|
|
21 /07/2004
- Edição número
85
Teoria
dos "Raiozinhos do Amor"
|
| |
|
|
|
Algo
que escrevi originalmente em 29 de abril de 2001,
um Domingo, às 22:36:
"Eu
já gostei mais da Xuxa
do que eu gosto agora, mas tem uma coisa que ela
disse uma vez, ainda no antigo Xou da
Xuxa, que é algo mais ou menos
assim:
“Como seria
bom se todos nós tivéssemos um botãozinho
no corpo que, quando apertado, nos faria imediatamente
amar uma pessoa, e gostar tanto dela quanto ela
de nós.”
Infelizmente não temos esse botãozinho,
então, em alguns casos nos resta amar sem
ser amados, ou deixar que nos amem enquanto tentamos
retribuir pelo menos em parte o amor que nos é
oferecido.
Essa coisa de amar sem ser amado me fez criar,
um dia, uma teoria: a “Teoria dos
Raiozinhos do Amor”. Segunda a
minha teoria, o Amor sempre é
bidirecional, ou seja, ambas partes mandam “raiozinhos”
de amor uma em direção à
outra, que se entrecruzam. Quanto maior o entrecruzamento
desses raiozinhos, maior é a afinidade,
a cumplicidade, o respeito, a admiração,
enfim, o Amor. Quando as pessoas,
pelas agruras da vida, surgimento de “intercorrências”
ou outros tantos motivos, começam a diminuir
a intensidade dos seus “raiozinhos”
de amor ou mesmo mudar a sua direção,
para um outro alguém, para o trabalho ou
até para si mesmo, isso deixa de ser amor.
Isso passa a ser sentimento de posse, ciúme,
paixão (por parte da parte (desculpem a
cacofonia) que ainda manda seus “raiozinhos”
em direção ao seu objeto de desejo)
ou o nome que vocês quiserem dar. Mas não
é mais Amor. É uma teoria. E só.
Como isso é para ser uma regra (e toda
regra tem uma exceção), ela tem
uma exceção, e uma só: no
caso do Altruísmo: o Amor
é um sentimento altruísta, quer
o bem sem olhar a quem e sem esperar nada em troca.
Nesse caso, no do Altruísmo
(que é uma forma de Amor)
não é necessário que a outra
parte esteja mandando os “raiozinhos”
de amor em direção à parte
altruísta - mesmo por que às vezes
esta nem mesmo fica sabendo quem foi o responsável
por tal ato de bondade e amor – basta estar
receptiva aos “raiozinhos” da parte
benfeitora. É bom lembrar que, no caso
desta exceção, na verdade o Altruísmo
que está mandando os “raiozinhos”
de amor para tudo que é lado na verdade
está sendo correspondido: está sendo
correspondido por “raiozinhos” de
amor do Ambiente, pois tudo aquilo que fazemos,
de alguma forma retorna a nós, cedo ou
tarde, de alguma forma (ATENÇÃO:
ISSO É UM DOGMA! CUIDADO COM OS DOGMAS!!!).
Já dizia Newton: a toda ação
cabe uma reação de força
igual a ela mas em sentido contrário.
Ainda sobre o Altruísmo,
me lembrei de algo que, acho, Nietsche escreveu
(li isso quando fiz um trabalho para a cadeira
de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente
na Faculdade de Medicina, acho que no terceiro
semestre): segundo ele, o motivo último
da vida é a Vontade de Poder.
Para tanto, todos os seres vivos, sem exceção,
desde os unicelulares até o ser humano
busca sempre o melhor: ser mais rápido,
mais forte, mais resistente, mais ágil,
mais inteligente, mais apto a sobreviver, sobrepujar
os outros para alcançar o poder e dessa
forma garantir sua sobrevivência. Sabe que
eu concordo com ele? Lembram daquela parábola
que eu contei mais acima sobre os dois homens
na ilha deserta? Poder é sinônimo
de sobrevivência nesse contexto."
Lendo
este texto hoje, me parece um pouco bobo.
Lendo
este texto hoje. Parece que ainda guarda algumas
palavras que juntas fazem sentido.
Lendo
este texto hoje, decidi que era ele mesmo que
iria colocar neste espaço.
Lendo
este texto hoje, vi que deveria ter escrito esse
ao invés de este nesta frase e nas anteriores.
Lendo
esse texto hoje, tomando vinho branco argentino,
vi que não detesto nossos hermanos (nem
ao seu vinho).
Vamos
a mais um texto do Luiz Emanuel e da sara, ao
retorno do Alessandro da FLIP e aos sempre bótimos
textos de nossos estimados colunistas!
Rafael
Luiz Reinehr
"Só
se ama o que não se possui completamente
"
Marcel Proust
"Amar
não é olhar um para o outro, é
olhar juntos na mesma direção"
Antoine de Saint-Exupéry
"Saber
amar não é amar. Amar não
é saber"
Marcel Jouhandeau
|
subir
República
dos Pampas, vista de Sampa
Luiz Emanuel S.
M.Campos |
|
Os
gaúchos nunca conseguiram o que todos queriam
mas poucos assumiram, sua própria república,
isto é, não oficialmente, mas, se
uma nação é formada por um
povo que compartilha uma mesma nação,
ignorando a política, hoje mais que nunca
existe sim a República dos Pampas.
Começou
com uma brincadeira, um opiniário quinzenal
chamado O Pulso, logo, Simplicíssimo, logo
uma editora de RPG, Jambo, grandes lojas, uma
revista
especializada em cultura, moda e comportamento
gaúchos, Type, mas tudo isso não
é para menos, um povo maravilhoso, trabalhador
e íntegro, que outras
características seriam necessárias
para formar um povo?
E
além disso eles têm Veríssimo,
dois deles! Têm o Zero Hora, o mais cultural
dos diários, têm Eduardo Nasi, Carpinejar,
Marta Medeiros, Grêmio, Atlético
e
até uma cidade européia inteira
chamada Porto Alegre. Escritores, artistas e tantos
e tantos outros, além de sua própria
feira de livros anual, em outubro,
universidades, estudos e incentivos aos estudos.
Só
não têm as fronteiras geo-políticas
traçadas em mapas mundo a fora mas, pensando
bem, isso faz alguma falta? Longa vida à
República dos Pampas, e que os outros não
a invejem, a imitem e cresçam também.
|
subir
Pequenas
resenhas canalhas
Maurício
Silveira dos Santos |
|
Amor
e Malandragem na Roma Antiga
Este é o livro que eu gostaria de ter lido
aos 15 ou 16 anos de idade. Só o encontrei
lá pelos 26. Era tarde demais. Por esta
razão, se um dia vier a ter um filho, vou
presenteá-lo solenemente com a obra e incentivar
uma leitura atenta da doutrina que Ovídio
nos deixou.
Trata-se
de “A Arte de Amar”, livro dividido
em três partes, que “ensina”
os métodos ou artimanhas para se dar bem
nos caminhos e descaminhos das vivências
amorosas. Ovídio, nascido no ano 43 a.c.,
foi poeta pela mais absoluta vocação,
bon vivant, adorador da vida leve e festiva, amante
das mulheres, despreocupado com política
ou temas profundos, essenciais ou angustiantes;
um Don Juan sob o império de Augusto. Por
outro lado, sua face algo fútil e mundana
não podem obnubilar nossa visão
crítica de que ele compôs uma obra
poética admirável e de que em “A
Arte de Amar” foi exímio psicólogo
do cotidiano. Poucas centenas de anos antes do
cristianismo oficial estender sua nuvem negra
de moralismo, culpa e repressão sobre os
impulsos sexuais e sobre a arte erótica,
Ovídio faz com que o leitor se delicie
com suas “prescrições”
para conquistas amorosas e sua “sabedoria
de boteco” que pretende sempre obter resultados
práticos nas escaramuças da corte
amorosa. Rapazes, leiam este livro! Mocinhas,
adquiram seu exemplar o mais rápido possível
e vocês vão encontrar por escrito
tudo o que já têm praticado há
tempos. Aliás, um dos pontos mais interessantes
da obra é ver como os milênios passam
e algumas coisinhas mudam muito pouco...
Já escrevi demais e me sino na obrigação
de deixá-los com uns trechinhos, boa leitura:
“A
noite e o vinho são maus conselheiros
para julgar a beleza... nessas horas qualquer
mulher parece bela.”
“Procura,
antes de tudo, conquistar a boa vontade da escrava
daquela que queres seduzir.”
“Perguntas-me
se seria conveniente seduzir também a
criada. Esta é uma prática arriscada.”
“...
a mulher domina a arte de espoliar o amante
apaixonado”
“Não
crie, todavia, o hábito de frisar o cabelo
a ferro, nem alise com pedra-pomes as pernas.
Deixa tais coisas para quem, como os Frígios,
aos gritos se consagram a Cibele.” ( ps-
os sacerdotes de Cibele eram eunucos)
“Aos
homens só convém uma beleza sem
enfeites.”
“Os
homens devem agradar apenas pela elegância
discreta... o cabelo bem aparado, não
arrepiado... as unhas cortadas e limpas e que
não haja pêlos a sair pelas narinas...
e que um odor de bode não agrida...Todo
o resto deixa para as mulheres lascivas ou para
aqueles que procuram o amor de um outro homem.”
“E
promete sem timidez, pois as promessas prendem
as mulheres!”
“Não
é para os ricos que dou lições
de amor; quem pode presentear não precisa
delas”
“O
amor é uma espécie de serviço
militar. Arredai-vos homens covardes! Não
são os pusilânimes que devem levar
os estandartes.”
“Se
teus atos, apesar de feitos às escondidas,
vierem a ser descobertos, mesmo assim nega-os
até o fim.”
“Quando
estiver bastante irritada e te parecer uma inimiga
declarada, pede-lhe para firmar o armistício
no leito. Ela se acalmará”
“...mulheres,
... pensem desde agora na velhice que fatalmente
virá; assim, não deixem passar
um só momento sem aproveitá-lo.”
“Tenho
que avisá-las que o cheiro de bode não
deve exalar de vossas axilas, nem as vossas
pernas devem estar cobertas de pêlos ásperos.”
“Até
que ponto chega a arte? As mulheres aprendem
a chorar convenientemente; derramam lágrimas
quando e como querem.”
“Evitai,
todavia, os homens que exibem sua elegância
e beleza e que nunca têm um cabelo fora
do lugar. O que agora vos dizem, já o
disseram a mil outras.”
“Não
vos deixeis iludir pelos cabelos brilhantes
de essência do nardo, nem pela delgada
correia do sapato meticulosamente colocada.”
“E
vós também, mulheres, examinai
as aptidões dos homens para saber o que
convém a cada um, para que cada qual
ocupe seu lugar. O rico dará presentes;
o jurisconsulto dará seus conselhos;
o eloqüente advogado defenderá sua
cliente; nós, os poetas, enviaremos tão
só os versos que fizermos”
“Mantém
junto de ti o novato, presa tenra que admitiste
no leito.”
“Pedir
um presente ao teu amante depois dos prazeres
de Vênus, é não querer que
o pedido surta efeito”.
Aí
está um pouco do que Ovídio tem a
nos ensinar, querem mais? Então parem de
gastar tempo lendo este resenhista canalha e vão
buscar literatura de verdade simplileitores! Abraço
a todos e até mais.
|
subir
Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia |
|
Parati
Paramim
Fazendo
já mais de uma semana que estou de volta
a Porto Alegre, ainda não consegui me desvencilhar
das lembranças de Parati (e lá eu
quero isto?). Experiências transcendentais?,
perguntará um. E ainda que eu negue, explicar
do quê, afinal, estou falando, também
é tentativa muito tentada e pouco alcançada.
Simplicíssimo parece ser o lugar certo
para se tentar, no entanto, traçar ao menos
algumas linhas que possam esclarecer aos outros
e a mim o que veio a ser a FLIP nestes plenos
dias de julho. Afinal, parto do pressuposto que
os leitores, tal qual os autores aqui, são
interessados por literatura e por tudo o que a
envolve.
E talvez a FLIP seja exatamente isto: a literatura
e tudo o que a envolve. E tudo hoje, em se tratando
de literatura, vai muito além da visão
romântica de escritores apoiados em mesas
de bar à noite debatendo acerca do mal do
século. Vai além mas não exclui
isto. Por que se montou um cenário tamanho
em relação ao livro e ao seu consumo
no Brasil, e isto foi especialmente mostrado nesta
Festa, que, àqueles que observaram estarrecidos
às dezenas de inserções nos
programas da Globo dos detalhes da Festa Literária
Internacional, esclareço não ser exagero.
Em uma época em que a imagem tanto mente,
não houve ângulo favorecedor, multidões
montadas ou falsos rebuliços em mesas de
debate. Como acompanhante in loco de todo
o processo, sou testemunha de que a FLIP foi aquilo
mesmo o que foi mostrado. Na segunda edição,
afirmou-se como a Festa Literária de maior
sucesso no Brasil, capaz de desmitificar a literatura,
apresentando-a livre de invólucros que somente
entorpeciam sua chegada junto ao público
médio. O sonho de todo apaixonado pela literatura.
Se
parece nocivo que se misture a histeria que comumente
se oferece a pop stars a uma celebridade
que hoje se divide entre os ofícios de compositor,
cantor e escritor, e em um festival de literatura,
a mim parece que, mais do que prejudicar um possível
cenário literário que se decidia pela
intelectualidade extrema, mesmo pontos como estes
servem para tornar mais acessível e menos
acadêmico os debates que se abrem a partir
de tais perspectivas. Não esquecendo que,
apesar de muitas vezes ser tomada genericamente
como a grande atração da Festa –
e mesmo podendo ser! – a presença do
supracitado, a saber (e quem não sabe?) Chico
Buarque e seu Budapeste, foi, na realidade
um acepipe, como um morango a decorar esta imensa
e saborosa torta que foi a FLIP.
Por que a FLIP foi além disto. Em frente
aos telões que transmitiam a mesa de debates
entre Chico Buarque e Paul Auster (Noite do
Oráculo, A Invenção da Solidão,
Trilogia de Nova Iorque...), a última
e mais disputada mesa (e que, mesmo na “altura”
de minha condição de participante
da oficina de romance ministrada pelo escritor Milton
Hatoum – Relato de um Certo Oriente e
Dois Irmãos – que até então
me tinha possibilitado participar de todas as outras
mesas sem ingresso), a qual tive de assistir da
Praça da Matriz, me bateu em certo momento
sentimento de extrema clareza que me fazia, olhando
às centenas de pessoas abancadas da maneira
mais confortável pela praça, em cadeiras
de praia, toalhas e etc (à noite!), me perguntar
que doida magia é esta que faz com que tantas
pessoas possam se interessar por debates literários
de maneira tão apaixonada quase como final
de campeonato de futebol.
O tipo de pergunta que, se você quer ficar
doido, pode fazer a todo o momento, tantas são
as pessoas que transitam naquela cidade, atraída
pelos cinco dias de festa de celebração
ao livro e à literatura. Dias em que os escritores
se mostram acessíveis a passear sem constrangimento
pelas escorregadias pedras de Parati, a tomar cerveja
nos diversos bares e a jogar conversa fora com seus
leitores. Dias em que é possível crer
que, em algum momento, absolutamente TODAS as pessoas
que participaram da FLIP passaram pela Praça
da Matriz e sua fatídica esquina dos bares
em algum momento e/ou estancaram à procura
de alguém ou esperando serem encontrados.
Esquina tão propícia para ver Luis
Fernando Veríssimo sem grande esforço,
para as moças se encantarem com o charme
rebeldão de Angeli, para ver Scliar caminhar
se atrapalhando com as pedras, para cruzar com Joca
Terron, para contemplar a afobação
de Flávio Pinheiro – o diretor de programação
da Festa - e para ser abraçado pelo genial
Marcelino Freire.
Parati
é lembrança de encontros e acertos
de última hora. Chutando pedras escorregadias
pelo seu centro histórico, encontrava companheiros
de oficina e combinava quais mesas de debates compartilharíamos,
em que tenda as assistiríamos. Mesmo que
não tenha sido a fantástica Rosa Montero
(A Louca da Casa) a arrancar gritos ensandecidos
de fãs (e os homens são realmente
mais comedidos nestas horas) e Chico Buarque tenha
sido uma estrela que ofuscou um tímido Paul
Auster, que se dane! Parati é paratodos (e,
inclusive, é para trocadilhos!). Para contemplar
e se deliciar com a leitura de uma dulcíssima
Adriana Lisboa, para se perguntar o que faz Gugu
Liberato caminhando pelas ruas, para rir com o bom
humor de Jeffrey Eugenides e para conhecer Lídia
Jorge.
E,
mais do que isto. Parati paramim foram noites misturando
cerveja com capeta e madrugando em conversas que
iniciavam com considerações sobre
o cinema de Truffaut e Godard, tangenciavam as lendas
urbanas e as tramas inacreditáveis de filmes
“C” e acabavam em análises aprofundadas
sobre os episódios de Chaves. Parati paramim
foi conhecer nomes que não passavam de caracteres
em livros lidos. Beber no mesmo bar que Marçal
Aquino, orelhar uma conversa de Luiz Vilela na mesa
ao lado, ler Mara Coradello e Tony Monti com os
próprios ao lado e lhes dizer o que achei
dos seus livros (e, sem precisar mentir, dizer que
gostei muito: sorte que eram Mara Coradello e Tony
Monti). Parati foi acordar tarde demais para a foto
da Folha de S. Paulo e não passar de uma
perna e um braço no canto da fotografia.
Foi saber que os mistérios para um bom romance
estão, mais do que pensamos, no fato de começar
a escrever um bom romance. E que curvas senóides,
gráficos e fórmulas claras podem resultar
em um bom livro. Ou não. Parati paramim foi
dar entrevista sobre os rumos da literatura contemporânea
de dia e conversar francamente sobre os mistérios
insolúveis da mulher à noite (e madrugada
adentro, orgulhoso de sermos os últimos a
deixar a Praça da Matriz!), equilibrar-me
sobre as pedras do calçamento e pechinchar
destilados doces na barraca do capeta e, bêbado,
chegar a conclusões que, provavelmente me
acompanharão vida afora.
Parati
paramim definitivamente foi conhecer seres de
carne e osso que deixam de ser links
que se cruzam eventualmente com meus links para
tornarem-se, claramente, pessoas cujas vidas cruzaram
com a minha em algum momento e que, a partir daquele
momento, deixaram-me lembranças e sentimentos
fantasticamente bons no coração.
E será maravilhoso se eu tiver lhes deixado
algo bom também.
|
subir
en
passant
Eduardo Hostyn
Sabbi |
|
Feliz
Dia
Vou
contratar uma secretária. Na verdade o
melhor nome seria uma datária. Datária,
isso mesmo. Uma pessoa especializada em guardar
datas especiais. E de me lembrar delas obviamente.
Tudo por causa do dia do amigo. Como pude esquecer
disso? A propósito, vou ver se ela pode
ligar para os meus amigos e dizer que eu desejo
um Feliz dia e blá blá blá
... Começo a pensar que tudo e todos têm
seu dia. E alguns dias parecem ter até
mais de uma comemoração. É
um Feliz dia disso e daquilo prá todo lado.
Amigo
tem, inimigo talvez não. Passaria também
a sogra em vão? Idoso, avô, pai e
mãe, não tem idade. Tem pra consciência
negra, mas e a irracionalidade? Aniversário
de Fulano, Ciclano e Beltrano. Até o cavalo
tem seu dia no ano. Dias santos, domingos e feriados,
morre esse, vive aquele e vem finados. Natal e
Páscoa, hmmmm tem chocolate. E aqui no
Sul sempre é dia de mate.
Na
pesquisa virtual da Internet, o site Educacional
é um prato cheio. Minha dataria vai adorar.
Trabalho para o ano inteiro. O problema será
todo início de mês, quando ela vier
me lembrar que é dia de pagar o salário
dela. Mas já que tem dia pra tudo, deve
ter o da pendura. Ela vai aprender com o passar
do tempo. Falando nisso, aí vem o meu aniversário
e ai dela se não lembrar. Será justa
causa com certeza. Profissão difícil
essa hein? Ah, antes que eu me esqueça,
um Feliz dia para você, seja lá o
que se possa estar comemorando.
|
subir
I-racional
Pedro Armando Furtado
Volkmann |
|
De
Ré Na Contra-Mão
Violentos
Haikais 5/X
Digo, meu caro
minha vida vale
mais do que um carro
SERÁ
QUE POESIA
SEM RIMA
É ÉTICA?
“Será
que ao falar das inter-relações
de ética, estarei sendo antiético
com certas agremiações esportivas?”
Neste assunto sou
C-ético
Pois não acredito
Em meias verdades
Vagueio pelas Cidades
Em busca de um veredito
Já ando até meio Caqu-ético
Vou tomar um Diur-ético
Para parecer Atl-ético
Não quero ser ético
(nem comigo mesmo)
Posso parecer Pat-ético
Mas até Deus
Fez dos seus
E Zeus,
Nem pensar
Mandou matar
Com a vida acabar
Seria isto Pó-ético?
(viemos do Pó ao Pó voltaremos)
Uma decisão
nada Herm-ética
De descobrir o que a Pol-ítica
Tem com isto
(Pelo menos as 4 últimas letras)
Os cirurgiões
Em nome da Est-ética
Deixam mulheres Esquel-éticas
Criadores de ilusões?
E as organizações,
Não sofrem sansões?
Neste ritmo Fren-ético
De elucubrações?
(de formas de lucrar, mais e mais?)
Em muitos lugares
E lares
A ética
Está aid-ética
E sem AZT
Para ser Sint-ético
E Ecl-ético
Vou parar por aqui.
Acredito
em uma ética maior
E para não rimar
Que não sei quando as organizações
Podem alcançar. (ops)
|
subir
Diálogos
com Deus
(XIV)
Rafael Luiz Reinehr |
|
As
férias de Deus (I)
Pois lá estava ele, em Copacabana, estirado
em sua cadeira de praia, óculos escuros
e calção de banho vermelho, chapéu
de palha e bebendo água de côco.
Maria havia saído para caminhar e Jesus
jogava num fliperama ali perto.
Àquele momento, já o haviam confundido
por mais de uma vez com o Hermeto Pascoal, e para
evitar explicar toda história novamente,
já estava até dando autógrafos
em nome do multi-instrumentista.
Finda a água de côco, olhou de sobrolho
para a direita e passou a admirar a bela vista
que aquela praia carioca com suas “meninas
do Rio” proporcionava. Já esboçava
um pequeno sorriso em seus lábio e preparava
um sonoro “fiu-fiu” quando percebeu
que uma sombra se insinuava por sobre seus ombros.
Era Maria. Havia segurado o assovio bem a tempo!
- Já não era sem tempo Maria! Estava
sentindo sua falta!
- Ah é? Que amor, meu bijuzinho! Só
você mesmo para ser assim tão descarado!
Vai dizer que não estava olhando para o
traseiro daquela morena ali adiante?
- Traseira? Morena? Onde?
- Que cara-de-pau!
(continua...)
|
subir
Eu
e o outro
Há um poema que diz: "Cristo
não tem pés, só os nossos
pés para conduzir pessoas em seus caminhos".
O cristão é, por excelência,
alguém que está a caminho. Nessa
jornada, somos instrumentos de Deus.
Somos
a presença d´Ele neste mundo. E temos
da parte de Deus a promessa de que Ele guardará
e protegerá todo aquele que se dispõe
a caminhar em direção ao próximo.
Sem vacilar podemos colocar-nos a caminho, pois
Ele guardará nossos pés.
Podemos assumir a tarefa de sermos um Cristo para
o outro, como disse Lutero.
Sua
proteção é mais forte do
que as dificuldades do dia-a-dia.
A promessa de que Ele nos guardará nos
anima a caminhar lado a lado com no irmão
e a irmã para, então, conduzí-los
no caminho que leva a Deus.
Se
tivermos essa disposição, Deus nos
livrará da prisão do eu, de querer
caminhar apenas em direção ao crescimento
pessoal, sem pensar nos outros; de querer subir
na vida de forma egoísta, pisando sobre
os outros.
Os
nossos pés são uma dádiva
de Deus que devem ser usados como instrumento
de crescimento, de ajuda e não para oprimir
aquele que está ao nosso lado e conta conosco.
Lembre-se: Deus quer libertar-nos do egoismo e
quer que nos voltemos para o próximo.
Permita
que Ele aja em sua vida.
Que possamos sempre confiar na promessa de que
Deus nos guardará, sejamos instrumento
em Suas mãos.
Sigamos caminhando, proclamando e fazendo o bem
por ande andarmos.
|
subir
Sentados,
calados. Olhando através da janela da vida.
Entreaberta para os que quiserem realmente sentir
a brisa da história.
Permanecem
sentados, mas não mais calados, pois ali
passou o furacão do conhecimento.
Pensamentos de seres que não mais se conformam
com o estático, com o mudo.
Palavras
e ações lhes faltavam para serem
mais humanos.
O órgão que não quer calar,
a língua que cura e fere.
A história nunca mais será a mesma.
O
invisível é poderoso, o ar musicando
o pensamento.
Ou será o pensamento musicando o ar?
A música pensando amor.
O
espaço da sala já não está
tão vago, a janela permanece aberta.
Cresceu o seu tamanho, as cortinas foram arrancadas.
A brisa as levou.
|
subir
Ombudsman
Marcos
Claudino |
|
Minha
nossa, mas como isso passa rápido...Parece
que escrevi meu último textículo
há umas duas horas atrás, no máximo,
mas já passaram-se 14 dias... O tempo anda
viajando através da luz, como fazia nosso
amigo Prot, vindo de K-PAX... Se é assim,
passo adiante a comentar a edição
84, com muito prazer...
Preciso dizer antes de mais nada, que, entre todas
as boas características que encontro nesse
espaço, a falta de compromisso é
uma das mais marcantes. Temos liberdade, e nos
entendemos. É como uma “sociedade
alternativa” do Raul, que funciona. Disse
isso para comentar o texto do amigo Rafael, nosso
chefe do Estado Maior da Mente. Uma experiência
e tanto. O que sairia se escrevêssemos tudo
o que viesse em nossa mente, em determinado ambiente,
com determinado fundo musical... Confesso que
cheguei ao final, pela minha admiração
pelo amigo, pois, em determinado momento, perdêmo-nos
um pouco na lógica (ou falta dela, por
assim dizer). Agora, espero que todos tenham chegado
ao fim, para ganhar de presente a guerra das cores,
no crepúsculo, premiando o leitor, desaniviando
as dúvidas, e deixando-nos com vontade
de ver o pôr do sol...
Daiana Silva traz-nos suas idéias sobre
a religiosidade. Na verdade, amiga Daiana, todas
as religiões começam realmente com
todos esses bons propósitos. Igualdade,
fraternidade, busca do criador, comunhão
com o universo, enfim, tudo de bom. O problema,
é que foram feitas por homens, administradas
por homens, e freqüentadas por homens...
A maioria ainda não entendeu o real propósito
delas, e a usa para dizer à sociedade que
está de bem com o mundo, ou mesmo enganar
a si mesmo. Falta essa real religiosidade em todos
nós, basta ver à nossa volta a quantidade
de desigualdade social... Ao contrário
do amigo que comentou que o sítio tornou-se
espaço de auto-ajuda, concordamos todos
que muita coisa está fora da ordem, entre
essas coisas, a idéia de religião
que herdamos... Ótimo texto...
O querido Eduardo Sabbi desabafa... Ainda bem
que o neurônio insistiu para falar-nos,
irmão... Confesso que, entre tantos e tantos
problemas, nosso presidente tem um problema grave
com as palavras. Essas frases de efeito eram muito
úteis nos tempos de campanha. Ditados fáceis
de guardar, bem postados pelo Duda Mendonça,
mas que agora, ou há bom tempo, já
encheram nossa paciência... Realmente, se
o presidente não entende, que diríamos
nós? O que esses caras ainda não
entenderam, é que não queremos ver
feito apenas o que eles acham que dá, mas
queremos ver o impossível, que eles mesmos
prometeram, pois nossa burrice não nos
deixa respirar sequer...
Pedro Volkmann vem de ré na contra mão...
Exemplifica num diálogo alguns aspectos
do momento e jeito da criação. Não
há fórmulas mesmo, pois não
há pessoas iguais, e, por conseqüência,
não há reação igual
a qualquer texto. Legal acompanhar o desenrolar
da conversa, legal saber que tenho muito ainda
a aprender. Legal saber que não estou doido
sozinho, e que ser esse doido é bem legal...
E os diálogos com deus trazem o vazio das
férias do criador. Bom foi ler os comentários,
onde conseguimos desvendar o destino do Onipotente
que, ao que parece, não resistiu aos apelos
da sociedade consumista, e adentrou de cabeça
na Vênus Planitada...
E chega Luiz Maia, com as esperadas utopias. Solidão
pode ser um mal, mas alguém acreditou que
é de toda má. Bem elucidado pelo
amigo Luiz, a solidão planejada é
necessária, reorganiza pensamentos, idéias,
posturas e planos. E volta o Cezar a propestar
a auto-ajuda apresentada. Pois é, Cezar,
já que não temos compromisso com
estereótipos, podemos nos sentir totalmente
à vontade, certo? Inclusive você...
Marcelo Adifa chega com seus versos melodiosos.
Como bem comentou o Eduardo, nada preso a definições
de construção pré-estabelecidas.
Ao que parece, nosso amigo deixa apenas o sentimento
tomar forma, e é totalmente fiel a ele,
nada mais... Que mais se esperar de um poeta?
O campanheiro Alessandro Sachetti vem curto, mas
eficaz... Bom como sempre, vai direto ao assunto,
e juntos aprendemos a cumprir nossos papéis...
Enfim, pessoas, continuamos aprendendo, exercitando,
questionando e vivendo o propósito desse
sítio, que é o propósito
de nossas próprias vidas, ou seja, de fazermos
exatamente o que acharmos melhor, mostrarmos exatamente
o que queremos, ou não, e sermos felizes,
finalmente, ou não...
Até a próxima!!
|
subir
E
o grande vencedor do Super Desafio Simplex
foi:
Alessandro
Sachetti,
de
Cândido Mota, São Paulo!

A
Lista dos Competidores que pontuaram:
Alessandro
Sachetti (Cândido Mota - SP) -
1000 pontos
Luciano
Trevisan (Júlio de Castilhos
- RS) - 240 pontos
Luiz
Antonio Ribeiro (Petrópolis -
RJ) - 90 pontos
Daniel
Rech (Porto Alegre - RS) - 60 pontos
Corina Abreu (Rio de Janeiro - RJ) -
20 pontos
Rebeca Campani Donazar ( Porto Alegre
- RS) - 10 pts.
Pedro Volkmann (Porto Alegre - RS) -
10 pontos
Diego Altieri Silveira (Sapucaia do
Sul- RS) - 10 pontos
Roberto Iukio Iwai (São Paulo
- SP) - 10 pontos
Como
somente 9 competidores pontuaram, nosso
primeiro colocado terá direito
de escolher 2 grupos de CDs entre as
Coletâneas, Rock Internacional,
Miscelâneas, Singles Importados
da Inglaterra, Pop & Rock Nacional,
Reggae & Ska, Blues & Jazz,
MPB & Nacional, Disco/Funk e Clássicos.
SEGUE
A LISTA COMPLETA DOS CDs (o primeiro
a escolher o grupo de CDs é,
obviamente, o vencedor da gincana, passando
consecutivamente ao segundo e terceiro
lugares e assim consecutivamente, até
encerrarem os 10 grupos de premiação).
O
Alessandro escolheu:
Rock
Internacional
Sixties
– UK
Woodstock Festival 1994
Dick Dale – Calling Up Spirits
The Doors – When The Music is
Over
Metallica – Live in Concert
Bob Dylan´s Greatest Hits
The Wonders – That Thing You Do
10cc – The Collection
The 60´s Greatest Hits
e
MPB
& Nacional
Chico
Buarque – MPB Compositores
Catálogo dos Novos Talentos da
MPB
Gilberto Gil – Quanta
Caetano Veloso – Sem Lenço
Sem DocumentoChico Buarque – Instrumental
20 Preferidas – Bossa Nova
Tropicália 30 anos
Jorge Bem Jor – Música
para tocar em elevador
Demônios da Garoa – Esses
divinos
Vinícius de Moraes e Chico Buarque
– A Arte do Encontro
20 Preferidas – Toquinho
O
Luciano escolheu:
Blues
& Jazz
Blues
& Soul – vol 2
Blues Invention – British
Sound The Trumpets – Gold Encore
Series
Isley Brothers Greatest Motown Hits
Jimmi Whiterspoon – Cry The Blues
Quinteto Onze e Meia
Jazz – Saxfaction
O
Luiz Antonio escolheu:
Pop
& Rock Nacional
Ultraje
a rigor – 2 é demais
RPM – Rádio Pirata
Cazuza – Ideologia
Devotos de Nossa Senhora Aparecida
Utopia – Edição
Histórica
Barão Vermelho – Os dois
primeiros
Inocentes – Subterrâneos
O
Daniel Rech escolheu:
Coletâneas
Acervo
Especial Rock
20 Preferidas Italianas
Globo Special Hits – 2
Rock Stars
Coletânea ShowBizz
Video Music Brasil 1996
A Música do Século 1,
2, 6
Novela em CD – melhores temas
Rock Reflections
A Revista Rock – 89
Os Incríveis Anos 50, 60 e 70
A
Corina Abreu escolheu:
Disco/Funk
Dee
Lite – Dewdrops in the Garden
Funk BrasilThe Disco History
Groove Brasil
Funkín Soul – The Best
Of
Partie Dancing – Around The World
Discoteca Folha da Música Brasileira
– Dance
Depeche Mode – Ultra
Cartoon Networks Dance
Édson Cordeiro – Disco
Clubbing ao Vivo
O
Pedro escolheu:
Miscelâneas
De
Las Alturas
Roger Whittaker
Sepultura – Chaos A.D.
Tutta Itália
Os Bons Tempos Estão de Volta
Rei Roberto e Erasmo Cantam
Molotov – Apocalypshit
Orquestra Românticos de Cuba –
Romance no Cinema
Saturday Morning – Cartoons Greatest
Hits
Fats Domino – The Best Of
Grupo Raça – Jeito de Felicidade
De Ros – Universe
De Ros – Ad Dei Gloriam
Richard Powell
O
Roberto escolheu:
Reggae
& Ska
Inner
Circle – Forward Jah Jah People
The Reggae Collection – Keep On
Moving (1 a 4) importado da Inglaterra
Mestres do Ska
O
Diego escolheu:
Clássicos
Os
Grandes Clássicos – Ludwig
van Beethoven (1,2,3)
Vozes da Tranqüilidade (2 CDs)
Dvórak
Elgar
Sobrou
para a Rebeca:
Singles
Importados da Inglaterra
Reef
– Sweetie
Reef – I´ve got something
to say
Reef – Sweetie
Garbage – You Look So Fine
Garbage – You Look So Fine
|
subir
www.simplicissimo.com.br
Copyright © 2003 - Rafael Luiz Reinehr - Todos os direitos
reservados. Sinta-se à vontade para reproduzir os
textos do site, mas não esqueça de citar a
fonte e o autor.
|
|
Pegue
o banner
do Simplicíssimo
e divulgue em seu
sítio ou blógue!

Línque
para
http://www.simplicissimo.com.br
e depois nos avise!

Gentileza
prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto
Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de
mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em
tamanho maior no blógue do amigo.
|

Selo
comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em
2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
|
|