Simplicíssimo
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Editorial

Granma para todos!

Na semana que passou, o principal assunto tratado na imprensa escrita brasileira (fugindo do tema Olimpíadas, é claro!) foi a contistuição do Conselho Federal de Jornalismo - ou como quer que venham ou não chamá-lo.

Dentre os argumentos contra a criação do conselho, encontram-se aqueles que defendem que a criação do mesmo seria apenas uma forma governamental de cercear, de censurar a imprensa, normatizando e "normalizando" as informações.

Já aqueles que defendem a criação do mesmo lembram o fato de que haveria maior fiscalização de empresas que têm seu quadro de funcionários constituído quase que exclusivamente de estagiários (parcamente remunerados) contribuindo para o nível de subemprego dos profissionais formados e já habilitados plenamente.

Alguns neste momento relembram o que Fidel Castro impôs a Cuba: a manutenção de apenas um órgão de imprensa, o Granma (http://www.granma.cubaweb.cu), órgão oficial do comitê central do Partido Comunista Cubano.

Conselho bom, conselhor mau, deixo para aqueles que sabem mais do que eu decidir mas, antes, quero terminar com uma citação de Philip Dormer Stanhope Chesterfield (1694-1773), político e escritor inglês, que dizia: "O conselho raramente é bem recebido e quem mais necessita dele é quem menos o aprecia". Para bom entendedor, uma citação basta.

Outra: quem acompanha o Simplicíssimo há tempo tem notado uma série de "melhorias" no site nas últimas semanas.

Além de uma "guaribada" no aspecto estético, com o surgimento de ícones dinâmicos nas colunas que levam o Simplileitor àquela referida coluna, aumentamos o tamanho da fonte aqui e acolá (seguindo conselhos dos próprios leitores), mexemos na estrutura para tentar realizar uma abertura mais rápida da primeira página e, a partir desta edição mais duas novidades: a volta do Tudo Está Escrito no Éter Universal, o "blógue do Simplicíssimo" que desde abril estava desativado. Neste espaço traremos atualizações breves e realizaremos um troca-troca de informações dinâmicas com o Simplileitor, já que é um espaço aberto para atualização até mesmo diária se assim for necessário; a segunda novidade foi a colocação de "línques relacionados" abaixo de cada coluna ou texto publicado, caso o autor assim o desejar. Nestes línques relacionados encontram-se desde os sítios/blógues pessoais do autor ou algum endereço eletrônico que o mesmo tenha por relevante ao assunto abordado.

Uma outra novidade que estamos avaliando iniciar é uma área exclusiva com Entrevistas. Já existe uma lista preliminar de figuras a serem entrevistadas e se você, Simplileitor, tiver alguma sugestão de alguém a ser entrevistado (o contato desta pessoa facilita nosso trabalho!) ou quiser você mesmo realizar a entrevista e nos enviar para publicação, sinta-se à vontade!

Estou escrevendo demais ultimamente, ou melhor, escrevendo excessivamente, de forma prolixa e graforréica (para que não pensem que estou cá a contar vantagem de minha própria pessoa!). Acho bom parar por aqui! (até minha desculpa/justificativa/explicação sobre meu excesso de palavras encadeadas em seqüência neste site acaba por se tornar longo e, possivelmente, entediante... mas o que fazer?).

Durmam com os anjos e sonhem com o Simplicíssimo!

Rafael Luiz Reinehr

"Uma discussão prolongada significa que ambas as partes estão erradas"
Voltaire

"É preciso ter dúvidas. Só os estúpidos têm uma confiança absoluta em si mesmos"
Orson Wells

"Há tantos vícios com origem naquilo que não estimamos o suficiente em nós, como no que estimamos mais"
Barão de Montesquieu

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O Salto no Abismo
Daniela Castilho


Fugindo de um tigre, um homem quase caiu em um abismo, segurando-se a tempo em um galho de vinha que crescia na beirada. O tigre, esfomeado, farejava e rugia ameaçadoramente acima dele. Quando olhou para baixo, o homem viu que no fundo escuro do abismo um rio corria com águas caudalosas. As raízes da vinha ameaçavam se soltar, sendo roídas por um rato negro. Nesse momento, no auge do seu desespero, o homem percebeu que ali a seu lado crescia um pé de morangos e que um fruto magnificamente maduro balançava suavemente de um dos galhos. Momentaneamente esquecido do perigo e do triste fim que o aguardava, o homem, sem largar a raiz da vinha, colheu e saboreou o morango.
- Parábola Zen

Estava ali deitado, febril, há dois dias. A temperatura ambiente estava controlada, vinte e um graus, nem um a mais, nem um a menos, o ambiente precisava estar controlado para ser suportável. O jarro de água não se mantinha suficientemente fresco, embora fosse trocado todos os dias, ele não podia beber aquela água que se amornava teimosamente, pensou em reclamar novamente que não estavam trocando sua água o suficiente.

Sonhava acordado com o abismo, enquanto contemplava as bolhas azuis que se formavam no teto, deslizando e explodindo lentamente, como em um filme mudo. Ficou se perguntando se todo o processo estaria no final, ele precisava de um final. Era um homem condenado. Correção, não era um homem, era um menino condenado. Sim, um menino, ainda era um menino, talvez nunca deixasse de ser um menino. Não queria deixar de ser um menino. Um menino condenado à uma queda no abismo. No momento que pensava aquilo, viu-se a si mesmo, ainda menino, sentado na mesa de estudo do quarto, escrevendo a lápis em um caderno, tinha um band-aid na testa, por que aquilo agora? Ser seu próprio fantasma não melhorava nada, nada. Tentou erguer a cabeça para se olhar melhor em sua versão infantil, sentiu uma leve tontura, um enjôo, continuou deitado, era só o que não queria ou precisava, sentir-se enjoado, vomitar, sentir-se ainda pior. Nem vomitar o aliviaria, o peso era insustentável dentro de si, vomitar apenas faria sentir-se ainda mais doente. O menino, sentado, escrevia à lápis, muito compenetrado e sério.

Sentiu-se transportado para a beira do abismo, que rugia ventos, que o olhava do fundo com imensos olhos azuis de tristeza. Não. Aquilo não estava certo. O abismo não era triste, não era assim que se recordava dele. O abismo teria olhos verdes, olhos imensos e raros como duas pedras brilhantes, preciosos e líquidos, olhos de desejo, olhos cheios de beijos e promessas. Ele desejou profundamente que o abismo tivesse olhos verdes.

Tinha uma citação, como era, de quem era? Stendhal? Algo sobre o amor, sobre estar à beira de um precipício, inclinar-se na beirada de um precipício, colher uma flor na beirada de um precipício, namorar um abismo... não conseguia lembrar das palavras. Tentou novamente levantar-se da cama, novamente o enjôo. A luz azulada do monitor do seu computador estava ali, presente e sólida, confortante, mas ele não conseguia sequer levantar da cama, quanto mais caminhar até ali, sentar-se em sua cadeira e... um segundo, uma pesquisa e saberia a frase exata, as palavras exatas. Ele tinha certeza que era Stendhal. Não era? Ou era Thomas Mann? Se ele ao menos conseguisse vencer aquela náusea aflitiva e se sentar diante do computador, ainda que não conseguisse
fazer a busca ele mesmo, ele poderia perguntar à ela, seu oráculo particular. Ela devia estar online, ela com certeza encontraria a resposta, com aquela eficiência de sempre, em nanossegundos, com um sorriso, com aquela voz rouca, aquele riso escancarado, fazendo pouco caso da necessidade dele de encontrar um fragmento de texto de um escritor morto há um par de centenas de anos, naquela hora da madrugada, em meio à uma febre, em meio ao seu ambiente controlado.

O homem à beira do abismo. Homem, não, correção, menino. O menino, nesse instante, parou de escrever e olhou para ele. "Não me olhe" - pensou ele com desgosto - "Não quero esse seu olhar acusador, eu sei. Eu sei o que estou fazendo de errado, eu sei. Eu não sou estúpido."O abismo o olharia com olhos verdes e um sorriso divertido e ele, sentindo o frescor dos ventos abissais, despiria suas roupas lentamente, abandonando cada peça aos ventos, até ficar nu, sentindo o corpo magro esfriar, refrescar, aliviar, abriria os braços e saltaria. Um salto rápido, sem pensar, sem temor. Quanto tempo duraria a queda? Lembrou-se de qualquer coisa que aprendeu no colégio, uma fórmula de física, velocidade, peso, gravidade... uma forma de calcular quanto tempo um homem magro de estatura média demoraria para cair em um abismo de profundidade desconhecida. Homem não, menino.

"Não" - pensou ele, com um suspiro impaciente - "Não precisa se levantar daí, menino, não se levante, não venha aqui perto." - mas o menino já colocara o caderno e o lápis com cuidado sobre a mesa de estudos, e se aproximara da cama. O que era aquilo que o menino vestia? Uniforme de escola?

A mãe interrompeu os pensamentos, entrando com uma jarra de água fresca. Ela falou alguma coisa sobre medir temperatura, ele murmurou que não, ela não insistiu, olhou-o com aquele ar grave de coruja que os óculos grossos davam a seu rosto velho e saiu.

Ele tinha vontade de telefonar. As bolhas azuis ainda se moviam no teto, como bolhas de ar num daqueles brinquedos que têm água e óleo com anilina, tão lentamente - era isso mesmo? Lembrava-se vagamente daquilo... Não, ele não telefonaria.

O homem salta no abismo, braços abertos, sentindo o vento perfumado de flores lamber devagar seu corpo todo. A queda não é rápida ou violenta, é mais como um flutuar doce e lento, em direção à escuridão. Um vôo de Ícaro. O menino, parado ao lado da cama, o olhava com tristes olhos azuis. Isso estava tão errado, ele nunca tinha tido olhos azuis, mas talvez a culpa fosse das bolhas azuis no teto que insistiam em se formar e explodir, se formar, deslizar pelo teto e explodir... o zumbido do ar-condicionado começava a irritá-lo.

Enquanto flutua no abismo, o homem pode ver as nuvens carregadas acima dele, se enroscando umas às outras, se movimentando como mariposas, diferentes tons de cinza e chumbo, entremeadas com alguns fiapos brancos. A queda lhe dá ainda mais vertigem do que no minuto que estava ali, se preparando para saltar. O abismo sorri. Nos ventos do abismo ele escuta aquela voz que ele ama tanto, a voz rouca e maliciosa que sorri no telefone. O homem fecha os olhos, saboreando a doçura do ar frio, escutando a voz que lhe sussurra todos os seus segredos. Ela sabe, ela sabe, ela sabe... ele flutua na queda, o tempo imensurável, eterno, pairando no ar. O fundo do abismo não chega.

As persianas estão cerradas, o ar está controlado, a jarra de água fresca forma gotículas do vapor d'água no vidro, o telefone está quieto. Tudo está sob controle, tudo está controlado. As bolhas azuis ainda flutuam e se movem junto ao teto, o menino ainda está parado ao lado da cama com uma pergunta nos olhos que não deveriam ser azuis, mas são tão azuis.

Ele ainda tem vontade de telefonar, mas seu corpo dói. Ainda sente febre, apesar da temperatura correta, apesar de tudo estar no lugar que deveria estar. Seu mundo sob controle, sob seu controle.

O homem flutua no abismo, deliciado. E só um segundo, um segundo apenas antes de atingir o fundo suavemente, quebrando todos os ossos do corpo como se fossem gravetos de cristal, lentamente, em slow-motion, sem dor, sem um único ruído além do vento sussurrante como uma voz de mulher, ele se arrepende de ter saltado.

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...
Alessandro Sachetti

O sonho é maior que a realidade
Que nunca passou de um sonho ruim
Um pesadelo que se repete todo dia
Sempre igual, mas com o conteúdo diferente.
Toda vez que acordo
Me descubro ainda sonhando...
Quero acordar,
Mas já estou de olhos abertos
Por mais que tente gritar
Minha voz já acabou faz tempo.
Não há volta,
O retorno ficou antes da última curva que ainda não acabou...
Vou sonhar de novo
Só que dessa vez eu não vou dormir

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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

O vazio e, oh!, o choque.

Você já ouviu falar deste filme, com certeza. “Ken Park” é a mais nova realização do criador de polêmicas Larry Clark. Aqui, é provável que o realizador de “Kids” e “Bully” tenha se saciado e encerrado sua produção serial de filminhos de adolescentes perdidos, desajustados e promíscuos com sua trinca cinematográfica. De “Kids” pode-se dizer que foi um marco ao mostrar de maneira tão explícita o cotidiano de adolescentes sem perspectivas, que fazem sexo deliberada e perigosamente, usam entorpecentes como quem bebe coca-cola, não têm senso de responsabilidade social, tratam suas famílias como lixo e não perdem tempo pensando no futuro. “Bully” parte do mesmo pressuposto: temos adolescentes sem perspectivas, que fazem sexo deliberadamente, usam entorpecentes como quem bebe coca-cola, não têm senso de responsabilidade social, tratam suas famílias como lixo e não perdem tempo pesando no futuro. O único ponto mais interessante levantando por este último, foi ter tocado na questão do chamado “bullying” palavra inglesa que significa ameaça ou intimidação e, embora seja ainda pouco conhecida, refere-se a uma prática freqüente nas escolas. Brincadeiras freqüentes e constrangedoras, humilhações e até mesmo agressões: tudo isso caracteriza o “bullying”. Pode ser o jovem ridicularizado por ter um defeito físico ou a menina estudiosa chamada de CDF (“cu de ferro”). Não há quem não tenha conhecido pelo menos um caso desses. Neste filme, esta humilhação é levada ao extremo pelo personagem-título, a partir de uma história real, adaptada por Clark. Em 1993, uns gurizões da Califórnia realmente mataram um conhecido deles, porque o cara era um valentão e perturbava a galera. O grande problema é que Clark tinha tudo nas mãos para contar uma boa história, mas ao abusar do pressuposto moralista (sim, por que ele, mesmo ao mostrar tudo tão explicitamente, é, na verdade, um moralista, “denunciando” uma “realidade” para chocar), tudo o que se tem são cenas tão tendenciosas que se chega às raias da ingenuidade. Seu princípio de “papai, vou te dar a real: tua filha é uma vagabunda e teu filho um drogado de merda”, como se ele fosse o dono do conhecimento que os outros ignoram, é extremamente patético. Coloca-se como o centro denunciador de um sistema do qual ele teria extrema consciência por sua “sensibilidade artística”. Patético.

Em “Ken Park” voltamos à exata mesma carga. Histórias fragmentadas, fraquíssima linearidade e coesão entre as histórias. Senão, vejamos – eis a sinopse com o qual o filme é vendido: “A rotina de quatro adolescentes da cidade de Visalia, Califórnia. Shawn (James Bullard) é um skatista que transa com a namorada e com a mãe de sua namorada. Tate (James Ransone) gosta de se masturbar várias vezes seguidas e tem um cachorro de três pernas. Ele é criado pelos avós, que não respeitam a sua privacidade, o deixando furioso. Claude (Stephen Jasso) é agredido seguidamente pelo seu violento pai, um alcoólatra que o acusa de homossexualismo, e é consolado pela sua apática mãe grávida. Peaches (Tiffany Limos) anseia por liberdade, mas tem de cuidar de seu religioso pai, um cristão fundamentalista, que a espanca após vê-la transando. Embora conversem o tempo todo, cada um dos personagens não sabe dos problemas enfrentados pelos outros.”

“Ken Park” é um filme tão absolutamente sem sentido, que a questão aqui nem é perguntar o porquê das situações apresentadas. Oquei, talvez as coisas não tenha um porquê, e acontecem por que tem que acontecer e ponto final. Mas é tão visível por parte do diretor a força empenhada para causar estranheza e, oh!, chocar aos que ele deve chamar de puritanos, que tudo, absolutamente tudo soa muito ridículo, e somente não chega a doentio por ser tudo tão dramaticamente ensaiado, metodicamente orquestrado com o intuito de uma transgressão pueril e infantilóide. O nível da coisa é tão baixo – e dá pena do diretor... – que até um cachorro de três pernas, sem nenhuma importância para a trama, o diretor se deu ao trabalho de arranjar, (e até mesmo tornar isto parte da sinopse!: “(...) e tem um cachorro de três pernas.”) e quero duvidar ser um truque digital.

Desde o princípio, todos os personagens são apresentados em seus ambientes familiares já com claros sinais de desagregação. Existe uma tensão constante querendo anunciar que as coisas não estão boas por ali, que uma hora algo vai acontecer. Algumas vezes, no entanto, há falhas graves no roteiro que não antevê certos princípios. Isto se vê no caso do personagem Claude que, apesar de em todo o resto do filme, ser mostrado como em constante atrito com seu pai, que chega a quebrar o seu skate, na primeira cena é apresentado ajudando-o a praticar halterofilismo, pacatamente. Até, claro – e partindo do nada, a não ser de uma implicância gratuita – começar a ser humilhado por ele. Na maioria das vezes, no entanto, só o que se tem é a impassividade ou a queda para atitudes injustificáveis e bobas. Tomando por exemplo a história do rapaz que vive com os seus avós, Tate. Mora numa casa confortável, é cercado de carinhos e recursos e avós que não são velhinhos inúteis: jogam o seu tênis, se divertem, são fisicamente ativos. No entanto, basta o rapaz estar “concentrado” em seu quarto criando nomes irônicos para fotos de crianças esquálidas, desnutridas como esqueletos e sua avó entrar lhe trazendo lanche, para ele ofendê-la de cadela, puta, entre outros nomes carinhosos. E ao avô se refere como mentiroso e trapaceiro por apresentar em um jogo de palavras cruzadas uma palavra que ele (Tate) desconhece. Enquanto isto, ele demonstra todo o seu masoquismo se masturbando (de verdade, em close do diretor novamente...) enquanto aperta o pescoço com um laço pendurado na maçaneta da porta.

O caso de Shawn é outro risível. Ele simplesmente é um skatista pirralho, feio, sem nenhum atrativo que transa com a maravilhosa mãe de sua namorada. E, nestas horas, temos Clark mais uma vez nos “chocando” com cenas como de Shawn fazendo sexo oral em sua sogra, ela manipulando (e, oh, close!) seu pênis por dentro da cueca. Depois, um almoço – de Ação de Graças? – reúne os membros da família – inclusive o seu sogro – e fim. Não há confronto. Tudo vem do nada e caminha para o nada. Como um apanhado de cenas perdidas, aleatórias.

Já Peaches, é a filha de um fundamentalista cristão que, na ausência do pai comete perversidades sexuais com seu namoradinho até serem descobertos – e espancados – por ele.

E Claude, outro skatista humilhado pelo pai que lhe acusa de homossexualismo, um alcoólatra que ao final, bêbado, tenta cair literalmente de boca sobre o pênis do próprio filho. É constrangedor para o mais liberal dos espectadores. O nível de exposição dos atores chega a dar dó. Eles desfilam com o pênis balançando para criar uma “naturalidade” infantil. As histórias são como uma coletânea, um apanhado ao acaso. Não há, como diz na sinopse, o “Embora conversem o tempo todo, cada um dos personagens não sabe dos problemas enfrentados pelos outros.” Eles não conversam o tempo todo. Eles não se encontram, a não ser três deles, na parte final do filme, quando todos os personagens já foram apresentados em quadros isolados, antecipados pelos nomes deles em uma tela preta, e o que se tem é um encontro inexplicável , em uma orgia sexual, entre os personagens Shawn, Claude e Peaches, de realidades diferentes e que, em nenhum momento do filme pareciam – ou houve pista de – se conhecer.

Pessoas minimamente inteligentes sabem quando estão sendo enganadas. Pessoas com a mais baixa noção estética conhecem um diretor e seus ardis e embustes para provocação. Pessoas com extrema tolerância já começam a perder a paciência com a pretensão para o artê. O vazio nada mais é do que o vazio.

Ah, e o quê, ou quem, afinal de contas é Ken Park? Ele é apresentado como um personagem (outro skatista...) que teria simplesmente dado um tiro na cabeça e gravado em vídeo. Pois é.

Tudo é decepcionante quando não tem outra justificativa além da pretensão do choque. Quando nada diz a que vem. Quando que se mostra são somente histórias soltas, personagens desfocados. Não há nem o convite ao pensamento, a reflexões do tipo: “Oh, mas será que os adolescentes são estes pobres seres sem perspectivas que têm uma ereção após cometer um crime?” Para quê aproximar tanto a câmera de um pênis no momento da ejaculação? Somente para vender o produto é claro. Porque são somente estas as “qualidades” do filme que o público irá divulgar... Poderíamos ser poupados desse tipo de “arte”. Manipular ações e reações de forma tão ensaiada não chega nem a ser um exercício cinematográfico de interesse, mesmo que revestido de muito sexo explícito para chamar a atenção do público. E eu creio que haverá um momento em que a público algum interessará tentativas tão pueris e pobres de “pintar um quadro” realista dos adolescentes e sua falta total de interesses. Haverá um momento total de boicotes a filmes que, ao subirem os créditos, nos tragam tamanha sensação de vazio, que tenhamos que nos questionar: então, realmente, terminou?

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en passant
Eduardo Hostyn Sabbi

10ajuizados

Um grupo de estudantes de direito resolve comemorar o dia 11 de agosto (em 2004), o Dia do Advogado, com a “tradição” do Dia do Pendura. Desculpe-me o palavreado, mas tradição o escambáu. Com um gasto de R$ 1.300,00 (coisinha simples que qualquer estudante brasileiro pode pagar) o grupo foi retido no restaurante pelos seguranças do local até a chegada da polícia e o encaminhamento para a delegacia. A jovem estudante protesta cheia de razão: “fomos mantidos em cárcere privado”. E eu que já perdi a compostura mesmo vou logo dizendo: cárcere privado o caralho!

Não seria a manutenção dos jovens no recinto um direito do proprietário do restaurante frente à negativa de alguém lhe pagar uma conta? Você, no seu negócio, ainda daria um brinda? Não seria uma reação de legítima defesa pela agressão que é um grupo fartar-se e querer tirar vantagem inapropriadamente? Ou devo estar errado, ou há leis e chavões demais que protegem o ladrão que rouba e é preso. Coitadinho, será privado. Que destaca no jornal o policial que atira no bandido. Olhem que absurdo, ele é um cruel agressor.

A melhor definição para o fato é, sem dúvida alguma, um calote. Golpe mesmo. Mas eles se vêem na razão, me fazendo crer que esta é a escola nacional perpetuadora de Lalaus. Uso a generalização de propósito e para causar impacto embora saiba que alguns oportunistas, semelhante aos jovens ali, tentarão me processar por algum dano moral. Alguns bons me darão razão, embora contestem aqui e ali. Mas não é possível que tal fato passe am branco, em albis (para caso alguém do direito que esteja lendo se sinta mais à vontade).

Sei que um erro não justifica o outro, o outro também não justifica o um e os fins não justificam os meios. Aliás, devem haver zilhões de outros ditados bonitos para eu colocar aqui. Balela. Estou irritado e não escondo. Irritado com essa enfadonha crise moral. Será que eles imaginavam que o dono do restaurante iria chamar uma limousine, acender charutos cubanos e pagar uma estadia no Plaza para todos? Por favor, saltem os bons em defesa de si mesmos e de sua classe, tão repetidamente desmoralizada. Classe onde estão muitos que detém um conhecimento específico e dele tiram proveito sem escrúpulos, buscando a própria vantagem. Eu queria dizer que são apenas exceções. Juro que queria. Mas eu queria tanta coisa nessa vida e não posso. Essa é só mais uma. Saltem mais, saltem logo, para que os maus elementos, quem sabe um dia, saltem fora. Ah mas isso é utopia, só mais uma utopia. E eu que tenho falado tanto na Educação através do exemplo. Imagina só, se quem conhece a lei faz dessas, o que se pode esperar todos nós outros, leigos imbecis? Pois então, que belo futuro nos assola ...

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I-racional
Pedro Armando Furtado Volkmann
 

De Ré Na Contra-Mão

Violentos Haikais 10/X

Usou de Psicologia
das mais avançadas
Para participar da Orgia

Só pode ser lenda

Numa noite sem luar, ouvia-se o uivo peculiar de um lobisomem manco e triste. Na verdade ninguém da cidade estava realmente preocupado em saber das lamúrias daquele ser. Na última noite, para variar, ele se lamentava de não conseguir correr atrás de suas vítimas prediletas, as virgens da cidade. Não! não é isto que você está pensando! Ele as procurava somente para contar as velhas histórias de seus antepassados, os lobisomens mancos e tristes. Conta a lenda que isto começou há muitos séculos atrás, em Old Cacimbinhas North Beach, quando uma mutação genética transformou alguns lobisomens e eles começaram a ter sentimentos. Um deles, muitos anos depois, enquanto contava a história de seus antepassados pela vigésima vez para um grupo de virgens da cidade, acabou se distraindo e, sem querer, cortou-se, perdendo os movimentos de uma das pernas. Após isto, lobisomem de verdade, daqueles bons, mesmo, os que têm sentimento, se sentindo diferentes por poderem andar de forma quase ereta, cortavam sua perna para manter a tradição.
Desde então, os habitantes desta pequena cidade se acostumaram a ouvir as lamúrias dos lobisomens, primeiro porque tinham sentimentos e depois, porque já não encontravam virgens suficientes para contar suas histórias.

Ainda bem que não sou Lobisomem, pois não preciso contar minhas tristes histórias só para virgens. Tenho vocês, leitores do simplicíssimo.
Hoje, além de contar a minha história semanal, gostaria de agradecer os comentários de edição 87, onde bati meu recorde pessoal de comentários!!!!! Com um texto fedido daqueles. Que legal. Sinal de que a vida não muda tanto assim, tanto quanto eu gostaria, ou não.
Está certo que todos temos nossos podres pessoais, nossos nojos e nossas loucuras. Apenas retratei a verdade, que podres podem vir acompanhados de amor, de paixão ou de riso. Muito obrigado.
Me surpreendi também com os comentários da edição 88, muito obrigado defensores e inimigos, assim dá prazer de escrever. Comentem meus textos e os textos dos outros autores.

O que se passa em Old Cacimbinhas North Beach se passa em todos os lugares. Cuidado seus chatos, que procuram incautos para histórias contar, ninguém mais dá bola para lamúrias sem fim de causos que já estamos carecas de saber.

Mas se você já sabe e não quer ouvir de novo, porque ainda vota naquela velha raposa, seu candidato a deputado, vereador ou prefeito?

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Veja só quem está falando!
Diego Mainardo

Ayrton Senna, o banal

O Brasil é ruim. Poderia ser pior.

Um “diz que me disse” disse que Frank Williams dissera recentemente que Ayrton Senna sonhava em se eleger presidente da República.

Mesmo sem reler velhas entrevistas de Senna, cheguei à conclusão de que a idéia me pareceu bastante boa.

Ayrton era uma pessoa com uma inteligência espacial bastante boa (vide seu sucesso nas pistas) assim como mantinha uma boa nota no que diz respeito a seus relacionamentos interpessoais (Xuxa, Adriane Galisteu). Parecia ser bom em matemática (acumulou milhões) e também era um cara espiritualizado.

Em vida, preocupou-se com a caridade e, depois de sua morte, sua família criou o Instituto Ayrton Senna, o que certamente lhe faria (fez? faz?) feliz.

Na forma de governo mais duradoura que se tem conhecimento, o da antiga China Imperial, os governadores das províncias eram escolhidos baseados em múltiplas provas que levavam em conta o conhecimento político regional, a argumentação lógica, o arco-e-flecha e, pasmem, a habilidade em música, em tocar um instrumento musical. Quem se saísse melhor na média de todos estes quesitos era considerado o melhor homem a governar determinada província.

Creio que, retirando-se o preconceito de gênero, esta seria ainda hoje uma forma válida para escolher um bom governante. Deveríamos encontrar uma pessoa que harmoniosamente equilibrasse bons níveis de inteligência lógico-matemática, pictórica, musical, intrapessoal, interpessoal, espacial, lingüística, corporal-cinestésica, naturalista e espiritual (aproveitando a Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner) e, ao invés de um sufrágio universal “democrático” enviesado pela “distorção de informação” (J. Habermas) a que são expostos os movimentadores deste processo (nós, o povo) creio que uma espécie de “concurso público” para todos cargos executivos e legislativos seria uma saída alternativa ao péssimo sistema que hoje temos para escolher as incógnitas que irão nos governar.

Que tal, você aí que está me lendo agora, indo a aulas de balé, lendo “A Inteligência Emocional” do David Goleman e a revista Vida Simples, voltando a jogar bola e correr, treinando tricô, estudando teatro, preocupando-se com o meio-ambiente e com a busca de respostas aos problemas ecológicos que hoje vivemos, etc., tudo isso para se preparar para um novo concurso daqui a 4 ou 5 anos para conseguir um cargo público com uma boa renda mensal (que até há bem pouco tempo tinha seus vencimentos aumentados por ocupantes do cargo que agora você pleiteia)? Chance para todos! Existiriam cursos para formar “seres humanos completos” (?)! Durante toda sua vida, a cada 4 a 5 anos um novo concurso e uma nova chance (e você fica melhor em boa parte dos quesitos à medida em que envelhece e ganha experiência! – talvez não no cinestésico-corporal e no espacial) de ajudar seu país a melhorar!
Li em um artigo da Veja que a Ediouro publicou um panfleto de George Bernard Shaw entitulado “Socialismo para Milionários”. Nele, o dramaturgo propõe que os milionários não devem doar seu dinheiro à caridade, pois o mesmo produz um efeito maléfico ao tirar do governo a obrigação de cumprir sua função.

Ao mesmo tempo em que isto parece ser verdade, me parece que, somente por esta justificativa (desobrigar o governo a cumprir sua função), não deveríamos nos abster de um ato legítimo – auxiliar a outrem a subir nos degraus da vida.

Caro leitor milionário, de classe “média” ou pobre de “marré de si”, escute esta recomendação: chega de dar esmolas. Dê tudo de si, sempre e em todos os momentos e circunstâncias.

Não pense apenas em ganhar dinheiro.

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Utopias
Luiz Maia

Desejo e Contentamento

Haverá possibilidade de sentirmos contentamento diante de uma constante multiplicação de desejos?

Dizem os mais conservadores que desejos são como armadilhas
infindáveis que tornam frágeis relacionamentos tidos como sólidos.

Outros, mais castos, creditam tais desejos à simples luxúria e ao descontrole do ego.
Pensando bem, olhando o lado prático das relações afetivas,
talvez nosso coração
não fique tranqüilo com os desejos que possam habitar a nossa mente,
tirando-nos a paz de que tanto precisamos.

Embora saibamos que o contentamento é fruto da consciência espiritual,
não podemos negar que saciar os desejos poderá nos levar ao êxtase.

Importante então é encontrarmos o ponto de equilíbrio
na satisfação dos desejos para que haja contentamento e paz no coração.

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Um pouco de cada: luz e trevas
Sara Flech Neves

O Poço

Onde estavam teus olhos quando eu caí?
Chamei-te tão alto que o barulho da minha voz estremeceu o chão.
Meus braços permaneceram estendidos, como se estivessem esperando alguém alcança-los antes de tocar o fundo da escuridão.

Enxerguei rapidamente, naquele segundo antes de me esmagar por completo, enxerguei teus olhos, faróis infinitos, agora chorando por mim...
Chorando por si mesmo.

Um ponto de interrogação, uma pergunta sem resposta: teria evitado a minha queda, teria olhado para mim?

Uma eterna busca, eterna culpa por não ser perfeita. Tortura.
O poço me chamou, pensei ter ouvido a tua voz, mas era o eco do meu coração, era a força da ilusão!

Aquela que vês lá no fundo do poço sou eu, despedaçada a carne, presente a mente, a alma a se agarrar aos tijolos molhados, uivando de dor...
Olhando teus olhos a chorar...
Ambos condenados a somente chamar, nunca tocar...

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Ombudsman
Marcos Claudino

Despedida

Sabe-se lá onde vamos parar... Será mesmo que queremos “parar” em algum lugar? Eu não, com certeza. Conforme nossos comentários, não há especialistas, não há um ser humano no mundo que saiba tudo sobre determinado assunto. Dominar um tema, significa apenas dominar uma técnica.
Partindo desse tópico, inicio minha coluna desta semana, sendo a última nesta parte da página. As demais virão num espaço vago que o nosso tenente ache melhor. Pois é, a partir das próximas, mudo de função, assumindo uma coluna própria, graças à boa vontade de nossos colaboradores.
Enfim, resta-me uma constatação a declarar: Não é fácil criticar. A mim, nunca foi. Foram poucos meses em que colaborei, e muito aprendi sobre o enfoque, mas percebi que muito ainda tenho a melhorar, graças a Deus... Eu, um fã incondicional da proposta tão bem definida pelo sítio, convocado a comentar os textos da semana anterior. Tarefa difícil, mas gratificante. Tornei-me um viciado no site, mais do que era. Lia uma a uma, várias vezes, e gostava cada vez mais. Afinal, o que é ruim? Qual opinião está errada? Qual ponto de vista é realmente incorreto? Difícil responder, quando a liberdade é dada, quando retiram-se os limites do poder criativo, e agrupam-se as idéias em temas, sem querer agradar a ninguém, e, efetivamente por isso, agradando...
Na edição anterior, o tenente Rafael começa arrasando... Afora o texto, que já comento, um total de dezessete comentários não é de se ignorar. Comenta que o coração esquenta, esse é o tema, esse é o lema, esse é o principal. Mais que críticas, as pessoas manifestam-se, e os autores sentem-se impulsionados a melhorar, a inovar, a criar, e pronto. É isso aí, tenente, aqui não há competição, não há perdedores, saem todos vencedores, apenas porque são respeitados todos os pontos de vista. Esse é o tema, a proposta que mais me atrai...
Bernardo W K apresenta-se. Muito prazer, Bernardo, seja bem vindo. A história começa, mas já foi iniciada. Termina, mesmo sem terminar. Sentimos um fundo musical bíblico, místico, faraônico... Enfim, gosto de textos em que escreve-se pouco, e deixa-se a cargo de nossa imaginação os pontos que faltam. Não as recomendo em um livro inteiro, mas quebra bem o gelo das idéias pré-concebidas, das formas de escrita sempre usadas, e exercita não só o autor, mas muito mais o leitor... Passou-me uma incrível capacidade criativa, e espero por mais, ok Bernardo?
Lifebuster, ou Nuno Silva, é mais um dos novos colaboradores. Vêm de longe seus versos, e bem tristes. Acredito que o maior sofrimento na morte é para quem fica. Acredito fielmente na vida do espírito, eterno. Creio mesmo que tenhamos muito a evoluir, para encarar a sessão de vida corpórea como mais uma etapa, sem dor, mas como uma missão ultrapassada, cumprida ou não. Falta-nos este desapego, falta-nos essa compreensão que, para mim, independe de religiosidade, muito mais de filosofia, de postura. Enfim, o que quero dizer é que não acho correto, assim como o Rafael, esta associação da tristeza, pela coincidência das datas. Mas compreendo perfeitamente bem esta forma de pensar, e partilho a ti, Nuno, minha solidariedade. Parabéns pelo texto, e receba meu abraço...
Alessandro Garcia mostra-nos suas velhinhas. Comentários educativos ao final do texto, explicações bastante importantes a este projeto de escritor. Duas histórias, duas situações. Pontos de vista, simplesmente (simplicissimamente). Vem bem ao caso do que já escrevi acima. O que é certo? Tem alguém alguma autoridade para ditar idéias politicamente corretas ou errôneas? A verdade é que ninguém gostaria de estar no lugar da personagem alvo da primeira história. A verdade é que ninguém gostaria de ser o neto acariciado da segunda história. Sem preconceitos, porque não são realmente, todos quiseram lavar as mãos, e muitos não acariciarão pombinhos bonitinhos na praça... hehehe...
Meu amigo Eduardo Sabbi toca num tema interessante, outra vez, como sempre... Velhice, aposentadoria planejada, deixar para viver verdadeiramente após a “vida produtiva”. O recordista de comentários desta edição. Gerou um longo debate, acalorado, abordando inclusive o uso dos anti-depressivos, teorias, e a experiência de especialistas no assunto. Ressalto que o Alessandro Garcia quebrou o gelo, literalmente... Enfim, o que penso é que nossa forma de pensar está errada. Estamos pensando (a maioria) de uma maneira ultrapassada. Nossos velhos são produtivos, e muitos deles estão retornando a esta produção, pura e simplesmente para poder viver melhor. As empresas ainda estão preferindo aos jovens, mais baratos, e mais maleáveis, óbvio, mas eles estão, gradativamente, retornando ao mercado... Que bom. Toda forma de preconceito é errada...
Tudo ia bem, com o Pedro declarando-se, escancarada, linda e despudoradamente à sua amada Trinity. Comentários encorajadores, aplaudidos ao amor sem fim, eterno enquanto dure, e essas coisas todas. Quando, de repente, uma simplileitora entrou e escancarou... Confesso que fiquei perplexo. Voltei ao texto e procurei, com muito afinco, as palavras, ditas chulas. Voltei, reli, re-reli, e nada. E o “pau comeu”, em defesa do I-racional autor. Gente, ela se enganou. Leu e não gostou, acordou de ovo virado, enfim, ela não gosta do Brecht, fazer-se o que? Pesado, Pedro? Que nada... Delicioso, isso sim... Creio que perdemos uma leitora, espero que não, mas, com certeza, ganhamos muito mais força, certo?
Diego Mainardo apresenta-nos as Olimpíadas do Pateta. Nem pelo povo americano, que tem muita gente boa por lá também, fico feliz que, até o momento, a China esteja liderando com folga a corrida pelas medalhas. Ao menos para tirar do Tio Sam aquela empáfia de sempre. Feliz também fiquei ao saber que o americano super nadador não vai conseguir bater o recorde anterior, de seu compatriota. Pois só ganha quem já competiu, nada se ganha antes de competir. Vencido em uma das provas pela inexpressiva África do Sul. Ah, também lamento o futsal não ser esporte olímpico, talvez realmente para não dar mais uma medalha ao um país subdesenvolvido... Paralelos entre o esporte e a política, muito bem feitos por sinal. Enfim, não consegui, mais uma vez, encontrar algo que não concordasse, embora não tenha feito qualquer força para tal...
Luiz Maia traz-nos suas Utopias... Bom, minha idéia de religiosidade parte do princípio do texto virtuoso de nosso amigo. Não creio que se encontre o Ser Superior dentro de um recinto específico, principalmente se ele tiver sido construído pelo homem. Longe de qualquer idéia frívola, o que senti foi uma imensa alegria ao saber que pessoas estão pensando grande, ou seja, estão engrandecendo seu interior, através do exterior... Felizes mesmo aos que atingem este ponto, o que nosso amigo autor demonstra claramente... Parabéns!!
Mais uma nova colaboradora, que bom!! Sara, apesar do texto ser Luz e Trevas, você só conseguiu proporcionar a primeira parte. Todos que leram, tenho certeza, identificaram-se com você, de cara. Eis aí uma excelente forma de se apresentar. A nós, já admiradores, ficou uma extrema simpatia, que queremos ler sempre que possível, ok?
Maurício Silveira mostra-nos suas resenhas canalhas. Enfim, ele acha canalha, e eu respeito... hehehe... Aguça-nos mais uma vez, com uma leitura, no mínimo, diferente. Toda história contada, bem contada, bem estruturada, falando de um assunto aterrorizante, assusta até aos mais incrédulos... Mais um pra minha lista de projetos a ler, com certeza...
Alessandro Sachetti dá mais uma aula de Ombudsman. Meu ex-companheiro de críticas passa suas idéias sobre a edição anterior. Sua missão, meu amigo, já foi cumprida, pois você sempre acrescentou, e duvido muito que, mesmo que queira, conseguirá destruir qualquer coisa por aqui, ok? Boa sorte, sempre, e nunca pare...
Peço imensas desculpas pelo exagero desta vez, pois me empolguei. Uma espécie de despedida, onde procurei ser bem mais cuidadoso que sempre. Espero-os nas próximas semanas, em minha nova coluna, e, desde sempre, agradeço a oportunidade de fazer parte de um grupo tão seleto de seres humanos, verdadeiramente pensantes!
Té mais!!!

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