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15 /09/2004 - Edição número
93
Pedras, sapatos,
tangerinas e ombuses
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Pedras, sapatos, tangerinas e ombuses
Percebem que as pessoas não sentem
mais o gosto da comida?
Que quero dizer com isso? Que está
todo mundo tomado por uma epidemia de glossite leprosa e
perdeu a sensibilidade do paladar? Ou que, por causas desconhecidas
como em "Ensaio Sobre a Cegueira" do
Saramago exista uma espécie de "falta
de percepção" do mundo em que vivemos?
Fico com a segunda opção.
Ultimamente ando escrevendo muito sobre esta
"falta de percepção"
que aflige a contemporaneidade.
Estamos todos em um "mar de fúria",
insanas fogueiras, chuvas ácidas e tiros metralhantes
sem que possamos realmente reagir ou, pior, fingimos que
não é conosco.
Falo mesmo das coisas mais simples, como uma
janta em família. Enquanto um filho está comendo
rápido para poder ir jogar videogame, outro já
sai dizendo que vai comer na rua com os amigos, enquanto
o pai dos guris está a assistir o Jornal Nacional
(quando está em casa) e a mãe como pensando
na merda de vida que tem e como deixou ficar assim...
Claro que as generalizações
são sempre perigosas e sei que não é
assim em todo canto.
Mas o que há de se concordar é
que o mundo está andando MUITO RÁPIDO
ultimamente.
Não conseguimos aproveitá-lo.
Não conseguimos sentí-lo. Ele passa como um
vendedor de algodões-doces surdo do outro lado da
rua congestionada no centro de uma cidade grande.
É por isso que cada um de nós
que, ao se aperceber disso, não pode ficar parado.
temos que fazer alguma coisa para mostrar, iniciando por
aqueles que estão do nosso lado, nossos familiares,
amigos, colegas de trabalho e depois para todos aqueles
a quem nossa voz puder chegar que existe saída para
este mundo louco e ela começa buscando um retorno
à Simplicidade.
Ferramentas como a Internet são fantásticas
mas ao mesmo tempo alienantes.
Como escreveu minha amiga Evelise na edição
de número 2 deste mesmo Simplicíssimo:
"O que me aborrece profundamente
são assuntos como globalização, "chats",
namoro virtual, superespecialização, individualização.
Socorro! Ora... foda-se tudo isso! Será que alguém
consegue enxergar??? Todos nós estamos vivendo uma
crise de carência afetiva crônica!"
E continua:
"Pessoas cada vez menos se vêem,
e quando eu falo ver, estou falando a respeito de encontros
mesmo; se abraçam menos, sorriem menos, se beijam
menos. Por mais que isto lhe pareça piegas, me entristecem
estes fatos. Que fim levaram os encontros diários
de amigos com todos aqueles abraços? Onde estão
aquelas discussões fervorosas, com direito a tapas
na mesa? Até mesmo os trabalhos acadêmicos
em grupo... antes animados com lanches e fofocas? Todos
estão mais entocados dentro de casa, mais egoístas,
mais EU e menos NÓS, trocando mensagens quando estritamente
necessário, vivendo nas células vitais de
seus aptos."
Leiam o texto
completo que vale a pena.
Quero fazer coro ao apeloda Evelise e de tantas
pessoas que pensam e que ando lendo nestes últimos
tempos. Poderia citar Fritjof Capra, Edgar Morin,
Hazel Henderson, Jeremy Rifkin, o próprio
José Saramago e a lista se estende
por linhas a fio.
Assim, quero e preciso de ajuda: começemos
a incitar esta visão, a da necessidade da "Redução
de Velocidade do Mundo".
Para tanto, lá vou eu com mais uma
Campanha do Simplicíssimo:
"Viva uma Vida frugal, retorne
à Simplicidade e aumente o Alto-astral!"
Isso mesmo! Agora só falta criar um
banner para a Campanha! Se você tem criatividade e
afinidade com mídia de criação digital,
ponha as mãos à obra e encaminhe uma sugestão
de logomarca/banner para a Campanha. Se não, desenha
em papel, escaneia e manda assim mesmo!
E, mais importante que isso, que essa busca
antroposófica para uma nova realidade aqui neste
meio virtual é a propagação boca-a-boca
em nossa casa, escola, trabalho...
Agora, se você quer aprofundar esta
e outras discussões que surgem aqui no Simplicíssimo,
entre em nossa Confraria de Idéias,
um grupo sempre disposto a discutir temas relevantes para
melhorar a qualidade de vida da humanidade sobre a Terra
ou, como escrevi na descrição de um instigante
grupo de discussão alcoólico-filosófica
do qual participei outrora - o Pigmeu Moral
- "discutir as efervescências da humanidade,
em busca incessante de respostas que inquietam nossa existência
e também de mais questões para confundir nossa
evolvente cuca".
Para participar, é só mandar
uma mensagem para o Simplicíssimo-Grupo.
Seja por que motivo for, alguma coisa de bom
temos que fazer nesta Terra que nos acolhe.
Vamos juntos?
Rafael Luiz Reinehr
PS: boas vindas ao Paulo
Monti que estréia na seção
Poesia e ao retorno de Gabriel Mingo Silveira,
com seu texto mais do que intimista e ao também retorno
de Luiz Antonio Ribeiro,
lindamente pensando a beleza e a arte.
Seja também especialmente bem-vindo
nosso mais novo colunista: Roberto Yukio Iwai,
que vai (desculpem a cacofonia!) estrelar uma coluna sobre
Música (!) no Simplicíssimo.
Estávamos sentindo falta de alguém que abordasse
o assunto com regularidade. Sucesso a todos e até
breve!
"Que ninguém se engane: só
se consegue a simplicidade através de muito trabalho
"
Clarice Lispector
"Ninguém aqui morre só
a sua morte; / é um pouco de nós todos que
se vai / e naquele que nasce há um pouco de todos
nós / que se torna outro "
Gaston Miron
"Há homens que são
como as velas; sacrificam-se, queimando-se para dar luz
aos outros "
Antônio Vieira
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Carta
a ti
Gabriel Mingo Silveira |
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Que ironia há no conteúdo desta carta. Depois
de tantas poesias, tantos agrados,
tantas palavras bonitas, venho escrever-te, agora, com um
único objetivo:
vingar-me. Vingar-me pois nada mais é declarar o
meu amor do que massacrar a
tua piedade inerente que dentro de ti carregas. Sei que
a cada elogio a ti que
despejo, arranco tuas escamas de compaixão, sangro-te
a alma, expurgo-te o
orgulho. Sei, que a cada beijo que te peço desfaço
tua máscara, ausento tua
lábia, corrompo tua volúpia. Sei e por isso
o faço, agora: para vingar-me. Mas
não sou, e nunca o fui, um homem vingativo. Sou,
sobretudo, um romântico
antiquado e, tendo minha nobre honra arranhada por tua inóspita
forma de
encarar o amor, os ventos lúdicos, as harmonias de
Vênus, resguardo-me ao
direito púdico de sacrificar-te, ao menos por alguns
instantes, para que tu
possas ir ao céu com o frescor da beatificação
martirizada, e eu possa
despir-me à escuridão pútrida do barco
de Caronte no Inferno corrompido pelo
orgulho.
Pois bem, saiba que não menos do que
a palavra amor poderia ser-me grifada no
peito, tatuada na alma, quando me refiro a tua bela e inconstante
pessoa. Saiba
que não menos que a vida eterna é o meu desejo
mais profundo quando estou ao
teu lado e não mais do que a morte seca e dura quando
estou de ti distante.
Portanto, senhora dos abismos incontroláveis do amor;
majestade onipotente das
belezas do universo; imperatriz soberana dos ventos do infinito,
não tivesse
minha vida um pingo de virtude e sabedoria, agora desfacelaria-me
em nada,
abdicaria do respirar para adentrar o corrupto livro dos
jovens mortos e
penetrar nos inconscientes estúpidos da morbidez
institucionalizada de nossa
sociedade. Não fosse eu egoísta o bastante
para ainda desejar ver-te ao léu,
mesmo que a maior e mais doídas das dores me corrompa
nestes momentos, me
deixaria levar pelo silêncio estanque, pelo sono disforme
das manhãs e das
tardes, pela covardia da impunidade material, pela irracionalidade
de deixar de
ser quando já não se é. E não
menos do que O Romântico Eterno deveria estar
grifado em meu túmulo vesgo de irreconciliação.
Seria só eu, como sou agora,
como hei de sempre ser.
Se nos braços da virtude vier a observar-me,
dá de ombros, corrompe teu sorriso
e chora quieta. Não mais humilhações
para mim. O mundo já se foi junto com teu
sorriso e não há mais esperança para
os que choram durante o dia. Não mais
humilhações para mim. O último sol
pôs-se ontem e o amanhã será escuro
como já se mostra o dia de hoje.
És ainda a mais linda e não
menos brilhante do que a mais brilhante das estrelas
do firmamento.
Lembranças do teu eterno Dom Quixote,
apaixonado irreconciliavel pela
sobrevivência da esperança que faleceu junto
a mim.
Eu.
Ps.: Não observas o pôr do sol
no crepúsculo que hoje prostrar-se-á. Deixa-o
só
para mim, com minhas mágoas, já lhe será
o bastante. Conforma-te com a
eternidade do sobrepujo e deixa-me enaltecer o despir-se
do último dos sóis
dourados.
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Eternizando
a Beleza
Luiz Antônio Ribeiro |
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Eternizando a Beleza
De que vale a beleza, se dela não podemos
usufruir? De que vale o mais belo objeto de arte, se não
podemos tocá-lo? De que vale o ser mais lindo do
mundo, se não podemos tê-lo? De que vale um
dia lindo, se estamos trancados? Fiquei pensando isso hoje
durante quase todo o dia. Isso porque ao pisar na grama
de um jardim, fui advertido. “Não ta vendo
a placa, não é pra pisar!” “Vi,
é que eu ia almoçar, mas fui pego no flagrante.”,
respondi eu.
Na verdade, de que adianta aquele lindo jardim, rodeando
uma linda fonte, se não posso me aproximar dela?
Ou eu tendo aquela bela visão, deveria pisar no asfalto
duro e sujo? Sinceramente, não posso entender a mesquinhez
e a mente pequena das pessoas. Eu não ia rolar na
grama, sem chutá-la, nem estragá-la, mas somente
andar por ela, senti-la com meu All Star, dá-la um
pouco de prazer.
Fiquei pensando mais um pouco e estiquei esse pensamento
para o amor. Ele nada mais é que ver na pessoa mais
do que ela realmente é. Assim, eu posso me apaixonar
todo dia por uma pessoa diferente. Porém, sabendo
que nunca terei todas as mulheres que desejo, passo a olhar
poucas. Subverter um sentimento em razão. Muitas
vezes encontro uma linda, bela, tenra mulher, doce como
a bruma, quente como o sol. E ao vê-la baixo os olhos
como um religioso. Não posso encara-la, seria duro
demais saber que nunca a possuiria. É velha história
do “se não posso te tocar, melhor nem vê-la.”
Essa uma verdade.
Para tudo isso temos a arte. O artista que para o belo e
o traz para junto de nós, seja na tela, nas palavras,
nos sons, no movimento, etc. Eu que essa parece uma visão
meio Platônica, e até de Hitler, de que o belo
deve se perpetuar, porém é verdade. O belo
é mágico, ele transpassa o limite de prazer,
ele exterioriza o mundo. É a parte mais bonita de
nós.
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Num repente
A amplidão.
O céu invade
A sala
E os objetos
Flutuam
Num raio de sol.
Onde anda a visâo?
(O céu não invade mais as salas)
Digam-me, por favor.
Quero a lua perdida de um Planalto distante
E cheiro de relva fresca na madrugada.
Quero o coração deixado no mar.
Quero regar o cérebro embotado
E libertar os primeiros relâmpagos noturnos.
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Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia |
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Luiza (ou anotações
para um mediano roteiro teatral)
“ (...) e ele achava que eram todos
uns homossexuais estes diretores teatrais. Um homofóbico
era o que ele era, para dizer bem a verdade. Mas nunca disse
para ele porque poderia se zangar.”
Rubem Bonas, “Quebrar a perna”.
(É bom que as cortinas se abram
neste exato momento, sem músicas e com o ator já
em cena:)
O homem está em sua sala de estar, sentado em uma
poltrona, fumando nervosamente. Sua aparência é
desleixada. Barba por fazer, metido num velho pijama, chinelos
nos pés. Ao lado da poltrona, há uma pequena
mesa com um gravador antigo, à fita. Ao lado do gravador,
um revólver e um aparelho de telefone. Termina de
fumar, apaga o cigarro no cinzeiro e dá uma volta
em torno da poltrona. Aperta play e rec no gravador e fala,
bem próximo ao microfone, fazendo um teste. Em seguida,
se fixa na ponta oposta, do outro lado da poltrona, testando:
“'Tá gravando...?”, pergunta ele, rindo
nervosamente e coçando o queixo de maneira frenética.
“Porra, se não tiver também, azar...
Nem sei porque dessa frescura, mesmo... Idéia mais
sem originalidade... Quem será que foi o idiota que
inventou que todo suicida tem que deixar um testamento...?
Mas que merda, que se foda tudo e todos, também.
Querer primar pela originalidade nos últimos instantes
de vida, quando eu sei que tudo o que eu quero é
emocionar os que possivelmente vão ouvir essa fita...
Originalidade seria morrer em silêncio... Cidadão
normal, vida normal, aparentemente feliz, típico
acomodado, acima de qualquer suspeita... Um belo dia me
dispo, como pra mais um costumeiro banho, e me deixo afundar,
si-len-cio-sa-mente, na minha banheira: nenhum estampido,
nenhum grito, nenhum sangue para ser limpo por nenhum faxineiro
infeliz, depois de cumpridas as formalidades policiais...”.
O homem se distrai por um momento, se dá conta de
estar devaneando e volta a si, tornando a falar para o gravador:
“Isso não interessa, também... Droga,
isto não tem nada a ver... Perda de tempo, mesmo,
ficar gravando essa bosta... Pra quem vai interessar isto?
Mais material pro noticiário da tevê: ‘homem
se suicida e deixa fita-testamento. Ouça um trecho...’
Ah, não! Esqueci do acordo da imprensa em não
veicular notícias de suicídio... é
incentivador, segundo estudos... Ah, ah, nem para isto esta
merda serve! Idiota, idiota, mesmo! Que se dane essa baboseira”,
diz o homem, levantando a voz. “Vou acabar que nem
homem com esta bosta! O homem aperta a tecla stop do gravador
e, nervosamente, pega a arma de cima da mesa ao lado. Leva-a
a até a boca e pressiona os olhos, fortemente, dedo
no gatilho. Suas mãos que agarram com força
o revólver tremem e ele fica naquela posição
hesitante, durante muito tempo. Por fim, vai serenizando
a face e baixando vagarosamente o revólver e termina
por colocá-lo em cima da mesa ao lado, novamente.
O homem fica um instante em silêncio, mirando um
ponto imaginário do espaço e volta a falar,
olhar perdido: “Não... morrer quieto é
coisa de leão-marinho velho, não vou te dar
este gostinho, não... Não vou morrer sem fazer
esparro, coisa que eu sempre fiz, não vai ser agora
que eu vou deixar de fazer, não! Morte com todo estardalhaço
possível: fita-testamento, e pedaços de miolos
e sangue espalhados por todas as paredes!”, o homem
ri de maneira doentia. “Será que você
vai sentir pena? Vai chorar desesperada quando me vir -
vir os meus pedaços - e esconder o rosto no peito
do policial fardado?”, pergunta o homem, gritando.
“Vai chorar, sua vagabunda, hein, você vai chorar?!”,
o homem torna a baixar a voz e continua. “É
bom que chore, porque se você não chorar, não
vai haver ninguém mais para chorar por mim... Os
policiais, profissionais, e a equipe do Instituto Médico,
conseguirão no máximo comentar, compadecidos:
‘Mais um infeliz...’, enquanto tapam o nariz
com seus lenços a fim de não inalarem o cheiro
de sangue fresco e miolos que vai estar impregnando a casa
inteira... Mas e se houver algum mais sensível entre
eles? Não importa: é você que eu quero
que chore por mim”.
O homem mira o nada. Aperta play e rec no gravador, e recomeça
a ladainha: “Pergunta número um: você
vai chorar por mim, Luiza? Pergunta número dois:
vai chorar desesperadamente ou vão ser aquelas fungadinhas
de putinha fingida? Pergunta número três: você
já está chorando? Pergunta número quatro:
porque você é uma puta?! Maldita vagabunda!
Onde tu andou esfregando esse rabo sujo, hein? Te esfregou
onde, antes de se esfregar em mim? Continua com o corpinho
malhado de sempre ou esse vírus fodido já
tá tomando conta do teu corpo, também? Se
alastrando por toda a tua pele e deixando bem à vista
as feridas que nunca cicatrizam, as nódoas e inflamações
sem fim? Tá cumprindo tua meta de espalhar essa porra
pra todo o mundo com quem tu conseguiste cruzar? São
quantos outros otários, além de mim, sua desgraçada?!”
O homem grita e leva as mãos ao rosto, chorando
compulsivamente. Funga e limpa o nariz com as costas da
mão. Quando retorna a falar, é em um volume
mais baixo. “Não importa... O meu destino tá
traçado... Assim como o teu... Tu escolheste a tua
sina, eu, a minha. Nada adianta pra nada, mesmo... Pra falar
a verdade, acho até que tu me prestaste um favor...
Encurtando minha já triste existência nesse
mundo... Triste e inútil: um poeta medíocre,
recusado por todas as editoras possíveis, biscateiro
de tudo e de todos, não podia ter bom fim, não.
Mas me bastava morrer em paz. Não, tinha que ser
esse troço dolorido, humilhante, desmoralizante,
nojento... E eu não vou esperar por isso, não!
Eu prefiro as coisas da minha maneira... Luiza: tá
fazendo o que, hein? Tá viva ainda? Policial, se
você tá ouvindo esta fita: deixa essa infeliz
em paz que ela vai ter sua própria condenação,
já está tendo... assim como eu...”
O homem vai baixando mais a voz, à medida que vai
afundando na poltrona, olhando para o parede branca à
sua frente. Dá-se conta de que a fita está
rodando, olha para o lado e recomeça a falar. “Ah,
claro, antes que eu me esqueça, eu ainda estou aqui,
Luiza. Enquanto você não tiver ouvido o estampido
e o som gosmento de miolos sendo arremessados contra a parede,
é por que eu continuo vivo: eu e minha voz, que,
se se confirmarem os meus desejos, ficará pra sempre
a ecoar na sua cabeça... se eu conseguir tanto. Não
sei se minha pretensão é tamanha, também.
O que eu conseguir de reação de você,
já está de bom tamanho, uma vez que reação
parece ser sinal de consideração... Coisa
que tu não tiveste quando... quando... você
sabe. E eu me pergunto que força doentia pode vir
a mover uma pessoa como você... Doentio, sinistro...
Eu, que nunca acreditei muito em Deus, começo a me
perguntar se esse tal diabo não existe não,
pra influenciar essa sua cabeça a mover tão
sinistra ação... E, falando nisso, mais um
ponto ganho com minha decisão: vou poder saber, finalmente,
se Deus existe, ou não. Se eu for pro inferno, é
por que realmente Ele existe e me mandou pro lugar que dizem
que é para onde vão os suicidas. Se eu for
pro céu, outra prova de que Ele existe e é
bom... Não poderia imaginar que meus devaneios chegassem
a tanto... Poeta medíocre concretista, me embasando
na teologia vazia dos penitentes com sua fé irracional...
É risível, irônico como quase tudo o
que tem me rodeado ultimamente... Sozinho, amargurado, suicida,
sem pai nem mãe... Um contaminado prestes a dar um
tiro na cabeça... Sem nem bem saber o porque. Por
ser um contaminado? Por ser um bosta total? Um cara que
não consegue ganhar a vida com seus poemas medíocres,
rejeitado por todos? Porque eu não posso me resignar
a ser mais um ‘vencedor’, um lutador contra
a doença, um pobre-diabo, apenas, a esperar o inevitável,
como todo qualquer cidadão mediano de razoável
bom nível educacional e situação financeira
igualmente mediana? Enfim, um medíocre! As pessoas
desconsideram a palavra medíocre, a subestimam...
Ninguém quer estar no meio, indefinido, andrógino...
Mas também, que motivo eu teria para não enfiar
essa azeitona na cabeça? Ninguém bate nesta
porta a... Nem sei quanto tempo... Viver pra que? Pra quem?”
O homem grita em direção à porta
do seu apartamento: “Algum entregar de pizza por aí?
Jornaleiro? Alguma carta para mim? Alguém quer saber
se eu tenho gás? Alguma puta se oferecendo, de porta
em porta? Alguém, alguém...?”
O homem silencia, depois ri, nervosamente. “Não,
não posso perder a minha chance de aparecer no jornal,
nem que seja nas páginas policiais, pequeno retângulo
noticiando apenas como citação. Não
vale a pena gastar espaço no jornal com alguém
que não tem nem quem reclame o corpo... Nem pai,
nem mãe, nem irmãos, nem amigos, nem companheiros
de cachaça, nem poetas loucos de praça, nem
mendigos, nem cachorros carniceiros, nem..., nem..., nem
você, Luiza. Luiza, você vai reclamar meu corpo?”
O homem se inclina para o gravador, como quem pergunta a
uma criança. “Vai, Luiza, você vai reclamar
meu corpo? Se não for você, quem vai, Luiza?
Você vai reclamar meu corpo, Luiza? Vai? Diz que vai,
Luiza, diz que vai, diz que vai...”.
O homem continua repetindo, ininterruptamente, e vai direcionando
a mão para onde está o revólver. Com
os olhos fechados, pega-o com as duas mãos e, volta-o
para dentro de sua boca, apertando muito fortemente os olhos.
Os dedos, tremendo, começam a engatilhar o revólver,
vagarosamente - quando se ouve batidas na porta. A princípio,
o homem não dá importância, depois se
dá conta e abre os olhos, com as batidas repetidas,
interrompendo a ação e aguardando, enquanto
as batidas se repetem, e, finalmente, alguém fala:
“Seu Antônio, seu Antônio? É a
Rozela, seu Antônio... Vim pra limpar..., o senhor
ta aí, seu Ant..”.
O homem larga o revólver apressadamente em cima
da mesa, passa a mão no rosto e sorri. Abotoa os
botões do pijama e, dirigindo-se à porta,
fala: “Já vou. Só um instante, que eu
já vou abrir... Rozela!” (E neste momento,
as cortinas podem se fechar e é bom que venham os
aplausos.)
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en
passant
Eduardo Hostyn Sabbi |
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Ainda
Ainda sofro suspiros
Quando recebo teus versos
Mesmo que ao chão dispersos
Em meio a tantos papiros
Ainda sofro engasgos
Quando leio teu nome
Lembro nossa imensa fome
De doces beijos sem rasgos
Ainda sofro no peito
Já que por outro ousas
E nalgum lugar repousas
Distante do meu leito
Ainda sofro tanto e só agora sei que é dor
Sem ar, sem voz, sem ao menos o teu amor
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I-racional
Pedro Armando Furtado Volkmann |
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De Ré Na Contra-Mão
Violentos Haikais 14/X
Para teu governo
sou anarquista
pessimista.
Faroeste 1/X
Impacientemente
te amo
realmente
Gritos
Vivo circunsgrito em um universo do silêncio.
Neste mundo de eu um só, minha voz ecoa como um sussurro
nesta lama de lamentações. Não tenho
vez, não tenho voz, tento fazer com que meus anseios
por um mundo melhor sejam atendidos. Pelo menos para mim.
Tudo bem, aceito compartilhar este mundo melhor com você,
desde que você me empreste sua voz e grite ao meu lado.
Quero um lugar ao sol. Estou impaciente para isto.
O que fazer? Alguém tem alguma sugestão de
como posso berrar? Como se faz para ser alguém? Vou
ser pagodeiro ou dançarino. Eles brilham na tv e as
pessoas atendem seus desejos. Nem precisam de gênios
ou mágicas.
Sigo urrando de dor, uma dor interna que impede minhas pregas
vocais de pronunciarem um único fonema, um gemido,
algo que possa ser discernido como uma tentativa qualquer
de articulação verbal.
Quem sabe posso tentar esganiçado, um bramido qualquer
ou um rugido, pois minha raiva é tamanha, que os sons
ficam trancados na minha garganta e por mais que eu tente,
não sai nada, nem colocando os dedos daquela tradicional
forma de quem tem alguma coisa para botar para fora.
Sigo aqui, calado, tentando provar que não sou mudo,
que tenho algo a dizer, que a minha vida tem valor e que os
poderosos devem prestar atenção aos meus clamores.
Passei anos e anos da minha vida tentando ser diferente,
porém ninguém falava minha língua. Chegavam
perto de mim e perguntavam: “O que você está
pretendendo dizer com seus grunhidos?”
Será que tenho cura? Consultei especialistas diversos,
de aulas de dicção e cantores, fono-audiólogos,
professores de linguagem de sinais, psicólogos e médicos.
Todos eles, sem dúvida me dissseram que meu problema
não era de saúde ou de articulação,
simplesmente eu não sabia o que falar. Nunca iria ser
ouvido. Tentei me escutar, o pouco que conseguia perceber
que era a mesma língua que os outros na minha volta.
O que estaria faltando? O que fazer para ser ouvido? Será
que neste lugar ninguém se importa com o futuro dos
seres humanos?
Sei lá, vou tentar de novo, quem sabe desde jeito
me escutam e aplacam meus desejos (mas vou continuar gritando,
esta barulheira de volta me revolta...).
Ei, garçom, você pode me trazer uma cerveja?
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Benditas são as lágrimas
Estudos científicos indicam quão saudável
é o choro àqueles que não o reprimem.
Está mais que provado que lágrimas são
um poderoso intrumento de comunicação.
Quem as reprime estará perdendo esse importante
canal da manifestação d'alma,
deixando de extravasar suas dores, seus medos, suas alegrias.
Estudos falam que o choro que expressa carência surgiu
entre os humanos há 50.000 anos.
Portanto, atente para o fato do choro solitário.
Nada mais é que a necessidade de atenção
ou sua disposição em partilhar.
Quando alguém chora, pode estar usando de estratégia
para conseguir algo.
Lágrimas são palavras que calam fundo no
coração de quem assiste a alguém derramar
seu pranto.
E, quando alguém extravasa seus sentimentos assim,
certamente estará usando o mais poderoso dos tranqüilizantes.
Felizes são os que choram naturalmente e fazem disso
ponte para alcançar o alívio de que necessitam.
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Um
pouco de cada: luz e trevas
Sara Flech Neves |
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A ti
A ti dedico esta linha.
Este pedaço de papel.
Este pensamento em material reciclável.
Aqui estão teus olhos e todos os meus
sentidos.
Pois tu estás aqui comigo.
Teu corpo não sai de mim.
Tua boca conversa comigo.
Escuto teus pensamentos.
Tuas mãos percorrem meu corpo.
Não te vejo há meses, porém sei que
estou ai.
Este texto, esta página.
Pobres testemunhas.
De tudo que apago e reescrevo por tua causa.
As palavras devem chegar perfeitas a ti.
Sem pensar em mim, já se foram vários
minutos.
Pensando em ti o que escrevi daria para vários livros.
Lembrando de nós, teria mil roteiros.
Esquecendo de tudo, só resta teu sorriso.
A ti dedico minha poesia, minha canção.
Esta doce fantasia, fatias do meu coração.
A ti dedico meus dedos e minha imperfeição.
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Suburbanas
Marcos Claudino |
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São Paulo, 13 de setembro de 2004.
Ele não é um esportista,
é um negociante
Princípio esportivo: Todo competidor deve usar de
todos os seus argumentos físicos e intelectuais para
superar os adversários, de forma justa, ética
e honesta.
Pronto, expliquei. Agora, só resta comentar. Pois
o brasileiro Rubens Barrichello não é um esportista
que me traga qualquer espécie de orgulho. Gosto de
fórmula 1, acompanho sempre que posso, mas, desde
aquela freada do brasileiro, para que o alemão o
ultrapassasse na reta de chegada, há dois anos, a
credibilidade que eu ainda tinha neste esporte caiu por
terra.
Engraçado é ver que, no primeiro grande prêmio
após a conquista antecipada de Michael Schumacher,
na última corrida, o brasileiro consegue uma pole-position,
e vence o grande prêmio do último domingo.
Quanto a isso, fazer-se o que... Ruim mesmo foi acompanhar
a entrevista, em que nosso ilustre representante dizia-se
feliz, pois nunca tirou o pé, sempre buscou a vitória,
e foi recompensado.
Ora, Rubens Barrichello, somos brasileiros, apaixonados
por este esporte que você é muito bem remunerado
para praticar, criados pelas lendas de Émerson, Piquet,
e o inesquecível Senna. Eu até aceito o fato
de que você se conformou com o milionário salário,
com a posição de segundo piloto, e que não
conseguiria um lugar melhor.
Chateio-me porque você é bom, claro que não
melhor que o campeão, mas é muito bom mesmo,
e prefere não competir, obedecendo a ordens superiores,
que contradizem qualquer filosofia esportiva que se imagine.
Não creio que sua posição seja invejada
por qualquer piloto de ponta da atualidade, muito menos
por pilotos que, mesmo não vencendo, não pararam
de lutar...
Pior ainda é ver os jornais da segunda-feira homenageando-o.
Não acho justo. Salve Daiana, que perdeu por esforçar-se
demais, salve Claudinei Quirino, que machucou-se tentando
se superar, enfim, salve tantos outros que ultrapassaram
seus limites, e respeitaram aos seus companheiros de esporte,
ao povo que representavam, e a si mesmos. Abaixo os oportunistas,
abaixo os antidesportivos, vaias aos desonestos, pois desonestidade
não pode ser classificada, ela apenas existe, e deve
ser eliminada de nosso convívio.
Mais uma vez venho falar de esporte, com tanto assunto mais
urgente a tratar.
Desculpem, amigos. Mas, não o esporte em si, a categoria
esportiva propriamente dita, mas creio que nossa mentalidade
é que anda mal das pernas, e precisamos urgentemente
melhorar nossos conceitos éticos, se quisermos realmente
um dia sair desta situação de país
sub-sub-sub-desenvolvido...
Forte abraço!!
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Musicalidade
de povinilpirrolidona
Roberto Iukio Iwai |
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let it bed
As vacas no começo dizem tudo. O aviso de que não
é um álbum de rock também. Afinal,
é um dos momentos mais intensos da música
brasileira, quase um acontecimento de deixar sem palavras
todos envolvidos em música na face da Terra. É
Arnaldo, cantando com seu piano maravilhoso, suas palavras
cheias de sinceridade, com ternura infinita, com sentimento
de quem já tudo. E todos sentados, ouvindo e olhando
o ser no palco, sentados em posição de índio,
com a cabeça tombada para o lado. Com sorriso: claro,
não dá para não ter um sorriso.
Como englobar Arnaldo Baptista?
Alguém ainda quer englobar Arnaldo Baptista, ou classificar
suas obras como sendo exercício de musicalidade ortodoxa,
de bom gosto e classe dispensada? Ora, para o inferno!...
Arnaldo Baptista escalou ruas e percorreu montanhas na naturalidade
de continuar andando, às vezes planando, tornando
o lançamento de seus álbuns atos históricos
a cada dez anos.
Let It Bed, disco inédito
desde Disco Voador, de 1987, é Arnaldo.
Que deve ser ouvido sem ranços do passado, porque
tudo é além música deste ser. É
lembrar que há muito tempo Let It Bed estava
para ser lançado, planejado, e o momento não
foi melhor: o presente tem muito que ouvir este disco.
Tem felicidade neste disco! Aquele sabor de
gravar, de estar gravando pelo intenso prazer de gravar:
de querer que tenha uma intensidade de voz naquele momento
porque aquele momento proporcionou o tom da voz daquela
maneira, de querer que tenha o som de uma lambida, variações
de freqüências, ou palavra por palavra que se
encaixam perfeitamente naquele cenário antes descrito:
quem se sente maior ou menor, Arnaldo Baptista é
ser que faz o mundo ser um só, de mesmo tamanho e
corte de cabelo.
Cada faixa desse disco dissemina a música
brasileira como música, insere a natureza de Arnaldo
Baptista como faz tempo que precisava, com um âmbito
que faz tempo, necessitava. Neste momento, os alternativos
não são alternativos, os psicodélicos
não são psicodélicos, os donos da verdade
são apenas marionetes de um pensamento centralizado:
permaneçam todos calados e maravilhados, quem quiser,
para ouvir essa praticamente conversa entre sua mente e
a mente de Arnaldo Baptista. Que garanto, lhe fará
muito bem.
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Ombudsman
Alessandro Sachetti |
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Direto na orelha dos teus olhos
Como não falar de eleição
nesse período de campanha política, se o que
mais se vê em todos os cantos da cidade são
panfletos e propagandas, assim como no jornal escrito e
principalmente na TV? Grande tenente, achei muito bem sacado
o trote, mas de um tremendo mau-gosto, mesmo assim não
deixa de ser válida a provocação.
Sérgio, grande conto, em todos os sentidos. A forma
como o conta é muito bem feita, me deixou preso até
o final, que como todo bom conto, é inesperado. Parabéns
pela sua estréia, espero que tenha participação
constante aqui no Simplicíssimo. É sempre
um prazer ler bons contos como este.
Mauro, acho que é isso mesmo, o futuro às
vezes é estranho e imprevisível. Muitas das
coisas que sonhamos hoje não chegam a se realizar,
não por falta de vontade, mas por conta de acontecimentos
que vão além da nossa vontade, vêm de
encontro com ela mudando a direção. Qualquer
previsão acerca do nosso futuro tem quantos por cento
de possibilidade de acontecer? Os planos mudam porque nós
mudamos.
Bom poema Marici, entrega em tuas linhas, algo um tanto
raro de se ver hoje em dia, as pessoas tem a incrível
mania de esconder o que sentem ou até mesmo fugir
delas pôr medo.
Alessandro, não há muito o que dizer sobre
o teu Pequenas resoluções de ano novo,
perfeito? Talvez. Deliciosa leitura.
Eduardo, confesso que quando comecei a ler teu texto, achei
um tanto confuso, a passagem do 2º para o 3º parágrafo,
mas continuando a leitura percebe-se que a idéia
é essa mesmo, afinal era a confusão na mente
do personagem, afinal é ele que nos conduz entre
os acontecimentos, a confusão na verdade é
dele e não do texto, o que fica bem claro na seqüência
do texto, gostei da tua narração em primeira
pessoa e gostaria de ler o O grande Sonho por completo.
Pedro, depois da aula que me deste sobre Haikais, ficou
bem mais interessante ler os teus Haikais. Gostei muito
da dualidade do teu poema, da idéia de nacionalismo
ao avesso (??).
Sara, antes de mais nada, obrigado por suas palavras. Agora,
em relação ao teu texto, talvez devesse definir
melhor as estrofes, por vezes vê-se três linhas,
em outras quatro ou cinco. Não que perca em conteúdo,
mas quebra um pouco o ritmo, a não ser que essa tenha
sido tua intenção. Era?
Marcos de forma diferente dessa vez, três mini-contos,
diretos sem enrolação. Cenário futurista,
realista e imaginário com ótimos desfechos.
Escreva mais destes e, se me permite uma opinião,
tente recheá-los com mais imagem.
Por ora, mais nada para acrescer ou subtrair. Até
a próxima semana.
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Gentileza
prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto
Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de
mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em
tamanho maior no blógue do amigo.
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Selo
comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em
2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
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