|
|
18/08/2004 - Edição número
89
Granma para
todos!
|
| |
|
|
|
Granma para todos!
Na semana que passou, o principal assunto
tratado na imprensa escrita brasileira (fugindo do tema
Olimpíadas, é claro!) foi a contistuição
do Conselho Federal de Jornalismo - ou como quer que venham
ou não chamá-lo.
Dentre os argumentos contra a criação
do conselho, encontram-se aqueles que defendem que a criação
do mesmo seria apenas uma forma governamental de cercear,
de censurar a imprensa, normatizando e "normalizando"
as informações.
Já aqueles que defendem a criação
do mesmo lembram o fato de que haveria maior fiscalização
de empresas que têm seu quadro de funcionários
constituído quase que exclusivamente de estagiários
(parcamente remunerados) contribuindo para o nível
de subemprego dos profissionais formados e já habilitados
plenamente.
Alguns neste momento relembram o que Fidel
Castro impôs a Cuba: a manutenção de
apenas um órgão de imprensa, o Granma
(http://www.granma.cubaweb.cu), órgão
oficial do comitê central do Partido Comunista Cubano.
Conselho bom, conselhor mau, deixo para aqueles
que sabem mais do que eu decidir mas, antes, quero terminar
com uma citação de Philip Dormer Stanhope
Chesterfield (1694-1773), político e escritor inglês,
que dizia: "O conselho raramente é bem
recebido e quem mais necessita dele é quem menos
o aprecia". Para bom entendedor, uma citação
basta.
Outra: quem acompanha o Simplicíssimo
há tempo tem notado uma série de "melhorias"
no site nas últimas semanas.
Além de uma "guaribada" no
aspecto estético, com o surgimento de ícones
dinâmicos nas colunas que levam o Simplileitor àquela
referida coluna, aumentamos o tamanho da fonte aqui e acolá
(seguindo conselhos dos próprios leitores), mexemos
na estrutura para tentar realizar uma abertura mais rápida
da primeira página e, a partir desta edição
mais duas novidades: a volta do Tudo Está Escrito
no Éter Universal, o "blógue do Simplicíssimo"
que desde abril estava desativado. Neste espaço traremos
atualizações breves e realizaremos um troca-troca
de informações dinâmicas com o Simplileitor,
já que é um espaço aberto para atualização
até mesmo diária se assim for necessário;
a segunda novidade foi a colocação de "línques
relacionados" abaixo de cada coluna ou texto publicado,
caso o autor assim o desejar. Nestes línques relacionados
encontram-se desde os sítios/blógues pessoais
do autor ou algum endereço eletrônico que o
mesmo tenha por relevante ao assunto abordado.
Uma outra novidade que estamos avaliando iniciar
é uma área exclusiva com Entrevistas. Já
existe uma lista preliminar de figuras a serem entrevistadas
e se você, Simplileitor, tiver alguma sugestão
de alguém a ser entrevistado (o contato desta pessoa
facilita nosso trabalho!) ou quiser você mesmo realizar
a entrevista e nos enviar para publicação,
sinta-se à vontade!
Estou escrevendo demais ultimamente, ou melhor,
escrevendo excessivamente, de forma prolixa e graforréica
(para que não pensem que estou cá a contar
vantagem de minha própria pessoa!). Acho bom parar
por aqui! (até minha desculpa/justificativa/explicação
sobre meu excesso de palavras encadeadas em seqüência
neste site acaba por se tornar longo e, possivelmente, entediante...
mas o que fazer?).
Durmam com os anjos e sonhem com o Simplicíssimo!
Rafael Luiz Reinehr
"Uma discussão prolongada
significa que ambas as partes estão erradas"
Voltaire
"É preciso ter dúvidas.
Só os estúpidos têm uma confiança
absoluta em si mesmos"
Orson Wells
"Há tantos vícios com
origem naquilo que não estimamos o suficiente em
nós, como no que estimamos mais"
Barão de Montesquieu
|
subir
O
Salto no Abismo
Daniela Castilho |
|
Fugindo de um tigre, um homem quase caiu em um abismo,
segurando-se a tempo em um galho de vinha que crescia na
beirada. O tigre, esfomeado, farejava e rugia ameaçadoramente
acima dele. Quando olhou para baixo, o homem viu que no
fundo escuro do abismo um rio corria com águas caudalosas.
As raízes da vinha ameaçavam se soltar, sendo
roídas por um rato negro. Nesse momento, no auge
do seu desespero, o homem percebeu que ali a seu lado crescia
um pé de morangos e que um fruto magnificamente maduro
balançava suavemente de um dos galhos. Momentaneamente
esquecido do perigo e do triste fim que o aguardava, o homem,
sem largar a raiz da vinha, colheu e saboreou o morango.
- Parábola Zen
Estava ali deitado, febril, há dois
dias. A temperatura ambiente estava controlada, vinte e
um graus, nem um a mais, nem um a menos, o ambiente precisava
estar controlado para ser suportável. O jarro de
água não se mantinha suficientemente fresco,
embora fosse trocado todos os dias, ele não podia
beber aquela água que se amornava teimosamente, pensou
em reclamar novamente que não estavam trocando sua
água o suficiente.
Sonhava acordado com o abismo, enquanto contemplava
as bolhas azuis que se formavam no teto, deslizando e explodindo
lentamente, como em um filme mudo. Ficou se perguntando
se todo o processo estaria no final, ele precisava de um
final. Era um homem condenado. Correção, não
era um homem, era um menino condenado. Sim, um menino, ainda
era um menino, talvez nunca deixasse de ser um menino. Não
queria deixar de ser um menino. Um menino condenado à
uma queda no abismo. No momento que pensava aquilo, viu-se
a si mesmo, ainda menino, sentado na mesa de estudo do quarto,
escrevendo a lápis em um caderno, tinha um band-aid
na testa, por que aquilo agora? Ser seu próprio fantasma
não melhorava nada, nada. Tentou erguer a cabeça
para se olhar melhor em sua versão infantil, sentiu
uma leve tontura, um enjôo, continuou deitado, era
só o que não queria ou precisava, sentir-se
enjoado, vomitar, sentir-se ainda pior. Nem vomitar o aliviaria,
o peso era insustentável dentro de si, vomitar apenas
faria sentir-se ainda mais doente. O menino, sentado, escrevia
à lápis, muito compenetrado e sério.
Sentiu-se transportado para a beira do abismo,
que rugia ventos, que o olhava do fundo com imensos olhos
azuis de tristeza. Não. Aquilo não estava
certo. O abismo não era triste, não era assim
que se recordava dele. O abismo teria olhos verdes, olhos
imensos e raros como duas pedras brilhantes, preciosos e
líquidos, olhos de desejo, olhos cheios de beijos
e promessas. Ele desejou profundamente que o abismo tivesse
olhos verdes.
Tinha uma citação, como era,
de quem era? Stendhal? Algo sobre o amor, sobre estar à
beira de um precipício, inclinar-se na beirada de
um precipício, colher uma flor na beirada de um precipício,
namorar um abismo... não conseguia lembrar das palavras.
Tentou novamente levantar-se da cama, novamente o enjôo.
A luz azulada do monitor do seu computador estava ali, presente
e sólida, confortante, mas ele não conseguia
sequer levantar da cama, quanto mais caminhar até
ali, sentar-se em sua cadeira e... um segundo, uma pesquisa
e saberia a frase exata, as palavras exatas. Ele tinha certeza
que era Stendhal. Não era? Ou era Thomas Mann? Se
ele ao menos conseguisse vencer aquela náusea aflitiva
e se sentar diante do computador, ainda que não conseguisse
fazer a busca ele mesmo, ele poderia perguntar à
ela, seu oráculo particular. Ela devia estar online,
ela com certeza encontraria a resposta, com aquela eficiência
de sempre, em nanossegundos, com um sorriso, com aquela
voz rouca, aquele riso escancarado, fazendo pouco caso da
necessidade dele de encontrar um fragmento de texto de um
escritor morto há um par de centenas de anos, naquela
hora da madrugada, em meio à uma febre, em meio ao
seu ambiente controlado.
O homem à beira do abismo. Homem, não,
correção, menino. O menino, nesse instante,
parou de escrever e olhou para ele. "Não me
olhe" - pensou ele com desgosto - "Não
quero esse seu olhar acusador, eu sei. Eu sei o que estou
fazendo de errado, eu sei. Eu não sou estúpido."O
abismo o olharia com olhos verdes e um sorriso divertido
e ele, sentindo o frescor dos ventos abissais, despiria
suas roupas lentamente, abandonando cada peça aos
ventos, até ficar nu, sentindo o corpo magro esfriar,
refrescar, aliviar, abriria os braços e saltaria.
Um salto rápido, sem pensar, sem temor. Quanto tempo
duraria a queda? Lembrou-se de qualquer coisa que aprendeu
no colégio, uma fórmula de física,
velocidade, peso, gravidade... uma forma de calcular quanto
tempo um homem magro de estatura média demoraria
para cair em um abismo de profundidade desconhecida. Homem
não, menino.
"Não" - pensou ele, com um
suspiro impaciente - "Não precisa se levantar
daí, menino, não se levante, não venha
aqui perto." - mas o menino já colocara o caderno
e o lápis com cuidado sobre a mesa de estudos, e
se aproximara da cama. O que era aquilo que o menino vestia?
Uniforme de escola?
A mãe interrompeu os pensamentos, entrando
com uma jarra de água fresca. Ela falou alguma coisa
sobre medir temperatura, ele murmurou que não, ela
não insistiu, olhou-o com aquele ar grave de coruja
que os óculos grossos davam a seu rosto velho e saiu.
Ele tinha vontade de telefonar. As bolhas
azuis ainda se moviam no teto, como bolhas de ar num daqueles
brinquedos que têm água e óleo com anilina,
tão lentamente - era isso mesmo? Lembrava-se vagamente
daquilo... Não, ele não telefonaria.
O homem salta no abismo, braços abertos,
sentindo o vento perfumado de flores lamber devagar seu
corpo todo. A queda não é rápida ou
violenta, é mais como um flutuar doce e lento, em
direção à escuridão. Um vôo
de Ícaro. O menino, parado ao lado da cama, o olhava
com tristes olhos azuis. Isso estava tão errado,
ele nunca tinha tido olhos azuis, mas talvez a culpa fosse
das bolhas azuis no teto que insistiam em se formar e explodir,
se formar, deslizar pelo teto e explodir... o zumbido do
ar-condicionado começava a irritá-lo.
Enquanto flutua no abismo, o homem pode ver
as nuvens carregadas acima dele, se enroscando umas às
outras, se movimentando como mariposas, diferentes tons
de cinza e chumbo, entremeadas com alguns fiapos brancos.
A queda lhe dá ainda mais vertigem do que no minuto
que estava ali, se preparando para saltar. O abismo sorri.
Nos ventos do abismo ele escuta aquela voz que ele ama tanto,
a voz rouca e maliciosa que sorri no telefone. O homem fecha
os olhos, saboreando a doçura do ar frio, escutando
a voz que lhe sussurra todos os seus segredos. Ela sabe,
ela sabe, ela sabe... ele flutua na queda, o tempo imensurável,
eterno, pairando no ar. O fundo do abismo não chega.
As persianas estão cerradas, o ar está
controlado, a jarra de água fresca forma gotículas
do vapor d'água no vidro, o telefone está
quieto. Tudo está sob controle, tudo está
controlado. As bolhas azuis ainda flutuam e se movem junto
ao teto, o menino ainda está parado ao lado da cama
com uma pergunta nos olhos que não deveriam ser azuis,
mas são tão azuis.
Ele ainda tem vontade de telefonar, mas seu
corpo dói. Ainda sente febre, apesar da temperatura
correta, apesar de tudo estar no lugar que deveria estar.
Seu mundo sob controle, sob seu controle.
O homem flutua no abismo, deliciado. E só
um segundo, um segundo apenas antes de atingir o fundo suavemente,
quebrando todos os ossos do corpo como se fossem gravetos
de cristal, lentamente, em slow-motion, sem dor, sem um
único ruído além do vento sussurrante
como uma voz de mulher, ele se arrepende de ter saltado.
|
subir
O sonho é maior que a realidade
Que nunca passou de um sonho ruim
Um pesadelo que se repete todo dia
Sempre igual, mas com o conteúdo diferente.
Toda vez que acordo
Me descubro ainda sonhando...
Quero acordar,
Mas já estou de olhos abertos
Por mais que tente gritar
Minha voz já acabou faz tempo.
Não há volta,
O retorno ficou antes da última curva que ainda não
acabou...
Vou sonhar de novo
Só que dessa vez eu não vou dormir
|
subir
Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia |
|
O vazio e, oh!, o choque.
Você já ouviu falar deste filme, com certeza.
“Ken Park” é a mais nova realização
do criador de polêmicas Larry Clark. Aqui, é
provável que o realizador de “Kids” e
“Bully” tenha se saciado e encerrado sua produção
serial de filminhos de adolescentes perdidos, desajustados
e promíscuos com sua trinca cinematográfica.
De “Kids” pode-se dizer que foi um marco ao
mostrar de maneira tão explícita o cotidiano
de adolescentes sem perspectivas, que fazem sexo deliberada
e perigosamente, usam entorpecentes como quem bebe coca-cola,
não têm senso de responsabilidade social, tratam
suas famílias como lixo e não perdem tempo
pensando no futuro. “Bully” parte do mesmo pressuposto:
temos adolescentes sem perspectivas, que fazem sexo deliberadamente,
usam entorpecentes como quem bebe coca-cola, não
têm senso de responsabilidade social, tratam suas
famílias como lixo e não perdem tempo pesando
no futuro. O único ponto mais interessante levantando
por este último, foi ter tocado na questão
do chamado “bullying” palavra inglesa
que significa ameaça ou intimidação
e, embora seja ainda pouco conhecida, refere-se a uma prática
freqüente nas escolas. Brincadeiras freqüentes
e constrangedoras, humilhações e até
mesmo agressões: tudo isso caracteriza o “bullying”.
Pode ser o jovem ridicularizado por ter um defeito físico
ou a menina estudiosa chamada de CDF (“cu de ferro”).
Não há quem não tenha conhecido pelo
menos um caso desses. Neste filme, esta humilhação
é levada ao extremo pelo personagem-título,
a partir de uma história real, adaptada por Clark.
Em 1993, uns gurizões da Califórnia realmente
mataram um conhecido deles, porque o cara era um valentão
e perturbava a galera. O grande problema é que Clark
tinha tudo nas mãos para contar uma boa história,
mas ao abusar do pressuposto moralista (sim, por que ele,
mesmo ao mostrar tudo tão explicitamente, é,
na verdade, um moralista, “denunciando” uma
“realidade” para chocar), tudo o que se tem
são cenas tão tendenciosas que se chega às
raias da ingenuidade. Seu princípio de “papai,
vou te dar a real: tua filha é uma vagabunda e teu
filho um drogado de merda”, como se ele fosse
o dono do conhecimento que os outros ignoram, é extremamente
patético. Coloca-se como o centro denunciador de
um sistema do qual ele teria extrema consciência por
sua “sensibilidade artística”. Patético.
Em “Ken Park” voltamos à exata mesma
carga. Histórias fragmentadas, fraquíssima
linearidade e coesão entre as histórias. Senão,
vejamos – eis a sinopse com o qual o filme é
vendido: “A rotina de quatro adolescentes da cidade
de Visalia, Califórnia. Shawn (James Bullard) é
um skatista que transa com a namorada e com a mãe
de sua namorada. Tate (James Ransone) gosta de se masturbar
várias vezes seguidas e tem um cachorro de três
pernas. Ele é criado pelos avós, que não
respeitam a sua privacidade, o deixando furioso. Claude
(Stephen Jasso) é agredido seguidamente pelo seu
violento pai, um alcoólatra que o acusa de homossexualismo,
e é consolado pela sua apática mãe
grávida. Peaches (Tiffany Limos) anseia por liberdade,
mas tem de cuidar de seu religioso pai, um cristão
fundamentalista, que a espanca após vê-la transando.
Embora conversem o tempo todo, cada um dos personagens não
sabe dos problemas enfrentados pelos outros.”
“Ken Park” é um filme tão absolutamente
sem sentido, que a questão aqui nem é perguntar
o porquê das situações apresentadas.
Oquei, talvez as coisas não tenha um porquê,
e acontecem por que tem que acontecer e ponto final. Mas
é tão visível por parte do diretor
a força empenhada para causar estranheza e, oh!,
chocar aos que ele deve chamar de puritanos, que tudo, absolutamente
tudo soa muito ridículo, e somente não chega
a doentio por ser tudo tão dramaticamente ensaiado,
metodicamente orquestrado com o intuito de uma transgressão
pueril e infantilóide. O nível da coisa é
tão baixo – e dá pena do diretor...
– que até um cachorro de três pernas,
sem nenhuma importância para a trama, o diretor se
deu ao trabalho de arranjar, (e até mesmo tornar
isto parte da sinopse!: “(...) e tem um cachorro
de três pernas.”) e quero duvidar ser um
truque digital.
Desde o princípio, todos os personagens são
apresentados em seus ambientes familiares já com
claros sinais de desagregação. Existe uma
tensão constante querendo anunciar que as coisas
não estão boas por ali, que uma hora algo
vai acontecer. Algumas vezes, no entanto, há falhas
graves no roteiro que não antevê certos princípios.
Isto se vê no caso do personagem Claude que, apesar
de em todo o resto do filme, ser mostrado como em constante
atrito com seu pai, que chega a quebrar o seu skate, na
primeira cena é apresentado ajudando-o a praticar
halterofilismo, pacatamente. Até, claro – e
partindo do nada, a não ser de uma implicância
gratuita – começar a ser humilhado por ele.
Na maioria das vezes, no entanto, só o que se tem
é a impassividade ou a queda para atitudes injustificáveis
e bobas. Tomando por exemplo a história do rapaz
que vive com os seus avós, Tate. Mora numa casa confortável,
é cercado de carinhos e recursos e avós que
não são velhinhos inúteis: jogam o
seu tênis, se divertem, são fisicamente ativos.
No entanto, basta o rapaz estar “concentrado”
em seu quarto criando nomes irônicos para fotos de
crianças esquálidas, desnutridas como esqueletos
e sua avó entrar lhe trazendo lanche, para ele ofendê-la
de cadela, puta, entre outros nomes carinhosos. E ao avô
se refere como mentiroso e trapaceiro por apresentar em
um jogo de palavras cruzadas uma palavra que ele (Tate)
desconhece. Enquanto isto, ele demonstra todo o seu masoquismo
se masturbando (de verdade, em close do diretor novamente...)
enquanto aperta o pescoço com um laço pendurado
na maçaneta da porta.
O caso de Shawn é outro risível. Ele simplesmente
é um skatista pirralho, feio, sem nenhum atrativo
que transa com a maravilhosa mãe de sua namorada.
E, nestas horas, temos Clark mais uma vez nos “chocando”
com cenas como de Shawn fazendo sexo oral em sua sogra,
ela manipulando (e, oh, close!) seu pênis por dentro
da cueca. Depois, um almoço – de Ação
de Graças? – reúne os membros da família
– inclusive o seu sogro – e fim. Não
há confronto. Tudo vem do nada e caminha para o nada.
Como um apanhado de cenas perdidas, aleatórias.
Já Peaches, é a filha de um fundamentalista
cristão que, na ausência do pai comete perversidades
sexuais com seu namoradinho até serem descobertos
– e espancados – por ele.
E Claude, outro skatista humilhado pelo pai que lhe acusa
de homossexualismo, um alcoólatra que ao final, bêbado,
tenta cair literalmente de boca sobre o pênis do próprio
filho. É constrangedor para o mais liberal dos espectadores.
O nível de exposição dos atores chega
a dar dó. Eles desfilam com o pênis balançando
para criar uma “naturalidade” infantil. As histórias
são como uma coletânea, um apanhado ao acaso.
Não há, como diz na sinopse, o “Embora
conversem o tempo todo, cada um dos personagens não
sabe dos problemas enfrentados pelos outros.”
Eles não conversam o tempo todo. Eles não
se encontram, a não ser três deles, na parte
final do filme, quando todos os personagens já foram
apresentados em quadros isolados, antecipados pelos nomes
deles em uma tela preta, e o que se tem é um encontro
inexplicável , em uma orgia sexual, entre os personagens
Shawn, Claude e Peaches, de realidades diferentes e que,
em nenhum momento do filme pareciam – ou houve pista
de – se conhecer.
Pessoas minimamente inteligentes sabem quando estão
sendo enganadas. Pessoas com a mais baixa noção
estética conhecem um diretor e seus ardis e embustes
para provocação. Pessoas com extrema tolerância
já começam a perder a paciência com
a pretensão para o artê. O vazio nada
mais é do que o vazio.
Ah, e o quê, ou quem, afinal de contas é Ken
Park? Ele é apresentado como um personagem (outro
skatista...) que teria simplesmente dado um tiro na cabeça
e gravado em vídeo. Pois é.
Tudo é decepcionante quando não tem outra
justificativa além da pretensão do choque.
Quando nada diz a que vem. Quando que se mostra são
somente histórias soltas, personagens desfocados.
Não há nem o convite ao pensamento, a reflexões
do tipo: “Oh, mas será que os adolescentes
são estes pobres seres sem perspectivas que têm
uma ereção após cometer um crime?”
Para quê aproximar tanto a câmera de um pênis
no momento da ejaculação? Somente para vender
o produto é claro. Porque são somente estas
as “qualidades” do filme que o público
irá divulgar... Poderíamos ser poupados desse
tipo de “arte”. Manipular ações
e reações de forma tão ensaiada não
chega nem a ser um exercício cinematográfico
de interesse, mesmo que revestido de muito sexo explícito
para chamar a atenção do público. E
eu creio que haverá um momento em que a público
algum interessará tentativas tão pueris e
pobres de “pintar um quadro” realista dos adolescentes
e sua falta total de interesses. Haverá um momento
total de boicotes a filmes que, ao subirem os créditos,
nos tragam tamanha sensação de vazio, que
tenhamos que nos questionar: então, realmente, terminou?
|
subir
en
passant
Eduardo Hostyn Sabbi |
|
10ajuizados
Um grupo de estudantes de direito resolve comemorar o dia
11 de agosto (em 2004), o Dia do Advogado, com a “tradição”
do Dia do Pendura. Desculpe-me o palavreado, mas tradição
o escambáu. Com um gasto de R$ 1.300,00 (coisinha
simples que qualquer estudante brasileiro pode pagar) o
grupo foi retido no restaurante pelos seguranças
do local até a chegada da polícia e o encaminhamento
para a delegacia. A jovem estudante protesta cheia de razão:
“fomos mantidos em cárcere privado”.
E eu que já perdi a compostura mesmo vou logo dizendo:
cárcere privado o caralho!
Não seria a manutenção dos jovens
no recinto um direito do proprietário do restaurante
frente à negativa de alguém lhe pagar uma
conta? Você, no seu negócio, ainda daria um
brinda? Não seria uma reação de legítima
defesa pela agressão que é um grupo fartar-se
e querer tirar vantagem inapropriadamente? Ou devo estar
errado, ou há leis e chavões demais que protegem
o ladrão que rouba e é preso. Coitadinho,
será privado. Que destaca no jornal o policial que
atira no bandido. Olhem que absurdo, ele é um cruel
agressor.
A melhor definição para o fato é,
sem dúvida alguma, um calote. Golpe mesmo. Mas eles
se vêem na razão, me fazendo crer que esta
é a escola nacional perpetuadora de Lalaus. Uso a
generalização de propósito e para causar
impacto embora saiba que alguns oportunistas, semelhante
aos jovens ali, tentarão me processar por algum dano
moral. Alguns bons me darão razão, embora
contestem aqui e ali. Mas não é possível
que tal fato passe am branco, em albis (para caso
alguém do direito que esteja lendo se sinta mais
à vontade).
Sei que um erro não justifica o outro, o outro também
não justifica o um e os fins não justificam
os meios. Aliás, devem haver zilhões de outros
ditados bonitos para eu colocar aqui. Balela. Estou irritado
e não escondo. Irritado com essa enfadonha crise
moral. Será que eles imaginavam que o dono do restaurante
iria chamar uma limousine, acender charutos cubanos
e pagar uma estadia no Plaza para todos? Por favor, saltem
os bons em defesa de si mesmos e de sua classe, tão
repetidamente desmoralizada. Classe onde estão muitos
que detém um conhecimento específico e dele
tiram proveito sem escrúpulos, buscando a própria
vantagem. Eu queria dizer que são apenas exceções.
Juro que queria. Mas eu queria tanta coisa nessa vida e
não posso. Essa é só mais uma. Saltem
mais, saltem logo, para que os maus elementos, quem sabe
um dia, saltem fora. Ah mas isso é utopia, só
mais uma utopia. E eu que tenho falado tanto na Educação
através do exemplo. Imagina só, se quem conhece
a lei faz dessas, o que se pode esperar todos nós
outros, leigos imbecis? Pois então, que belo futuro
nos assola ...
|
subir
I-racional
Pedro Armando Furtado Volkmann |
|
De Ré Na Contra-Mão
Violentos Haikais 10/X
Usou de Psicologia
das mais avançadas
Para participar da Orgia
Só pode ser lenda
Numa noite sem luar, ouvia-se o uivo peculiar
de um lobisomem manco e triste. Na verdade ninguém
da cidade estava realmente preocupado em saber das lamúrias
daquele ser. Na última noite, para variar, ele se
lamentava de não conseguir correr atrás de
suas vítimas prediletas, as virgens da cidade. Não!
não é isto que você está pensando!
Ele as procurava somente para contar as velhas histórias
de seus antepassados, os lobisomens mancos e tristes. Conta
a lenda que isto começou há muitos séculos
atrás, em Old Cacimbinhas North Beach, quando uma
mutação genética transformou alguns
lobisomens e eles começaram a ter sentimentos. Um
deles, muitos anos depois, enquanto contava a história
de seus antepassados pela vigésima vez para um grupo
de virgens da cidade, acabou se distraindo e, sem querer,
cortou-se, perdendo os movimentos de uma das pernas. Após
isto, lobisomem de verdade, daqueles bons, mesmo, os que
têm sentimento, se sentindo diferentes por poderem
andar de forma quase ereta, cortavam sua perna para manter
a tradição.
Desde então, os habitantes desta pequena cidade se
acostumaram a ouvir as lamúrias dos lobisomens, primeiro
porque tinham sentimentos e depois, porque já não
encontravam virgens suficientes para contar suas histórias.
Ainda bem que não sou Lobisomem, pois
não preciso contar minhas tristes histórias
só para virgens. Tenho vocês, leitores do simplicíssimo.
Hoje, além de contar a minha história semanal,
gostaria de agradecer os comentários de edição
87, onde bati meu recorde pessoal de comentários!!!!!
Com um texto fedido daqueles. Que legal. Sinal de que a
vida não muda tanto assim, tanto quanto eu gostaria,
ou não.
Está certo que todos temos nossos podres pessoais,
nossos nojos e nossas loucuras. Apenas retratei a verdade,
que podres podem vir acompanhados de amor, de paixão
ou de riso. Muito obrigado.
Me surpreendi também com os comentários da
edição 88, muito obrigado defensores e inimigos,
assim dá prazer de escrever. Comentem meus textos
e os textos dos outros autores.
O que se passa em Old Cacimbinhas North Beach
se passa em todos os lugares. Cuidado seus chatos, que procuram
incautos para histórias contar, ninguém mais
dá bola para lamúrias sem fim de causos que
já estamos carecas de saber.
Mas se você já sabe e não quer ouvir
de novo, porque ainda vota naquela velha raposa, seu candidato
a deputado, vereador ou prefeito?
|
subir
Veja
só quem está falando!
Diego Mainardo |
|
Ayrton Senna, o banal
O Brasil é ruim.
Poderia ser pior.
Um “diz que me disse” disse que
Frank Williams dissera recentemente que Ayrton
Senna sonhava em se eleger presidente da República.
Mesmo sem reler velhas entrevistas de Senna,
cheguei à conclusão de que a idéia
me pareceu bastante boa.
Ayrton era uma pessoa com
uma inteligência espacial bastante boa (vide seu sucesso
nas pistas) assim como mantinha uma boa nota no que diz
respeito a seus relacionamentos interpessoais (Xuxa,
Adriane Galisteu). Parecia ser bom em matemática
(acumulou milhões) e também era um cara espiritualizado.
Em vida, preocupou-se com a caridade e, depois
de sua morte, sua família criou o Instituto
Ayrton Senna, o que certamente lhe faria (fez?
faz?) feliz.
Na forma de governo mais duradoura que se
tem conhecimento, o da antiga China Imperial,
os governadores das províncias eram escolhidos baseados
em múltiplas provas que levavam em conta o conhecimento
político regional, a argumentação lógica,
o arco-e-flecha e, pasmem, a habilidade em música,
em tocar um instrumento musical. Quem se saísse melhor
na média de todos estes quesitos era considerado
o melhor homem a governar determinada província.
Creio que, retirando-se o preconceito de gênero,
esta seria ainda hoje uma forma válida para escolher
um bom governante. Deveríamos encontrar uma pessoa
que harmoniosamente equilibrasse bons níveis de inteligência
lógico-matemática, pictórica,
musical, intrapessoal, interpessoal, espacial, lingüística,
corporal-cinestésica, naturalista e espiritual (aproveitando
a Teoria das Inteligências Múltiplas
de Howard Gardner) e, ao invés de um sufrágio
universal “democrático” enviesado pela
“distorção de informação”
(J. Habermas) a que são expostos os movimentadores
deste processo (nós, o povo) creio que uma espécie
de “concurso público”
para todos cargos executivos e legislativos seria uma saída
alternativa ao péssimo sistema que hoje temos para
escolher as incógnitas que irão nos governar.
Que tal, você aí que está
me lendo agora, indo a aulas de balé, lendo “A
Inteligência Emocional” do David
Goleman e a revista Vida Simples,
voltando a jogar bola e correr, treinando tricô, estudando
teatro, preocupando-se com o meio-ambiente e com a busca
de respostas aos problemas ecológicos que hoje vivemos,
etc., tudo isso para se preparar para um novo concurso daqui
a 4 ou 5 anos para conseguir um cargo público com
uma boa renda mensal (que até há bem pouco
tempo tinha seus vencimentos aumentados por ocupantes do
cargo que agora você pleiteia)? Chance para todos!
Existiriam cursos para formar “seres humanos completos”
(?)! Durante toda sua vida, a cada 4 a 5 anos um novo concurso
e uma nova chance (e você fica melhor em boa parte
dos quesitos à medida em que envelhece e ganha experiência!
– talvez não no cinestésico-corporal
e no espacial) de ajudar seu país a melhorar!
Li em um artigo da Veja que a Ediouro publicou
um panfleto de George Bernard Shaw entitulado “Socialismo
para Milionários”. Nele, o dramaturgo
propõe que os milionários não devem
doar seu dinheiro à caridade, pois o mesmo produz
um efeito maléfico ao tirar do governo a obrigação
de cumprir sua função.
Ao mesmo tempo em que isto parece ser verdade,
me parece que, somente por esta justificativa (desobrigar
o governo a cumprir sua função), não
deveríamos nos abster de um ato legítimo –
auxiliar a outrem a subir nos degraus da vida.
Caro leitor milionário, de classe “média”
ou pobre de “marré de si”, escute esta
recomendação: chega de dar esmolas. Dê
tudo de si, sempre e em todos os momentos e circunstâncias.
Não pense apenas em ganhar
dinheiro.
|
subir
Desejo e Contentamento
Haverá possibilidade de sentirmos contentamento
diante de uma constante multiplicação de desejos?
Dizem os mais conservadores que desejos são como
armadilhas
infindáveis que tornam frágeis relacionamentos
tidos como sólidos.
Outros, mais castos, creditam tais desejos à simples
luxúria e ao descontrole do ego.
Pensando bem, olhando o lado prático das relações
afetivas,
talvez nosso coração
não fique tranqüilo com os desejos que possam
habitar a nossa mente,
tirando-nos a paz de que tanto precisamos.
Embora saibamos que o contentamento é fruto da consciência
espiritual,
não podemos negar que saciar os desejos poderá
nos levar ao êxtase.
Importante então é encontrarmos o ponto de
equilíbrio
na satisfação dos desejos para que haja contentamento
e paz no coração.
|
subir
Um
pouco de cada: luz e trevas
Sara Flech Neves |
|
O Poço
Onde estavam teus olhos quando eu caí?
Chamei-te tão alto que o barulho da minha voz estremeceu
o chão.
Meus braços permaneceram estendidos, como se estivessem
esperando alguém alcança-los antes de tocar
o fundo da escuridão.
Enxerguei rapidamente, naquele segundo antes
de me esmagar por completo, enxerguei teus olhos, faróis
infinitos, agora chorando por mim...
Chorando por si mesmo.
Um ponto de interrogação, uma
pergunta sem resposta: teria evitado a minha queda, teria
olhado para mim?
Uma eterna busca, eterna culpa por não
ser perfeita. Tortura.
O poço me chamou, pensei ter ouvido a tua voz, mas
era o eco do meu coração, era a força
da ilusão!
Aquela que vês lá no fundo do
poço sou eu, despedaçada a carne, presente
a mente, a alma a se agarrar aos tijolos molhados, uivando
de dor...
Olhando teus olhos a chorar...
Ambos condenados a somente chamar, nunca tocar...
|
subir
Ombudsman
Marcos Claudino |
|
Despedida
Sabe-se lá onde vamos parar... Será
mesmo que queremos “parar” em algum lugar? Eu
não, com certeza. Conforme nossos comentários,
não há especialistas, não há
um ser humano no mundo que saiba tudo sobre determinado
assunto. Dominar um tema, significa apenas dominar uma técnica.
Partindo desse tópico, inicio minha coluna desta
semana, sendo a última nesta parte da página.
As demais virão num espaço vago que o nosso
tenente ache melhor. Pois é, a partir das próximas,
mudo de função, assumindo uma coluna própria,
graças à boa vontade de nossos colaboradores.
Enfim, resta-me uma constatação a declarar:
Não é fácil criticar. A mim, nunca
foi. Foram poucos meses em que colaborei, e muito aprendi
sobre o enfoque, mas percebi que muito ainda tenho a melhorar,
graças a Deus... Eu, um fã incondicional da
proposta tão bem definida pelo sítio, convocado
a comentar os textos da semana anterior. Tarefa difícil,
mas gratificante. Tornei-me um viciado no site, mais do
que era. Lia uma a uma, várias vezes, e gostava cada
vez mais. Afinal, o que é ruim? Qual opinião
está errada? Qual ponto de vista é realmente
incorreto? Difícil responder, quando a liberdade
é dada, quando retiram-se os limites do poder criativo,
e agrupam-se as idéias em temas, sem querer agradar
a ninguém, e, efetivamente por isso, agradando...
Na edição anterior, o tenente Rafael começa
arrasando... Afora o texto, que já comento, um total
de dezessete comentários não é de se
ignorar. Comenta que o coração esquenta, esse
é o tema, esse é o lema, esse é o principal.
Mais que críticas, as pessoas manifestam-se, e os
autores sentem-se impulsionados a melhorar, a inovar, a
criar, e pronto. É isso aí, tenente, aqui
não há competição, não
há perdedores, saem todos vencedores, apenas porque
são respeitados todos os pontos de vista. Esse é
o tema, a proposta que mais me atrai...
Bernardo W K apresenta-se. Muito prazer, Bernardo, seja
bem vindo. A história começa, mas já
foi iniciada. Termina, mesmo sem terminar. Sentimos um fundo
musical bíblico, místico, faraônico...
Enfim, gosto de textos em que escreve-se pouco, e deixa-se
a cargo de nossa imaginação os pontos que
faltam. Não as recomendo em um livro inteiro, mas
quebra bem o gelo das idéias pré-concebidas,
das formas de escrita sempre usadas, e exercita não
só o autor, mas muito mais o leitor... Passou-me
uma incrível capacidade criativa, e espero por mais,
ok Bernardo?
Lifebuster, ou Nuno Silva, é mais um dos novos colaboradores.
Vêm de longe seus versos, e bem tristes. Acredito
que o maior sofrimento na morte é para quem fica.
Acredito fielmente na vida do espírito, eterno. Creio
mesmo que tenhamos muito a evoluir, para encarar a sessão
de vida corpórea como mais uma etapa, sem dor, mas
como uma missão ultrapassada, cumprida ou não.
Falta-nos este desapego, falta-nos essa compreensão
que, para mim, independe de religiosidade, muito mais de
filosofia, de postura. Enfim, o que quero dizer é
que não acho correto, assim como o Rafael, esta associação
da tristeza, pela coincidência das datas. Mas compreendo
perfeitamente bem esta forma de pensar, e partilho a ti,
Nuno, minha solidariedade. Parabéns pelo texto, e
receba meu abraço...
Alessandro Garcia mostra-nos suas velhinhas. Comentários
educativos ao final do texto, explicações
bastante importantes a este projeto de escritor. Duas histórias,
duas situações. Pontos de vista, simplesmente
(simplicissimamente). Vem bem ao caso do que já escrevi
acima. O que é certo? Tem alguém alguma autoridade
para ditar idéias politicamente corretas ou errôneas?
A verdade é que ninguém gostaria de estar
no lugar da personagem alvo da primeira história.
A verdade é que ninguém gostaria de ser o
neto acariciado da segunda história. Sem preconceitos,
porque não são realmente, todos quiseram lavar
as mãos, e muitos não acariciarão pombinhos
bonitinhos na praça... hehehe...
Meu amigo Eduardo Sabbi toca num tema interessante, outra
vez, como sempre... Velhice, aposentadoria planejada, deixar
para viver verdadeiramente após a “vida produtiva”.
O recordista de comentários desta edição.
Gerou um longo debate, acalorado, abordando inclusive o
uso dos anti-depressivos, teorias, e a experiência
de especialistas no assunto. Ressalto que o Alessandro Garcia
quebrou o gelo, literalmente... Enfim, o que penso é
que nossa forma de pensar está errada. Estamos pensando
(a maioria) de uma maneira ultrapassada. Nossos velhos são
produtivos, e muitos deles estão retornando a esta
produção, pura e simplesmente para poder viver
melhor. As empresas ainda estão preferindo aos jovens,
mais baratos, e mais maleáveis, óbvio, mas
eles estão, gradativamente, retornando ao mercado...
Que bom. Toda forma de preconceito é errada...
Tudo ia bem, com o Pedro declarando-se, escancarada, linda
e despudoradamente à sua amada Trinity. Comentários
encorajadores, aplaudidos ao amor sem fim, eterno enquanto
dure, e essas coisas todas. Quando, de repente, uma simplileitora
entrou e escancarou... Confesso que fiquei perplexo. Voltei
ao texto e procurei, com muito afinco, as palavras, ditas
chulas. Voltei, reli, re-reli, e nada. E o “pau comeu”,
em defesa do I-racional autor. Gente, ela se enganou. Leu
e não gostou, acordou de ovo virado, enfim, ela não
gosta do Brecht, fazer-se o que? Pesado, Pedro? Que nada...
Delicioso, isso sim... Creio que perdemos uma leitora, espero
que não, mas, com certeza, ganhamos muito mais força,
certo?
Diego Mainardo apresenta-nos as Olimpíadas do Pateta.
Nem pelo povo americano, que tem muita gente boa por lá
também, fico feliz que, até o momento, a China
esteja liderando com folga a corrida pelas medalhas. Ao
menos para tirar do Tio Sam aquela empáfia de sempre.
Feliz também fiquei ao saber que o americano super
nadador não vai conseguir bater o recorde anterior,
de seu compatriota. Pois só ganha quem já
competiu, nada se ganha antes de competir. Vencido em uma
das provas pela inexpressiva África do Sul. Ah, também
lamento o futsal não ser esporte olímpico,
talvez realmente para não dar mais uma medalha ao
um país subdesenvolvido... Paralelos entre o esporte
e a política, muito bem feitos por sinal. Enfim,
não consegui, mais uma vez, encontrar algo que não
concordasse, embora não tenha feito qualquer força
para tal...
Luiz Maia traz-nos suas Utopias... Bom, minha idéia
de religiosidade parte do princípio do texto virtuoso
de nosso amigo. Não creio que se encontre o Ser Superior
dentro de um recinto específico, principalmente se
ele tiver sido construído pelo homem. Longe de qualquer
idéia frívola, o que senti foi uma imensa
alegria ao saber que pessoas estão pensando grande,
ou seja, estão engrandecendo seu interior, através
do exterior... Felizes mesmo aos que atingem este ponto,
o que nosso amigo autor demonstra claramente... Parabéns!!
Mais uma nova colaboradora, que bom!! Sara, apesar do texto
ser Luz e Trevas, você só conseguiu proporcionar
a primeira parte. Todos que leram, tenho certeza, identificaram-se
com você, de cara. Eis aí uma excelente forma
de se apresentar. A nós, já admiradores, ficou
uma extrema simpatia, que queremos ler sempre que possível,
ok?
Maurício Silveira mostra-nos suas resenhas canalhas.
Enfim, ele acha canalha, e eu respeito... hehehe... Aguça-nos
mais uma vez, com uma leitura, no mínimo, diferente.
Toda história contada, bem contada, bem estruturada,
falando de um assunto aterrorizante, assusta até
aos mais incrédulos... Mais um pra minha lista de
projetos a ler, com certeza...
Alessandro Sachetti dá mais uma aula de Ombudsman.
Meu ex-companheiro de críticas passa suas idéias
sobre a edição anterior. Sua missão,
meu amigo, já foi cumprida, pois você sempre
acrescentou, e duvido muito que, mesmo que queira, conseguirá
destruir qualquer coisa por aqui, ok? Boa sorte, sempre,
e nunca pare...
Peço imensas desculpas pelo exagero desta vez, pois
me empolguei. Uma espécie de despedida, onde procurei
ser bem mais cuidadoso que sempre. Espero-os nas próximas
semanas, em minha nova coluna, e, desde sempre, agradeço
a oportunidade de fazer parte de um grupo tão seleto
de seres humanos, verdadeiramente pensantes!
Té mais!!!
|
subir
www.simplicissimo.com.br
Copyright © 2003 - Rafael Luiz Reinehr - Todos os direitos
reservados. Sinta-se à vontade para reproduzir os
textos do site, mas não esqueça de citar a
fonte e o autor.
|
|
Pegue
o banner
do Simplicíssimo
e divulgue em seu
sítio ou blógue!

Línque
para
http://www.simplicissimo.com.br
e depois nos avise!

Gentileza
prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto
Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de
mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em
tamanho maior no blógue do amigo.
|

Selo
comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em
2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
|
|