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28/07/2004
- Edição número
86
Crônica
do Crítico Literário
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Crônica
do Crítico Literário
Comece dizendo que
o autor foge do hiper-realismo. Que mantém
uma escrita sóbria sem concessões
ao coloquialismo excessivo.
Siga afirmando que não usa linguagem chula
nem escatológica, tão comum em nossos
dias que está prestes a formar uma nova
corrente.
Diga que é um representante legítimo
do ideário contemporâneo. Se escreve
textos curtos, diga que são fortes porque
concisos. Se os textos são longos, diga
que são fortes porque se esmeram em detalhes.
Lembre o leitor que (não) há nuances
de experimentalismo.
Se for um contista, diga que os contos de Fulano
de Tal invadem a realidade, recriando-a num espelho
de múltiplas faces.
Em caso de romances, afirme que nos textos do
autor, o leitor é convidado a participar,
quer seja pela ambigüidade intencional do
discurso ou pelo “subtexto tramado com perícia”,
acentuando que esses são “reflexos
óbvios da prática do conto”
(se o autor não for conhecido por seu trabalho
como contista, suprima este trecho ou insinue
que o mesmo tem um manancial de contos guardados
em suas gavetas).
Se possível identifique algum cacófato
e o enumere.
Refira que o autor usa (evita) doses maciças
de humor, privilegiando o trocadilho, a metalinguagem
e a paródia.
Para concluir, diga que o autor consegue com primor
evitar filigranas e pirotecnias, usando adequadamente
a força intrínseca das palavras.
Termine com “O escritor Fulano de Tal mostra,
assim, consciência de seus instrumentos
de criação, mantendo a coerência
durante toda sua obra”.
Na próxima crítica, ajuste o nome
da obra e do autor, inverta a ordem de aparecimento
das sentenças e dê uma enfeitada
aqui e acolá com passagens da obra e pronto:
mais uma crítica literária fresquinha
estará saindo do forno!
Rafael
Luiz Reinehr
"O
crítico deveria descrever e não
prescrever
Eugène Ionesco
"Não
é necessário que um autor compreenda
aquilo que escreve. O críticos encarregar-se-ão
de lho explicar
Antoine Prévost
"Um
crítico é alguém que conhece
a estrada mas não sabe conduzir
Katherine Tynan
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A
Mulher Feia
Mauro Rodrigues |
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Estava
com uns amigos admirando a beleza feminina. É
mesmo incrível a infinidade de maneiras
que uma mulher tem para ser bonita, linda, maravilhosa.
Após comentar algumas das infindáveis
qualidades que fazem de uma mulher um ser belo
e único, desfilamos pelo lado negro da
femininidade.
Os comentários foram acontecendo com naturalidade
e me desliguei dos acontecimentos. Me coloquei
como observador e comecei a catar alguma característica
feminina que me fizesse afirmar: \"Essa realmente
é feia!\".
Comecei pelas minhas preferências, procurando
eliminar alguma e concluir pela feiura, mas apenas
uma estando presente já elimina a candidata
do título -feia.
Passei por gordinhas, saradas, surfistas, tímidas,
velhas, assanhadas, fáceis, difíceis,
mas nada foi totalmente exclusivo. Sempre restaram
qualidades que me
deixavam a mercê de admirá-las. Enquanto
os comentários não saiam muito dos
atributos acima, tive um lampejo e soltei no meio
do grupo:
- Se feiura é algo anormal, repugnante,
que torna insuportável a visualização
da cena, mulher feia, para mim, é aquela
que fuma.
Os protestos foram imediatos, desde os fumantes
até aqueles que não fumam. Como
eu poderia fazer um comentário daqueles?
Quer dizer que preferia uma velha
gorda, cheia de varizes a uma linda garota de
20 anos fumante? Só se eu fosse louco.
Talvez eu seja mesmo. Mas se uma mulher estiver
velha, gorda e cheia de varizes poderá
ser uma boa companheira, não para esta
fase da minha vida mas um dia também terei
meus defeitos físicos aumentados pela idade.
Mas se ela estiver velha (é inevitável),
magra e sem varizes (quase inevitável)
e fumar a questão fica impraticável,
impossível.
É assim que vejo mulheres feias, mulheres
fumantes. Podem me crucificar. Talvez seja por
ter perdido minha mãe, fumante inveterada
desde os 11 anos, com câncer
no pulmão. Ou talvez seja porque fui vacinado
por minha mãe, para não ter que
passar por tudo que passei ao lado dela. O que
importa realmente é que o cigarro exclui,
definitivamente, a beleza feminina. Deve ter quem
goste. Afinal cada vez mais mulheres estão
fumando, para penúria de seus próprios
pulmões, poluindo o ar e, para mim, criando
uma triste poluição visual.
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Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia |
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Ou
o fracasso
Uma frase dita por Jonathan Franzen
me chamou especialmente a atenção:
“Acho que toda vida humana se desenrola
no contexto do fracasso definitivo, a mortalidade.
Para mim o fracasso é mais engraçado
que o sucesso. Se não estou rindo sei que
não estou fazendo o livro certo.”
Jonathan Franzen, a propósito, é
o autor de “As correções”,
livro que só tive a sorte de ler agora.
No entanto, como nada acontece por acaso, tenho
a certeza de que a hora é imensamente propícia.
Por quê? Porque o livro trata exatamente
do mesmo tema do romance que estou escrevendo
para concorrer àquela já citada
bolsa da Vivo: conflitos em família. Algumas
das diferenças básicas, é
que a minha família não é
a típica família norte-americana
de Franzen e o meu patriarca não está
com Mal de Parkinson. É lógico que
uma série de diferenças poderão
ser enumeradas, mas o que está em debate,
ao menos no momento, não é o meu
livro, mas sim este tema tão explorado
e que parece exercer um fascínio incrível
sobre os escritores: o fracasso. Franzen não
é o primeiro e eu não serei o último
a dissecar tal temática. É bem provável,
inclusive, que o principal nome citado quando
nos referimos a tal assunto, seja Philip Roth.
Este, no entanto, pelos poucos livros que li,
parece costumar centrar tal tema especialmente
em cima da questão do judaísmo,
por vezes utilizando-o como metáfora para
a condição de fracassados que parece
assolar grande parte dos estadunidenses. “O
Complexo de Portnoy” é um bom exemplo
disso. Em coluna anterior aqui mesmo no Simplicíssimo
tentei dissecar um pouco de seu conteúdo,
mostrando o quanto o autor utiliza-se de recursos
cômicos para fazer uma crítica a
esta nação que parece definir-se
somente entre os winners e os losers
– o que acaba tornando ainda mais agridoce
a sua crítica ao fracassado de meia idade.
O recurso cômico, aliás,
também é muito utilizado por Jonathan
Franzen neste seu “As Correções”.
Franzen por vezes é hilário, descrevendo
em terceira pessoa os seus personagens e esmiuçando
os seus pensamentos e palavras, procurando retirar
mais do que a vaga noção que poderiam
exprimir. Uma mãe fazendo perguntas para
a namorada do filho, por exemplo, esconde intenções
implícitas facilmente perceptíveis
ao filho mais atento: “Você mora na
cidade?, perguntou Enid. (Não está
coabitando com o meu filho, ou está?) E
também trabalha na cidade? (Têm um
emprego assalariado? Não é de alguma
família estranha, esnobe e endinheirada
do Leste?) Cresceu aqui mesmo? (Ou vem de algum
estado do outro lado, onde as pessoas têm
um coração generoso, os pés
no chão e muito pouca possibilidade de
serem judias?) Ah, e a sua família ainda
mora em Ohio? (Será que os seus pais por
acaso deram este passo dúbio e moderno
de se divorciarem?) Tem irmãos e irmãs?
(É filha única mimada ou será
católica, com milhões de irmãos?).
Tendo aprovado Julia neste exame inicial, Enid
voltou sua atenção para o apartamento.”
No
título “As Correções”,
a tentativa implícita de cada um dos personagens
de corrigir os seus pequenos ou grandes erros.
Suas vidas tomadas por tentativas frustradas,
por decisões errôneas, por caminhos
tortuosos. Dizem que é difícil se
identificar e simpatizar com seus personagens.
Talvez. Chip, por exemplo, é o filho do
meio da família em questão no livro,
os Lambert. Mora em Nova Iorque, e é um
roteirista frustrado e imaturo, que se debate
para saber se é realmente apropriado (ou
se não é por demais machista!) a
quantidade da palavra “seios” que
aparece no seu roteiro recém enviado para
uma produtora. Na real, até que um envolvimento
com uma aluna faça sua então carreira
de professor universitário ruir, dá
aulas. Em pouco tempo, estará metido na
Lituânia em um esquema de fraude e se aproveitando
das recentes transformações econômicas
capitalistas que fazem com que o país seja
praticamente revendido a banqueiros. A família
Lambert é composta ainda pelos patriarcas
Alfred e Enid – que vivem às turras,
num cotidiano modorrento e irritadiço que
é composto por críticas mútuas,
falta de paciência de Enid em relação
ao seu marido, a doença cada vez em maior
grau de Alfred, e decisões e opiniões
fúteis de sua mulher em relação
aos filhos e à decoração
da casa –, o filho mais velho Gary –
a princípio, um banqueiro bem sucedido
morando na Filadélfia (ao contrário
dos seus pais, moradores de uma cidade do Meio-Oeste
chamada Saint Jude, em estado nunca definido)
com sua esposa Caroline e seus três meninos.
No fundo, um paranóico com fortes e cada
vez maiores crises depressivas, levando seu casamento
à um estado terminal -, e, por fim, temos
Denise, a filha mais nova, uma chef de
cozinha com seus vinte e três anos que,
no auge de sua beleza, tem um casamento com um
chef – “judeu demais”,
na opinião de sua mãe – arruinado,
antes de ver a sua própria carreira ser
destruída por sua tumultuada vida sexual.
Todos personagens com problemas demais, talvez
com uma capacidade acima do normal – como
Chip e Denise – de tomarem decisões
muito erradas em suas vidas quase o tempo inteiro.
Ainda assim, não caricaturas. Não
formas plásticas demais. De uma maneira
ou de outra, todos tentam algum artifício,
por mais perene que seja, para colocar como que
panos quentes, esparadrapos para tentar consertar
suas vidas, meros simulacros de felicidade.
O tema do fracasso deve ser tão fascinante
por que é um destino do qual, na realidade,
fugimos. Talvez seja o caminho natural. Ou seria
pessimista demais dizer que as exceções
são os que consegue destaque – e
que é, por acaso, o sucesso. Que, para
Jonathan Franzen, por exemplo, é formado
de momentos esporádicos. Um exagero de
sua parte, temos de convir. Quando lançou
este seu “As Correções”,
era um escritor com relativo reconhecimento por
seus já destacados romances anteriores,
mas nenhum blockbuster desta grandiosidade.
Tinha publicado “The twenty-seventh city”,
“Strong Motion”, por exemplo. Quando
lançou “The Corrections”, foi
agregado a um Clube do Livro mantido pela famosíssima
apresentadora norte-americana Oprah Winfrey, que
costumava oferecer um jantar a seus autores pertencentes
a este grupo. Quando Franzen negou tal deferimento,
conquistou não somente o ódio de
Oprah, mas, além de algumas manifestações
enfurecidas sobre o insistente jeito “blasé”
de alguns escritores (para não dizer esnobes!),
conquistou também uma vendagem absurda
de seu livro, que somente nos Estados Unidos já
passou de um milhão de exemplares. Diz
que se achava “diferente demais” dos
outros títulos pertencentes a tal clube,
e não “conseguia entender”
como fora parar nele. Humildade? Fuga do sucesso?
Ou estratégia de marketing? Como tudo é
passível de discussão hoje em dia,
não podemos dizer que simplesmente Franzen
estava querendo continuar a viver no seu “fracasso”
entocando-se desta maneira.
Apesar do que o mesmo diz:“Toda
minha vida foi um grande fracasso pontuado por
momentos esparsos de sucesso”, parece que,
uma vez incluso no rol dos considerados vinte
melhores jovens romancistas americanos, já
é tempo de Jonathan Franzen se dar conta
de quanto sucesso faz.
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en
passant
Eduardo Hostyn
Sabbi |
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É
de Hoje?
Já havia algum tempo que
entrava naquela loja de conveniências restando
pouco minutos para a meia-noite. Percorria atentamente
as prateleiras até a virada da hora e se
dirigia ao balcão de atendimento, onde
uma jovem sempre muito simpática (apesar
do ar cansado e das olheiras em algumas noites),
lhe atendia com um pronto sorriso no bem cuidado
rosto adolescente.
_ É de hoje? Dizia ele
apontando para o aparente delicioso sanduíche
que aguardava algum guloso cliente. A moçoila
já tinha superado a fase de dizer que sim
e ter que atualizar o seu o calendário
na sua cabeça em função de
minguados segundos a mais. Embora fosse algo constrangedor
nunca poder agradar o cliente, balançava
alegremente a cabeça respondendo-lhe um
melódico e empático “não”,
próprio dela mesma. E então ele
dava meia volta, escolhia alguma bolacha cara,
passava pelo caixa e sumia em seu mundo pela porta
de saída.
O tempo foi passando e o lacônico
e repetitivo cliente entrando e saindo diariamente
da lojinha não permitia que a balconista
fosse muito mais além de um afável
“Não Seu Machado, é de ontem.”.
Não que ele tivesse se identificado. Pouco
se sabia do seu repertório de palavras
Mas o cartão de crédito tinha dado
um jeito nisso. Aliás, toda vez batia onze
e meia da noite os três funcionários
se alvoroçavam am brincadeiras e comentários
à espera do Seu Machado: “Figurinha
estranha, não?”, “Que bolacha
ele vai levar hoje”, “Acho que ele
vem aqui só pra te ver” e assim por
diante.
Pois certa vez os jovens funcionários
comentaram com o patrão na festa de fim
de ano e foram incumbidos de uma difícil
tarefa. Preparariam um sanduíche tão
saboroso quanto aquele “de ontem”
ao início das doze badaladas noturnas.
“Satisfazer o cliente” virou o lema
de todo o torto grupo, cervejado e alegre que
estava. E lá se foi o trio, em busca de
sua mais difícil e ansiada conquista. Planejaram
todos os detalhes, desde a disposição
antecipada dos ingredientes até a simulação
de promoção de um produto qualquer
para distrair o Seu Machado com a fajuta balela,
ganhando precioso tempo no preparo do sanduíche.
Luz, câmera e ação.
Adentrara na loja de conveniências ninguém
menos que o tão aguardado Seu Machado.
Como de costume, parou a apreciar as prateleiras
e seus produtos. Já devia saber tudo de
cor, mas isso parecia não ter a menor importância.
Lá ia ele,, para cá e para lá
até o relógio acusar um novo dia.
Mal virou o corpo e foi surpreendido por um dos
vendedores, sorridente e tagarela, com uma cesta
de produtos em promoção. Mal lhe
dava tempo de pensar, tamanha quantidade de informações
que recebia. Tampouco conseguia desviar o olhar.
Se o fizesse, veria ao fundo a moça simpática
num surto de ansiedade a compor um estupendo sanduíche
em frações do tempo medido.
Com um gesto em sua mão
direita, conseguiu ao mesmo tempo agradecer e
dispensar o vendedor, dirigindo-se ao balcão,
levemente atrasado em sua rotina, o suficiente
para os objetivos da esperta e talentosa turma
de jovens. Apoiou sua mão na vidraça
apontando para o sanduíche, enquanto o
trio parecia estar assistindo a uma decisão
por pênaltis na copa do mundo.
_ É de hoje? Papagaiou
o Seu Machado.
_ Sim! Respondeu enfaticamente a adorável
moça como que extasiada na sua rara, senão
única oportunidade de dar essa resposta.
Mas pouco durou seu sorriso. Tempo menos que o
necessário para seu lindo rosto ficar totalmente
corado de uma expressão surpresa, espanto
e medo. Não fosse sua total imobilidade
e veria a mesma expressão estampada nos
demais colegas de trabalho, tal qual um reflexo
de espelho. O pacato Seu Machado iniciou ou enorme,
empolgado e raivoso discurso anti-capitalista.
E entre babas e gestos enfurecidos, deu as costas
e saiu porta afora e ainda do outro lado da rua
se podia entender alguma coisa do que falava.
E nunca mais voltou, para imenso
desprazer dos jovens. Um deles aliás, o
teria visto no topo daquela manifestação
contra a abertura do comércio aos domingos,
da qual lhe informaram ser ele o líder
ferrenho já há mais de ano. Ah,
e outro dia foi visto saindo de uma lojinha concorrente
no costumeiro horário noturno. Lá
ia o Seu Machado, carregando consigo um pacote
de bolachas requintadas.
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I-racional
Pedro Armando Furtado
Volkmann |
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De
Ré Na Contra-Mão
Violentos
Haikais 6/X
No dia da cegonha
que veio a fórceps
Fumei maconha
Divisas
Vou embora achando
que minha vida muda. Fico aqui achando que tudo
pode mudar. O mundo muda. Cada dia. Temos apenas
alguns momentos de equilíbrio no meio do
Caos.
Você pode até
achar que isto é uma visão pessimista
da coisa, mas já vou mostrar que esta é
a única forma de ir para frente, para o
lado, ou seja, para onde tivermos que ir, não
importa aonde isto seja.
Não adianta
bater em portas fechadas. Não adianta enfiar
coisas nas cabeças dos outros. Só
o que vale a pena, é caminhar sobre nossos
próprios pés. Está certo,
um conselho aqui ou ali, ajuda, mas não
resolve.
O que resolve é
fazer escolhas, todas elas, da maneira mais intuitiva
possível, sem esquecer da sua racionalidade.
As vezes é difícil concordar com
esta frase, porém, lembre-se, não
faço frases muito simples de serem digeridas,
vide título (De ré...).
Tem gente que me
acha simples, de outro jeito, por que converso
com qualquer pessoa, sem juízos de valor,
sem me importar com o que elas pensam.
Alguns me chamam
de cavalheiro da mudança, porque costumam
dizer que as pessoas que passam na minha vida
nunca mais serão as mesmas.
Ih! Outra contradição!
Veja só, é
disto que eu quero falar, de contradições,
das divisas entre o que é positivo e o
negativo.
Sempre devemos nos
abrir para ver o mundo de duas formas distintas,
a nossa forma original e a do outro, aquele outro
que está na nossa frente naquele momento.
Fazer isto não é fácil, pois
temos várias variáveis para determinar
quem está na nossa frente. Mapas astrais,
eneagrama e caracterologia são apenas algumas
destas formas de se auto-conhecer e conhecer o
outro. O nosso auto-conhecimento, por mais incrível
que pareça, vem de fora para dentro. Quando
você não suporta o outro, é
porque ele tem algo de você mesmo que você
não suporta em si mesmo. Tente, invente,
descubra se for capaz.
Por isto, a felicidade
que você julga estar dentro de você,
está fora na verdade. Isto mesmo que eu
disse, a felicidade que você julga estar
fora de você, está dentro de você.
Olhe para mim, olhe
para você. Eu te vejo em mim, você
me vê em você.
A
única forma de mudar o mundo é olhar
para fora e mudar por dentro. A única forma
de mudar o mundo e olhar para dentro e mudar para
fora.
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Diálogos
com Deus
(XV)
Rafael Luiz Reinehr |
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As
férias de Deus (II)
Copacabana já tinha sido bem aproveitada.
O próximo destino era a FLIP (Festa
Literária Internacional de Parati),
em Parati, cidade onde anos atrás Jesus
havia encharcado seus ladrilhos históricos
com o resultado depurado de litros de cerveja.
Já na chegada, Maria foi correndo pegar
um autógrafo de Alessandro Garcia,
sentado em uma cadeira de praia na Praça
da Matriz da cidade, enquanto Milton Hatoum
ministrava uma oficina de Romance.
Na janta, Deus encontrou Paul Auster
que estava a jantar com Chico Buarque
e, da mesa onde estava sentado, por pouco não
teve a impressão de ouvir um sussurro da
mesa onde estavam sentados Milton Ribeiro,
Cláudia Antonini e Stella van der Klugt
dizendo “bobão!” à mesa
do renomado cantor de música popular brasileira.
Jesus chegou atrasado dizendo que tinha ganho
uns pilas por um “freela” jornalístico
que fizera, mandando algumas informações
por telefone ao Juremir Machado da Silva,
que estava em Porto Alegre, pois não havia
sido convidado para a FLIP.
Quando estavam quase de saída da última
oficina, no último dia da FLIP, chamaram
o “Hermeto Pascoal” para tirar o som
de algumas folhas de papel. Esclarecido o engano
– e já que Deus já estava
no pequeno palco – pediram que declamasse
uma poesia de sua autoria. Deus, mesmo um pouco
encabulado – e contrariado – cedeu
ao olhar amável e ao mesmo tempo incisivo
que só Maria sabia fazer e soltou o verbo:
“- Batatinha quando nasce...”
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Cresçamos
pela paciência
Possivelmente já nos vimos
ansiosos por inúmeras expectativas: aumento
salarial, chegada das férias, concretização
de um namoro.
Mas
sem paciência jamais alcançaremos
as benesses que almejamos.
Quando nos precipitamos, corremos o risco da decepção
com o resultado.
Não é a toa que os orientais apregoam
que a paciência faz parte do processo de
evolução do homem.
Há ocasiões em que é preciso
agir com rapidez,
mas às vezes a espera é a chave
para nada sair errado.
O
conhecido ditado ensina que "a pressa é
inimiga da perfeição".
Algumas vezes tentamos forçar os acontecimentos,
pressionando para que tudo saia a nosso modo.
Isso pode até funcionar, mas a impaciência
pode frustrar a genuína realização
dos sonhos.
O
tempo da espera contribui para nosso crescimento,
permitindo-nos desfrutar com maior maturidade
das conquistas que nos são destinadas.
Tenhamos paciência para melhor saborearmos
os frutos de cada estação.
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Jiavando
Cássio Kern Cunha |
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Naquela longa estrada
duas horas de introspecção.
Será que um dia terei saudade?
Ou quem sabe nesta
de uma hora e meia, talvez.
Terei eu saudade um dia?
Quiçá
na outra
que de tão longa
jamais terei saudade.
Só há
uma estrada
que me leva pro meu lugar.
É nela que eu quero estar.
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Ombudsman
Alessandro
Sachetti |
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Se
Deus pode, por que eu não?
Feliz por estar de
volta, por continuar respirando, consequentemente
aprendendo, vivendo, crescendo, amando.
Infelizmente, Rafael, não existe esse botãozinho,
mas o “raiozinho” é uma maneira
interessante de pensar. E raios contém
eletricidade, se empregados de maneira forte demais
acabam torrando. E se tudo que você faz
um dia volta pra você, então... Quanto
a teus textos mudarem para você, ainda bem,
sinal de que você também muda, está
aberto para a vida, não é o mesmo
de dez minutos atrás, nem em corpo e muito
menos em alma. Envelheceendo, nos tornamos vinho
ou vinagre. A escolha é nossa.
Complicado exprimir algum sentido no texto do
Luiz Emanuel, não concordo e não
discordo, pelo simples fato de não saber.
Ainda não conheço o Rio Grande do
Sul, o máximo que tenho de lá são
amigos e amigas, alguns novos que hão de
vir, claro não posso deixar de fora o título
de 95, derrotas também vieram, mas delas
já nem me lembro. O ideal seria que todos
os estados dessa enorme nação chamada
Brasil copiassem as virtudes dos vizinhos, mesmo
que remotos, e crescessem juntos. Afinal, todos
tem virtudes e defeitos, tchê!
Eu não conheço esse livro Maurício,
confesso que despertou em mim muita curiosidade,
mesmo aos 26.
Eu sabia Alessandro, eu já sabia ou pelo
menos imaginava que a FLIP tinha sido muito mais
que o Chico, afinal escritores tão bons
e até melhores reunidos em um local tão
inspirador não se resumiria apenas ao mestre
dos versos do mundo feminino, que por sinal ouço
a fundo agora. Do mais, o seu relato é
algo de mágico, de anjo e de perverso.
Sempre achei que um bom romance se escreve começando,
seguindo normas e as quebrando quando achar que
deve, mesmo que as quebre o tempo todo e mesmo
que nunca ligue para nenhuma dessas normas. E
ter participado dessa festa deve realmente ter
sido algo engrandecedor. Sorte a sua, sorte a
nossa de termos um pouquinho daquele mundo através
das suas palavras. Parabéns! No próximo,
quem sabe, tomamos umas cervejas.
Bom texto Eduardo, mas eu prefiro comemorar a
vida todos os dias e festejar meus amigos sempre,
não apenas no dia deles. As pessoas se
prendem muito a datas, esperam pelo aniversário
do amigos para desejarem felicidades, pela morte
para dar afago a quem sobrou, pelo dia do amigo,
do médico, do cavalo, do burro, etc, para
mandar um cartão dizendo que tem saudade.
E os outros dias do ano? A gente esquece?
Um poema energético recomendado também
para os diabéticos, creio que a poesia
não precisa ser doce para ser digerida.
O Pedro brinca de não rimar com rimas escondidas,
grudadas na tela do seu computador, aqui no Simplicíssimo,
nosso ponto de encontro nesse mundo cibernético.
Até Deus olha! Por que eu não posso?
Muito boa Rafael, faço questão que
a minha namorada leia teu texto (rs). Como sempre
acertando em tua coluna. Mas ficou o gostinho
de quero mais nesse (continua...).
A partir de hoje, me recuso a comentar sobre qualquer
coisa religiosa séria, seja poema, seja
crônica, história, etc...
Gostei bastante do poema da Sara, bem usadas as
palavras, bem traçada tua idéia,
me levou contigo e quase que a brisa me leva também.
Por fim, é isso mesmo Marcos, meu companheiro
de coluna, a idéia é ser feliz finalmente,
ou não... Sobre estar mais curto, achei
necessário, nem todos têm paciência
para ler e pensei em simplificar um pouco mais.
Afinal este é o Simplicíssimo (rs).
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E
o grande vencedor do Super Desafio Simplex
foi:
Alessandro
Sachetti,
de
Cândido Mota, São Paulo!

A
Lista dos Competidores que pontuaram:
Alessandro
Sachetti (Cândido Mota - SP) -
1000 pontos
Luciano
Trevisan (Júlio de Castilhos
- RS) - 240 pontos
Luiz
Antonio Ribeiro (Petrópolis -
RJ) - 90 pontos
Daniel
Rech (Porto Alegre - RS) - 60 pontos
Corina Abreu (Rio de Janeiro - RJ) -
20 pontos
Rebeca Campani Donazar ( Porto Alegre
- RS) - 10 pts.
Pedro Volkmann (Porto Alegre - RS) -
10 pontos
Diego Altieri Silveira (Sapucaia do
Sul- RS) - 10 pontos
Roberto Iukio Iwai (São Paulo
- SP) - 10 pontos
Como
somente 9 competidores pontuaram, nosso
primeiro colocado terá direito
de escolher 2 grupos de CDs entre as
Coletâneas, Rock Internacional,
Miscelâneas, Singles Importados
da Inglaterra, Pop & Rock Nacional,
Reggae & Ska, Blues & Jazz,
MPB & Nacional, Disco/Funk e Clássicos.
SEGUE
A LISTA COMPLETA DOS CDs (o primeiro
a escolher o grupo de CDs é,
obviamente, o vencedor da gincana, passando
consecutivamente ao segundo e terceiro
lugares e assim consecutivamente, até
encerrarem os 10 grupos de premiação).
O
Alessandro escolheu:
Rock
Internacional
Sixties
– UK
Woodstock Festival 1994
Dick Dale – Calling Up Spirits
The Doors – When The Music is
Over
Metallica – Live in Concert
Bob Dylan´s Greatest Hits
The Wonders – That Thing You Do
10cc – The Collection
The 60´s Greatest Hits
e
MPB
& Nacional
Chico
Buarque – MPB Compositores
Catálogo dos Novos Talentos da
MPB
Gilberto Gil – Quanta
Caetano Veloso – Sem Lenço
Sem DocumentoChico Buarque – Instrumental
20 Preferidas – Bossa Nova
Tropicália 30 anos
Jorge Bem Jor – Música
para tocar em elevador
Demônios da Garoa – Esses
divinos
Vinícius de Moraes e Chico Buarque
– A Arte do Encontro
20 Preferidas – Toquinho
O
Luciano escolheu:
Blues
& Jazz
Blues
& Soul – vol 2
Blues Invention – British
Sound The Trumpets – Gold Encore
Series
Isley Brothers Greatest Motown Hits
Jimmi Whiterspoon – Cry The Blues
Quinteto Onze e Meia
Jazz – Saxfaction
O
Luiz Antonio escolheu:
Pop
& Rock Nacional
Ultraje
a rigor – 2 é demais
RPM – Rádio Pirata
Cazuza – Ideologia
Devotos de Nossa Senhora Aparecida
Utopia – Edição
Histórica
Barão Vermelho – Os dois
primeiros
Inocentes – Subterrâneos
O
Daniel Rech escolheu:
Coletâneas
Acervo
Especial Rock
20 Preferidas Italianas
Globo Special Hits – 2
Rock Stars
Coletânea ShowBizz
Video Music Brasil 1996
A Música do Século 1,
2, 6
Novela em CD – melhores temas
Rock Reflections
A Revista Rock – 89
Os Incríveis Anos 50, 60 e 70
A
Corina Abreu escolheu:
Disco/Funk
Dee
Lite – Dewdrops in the Garden
Funk BrasilThe Disco History
Groove Brasil
Funkín Soul – The Best
Of
Partie Dancing – Around The World
Discoteca Folha da Música Brasileira
– Dance
Depeche Mode – Ultra
Cartoon Networks Dance
Édson Cordeiro – Disco
Clubbing ao Vivo
O
Pedro escolheu:
Miscelâneas
De
Las Alturas
Roger Whittaker
Sepultura – Chaos A.D.
Tutta Itália
Os Bons Tempos Estão de Volta
Rei Roberto e Erasmo Cantam
Molotov – Apocalypshit
Orquestra Românticos de Cuba –
Romance no Cinema
Saturday Morning – Cartoons Greatest
Hits
Fats Domino – The Best Of
Grupo Raça – Jeito de Felicidade
De Ros – Universe
De Ros – Ad Dei Gloriam
Richard Powell
O
Roberto escolheu:
Reggae
& Ska
Inner
Circle – Forward Jah Jah People
The Reggae Collection – Keep On
Moving (1 a 4) importado da Inglaterra
Mestres do Ska
O
Diego escolheu:
Clássicos
Os
Grandes Clássicos – Ludwig
van Beethoven (1,2,3)
Vozes da Tranqüilidade (2 CDs)
Dvórak
Elgar
Sobrou
para a Rebeca:
Singles
Importados da Inglaterra
Reef
– Sweetie
Reef – I´ve got something
to say
Reef – Sweetie
Garbage – You Look So Fine
Garbage – You Look So Fine
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Gentileza
prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto
Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de
mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em
tamanho maior no blógue do amigo.
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Selo
comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em
2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
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