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04/08/2004
- Edição número
87
Vulvas
unuum septum sepulcrum
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A
Reforma do Bem-Estar
Tempos difíceis
esses... Já não há mais circo
que sustente a falta de pão. Se você
não é um dos que a falta de pão
aflige, faça o favor de ignorar este texto
e volte seus olhos para outra literatura, continue
sua invejável vida.
Aqui estamos nós, supremos representantes
de Deus (?) na face da Terra, humanos abençoados
pelo dom da razão, adentrando o que os
místicos chamam de Era de Aquário
– a Era do Humanismo, da Fraternidade e
da Concórdia entre os seres.
É bom que se diga – em meio a nuvens
carregadas de dióxido de carbono, diminuição
progressiva dos combustíveis fósseis
e da água potável e instabilidade
constante dos mercados mundiais – que ninguém
está a prestar atenção nesta
tal de fraternidade.
Depois de um período onde as chamadas Organizações
Não-Governamentais (ONGs) passaram a ser
chamadas de Terceira Via – a via que prometia
a redenção da humanidade através
desta própria, independente (ou parcialmente
indepedente) do Estado – estudos recentes
demonstram que a grande maioria está fadada
ao fracasso, pela incapacidade de gerenciamento
e pelos custos que elas mesmas se impõe.
Anda-se, por esses dias, justificando a morte
de milhares por um fim nobre: as reeleições
para o governo da maior potência do planeta.
Em meio à desagregação total,
, inventaram um tal de globalização,
que até onde consigo enxergar – apoiado
nos ombros de gigantes – só é
verdadeira no que diz respeito ao conhecimento,
nunca tão disponível ao mais simples
cidadão (com acesso á Internet,
sejamos claros) mas não no que diz respeito
à distribuição de riquezas,
cada vez mais concentrada nos cofres das nações
mais poderosas.
O ser humano, este ser pensante, caminhante solitário
pela senda da vida, ser impermanente que sonha
ser eterno, é capaz de criar tanta tecnologia
e de se relacionar com ela a ponto de gerar tamanho
conforto até há pouco inimaginado
por nossos avós ou até mesmo por
nossos pais. Não foi capaz, entretanto,
de utilizar esta tecnologia em benefício
da própria humanidade, exceto para o benefício
de poucos, que utilizam a mesma para intensificar
seu controle sobre os demais povos, que vivem
à margem deste Mundo Novo, para eles pouco
conhecido.
E assim vamos vivendo, sofrendo e querendo, sedentos
de mudanças que não sabemos de onde
podem vir. Esta falta de perspectivas, gênese
da angústia do homem contemporâneo,
se reflete em tudo que experenciamos – arte,
política, economia, relacionamentos interpessoais
– e acaba por gerar um ciclo vicioso difícil
de quebrar.
A reforma do bem-estar é urgente. A busca
de soluções começa voltando
nosso olhar para nosso próprio umbigo,
mas não pára aí. Depois de
nos conhecermos, temos que levantar os olhos ao
horizonte e ver o que aflige nossos companheiros
de viagem nesta grande nau que viaja pelo espaço.
As ferramentas nos foram dadas pela Natureza.
Aprendamos a utilizá-las.
(texto
introdutório ao Ensaio “A Reforma
da Percepção, do Julgamento e dos
Sentidos”, em elaboração)
A
propósito: nesta edição temos
as férias (temporárias, é
bom que se diga) dos Diálogos com Deus
e, em seu lugar, a estréia de um novo colunista:
seja bem-vindo Diego Mainardo. Diego estará
semanalmente nos trazendo textos sobre economia,
política e atualidades do Brasil e do mundo.
Outra coisa: nossos
colunistas estão reclamando da falta de
comentários em seus textos. Sabemos, por
falar pessoalmente e através de e-mail
com muitos de nossos Simplileitores regulares
que o ato de comentar demanda tempo e até
mesmo a elaboração adequada de uma
resposta. mas não se envergonhem e tomem
este tempo! Seu colunista preferido vai agradecer
e ficar muito feliz! Um estímulo a mais
para que ele produza sempre textos com muito carinho
(e de graça!) para você.
Lembre-se: aqui você
lê gratuitamente textos com qualidade igua
ou superior ao que encontra na grande mídia
e o único pagamento das pessoas que aqui
escrevem é o seu retorno na forma de comentários
ou e-mails.
Comenta que o coração
esquenta!
Rafael
Luiz Reinehr
"Os
espíritos que são impedidos de mudar
suas opiniões cessam de ser espírito"
Friederich Nietsche
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Feminismo
e Machismo -
A tênue linha que separa
os sexos hoje
Luiz Emanuel
S. de Mello Campos
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E
eu estou trabalhando com mulheres. Estou em uma
empresa de pesquisa de mercado onde a maioria
dos funcionários são... funcionárias!
Dentre tantas diferenças, pude confirmar
o que eu já desconfiava, embora os tabus
e machismos continuem os mesmos, elas mudaram,
e muito...
Começa
pelo que já notei da maioria dos relacionamentos,
hoje elas não sonham mais com casamentos,
vel, grinalda, elas sonham principalmente com
tailers, carreira e MBA\'s, e ter uma companhia
para a balada, jantares e finais de semana. Parece
com alguém? Sim! Lembra a nós mesmos,
ou algo que já fomos um dia...
Ao
mesmo tempo que elas levam uma vida mais pé
no chão, acadêmica, prática,
profissional, não é difícil
encontrar nos dias de hoje homens "metrossexuais",
homens que cuidam da aparência, vaidosos
ao extremo, malham, fazem as unhas (até
as da mão!) e cuidam da cor do cabelo,
bem como, cada vez mais é o sonho do homem
casar, constituir família e viver entre
uma carreira que o sustente e tocar sonhos, viver
sonhos...
Não
é de hoje que o seguro dos automóveis
é mais barato para mulheres, que cargos
que exijam flexibilidade e tocar diversos e distintos
projetos as
mulheres são preferidas, mas o que tem
ocorrido é a confirmação
da tendência, e a confirmação
que até os conceitos masculinos, o machismo
principalmente, está muito desatualizado.
Não
acho que chegue a caracterizar uma inversão
de papéis, mas é a concretização
do tal equilíbrio que já vem sendo
pregado a tres ou quatro gerações,
desde que se instituiu o dia das mulheres...
Mulheres
mais práticas, como você, que me
lê no serviço enquanto toca diversos
projetos e planeja o fim de semana, e homens,
com carreiras extremamente planejadas, mas cada
vez mais sonhadores, como este cronista de meia
tigela, e
metrossexual!
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Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia |
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A
perspectiva do sutil abandono
Entre
os passantes à sua volta, o mesmo vento
que se resumia a brincar com seus cabelos e espalhar
sua brisa suave por entre as árvores do
campus, só o enchia de mais agonia. Não
o encantava – ainda que somente não
àquela tarde – toda a herança
poética a que tardes sem sol, com vento
suave a espalhar sua brisa por entre as árvores
pudessem lhe remeter. Só o perseguia a
persistente e incômoda agonia, o sentimento
de não estar presente, quase uma sensação
de intruso em meio a uma felicidade alheia que,
se não se pronunciava por demonstrações
mais alaridas de risadas e galhofas (ao longe,
mesmo assim, conseguia identificar os sons de
quase cinematográfica festividade: traquinagens
que deviam envolver puxões nos cabelos
e outras próprias de jovens na flor da
demonstração dos instintos sexuais),
ainda assim lhe vinha aos jorros até os
ouvidos.
Não
se comportava como o mais rabugento dos velhos,
não chegava a resmungos e cara feia para
todos que lhe cruzavam o caminho e pareciam trazer
estampado em seus rostos um sorriso imperturbável
e sereno. Na verdade, o espantava era a sustentação
de tais sorrisos. Parecia-lhe que a felicidade
alheia era um sentimento contínuo, não
os efêmeros instantes a que estava acostumado,
os poucos momentos de risos a que se permitia
em raros momentos de alegria extremada. Queria
fazer contas das últimas vezes em que se
sentiu realmente tomado de toda esta felicidade.
Já se ia tempos em que não se dedicava
a estas brincadeiras mais infantis; ainda que
- mesmo neste momento em que o quase azedume se
tornava parte persistente de seus dias - lhe parecesse
complicado trazer à zona mais viva da memória
o encanto daqueles dias em que puxar o cabelo
das meninas e bulir com suas mochilas e penduricalhos
diversos constituía a mais excitante das
brincadeiras, quando conseguia fazê-lo,
o encanto destes tempos não se esvaía.
Certo é que não chegava à
intensidade de fazer-lhe esboçar o mesmo
sorriso bobo que se formava no rosto do ruivo
sardento que cruzava ao seu lado, mas a verdade
é que a sensação de euforia
simples, do prazer corporal com uma pessoa do
sexo oposto, naquela idade tão tenra onde
cada pequena brincadeira se assemelhava aos mais
fascinante dos jogos sexuais que teria na idade
adulta, ainda assim lhe era vívida.
É
bem provável que somente a lembrança
destes tempos fosse a mola impulsora que o fazia
sentir-se, senão agradavelmente ligado
a estes jovens que gritavam ao longe, nas brincadeiras
de criança, ao menos com um pouco mais
de ânimo para atravessar o campus sem achar
que cada vento que lhe remexia o cabelo –
e brincava por entre as árvores –
fosse algum enviado de quem-quer-que-fosse para
atazanar-lhe ainda mais o dia.
Na
verdade, a agonia era mais próxima a sentimentos
depressivos do que seria a birra de um velho indignado
com a felicidade alheia. Esta, somente lhe incomodava
por remeter-lhe a lembrança de saber não
sê-lo. Feliz. E se a felicidade era uma
predestinação universal, pensar
ser um dos poucos entes no mundo a não
possuí-la, era o que o envolvia em ainda
mais tristeza do que irritação.
Irritava-o a falta de jeito: em algum ponto entre
sua criação e colocação
solene no mundo, esqueceram-se de lhe embutir
um manual de instruções. Todos os
seus atos pareciam deveras errados, por mais que
se esforçasse por fazer o contrário.
Todas as suas palavras pareciam soar sempre da
maneira mais inconveniente possível. E
seus sentimentos quase nunca iam ao encontro dos
sentimentos das pessoas a que tentava atingir.
A sensação de solidão era,
portanto, uma constante. O não-pertencimento
provavelmente fosse a expressão que mais
vivamente pudesse definir seu estado de espírito
naquele e em todos os outros momentos que se pudesse
lembrar. E até onde se lembrava, sempre
fora assim.
O
paliativo de longos passeios em campus repletos
de outonais folhas a cobrir seus gramados, a probabilidade
de deparar-se com carrinhos de bebês rosados
e rechonchudos e a facilidade com que deparar-se-ia
com pessoas – e, pior, casais – a
destilar sua felicidade constante, apesar de doloroso,
era a estratégia que lhe ocorria então.
Ao menos se desintoxicava do quarto escuro, das
mesmas músicas insistentes e da sensação
de paredes fechando-se ao seu redor. Como o telefone
já não tocava, tanto lhe fazia não
ouvir ninguém lhe falando diretamente na
solidão do quarto ou no luzidio amarelão
do dia que enfrentava para não chegar a
nenhum lugar.
Na
melhor das hipóteses, alguém o chamaria
por engano por um nome que não seria o
seu.
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en
passant
Eduardo Hostyn
Sabbi |
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Tentar
esquecer é ficar lembrando
De
repente você percebe que não se lembra.
Força a cuca e nada. Esfrega a testa e
nada. Era importante, mas não tem jeito,
você esqueceu. Se tivesse anotado na agenda,
naquele papelzinho qualquer, na mão mesmo.
Nada, foi-se. E parece que não vai voltar
mais. Desapareceu tão ao natural, sem fazer
força alguma. Pois deu-se o esquecimento.
Você não estava determinado a fazê-lo,
não traçou um plano, não
tentou esquecer. Simplesmente esqueceu.
A
Sra. L. mora no Centro Geriátrico Vitalis.
Da mesma forma que muitos outros que estão
por lá, depara-se diariamente ao acordar
com um calendário feito com números
grandes que indicam o que ela esquece. Todo dia.
Ela tem Alzheimer e parece já ter deixado
para lá a briga com o cérebro. Mas
se tentar lembrar é tarefa árdua,
tentar esquecer pode vir a ser uma dívida
inglória, por vezes impagável. E
olha você aqui meu amigo, fazendo força
para esquecer ... tsc, tsc, tsc.
Não
recordo de ter visto uma lista de lembretes de
coisas a esquecer perdida em algum bloco de anotações
rabiscadas por aí. Bem você sabe
que nem o processo de luto serve ao esquecimento.
Muito pelo contrário, sua elaboração
depende muito mais do resgate ao consciente daquilo
que mais se aproxima da realidade, eliminando
as fantasias, grandes responsáveis pelas
culpas infundadas. Tampouco a missa de 7º
dia ou as visitas ao cemitério prestam
favor ao esquecer. São para relembrar e
matar a saudade.
Me
diga uma coisa, por um acaso você não
fica lembrando, lendo, repetindo em voz alta um
trecho de livro que quer tirar de sua cabeça?
Ou faz isso quando quer lembrar? Vai dizer que
quando aquela musiquinha brega detestável
pega você distraído e não
larga mais da sua cabeça, repetitiva e
chata como algo pode ser, você fica cantarolando-a
por inteiro na tentativa de esquecê-la?
Não, você não faz isso. Ah,
o problema é passional? Pois cai como uma
luva aqui o trecho da música Canto de Ossanha,
do Baden Powell e do Vinícius de Moraes:
...
eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
Ah, é difícil né? Você
fica com aquele aperto no peito revisitando as
poucas fotos sob um céu estrelado para
lembrar dela, que há muito lhe prometeu
uma resposta e imaginando qual seria. Fica achando
ela parecido com algum personagem da TV, com a
cara no outdoor e etecétera, etecétera
e etcétera. Lamento lhe informar que este
é o caminho errado para esquecer. Se é
que o que você quer é mesmo esquecer.
Vai ver ela nem sabe mais o seu nome, lembra disso.
Quem sabe o ponto seja sua esperança de
tê-la de volta, de mantê-la perto,
de manter alguma brasa acesa, de lembrar para
sempre. Pois caberá a você decidir
se seguirá o caminho de ficar tentando
reviver ou deixar ir de vez.
Seja
qual for o caso, e se esquecer é o seu
desejo, esqueça de tentar esquecer. Simplesmente
esqueça. Vire a página meu amigo,
parta para outra, porque tentar esquecer é
ficar lembrando. Como diziam Os Mutantes em Dia
36:
Não
é mais dia trinta e seis
Tudo começa outra vez
Esquece não pensa mais
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I-racional
Pedro Armando Furtado
Volkmann |
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De
Ré Na Contra-Mão
Violentos
Haikais 8/X
Sexy e nua
Meninos de rua
Aborto
Amores,
Fedores e Risos
Você conhece
a piada da gambazinha cega que se apaixonou pelo
peido?
Pepe e Penélope, alguém conhece
história mais romântica que esta?
Você sabia
que ter fé de mais pode atrapalhar seus
relacionamentos?
Aqui em Porto Alegre,
em um bairro que se chama Ipanema tem uma ponte
super romântica que fica em cima de um esgoto.
Seria o sonho de todo casal apaixonado, caso fosse
possível permanecer algum tempo sobre ela.
Em Fortaleza tem
um monumento na praia de Iracema que é
uma homenagem ao sistema de esgoto da cidade.
Os Canais de Veneza,
são outra prova que para se viver um grande
amor é necessário feder um pouco.
Será que amar
é sofrer? Pelo nariz?
Sexo é bom,
mas você gostaria de ser a empregada que
chega para limpar o quarto impregnado?
Ser
chique é gostar de comidas que chegaram
no podre?
Em
certas culturas, arrotar depois que come é
sinal de que está satisfeito. Em certas
culturas é costume tomar um banho por semana.
Questão de
cultura, questão de prazer, o que é
permitido, o que é legal e o que é
escroto. Comer formiga, fumar cigarro, fumar charuto,
comer scargot.
Por que não
dizer, cada um teu seu podre, cada qual seu limite.
Eu sinto, tu cheira.
Se
você acha que estas coisas estão
longe de você, lembre-se o Rio grande do
Sul é metade alemão, metade italiano.
Você iria para cama com quem recém
comeu SAUARKRAUT (repolho em conserva), ou FOTZ-A-PERA
(rabanete em conserva)?
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Veja
só quem está falando!
Diego Mainardo |
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Brasil,
cúmplice de um crime
Em primeiríssimo lugar gostaria de agradecer
imensamente a oportunidade de poder expressar
minhas opiniões neste nobre espaço
da mídia cultural e literária brasileira.
Mesmo
tendo recebido ofertas de revistas como a Veja,
Isto é e de jornais como a Folha de São
Paulo, O Globo e Zero Hora, resolvi concentrar
toda minha energia no Simplicíssimo, pois
creio que seus leitores merecem o melhor de mim
com exclusividade.
Decidi
iniciar nossa conversa semanal analisando a viagem
de nosso presidente Lula à África.
Começo, pois:
Sudão: um relatório divulgado por
observadores da União Africana na região
de Darfur, no oeste do Sudão, revela que
civis foram acorrentados e queimados vivos durante
um ataque de milicianos árabes no começo
do mês de julho.
Conforme o documento,
o ataque ocorreu quando a milícia Janjaweed
invadiu um vilarejo, saqueou o mercado e matou
dezenas de civis.
Em reunião
da União Africana na capital da Etiópia,
Adis Abeba, decidiu-se por enviar uma missão
de paz de grande escala ao Sudão para desarmar
os militantes e proteger os civis.
Aparentemente, os
Estados Unidos estão se importando com
a situação, que qualificaram até
de "genocídio". E pensar que
esta mesma nação é responsável
por boa parte dos "genocídios"
e mortes civis no século XX e entrada do
século XXI. Só que, no seu caso,
encontram nomes como "Tempestade no Deserto"
e "Guerra contra o Terror" para substituir
o termo que ora usam "nos olhos dos outros".
Eu
bem que poderia agora começar a falar do
presidente Lula e sua visita ao Gabão,
torcendo que a visita diplomática ao país
africano fosse, com jogos de palavras, confundida
com minha concordância com o estado atual
das coisas no Sudão, mas isso não
seria muito correto.
Também poderia
dizer que boa parte das informações
que tenho foram catadas de última hora
do Google para montar este texto, mas isso seria
uma verdade dura demais para meus leitores. Poderiam
deixar de me respeitar.
Assim, prefiro terminar
em ritmo de samba (ou maracatu) este artigo inaugural,
porque, para variar, não tenho muita coisa
a dizer!
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Amor
e sexo
Tudo faz crer que estamos vivendo
momentos de descobertas na área da sexualidade
e
do sentimento maior - o amor.
Descobertas
que estabelecem novos conceitos e parâmetros
nas relações afetivas.
É
o amor assumindo seu caráter revolucionário,
transformando sentimentos ambíguos e
amizades promíscuas em relações
estáveis e duradouras.
Foi-se
o tempo da negação do sexo como
algo sujo, fator que desencadeou
o falso moralismo e acendeu a fogueira da hipocrisia.
Superado
esse período obscuro no século 19,
o mundo assistiu, meio perdido,
à chegada do culto ao sexo como valor máximo
imposto pela sociedade industrial,
que faz do consumo sua razão maior de existir.
O
sexo passou a ser uma mercadoria qualquer por
muitos anos.
O
modelo vigente na sociedade de consumo nada entende
de valores e critérios nobres
que devem nortear nossas ações e
pouco se interessa por isso.
A
industria do sexo faturou mais que muitos laboratórios
juntos por algumas décadas.
Mas, para nossa alegria, vemos nascer uma nova
perspectiva de sociedade,
onde as relações afetivas são
permeadas, única e exclusivamente, pelo
amor.
As
relações tendem a ser únicas
e inteiras para serem verdadeiras.
Felizes
são as pessoas que se preocupam em fazer
o outro feliz em todas as dimensões,
por entenderem que nenhuma delas sobrevive separadamente.
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No espelho está
a face.
Em que face do espelho?
A fase escura do desejo.
Espécie de inferno.
Estranho objeto.
O reflexo é
incerto.
Vejo meu rosto, mas não vejo meus olhos.
Vejo meus olhos e perco meu rosto.
No espelho almejo.
Suspiro, converso.
Comigo, contigo.
Com o resto.
No espelho me visto, me testo.
O espelho é
modesto.
No vazio, singelo.
Na minha presença, quieto.
Não me diz nada.
Apenas mostra aquilo que não quero ver
sozinha.
Aprisiona-me no encanto
da vaidade.
Transporta-me para o infinito dos segredos.
Somente eu posso me ver como ele me vê agora.
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Ombudsman
Marcos
Claudino |
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Seguimos
pelas paragens virtuais deste que, se não
o melhor (e isso nem é importante), o mais
versátil espaço literário
que conheço.
Ouvi dizer, há tempos, que o crítico
é um escritor que não deu certo.
O amigo Rafael entra com tudo nesse tema em seu
editorial. Realmente, parece que, quando lemos
uma resenha, ou uma crítica, não
importa a diferenciação deste ou
daquele tema, e estamos lendo a mesma coisa, com
diversificação apenas da ordem da
colocação das expressões
citadas... Assim fica fácil, e já
que estou desempregado, vou tentar entrar nessa
dança também... hehehe...
Mauro Rodrigues traz-nos sua Mulher Feia. Questão
de gosto, amigo... Embora você realmente
tenha motivos para achar. Eu, como fumante, não
ligaria para este detalhe, mas isso por pura visão
imediatista. Os fumantes são feios, inevitável.
São desagradáveis, fedidos. Independente
do sexo, são realmente feios. Só
mesmo minha linda noiva (não fumante) pra
agüentar este que vos escreve por tanto tempo.
O amor é lindo, cego e perdeu o olfato
faz tempo...
Alessandro Garcia chega com Jonathan Franzen.
Mais um autor que sou estimulado a conhecer. O
tema é bastante complexo, a idéia
de sucesso ou fracasso varia de cada um a outro,
e teríamos muito a conversar. O que sei
é que já fui com a cara do autor,
só pelo fato da recusa ao jantar com Oprah...
Sem mais...
O querido Eduardo Sabbi apresenta-nos o Seu Machado,
e o ambiente divertido daquela lojinha de conveniências.
Criatividade nunca lhe faltou, e não seria
agora que estancaria, certo amigo? Esperei realmente
um desfecho inesperado, e este foi mesmo supreendente.
Algumas vezes, uma mudança na rotina pode
causar prejuízo, mesmo que a intenção
seja a melhor...
E vemos o I-racional, do amigo Pedro Volkmann.
Ao que entendi, a única forma não
é uma, são duas, que se fundem em
si mesmas... Está absolutamente certo.
Gostei da parte em que explicas que, não
gostamos de uma pessoa, pois ela tem algo de nós
que não suportamos. Não generalizando,
há sempre as exceções das
regras, mas é uma excelente regra. Só
de descobrir isso, poderemos nos entender, e entender
aos outros. Muito bom...
O tenente chega com seus diálogos com o
poderoso. Seguindo a escrita, viajamos com o onipotente
à FLIP, e, confesso, morri de rir com as
comparações do pai eterno com o
Hermeto, e tentei imaginar a linda música
tirada da folha de papel... Quanto ao protagonista,
não sei, mas o Hermeto, esse sim é
um Deus!!
Luiz Maia mostra-nos suas Utopias. Desta vez,
relatando sobre os beneficios da paciência.
Talvez ao brasileiro seja até um sacrilégio
pedir paciência. Mais?? Mas, enfim, vale
sempre a mensagem...
E sempre que minha folga chega, chega também
o companheiro Sachetti. Sempre finalizando com
chave de ouro este espaço, sem qualquer
traço daquela receita manjada e bem elaborada
do tenente, no início, onde levava ao mais
que comum a crítica literária. É
assim que se faz, e assim espero evoluir, com
vocês, ok?
Até a próxima...
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E
o grande vencedor do Super Desafio Simplex
foi:
Alessandro
Sachetti,
de
Cândido Mota, São Paulo!

A
Lista dos Competidores que pontuaram:
Alessandro
Sachetti (Cândido Mota - SP) -
1000 pontos
Luciano
Trevisan (Júlio de Castilhos
- RS) - 240 pontos
Luiz
Antonio Ribeiro (Petrópolis -
RJ) - 90 pontos
Daniel
Rech (Porto Alegre - RS) - 60 pontos
Corina Abreu (Rio de Janeiro - RJ) -
20 pontos
Rebeca Campani Donazar ( Porto Alegre
- RS) - 10 pts.
Pedro Volkmann (Porto Alegre - RS) -
10 pontos
Diego Altieri Silveira (Sapucaia do
Sul- RS) - 10 pontos
Roberto Iukio Iwai (São Paulo
- SP) - 10 pontos
Como
somente 9 competidores pontuaram, nosso
primeiro colocado terá direito
de escolher 2 grupos de CDs entre as
Coletâneas, Rock Internacional,
Miscelâneas, Singles Importados
da Inglaterra, Pop & Rock Nacional,
Reggae & Ska, Blues & Jazz,
MPB & Nacional, Disco/Funk e Clássicos.
SEGUE
A LISTA COMPLETA DOS CDs (o primeiro
a escolher o grupo de CDs é,
obviamente, o vencedor da gincana, passando
consecutivamente ao segundo e terceiro
lugares e assim consecutivamente, até
encerrarem os 10 grupos de premiação).
O
Alessandro escolheu:
Rock
Internacional
Sixties
– UK
Woodstock Festival 1994
Dick Dale – Calling Up Spirits
The Doors – When The Music is
Over
Metallica – Live in Concert
Bob Dylan´s Greatest Hits
The Wonders – That Thing You Do
10cc – The Collection
The 60´s Greatest Hits
e
MPB
& Nacional
Chico
Buarque – MPB Compositores
Catálogo dos Novos Talentos da
MPB
Gilberto Gil – Quanta
Caetano Veloso – Sem Lenço
Sem DocumentoChico Buarque – Instrumental
20 Preferidas – Bossa Nova
Tropicália 30 anos
Jorge Bem Jor – Música
para tocar em elevador
Demônios da Garoa – Esses
divinos
Vinícius de Moraes e Chico Buarque
– A Arte do Encontro
20 Preferidas – Toquinho
O
Luciano escolheu:
Blues
& Jazz
Blues
& Soul – vol 2
Blues Invention – British
Sound The Trumpets – Gold Encore
Series
Isley Brothers Greatest Motown Hits
Jimmi Whiterspoon – Cry The Blues
Quinteto Onze e Meia
Jazz – Saxfaction
O
Luiz Antonio escolheu:
Pop
& Rock Nacional
Ultraje
a rigor – 2 é demais
RPM – Rádio Pirata
Cazuza – Ideologia
Devotos de Nossa Senhora Aparecida
Utopia – Edição
Histórica
Barão Vermelho – Os dois
primeiros
Inocentes – Subterrâneos
O
Daniel Rech escolheu:
Coletâneas
Acervo
Especial Rock
20 Preferidas Italianas
Globo Special Hits – 2
Rock Stars
Coletânea ShowBizz
Video Music Brasil 1996
A Música do Século 1,
2, 6
Novela em CD – melhores temas
Rock Reflections
A Revista Rock – 89
Os Incríveis Anos 50, 60 e 70
A
Corina Abreu escolheu:
Disco/Funk
Dee
Lite – Dewdrops in the Garden
Funk BrasilThe Disco History
Groove Brasil
Funkín Soul – The Best
Of
Partie Dancing – Around The World
Discoteca Folha da Música Brasileira
– Dance
Depeche Mode – Ultra
Cartoon Networks Dance
Édson Cordeiro – Disco
Clubbing ao Vivo
O
Pedro escolheu:
Miscelâneas
De
Las Alturas
Roger Whittaker
Sepultura – Chaos A.D.
Tutta Itália
Os Bons Tempos Estão de Volta
Rei Roberto e Erasmo Cantam
Molotov – Apocalypshit
Orquestra Românticos de Cuba –
Romance no Cinema
Saturday Morning – Cartoons Greatest
Hits
Fats Domino – The Best Of
Grupo Raça – Jeito de Felicidade
De Ros – Universe
De Ros – Ad Dei Gloriam
Richard Powell
O
Roberto escolheu:
Reggae
& Ska
Inner
Circle – Forward Jah Jah People
The Reggae Collection – Keep On
Moving (1 a 4) importado da Inglaterra
Mestres do Ska
O
Diego escolheu:
Clássicos
Os
Grandes Clássicos – Ludwig
van Beethoven (1,2,3)
Vozes da Tranqüilidade (2 CDs)
Dvórak
Elgar
Sobrou
para a Rebeca:
Singles
Importados da Inglaterra
Reef
– Sweetie
Reef – I´ve got something
to say
Reef – Sweetie
Garbage – You Look So Fine
Garbage – You Look So Fine
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Línque
para
http://www.simplicissimo.com.br
e depois nos avise!

Gentileza
prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto
Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de
mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em
tamanho maior no blógue do amigo.
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Selo
comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em
2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
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