Simplicíssimo
Jornal Virtual de periodicidade algumas vezes o ciclo do elétron do césio


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Editorial

Algo que escrevi originalmente em 29 de abril de 2001, um Domingo, às 22:36:

"Eu já gostei mais da Xuxa do que eu gosto agora, mas tem uma coisa que ela disse uma vez, ainda no antigo Xou da Xuxa, que é algo mais ou menos assim:

“Como seria bom se todos nós tivéssemos um botãozinho no corpo que, quando apertado, nos faria imediatamente amar uma pessoa, e gostar tanto dela quanto ela de nós.”

Infelizmente não temos esse botãozinho, então, em alguns casos nos resta amar sem ser amados, ou deixar que nos amem enquanto tentamos retribuir pelo menos em parte o amor que nos é oferecido.

Essa coisa de amar sem ser amado me fez criar, um dia, uma teoria: a “Teoria dos Raiozinhos do Amor”. Segunda a minha teoria, o Amor sempre é bidirecional, ou seja, ambas partes mandam “raiozinhos” de amor uma em direção à outra, que se entrecruzam. Quanto maior o entrecruzamento desses raiozinhos, maior é a afinidade, a cumplicidade, o respeito, a admiração, enfim, o Amor. Quando as pessoas, pelas agruras da vida, surgimento de “intercorrências” ou outros tantos motivos, começam a diminuir a intensidade dos seus “raiozinhos” de amor ou mesmo mudar a sua direção, para um outro alguém, para o trabalho ou até para si mesmo, isso deixa de ser amor. Isso passa a ser sentimento de posse, ciúme, paixão (por parte da parte (desculpem a cacofonia) que ainda manda seus “raiozinhos” em direção ao seu objeto de desejo) ou o nome que vocês quiserem dar. Mas não é mais Amor. É uma teoria. E só. Como isso é para ser uma regra (e toda regra tem uma exceção), ela tem uma exceção, e uma só: no caso do Altruísmo: o Amor é um sentimento altruísta, quer o bem sem olhar a quem e sem esperar nada em troca. Nesse caso, no do Altruísmo (que é uma forma de Amor) não é necessário que a outra parte esteja mandando os “raiozinhos” de amor em direção à parte altruísta - mesmo por que às vezes esta nem mesmo fica sabendo quem foi o responsável por tal ato de bondade e amor – basta estar receptiva aos “raiozinhos” da parte benfeitora. É bom lembrar que, no caso desta exceção, na verdade o Altruísmo que está mandando os “raiozinhos” de amor para tudo que é lado na verdade está sendo correspondido: está sendo correspondido por “raiozinhos” de amor do Ambiente, pois tudo aquilo que fazemos, de alguma forma retorna a nós, cedo ou tarde, de alguma forma (ATENÇÃO: ISSO É UM DOGMA! CUIDADO COM OS DOGMAS!!!). Já dizia Newton: a toda ação cabe uma reação de força igual a ela mas em sentido contrário.
Ainda sobre o Altruísmo, me lembrei de algo que, acho, Nietsche escreveu (li isso quando fiz um trabalho para a cadeira de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente na Faculdade de Medicina, acho que no terceiro semestre): segundo ele, o motivo último da vida é a Vontade de Poder. Para tanto, todos os seres vivos, sem exceção, desde os unicelulares até o ser humano busca sempre o melhor: ser mais rápido, mais forte, mais resistente, mais ágil, mais inteligente, mais apto a sobreviver, sobrepujar os outros para alcançar o poder e dessa forma garantir sua sobrevivência. Sabe que eu concordo com ele? Lembram daquela parábola que eu contei mais acima sobre os dois homens na ilha deserta? Poder é sinônimo de sobrevivência nesse contexto."

Lendo este texto hoje, me parece um pouco bobo.

Lendo este texto hoje. Parece que ainda guarda algumas palavras que juntas fazem sentido.

Lendo este texto hoje, decidi que era ele mesmo que iria colocar neste espaço.

Lendo este texto hoje, vi que deveria ter escrito esse ao invés de este nesta frase e nas anteriores.

Lendo esse texto hoje, tomando vinho branco argentino, vi que não detesto nossos hermanos (nem ao seu vinho).

Vamos a mais um texto do Luiz Emanuel e da sara, ao retorno do Alessandro da FLIP e aos sempre bótimos textos de nossos estimados colunistas!

Rafael Luiz Reinehr

"Só se ama o que não se possui completamente "
Marcel Proust

"Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção"
Antoine de Saint-Exupéry

"Saber amar não é amar. Amar não é saber"
Marcel Jouhandeau

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República dos Pampas, vista de Sampa
Luiz Emanuel S. M.Campos

Os gaúchos nunca conseguiram o que todos queriam mas poucos assumiram, sua própria república, isto é, não oficialmente, mas, se uma nação é formada por um povo que compartilha uma mesma nação, ignorando a política, hoje mais que nunca existe sim a República dos Pampas.

Começou com uma brincadeira, um opiniário quinzenal chamado O Pulso, logo, Simplicíssimo, logo uma editora de RPG, Jambo, grandes lojas, uma revista
especializada em cultura, moda e comportamento gaúchos, Type, mas tudo isso não é para menos, um povo maravilhoso, trabalhador e íntegro, que outras
características seriam necessárias para formar um povo?

E além disso eles têm Veríssimo, dois deles! Têm o Zero Hora, o mais cultural dos diários, têm Eduardo Nasi, Carpinejar, Marta Medeiros, Grêmio, Atlético e
até uma cidade européia inteira chamada Porto Alegre. Escritores, artistas e tantos e tantos outros, além de sua própria feira de livros anual, em outubro,
universidades, estudos e incentivos aos estudos.

Só não têm as fronteiras geo-políticas traçadas em mapas mundo a fora mas, pensando bem, isso faz alguma falta? Longa vida à República dos Pampas, e que os outros não a invejem, a imitem e cresçam também.

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Pequenas resenhas canalhas
Maurício Silveira dos Santos
Amor e Malandragem na Roma Antiga

Este é o livro que eu gostaria de ter lido aos 15 ou 16 anos de idade. Só o encontrei lá pelos 26. Era tarde demais. Por esta razão, se um dia vier a ter um filho, vou presenteá-lo solenemente com a obra e incentivar uma leitura atenta da doutrina que Ovídio nos deixou.

Trata-se de “A Arte de Amar”, livro dividido em três partes, que “ensina” os métodos ou artimanhas para se dar bem nos caminhos e descaminhos das vivências amorosas. Ovídio, nascido no ano 43 a.c., foi poeta pela mais absoluta vocação, bon vivant, adorador da vida leve e festiva, amante das mulheres, despreocupado com política ou temas profundos, essenciais ou angustiantes; um Don Juan sob o império de Augusto. Por outro lado, sua face algo fútil e mundana não podem obnubilar nossa visão crítica de que ele compôs uma obra poética admirável e de que em “A Arte de Amar” foi exímio psicólogo do cotidiano. Poucas centenas de anos antes do cristianismo oficial estender sua nuvem negra de moralismo, culpa e repressão sobre os impulsos sexuais e sobre a arte erótica, Ovídio faz com que o leitor se delicie com suas “prescrições” para conquistas amorosas e sua “sabedoria de boteco” que pretende sempre obter resultados práticos nas escaramuças da corte amorosa. Rapazes, leiam este livro! Mocinhas, adquiram seu exemplar o mais rápido possível e vocês vão encontrar por escrito tudo o que já têm praticado há tempos. Aliás, um dos pontos mais interessantes da obra é ver como os milênios passam e algumas coisinhas mudam muito pouco...

Já escrevi demais e me sino na obrigação de deixá-los com uns trechinhos, boa leitura:

“A noite e o vinho são maus conselheiros para julgar a beleza... nessas horas qualquer mulher parece bela.”

“Procura, antes de tudo, conquistar a boa vontade da escrava daquela que queres seduzir.”

“Perguntas-me se seria conveniente seduzir também a criada. Esta é uma prática arriscada.”

“... a mulher domina a arte de espoliar o amante apaixonado”

“Não crie, todavia, o hábito de frisar o cabelo a ferro, nem alise com pedra-pomes as pernas. Deixa tais coisas para quem, como os Frígios, aos gritos se consagram a Cibele.” ( ps- os sacerdotes de Cibele eram eunucos)

“Aos homens só convém uma beleza sem enfeites.”

“Os homens devem agradar apenas pela elegância discreta... o cabelo bem aparado, não arrepiado... as unhas cortadas e limpas e que não haja pêlos a sair pelas narinas... e que um odor de bode não agrida...Todo o resto deixa para as mulheres lascivas ou para aqueles que procuram o amor de um outro homem.”

“E promete sem timidez, pois as promessas prendem as mulheres!”

“Não é para os ricos que dou lições de amor; quem pode presentear não precisa delas”

“O amor é uma espécie de serviço militar. Arredai-vos homens covardes! Não são os pusilânimes que devem levar os estandartes.”

“Se teus atos, apesar de feitos às escondidas, vierem a ser descobertos, mesmo assim nega-os até o fim.”

“Quando estiver bastante irritada e te parecer uma inimiga declarada, pede-lhe para firmar o armistício no leito. Ela se acalmará”

“...mulheres, ... pensem desde agora na velhice que fatalmente virá; assim, não deixem passar um só momento sem aproveitá-lo.”

“Tenho que avisá-las que o cheiro de bode não deve exalar de vossas axilas, nem as vossas pernas devem estar cobertas de pêlos ásperos.”

“Até que ponto chega a arte? As mulheres aprendem a chorar convenientemente; derramam lágrimas quando e como querem.”

“Evitai, todavia, os homens que exibem sua elegância e beleza e que nunca têm um cabelo fora do lugar. O que agora vos dizem, já o disseram a mil outras.”

“Não vos deixeis iludir pelos cabelos brilhantes de essência do nardo, nem pela delgada correia do sapato meticulosamente colocada.”

“E vós também, mulheres, examinai as aptidões dos homens para saber o que convém a cada um, para que cada qual ocupe seu lugar. O rico dará presentes; o jurisconsulto dará seus conselhos; o eloqüente advogado defenderá sua cliente; nós, os poetas, enviaremos tão só os versos que fizermos”

“Mantém junto de ti o novato, presa tenra que admitiste no leito.”

“Pedir um presente ao teu amante depois dos prazeres de Vênus, é não querer que o pedido surta efeito”.

Aí está um pouco do que Ovídio tem a nos ensinar, querem mais? Então parem de gastar tempo lendo este resenhista canalha e vão buscar literatura de verdade simplileitores! Abraço a todos e até mais.

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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

Parati Paramim

Fazendo já mais de uma semana que estou de volta a Porto Alegre, ainda não consegui me desvencilhar das lembranças de Parati (e lá eu quero isto?). Experiências transcendentais?, perguntará um. E ainda que eu negue, explicar do quê, afinal, estou falando, também é tentativa muito tentada e pouco alcançada. Simplicíssimo parece ser o lugar certo para se tentar, no entanto, traçar ao menos algumas linhas que possam esclarecer aos outros e a mim o que veio a ser a FLIP nestes plenos dias de julho. Afinal, parto do pressuposto que os leitores, tal qual os autores aqui, são interessados por literatura e por tudo o que a envolve.

E talvez a FLIP seja exatamente isto: a literatura e tudo o que a envolve. E tudo hoje, em se tratando de literatura, vai muito além da visão romântica de escritores apoiados em mesas de bar à noite debatendo acerca do mal do século. Vai além mas não exclui isto. Por que se montou um cenário tamanho em relação ao livro e ao seu consumo no Brasil, e isto foi especialmente mostrado nesta Festa, que, àqueles que observaram estarrecidos às dezenas de inserções nos programas da Globo dos detalhes da Festa Literária Internacional, esclareço não ser exagero. Em uma época em que a imagem tanto mente, não houve ângulo favorecedor, multidões montadas ou falsos rebuliços em mesas de debate. Como acompanhante in loco de todo o processo, sou testemunha de que a FLIP foi aquilo mesmo o que foi mostrado. Na segunda edição, afirmou-se como a Festa Literária de maior sucesso no Brasil, capaz de desmitificar a literatura, apresentando-a livre de invólucros que somente entorpeciam sua chegada junto ao público médio. O sonho de todo apaixonado pela literatura.

Se parece nocivo que se misture a histeria que comumente se oferece a pop stars a uma celebridade que hoje se divide entre os ofícios de compositor, cantor e escritor, e em um festival de literatura, a mim parece que, mais do que prejudicar um possível cenário literário que se decidia pela intelectualidade extrema, mesmo pontos como estes servem para tornar mais acessível e menos acadêmico os debates que se abrem a partir de tais perspectivas. Não esquecendo que, apesar de muitas vezes ser tomada genericamente como a grande atração da Festa – e mesmo podendo ser! – a presença do supracitado, a saber (e quem não sabe?) Chico Buarque e seu Budapeste, foi, na realidade um acepipe, como um morango a decorar esta imensa e saborosa torta que foi a FLIP.

Por que a FLIP foi além disto. Em frente aos telões que transmitiam a mesa de debates entre Chico Buarque e Paul Auster (Noite do Oráculo, A Invenção da Solidão, Trilogia de Nova Iorque...), a última e mais disputada mesa (e que, mesmo na “altura” de minha condição de participante da oficina de romance ministrada pelo escritor Milton Hatoum – Relato de um Certo Oriente e Dois Irmãos – que até então me tinha possibilitado participar de todas as outras mesas sem ingresso), a qual tive de assistir da Praça da Matriz, me bateu em certo momento sentimento de extrema clareza que me fazia, olhando às centenas de pessoas abancadas da maneira mais confortável pela praça, em cadeiras de praia, toalhas e etc (à noite!), me perguntar que doida magia é esta que faz com que tantas pessoas possam se interessar por debates literários de maneira tão apaixonada quase como final de campeonato de futebol.

O tipo de pergunta que, se você quer ficar doido, pode fazer a todo o momento, tantas são as pessoas que transitam naquela cidade, atraída pelos cinco dias de festa de celebração ao livro e à literatura. Dias em que os escritores se mostram acessíveis a passear sem constrangimento pelas escorregadias pedras de Parati, a tomar cerveja nos diversos bares e a jogar conversa fora com seus leitores. Dias em que é possível crer que, em algum momento, absolutamente TODAS as pessoas que participaram da FLIP passaram pela Praça da Matriz e sua fatídica esquina dos bares em algum momento e/ou estancaram à procura de alguém ou esperando serem encontrados. Esquina tão propícia para ver Luis Fernando Veríssimo sem grande esforço, para as moças se encantarem com o charme rebeldão de Angeli, para ver Scliar caminhar se atrapalhando com as pedras, para cruzar com Joca Terron, para contemplar a afobação de Flávio Pinheiro – o diretor de programação da Festa - e para ser abraçado pelo genial Marcelino Freire.

Parati é lembrança de encontros e acertos de última hora. Chutando pedras escorregadias pelo seu centro histórico, encontrava companheiros de oficina e combinava quais mesas de debates compartilharíamos, em que tenda as assistiríamos. Mesmo que não tenha sido a fantástica Rosa Montero (A Louca da Casa) a arrancar gritos ensandecidos de fãs (e os homens são realmente mais comedidos nestas horas) e Chico Buarque tenha sido uma estrela que ofuscou um tímido Paul Auster, que se dane! Parati é paratodos (e, inclusive, é para trocadilhos!). Para contemplar e se deliciar com a leitura de uma dulcíssima Adriana Lisboa, para se perguntar o que faz Gugu Liberato caminhando pelas ruas, para rir com o bom humor de Jeffrey Eugenides e para conhecer Lídia Jorge.

E, mais do que isto. Parati paramim foram noites misturando cerveja com capeta e madrugando em conversas que iniciavam com considerações sobre o cinema de Truffaut e Godard, tangenciavam as lendas urbanas e as tramas inacreditáveis de filmes “C” e acabavam em análises aprofundadas sobre os episódios de Chaves. Parati paramim foi conhecer nomes que não passavam de caracteres em livros lidos. Beber no mesmo bar que Marçal Aquino, orelhar uma conversa de Luiz Vilela na mesa ao lado, ler Mara Coradello e Tony Monti com os próprios ao lado e lhes dizer o que achei dos seus livros (e, sem precisar mentir, dizer que gostei muito: sorte que eram Mara Coradello e Tony Monti). Parati foi acordar tarde demais para a foto da Folha de S. Paulo e não passar de uma perna e um braço no canto da fotografia. Foi saber que os mistérios para um bom romance estão, mais do que pensamos, no fato de começar a escrever um bom romance. E que curvas senóides, gráficos e fórmulas claras podem resultar em um bom livro. Ou não. Parati paramim foi dar entrevista sobre os rumos da literatura contemporânea de dia e conversar francamente sobre os mistérios insolúveis da mulher à noite (e madrugada adentro, orgulhoso de sermos os últimos a deixar a Praça da Matriz!), equilibrar-me sobre as pedras do calçamento e pechinchar destilados doces na barraca do capeta e, bêbado, chegar a conclusões que, provavelmente me acompanharão vida afora.

Parati paramim definitivamente foi conhecer seres de carne e osso que deixam de ser links que se cruzam eventualmente com meus links para tornarem-se, claramente, pessoas cujas vidas cruzaram com a minha em algum momento e que, a partir daquele momento, deixaram-me lembranças e sentimentos fantasticamente bons no coração. E será maravilhoso se eu tiver lhes deixado algo bom também.

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en passant
Eduardo Hostyn Sabbi

Feliz Dia

Vou contratar uma secretária. Na verdade o melhor nome seria uma datária. Datária, isso mesmo. Uma pessoa especializada em guardar datas especiais. E de me lembrar delas obviamente. Tudo por causa do dia do amigo. Como pude esquecer disso? A propósito, vou ver se ela pode ligar para os meus amigos e dizer que eu desejo um Feliz dia e blá blá blá ... Começo a pensar que tudo e todos têm seu dia. E alguns dias parecem ter até mais de uma comemoração. É um Feliz dia disso e daquilo prá todo lado.

Amigo tem, inimigo talvez não. Passaria também a sogra em vão? Idoso, avô, pai e mãe, não tem idade. Tem pra consciência negra, mas e a irracionalidade? Aniversário de Fulano, Ciclano e Beltrano. Até o cavalo tem seu dia no ano. Dias santos, domingos e feriados, morre esse, vive aquele e vem finados. Natal e Páscoa, hmmmm tem chocolate. E aqui no Sul sempre é dia de mate.

Na pesquisa virtual da Internet, o site Educacional é um prato cheio. Minha dataria vai adorar. Trabalho para o ano inteiro. O problema será todo início de mês, quando ela vier me lembrar que é dia de pagar o salário dela. Mas já que tem dia pra tudo, deve ter o da pendura. Ela vai aprender com o passar do tempo. Falando nisso, aí vem o meu aniversário e ai dela se não lembrar. Será justa causa com certeza. Profissão difícil essa hein? Ah, antes que eu me esqueça, um Feliz dia para você, seja lá o que se possa estar comemorando.

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I-racional
Pedro Armando Furtado Volkmann
 

De Ré Na Contra-Mão

Violentos Haikais 5/X

Digo, meu caro
minha vida vale
mais do que um carro

SERÁ QUE POESIA
SEM RIMA
É ÉTICA?

“Será que ao falar das inter-relações de ética, estarei sendo antiético com certas agremiações esportivas?”

Neste assunto sou C-ético
Pois não acredito
Em meias verdades

Vagueio pelas Cidades
Em busca de um veredito
Já ando até meio Caqu-ético

Vou tomar um Diur-ético
Para parecer Atl-ético
Não quero ser ético
(nem comigo mesmo)


Posso parecer Pat-ético
Mas até Deus
Fez dos seus
E Zeus,
Nem pensar

Mandou matar
Com a vida acabar
Seria isto Pó-ético?
(viemos do Pó ao Pó voltaremos)

Uma decisão nada Herm-ética
De descobrir o que a Pol-ítica
Tem com isto
(Pelo menos as 4 últimas letras)

Os cirurgiões
Em nome da Est-ética
Deixam mulheres Esquel-éticas
Criadores de ilusões?

E as organizações,
Não sofrem sansões?
Neste ritmo Fren-ético
De elucubrações?
(de formas de lucrar, mais e mais?)

Em muitos lugares
E lares
A ética
Está aid-ética
E sem AZT

Para ser Sint-ético
E Ecl-ético
Vou parar por aqui.

Acredito em uma ética maior
E para não rimar
Que não sei quando as organizações
Podem alcançar. (ops)

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Diálogos com Deus (XIV)
Rafael Luiz Reinehr

As férias de Deus (I)

Pois lá estava ele, em Copacabana, estirado em sua cadeira de praia, óculos escuros e calção de banho vermelho, chapéu de palha e bebendo água de côco.
Maria havia saído para caminhar e Jesus jogava num fliperama ali perto.
Àquele momento, já o haviam confundido por mais de uma vez com o Hermeto Pascoal, e para evitar explicar toda história novamente, já estava até dando autógrafos em nome do multi-instrumentista.
Finda a água de côco, olhou de sobrolho para a direita e passou a admirar a bela vista que aquela praia carioca com suas “meninas do Rio” proporcionava. Já esboçava um pequeno sorriso em seus lábio e preparava um sonoro “fiu-fiu” quando percebeu que uma sombra se insinuava por sobre seus ombros. Era Maria. Havia segurado o assovio bem a tempo!
- Já não era sem tempo Maria! Estava sentindo sua falta!
- Ah é? Que amor, meu bijuzinho! Só você mesmo para ser assim tão descarado! Vai dizer que não estava olhando para o traseiro daquela morena ali adiante?
- Traseira? Morena? Onde?
- Que cara-de-pau!
(continua...)

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Utopias
Luiz Maia

Eu e o outro

Há um poema que diz: "Cristo não tem pés, só os nossos pés para conduzir pessoas em seus caminhos". O cristão é, por excelência, alguém que está a caminho. Nessa jornada, somos instrumentos de Deus.

Somos a presença d´Ele neste mundo. E temos da parte de Deus a promessa de que Ele guardará e protegerá todo aquele que se dispõe a caminhar em direção ao próximo.
Sem vacilar podemos colocar-nos a caminho, pois Ele guardará nossos pés.
Podemos assumir a tarefa de sermos um Cristo para o outro, como disse Lutero.

Sua proteção é mais forte do que as dificuldades do dia-a-dia.
A promessa de que Ele nos guardará nos anima a caminhar lado a lado com no irmão e a irmã para, então, conduzí-los no caminho que leva a Deus.

Se tivermos essa disposição, Deus nos livrará da prisão do eu, de querer caminhar apenas em direção ao crescimento pessoal, sem pensar nos outros; de querer subir na vida de forma egoísta, pisando sobre os outros.

Os nossos pés são uma dádiva de Deus que devem ser usados como instrumento de crescimento, de ajuda e não para oprimir aquele que está ao nosso lado e conta conosco.
Lembre-se: Deus quer libertar-nos do egoismo e quer que nos voltemos para o próximo.

Permita que Ele aja em sua vida.
Que possamos sempre confiar na promessa de que Deus nos guardará, sejamos instrumento em Suas mãos.
Sigamos caminhando, proclamando e fazendo o bem por ande andarmos.

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Brisa
Sara Fleck Neves

Sentados, calados. Olhando através da janela da vida.
Entreaberta para os que quiserem realmente sentir a brisa da história.

Permanecem sentados, mas não mais calados, pois ali passou o furacão do conhecimento.
Pensamentos de seres que não mais se conformam com o estático, com o mudo.

Palavras e ações lhes faltavam para serem mais humanos.
O órgão que não quer calar, a língua que cura e fere.
A história nunca mais será a mesma.

O invisível é poderoso, o ar musicando o pensamento.
Ou será o pensamento musicando o ar?
A música pensando amor.

O espaço da sala já não está tão vago, a janela permanece aberta.
Cresceu o seu tamanho, as cortinas foram arrancadas.
A brisa as levou.

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Ombudsman
Marcos Claudino

Minha nossa, mas como isso passa rápido...Parece que escrevi meu último textículo há umas duas horas atrás, no máximo, mas já passaram-se 14 dias... O tempo anda viajando através da luz, como fazia nosso amigo Prot, vindo de K-PAX... Se é assim, passo adiante a comentar a edição 84, com muito prazer...
Preciso dizer antes de mais nada, que, entre todas as boas características que encontro nesse espaço, a falta de compromisso é uma das mais marcantes. Temos liberdade, e nos entendemos. É como uma “sociedade alternativa” do Raul, que funciona. Disse isso para comentar o texto do amigo Rafael, nosso chefe do Estado Maior da Mente. Uma experiência e tanto. O que sairia se escrevêssemos tudo o que viesse em nossa mente, em determinado ambiente, com determinado fundo musical... Confesso que cheguei ao final, pela minha admiração pelo amigo, pois, em determinado momento, perdêmo-nos um pouco na lógica (ou falta dela, por assim dizer). Agora, espero que todos tenham chegado ao fim, para ganhar de presente a guerra das cores, no crepúsculo, premiando o leitor, desaniviando as dúvidas, e deixando-nos com vontade de ver o pôr do sol...
Daiana Silva traz-nos suas idéias sobre a religiosidade. Na verdade, amiga Daiana, todas as religiões começam realmente com todos esses bons propósitos. Igualdade, fraternidade, busca do criador, comunhão com o universo, enfim, tudo de bom. O problema, é que foram feitas por homens, administradas por homens, e freqüentadas por homens... A maioria ainda não entendeu o real propósito delas, e a usa para dizer à sociedade que está de bem com o mundo, ou mesmo enganar a si mesmo. Falta essa real religiosidade em todos nós, basta ver à nossa volta a quantidade de desigualdade social... Ao contrário do amigo que comentou que o sítio tornou-se espaço de auto-ajuda, concordamos todos que muita coisa está fora da ordem, entre essas coisas, a idéia de religião que herdamos... Ótimo texto...
O querido Eduardo Sabbi desabafa... Ainda bem que o neurônio insistiu para falar-nos, irmão... Confesso que, entre tantos e tantos problemas, nosso presidente tem um problema grave com as palavras. Essas frases de efeito eram muito úteis nos tempos de campanha. Ditados fáceis de guardar, bem postados pelo Duda Mendonça, mas que agora, ou há bom tempo, já encheram nossa paciência... Realmente, se o presidente não entende, que diríamos nós? O que esses caras ainda não entenderam, é que não queremos ver feito apenas o que eles acham que dá, mas queremos ver o impossível, que eles mesmos prometeram, pois nossa burrice não nos deixa respirar sequer...
Pedro Volkmann vem de ré na contra mão... Exemplifica num diálogo alguns aspectos do momento e jeito da criação. Não há fórmulas mesmo, pois não há pessoas iguais, e, por conseqüência, não há reação igual a qualquer texto. Legal acompanhar o desenrolar da conversa, legal saber que tenho muito ainda a aprender. Legal saber que não estou doido sozinho, e que ser esse doido é bem legal...
E os diálogos com deus trazem o vazio das férias do criador. Bom foi ler os comentários, onde conseguimos desvendar o destino do Onipotente que, ao que parece, não resistiu aos apelos da sociedade consumista, e adentrou de cabeça na Vênus Planitada...
E chega Luiz Maia, com as esperadas utopias. Solidão pode ser um mal, mas alguém acreditou que é de toda má. Bem elucidado pelo amigo Luiz, a solidão planejada é necessária, reorganiza pensamentos, idéias, posturas e planos. E volta o Cezar a propestar a auto-ajuda apresentada. Pois é, Cezar, já que não temos compromisso com estereótipos, podemos nos sentir totalmente à vontade, certo? Inclusive você...
Marcelo Adifa chega com seus versos melodiosos. Como bem comentou o Eduardo, nada preso a definições de construção pré-estabelecidas. Ao que parece, nosso amigo deixa apenas o sentimento tomar forma, e é totalmente fiel a ele, nada mais... Que mais se esperar de um poeta?
O campanheiro Alessandro Sachetti vem curto, mas eficaz... Bom como sempre, vai direto ao assunto, e juntos aprendemos a cumprir nossos papéis...
Enfim, pessoas, continuamos aprendendo, exercitando, questionando e vivendo o propósito desse sítio, que é o propósito de nossas próprias vidas, ou seja, de fazermos exatamente o que acharmos melhor, mostrarmos exatamente o que queremos, ou não, e sermos felizes, finalmente, ou não...
Até a próxima!!

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SUPER Desafio Simplex

E o grande vencedor do Super Desafio Simplex foi:

Alessandro Sachetti,

de Cândido Mota, São Paulo!

A Lista dos Competidores que pontuaram:


Alessandro Sachetti (Cândido Mota - SP) - 1000 pontos

Luciano Trevisan (Júlio de Castilhos - RS) - 240 pontos

Luiz Antonio Ribeiro (Petrópolis - RJ) - 90 pontos

Daniel Rech (Porto Alegre - RS) - 60 pontos

Corina Abreu (Rio de Janeiro - RJ) - 20 pontos


Rebeca Campani Donazar ( Porto Alegre - RS) - 10 pts.

Pedro Volkmann (Porto Alegre - RS) - 10 pontos

Diego Altieri Silveira (Sapucaia do Sul- RS) - 10 pontos

Roberto Iukio Iwai (São Paulo - SP) - 10 pontos

Como somente 9 competidores pontuaram, nosso primeiro colocado terá direito de escolher 2 grupos de CDs entre as Coletâneas, Rock Internacional, Miscelâneas, Singles Importados da Inglaterra, Pop & Rock Nacional, Reggae & Ska, Blues & Jazz, MPB & Nacional, Disco/Funk e Clássicos.

SEGUE A LISTA COMPLETA DOS CDs (o primeiro a escolher o grupo de CDs é, obviamente, o vencedor da gincana, passando consecutivamente ao segundo e terceiro lugares e assim consecutivamente, até encerrarem os 10 grupos de premiação).

O Alessandro escolheu:

Rock Internacional

Sixties – UK
Woodstock Festival 1994
Dick Dale – Calling Up Spirits
The Doors – When The Music is Over
Metallica – Live in Concert
Bob Dylan´s Greatest Hits
The Wonders – That Thing You Do
10cc – The Collection
The 60´s Greatest Hits

e MPB & Nacional

Chico Buarque – MPB Compositores
Catálogo dos Novos Talentos da MPB
Gilberto Gil – Quanta
Caetano Veloso – Sem Lenço Sem DocumentoChico Buarque – Instrumental
20 Preferidas – Bossa Nova
Tropicália 30 anos
Jorge Bem Jor – Música para tocar em elevador
Demônios da Garoa – Esses divinos
Vinícius de Moraes e Chico Buarque – A Arte do Encontro
20 Preferidas – Toquinho

O Luciano escolheu:

Blues & Jazz

Blues & Soul – vol 2
Blues Invention – British
Sound The Trumpets – Gold Encore Series
Isley Brothers Greatest Motown Hits
Jimmi Whiterspoon – Cry The Blues
Quinteto Onze e Meia
Jazz – Saxfaction

O Luiz Antonio escolheu:

Pop & Rock Nacional

Ultraje a rigor – 2 é demais
RPM – Rádio Pirata
Cazuza – Ideologia
Devotos de Nossa Senhora Aparecida
Utopia – Edição Histórica
Barão Vermelho – Os dois primeiros
Inocentes – Subterrâneos

O Daniel Rech escolheu:

Coletâneas

Acervo Especial Rock
20 Preferidas Italianas
Globo Special Hits – 2
Rock Stars
Coletânea ShowBizz
Video Music Brasil 1996
A Música do Século 1, 2, 6
Novela em CD – melhores temas
Rock Reflections
A Revista Rock – 89
Os Incríveis Anos 50, 60 e 70

A Corina Abreu escolheu:

Disco/Funk

Dee Lite – Dewdrops in the Garden
Funk BrasilThe Disco History
Groove Brasil
Funkín Soul – The Best Of
Partie Dancing – Around The World
Discoteca Folha da Música Brasileira – Dance
Depeche Mode – Ultra
Cartoon Networks Dance
Édson Cordeiro – Disco Clubbing ao Vivo

O Pedro escolheu:

Miscelâneas

De Las Alturas
Roger Whittaker
Sepultura – Chaos A.D.
Tutta Itália
Os Bons Tempos Estão de Volta
Rei Roberto e Erasmo Cantam
Molotov – Apocalypshit
Orquestra Românticos de Cuba – Romance no Cinema
Saturday Morning – Cartoons Greatest Hits
Fats Domino – The Best Of
Grupo Raça – Jeito de Felicidade
De Ros – Universe
De Ros – Ad Dei Gloriam
Richard Powell

O Roberto escolheu:

Reggae & Ska

Inner Circle – Forward Jah Jah People
The Reggae Collection – Keep On Moving (1 a 4) importado da Inglaterra
Mestres do Ska

O Diego escolheu:

Clássicos

Os Grandes Clássicos – Ludwig van Beethoven (1,2,3)
Vozes da Tranqüilidade (2 CDs)
Dvórak
Elgar

Sobrou para a Rebeca:

Singles Importados da Inglaterra

Reef – Sweetie
Reef – I´ve got something to say
Reef – Sweetie
Garbage – You Look So Fine
Garbage – You Look So Fine

 

 

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e depois nos avise!

 


Gentileza prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em tamanho maior no blógue do amigo.

 


Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 

 

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