenoura e tomates desenhados numa tigela, com azeite de oliva e vinagre tinto, também do onipresente Onofre; e reservara o feijão - guardando parte do caldo, para virá-lo na farinha branca a seguir. Antes porém, soltou as costeletas - ossos para baixo - na grelha - altura média, braseiro forte - e mergulhou as batatas já salgadas em tiras no óleo frio, afinal viriam os netos.
Que chegaram primeiro, berrando e voando-lhe ao pescoço, munidos de um punhado de novidades. Mãe Rosa parou o mundo para receber os seus, com afagos únicos.
Das parreiras do seu Onofre veio também o tinto seco e o suco - do garrafão para a jarra e para a mesa. Colocando a conversa em dia, Mãe Rosa bateu quatro claras em neve. Mexeu as gemas junto a uma colher de sopa de fermento químico em pó. Misturou as gemas ao mingau já frio e depois as claras sem bater, levando ao forno pré-aquecido em temperatura média (180 ºC) numa assadeira número três, por trinta e cinco minutos, para depois polvilhar canela e açúcar.
A filha compunha a mesa à medida que Mãe Rosa servia. Virado de feijão, couve com torresmo, arroz, salada, batatas fritas, costeletas de porco; pimenta caseira, sal, azeite de oliva, água potável e suco de uva para crianças e adultos. Na vitrola Villa-Lobos, Trenzinho Caipira.
Enquanto o bolo cheirava e o caldo de feijão aguardava para esquentá-los de noite.

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Pequenas Resenhas Canalhas
Maurício Silveira dos Santos


Diário de Viagem

A leitura do Diário de viagem de Albert Camus é uma bela experiência por, pelo menos, duas razões. A primeira é acompanhar o autor nas viagens que originaram o diário, o que permite uma impressão de “senti-lo de perto”, uma quase intimidade, talvez pelos repetidos desabafos e queixas que faz diariamente e que o distanciam da seriedade e densidade do restante de seus livros. A segunda é o conteúdo do diário, me refiro ao encontro deste intelectual francês com um corte da cultura brasileira e alguns de seus intelectuais, políticos, madames, religiosos, artistas e figuras não previstas.

Só para quem não está lembrado vale a pena dizer que o autor franco-argelino foi premiado com o Nobel de literatura em 1957, que foi um rebelde e militante de esquerda, que trabalhou como jornalista e, contemporâneo de Sartre, desentendeu-se com ele por discordar do totalitarismo estalinista que se esboçava para o ocidente na época e que muitos intelectuais de esquerda, como Sartre, relativizavam ou negavam(é claro que isso é uma simplificação!). Além de seus romances mais conhecidos (‘O Estrangeiro’, ‘A Peste’ e a ‘A Queda’) publicou o ensaio intitulado ‘O Mito de Sísifo’onde elege o suicídio como o único problema filosófico realmente sério e trata da absurdidade inerente à existência humana e sobre o que fazer com relação a este fato. Será que exagerei nas apresentações?

Voltemos ao Diário. A primeira parte dele é o que me parece menos digno de interesse, tendo em vista meus objetivos aqui, pois trata-se dos relatos à viagem aos EUA, feita em 1946. Já a segunda parte, uma beleza, trata da viagem à América Latina, ao Brasil, inclusive, pasmem(!), com uma rápida parada em Porto Alegre. O pobre Camus toma uísque a toda a hora para agüentar a chatice dos compromissos a que é submetido, toma cachaça para “entrar no clima” aqui e ali, vai a inumeráveis “rituais de macumba” e faz descrições memoráveis (mesmo se às vezes concisas) do que vê e sente em cada um destes lugares. Nestes dias no Brasil (esteve na Bahia, Pernambuco, São Paulo , Rio de Janeiro e R.S.)visitou um presídio, uma favela, dormiu em um hospital, foi ao pão-de-açúcar enfrentar fila de turistas, presenciou atropelamentos, uma criança mutilada com fogos-de-artifício, assassinato em plena rua (este no Rio de Janeiro de 1949...). Bateu papo com Murilo Mendes, Oswald de Andrade e ouviu a música de Dorival Caymmi ‘in loco’. Entediou-se com inúmeras personalidades, maiores ou menores, que não poupa com seus comentários curtos e ácidos.

Contudo, a viagem foi se tornando cada vez mais enfadonha e percebe-se que o escritor não tem o mínimo talento para este tipo de viagem de “divulgação da cultura francesa” (aceitou o convite de autoridades francesas) com seus compromissos, encontros, conferências e puxa-saquismo intelectual. Em certo ponto ele chega a declarar um desejo suicida, isso antes de passar por Porto Alegre, que chama de “lamentável ilhota de civilização”. O nosso viajante está nitidamente deprimido, cansado, insatisfeito e suas queixas freqüentes de tosse e febre que não cessam se revelariam ser elementos não de uma gripe, como ele pensava, mas a volta da tuberculose. A viagem-calvário de Camus termina em 31 de agosto e estas são as últimas palavras de seu diário de viagem: “A viagem termina num caixão metálico, entre um médico louco e um diplomata, em direção a Paris”.

Altamente recomendável! Para mim, é verdadeiramente uma obra de auto-ajuda.

ps- Sei que prometi uma resenha sobre o amor, mas os sebos não colaboraram, por isso, fica para a próxima.

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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

Barraco

“Os tirambaço eu acostumava. A polícia danu butuca, quereno sempre nos metê em cana. O foda era a nega Dita, sempre me atucanano!”

Roberto Vargas, “De Tarde Com Cabelo Duro”.

Não tinha erro. Isto eu pensei. Mas a verdade é que eu estava tri cagado. Não tinha dado nenhuma banda por ali e ao me deparar com aquele bando de barrigudinhos ranhentos na volta do carro, murmurei com o canto da boca: “Ih, agora eu me fodi...”. O primeiro veio cheio da moral e dizendo que ele é que dava a coordenada. Percebi que os outros se mantinham afastados a uma distância suficiente o bastante para demonstrar que o primeiro - com a carapinha pintada com uma cor entre amarelo ouro e caramelo (tinha um aspecto doce, o cabelo, confesso) - era quem mandava, mas perto o bastante para me deixar claro que era só eu dar uma vacilada que o bicho ia pegar para o meu lado. Com aquela cara de turista alemão em primeiro dia de visita no morro da Rocinha, perguntei pelo Antenor. “Não tem nenhum mané Antenor, aqui não, rapá!”. Isto quem me disse foi aquele que se escorava numa pedra, o mais distante de todos. Preto e barrigudo como todos os outros, mas com uma navalhada na testa proeminente que o tornava o mais asqueroso de todos eles. O da cabeça cor de caramelo virou, com uma calma que deixaria o mais clássico dos mafiosos no chinelo, e deu uma olhada. Mas uma olhada só. Direto. No olho do barrigudinho da testa navalhada. Este se contorceu, visivelmente incomodado, mas obviamente indeciso entre manter uma pose de aspirante à líder da falange ou de simples tocaio daquele bando deveras bizarro de barrigudinhos disformes. Cabeça de caramelo se virou para mim, os outros todos deram um passo para trás com um automatismo que nem o mais singular dos coreógrafos conseguiria marcar com maior naturalidade, e falou, rouco como um asmático: “Tá querendo o quê com o Antenor?”. Eu achei que tinha feito uma cagada pelo simples fato de ter chegado até ali, dentro do carro, sozinho e me deparar cercado. Mas a maior cagada, mesmo, estava por vir. Foi exatamente depois da seguinte frase que saiu da minha boca: “É... que o assunto é pessoal, mesmo...”, que eu vi que, se o meu santo era realmente forte e aquele trabalho de fechar corpo da minha tia Lica funcionava, ali era a melhor das oportunidades para que estes dois fatos se fizessem verdadeiros.

Barrigudinho-Caramelo puxou um catarro do fundo da alma com um fervor que realmente me comoveu. Foi mais ou menos entre a ventarola e o retrovisor que ele acertou. Enquanto aquela plasta verde deslizava com uma má vontade que começava a me revolver o estômago, Caramelo, ainda calmo, me perguntou, pausadamente: “Tu tá de brincadeira comigo?”. Eu disse “para falar a verdade, não...”. Aí que eu me dei conta de onde estava o meu erro. Cachorro sente o cheiro do medo. Cabeça de Caramelo estava me testando. É. E eu não poderia ceder simplesmente e me deixar envolver no temor de que aquele bando de pretinhos esquálidos com barrigas de verminosos me amedrontasse. Por isso que eu saltei do carro e cheguei junto de Caramelo, simultaneamente à ação de todos os outros vinte ou vinte e cinco barrigudos armarem uma roda em nossa volta e uns três ou quatros começarem a cheirar o ar que saia de dentro do meu carro. Ali era o caminho das cobras, pensei. Puxei a calça com vontade, estufei o peito e fui chegando cada vez mais perto de Barrigudinho Cabeça de Caramelo. Ele se manteve têso, impassível, até o momento que eu sussurrei para ele: “Seguinte, eu não estou a fim de te dar moral. Então, você e este bando de barrigudos de merda, podem fazer o favor de tirar suas carcaças podres e fedorentas de perto de mim e do meu carro para que possa chegar até a baia do Antenor?”. Confesso que eu falei isto com o tom mais cheio de educação que eu fui capaz de fazer soar pela minha boca, ainda que ela tremesse um pouco ao final de cada palavra. Mas acho que deu para convencer. Eu vi até que eles começaram a armar uma espécie de clareira por onde, pensei, se faria o caminho natural para que eu pudesse passar. O que eu não percebi, nem quando notei a voz de Antenor em algum ponto distante de nós, foi em que momento exato Cabeça de Caramelo deu a ordem para que o barrigudo de olho vazado me atingisse com a pedra exatamente no meio dos olhos. Como eu ainda consegui perceber qual deles me atingiu com a pedra, e isto se tornou evidente, tão evidente quanto o fato de que, com uma pedrada só eu não cairia, eu ainda pude ouvir o grito de Caramelo “Fiadaputa!”, simultaneamente a tudo o mais em minha volta se transformar em uma massa enegrecida e convulsiva de membros que se transformavam em pedra quando se socavam em minha cara e foram mais do que suficientes para que, em segundos, eu não tivesse noção de mais nada.

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É bem provável que eu não esteja preenchendo este espaço na próxima edição. A não ser que eu consiga enviar a minha coluna de Parati. É para lá que me mando, no próximo dia 06 de julho, participando da Festa Literária Internacional de Parati, tradicional FLIP. Fui convidado para participar de um workshop sobre o gênero “romance”, ministrado pelo escritor Milton Hatoum (“Dois Irmãos” e “Relato de um Certo Oriente”) e vai ter – se tudo der certo – lançamento da revista-livro Paralelos, do site irmão desta casa, e que conta com um continho de minha lavra. Bueno, se eu não enviar nada na próxima edição, na outra volto com “Instruções” contando o que se passou na Festa. De repente rolam algumas inconfidências envolvendo Lygia Fagundes Telles e Paul Auster.

Ah, sim. É verdade. Eu cometi a deselegância de não ir à Festa de 1 ano do Simplicíssimo. Logo, não aparecerei nas fotinhas. Sim, eu mereço todos os comentários ofensivos que forem dirigidos à minha pessoa. É, eu sou um crápula. Um sujeito sem coração. Mereço castigo. Só não bate na cabeça.

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en passant
Eduardo Hostyn Sabbi

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I-racional
Pedro Armando Furtado Volkmann
 

De Ré na Contra-Mão

Violentos Haikais 3/X

Imposto na sua cara
Revólver
Que droga não rara

É Tão Bom, Tão Bom, Que Chega a Ser Ruim

Fui jantar em um restaurante chique. Tudo era muito bom. Da placa de entrada aos quadros da parede. Da pintura do prédio ao gesso. Da recepção aos garçons e da alface ao costelão. Tudo perfeito.

Começo este texto assim para mostrar que o ponto entre o ótimo e o demais está por um fio.

E o demais, onde fica?

Demais fica logo ali, entre a aprovação e a reprovação (entre o C e o D).
Entre o bem e o mal, no limbo.
Entre o divino e o ridículo.

Seus erros são mais valorizados que os acertos, afinal de contas, você acerta mais do que erra. Suas atitudes Demais são sempre classificadas como medíocres. Afinal de contas, onde está a média?
Para mim, a média dos conhecimentos humanos, numa escala de 1 a 5, em todos os campos possíveis do conhecimento não ultrapassa 0.01. Eu mesmo me engano, dizendo que este número é dois, numa escala de 1 a 10. Pense bem, tem coisas que muita, mas muita gente mesmo faz melhor do que você.
Não fique triste ao fazer o que você faz, afinal de contas, estamos todo o tempo, o tempo todo fazendo atividades para as quais não somos os melhores preparados. Ah pára! O Pedro desta vez viajou!!! Não pessoal! Estou falando de todas aquelas tarefas do dia-a-dia, como estacionar carros, fazer compras em supermercados, etc.
Porém gostaria de deixar um lembrete, gaste o seu tempo fazendo o que você gosta e sabe e delegue para os outros as outras tarefas, sempre que possível. Pode até ser que saia mais caro, mas é uma vez só. Além de poupar seu coração, pode significar uma boa economia ao longo do tempo.

Eu tenho certeza que ao longo destes dois últimos anos, você andou fazendo coisas Demais. E eu também.

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Diálogos com Deus (XI)
Rafael Luiz Reinehr

Deus e o meteorologista sabichão

- Me disseram que você é o tal.
- Quem lhe disse isso?
- Ah! Tá na boca do povo.
- É mesmo?
- Dizem que você sabe tudo: do que já aconteceu, do que está acontecendo e do que ainda vai acontecer...
- Pois...
- É verdade?
- Sim.
- Bem, então posso lhe fazer uma pergunta?
- Desde que não seja sobre os números da loteria ou que cavalo vai ganhar qual páreo...
- Não! É algo bem mais simples!
- Então manda!
- Qual será a previsão do tempo nos próximos 15 anos? - preparando o bloquinho para anotar.
- Hummmm... Eu bem que gostaria de responder sua pergunta...
- E?
- Não posso!
- Por quê?
- Isso é direto com o São Pedro, naquele departamento ali, ó...

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Utopias
Luiz Maia

Refazendo

Quando a união de um casal começa a dar sinais de desgaste,
é natural que as partes peçam um tempo para
discutir e refletir sobre a relação.

Creio que seja mesmo necessário recorrer a este saudável expediente,
depois do qual o casal já não será o mesmo.
Certamente ambos crescerão e sairão fortalecidos pelo sofrimento,
que tem o poder curador e gerador de novas descobertas.
Pior seria seguir mantendo as aparências, adiando decisões,
em meio às naturais agressões causadas pelos ressentimentos mútuos.

É comum as pessoas se acomodarem com a companheira ou o companheiro ao lado, como se tudo estivesse bem - e nunca está totalmente bem -, como se não fosse preciso satisfazer sempre as aspirações e perspectivas do outro.

E assim cada qual vai se esquecendo de cuidar das flores de seu jardim, que são o amor e o carinho que um nutre pelo outro, com suas naturais carências e exigências afins.

A acomodação costuma levar à inercia, mergulhando as pessoas numa possível solidão a dois, a pior delas.
É preciso ressaltar que o amor cobra abertamente de todos.
É egoísta muitas vezes.

Nesse ponto a amizade é mais complacente e tolerante. Diante disso, é imprescindível que após a decisão tomada, seja ela qual for,
que a solução venha sempre acompanhada da prevalência da amizade entre os dois,
num aceno ao bom-senso que deve permear as relações.

E assim, o sentimento que um dia os uniu poderá renascer mais forte e belo como nunca.
Há que se entender de dor para se conhecer a paz.
E a paz não é algo pronto, acabado, estático, precisa sempre ser cuidada e aprimorada para que o
seu efeito benéfico
possa ter um sabor todo especial.

Sendo assim, percebemos que tais sentimentos, o amor e a amizade, necessitam caminhar sempre juntos, por serem pilares básicos de toda relação harmoniosa.

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Conjectura (Camisola de Dormir)
Marcelo Adifa

Vem, formosa senhora a respirar ofegante
despir-se de incauto luto em meu leito armado
Permitindo-me transformá-la amada; amante
à ti reservando um beijo: sagrado

Vestes tua camisola: a luz do Sol
que faceira envolve-lhe ao corpo plácido
permitindo-me a olhar porquanto perdure o arrebol
desfazendo em meu peito este gosto ácido

reservado aos que amam sem serem amados
batendo-se em desespero terno e cálido
buscando estar entre melhores afortunados

Podendo, enfim, declarar-me amando e sendo amado
E tu, mais bela que a Lua e a noite juntas
poderia consagrar-me com teu lábio adocicado

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Ombudsman
Alessandro Sachetti

É simples!? É Simplicíssimo!

Edição de número 82 do Simplicíssimo e minha edição de número 2 como Ombudsman.
Antes de mais nada parabéns a todos os que por aqui aportam e aos navegantes de primeira viagem , pois, o aniversariante é quem nos presenteia toda semana. Tenho orgulho e satisfação de fazer parte dessa, como o disse o Rafael, “Nau Planetária”. Uma pena morar nos recônditos do estado de São Paulo, assim não pude comparecer a festa de um ano. Mas aguardo as fotos!
Mas, vamos ao que interessa.
Toda vez que leio um texto sério sobre Deus e suas belezas não tão claras – diria intuitivas -, reflito muito sobre muitas coisas, sobre o que já vi, já li, ouvi e vivi, e confesso que me sinto um tanto quanto entediado. Talvez pela descrença que tenha nas instituições religiosas falidas e carentes de dogmas práticos para a vida contemporânea, afinal, exemplificando: adentramos o século XXI e a maior dessas instituições, a católica, ainda não se posicionou sobre o uso de preservativos, o silêncio instalado e instaurado por eles em torno deste assunto me incomoda, pois, de um lado há o pragmatismo, do outro há a AIDS, seria a luta da hipocrisia contra a vida? Informar e formar, acho eu que é para isso que existem. Estou enganado?
Mas, vou me ater ao texto, ou tentar. Concordo com o Daiana quando está escreve: “O universo é uma dança”, mas só com isso. Acho que as dançarinas são as estrelas e nós vivemos dentro de uma das tantas que existem, afinal, podemos ver da terra algo em torno de 6mil estrelas, isso se estivermos próximos a linha do equador, nos extremos – sul ou norte – este número cai pela metade. Mas estima-se de 100 bilhões a 1 trilhão de estrelas em nossa galáxia, se somar as estimadas 100 bilhões de galáxias... Percebe agora? Somos muito pequenos perto de tudo isso. A interpretação de Nietzsche que usou, acho muito particular e estrita, pois, quando ele diz que “Deus está morto”, não acredito que seja no sentido que você deu, pois, ele prossegue dizendo: “Não existe diabo, nem há inferno. Sua alma há e morrer mais rápido do que seu corpo; nada tema”. Confesso que não conhecia a teoria de Mundo Manifesto e tão pouco consciência pura sendo deus. E quem cria tudo isso mesmo, deus ou eu? Você?
Não estou bem certo sobre que linha seguir nesta dissertiva, mas vou seguir o que acredito. Acho muito restrito dizer que é trabalho apenas da espiritualidade o “expandir você”. Acredito também que nós nos impomos limites quando pensamos assim, mas eu discordo quando restringe essa abertura de limites outra vez a espiritualidade, é bem mais que isso, diria que esta é apenas uma das vertentes para expansão. Eu me vejo como uma pessoa ilimitada, que pode aprender mais e superar mais, viver mais, quando achar que não posso mais aumentar, em todos os sentidos, eu morro, ou já estarei morto. Afinal a vida é aprender. Já diz o provérbio chinês: “O que pensais passais a ser”.
Interessante discurso sobre mente intuitiva e racional, mas acredita mesmo que a racional só serve para se culpar? É mesmo sempre negativa? Acredito que a razão serve como autocrítica, pois, revendo erros, percebendo-os, aprendendo com eles, crescemos. Pensar negativamente não ajuda a reparar e aprender, o que é a verdadeira função do que chama de mente racional.
Por fim, como poderia ser algo, sem levar em conta o que fui? Tudo o que vivi me torna o que sou. Afinal, somos tudo que fomos, assim como seremos o que aprendemos agora. Exemplificando: eu sei que se eu colocar o dedo na tomada vou tomar um choque, então simplesmente não faço, ou seja, não dá para desvincular experiências vividas com as que vou viver ainda. São coisas presumíveis, impossível apagá-las do nosso “processador”. Afinal, só sou o que eu quero ser.
Reflita um pouco mais sobre o que disse, reveja algumas questões. Também não entendi a ligação de Einstein com a direção do texto. Mas algumas coisas me lembraram a vaga e não comprovada idéia da Quarta Dimensão. Para saber mais, dê uma olhadinha na revista Galileu de Junho.
Milton, sua ansiosa e angustiante espera, um tema interessante, pois, quem vive espera. Já percebeste que passamos mais tempo vivendo a espera do que o vivendo a coisa esperada?
Passamos a semana esperando o fim dela, que é bem menor do que o tempo que esperamos. Esperamos quanto tempo pelo beijo daquela menina linda? E quanto tempo dura o beijo? Com certeza muito menos do que o tempo esperado.
Mas o esperado também espera. Então os dois lados são carentes e ninguém vive em plenitude. A não ser na mente de quem espera.
Meu xará Garcia, traz questões que nos fazem pensar, em como seria se não fosse. Me fez pensar, não em como seria, mas em como foi. Como era a época romântica da escrita? Será que era tão romântica assim ou apenas imagino por assim ser mais bela... Imagino como era prosaica a distribuição dos fanzines, dos folhetins, etc. Em como as pessoas conheciam os saudosos escritores e seus escritos que encantavam e ainda encantam hoje. Um saudosismo imenso de algo que não vivi, mas imagino. Mas, por que não pode ser assim agora? O que nos impede? Acredito, que de alguma forma também somos heróis, só que teríamos um inverso de super-poderes, substituídos pelo computador. Mas não deixo de lado a grande virtude que é a mente imaginativa de quem escreve. Temos sorte, possuímos um veículo de comunicação que atinge milhares de pessoas. Imaginem tal veículo nas mãos de Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Mario de Andrade, etc? Melhor não imaginar muito, pois, é capaz de parar de escrever agora e desistir dessa vida. A internet atinge milhões de pessoas, mas a facilidade também gera um acúmulo de informações, e é impossível absorver tudo. Vamos remando e nos sentindo heróis de quem? De nós mesmos!
Eduardo eu já tinha refletido e me revoltado sobre essa aculturação que o sistema capitalista nos prega, e em como normas ridículas nos privam de bens não palpáveis. Na minha cidade, por exemplo, não existe cinema. Onde foi um dia hoje é uma gráfica. Cinema mesmo só na cidade vizinha, as locadoras de video/dvs só adquirem títulos que lhes rendem $. E fico refém de uma cidade sem cultura, onde preferem adquirir 3 cópias do pífio “Todo mundo em pânico 3” a pelo menos uma sequer do “O fabuloso destino de Amélie Poulain”. Pior ainda antes, quando só existia o vídeo, pois só compravam filmes dublados, ainda bem e para a minha sorte os dvd’s me salvaram.
Coisas assim me entristecem, assim como é possível alguém preferir uma sala vazia a ter alunos, mesmo que poucos, dentro dela, criando, exercitando o que aprendem, vivendo. Tudo por normas falidas e impensadas ou pensadas demais. Onde é que vamos parar? Ou será que já paramos?
De ré na contra mão. (hã!?) Imaginem essa cena. Eu adorei essa frase, mesmo ela me parecendo impossível de construir com lógica. Uma bela mensagem implícita.
Belo texto Pedro, mas a segunda parte seria o “Eu”?
Afinal, o Sol e Lua, mesmo com ciclos tão distintos, não raro se encontram no mesmo céu, azul. Será saudade ou necessidade?
Grande texto Rafael, humor aliado com a realidade brasileira. Ficamos tão alienados e “antenados” com os problemas do exterior que acabamos esquecendo do nosso Brasil.
Luiz Antonio, teu poema é bem escrito. Mas achei um pouco contraditório, pois, começa dizendo que não tem nem um fio de idéia e termina com a vontade desperta e pré-existente.
Grande Marcos, sorte a nossa termos um tentente culpado. Espero que voê continue com a gente por muito tempo.
Por fim, o desafio Simplex, que terá seu fim antes dessa coluna ser publicada. Espero que as posições não se invertam.... hehehehe. Mas tudo pode mudar, veremos.
Grande abraço a todos, daqui a 14 dias estou de volta.
Quem quiser me escrever: alesachetti@pop.com.br, ou podemos bater um papo no msn maxsachetti@hotmail.com

Abraços
Alessandro Sachetti

“Acho que as melhores coisas da vida são as mais simples.
Assim como as mais importantes,
O simples fato de respirar é essencial.
Escrever e pensar, para mim tornou-se essencial também.
Amar da maneira mais simples e mais pura
Viver uma vida simples
E sonhar com um mundo simples,
Simplicissímo.”

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SUPER Desafio Simplex

E o grande vencedor do Super Desafio Simplex foi:

Alessandro Sachetti,

de Cândido Mota, São Paulo!

A Lista dos Competidores que pontuaram:


Alessandro Sachetti (Cândido Mota - SP) - 1000 pontos

Luciano Trevisan (Júlio de Castilhos - RS) - 240 pontos

Luiz Antonio Ribeiro (Petrópolis - RJ) - 90 pontos

Daniel Rech (Porto Alegre - RS) - 60 pontos

Corina Abreu (Rio de Janeiro - RJ) - 20 pontos


Rebeca Campani Donazar ( Porto Alegre - RS) - 10 pts.

Pedro Volkmann (Porto Alegre - RS) - 10 pontos

Diego Altieri Silveira (Sapucaia do Sul- RS) - 10 pontos

Roberto Iukio Iwai (São Paulo - SP) - 10 pontos

Como somente 9 competidores pontuaram, nosso primeiro colocado terá direito de escolher 2 grupos de CDs entre as Coletâneas, Rock Internacional, Miscelâneas, Singles Importados da Inglaterra, Pop & Rock Nacional, Reggae & Ska, Blues & Jazz, MPB & Nacional, Disco/Funk e Clássicos.

SEGUE A LISTA COMPLETA DOS CDs (o primeiro a escolher o grupo de CDs é, obviamente, o vencedor da gincana, passando consecutivamente ao segundo e terceiro lugares e assim consecutivamente, até encerrarem os 10 grupos de premiação).

Coletâneas

Acervo Especial Rock
20 Preferidas Italianas
Globo Special Hits – 2
Rock Stars
Coletânea ShowBizz
Video Music Brasil 1996
A Música do Século 1, 2, 6
Novela em CD – melhores temas
Rock Reflections
A Revista Rock – 89
Os Incríveis Anos 50, 60 e 70

Rock Internacional

Sixties – UK
Woodstock Festival 1994
Dick Dale – Calling Up Spirits
The Doors – When The Music is Over
Metallica – Live in Concert
Bob Dylan´s Greatest Hits
The Wonders – That Thing You Do
10cc – The Collection
The 60´s Greatest Hits


Miscelâneas

De Las Alturas
Roger Whittaker
Sepultura – Chaos A.D.
Tutta Itália
Os Bons Tempos Estão de Volta
Rei Roberto e Erasmo Cantam
Molotov – Apocalypshit
Orquestra Românticos de Cuba – Romance no Cinema
Saturday Morning – Cartoons Greatest Hits
Fats Domino – The Best Of
Grupo Raça – Jeito de Felicidade
De Ros – Universe
De Ros – Ad Dei Gloriam
Richard Powell

Singles Importados da Inglaterra

Reef – Sweetie
Reef – I´ve got something to say
Reef – Sweetie
Garbage – You Look So Fine
Garbage – You Look So Fine

Pop & Rock Nacional

Ultraje a rigor – 2 é demais
RPM – Rádio Pirata
Cazuza – Ideologia
Devotos de Nossa Senhora Aparecida
Utopia – Edição Histórica
Barão Vermelho – Os dois primeiros
Inocentes – Subterrâneos

Reggae & Ska

Inner Circle – Forward Jah Jah People
The Reggae Collection – Keep On Moving (1 a 4) importado da Inglaterra
Mestres do Ska


Blues & Jazz

Blues & Soul – vol 2
Blues Invention – British
Sound The Trumpets – Gold Encore Series
Isley Brothers Greatest Motown Hits
Jimmi Whiterspoon – Cry The Blues
Quinteto Onze e Meia
Jazz – Saxfaction

MPB & Nacional

Chico Buarque – MPB Compositores
Catálogo dos Novos Talentos da MPB
Gilberto Gil – Quanta
Caetano Veloso – Sem Lenço Sem DocumentoChico Buarque – Instrumental
20 Preferidas – Bossa Nova
Tropicália 30 anos
Jorge Bem Jor – Música para tocar em elevador
Demônios da Garoa – Esses divinos
Vinícius de Moraes e Chico Buarque – A Arte do Encontro
20 Preferidas – Toquinho

Disco/Funk

Dee Lite – Dewdrops in the Garden
Funk BrasilThe Disco History
Groove Brasil
Funkín Soul – The Best Of
Partie Dancing – Around The World
Discoteca Folha da Música Brasileira – Dance
Depeche Mode – Ultra
Cartoon Networks Dance
Édson Cordeiro – Disco Clubbing ao Vivo

Clássicos

Os Grandes Clássicos – Ludwig van Beethoven (1,2,3)
Vozes da Tranqüilidade (2 CDs)
Dvórak
Elgar


Pegue o banner
do Simplicíssimo
e divulgue em seu
sítio ou blógue!


Línque para
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e depois nos avise!


Gentileza prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em tamanho maior no blógue do amigo.

 


Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 

 

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