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25 /08/2004 - Edição número
90
O Muro da
Discórdia
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O Muro da Discórdia
Está sendo construído por Israel
um muro com o intuito de separá-lo da Cisjordânia
e abraçar os principais assentamentos de judeus,
objetivando um “desligamento unilateral”
entre Israel e os palestinos.
Uma Assembléia Geral da ONU votou a questão
e, excetuando-se os Estados Unidos da América
– aliados incondicionais de Israel – condenou
a construção do muro.
Ao mesmo tempo, em toda Europa e mais intensamente na França,
onde moram cerca de 600.000 judeus, cresce
o anti-semitismo.
São registradas explosões de bombas em sinagogas
e escolas judaicas e profanação de túmulos
em cemitérios judeus.
Se somarmos essas informações e uma outra,
que é a taxa de natalidade de 3,4%
entre os árabes-israelenses (muçulmanos que
vivem em Israel), percebemos o surgimento de um crescimento
populacional que pode ser visto como uma “bomba
de efeito retardado”.
Tal crescimento fatalmente levará a um aumento concomitante
do poder político do grupo que legitimará
suas reinvindicações.
Para dar um toque místico a este texto, lembro da
profecia assinalada no livro “O Código
da Bíblia”, que afirma que entre 2005
e 2006 acontecerá um “holocausto
atômico” em Israel.
A despeito disso realmente ocorrer e se tais acontecimentos
podem ou não ter relação com a construção
do “Muro da Discórdia”,
recomendo fortemente que, antes de qualquer comentário,
quem não leu “O Código da Bíblia”
deve dirigir-se de imediato ao site Saindo
da Matrix e ler atentamente o fascinante resumo
do livro que lá se encontra.
Entre lutas entre gregos e troianos, negros e brancos, maragatos
e chimangos, civis e militares, sulistas e do norte, fico
mesmo com a solução encontrada por um amigo
meu ex-colega das Ciências Sociais (ou era da Filosofia?):
transformar tudo em música a ser tocada espetacularmente
em sua banda “Os Israéis Palestinos”.
Fiquem com Deus (cada um com o seu e respeitando
o do próximo!)!
Rafael Luiz Reinehr
PS: boas vindas à
Camila Mello que estréia com brilho
na seção Poesia, ao retorno
de Conrad Rose e da Grasielle Regassini,
ao mais novo colunista Marcos Claudino
e ao agora Ombudsman de todas as semanas Alessandro
Sachetti.
Aos novos saudações e aos da casa muito gás
para as novas participações!
"Uma paz certa é melhor e
mais segura do que uma vitória esperada"
Tito Lívio
"Olho por olho, e o mundo acabará
cego"
Mohandas Gandhi
"Quando os ricos fazem a guerra,
são sempre os pobres que morrem"
Jean-Paul Sartre
(a propósito: para quem gosta e
citações e reflexões, um ótimo
sítio é o Citador,
um blógue português com um rico conteúdo.
É de onde extraio boa parte das citações
que uso aqui)
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Quando Jaime chegou à clareira no interior da mata,
estremeceu ao se deparar com um esqueleto bovino completo,
amontoado na relva. De pronto enterrou o dito, separando
dois dos maiores ossos, com os quais confeccionou uma cruz
atada a cipó. Acalentou-lhe o espírito com
um pai-nosso como a agradecer ao finado, por ser ele fator
preponderante na conservação do espaço.
Obcecado, Jaime resolveu assumir tal responsabilidade.
Nos dias que se seguiram, trouxe latas perfuradas que viraram
luminárias sustentadas por galhos de bracatinga.
Também querosene, machado, esteira e manta. Era outono.
Panela e chaleira; talheres e mantimentos. E um álbum
de retratos, sua única lembrança física
dos pais.
Ornava diariamente o sepulcro com as mais belas e diferentes
flores dos arredores. Para economizar reza, contornou-o
com pedras e ostentou ali a mais querida foto dos ascendentes.
Compôs um mausoléu por fim. Ausentou-se numa
tarde para providenciar muito mais comida, centenas de velas
das mais sortidas cores e tamanhos. Um terço, pão
e vinho. Uma imagem de São Sebastião e outra
de Nossa Senhora Aparecida. Uma bíblia sagrada.
Jaime perdera os pais num ganancioso embate no garimpo.
Porém, aquilo acelerara-lhe a herança aos
treze. Pepitas escondidas que o garoto carregou ao sair
fugido. Se fosse um pouco mais velho talvez os hormônios
atrapalhassem, mas Jaime preencheu-se de responsabilidade
de tal maneira, que jamais tornou a trabalhar na vida. Mesquinho,
tampouco compartilhou seu coração. E desconhecia
sexo.
Até que resolveu se esquivar definitivamente do mundo.
Na clareira de seus delírios fincou os pais na sepultura
como outrora não pudera. Improvisou um altar com
tocos e na mistura água/terra modelou e retocou.
Orgulhava-se do zelo. Amava-se-lhe. Um terço por
dia. Cultivava e melhorava o local sem parar. Catava mudas
e frutos.
Alimentava-se somente como ofício para continuar
vivo, vara seca que era e, por saber da dor e da importância
da sua verdade, resolveu criar uma própria. Calejou
mãos, pés e joelhos. Fez-se apenas de suplício
doravante.
Demorou para as velas acabarem, mas chegou o dia...
Jaime procurou novamente um comércio
nas cercanias, reabasteceu-se de luz e conheceu Márcia,
cujo nome só soubera indiretamente, e quase pôs
tudo a perder. Cogitou ter companhia. Viu-se próximo
do que mais precisava se distanciar. Este medo comumente
manifestava um desejo cruel a todas que – por lapso
– sorria descuidado. Estas, normalmente lhe retornavam.
O putrefato jovem tinha neste sorriso denso seu único
contato com a luxúria; e intimista, ejaculava-se
ao recordar.
Márcia presenteou-lhe com um sorriso maroto de dentes
ávidos, sardas, imensos olhos azuis, nariz ereto
e boca rosa; instigou-o com pequenos e pontiagudos seios
semi-ocultos, cabelos negros ao ombro e maneiras etéreas;
bondade e receptividade. Jaime passou-lhe uma lista e absolutamente
nada falou, pagou-a e percorreu o corpo da moça com
os olhos. Ela desviou-lhes estritamente o necessário,
providenciando-se-lhe propostas. Dominado por sua impotência,
ele findou a ocasião dando-lhe as costas e gozou
pelo caminho. Ela prometeu avançá-lo na próxima,
ocasião que jamais acontecera.
Jaime – tomado por melancolia profunda
– começou a preparar sua cova. A lembrança
da morte dos entes foi-lhe consumindo desorganizadamente.
Estabeleceu sua providência ao lado dos pais, prostando-se
numa cama esburacada à Terra, e precavido, guardou
sua última pepita abaixo de seu colchão de
folha de bananeira. Orou para morrer dormindo e solicitou
com fé que Deus o livrasse do infortúnio da
morte horrenda - como a antes testemunhada ou a provinda
de famigerado animal. E esta – conforme os pedidos
– alcançou-o ao relento, ajudada pelo frio,
para enfim cicatrizá-lo.
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Saudades
de um amor suicida
Grasielle Regassini |
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Às vezes o que sonhamos, o que desejamos, nunca se
realiza, ou não sai exatamente como queríamos!
Uma pena não é... Eu que sempre acreditei
que a vida fosse um dom especial, que se existimos não
é por acaso! Sempre acreditei que se os sonhos existem,
eles podem se realizar,
sempre acreditei que nem um amor é de todo impossível...mas
como acreditar nisso agora? Hoje acabei de perceber que
estava redondamente enganada! Me prove o contrário
quem puder! Quantas tragédias acontecem por ai sem
explicação! Quantas pessoas morrem sem mais
nem menos, por fatos tão banais, por tão pouca
coisa. É como dizia Renato Russo:"É tão
estranho, os bons morrem antes..." E por quê?
E o quê fazer a respeito disso? Nada ...me diga o
que podemos fazer? Nada!!Viver a nossa vida como se fosse
o último dia? Isso é muito lindo ...muito
poético ..mas só serve para filmes ...como
as histórias de amor com final feliz! Na vida real
as histórias de amor nem sempre tem um final feliz,
ninguém vive cada dia como se fosse o último!
Não importa o que aconteça, não importa
o que te digam ...quando você chega no final da linha,
você sempre acha que não aproveitou o suficiente,
você sempre vai olhar para traz e ver que faltou alguma
coisa, faltou a vida ...aquela vida que você sempre
sonhou e apesar de buscar, continua e diariamente, você
nunca a encontrou!
Fico pensando se soubesse o que ia acontecer amanhã,
assim como se soubesse no dia 22 de junho o que ia acontecer
no dia 23. Ah, teria mudado tanta coisa...mas eu não
sabia, e agora é um pouco tarde. E mesmo que eu tenha
vivido cada minuto como se fosse o último eu ainda
não tive tempo pra viver tudo o que eu queria. Nós
buscamos, buscamos, pra no fim não encontrar o que
realmente queremos! Vivemos para morte e não para
vida! Parece um absurdo, mas é a mais pura verdade...cada
dia que passa você está mais próximo
da morte! Um tom muito pessimista ...mas verdadeiro.
De que adiantam todas aquelas regras simples de felicidade,
assim como "sempre deixe as pessoas que você
ama com palavras de carinho", eu deixei, eu juro que
eu disse o quanto o amava, mas mesmo assim ele se foi, ele
não entendeu o sentido das minhas palavras, ou entendeu
bem demais quando eu disse que enfrentaria tudo pra ficar
com ele, por que eu disse que por ele eu seria forte, mas
não sem ele, assim não dá, sem objetivos
não se sonha, não se vive. Eu não sei
o que é pior, não ter coragem ou ter coragem
demais!
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Existem mexicanos nos Estados Unidos da América,
e aqui no Brasil eu já não sei quantos mais!
É tanta cara branca,
tanta cara preta,
tanta cara rosa,
tanto arco-íris em prosa,
que eu que sou assim o que sou
já não me defino
(mas que perda de tempo, faça-me o favor!)
Eu sei sim o que faço:
eu como falo transo abalo ai meu siso indeciso amanhã
tenho que ir ao dentista
ontem fui ao oculista ginecologista cardiologista malabarista
trapezista
contorcionista ai minha vista estou com miopia com antipatia
e barriga vazia.
Pronto, senhores, com vocês: eu!
Sem cinismo, meus senhores,
não leiam neste tom!
Isto tudo é realmente eu,
esta pequena zona,
este ser plebeu.
Aplausos, por favor.
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Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia |
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Revolução
A Margareth. Igual a todas as outras: coque no cabelo,
uniforme azul-ciano, base no rosto e o maldito batom rosa-bebê.
A Corporação era quem dava a diretriz - o
padrão estético, segundo eles, era resultado
das mais esmiuçadas pesquisas de tendência
para a aceitação do visual das atendentes
de Grandes Corporações. Margareth odiava a
Corporação, mas a grana era boa e ainda oferecia
desconto nas mensalidades da sua faculdade. Ruim era o restaurante
da Corporação. Comida pior que de colégio
municipal. Não valia o esforço do maldito
batom rosa-bebê.
Três anos de corporação e ainda o batom
rosa-bebê. O uniforme, design novo, uma faixa branca
na lapela. No coque, uma telinha de renda para adornar o
penteado. O batom, o mesmo. Começou a organizar uma
rebelião. As gurias não ousaram, não
queriam arriscar o emprego. Um tom acima!, pediu a Margareth
para a moça do avon. De rosa-bebê, passou a
usar o rosa-681, código que identificava a cor um
pouco mais ousada. Bem pouco. A vó nem notou. O vigilante
que ficava zanzando em frente ao seu balcão de atendimento
todos os dias, também não. É certo
que olhava para a sua boca. Também. Mas não
notou. Na hora do lanche, as gurias horrorizadas, dizendo
que Margareth iria ser demitida. Margareth nem ligou, chamou
elas de bobas. Bem assim. Sabia que estavam com inveja,
não tinham coragem de ousar como Margareth. Azar
o delas.
No outro mês, o rosa-683. Margareth não era
boba. Fechava o batom com a tampinha do rosa-bebê.
Na frente da supervisora era como se ainda usasse o antigo.
Margareth começou a achar o trabalho mais agradável.
Não sabia bem porquê. O batom, talvez. Mais
sensual. Notava os homens se demorando mais a perguntar
onde ficava o prédio onze. E o vigilante olhava mais
para a sua boca, também. As gurias quase nem falavam
com ela. Era a ousada, a rebelde. Quase devassa.
Em julho não se agüentou. Achou o rosa-paixão
divino e pensou em chutar o balde. Como as gurias já
nem lhe dirigiam a palavra e tampouco a supervisora lhe
mirava os lábios com precisão, chegou naquela
tarde com os beiços em encarnado. O vigilante comentou,
as gurias resmungaram algo como “hmpf!” antes
de lhe virar a cara e ela achou em excesso o interesse de
tanto homem a lhe perguntar onde ficava o prédio
onze. No fim do expediente a supervisora disse que queria
falar com ela. Ainda arranjou tempo para ligar pra moça
do avon e pedir o vermelho-rubro. Achava que ficaria bem
com o tailleur vermelho-sangue com que passaria
no dia seguinte no departamento de pessoal.
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en
passant
Eduardo Hostyn Sabbi |
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A Campanha do Pereirinha
Pereirinha era um daqueles caras legais, camaradas, sempre
de bem com a vida. Andava de bar em bar, estava em todas
as festas e eventos, esbanjava elegância mesmo dentro
de casa e de pijama. Falava e convencia como poucos. Ninguém
sabia de onde vinha tanta cultura, até porque muitos
não entendiam uma palavra do que ele dizia ou talvez
porque não era nada muito entendível mesmo.
Cultura ou enrolação, tratava-se sem dúvida
alguma de uma figura e tanto. E foi Osmar, seu grande amigo
de infância, quem teve aquela idéia, entre
um intervalo do pandeiro e uma pitada de fumo.
_ Você tem que ser político.
_ Imagina Osmar, eu fora!
_ Não, falo sério. Tem pinta de político,
fala como político.
_ Nem pensar, me deixa quieto no meu canto homem.
_ Imagina só você sendo o prefeito dessa cidade.
Quanta coisa você ia poder fazer hein Pereirinha?
E com esse teu jeitão então, em breve seria
governador e até presidente.
_ Mas ... - Osmar estava embalado. Tapou-lhe a boca e seguiu
falando.
_ Mas nada homem de Deus! Você iria andar por aí
de limousine abanando para o povo, viver voando de avião
e visitando outros países desse mundão.
Um brilho lhe saltou os olhos. Sempre quis voar de avião.
Ficava horas olhando os aviões que passavam com suas
luzes piscantes pelo bairro em direção ao
aeroporto e se imaginando mais perto das nuvens. Assistia
a todos aqueles filmes de seqüestro em aviões
mas nem sabia o enredo. Queria mesmo era ver o cenário.
E Osmar não parou por aí. Sabia que estava
quase lá. Não era à toa que eram tão
amigos.
_ Vai morar no Palácio da Alvorada ... fazer cada
festança na Granja do Torto ... falar um monte de
bobagens em tom de discurso, cagar umas leis por aí
... sem falar na ajudinha que ia dar pra todo mundo aqui
né Pereirinha? E aposto que você ainda não
pensou na patroa sendo chamada de Primeira Dama ...
Um sorriso abriu-se em seu olhar distante e iluminado.
Parecia voar por entre as nuvens, mesmo que o céu
não tivesse nenhuma sequer naquele momento. Não
houve pausa:
_ E o povo nas ruas gritando sem parar: “Zé
Pereira, Zé Pereira, Zé Pereira!”...
Aterrisou repentinamente. Algo não soara bem. Enrugou
a testa e fez uma carranca de assustar até mesmo
o seu grande amigo. Foi curto e grosso em suas próximas
palavras:
_ Zé Pereira não Osmar, Pereirinha! Sr. Presidente
P e r e i r i n h a! – e decolou seu olhar novamente
para as nuvens ...
***
A campanha política fora um sucesso. Idéia
do Paulão, que topou de cara entrar de cabeça
no apoio ao Pereirinha. O lema era Política Segura.
Sem panfletos que era pra não sujar a rua e manter
o clima politicamente correto do candidato, mesmo que ele
não fosse (como geralmente aliás, acontece
na vida real). Mais: tinha que ser algo útil, como
ele seria se eleito (sem comentários).
Todos adoraram a idéia da camisinha. Quando chegou
o caminhão com todo o material então, foi
aquela alegria. Ficaram ótimas. Nas cores do partido,
tinham frases de impacto variadas:
• Contra a procriação da roubalheira,
dos crimes e da inflação: vote Pereireinha!
• Com Pereirinha, você vai poder gozar a vida
tranqüilo!
• Pereirinha, o candidato intimamente ligado ao seu
desejo e à sua necessidade!
• Meta na urna com confiança: vá de
Pereirinha!
• Vote Pereirinha para não reproduza os erros
dos outros!
• Agora é Pereirinha, porque voto de castidade
é coisa do passado!
• Se duas cabeças pensam melhor do que uma,
use bem as duas, vote Pereirinha!
Tinha até camisinha com cédula impressa direto
no látex. É bem verdade que isso gerou alguma
polêmica. Teve a mesária que meteu a boca no
eleitor que levou junto uma Playboy com a desculpa que precisava
ver a “cola” para votar certo. E o outro mesário
que teve que ir lá tirar a boca dessa primeira do
eleitor ...
Também houve reclamações das fiscais
na contagem dos votos ao se depararem com algumas cédulas
que estavam um tanto grudentas. Por mera coincidência,
nelas o voto sempre era para o Pereirinha.
E apesar de estupendo sucesso, Pereirinha perdeu a eleição.
Mas ao contrário do que se possa pensar, ele não
deixou de ser o falastrão bem-humorado e querido
de todos. Ainda mais que nunca o bairro teve um controle
de natalidade tão eficiente como o daquele ano.
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I-racional
Pedro Armando Furtado Volkmann |
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De Ré Na Contra-Mão
Violentos Haikais 10/X
Mãe judia
Filho drogado
Carro amassado
Escondidos
Quem foi criança sabe que a melhor
parte desta brincadeira é saber que tem alguém
querendo saber de você. Onde você está,
o que está fazendo? Sim, aquela criança está
procurando você, que se escondeu muito bem e pode
salvar as outras. Estará ela perto do pique? Você
conseguirá chegar lá antes dela e ter o prazer
de se esconder de novo? Quem poderá saber? Ora, você
já sabe, quem está escondido!!!
Alguns dos locais mais belos do mundo estão
escondidos das pessoas. A praia vermelha em Garopaba, por
exemplo, é um destes paraísos perdidos. Do
lado da praia em que foi filmado “O Piano”,
a praia Beatles, na Nova Zelândia, tem outra prainha,
tão bela quanto, que ninguém conhece. Será
que é sempre assim? O que faz com que um lugar seja
endeusado e o outro, muito melhor seja preterido? Será
que é melhor ser o Didi do que o Giannechini?
O melhor de um dia pode ser a noite. O melhor de um jogo
pode ser o que está por vir. Não estou querendo
dizer que a grama mais verde é a do vizinho ou que
a vida deixa o melhor para os outros. Nada disso. Estou
dizendo apenas para você não se contentar só
com o que aparece. Parece que é bom, então
pode ser melhor ainda. De tempo ao tempo, mas não
se esqueça que o melhor amante do mundo é
o Don Juan de Marco.
O melhor de conhecer alguém bem é
que esta pessoa pode esconder belezas que a gente não
imagina. Talentos e personalidades que não se mostram
de cara. Tem gente que é bom de cheiro, de organização
ou de fazer amigos. Cada um tem qualidades que não
aparecem logo de saída. Gente de verdade atrás
de máscaras.
Às vezes, mostrar sentimentos pode
ser bom. Porém a verdadeira arte de amar se dá
nas pequenas coisas camufladas, que ninguém se dá
conta, nem mesmo você. Pense e faça. Uma declaração
que pode ficar escondida em um texto, uma frase que só
“ela” entende. Se prepare, não prepare,
sinta.
Pois é, a felicidade é feita
destes momentos, de sentimentos às vezes abertos,
às vezes velados, às vezes intensos, às
vezes serenos.
Viver é bom, mas lembre-se de uma coisa, não
se esconda de si.
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Veja
só quem está falando!
Diego Mainardo |
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A irmandade chavista
Sessenta e oito intelectuais e artistas
brasileiros assinaram o manifesto “Se
fosse venezuelano, eu votaria em Chávez”.
Há quem critique esta onda de manifestos que têm
surgido ultimamente condenando guerras, repudiando associações
com a ALCA, etc.
O argumento principal de quem faz tal crítica é
um só: tais manifestos seriam absolutamente tendenciosos,
buscariam agradar ideais particulares, rejeitando outros
possíveis manifestos moralmente válidos mas
que contrariam em parte suas convicções.
Ora, pois... Já que sugere então tal atitude,
parta à batalha!
Críticas vazias não promovem ações,
digníssimo amigo.
Talvez angariem cartas, e-mails
e comentários, mas não
movem o mundo.
Se te preocupas sobre a influência dos intelectuais
e artistas na permanência de Chávez, e és
contra, organiza-te e luta contra.
Do contrário, permanecerás um eterno
idiota...
Se eu fosse venezuelano votaria com os brasileiros...
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Desapego
Você já sentiu vontade de se ver livre
da pressão das tarefas diárias, do tempo e
de alguns relacionamentos?
Cansou-se dos alimentos lights, diets?
Já não existe romantismo em apreciar o jardim
de sua casa?
Então, experimente desprender-se de tudo
que pareça estar lhe cansando.
Desapegue-se de suas próprias idéias para
poder
ficar receptivo às novas.
Desapegar-se é entender a realidade tal como ela
é, mas
procurando abrir espaços ao sonho e à esperança.
Assim você poderá desfrutar das
oportunidades da vida, abraçando-se às mudanças,
internas ou externas,
que vêm lhe seduzindo.
É bem provável que agindo assim você
venha a se sentir de bem com a vida,
responsável pelos outros e feliz.
Às vezes é mesmo preciso persistir na busca
do novo, deixando de lado
possíveis valores que já perderam o sentido
de ser.
Precisamos manter o coração aberto ao novo,
eliminando o apego extremado a valores,
pessoas, sentimentos e posturas que não mais contribuem
para uma vida saudável e feliz.
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Um
pouco de cada: luz e trevas
Sara Flech Neves |
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Sonhos
Por entre abismos de nuvens corremos
Sentenciados à vagar pela noite deserta
Corações selvagens palpitando de amor
E as canções que cantamos passeiam pelo vento
como plumas de águias novas
Nossos olhos estão voltados ao alto
Contemplando a lua que está sorrindo
Abraçamos o infinito e desejamos nunca morrer
Dois corpos quentes, queimados pelo fogo
Cabelos molhados pelo orvalho e pele arrepiada de prazer
Voamos para longe, tentando nos esconder
Pois o sol já está surgindo e com ele nossos
sonhos esvair-se-ão
Não há tempo para nos despedirmos
Então esperamos a noite retornar novamente
Para juntos completarmos nosso viver
Que venha o entardecer!
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Suburbanas
Marcos Claudino |
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São Paulo, 24 de agosto de 2004.
Giro Olímpico
Sou formado em Ciências Contábeis,
desde 2000. Não executo a função, desde
1997. Trabalho com Recursos Humanos, e, confesso, creio
que o faço muito bem.
Esta introdução serve apenas para justificar
que não sou, e creio mesmo que não serei jornalista,
de qualquer ramificação, muito menos esportiva.
Por esta razão, peço desculpas pelo esculacho
do manifesto descrito abaixo.
Embora o mercado de trabalho tenha resolvido, nas últimas
semanas, chamar-me a várias entrevistas de vagas
oferecidas, não são todos os dias que estou
com os dias ocupados, e, por esta razão, tenho tido
tempo de acompanhar o desenrolar de boa parte destes jogos
olímpicos, realizados nas lindas terras gregas.
Sou um nacionalista. Adoro meu país e minha gente.
Algumas coisas irritam-me profundamente, desde declarações
de jornalistas que resolvem fazer muito mais que simples
narrações esportivas, a comentaristas, que
ultrapassam os limites das imagens e resultados, e chegam
a requerer verdadeiros cargos honorários de donos
da verdade ininterrupta e incontestável.
Pois tenho ouvido muita gente dizer que é besteira
levar mais de duzentos atletas aos jogos, sendo que a grande
minoria é que tem real chance de medalhas. Pois só
este aspecto pode até tomar todas as linhas deste
mal escrito texto. O que penso é que estamos evoluindo.
Se um esportista brasileiro chega em último lugar
em sua prova, não quer dizer que não mereça
o apoio necessário ao seu esporte. Ao contrário,
a este é que deve-se concentrar mais recursos, pois
ganha experiência, noção de competição,
e, principalmente, leva a bagagem do que as próximas
gerações irão encontrar nas próximas
competições. Ou será que qualquer um
pode ser último, menos o Brasil? Tenho a sensação
que nossa cultura esportiva resume-se, exclusivamente, a
futebol. Este, mesmo assim, se não ganhar a competição,
de nada valerá um segundo, terceiro, ou quarto lugar.
Pensamento pequeno, é o que eu penso.
Fiquei verdadeiramente contente com o quinto lugar da Daiane.
Mas, sei que muitos já estão dizendo que a
menina amarelou. Amarelou? Como alguém tem coragem
de dizer uma coisa dessas? São mais de duzentos países
participando. Muitos, com vinte, trinta competidores. E
nós encaixamos três atletas, entre quinto,
décimo segundo, e décimo sexto lugares, respectivamente.
Nunca havíamos chegado a uma final. Será que
na próxima olimpíada não estaremos
mais maduros, com mais condições? Na natação,
tivemos a revelação da jovem Joana Maranhão,
chegando a duas finais, uma terminada em quinto, outra em
sétimo. Sem medalhas, e daí? E daí?
Daí, que crescemos, e é uma ascendência
que não regride mais, tenho certeza. E as meninas
do futebol?
Dando a lição aos marmanjos milionários,
de que, com vontade, com espírito, e com talento,
dá pra chegar lá. A prata já está
garantida, mas não é impossível que
subam ao pedestal maior nas premiações. Se
não trouxerem, a festa deverá ser a mesma.
E tantos outros, que alcançaram pontos jamais atingidos?
Aquela modalidade que ninguém conhece, que nunca
vimos, a cada dia sendo ocupada por um ou outro brasileiro.
Olha só. A imprensa, e a mentalidade das pessoas
influenciam tanto a cabeça de nossos atletas, que
nosso grande Cláudio Honorato ficou envergonhado
de não ter conseguido trazer uma medalha. Chorou
um choro sentido, pediu desculpas. Olha, gigante, a mim
você não deve desculpas. Eu é que lhe
devo palmas, aplausos, e a alegria de tê-lo como nosso
representante. A você e a cada um de nossos representantes
olímpicos, por mais inexpressiva que tenha sido sua
classificação final, pois vocês vestem
a nossa camisa, representam-nos ao mundo, e, a cada dia,
colocam um pouquinho mais de medo em tantas e tantas super
potências esportivas. Bom saber que, até agora,
e espero até o fim dos jogos, nenhum registro de
doping brasileiro, o que já é um grande exemplo.
Enfim, esporte é muito mais do que opiniões
simplistas de pessoas que jamais se contentaram com evoluções,
mesmo que essas evoluções demorem a vir, se
vierem. Esporte é uma celebração, antes
de tudo, da vida, da capacidade de nossos corpos e mentes,
representando a força da criatura mais evoluída
deste planeta que, em tantas vezes, não sabe exercer
este papel...
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Ombudsman
Alessandro Sachetti |
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Brasil, o país da vela!
Grande Tenente, Rafael, as mudanças
se fazem necessárias quando tem foco e potencial
para trazer melhorias, o que, imagino ser o caso da criação
do Conselho Federal de Jornalismo. No papel é uma
ótima idéia, basta apenas realmente ser constituído
e, ainda mais, dirigido pelo bom senso. Uma maneira interessante
de acabar com os subempregos, pois, hoje é comum
encontrarmos pessoas com o diploma do curso superior tendo
o cargo de estagiário em empresas. Alegam a tal falta
de experiência, mas não dão oportunidades,
além de ser extremamente vantajoso ter mão-de-obra
qualificada e barata. Assim, isentam-se do pagamento de
férias, décimo terceiro, fundo de garantia
e demais encargos. Concordo contigo e engrosso o coro de
Granma para todos! E, se possível,
grana também.
Gostei das “melhorias” estéticas do site.
E fico feliz em ver que os comentários têm
aumentado, o que é gratificante para quem escreve,
essa troca é vital, é a referência que
nos dá mais força e visão exterior,
escrever para ninguém é escrever com tinta
invisível.
Dani Castilho volta, e nos presenteia com seu conto, sempre
muito bem contado (sic). O abismo está sempre há
um passo de distância, você pula ou fica apreciando
a vista lá de cima. Às vezes tenho a impressão
que viver é saltar de um abismo por dia, tudo o que
vai ser está intrinsecamente ligado às escolhas
de agora. A gente se arrepende sim das coisas que fez, mas
pior é se arrepender do que não fez.
Não falarei do meu texto, mas gostaria de falar dos
comentários que recebi. É sempre bom saber
que um texto que escrevi faz alguém pensar, imagino
que é o que sempre esperam os escritores.
Sobre os sonhos, ainda não aprendi a controlá-los
e nem a descobrir que estou sonhando, para ter a consciência
desperta durante um sonho e poder “vivê-lo”
melhor. Para quem gosta do tema e quer ir além, assista
ao filme Waking Life. É tudo isso e um pouco mais.
Concordo com o comentário do Marcos, a idéia
é encontrar alguém para sonhar junto, acordado
ou não.
Eduardo, gostaria muito de saber o nome do psicanalista
e descobrir se ele possui algo publicado, seria interessante.
Agora, imagina se toda nossa vida fosse mesmo um sonho e
um dia acordamos. Isso soa Matrix, não acha? Então
veja o filme que indiquei acima e tenha uma outra visão.
Meu xará, Alessandro, fala sobre um dos filmes que
mais gostei esse ano, e contesta muito o que viu, então
hei de contestá-lo segundo minha visão, e
que isso fique bem claro. Até por isso não
vou rebater linha por linha o que ele disse, mas sim a leitura
que fiz do filme.
Ken Park começa banal, com o suicídio do personagem
que dá nome ao filme, só que aí também
começa toda a forma pretensiosamente desleixada da
história. Larry Clark apresenta outra realidade em
seus filmes, em Ken Park não é diferente,
os personagens estão mais para suburbanos do que
para os playboys e patricinhas americanos, crítica
clara aos efeitos colaterais do modo de vida americano,
assim como todo o embasamento do filme.
O skate dá o tom da película, nos pés
do adolescentes que mantém relações
sexuais com a mãe da namorada. Junto do filho que
vê a sua rotina com sua mãe ser abalada pela
chegada de um padastro pançudo e beberrão.
Clark toma as situações e personagens antes
inanimados para dar-lhes vida e falta de educação
católica.
Então, eis que surge o sexo, e os closes em genitálias
masculinas, sempre escondidas no cinema, ao contrário
do corpo feminino sempre e cada vez mais à mostra,
tanto que já se tornou comum e não causa mais
espanto. Nu frontal e sexo explícito, não
fosse a bela fotografia os mais recatados não conseguiriam
ir até o fim do filme e nem assistiriam um dos mais
estarrecedores finais da história do cinema erudito
atual.
Talvez a sensação de vazio, seja, pela falta
de critério com que o sexo e a vida sem rumo dos
personagens surgem grudados, feito cães no cio, e
mais vazio ainda sabendo que isso existe e está o
tempo todo a nossa volta.
Grande Eduardo, também creio que a “escola”
onde se formam tais imbecis é a mesma dos Laulas,
e irrita mesmo esse tipo de atitude, é incrível
como algumas pessoas ainda teimam em querer tirar vantagem
desse tipo de situação. O tal “Dia do
Pendura” há muito acabou, pois, o bom senso
também acabou faz tempo. Também gostaria de
crer que isso é exceção, mas me parece
cada vez mais exceção generalizada.
Ótimo o seu Haikai caro Pedro Volkmann, de longe
um dos que mais gostei. Lobisomens não são
lendas, pelo menos não os dessa raça, muito
pelo contrário, são mais comuns do que se
poderia imaginar. E nessa época se apresentam numerados,
filiados, unidos. Para contar causos furados e roubarem
nossos trocados.
Mainardo, nunca havia me passado pela cabeça à
idéia de termos Senna como presidente. Me agrada
muito seu texto, mas também é fato que vários
dos grandes governantes tinha, de certa forma, um bom desempenho
em todas as matérias que você citou com muita
propriedade, mas o problema reside em uma enorme inteligência
em ser tão sem escrúpulo quanto hábil
em todos os fundamentos que constituem um grande homem.
Luiz, eu acredito que o contentamento de qualquer desejo
é logo superado por um novo desejar, e uma nova satisfação
causa novo desejo em seguida e assim consecutivamente até
o fim. O fim.
Sara és, para mim, uma agradável surpresa.
Muita força e muita imagem em teu estilo de escrever.
Que força de solidão melancólica. O
poeta Christian Bobin já dizia que
melancolia: “é um eclipse. Pois bem, é
isto: a lua que se põe à frente do coração,
e o coração que não emite mais sua
luz. A noite em pleno dia. A melancolia é doce e
escura”.
Grande Marcos, a vida é assim, nunca vamos saber
tudo, eu na verdade nem quero. Se isso fosse possível,
sofreria de terríveis enxaquecas, me contento em
aprender e aprender mais sempre, e ainda assim saber que
não sei nada e ainda há muito a aprender.
Fico feliz em saber que assumes um novo posto, gratificante
para mim que tive o prazer de dividir esse posto por um
tempo contigo. Tempo este, que se pequeno, foi intenso e
muito produtivo. Sorte e força.
Criticar é sempre complicado, temo em exercer tal
tarefa, no máximo discordo ou concordo e vou até
aí. Se assumirmos que tudo é relativo, então
qual o ponto de vista adequado para analisar algo? Nunca
saberei, pois, só tenho o meu ponto de vista. E quem
garante que ele está correto? Ninguém, muito
menos eu. Nunca fui e nem vou ser o dono da verdade.
Nota sobre as Olimpíadas: Infelizmente caro Marcos,
os americanos já estão em pé de igualdade
com os chineses no quadro de medalhas e devem abrir certa
vantagem em breve, mas acredito que este desempenho da China
tem muito haver com o crescimento da economia daquele país.
Nosso primeiro ouro veio com Scheidt e tivemos o sonho frustrado
com nossa Daiane, espero que mesmo assim ela seja reverenciada
pelo seu enorme talento e não simplesmente apedrejada
como fazem sempre nossa mídia cruel.
Mesmo com alguns bons resultados isolados, percebe-se a
nossa grande carência de infra-estrutura para o esporte.
Afinal, um país tão grande e tão cheio
de talentos mal cuidados até agora se encontra no
quadro de medalhas, atrás de países como Belarus
(?), Etiópia, Geórgia, Tailândia, Chile,
Nova Zelândia, Indonésia, Zimbábue entre
outros. É muito pouco.
De qualquer forma, temos medalhas garantidas no vôlei
de praia masculino e feminino, resta torcer pelo ouro dessas
duplas, assim como o Futebol feminino, quem vai salvar a
nossa fama de país do futebol. Força Meninas!
Santo Robert Scheidt, que só sobrevive por ser um
fenômeno no que faz. E o judô sempre matendo
tradição de medalhas.
Tem ainda Torben Grael e Márcio Ferreira com ótimas
chances de ouro e também Ricardo Winicki, o Bimba
a um passo da medalha, todos esses na vela.
Quem diria, Brasil o país da vela!
Ainda em clima de Olimpíadas, a partir dessa semana,
assim como já disse o Marcos na edição
passada, assumo o posto de Ombudsman único, já
que meu querido companheiro mudou de modalidade e não
espera mais pelo bastão depois da próxima
curva.
Vamos seguindo, aprendendo, chorando e sorrindo.
E até semana que vem!
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Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de
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2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
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