Simplicíssimo
Jornal Virtual de periodicidade crítica, mas nem tanto...


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Editorial

Crônica do Crítico Literário

Comece dizendo que o autor foge do hiper-realismo. Que mantém uma escrita sóbria sem concessões ao coloquialismo excessivo.
Siga afirmando que não usa linguagem chula nem escatológica, tão comum em nossos dias que está prestes a formar uma nova corrente.
Diga que é um representante legítimo do ideário contemporâneo. Se escreve textos curtos, diga que são fortes porque concisos. Se os textos são longos, diga que são fortes porque se esmeram em detalhes.
Lembre o leitor que (não) há nuances de experimentalismo.
Se for um contista, diga que os contos de Fulano de Tal invadem a realidade, recriando-a num espelho de múltiplas faces.
Em caso de romances, afirme que nos textos do autor, o leitor é convidado a participar, quer seja pela ambigüidade intencional do discurso ou pelo “subtexto tramado com perícia”, acentuando que esses são “reflexos óbvios da prática do conto” (se o autor não for conhecido por seu trabalho como contista, suprima este trecho ou insinue que o mesmo tem um manancial de contos guardados em suas gavetas).
Se possível identifique algum cacófato e o enumere.
Refira que o autor usa (evita) doses maciças de humor, privilegiando o trocadilho, a metalinguagem e a paródia.
Para concluir, diga que o autor consegue com primor evitar filigranas e pirotecnias, usando adequadamente a força intrínseca das palavras. Termine com “O escritor Fulano de Tal mostra, assim, consciência de seus instrumentos de criação, mantendo a coerência durante toda sua obra”.
Na próxima crítica, ajuste o nome da obra e do autor, inverta a ordem de aparecimento das sentenças e dê uma enfeitada aqui e acolá com passagens da obra e pronto: mais uma crítica literária fresquinha estará saindo do forno!

Rafael Luiz Reinehr

"O crítico deveria descrever e não prescrever
Eugène Ionesco

"Não é necessário que um autor compreenda aquilo que escreve. O críticos encarregar-se-ão de lho explicar
Antoine Prévost

"Um crítico é alguém que conhece a estrada mas não sabe conduzir
Katherine Tynan

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A Mulher Feia
Mauro Rodrigues


Estava com uns amigos admirando a beleza feminina. É mesmo incrível a infinidade de maneiras que uma mulher tem para ser bonita, linda, maravilhosa.
Após comentar algumas das infindáveis qualidades que fazem de uma mulher um ser belo e único, desfilamos pelo lado negro da femininidade.
Os comentários foram acontecendo com naturalidade e me desliguei dos acontecimentos. Me coloquei como observador e comecei a catar alguma característica feminina que me fizesse afirmar: \"Essa realmente é feia!\".
Comecei pelas minhas preferências, procurando eliminar alguma e concluir pela feiura, mas apenas uma estando presente já elimina a candidata do título -feia.
Passei por gordinhas, saradas, surfistas, tímidas, velhas, assanhadas, fáceis, difíceis, mas nada foi totalmente exclusivo. Sempre restaram qualidades que me
deixavam a mercê de admirá-las. Enquanto os comentários não saiam muito dos atributos acima, tive um lampejo e soltei no meio do grupo:
- Se feiura é algo anormal, repugnante, que torna insuportável a visualização da cena, mulher feia, para mim, é aquela que fuma.
Os protestos foram imediatos, desde os fumantes até aqueles que não fumam. Como eu poderia fazer um comentário daqueles? Quer dizer que preferia uma velha
gorda, cheia de varizes a uma linda garota de 20 anos fumante? Só se eu fosse louco.
Talvez eu seja mesmo. Mas se uma mulher estiver velha, gorda e cheia de varizes poderá ser uma boa companheira, não para esta fase da minha vida mas um dia também terei meus defeitos físicos aumentados pela idade. Mas se ela estiver velha (é inevitável), magra e sem varizes (quase inevitável) e fumar a questão fica impraticável, impossível.
É assim que vejo mulheres feias, mulheres fumantes. Podem me crucificar. Talvez seja por ter perdido minha mãe, fumante inveterada desde os 11 anos, com câncer
no pulmão. Ou talvez seja porque fui vacinado por minha mãe, para não ter que passar por tudo que passei ao lado dela. O que importa realmente é que o cigarro exclui, definitivamente, a beleza feminina. Deve ter quem goste. Afinal cada vez mais mulheres estão fumando, para penúria de seus próprios pulmões, poluindo o ar e, para mim, criando uma triste poluição visual.

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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

Ou o fracasso

Uma frase dita por Jonathan Franzen me chamou especialmente a atenção: “Acho que toda vida humana se desenrola no contexto do fracasso definitivo, a mortalidade. Para mim o fracasso é mais engraçado que o sucesso. Se não estou rindo sei que não estou fazendo o livro certo.”

Jonathan Franzen, a propósito, é o autor de “As correções”, livro que só tive a sorte de ler agora. No entanto, como nada acontece por acaso, tenho a certeza de que a hora é imensamente propícia. Por quê? Porque o livro trata exatamente do mesmo tema do romance que estou escrevendo para concorrer àquela já citada bolsa da Vivo: conflitos em família. Algumas das diferenças básicas, é que a minha família não é a típica família norte-americana de Franzen e o meu patriarca não está com Mal de Parkinson. É lógico que uma série de diferenças poderão ser enumeradas, mas o que está em debate, ao menos no momento, não é o meu livro, mas sim este tema tão explorado e que parece exercer um fascínio incrível sobre os escritores: o fracasso. Franzen não é o primeiro e eu não serei o último a dissecar tal temática. É bem provável, inclusive, que o principal nome citado quando nos referimos a tal assunto, seja Philip Roth. Este, no entanto, pelos poucos livros que li, parece costumar centrar tal tema especialmente em cima da questão do judaísmo, por vezes utilizando-o como metáfora para a condição de fracassados que parece assolar grande parte dos estadunidenses. “O Complexo de Portnoy” é um bom exemplo disso. Em coluna anterior aqui mesmo no Simplicíssimo tentei dissecar um pouco de seu conteúdo, mostrando o quanto o autor utiliza-se de recursos cômicos para fazer uma crítica a esta nação que parece definir-se somente entre os winners e os losers – o que acaba tornando ainda mais agridoce a sua crítica ao fracassado de meia idade.

O recurso cômico, aliás, também é muito utilizado por Jonathan Franzen neste seu “As Correções”. Franzen por vezes é hilário, descrevendo em terceira pessoa os seus personagens e esmiuçando os seus pensamentos e palavras, procurando retirar mais do que a vaga noção que poderiam exprimir. Uma mãe fazendo perguntas para a namorada do filho, por exemplo, esconde intenções implícitas facilmente perceptíveis ao filho mais atento: “Você mora na cidade?, perguntou Enid. (Não está coabitando com o meu filho, ou está?) E também trabalha na cidade? (Têm um emprego assalariado? Não é de alguma família estranha, esnobe e endinheirada do Leste?) Cresceu aqui mesmo? (Ou vem de algum estado do outro lado, onde as pessoas têm um coração generoso, os pés no chão e muito pouca possibilidade de serem judias?) Ah, e a sua família ainda mora em Ohio? (Será que os seus pais por acaso deram este passo dúbio e moderno de se divorciarem?) Tem irmãos e irmãs? (É filha única mimada ou será católica, com milhões de irmãos?). Tendo aprovado Julia neste exame inicial, Enid voltou sua atenção para o apartamento.”

No título “As Correções”, a tentativa implícita de cada um dos personagens de corrigir os seus pequenos ou grandes erros. Suas vidas tomadas por tentativas frustradas, por decisões errôneas, por caminhos tortuosos. Dizem que é difícil se identificar e simpatizar com seus personagens. Talvez. Chip, por exemplo, é o filho do meio da família em questão no livro, os Lambert. Mora em Nova Iorque, e é um roteirista frustrado e imaturo, que se debate para saber se é realmente apropriado (ou se não é por demais machista!) a quantidade da palavra “seios” que aparece no seu roteiro recém enviado para uma produtora. Na real, até que um envolvimento com uma aluna faça sua então carreira de professor universitário ruir, dá aulas. Em pouco tempo, estará metido na Lituânia em um esquema de fraude e se aproveitando das recentes transformações econômicas capitalistas que fazem com que o país seja praticamente revendido a banqueiros. A família Lambert é composta ainda pelos patriarcas Alfred e Enid – que vivem às turras, num cotidiano modorrento e irritadiço que é composto por críticas mútuas, falta de paciência de Enid em relação ao seu marido, a doença cada vez em maior grau de Alfred, e decisões e opiniões fúteis de sua mulher em relação aos filhos e à decoração da casa –, o filho mais velho Gary – a princípio, um banqueiro bem sucedido morando na Filadélfia (ao contrário dos seus pais, moradores de uma cidade do Meio-Oeste chamada Saint Jude, em estado nunca definido) com sua esposa Caroline e seus três meninos. No fundo, um paranóico com fortes e cada vez maiores crises depressivas, levando seu casamento à um estado terminal -, e, por fim, temos Denise, a filha mais nova, uma chef de cozinha com seus vinte e três anos que, no auge de sua beleza, tem um casamento com um chef – “judeu demais”, na opinião de sua mãe – arruinado, antes de ver a sua própria carreira ser destruída por sua tumultuada vida sexual. Todos personagens com problemas demais, talvez com uma capacidade acima do normal – como Chip e Denise – de tomarem decisões muito erradas em suas vidas quase o tempo inteiro. Ainda assim, não caricaturas. Não formas plásticas demais. De uma maneira ou de outra, todos tentam algum artifício, por mais perene que seja, para colocar como que panos quentes, esparadrapos para tentar consertar suas vidas, meros simulacros de felicidade.

O tema do fracasso deve ser tão fascinante por que é um destino do qual, na realidade, fugimos. Talvez seja o caminho natural. Ou seria pessimista demais dizer que as exceções são os que consegue destaque – e que é, por acaso, o sucesso. Que, para Jonathan Franzen, por exemplo, é formado de momentos esporádicos. Um exagero de sua parte, temos de convir. Quando lançou este seu “As Correções”, era um escritor com relativo reconhecimento por seus já destacados romances anteriores, mas nenhum blockbuster desta grandiosidade. Tinha publicado “The twenty-seventh city”, “Strong Motion”, por exemplo. Quando lançou “The Corrections”, foi agregado a um Clube do Livro mantido pela famosíssima apresentadora norte-americana Oprah Winfrey, que costumava oferecer um jantar a seus autores pertencentes a este grupo. Quando Franzen negou tal deferimento, conquistou não somente o ódio de Oprah, mas, além de algumas manifestações enfurecidas sobre o insistente jeito “blasé” de alguns escritores (para não dizer esnobes!), conquistou também uma vendagem absurda de seu livro, que somente nos Estados Unidos já passou de um milhão de exemplares. Diz que se achava “diferente demais” dos outros títulos pertencentes a tal clube, e não “conseguia entender” como fora parar nele. Humildade? Fuga do sucesso? Ou estratégia de marketing? Como tudo é passível de discussão hoje em dia, não podemos dizer que simplesmente Franzen estava querendo continuar a viver no seu “fracasso” entocando-se desta maneira.

Apesar do que o mesmo diz:“Toda minha vida foi um grande fracasso pontuado por momentos esparsos de sucesso”, parece que, uma vez incluso no rol dos considerados vinte melhores jovens romancistas americanos, já é tempo de Jonathan Franzen se dar conta de quanto sucesso faz.

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en passant
Eduardo Hostyn Sabbi

É de Hoje?

Já havia algum tempo que entrava naquela loja de conveniências restando pouco minutos para a meia-noite. Percorria atentamente as prateleiras até a virada da hora e se dirigia ao balcão de atendimento, onde uma jovem sempre muito simpática (apesar do ar cansado e das olheiras em algumas noites), lhe atendia com um pronto sorriso no bem cuidado rosto adolescente.

_ É de hoje? Dizia ele apontando para o aparente delicioso sanduíche que aguardava algum guloso cliente. A moçoila já tinha superado a fase de dizer que sim e ter que atualizar o seu o calendário na sua cabeça em função de minguados segundos a mais. Embora fosse algo constrangedor nunca poder agradar o cliente, balançava alegremente a cabeça respondendo-lhe um melódico e empático “não”, próprio dela mesma. E então ele dava meia volta, escolhia alguma bolacha cara, passava pelo caixa e sumia em seu mundo pela porta de saída.

O tempo foi passando e o lacônico e repetitivo cliente entrando e saindo diariamente da lojinha não permitia que a balconista fosse muito mais além de um afável “Não Seu Machado, é de ontem.”. Não que ele tivesse se identificado. Pouco se sabia do seu repertório de palavras Mas o cartão de crédito tinha dado um jeito nisso. Aliás, toda vez batia onze e meia da noite os três funcionários se alvoroçavam am brincadeiras e comentários à espera do Seu Machado: “Figurinha estranha, não?”, “Que bolacha ele vai levar hoje”, “Acho que ele vem aqui só pra te ver” e assim por diante.

Pois certa vez os jovens funcionários comentaram com o patrão na festa de fim de ano e foram incumbidos de uma difícil tarefa. Preparariam um sanduíche tão saboroso quanto aquele “de ontem” ao início das doze badaladas noturnas. “Satisfazer o cliente” virou o lema de todo o torto grupo, cervejado e alegre que estava. E lá se foi o trio, em busca de sua mais difícil e ansiada conquista. Planejaram todos os detalhes, desde a disposição antecipada dos ingredientes até a simulação de promoção de um produto qualquer para distrair o Seu Machado com a fajuta balela, ganhando precioso tempo no preparo do sanduíche.

Luz, câmera e ação. Adentrara na loja de conveniências ninguém menos que o tão aguardado Seu Machado. Como de costume, parou a apreciar as prateleiras e seus produtos. Já devia saber tudo de cor, mas isso parecia não ter a menor importância. Lá ia ele,, para cá e para lá até o relógio acusar um novo dia. Mal virou o corpo e foi surpreendido por um dos vendedores, sorridente e tagarela, com uma cesta de produtos em promoção. Mal lhe dava tempo de pensar, tamanha quantidade de informações que recebia. Tampouco conseguia desviar o olhar. Se o fizesse, veria ao fundo a moça simpática num surto de ansiedade a compor um estupendo sanduíche em frações do tempo medido.

Com um gesto em sua mão direita, conseguiu ao mesmo tempo agradecer e dispensar o vendedor, dirigindo-se ao balcão, levemente atrasado em sua rotina, o suficiente para os objetivos da esperta e talentosa turma de jovens. Apoiou sua mão na vidraça apontando para o sanduíche, enquanto o trio parecia estar assistindo a uma decisão por pênaltis na copa do mundo.

_ É de hoje? Papagaiou o Seu Machado.
_ Sim! Respondeu enfaticamente a adorável moça como que extasiada na sua rara, senão única oportunidade de dar essa resposta. Mas pouco durou seu sorriso. Tempo menos que o necessário para seu lindo rosto ficar totalmente corado de uma expressão surpresa, espanto e medo. Não fosse sua total imobilidade e veria a mesma expressão estampada nos demais colegas de trabalho, tal qual um reflexo de espelho. O pacato Seu Machado iniciou ou enorme, empolgado e raivoso discurso anti-capitalista. E entre babas e gestos enfurecidos, deu as costas e saiu porta afora e ainda do outro lado da rua se podia entender alguma coisa do que falava.

E nunca mais voltou, para imenso desprazer dos jovens. Um deles aliás, o teria visto no topo daquela manifestação contra a abertura do comércio aos domingos, da qual lhe informaram ser ele o líder ferrenho já há mais de ano. Ah, e outro dia foi visto saindo de uma lojinha concorrente no costumeiro horário noturno. Lá ia o Seu Machado, carregando consigo um pacote de bolachas requintadas.

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I-racional
Pedro Armando Furtado Volkmann
 

De Ré Na Contra-Mão

Violentos Haikais 6/X

No dia da cegonha
que veio a fórceps
Fumei maconha

Divisas

Vou embora achando que minha vida muda. Fico aqui achando que tudo pode mudar. O mundo muda. Cada dia. Temos apenas alguns momentos de equilíbrio no meio do Caos.

Você pode até achar que isto é uma visão pessimista da coisa, mas já vou mostrar que esta é a única forma de ir para frente, para o lado, ou seja, para onde tivermos que ir, não importa aonde isto seja.

Não adianta bater em portas fechadas. Não adianta enfiar coisas nas cabeças dos outros. Só o que vale a pena, é caminhar sobre nossos próprios pés. Está certo, um conselho aqui ou ali, ajuda, mas não resolve.

O que resolve é fazer escolhas, todas elas, da maneira mais intuitiva possível, sem esquecer da sua racionalidade. As vezes é difícil concordar com esta frase, porém, lembre-se, não faço frases muito simples de serem digeridas, vide título (De ré...).

Tem gente que me acha simples, de outro jeito, por que converso com qualquer pessoa, sem juízos de valor, sem me importar com o que elas pensam.

Alguns me chamam de cavalheiro da mudança, porque costumam dizer que as pessoas que passam na minha vida nunca mais serão as mesmas.

Ih! Outra contradição!

Veja só, é disto que eu quero falar, de contradições, das divisas entre o que é positivo e o negativo.

Sempre devemos nos abrir para ver o mundo de duas formas distintas, a nossa forma original e a do outro, aquele outro que está na nossa frente naquele momento. Fazer isto não é fácil, pois temos várias variáveis para determinar quem está na nossa frente. Mapas astrais, eneagrama e caracterologia são apenas algumas destas formas de se auto-conhecer e conhecer o outro. O nosso auto-conhecimento, por mais incrível que pareça, vem de fora para dentro. Quando você não suporta o outro, é porque ele tem algo de você mesmo que você não suporta em si mesmo. Tente, invente, descubra se for capaz.

Por isto, a felicidade que você julga estar dentro de você, está fora na verdade. Isto mesmo que eu disse, a felicidade que você julga estar fora de você, está dentro de você.

Olhe para mim, olhe para você. Eu te vejo em mim, você me vê em você.

A única forma de mudar o mundo é olhar para fora e mudar por dentro. A única forma de mudar o mundo e olhar para dentro e mudar para fora.

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Diálogos com Deus (XV)
Rafael Luiz Reinehr

As férias de Deus (II)

Copacabana já tinha sido bem aproveitada. O próximo destino era a FLIP (Festa Literária Internacional de Parati), em Parati, cidade onde anos atrás Jesus havia encharcado seus ladrilhos históricos com o resultado depurado de litros de cerveja.
Já na chegada, Maria foi correndo pegar um autógrafo de Alessandro Garcia, sentado em uma cadeira de praia na Praça da Matriz da cidade, enquanto Milton Hatoum ministrava uma oficina de Romance.
Na janta, Deus encontrou Paul Auster que estava a jantar com Chico Buarque e, da mesa onde estava sentado, por pouco não teve a impressão de ouvir um sussurro da mesa onde estavam sentados Milton Ribeiro, Cláudia Antonini e Stella van der Klugt dizendo “bobão!” à mesa do renomado cantor de música popular brasileira.
Jesus chegou atrasado dizendo que tinha ganho uns pilas por um “freela” jornalístico que fizera, mandando algumas informações por telefone ao Juremir Machado da Silva, que estava em Porto Alegre, pois não havia sido convidado para a FLIP.
Quando estavam quase de saída da última oficina, no último dia da FLIP, chamaram o “Hermeto Pascoal” para tirar o som de algumas folhas de papel. Esclarecido o engano – e já que Deus já estava no pequeno palco – pediram que declamasse uma poesia de sua autoria. Deus, mesmo um pouco encabulado – e contrariado – cedeu ao olhar amável e ao mesmo tempo incisivo que só Maria sabia fazer e soltou o verbo:
“- Batatinha quando nasce...”

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Utopias
Luiz Maia

Cresçamos pela paciência

Possivelmente já nos vimos ansiosos por inúmeras expectativas: aumento salarial, chegada das férias, concretização de um namoro.

Mas sem paciência jamais alcançaremos as benesses que almejamos.
Quando nos precipitamos, corremos o risco da decepção com o resultado.
Não é a toa que os orientais apregoam que a paciência faz parte do processo de evolução do homem.
Há ocasiões em que é preciso agir com rapidez,
mas às vezes a espera é a chave
para nada sair errado.

O conhecido ditado ensina que "a pressa é inimiga da perfeição".
Algumas vezes tentamos forçar os acontecimentos,
pressionando para que tudo saia a nosso modo.
Isso pode até funcionar, mas a impaciência pode frustrar a genuína realização dos sonhos.

O tempo da espera contribui para nosso crescimento,
permitindo-nos desfrutar com maior maturidade das conquistas que nos são destinadas.
Tenhamos paciência para melhor saborearmos os frutos de cada estação.

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Jiavando
Cássio Kern Cunha

Naquela longa estrada
duas horas de introspecção.
Será que um dia terei saudade?

Ou quem sabe nesta
de uma hora e meia, talvez.
Terei eu saudade um dia?

Quiçá na outra
que de tão longa
jamais terei saudade.

Só há uma estrada
que me leva pro meu lugar.
É nela que eu quero estar.

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Ombudsman
Alessandro Sachetti

Se Deus pode, por que eu não?

Feliz por estar de volta, por continuar respirando, consequentemente aprendendo, vivendo, crescendo, amando.
Infelizmente, Rafael, não existe esse botãozinho, mas o “raiozinho” é uma maneira interessante de pensar. E raios contém eletricidade, se empregados de maneira forte demais acabam torrando. E se tudo que você faz um dia volta pra você, então... Quanto a teus textos mudarem para você, ainda bem, sinal de que você também muda, está aberto para a vida, não é o mesmo de dez minutos atrás, nem em corpo e muito menos em alma. Envelheceendo, nos tornamos vinho ou vinagre. A escolha é nossa.
Complicado exprimir algum sentido no texto do Luiz Emanuel, não concordo e não discordo, pelo simples fato de não saber. Ainda não conheço o Rio Grande do Sul, o máximo que tenho de lá são amigos e amigas, alguns novos que hão de vir, claro não posso deixar de fora o título de 95, derrotas também vieram, mas delas já nem me lembro. O ideal seria que todos os estados dessa enorme nação chamada Brasil copiassem as virtudes dos vizinhos, mesmo que remotos, e crescessem juntos. Afinal, todos tem virtudes e defeitos, tchê!
Eu não conheço esse livro Maurício, confesso que despertou em mim muita curiosidade, mesmo aos 26.
Eu sabia Alessandro, eu já sabia ou pelo menos imaginava que a FLIP tinha sido muito mais que o Chico, afinal escritores tão bons e até melhores reunidos em um local tão inspirador não se resumiria apenas ao mestre dos versos do mundo feminino, que por sinal ouço a fundo agora. Do mais, o seu relato é algo de mágico, de anjo e de perverso. Sempre achei que um bom romance se escreve começando, seguindo normas e as quebrando quando achar que deve, mesmo que as quebre o tempo todo e mesmo que nunca ligue para nenhuma dessas normas. E ter participado dessa festa deve realmente ter sido algo engrandecedor. Sorte a sua, sorte a nossa de termos um pouquinho daquele mundo através das suas palavras. Parabéns! No próximo, quem sabe, tomamos umas cervejas.
Bom texto Eduardo, mas eu prefiro comemorar a vida todos os dias e festejar meus amigos sempre, não apenas no dia deles. As pessoas se prendem muito a datas, esperam pelo aniversário do amigos para desejarem felicidades, pela morte para dar afago a quem sobrou, pelo dia do amigo, do médico, do cavalo, do burro, etc, para mandar um cartão dizendo que tem saudade. E os outros dias do ano? A gente esquece?
Um poema energético recomendado também para os diabéticos, creio que a poesia não precisa ser doce para ser digerida. O Pedro brinca de não rimar com rimas escondidas, grudadas na tela do seu computador, aqui no Simplicíssimo, nosso ponto de encontro nesse mundo cibernético.
Até Deus olha! Por que eu não posso? Muito boa Rafael, faço questão que a minha namorada leia teu texto (rs). Como sempre acertando em tua coluna. Mas ficou o gostinho de quero mais nesse (continua...).
A partir de hoje, me recuso a comentar sobre qualquer coisa religiosa séria, seja poema, seja crônica, história, etc...
Gostei bastante do poema da Sara, bem usadas as palavras, bem traçada tua idéia, me levou contigo e quase que a brisa me leva também.
Por fim, é isso mesmo Marcos, meu companheiro de coluna, a idéia é ser feliz finalmente, ou não... Sobre estar mais curto, achei necessário, nem todos têm paciência para ler e pensei em simplificar um pouco mais. Afinal este é o Simplicíssimo (rs).

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SUPER Desafio Simplex

E o grande vencedor do Super Desafio Simplex foi:

Alessandro Sachetti,

de Cândido Mota, São Paulo!

A Lista dos Competidores que pontuaram:


Alessandro Sachetti (Cândido Mota - SP) - 1000 pontos

Luciano Trevisan (Júlio de Castilhos - RS) - 240 pontos

Luiz Antonio Ribeiro (Petrópolis - RJ) - 90 pontos

Daniel Rech (Porto Alegre - RS) - 60 pontos

Corina Abreu (Rio de Janeiro - RJ) - 20 pontos


Rebeca Campani Donazar ( Porto Alegre - RS) - 10 pts.

Pedro Volkmann (Porto Alegre - RS) - 10 pontos

Diego Altieri Silveira (Sapucaia do Sul- RS) - 10 pontos

Roberto Iukio Iwai (São Paulo - SP) - 10 pontos

Como somente 9 competidores pontuaram, nosso primeiro colocado terá direito de escolher 2 grupos de CDs entre as Coletâneas, Rock Internacional, Miscelâneas, Singles Importados da Inglaterra, Pop & Rock Nacional, Reggae & Ska, Blues & Jazz, MPB & Nacional, Disco/Funk e Clássicos.

SEGUE A LISTA COMPLETA DOS CDs (o primeiro a escolher o grupo de CDs é, obviamente, o vencedor da gincana, passando consecutivamente ao segundo e terceiro lugares e assim consecutivamente, até encerrarem os 10 grupos de premiação).

O Alessandro escolheu:

Rock Internacional

Sixties – UK
Woodstock Festival 1994
Dick Dale – Calling Up Spirits
The Doors – When The Music is Over
Metallica – Live in Concert
Bob Dylan´s Greatest Hits
The Wonders – That Thing You Do
10cc – The Collection
The 60´s Greatest Hits

e MPB & Nacional

Chico Buarque – MPB Compositores
Catálogo dos Novos Talentos da MPB
Gilberto Gil – Quanta
Caetano Veloso – Sem Lenço Sem DocumentoChico Buarque – Instrumental
20 Preferidas – Bossa Nova
Tropicália 30 anos
Jorge Bem Jor – Música para tocar em elevador
Demônios da Garoa – Esses divinos
Vinícius de Moraes e Chico Buarque – A Arte do Encontro
20 Preferidas – Toquinho

O Luciano escolheu:

Blues & Jazz

Blues & Soul – vol 2
Blues Invention – British
Sound The Trumpets – Gold Encore Series
Isley Brothers Greatest Motown Hits
Jimmi Whiterspoon – Cry The Blues
Quinteto Onze e Meia
Jazz – Saxfaction

O Luiz Antonio escolheu:

Pop & Rock Nacional

Ultraje a rigor – 2 é demais
RPM – Rádio Pirata
Cazuza – Ideologia
Devotos de Nossa Senhora Aparecida
Utopia – Edição Histórica
Barão Vermelho – Os dois primeiros
Inocentes – Subterrâneos

O Daniel Rech escolheu:

Coletâneas

Acervo Especial Rock
20 Preferidas Italianas
Globo Special Hits – 2
Rock Stars
Coletânea ShowBizz
Video Music Brasil 1996
A Música do Século 1, 2, 6
Novela em CD – melhores temas
Rock Reflections
A Revista Rock – 89
Os Incríveis Anos 50, 60 e 70

A Corina Abreu escolheu:

Disco/Funk

Dee Lite – Dewdrops in the Garden
Funk BrasilThe Disco History
Groove Brasil
Funkín Soul – The Best Of
Partie Dancing – Around The World
Discoteca Folha da Música Brasileira – Dance
Depeche Mode – Ultra
Cartoon Networks Dance
Édson Cordeiro – Disco Clubbing ao Vivo

O Pedro escolheu:

Miscelâneas

De Las Alturas
Roger Whittaker
Sepultura – Chaos A.D.
Tutta Itália
Os Bons Tempos Estão de Volta
Rei Roberto e Erasmo Cantam
Molotov – Apocalypshit
Orquestra Românticos de Cuba – Romance no Cinema
Saturday Morning – Cartoons Greatest Hits
Fats Domino – The Best Of
Grupo Raça – Jeito de Felicidade
De Ros – Universe
De Ros – Ad Dei Gloriam
Richard Powell

O Roberto escolheu:

Reggae & Ska

Inner Circle – Forward Jah Jah People
The Reggae Collection – Keep On Moving (1 a 4) importado da Inglaterra
Mestres do Ska

O Diego escolheu:

Clássicos

Os Grandes Clássicos – Ludwig van Beethoven (1,2,3)
Vozes da Tranqüilidade (2 CDs)
Dvórak
Elgar

Sobrou para a Rebeca:

Singles Importados da Inglaterra

Reef – Sweetie
Reef – I´ve got something to say
Reef – Sweetie
Garbage – You Look So Fine
Garbage – You Look So Fine

 

 

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Gentileza prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em tamanho maior no blógue do amigo.

 


Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 

 

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