Simplicíssimo
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Editorial

A Reforma do Bem-Estar

Tempos difíceis esses... Já não há mais circo que sustente a falta de pão. Se você não é um dos que a falta de pão aflige, faça o favor de ignorar este texto e volte seus olhos para outra literatura, continue sua invejável vida.
Aqui estamos nós, supremos representantes de Deus (?) na face da Terra, humanos abençoados pelo dom da razão, adentrando o que os místicos chamam de Era de Aquário – a Era do Humanismo, da Fraternidade e da Concórdia entre os seres.
É bom que se diga – em meio a nuvens carregadas de dióxido de carbono, diminuição progressiva dos combustíveis fósseis e da água potável e instabilidade constante dos mercados mundiais – que ninguém está a prestar atenção nesta tal de fraternidade.
Depois de um período onde as chamadas Organizações Não-Governamentais (ONGs) passaram a ser chamadas de Terceira Via – a via que prometia a redenção da humanidade através desta própria, independente (ou parcialmente indepedente) do Estado – estudos recentes demonstram que a grande maioria está fadada ao fracasso, pela incapacidade de gerenciamento e pelos custos que elas mesmas se impõe.
Anda-se, por esses dias, justificando a morte de milhares por um fim nobre: as reeleições para o governo da maior potência do planeta.
Em meio à desagregação total, , inventaram um tal de globalização, que até onde consigo enxergar – apoiado nos ombros de gigantes – só é verdadeira no que diz respeito ao conhecimento, nunca tão disponível ao mais simples cidadão (com acesso á Internet, sejamos claros) mas não no que diz respeito à distribuição de riquezas, cada vez mais concentrada nos cofres das nações mais poderosas.
O ser humano, este ser pensante, caminhante solitário pela senda da vida, ser impermanente que sonha ser eterno, é capaz de criar tanta tecnologia e de se relacionar com ela a ponto de gerar tamanho conforto até há pouco inimaginado por nossos avós ou até mesmo por nossos pais. Não foi capaz, entretanto, de utilizar esta tecnologia em benefício da própria humanidade, exceto para o benefício de poucos, que utilizam a mesma para intensificar seu controle sobre os demais povos, que vivem à margem deste Mundo Novo, para eles pouco conhecido.
E assim vamos vivendo, sofrendo e querendo, sedentos de mudanças que não sabemos de onde podem vir. Esta falta de perspectivas, gênese da angústia do homem contemporâneo, se reflete em tudo que experenciamos – arte, política, economia, relacionamentos interpessoais – e acaba por gerar um ciclo vicioso difícil de quebrar.
A reforma do bem-estar é urgente. A busca de soluções começa voltando nosso olhar para nosso próprio umbigo, mas não pára aí. Depois de nos conhecermos, temos que levantar os olhos ao horizonte e ver o que aflige nossos companheiros de viagem nesta grande nau que viaja pelo espaço.
As ferramentas nos foram dadas pela Natureza. Aprendamos a utilizá-las.

(texto introdutório ao Ensaio “A Reforma da Percepção, do Julgamento e dos Sentidos”, em elaboração)

A propósito: nesta edição temos as férias (temporárias, é bom que se diga) dos Diálogos com Deus e, em seu lugar, a estréia de um novo colunista: seja bem-vindo Diego Mainardo. Diego estará semanalmente nos trazendo textos sobre economia, política e atualidades do Brasil e do mundo.

Outra coisa: nossos colunistas estão reclamando da falta de comentários em seus textos. Sabemos, por falar pessoalmente e através de e-mail com muitos de nossos Simplileitores regulares que o ato de comentar demanda tempo e até mesmo a elaboração adequada de uma resposta. mas não se envergonhem e tomem este tempo! Seu colunista preferido vai agradecer e ficar muito feliz! Um estímulo a mais para que ele produza sempre textos com muito carinho (e de graça!) para você.

Lembre-se: aqui você lê gratuitamente textos com qualidade igua ou superior ao que encontra na grande mídia e o único pagamento das pessoas que aqui escrevem é o seu retorno na forma de comentários ou e-mails.

Comenta que o coração esquenta!

Rafael Luiz Reinehr

"Os espíritos que são impedidos de mudar suas opiniões cessam de ser espírito"
Friederich Nietsche

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Feminismo e Machismo -
A tênue linha que separa os sexos hoje

Luiz Emanuel S. de Mello Campos


E eu estou trabalhando com mulheres. Estou em uma empresa de pesquisa de mercado onde a maioria dos funcionários são... funcionárias! Dentre tantas diferenças, pude confirmar o que eu já desconfiava, embora os tabus e machismos continuem os mesmos, elas mudaram, e muito...

Começa pelo que já notei da maioria dos relacionamentos, hoje elas não sonham mais com casamentos, vel, grinalda, elas sonham principalmente com tailers, carreira e MBA\'s, e ter uma companhia para a balada, jantares e finais de semana. Parece com alguém? Sim! Lembra a nós mesmos, ou algo que já fomos um dia...

Ao mesmo tempo que elas levam uma vida mais pé no chão, acadêmica, prática, profissional, não é difícil encontrar nos dias de hoje homens "metrossexuais", homens que cuidam da aparência, vaidosos ao extremo, malham, fazem as unhas (até as da mão!) e cuidam da cor do cabelo, bem como, cada vez mais é o sonho do homem casar, constituir família e viver entre uma carreira que o sustente e tocar sonhos, viver sonhos...

Não é de hoje que o seguro dos automóveis é mais barato para mulheres, que cargos que exijam flexibilidade e tocar diversos e distintos projetos as
mulheres são preferidas, mas o que tem ocorrido é a confirmação da tendência, e a confirmação que até os conceitos masculinos, o machismo principalmente, está muito desatualizado.

Não acho que chegue a caracterizar uma inversão de papéis, mas é a concretização do tal equilíbrio que já vem sendo pregado a tres ou quatro gerações, desde que se instituiu o dia das mulheres...

Mulheres mais práticas, como você, que me lê no serviço enquanto toca diversos projetos e planeja o fim de semana, e homens, com carreiras extremamente planejadas, mas cada vez mais sonhadores, como este cronista de meia tigela, e
metrossexual!

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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

A perspectiva do sutil abandono

Entre os passantes à sua volta, o mesmo vento que se resumia a brincar com seus cabelos e espalhar sua brisa suave por entre as árvores do campus, só o enchia de mais agonia. Não o encantava – ainda que somente não àquela tarde – toda a herança poética a que tardes sem sol, com vento suave a espalhar sua brisa por entre as árvores pudessem lhe remeter. Só o perseguia a persistente e incômoda agonia, o sentimento de não estar presente, quase uma sensação de intruso em meio a uma felicidade alheia que, se não se pronunciava por demonstrações mais alaridas de risadas e galhofas (ao longe, mesmo assim, conseguia identificar os sons de quase cinematográfica festividade: traquinagens que deviam envolver puxões nos cabelos e outras próprias de jovens na flor da demonstração dos instintos sexuais), ainda assim lhe vinha aos jorros até os ouvidos.

Não se comportava como o mais rabugento dos velhos, não chegava a resmungos e cara feia para todos que lhe cruzavam o caminho e pareciam trazer estampado em seus rostos um sorriso imperturbável e sereno. Na verdade, o espantava era a sustentação de tais sorrisos. Parecia-lhe que a felicidade alheia era um sentimento contínuo, não os efêmeros instantes a que estava acostumado, os poucos momentos de risos a que se permitia em raros momentos de alegria extremada. Queria fazer contas das últimas vezes em que se sentiu realmente tomado de toda esta felicidade. Já se ia tempos em que não se dedicava a estas brincadeiras mais infantis; ainda que - mesmo neste momento em que o quase azedume se tornava parte persistente de seus dias - lhe parecesse complicado trazer à zona mais viva da memória o encanto daqueles dias em que puxar o cabelo das meninas e bulir com suas mochilas e penduricalhos diversos constituía a mais excitante das brincadeiras, quando conseguia fazê-lo, o encanto destes tempos não se esvaía. Certo é que não chegava à intensidade de fazer-lhe esboçar o mesmo sorriso bobo que se formava no rosto do ruivo sardento que cruzava ao seu lado, mas a verdade é que a sensação de euforia simples, do prazer corporal com uma pessoa do sexo oposto, naquela idade tão tenra onde cada pequena brincadeira se assemelhava aos mais fascinante dos jogos sexuais que teria na idade adulta, ainda assim lhe era vívida.

É bem provável que somente a lembrança destes tempos fosse a mola impulsora que o fazia sentir-se, senão agradavelmente ligado a estes jovens que gritavam ao longe, nas brincadeiras de criança, ao menos com um pouco mais de ânimo para atravessar o campus sem achar que cada vento que lhe remexia o cabelo – e brincava por entre as árvores – fosse algum enviado de quem-quer-que-fosse para atazanar-lhe ainda mais o dia.

Na verdade, a agonia era mais próxima a sentimentos depressivos do que seria a birra de um velho indignado com a felicidade alheia. Esta, somente lhe incomodava por remeter-lhe a lembrança de saber não sê-lo. Feliz. E se a felicidade era uma predestinação universal, pensar ser um dos poucos entes no mundo a não possuí-la, era o que o envolvia em ainda mais tristeza do que irritação. Irritava-o a falta de jeito: em algum ponto entre sua criação e colocação solene no mundo, esqueceram-se de lhe embutir um manual de instruções. Todos os seus atos pareciam deveras errados, por mais que se esforçasse por fazer o contrário. Todas as suas palavras pareciam soar sempre da maneira mais inconveniente possível. E seus sentimentos quase nunca iam ao encontro dos sentimentos das pessoas a que tentava atingir. A sensação de solidão era, portanto, uma constante. O não-pertencimento provavelmente fosse a expressão que mais vivamente pudesse definir seu estado de espírito naquele e em todos os outros momentos que se pudesse lembrar. E até onde se lembrava, sempre fora assim.

O paliativo de longos passeios em campus repletos de outonais folhas a cobrir seus gramados, a probabilidade de deparar-se com carrinhos de bebês rosados e rechonchudos e a facilidade com que deparar-se-ia com pessoas – e, pior, casais – a destilar sua felicidade constante, apesar de doloroso, era a estratégia que lhe ocorria então. Ao menos se desintoxicava do quarto escuro, das mesmas músicas insistentes e da sensação de paredes fechando-se ao seu redor. Como o telefone já não tocava, tanto lhe fazia não ouvir ninguém lhe falando diretamente na solidão do quarto ou no luzidio amarelão do dia que enfrentava para não chegar a nenhum lugar.

Na melhor das hipóteses, alguém o chamaria por engano por um nome que não seria o seu.

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en passant
Eduardo Hostyn Sabbi

Tentar esquecer é ficar lembrando

De repente você percebe que não se lembra. Força a cuca e nada. Esfrega a testa e nada. Era importante, mas não tem jeito, você esqueceu. Se tivesse anotado na agenda, naquele papelzinho qualquer, na mão mesmo. Nada, foi-se. E parece que não vai voltar mais. Desapareceu tão ao natural, sem fazer força alguma. Pois deu-se o esquecimento. Você não estava determinado a fazê-lo, não traçou um plano, não tentou esquecer. Simplesmente esqueceu.

A Sra. L. mora no Centro Geriátrico Vitalis. Da mesma forma que muitos outros que estão por lá, depara-se diariamente ao acordar com um calendário feito com números grandes que indicam o que ela esquece. Todo dia. Ela tem Alzheimer e parece já ter deixado para lá a briga com o cérebro. Mas se tentar lembrar é tarefa árdua, tentar esquecer pode vir a ser uma dívida inglória, por vezes impagável. E olha você aqui meu amigo, fazendo força para esquecer ... tsc, tsc, tsc.

Não recordo de ter visto uma lista de lembretes de coisas a esquecer perdida em algum bloco de anotações rabiscadas por aí. Bem você sabe que nem o processo de luto serve ao esquecimento. Muito pelo contrário, sua elaboração depende muito mais do resgate ao consciente daquilo que mais se aproxima da realidade, eliminando as fantasias, grandes responsáveis pelas culpas infundadas. Tampouco a missa de 7º dia ou as visitas ao cemitério prestam favor ao esquecer. São para relembrar e matar a saudade.

Me diga uma coisa, por um acaso você não fica lembrando, lendo, repetindo em voz alta um trecho de livro que quer tirar de sua cabeça? Ou faz isso quando quer lembrar? Vai dizer que quando aquela musiquinha brega detestável pega você distraído e não larga mais da sua cabeça, repetitiva e chata como algo pode ser, você fica cantarolando-a por inteiro na tentativa de esquecê-la? Não, você não faz isso. Ah, o problema é passional? Pois cai como uma luva aqui o trecho da música Canto de Ossanha, do Baden Powell e do Vinícius de Moraes:

... eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor

Ah, é difícil né? Você fica com aquele aperto no peito revisitando as poucas fotos sob um céu estrelado para lembrar dela, que há muito lhe prometeu uma resposta e imaginando qual seria. Fica achando ela parecido com algum personagem da TV, com a cara no outdoor e etecétera, etecétera e etcétera. Lamento lhe informar que este é o caminho errado para esquecer. Se é que o que você quer é mesmo esquecer. Vai ver ela nem sabe mais o seu nome, lembra disso. Quem sabe o ponto seja sua esperança de tê-la de volta, de mantê-la perto, de manter alguma brasa acesa, de lembrar para sempre. Pois caberá a você decidir se seguirá o caminho de ficar tentando reviver ou deixar ir de vez.

Seja qual for o caso, e se esquecer é o seu desejo, esqueça de tentar esquecer. Simplesmente esqueça. Vire a página meu amigo, parta para outra, porque tentar esquecer é ficar lembrando. Como diziam Os Mutantes em Dia 36:

Não é mais dia trinta e seis
Tudo começa outra vez
Esquece não pensa mais

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I-racional
Pedro Armando Furtado Volkmann
 

De Ré Na Contra-Mão

Violentos Haikais 8/X

Sexy e nua
Meninos de rua
Aborto

Amores, Fedores e Risos

Você conhece a piada da gambazinha cega que se apaixonou pelo peido?
Pepe e Penélope, alguém conhece história mais romântica que esta?

Você sabia que ter fé de mais pode atrapalhar seus relacionamentos?

Aqui em Porto Alegre, em um bairro que se chama Ipanema tem uma ponte super romântica que fica em cima de um esgoto.
Seria o sonho de todo casal apaixonado, caso fosse possível permanecer algum tempo sobre ela.

Em Fortaleza tem um monumento na praia de Iracema que é uma homenagem ao sistema de esgoto da cidade.

Os Canais de Veneza, são outra prova que para se viver um grande amor é necessário feder um pouco.

Será que amar é sofrer? Pelo nariz?

Sexo é bom, mas você gostaria de ser a empregada que chega para limpar o quarto impregnado?

Ser chique é gostar de comidas que chegaram no podre?

Em certas culturas, arrotar depois que come é sinal de que está satisfeito. Em certas culturas é costume tomar um banho por semana.

Questão de cultura, questão de prazer, o que é permitido, o que é legal e o que é escroto. Comer formiga, fumar cigarro, fumar charuto, comer scargot.

Por que não dizer, cada um teu seu podre, cada qual seu limite. Eu sinto, tu cheira.

Se você acha que estas coisas estão longe de você, lembre-se o Rio grande do Sul é metade alemão, metade italiano. Você iria para cama com quem recém comeu SAUARKRAUT (repolho em conserva), ou FOTZ-A-PERA (rabanete em conserva)?

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Veja só quem está falando!
Diego Mainardo

Brasil, cúmplice de um crime

Em primeiríssimo lugar gostaria de agradecer imensamente a oportunidade de poder expressar minhas opiniões neste nobre espaço da mídia cultural e literária brasileira.

Mesmo tendo recebido ofertas de revistas como a Veja, Isto é e de jornais como a Folha de São Paulo, O Globo e Zero Hora, resolvi concentrar toda minha energia no Simplicíssimo, pois creio que seus leitores merecem o melhor de mim com exclusividade.

Decidi iniciar nossa conversa semanal analisando a viagem de nosso presidente Lula à África. Começo, pois:

Sudão: um relatório divulgado por observadores da União Africana na região de Darfur, no oeste do Sudão, revela que civis foram acorrentados e queimados vivos durante um ataque de milicianos árabes no começo do mês de julho.

Conforme o documento, o ataque ocorreu quando a milícia Janjaweed invadiu um vilarejo, saqueou o mercado e matou dezenas de civis.

Em reunião da União Africana na capital da Etiópia, Adis Abeba, decidiu-se por enviar uma missão de paz de grande escala ao Sudão para desarmar os militantes e proteger os civis.

Aparentemente, os Estados Unidos estão se importando com a situação, que qualificaram até de "genocídio". E pensar que esta mesma nação é responsável por boa parte dos "genocídios" e mortes civis no século XX e entrada do século XXI. Só que, no seu caso, encontram nomes como "Tempestade no Deserto" e "Guerra contra o Terror" para substituir o termo que ora usam "nos olhos dos outros".

Eu bem que poderia agora começar a falar do presidente Lula e sua visita ao Gabão, torcendo que a visita diplomática ao país africano fosse, com jogos de palavras, confundida com minha concordância com o estado atual das coisas no Sudão, mas isso não seria muito correto.

Também poderia dizer que boa parte das informações que tenho foram catadas de última hora do Google para montar este texto, mas isso seria uma verdade dura demais para meus leitores. Poderiam deixar de me respeitar.

Assim, prefiro terminar em ritmo de samba (ou maracatu) este artigo inaugural, porque, para variar, não tenho muita coisa a dizer!

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Utopias
Luiz Maia

Amor e sexo

Tudo faz crer que estamos vivendo momentos de descobertas na área da sexualidade e
do sentimento maior - o amor.

Descobertas que estabelecem novos conceitos e parâmetros nas relações afetivas.

É o amor assumindo seu caráter revolucionário, transformando sentimentos ambíguos e
amizades promíscuas em relações estáveis e duradouras.

Foi-se o tempo da negação do sexo como algo sujo, fator que desencadeou
o falso moralismo e acendeu a fogueira da hipocrisia.

Superado esse período obscuro no século 19,
o mundo assistiu, meio perdido,
à chegada do culto ao sexo como valor máximo imposto pela sociedade industrial,
que faz do consumo sua razão maior de existir.

O sexo passou a ser uma mercadoria qualquer por muitos anos.

O modelo vigente na sociedade de consumo nada entende de valores e critérios nobres
que devem nortear nossas ações e pouco se interessa por isso.

A industria do sexo faturou mais que muitos laboratórios juntos por algumas décadas.
Mas, para nossa alegria, vemos nascer uma nova perspectiva de sociedade,
onde as relações afetivas são permeadas, única e exclusivamente, pelo amor.

As relações tendem a ser únicas e inteiras para serem verdadeiras.

Felizes são as pessoas que se preocupam em fazer o outro feliz em todas as dimensões,
por entenderem que nenhuma delas sobrevive separadamente.

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Espelho
Sara Fleck Neves

No espelho está a face.
Em que face do espelho?
A fase escura do desejo.
Espécie de inferno.
Estranho objeto.

O reflexo é incerto.
Vejo meu rosto, mas não vejo meus olhos.
Vejo meus olhos e perco meu rosto.

No espelho almejo.
Suspiro, converso.
Comigo, contigo.
Com o resto.
No espelho me visto, me testo.

O espelho é modesto.
No vazio, singelo.
Na minha presença, quieto.
Não me diz nada.
Apenas mostra aquilo que não quero ver sozinha.

Aprisiona-me no encanto da vaidade.
Transporta-me para o infinito dos segredos.
Somente eu posso me ver como ele me vê agora.

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Ombudsman
Marcos Claudino

Seguimos pelas paragens virtuais deste que, se não o melhor (e isso nem é importante), o mais versátil espaço literário que conheço.
Ouvi dizer, há tempos, que o crítico é um escritor que não deu certo. O amigo Rafael entra com tudo nesse tema em seu editorial. Realmente, parece que, quando lemos uma resenha, ou uma crítica, não importa a diferenciação deste ou daquele tema, e estamos lendo a mesma coisa, com diversificação apenas da ordem da colocação das expressões citadas... Assim fica fácil, e já que estou desempregado, vou tentar entrar nessa dança também... hehehe...
Mauro Rodrigues traz-nos sua Mulher Feia. Questão de gosto, amigo... Embora você realmente tenha motivos para achar. Eu, como fumante, não ligaria para este detalhe, mas isso por pura visão imediatista. Os fumantes são feios, inevitável. São desagradáveis, fedidos. Independente do sexo, são realmente feios. Só mesmo minha linda noiva (não fumante) pra agüentar este que vos escreve por tanto tempo. O amor é lindo, cego e perdeu o olfato faz tempo...
Alessandro Garcia chega com Jonathan Franzen. Mais um autor que sou estimulado a conhecer. O tema é bastante complexo, a idéia de sucesso ou fracasso varia de cada um a outro, e teríamos muito a conversar. O que sei é que já fui com a cara do autor, só pelo fato da recusa ao jantar com Oprah... Sem mais...
O querido Eduardo Sabbi apresenta-nos o Seu Machado, e o ambiente divertido daquela lojinha de conveniências. Criatividade nunca lhe faltou, e não seria agora que estancaria, certo amigo? Esperei realmente um desfecho inesperado, e este foi mesmo supreendente. Algumas vezes, uma mudança na rotina pode causar prejuízo, mesmo que a intenção seja a melhor...
E vemos o I-racional, do amigo Pedro Volkmann. Ao que entendi, a única forma não é uma, são duas, que se fundem em si mesmas... Está absolutamente certo. Gostei da parte em que explicas que, não gostamos de uma pessoa, pois ela tem algo de nós que não suportamos. Não generalizando, há sempre as exceções das regras, mas é uma excelente regra. Só de descobrir isso, poderemos nos entender, e entender aos outros. Muito bom...
O tenente chega com seus diálogos com o poderoso. Seguindo a escrita, viajamos com o onipotente à FLIP, e, confesso, morri de rir com as comparações do pai eterno com o Hermeto, e tentei imaginar a linda música tirada da folha de papel... Quanto ao protagonista, não sei, mas o Hermeto, esse sim é um Deus!!
Luiz Maia mostra-nos suas Utopias. Desta vez, relatando sobre os beneficios da paciência. Talvez ao brasileiro seja até um sacrilégio pedir paciência. Mais?? Mas, enfim, vale sempre a mensagem...
E sempre que minha folga chega, chega também o companheiro Sachetti. Sempre finalizando com chave de ouro este espaço, sem qualquer traço daquela receita manjada e bem elaborada do tenente, no início, onde levava ao mais que comum a crítica literária. É assim que se faz, e assim espero evoluir, com vocês, ok?
Até a próxima...

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SUPER Desafio Simplex

E o grande vencedor do Super Desafio Simplex foi:

Alessandro Sachetti,

de Cândido Mota, São Paulo!

A Lista dos Competidores que pontuaram:


Alessandro Sachetti (Cândido Mota - SP) - 1000 pontos

Luciano Trevisan (Júlio de Castilhos - RS) - 240 pontos

Luiz Antonio Ribeiro (Petrópolis - RJ) - 90 pontos

Daniel Rech (Porto Alegre - RS) - 60 pontos

Corina Abreu (Rio de Janeiro - RJ) - 20 pontos


Rebeca Campani Donazar ( Porto Alegre - RS) - 10 pts.

Pedro Volkmann (Porto Alegre - RS) - 10 pontos

Diego Altieri Silveira (Sapucaia do Sul- RS) - 10 pontos

Roberto Iukio Iwai (São Paulo - SP) - 10 pontos

Como somente 9 competidores pontuaram, nosso primeiro colocado terá direito de escolher 2 grupos de CDs entre as Coletâneas, Rock Internacional, Miscelâneas, Singles Importados da Inglaterra, Pop & Rock Nacional, Reggae & Ska, Blues & Jazz, MPB & Nacional, Disco/Funk e Clássicos.

SEGUE A LISTA COMPLETA DOS CDs (o primeiro a escolher o grupo de CDs é, obviamente, o vencedor da gincana, passando consecutivamente ao segundo e terceiro lugares e assim consecutivamente, até encerrarem os 10 grupos de premiação).

O Alessandro escolheu:

Rock Internacional

Sixties – UK
Woodstock Festival 1994
Dick Dale – Calling Up Spirits
The Doors – When The Music is Over
Metallica – Live in Concert
Bob Dylan´s Greatest Hits
The Wonders – That Thing You Do
10cc – The Collection
The 60´s Greatest Hits

e MPB & Nacional

Chico Buarque – MPB Compositores
Catálogo dos Novos Talentos da MPB
Gilberto Gil – Quanta
Caetano Veloso – Sem Lenço Sem DocumentoChico Buarque – Instrumental
20 Preferidas – Bossa Nova
Tropicália 30 anos
Jorge Bem Jor – Música para tocar em elevador
Demônios da Garoa – Esses divinos
Vinícius de Moraes e Chico Buarque – A Arte do Encontro
20 Preferidas – Toquinho

O Luciano escolheu:

Blues & Jazz

Blues & Soul – vol 2
Blues Invention – British
Sound The Trumpets – Gold Encore Series
Isley Brothers Greatest Motown Hits
Jimmi Whiterspoon – Cry The Blues
Quinteto Onze e Meia
Jazz – Saxfaction

O Luiz Antonio escolheu:

Pop & Rock Nacional

Ultraje a rigor – 2 é demais
RPM – Rádio Pirata
Cazuza – Ideologia
Devotos de Nossa Senhora Aparecida
Utopia – Edição Histórica
Barão Vermelho – Os dois primeiros
Inocentes – Subterrâneos

O Daniel Rech escolheu:

Coletâneas

Acervo Especial Rock
20 Preferidas Italianas
Globo Special Hits – 2
Rock Stars
Coletânea ShowBizz
Video Music Brasil 1996
A Música do Século 1, 2, 6
Novela em CD – melhores temas
Rock Reflections
A Revista Rock – 89
Os Incríveis Anos 50, 60 e 70

A Corina Abreu escolheu:

Disco/Funk

Dee Lite – Dewdrops in the Garden
Funk BrasilThe Disco History
Groove Brasil
Funkín Soul – The Best Of
Partie Dancing – Around The World
Discoteca Folha da Música Brasileira – Dance
Depeche Mode – Ultra
Cartoon Networks Dance
Édson Cordeiro – Disco Clubbing ao Vivo

O Pedro escolheu:

Miscelâneas

De Las Alturas
Roger Whittaker
Sepultura – Chaos A.D.
Tutta Itália
Os Bons Tempos Estão de Volta
Rei Roberto e Erasmo Cantam
Molotov – Apocalypshit
Orquestra Românticos de Cuba – Romance no Cinema
Saturday Morning – Cartoons Greatest Hits
Fats Domino – The Best Of
Grupo Raça – Jeito de Felicidade
De Ros – Universe
De Ros – Ad Dei Gloriam
Richard Powell

O Roberto escolheu:

Reggae & Ska

Inner Circle – Forward Jah Jah People
The Reggae Collection – Keep On Moving (1 a 4) importado da Inglaterra
Mestres do Ska

O Diego escolheu:

Clássicos

Os Grandes Clássicos – Ludwig van Beethoven (1,2,3)
Vozes da Tranqüilidade (2 CDs)
Dvórak
Elgar

Sobrou para a Rebeca:

Singles Importados da Inglaterra

Reef – Sweetie
Reef – I´ve got something to say
Reef – Sweetie
Garbage – You Look So Fine
Garbage – You Look So Fine

 

Pegue o banner
do Simplicíssimo
e divulgue em seu
sítio ou blógue!


Línque para
http://www.simplicissimo.com.br
e depois nos avise!

 


Gentileza prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em tamanho maior no blógue do amigo.

 


Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 

 

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