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12 /08/2004
- Edição número
88
Olmpíadas
de Antenas
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Olimpíadas,
tropeços & amores que vem e vão...
Estamos a iniciar
o maravilhoso mundo das Olimpíadas.
Os
Jogos Olímpicos da Era Moderna,
idealizados pelo barão Pierre de Coubertin
e patrocinados pelo milionário grego George
Averoff iniciaram sua saga em 1896, em Atenas,
na Grécia, local onde se realizam neste
ano os XXVIII Jogos Olímpicos.
O surgimento dos
jogos, em respeito aos preceitos defendidos por
seu criados, deveriam levar o lema "O importante
é competir".
Na
Grécia Antiga, entre VIII a.C.
e IV d.C. ocorriam os Jogos Olímpicos
originais, que consistiam em provas de corrida
a pé e a cavalo, lutas, saltos e arremessos.
A sede, durante estes doze séculos foi
uma só: a cidade de Olímpia,
para onde os campeões de cada cidade se
dirigiam, propiciando inclusive a interrupção
de todo e qualquer combate entre os povos gregos,
em respeito ao armistício que era decretado
por ocasião dos jogos.
Mal
sabiam eles que, séculos depois, uma guerra
iria interromper o andamento dos jogos, que boicotes
de nações poderosas iriam prejudicar
seu andamento e que estratégias pouco honestas
como o doping iriam tomar de
assalto os Jogos onde "o importante é
competir".
Como
diz o Diego Mainardo em sua coluna
nesta edição, parece que as pessoas
não aceitam a queda. Temem ter que juntar
forças para levantar e voltar a tentar
vencer. Assim, antecipam-se e derrubam os outros.
Esse comportamento não se restringe aos
esportes. É generalizado. Está em
todo lugar. Olhe para o seu lado agora. E agora.
E agora.
Aqui
no Simplicíssimo tentamos
evitar esta competição desenfreada
que só almeja a vitória individual
ou de poucos. Queremos compartilhar, aprender
juntos.
Um
bom exemplo disso é que a campanha "Comenta
que o coração esquenta!"
foi um sucesso! Na edição passada
tivemos o expressivo número de 60
comentários até o momento
em que escrevi este editorial.
Mais
importante: geraram-se amplos debates nas colunas,
como pudemos acompanhar no texto "Amor
e Sexo" de Luiz Maia,
onde um acalorado debate entre o autor recifense
e a leitora Márcia de
Porto Alegre, no qual ambos saíram vencedores
e, de lambuja, nos presentearam com seus interessantes
pontos-de-vista. Até a Pinky
que sabemos está sempre lendo às
escondidas arriscou um comentário...
É
isto que queremos: que os textos gerem respostas,
produzam sentimentos, estímulos capazes
de produzir aprendizado. Modificações
na forma de pensar e agir do interlocutor e, que
a resposta por este oferecida possa, por sua vez,
gerar mudança na vida dos autores e colaboradores.
Nesta edição,
quem nos acompanha de perto vai notar algumas
mudanças e novidades.
Agora,
a poesia que sempre era apresentada ao final,
imediatamente antes do Ombudsman passará
a ser publicada logo após o Artigo,
que é o espaço dedicado aos textos
dos usuais colaboradores e dos novos escritores
do Simplicíssimo, como
é o caso do Bernardo de
Santa Maria - RS e do Lifebuster (Nuno
Silva) de Portugal.
Outra
estréia importante no Simplicíssimo
é a da poeta Sara Fleck Neves,
até há pouco intensa colaboradora
e agora oficialmente colunista do site. Sara manterá
a coluna semanal "Um pouco de
cada: luz e trevas". Seja bem-vinda
Sara!
Outra
pequena mudança é que, as colunas
de periodicidade não regular, como as Pequenas
Resenhas Canalhas, do Maurício
(que está de volta nesta edição)
passaram para o final, imediatamente antes do
Ombudsman, que, como sempre,
encerra com chave de ouro o site.
O
Desafio Simplex virou história.
Resolvi deixar de distribuir os CDs através
do site. A participação é
pequena e os vencedores passavam a se repetir.
O SuperDesafio Simplex, a distribuição
de 89 CDs de uma vez só
foi, por enquanto, a
última distribuição de prêmios
do site. Novidades a este respeito sem data marcada.
A propósito, aos vencedores do SuperDesafio
Simplex: seus CDs ainda não foram enviados,
mas serão antes do fim das Olimpíadas,
não se preocupem!
A
todos que ainda estão temerosos quanto
a participar ativamente do Simplicíssimo,
deixem este medo de lado e tirem seus escritos
da gaveta e enviem para nós! Teremos o
prazer de apresentar seus escritos aos Simplileitores
de todos cantos do Brasil, Portugal, Moçambique
e onde mais quer que nossas palavras estejam tocando.
Até
a próxima edição, na quarta-feira
que vem, se tudo estiver bem!
Rafael
Luiz Reinehr
"Estamos
em um mundo de perdidos onde todos fazemos de
conta que estamos achados"
Eduardo Castro
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As
3 estrelas de Cozumel
Bernardo W. K. |
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Sonhou
que Abraão corria pela rua do meio fugindo
dos guardas. Abraão derrubava tudo o que
encontrava no caminho para tentar retardar os
guardas que já haviam bebido mais de meio
barril na taverna do dragão queimado.
_ Acabou! - Berrou um guarda com uma expressão
tão bucólica que seus olhos estavam
envoltos em sombras lançadas pelas sombrancelhas
que se reprimiam pela impulsão suspensa
da pele da bochecha enquanto ria. - É o
seu fim Abrãao. - A
rua não tinha mais buracos, era para frente
e para trás somente, e em ambos os lados
os guardas tremiam as pernas, loucos para o massacre.
Abraão ajoelhou no chão de terra,
sujou o manto cor de cavalo da terra, alisou a
barba e fez o sinal da cruz três vezes olhando
para três estrelas do céu limpo de
jerusalém.
_ Qual é o seu nome? - Perguntou a um dos
guardas, o mais jovem. - Antes de morrer eu preciso
saber. - Cozumel - respondeu o rapaz com uma cara
de poucos parentes vivos. - Cozumel, eu lhe declaro
agora, dia da morte de São Budah, meu filho
por parte de Deus, te amo com todas as minhas
forças, agora me corte a cabeça
e leve-a a quem te dá de comer.
Cozumel largou a lança no chão e
se ajoelhou. Com a boca envergada de vergonha
foi desmontando a armadura de talas, não
dava ouvido às bravejas dos
companheiros de trilha.
_ Cozumel! Levante-se e mate esse velho! - Ordenou
o chefe da tropa, o homem de sorriso bucólico.
- Agora!
Uma luz surgiu de uma fenda no largo tecido azul
de céu e pairou sobre Cozumel.
Abriu os olhos e enxergou suas mãos mais
velhas, achou barba abaixo do papo de boi que
nunca teve, passou a mão na cabeça
e achou careca, olhou para si e viu o manto cor
de cavalo da terra lhe cobrindo o frio do corpo
nú, procurou seu corpo verdadeiro e o viu
sorrindo ajoelhado remontando a armadura, abaixou
os olhos e entendeu porque chamavam Abraão
de O bruxo sem alma.
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A
serena consciência de existir
Nuno Silva (Lifebuster) |
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Hoje,
vendi-me ao vazio...
Espraiei-me na amplitude do quarto onde acordei,
Bebi um raio de luz, e voltei a dormir,
Rendido ao impulso do sono que sinto,
Quotidianamente, o mesmo.
Ontem, um responsável por mim partiu (para
sempre?)
Subtraiu-se a um mundo de seres de perder a conta,
Incondicionalmente,
E pegou-me o sentido de vida ( ou de morte...)
Actual...
....
.............
Ouso
um suspiro - movimento imenso,
Desafio enorme a esta lei de inércia que
monótonamente confirmo,
Sou eu mesmo,
Renovando o ar que insistentemente inspiro,
Expiro, inspiro,
Outra vez, e outra vez igual...
.................
.................
Deslizo
um pedaço, movimento de ilusão,
Pois energia e um corpo andante são
Tropelias de forças vivas e sonhos novos
De outros projectos que não os meus...
E o dia corre...
E a manhã brilha...
E
pela janela entra uma fatia de luz oblíqua,
Que me convida à vida, e eu ignoro
Indiferente ao sol e à sua influência
alternativa...
................
Que farei hoje? Serei alguém?
Não sei o que tenho...
Sinto-me eu, menos eu do que nunca...
( resta-me o som das plantas, que comigo crescem,
solidariamente alheias aos meus pormenores íntimos,
cúmplices das sombras que no tecto projecto
e enormes,
recuso serem minhas...)
Não
sei o que tenho...
( este sentido explico-o porque hoje é
Domingo,
dia que se repete todos os dias no nome de
outro dia qualquer...)
Hoje
faço 24 anos. Sem o pedir. Indefeso.
Rendido às marés que aceleram...
Detesto
o tempo...
28/
06/ 98
Texto
feito depois de a minha avó ter morrido
(faleceu no dia anterior aos meus anos.). Se entro
sempre em depressão no meu aniversário,
nessa altura ainda foi pior!
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Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia |
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Final
de festa
“Se,
no fim das contas, o que te importa é somente
conceber o limite onde poderias ter chegado, de
nada te vale a experiência extenuante e
por vezes sofrida que envolve o processo.”
Sábato
Costa, “Dez Matanças em Festas de
Famílias”.
As
velhas me olhavam com tamanha intensidade, que
eu achava profundamente desnecessária a
sua atitude de enfatizá-la através
de chupadas nas garrafas de long-neck. A simulação
óbvia de sexo oral, ao contrário
de me excitar como conviria a um macho de grande
estirpe, acabava por me enojar. Não pela
demonstração em si, confesso que
repleta de um misânscene quase teatral,
uma oscilação erótica entre
os filmes mais tôscos de emissoras abertas
em final de noite e a natural tentativa de sedução
de prostitutas em ruas escuras. O que acabava
por estragar todo o teatrinho a que elas se propunham
era mesmo as bocas que envolviam o gargalo da
garrafa. Eu disse que eram velhas? Então,
imagina a boca enrugada. Isto era o mais visível:
o que envolvia a garrafa, chupada. A garrafa.
De resto, todo o corpo que sustentava a cabeça,
que continha a boca. Que chupava. A garrafa. O
corpo não ajudava. Nenhum pouco.
Envolvidas
em calças de lycra, com bustiês que
não conseguiam esconder - e, creio, seu
objetivo era realmente mostrar. O quê, não
sei, pois não havia nada de bom para ser
visto... - suas camadas de pneus que desabavam
e balançavam pesadamente ao som dos bate-estacas.
As coroas, ainda assim, com todos os adendos aqui
descritos, pareciam encontrar-se em perfeito estado
de êxtase. Um êxtase demonstrado claramente
não somente através das chupadas
estratégica e supostamente eróticas,
mas também nas suas descompassadas danças
de acasalamento que traçavam ao redor do
infeliz escolhido como vítima de suas conquistas.
No
momento em que me cercaram, consegui escapar através
de um semi-giro cheio de suingue e, discretamente,
como sujeito sensível que sou, para não
magoá-las, retirei-me para uma região
de maior segurança. Elas esboçaram
reação, sugeriram ir até
a minha direção, mas foram interceptadas
na sua chama do desejo por um sujeito com uma
cabeça enorme que lhes pareceu mais apetitoso
do que eu no momento. Agradeci aos céus
pela normalidade do tamanho da minha cabeça
e fui ao encontro da minha amiga me perguntando
como, por deus!, deixam uma fauna assim tomar
conta do ambiente.
Carinhoso
Três.
Três velhinhas sentadinhas no banco da praça
e balançando as perninhas. Dando. Pipoca
para os pombos. Os pombos. Pestilentos, cabeça
cheia de piolho. As velhinhas. Rechonchudas, as
três. Aquela cara de vó. A balançar.
As perninhas das três velhinhas sentadas
no banco da praça dando comida para os
pombos. Bonitos, os pombos. Mas as cabeças
cheias de piolhos. As velhinhas a balançar
não se importam ou nem tem consciência
dos piolhos nas cabeças dos pombos. São
tão pequenos que nem se enxergam os que
rumam para os dedos da velhinha que gosta de acariciar
o pombinho manso que come pipoca na sua mão.
E quando chega em casa, já à tardinha,
(jogou bingo, comeu pizza fria e perdeu quarenta
e oito dinheiros) dá uma passadinha no
quarto do neto para fazer um carinho antes. De
ir ao banheiro. Lavar as mãos.
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en
passant
Eduardo Hostyn
Sabbi |
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Entre
poses e teorias
Depois
de um breve estudo num material sobre a aposentadoria,
resolvi compartilhar algumas de minhas reflexões.
Começando por pragmatismos, penso que podemos
dividir a aposentadoria em duas situações,
de acordo com a forma que ocorre: (1)
inesperada, que ocorre de forma abrupta,
por questões alheias à vontade do
indivíduo; é o caso das aposentadorias
por doença incapacitante, tempo de serviço
ou determinação do empregador e
(2) planejada, desenhada ao longo
da vida ou definida pela pessoa em algum momento
específico.
Não é difícil
imaginarmos que a primeira está mais sujeita
a uma vivência de repercussões traumáticas.
Ser atacado de surpresa pelo inesperado sempre
provoca e exige reação, geralmente
trazendo danos diretos (como uma incapacidade
física) e indiretos (como uma depressão).
Entretanto, ambas possam resultar em aposentadorias
frustradas e problemáticas. É o
que acontece na segunda situação,
por exemplo, quando uma pessoa passa a vida inteira
empurrando para a aposentadoria atividades que
poderia e até deveria mesclar ao longo
de toda a sua vida (lazer, viagens, etc.).
Logicamente,
a situação financeira da grande
maioria dos brasileiros não conforta muito
os expectantes de uma aposentadoria com pleno
gozo do resultante lucro acumulado por anos de
trabalho. Tampouco se pode esperar muito do sistema
previdenciário, que em tempos modernos
passou de certeza a incógnita num pestanejar.
E uma das explicações da falência
da previdência está na própria
sistemática do pagar e receber. Quando
implementada tal política financeira, a
composição societária era
claramente uma pirâmide de larga base composta
pelas crianças e jovens e o estreito ápice
pelos velhos (até o ano 2000). As mudanças
chegaram, as pessoas estão controlando
a natalidade e vivendo cada vez de forma mais
longínqua, determinando uma remodelagem
na figura geométrica, que tende fortemente
à retangularização (ano 2020
e 2050) e, quem sabe, uma possível inversão
futura. Assim, se antes tínhamos mais pagadores
e menos beneficiários, a situação
atual passa a ser equivalente e pode-se prever
um aumento no rombo para as próximas décadas.

Não
é de se estranhar pois, que o IBGE nos
informe em 2003 a aferição de 4,6
milhões de velhos que retornaram ao mercado
de trabalho, cerca de 1/3 da população
idosa. Menos mal que estas pessoas possam retomar
atividades. Aliás, há muito caiu
por terra a preconceituosa Teoria do Desencargo,
proposta por dois norte-americanos em 1961. A
idéia básica era de que o aposentado,
tomado pela decadência física e psíquica,
deveria abster-se de toda e qualquer atividade
laborativa e social. Na mesma década (1968)
já era proposta a Teoria da Atividade,
batendo forte na questão da manutenção
de papéis como ponto fundamental para a
satisfação do ser humano.
E
quando se fala em atividade, inclui-se toda forma
de estimulação, seja cognitivo,
social, físico, emocional, etc. Não
é à toa que vemos os grupos de convivência
se multiplicarem saudavelmente pelas cidades com
música, dança, palestras, leituras,
mutirões e muito mais. Logicamente que
será muito mais provável o êxito
seguindo dentro de hábitos, relações
e padrões que se firmaram ao longo da vida
(e aqui temos a Teoria da Continuidade)
do que a implementação de atividades
novas e desconhecidas, que geralmente caem no
desinteresse dos velhos. Há quem deseje
seguir trabalhando e deve ser assim estimulado
dentro das suas capacitações e habilidades.
Algumas pesquisas demonstram que há maior
precisão e confiança (menos faltas
por exemplo) no trabalho de pessoas mais velhas
que, aliados à experiência, compensariam
uma certa diminuição na velocidade
com que trabalham. Ah e não posso deixar
escapar uma atividade que é quase exclusividade
das pessoas mais velhas: ser avô e avó.
Fui buscar um texto que já recomendei noutro
artigo no Portal
da Família e encontrei vários
outros. Vale a pena dar uma passada por lá.
Por
fim, mas sem esgotar o assunto, penso que a aposentadoria,
e a vida como um todo, não deve estar baseada
apenas num pilar (e geralmente é o financeiro
ou profissional). Aposentar-se do trabalho não
significa aposentar-se do convívio social,
familiar, das atividades laborativas, do lazer,
da vida como um todo. Ou então estaremos
aceitando o absurdo preconceito da aposentadoria
como sinônimo irrefutável de inutilidade
e jogaremos todos os velhos para o canto mais
distante e escuro que conhecemos. Seria uma injustiça
sem tamanho, de deixar qualquer cidadão
sem pose alguma
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I-racional
Pedro Armando Furtado
Volkmann |
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De
Ré Na Contra-Mão
Violentos
Haikais 9/X
Não se mete
O cinco se fingiu de seis
para matar o sete
EXAGERADOS
Da Sedução
Dos Anjos
Anjos
seduzem-se: nunca ou a matar.
Puxa-o
só para dentro de casa e mete-lhe
a
língua na boca e os dedos sem frete
Por
baixo da saia até se molhar
Vira-o
contra a parede, ergue-lhe a saia
E
fode-o. Se gemer, algo crispado
Segura-o
bem, fá-lo vir-se em dobrado
Para
que do choque no fim te não caia.
Exorta-o
a que agite bem o cu
Manda-o
tocar-te os guizos atrevido
Diz
que ousar na queda lhe é permitido
Desde
que entre o céu e a terra flutue –
Mas
não o olhes na cara enquanto fodes
E
as asas, rapaz, não lhas amarrotes.
(Bertolt
Brecht)
Saímos
todos os dias tentando encontrar um porquê.
Um carinho, uma forma de dizer obrigado. Você
me completa. Todos os dias, melhoro
um pouco por sua causa. E por minha.
Todos
os dias, não temos o que conversar,
já conversamos tudo ontem, tudo amanhã.
Todos
os dias, nos beijamos como se fosse o
último dia que nos encontraremos.
O
que é isto?
Dom
Juan de marco talvez fique com ciúmes das
declarações aqui no simples, das
formas de amar, do nosso jeito de beijar, do nosso
jeito de dizer obrigado por existires. Exagerado
talvez, mas é uma forma sincera de tentar.
Todos
os dias, temos medo que um de nós
se vá para sempre.
Lembre-se de pensar
que isto é mais do que amizade, é
mais do que ficar, é mais do que curtir.
Pare de se importar com o mundo, para que o mundo
se importe contigo.
Todos
os dias.
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Veja
só quem está falando!
Diego Mainardo |
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As
Olimpíadas do Pateta
Resolvi mudar meu visual. Ajeitei o cabelo e dei
uma caprichada no cuidado da pele. Mas a preferência
pela camisa azul não me larga. Essa vai
comigo onde eu for!
Há
algum tempo atrás, me lembro de escrever
artigos sempre buscando uma rudeza
básica que, ao mesmo tempo que trazia para
mim uma certa antipatia por parte
de alguns leitores mas também trouxe uma
legião de fãs. Atualmente, tento
fugir um pouco desta “agressividade
forçada”, e ando me preocupando
menos em irritar (ou agradar) aos leitores e estou
sendo mais fiel com os fatos e suas mais prováveis
verdadeiras interpretações.
Estamos
em épocas de Olimpíadas.
A cada quatro anos, temos uma nova chance de utilizar
este “termômetro de desenvolvimento”
que enaltece as façanhas de Estados Unidos,
França, Alemanha e Inglaterra – mas
também da Rússia e de Cuba.
É
certo que nos últimos anos o Brasil não
tem conseguido demonstrar claramente todo seu
potencial. O “País do Futebol”
nem conseguiu enviar sua seleção
principal para lá neste ano... Em compensação,
temos um dos melhores iatistas do mundo, uma campeã
mundial de ginástica olímpica, campeões
mundiais no voleibol de quadra e de areia e, se
o futebol de salão fosse esporte olímpico,
teríamos uma medalha garantida.
Li
em uma revista esses dias acerca da propaganda
nazista que fora sido feita com auxílio
das Olimpíadas de Berlim
em 1936. O autor, ironicamente celebrava, em contraponto
ao filme de Leni Riefenstahl, o curta
O Campeão Olímpico,
estrelado pelo Pateta. É...
aquele mesmo, o personagem de Walt Disney.
No filme o astro tropeça nos obstáculos,
se esborracha na pista e “vence Hitler”.
Dizia
ele que a queda dos atletas brasileiros nestas
Olimpíadas não
teria a capacidade de derrubar Hitler,
já que não temos nenhum no Brasil,
mas tão somente, quem sabe, algum diretor
do Banco do Brasil.
Posso
afirmar, discordando do autor do texto que, se
algo vai derrubar o diretor do Banco do Brasil
não será o desempenho do Brasil
nas Olimpíadas, mas tão
somente sua (in)competência em gerenciar
aquilo que lhe é determinado.
Quanto
ao filme do Pateta, uma das grandes
lições que o mesmo ensina em seu
cândido filme, pode ser resumido em um trecho
de uma música referente ao filme que, traduzida
para o português fica mais ou menos assim:
“Você
pode ser supercampeão,
Você pode ser um craque
Mesmo sendo supertrapalhão,
Ou um jogador de araque
Você pode ser supercampeão
Siga o exemplo do Pateta
Pois mesmo quando caiu,
Ele jamais desistiu
Ele é mesmo um grande atleta”
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Deus
É sempre muito interessante começar
o dia refletindo sobre o nosso cotidiano. Podemos
perceber, por exemplo, quantas coisas boas deixamos
de receber da vida quando nos afastamos da natureza,
absorvidos que estamos - quase sempre - com a
correria da vida moderna.
Após a luta de mais um
dia pela sobrevivência, o homem sente falta
da felicidade e tenta buscá-la muito distante,
esquecendo-se que ela está ao nosso lado
e que poucos se apercebem disso. Aprendemos com
o passar do tempo que aquilo que nos causa prazer
e alegria neste mundo certamente só iremos
encontrar nas coisas simples da vida.
A complexidade da criação
da Natureza, quando observada pela ótica
da fé, torna-se simples e perfeita. Isso
nos conduz facilmente ao entendimento de que a
Natureza é simples porque emana da graça
de Deus.
Do amanhecer ao cair da tarde
inúmeros fenômenos da natureza ocorrem
para nosso deleite. São manifestações
complexas e singulares, mas de uma beleza simples
e estonteante.
Faça da sua rotina o caminho
que o levará mais próximo a Deus.
Felicidade mesmo é você poder acordar
cedinho e logo agradecer a Deus pela ventura da
vida.
É poder ficar olhando a
lua cheia nascendo - como se estivesse saindo
de dentro do mar - e, emocionado, com os olhos
cheios d'água, ter o prazer de reconhecer
a mão do nosso Pai, segurando nossas vidas
e nos brindando com esses fenômenos maravilhosos.
Quando a brisa mansa tocar o rosto
seu, entenda como sendo o abraço de Deus
por estar feliz por você existir. Ao ouvir
a passarada, anunciando mais um amanhecer, reconheça
no canto de cada pássaro a sinfonia d'Ele
para encantar o seu viver.
Quando você olhar os campos
de trigais, observe, na sutileza de sua beleza,
espécie de renda sedosa jamais vista em
nenhum lugar. A natureza quando vista com os olhos
do coração tem efeito benéfico
e curador de inúmeros males.
Não perca mais tempo buscando
no conforto material a alegria que você
só poderá ter quando abraçada
estiver à natureza, de forma inteira, plena
e responsável. Curta as estrelas embelezando
as nossas noites sem nada pedir em troca.
Contemple
o sol que nos aquece e nos dá a luz para
que possamos enxergar a beleza do mundo ao nosso
redor. Observe mais vezes a chuva que cai, as
águas que deslizam da cachoeira, os pores-de-sol,
a noite mansa trazendo-nos consigo o silêncio
que nos inspira a entender que Deus é a
fonte da vida.
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Um
pouco de cada: luz e trevas
Sara Flech Neves |
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Falando
sobre mim:
Sara, nome escolhido
por meu Papi. Antes, detestava, agora amo.
Sou louca, em todos os sentidos imagináveis
e inimagináveis.
Sinto coisas, ouço vozes, falo alto e falo
palavrão, arroto depois do almoço
e escuto punk rock no último volume, escuto
Bolero de Ravel no último volume também,
choro com cenas fortes, choro com cenas suaves,
me arrepio na brisa da manhã, quando sei
que os espíritos da natureza começam
a organizar mais um dia no universo... Amo tomar
banho de chuva, amo raios e ventos fortes... Tenho
pressentimentos e idéias mirabolantes,
falo coisas e me arrependo, gosto de cozinhar,
gosto de comandar, odeio ser comandada, odeio
limpar, adoro organizar, converso com as árvores
e com animais, os cachorros me seguem na rua...
Acho-me poderosa, acredito em magia, acredito
em Deus, acredito em Buda e nas curas pelas mãos,
em Aura e espíritos... Choro ao invejar
a liberdade dos pássaros, ao ver uma criança
sorrir, chorar... Amo viajar, odeio ficar longe
de casa, sou criativa, sou otimista e também
pessimista... Queria ser cantora, bailarina, artista
plástica, bióloga, poeta, escritora,
diretora de cinema, atriz, mãe, diplomata,
criadora de cavalos ou de peixes, ser paisagista,
arquiteta...
Amo a minha vida, me acho linda, me acho horrível...
Amo, amo, amo, quem eu quero, quem não
queria, quem não merece... Essa sou eu...
Semimulher, semimenina. Com apenas 25 anos, já
vivi demais, comparando-me com algumas pessoas
da minha idade e, no entanto, vivi muito pouco
daquilo que já gostaria de ter vivido.
Morei em três estados diferentes antes dos
12 anos de idade, sendo que o número total
de mudanças de escola foram sete, contando
com a vinda para o Rio Grande do Sul. Estou aqui
desde 1992.
Essas mudanças malucas fizeram de mim uma
“mutante”, ser adaptável em
qualquer lugar. Ao longo dos anos, mudei várias
vezes de planos e idéias também,
tanto que abandonei vários sonhos. Hoje
continuo sonhando. Sonho em viajar pelo mundo
e deixar minhas idéias espalhadas por ele,
pode ser que não sejam notadas por muitos,
mas com certeza farão a diferença
para alguém, assim como as idéias
de outros mudaram a minha vida.
Escrever é uma das coisas que não
mudei em mim. Desde criança gostava de
escrever, minhas redações eram sempre
as maiores da turma. Escrevo muitas poesias, alguns
pensamentos filosóficos, poucas crônicas.
Em contrapartida, desperdicei a oportunidade de
ler mais, me fechei em mim mesma e não
li muito nos últimos anos, espécie
de Perséfone moderna. Digamos que não
li os grandes clássicos da literatura internacional,
mas não sou nenhuma ignorante também.
Sou apenas desleixada. Pretendo recuperar o tempo
perdido daqui para frente. É uma promessa
que fiz a mim mesma.
Abandonei a faculdade de Comércio Exterior
em 2002 e ainda não comecei a de Jornalismo
por falta de verbas. Atualmente trabalho em um
bar, abrindo garrafas de cerveja e fazendo coquetéis,
limpando cinzeiros e o chão. Estou aprendendo
a olhar o mundo com outros olhos, a ser mais humilde,
e com certeza ser mais cordial com as pessoas
que antes eu julgava menos privilegiadas do que
eu, afinal, hoje trabalho em um bar, mas dentro
de mim acontecem grandes revoluções
e, quem está do outro lado, não
pode ver além do que seus olhos humanos
permitem. Nada é o que parece ser.
Agradeço a Deus e a todos do Simplicíssimo
por me darem esta oportunidade.
Beijos
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subir
Pequenas
Resenhas Canalhas
Maurício
Silveira dos Santos |
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Canalhas
do Mal
Nesta edição, a Pequena Resenha
Canalha não tratará de “Grande
Literatura”, nem mesmo abordará um
autor amplamente conhecido ou discutido nos meios
culturais e críticos do país ou
do mundo. Mas o livro contém em seu recheio,
sem dúvida alguma, vários personagens
canalhas. Pode-se considerar que talvez sejam
mesmo os maiores canalhas que existem. Os pais
das piores canalhices, seus criadores, incentivadores
e maiores perpetradores. Estamos falando de “O
Livro dos Demônios – manual de identificação
de cada demônio e as defesas necessárias”
escrito por Antônio Augusto Fagundes
Filho, rebento da mais conhecida família
de tradicionalistas do Rio Grande do Sul, habitante
de Porto Alegre e, segundo ele mesmo, habitué
de outras dimensões (acredite se quiser).
O autor explica suas intenções e
seu método na introdução
e depois passa a listar cada um dos demônios
que merecem sua atenção seguindo
a uma ordem de tópicos pré-estabelecida
(cargo, referências, aspecto e características
dos “personagens”, além de
belas gravuras históricas). Ele se declara
antidemonista e diz que a composição
do livro foi muito desagradável pelo método
escolhido, ou seja, a entrevista direta com as
entidades demoníacas. Fagundes Filho
explica que essas entrevistas só foram
possíveis com uma autorização
do Altíssimo. Os demônios, por conta
disto, compareceram a contragosto. Durante as
conversas com estes seres amedrontadores o nosso
autor relata seus terríveis dissabores
e desconfortos, além de ser constantemente
ameaçado, ironizado e mesmo seduzido pelas
criaturas. Ele afirma que estes seres do mal,
contrariamente ao que se pensa, se modernizaram
muito e hoje freqüentam nosso mundo muito
mais intensamente do que poderíamos imaginar.
Há inclusive uma hierarquia dos “trevosos”
com cargos bem delimitados como: “sócio
fundador”, “diretor-presidente”,
“diretor-técnico”, “executiva-júnior”,
“gerente-geral”, “diretor de
marketing” e PASMEM(!) até ombudsman
(que medo, hein?!).
A experiência proporcionada pela leitura
noturna do livro talvez possa ser descrita como
cômica e leve, ao mesmo tempo que assustadora
e estranha. Você começa a gargalhar
com as bobagens do autor, mas, quando percebe,
está olhando desconfiado para aquele corredor
escuro da sua casa. Será que poderia haver
“algo” ali? E aquele estalo na cozinha,
se não há ninguém em casa?
Ihhh, vou ficando por aqui. Boa leitura aos corajosos.
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Ombudsman
Alessandro
Sachetti |
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Vivemos
dentro d'água
Vivemos
na Era de Aquário, mas por vezes penso
que este está seco, ou que, se ainda cheio,
não somos peixes, mas sim humanos dentro
d’água.
Concordo contigo Rafael quando discorre sobre
ONGs fadadas ao fracasso e ainda mais sobre a
globalização e aumento dos cofres
das nações mais poderosas. Há
o contra-ponto, há a informação
mais disponível, sim, seres pensantes que
somos, necessitamos de saber, sedentos em conhecimentos,
mas alimento pra cabeça nunca vai matar
a fome de ninguém.
De nada adianta ter “ferramentas”
e não saber usá-las, a grande revolução,
agora, seria interna, não comecemos pelo
mundo inteiro, mas por nós mesmos.
Luiz, acho que acontece algo simples, as mulheres
estão apenas reivindicando um lugar que
sempre foi delas e que por século lhes
foi negado. Por mero machismo, ou medo de que
descobríssemos que elas são tão
ou até mais competentes. Ainda bem que
hoje podem assumir seu lugar, afinal, elas são
vitais, não apenas no trabalho, mas em
nossas vidas.
Que prazer ler “A perspectiva do sutil abandono”,
que sutileza do Alessandro em seu texto, ao descrever
intensamente o sentimento de solidão e
saudade. Seu personagem descreve bem um ser sem
sentido e quem sabe sentimento, alguém
que depois de muito tempo sente a vida toda de
uma vez, como se um raio caísse em sua
cabeça, mas não há mais para
onde correr, nem para onde ir, então qualquer
lugar serve.
Sabbi, algumas coisas simplesmente não
se esquecem, pode até ser que passem, mas
a qualquer sinal de tênue semelhança,
estamos com ela de novo na cabeça, e não
há processo que faça se esquecer,
penso que as coisas realmente esquecidas são
as que não valeram a pena para serem lembradas.
Quem nunca deitou na cama e se deparou com lembranças
que pareciam esquecidas e surpreende-se com elas?
A vida é assim mesmo, somos tudo o que
fomos e lembramos, sempre, por termos desistido
ou existido naquilo. E assim vamos vivendo, esquecendo
até que se lembre.
O Pedro atacou de escatologia, e acertou. Afinal
de contas a gente sempre imagina as divas mais
lindas sorrindo, dançando, beijando, amando,
mas nunca no banheiro cagando. E todo mundo, em
algum momento fede.
Diego, ainda bem que preferiu a nós e nossos
leitores, ao invés das revistas que tanto
seguram as cortinas no palco da verdade política
no Brasil. Sendo assim, de cara, ganhas o direito
de ser livre para escrever o que bem entender,
sem se preocupar com quem paga o seu editor. Não
me surpreende o fato dos americanos encontrarem
nomes para tentar diminuir o que fazem, quase
sempre foi assim. Agora é torcer para a
não reeleição do Bush. Seja
bem-vindo, recorra ao Google quando precisar,
eu mesmo recorro sempre e não tenho vergonha,
aliás, atire a primeira pedra quem nunca
usou o Google.
Gostei da análise do Luiz sobre amor e
sexo, mas não estou bem certo se realmente
nasce essa perspectiva de relações
afetivas permeadas exclusivamente pelo amor em
nossa sociedade. Acredito que de uma maneira geral
estamos longe disso.
Sara, se não fosse o espelho, em todas
as suas formas, nunca nos veríamos por
inteiro, afinal quem consegue, sozinho, ver sua
própria testa? Mas, na verdade, o que mostra
este teu espelho? A carne ou a alma?
Grande Marcos, ser crítico de verdade é
um tanto difícil, não é?
Eu acho. A crítica, quando usada para o
bem, é arte. Afinal, estamos de certa forma
analisando e quem sabe acrescentando, nunca destruindo.
Não me arriscaria a criticar da maneira
como descreveu nosso Tenente, e nem trocaria meu
emprego de trocados por tal profissão.
Estou aqui, assim como você, mais para aprender
do que para ensinar, mas se em algum momento algo
que escreva tocar e acrescentar a alguém.
Creio que então minha missão estará
sendo cumprida.
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Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de
mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em
tamanho maior no blógue do amigo.
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Selo
comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em
2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
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