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22/09/2004 - Edição número
94
Telefunken
Technicolor
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Telefunken Technicolor
Como é dura a incerteza.
Tudo o que podemos saber, se a asserção
acima for correta, é duro.
Nada é certo, nem mesmo o fato de
estar aqui a escrever estas palavras.
As escolhas são os caminhos que nos
trazem de volta a lugar algum, já dizia Ludwig van
Törten.
De que são feitos os pedacinhos que
compõe os pedações das coisas pequenas
que fazem das coisas grandes o que são, perguntou
o pequeno Joe.
A cegueira toma de assalto a visão
e escutamos em silêncio os ruídos surdos de
passos amputados dos descaminhos do desvario.
Fragmentos são instâncias do
devir, cujo dever são resistir às legiões
que, sem hora marcada para acontecer, se transformam no
tudo e no nada das ondas do mar.
A falta de assunto não é desculpa
para não se escrever um Editorial, nem tampouco poderia
servir como justificativa para um Editorial ruim.
Ausência de computador para atualizar
um site é igual a um amigo de plantão tendo
que se virar em 2, 3 ou 4 para conseguir fazer as coisas
seguirem seu fluxo.
Colunistas atrasados.
Se algo parecer fora do lugar – além
disto que ora lês – nesta edição
do Simplicíssimo, não temas! Não é
o fim que está próximo!
Antes de cada revolução a calmaria
caótica.
Hoje sem citações.
E você, o que está fazendo para
dar mais cor à vida?
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Vazio
literário
Luiz Antonio Ribeiro |
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Vazio literário
Estou aqui para escancarar. Agora eu vou
ser tipo o Mister M, revelando tudo que vocês, pobres
leitores, ainda não tenham percebido. O que vou mencionar
é algo tão recorrente nas escritas atuais
que chego a questionar se isso acontece em todo o mundo,
em toda cultura que se chame “aute”. Isso tem
acontecido em todos os campos, seja nas crônicas,
contos, dissertações e/ou quaisquer outras
formas de expressão textual.
Estou me referindo exatamente ao que fiz
nesse primeiro parágrafo: a utilização
de palavras difíceis para se esconder um texto fraco
de idéia. Vejo isso acontecer sempre e muitas vezes
já vi isso acontecer aqui mesmo nesse site. O camarada
não tem o que dizer e sai lascando um monte de palavras
difíceis, que esteticamente têm efeito, porém
de idéia pouco diz. Eu poderia de repente ter começado
meu texto assim: “Aqui me apresento para explicitar
e tornar sucinta uma questão controvérsia,
indo direto ao cerne da questão. Falo do rebuscamento
vocabular inserido nos solilóquios e escritos atuais,
em detrimento de um foco ideológico representativo.”
O que diria um leigo em relação a isso. Olha,
o cara é mesmo bom. Sabe escrever. Porém,
não estaria enganando um entendido, alguém
com uma cosmovisão mais apurada.
Hoje estou sem falsas expressões ideológicas,
acho somente que em um texto, o principal é o que
se diz, é a mensagem, é o interlocutor, e
não a linguagem, o canal que se utiliza. Deveríamos
dar valor aos escritores do simples, aqueles que não
precisam de um dicionário para fazer uma grande obra.
Temos muitos exemplos, alguns adorados, outros odiados,
como por exemplo, Chico Buarque, Mário Quintana,
Nelson Rodrigues, Cazuza, Guimarães Rosa, entre outros.
Uma arte não é puramente estética,
tanto que temos a chamada literatura de informação,
que embora literatura, não seja considerada arte,
pois não tem uma temática firme e expressiva,
somente a necessidade de informar através de uma
forma artística, o que não é arte.
Termino esperando ter sido claro na minha
idéia. Desculpe se não me preocupei em detalhes
textuais, em escrever “direito” como diz a nossa
“norma culta gramatical brasileira”, que é
um bando de folha cheia de observações e exceções.
A língua é viva, não há certo
nem errado. Portanto, aprenda a diferenciar um texto pelo
que diz, e não como diz. Porque decorar a gramática
e o dicionário é fácil, difícil
é criar um mundo, é para o belo.
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Dona Bia
(A história desta senhora de oitenta
e dois Outonos é muito triste e será encurtada
para evitar lágrimas).
Esfinge em ruínas, destituída
de toda e qualquer fonte de carinho, Dona Bia foi abandonada
por seus parentes nos labirintos da velhice e colocada em
seu atual apartamento há doze anos atrás,
como uma foto velha tirada da estante e jogada entre mil
outras lembranças a serem esquecidas. Quando sai
de seu apartamento, é vista com os cabelos brancos
bem amarrados em um coque, o vestido engomado, o rosto com
um leve toque de maquiagem e os sapatinhos impecáveis.
Mas quando Dona Bia está sozinha novamente, ninguém
a vê transformar-se de volta em uma carcaça
mofada, chorando sentada na cadeira de balanço com
as mãos cruzadas sobre o colo, vendo o dia passar
pelo caminho das sombras.
É assim que a vida de Dona Bia tem
sido, e assim vai acabar. Em silêncio, em um ritmo
melancólico e clandestino, esta senhora vai sofrer
punhaladas cada vez mais profundas do tempo, e desfalecer
aos olhos de seus vizinhos, sem que nem um deles perceba.
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Brasil
meio mil
Haroldo P. Barboza |
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Brasil meio mil
Há bem pouco completamos
Quinhentos anos de idade
E não chegamos à maioridade.
Agimos como mera colônia,
Sob o signo da alta insônia.
Esquecemos de reconhecer
Aquele que ama a Natureza
De espírito isento de impureza.
Alegamos que longe da cidade,
Ele não carrega civilidade.
Nos entregamos às ilusões
Falseadas pela pobre televisão
Que sabe iludir o coração.
Promovendo o consumo intenso,
Em nosso território imenso.
Cinco séculos de propaganda
Escondendo a real situação
Do sofrimento dentro do sertão.
Difícil manter leve esperança,
Na barriga vazia da criança.
Que se livre do hipnotismo
Nossa dominada consciência
Na busca da independência.
Para que façamos a festa,
Com o pouco que nos resta.
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Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia |
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Santa Teresa
Lá em Santa Teresa do Bem Aventurado Coração de Jesus as velhas carolas mandam rezar missas e oferecem intenções aos santos casamenteiros para que as suas filhas encontrem um pretendente que não somente se aproveite de suas condições de moças solteiras (e muito tempo desconhecedoras dos prazeres da carne), mas que queira contrair um matrimônio sério, respeitoso e bonito conforme as normas do Senhor e de acordo com todos os predicados necessários a uma bela cerimônia que seja notícia na cidade inteira e faça as vizinhas que ainda têm filhas solteironas na idade do perigo se roerem de inveja por que não arranjaram tão bons genros. As velhas que têm filhas solteironas na idade do perigo e não são carolas, lá em Santa Teresa do Bem Aventurado Coração de Jesus, costumam consultar-se com certa freqüência com dona Ataíde, que promete atrair um bom partido para as suas filhas em menos de trinta dias, mas que exige uma não-desprezível quantia em dinheiro para que o trabalho com as entidades casamenteiras resulte em sucesso absoluto e, quando este não resulta, insulta as velhas por não estarem com a sensibilidade aberta ao contato mais pleno com o mundo espiritual.
Em tempo, Santa Teresa do Bem Aventurado Coração de Jesus não é santa casamenteira.
Santa Teresa do Bem Aventurado Coração de Jesus é terra de poucas portas e muitas bocas, por isso, para fazer safadeza na cidade de Santa Teresa do Bem Aventurado Coração de Jesus é preciso muita esperteza e magnífica capacidade de enganar o alheio com desculpas as mais dignas de crédito. O ponto positivo, é que em Santa Teresa do Bem Aventurado Coração de Jesus são tantos, mas tantos os moradores dados a uma safadeza que, portanto, para o bem-estar geral da população, que inevitavelmente se abalaria e viveria dias intermináveis de atrito com as muitas bocas dispostas a propagar as safadezas muitas ao conhecimento público, achou-se por bem se instituir uma regra não declarada de só vir a público as safadezas daqueles moradores genuinamente tidos no conceito geral como safados e sem possibilidade de recuperação. Desta maneira, em Santa Teresa do Bem Aventurado Coração de Jesus, as conversinhas que se estendem na porta da quitanda do Seu Jonas e que têm, normalmente como protagonistas dona Sirleide, comadre Constância e tia Marília - esta última, sócio-fundadora do Grupo Mantenedor do Decoro e dos Bons Costumes de Santa Teresa do Bem Aventurado Coração de Jesus - invariavelmente fazem referência a Mestre Jofre, Donatinho Gonzaga, Diana, esposa do farmacêutico Moura e Talitta Mey. Como estes, e somente estes, são os tidos por consenso geral como os únicos passíveis de conversas a respeito das informações que se colherem de todos os lados a respeito de detalhes de suas vidas, fica oportuna e terminantemente proibido fazer referência e, principalmente, a delegado Fabiano (que por acaso vem a ser esposo de dona Sirleide), a compadre Tenório (com vinte e sete anos de relação conjugal com comadre Constância) e não, também, a beato Osório - não menos coincidentemente, parceiro matrimonial de tia Marília. Com base em regras tão, a nosso ver, injustas, é fato certo que grande parte da população daquela pequena, porém honrosa em acertos verbais, cidade de Santa Teresa do Bem Aventurado Coração de Jesus, não toma parte das peculiares e não menos safadas tramas envolvendo, justamente, delegado Fabiano, compadre Tenório e beato Osório. Se soubessem destas, entrariam em conta certa de quão recôndita e irônica é a cidade em seus rumos, já que acaba cruzando com bastante freqüência as vidas dos supracitados e consensualmente respeitados moradores com a vida daqueles tidos por todos como safados e perniciosamente imorais.
Lá em Santa Teresa do Bem Aventurado Coração de Jesus, é provável que se criasse uma revolução geral (ou no mínimo grande tumulto e falação em festejos de muita concentração popular, como as quermesses do padre Ariosto e a Festa da Caçada da Mulita no bailão do Dioclécio), se a população viesse a se dar conta de que, enquanto as Três Caninanhas, como são chamadas à boca-pequena dona Sirleide, comadre Constância e tia Marília, demoram-se por horas na quitanda do Seu Jonas a tagarelar sobre a vida dos alheios, é exatamente nestas horas, que seus maridos sabem ser sagradas para as respectivas esposas, que delegado Fabiano se encontra em consórcios carnais prevaricativos e adúlteros justamente na cama de Diana, esposa do farmacêutico Moura, pobre homem acometido pela moléstia da impotência do cumprimento de suas funções maritais, costumeiramente fazedor de vista grossa das atividades extra-conjugais da mulher fogosa, intempestiva e insaciável que Deus achou por bem colocar em sua vida. Tudo isto se a população viesse a tomar tento das questões não resolvidas envolvendo justamente aquelas que se julgam as guardiãs dos bons costumes e mantenedoras da ordem da pequena, porém particular cidade de Santa Teresa do Bem Aventurado Coração de Jesus. Por que se viesse a isto, os populares moradores, naturais ou não deste município atravancado no norte do mais ao leste dos estados, viriam a saber, também, que por mais que Donatinho Gonzaga venha a ser durante tardes intermináveis personagem preferido das Três Caninanhas em estupefatos e horrorizados comentários que envolvem a ojeriza à pederastia enrustida de tão delicado munícipe, os mesmos comentários não existiriam se não houvesse como desconhecido antagonista de tão indecorosas histórias com Donatinho Gonzaga justamente compadre Tenório, secretamente dado ao amancebamento com rapazes sem muito pêlo no peito, exatamente como Donatinho, a quem, entremeando ósculos apaixonados em tardes quentes na cabana junto ao Rio das Três Quebradeiras, costuma chamar carinhosamente de Galego.
Mas é assim a vida em Santa Teresa do Bem Aventurado Coração de Jesus: os boatos vêm se infiltrando vagarosa, mas insistentemente, oferecendo conclusões aos mais atentos cidadãos que costumam observar mais detidamente a porta do "Luxúria's", auto-proclamado "night club" de propriedade da afamada Talitta Mey, mas, cá para nós, um muito catinguento de um puteiro que já viu dias melhores - em que, por exemplo, as atrações musicais iam além dos shows de dublagens do travesti Tâmela em seus rebolados ao som de Nikka Costa e Bonnie Tyler, enfiado em vestidos puídos recobertos de lantejoulas e as "acompanhantes", mocinhas acostumadas a chamar Talitta de "mainha", não se resumiam a meia dúzia de bugras com o rosto bexiguento se requebrando sonolentamente ao som de "Total Eclipse of The Heart". Ainda assim, e provavelmente por que Talitta Mey continuava a gastar seus minguados rendimentos em produtos importados direto da capital, mantendo-se, desta maneira, como uma espécie de acompanhante-especial-com-preço-mais-alto-somente-para-os-figurões-da-cidade, que observadores moradores de defronte do "Luxúria's" percebiam com tanta freqüência as constantes visitas nada catequizadoras de beato Osório justamente rumo à escadinha que conduz direto ao quarto de Talitta, saindo de lá com mais gomalina do que quando entrou.
Aos jovens freqüentadores do "Luxúria's", inclusive beato Osório, que mesmo enveredando-se (a seu ver) secretamente até o quartinho de Talitta Mey consegue comprazer-se pela rede interna de vídeo, resta o divertimento ainda oferecido pelos educativos filmes tão solicitamente oferecidos por Mestre Jofre para encher de imaginação os clientes que insistem que as pobres bugras realizem performances tão entusiasmantes quanto às oxigenadas e peitudas atrizes das produções com que Mestre Jofre ainda abastece a sessão "xxx" da única videolocadora da cidade.
Ah, esta prosaica cidadezinha de Santa Teresa do Bem Aventurado Coração de Jesus! É provável que por se conservar na ingênua ignorância que somente aos puros é reservada é que continua mantendo os seus dias ainda repletos de tão entusiasmante felicidade como quando nos torneios oficiais de bocha, nas encenações da Paixão de Cristo e nos promocionais churrascos de mulita promovidos pela Matriz para angariar fundos para a reforma da imagem de Santa Teresa, rachada justamente no meio da face, trocando a tradicional expressão em seu rosto, que parecia dizer a todos "bem aventurados sejam os filhos de Deus", por uma mais próxima de "ai, meu Deus, o que será de nós?".
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en
passant
Eduardo Hostyn Sabbi |
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A outra cabeça
Eles são bonitos, simpáticos, gostam dos
mesmos assuntos, têm uma afinidade com um encaixe
perfeito. Teoricamente, o casal perfeito. Mas o fato é
que na prática não deu certo. E não
se encontra muitas respostas a quem ousa questionar o porquê.
Talvez por não existir mesmo, talvez pelo nosso infinito
desconhecimento da natureza humana.
Pois uma idéia que me faz entender um pouco melhor
essa delicada situação está nos quebra-cabeças.
Tomamos por exemplo quatro imagens que estão à
procura de seus semelhantes:
Devemos considerar, é claro, que nada é assim muito definido “de
cara”. Quando conhecemos alguém, tomamos ciência
de apenas parte daquela pessoa, que vai surgindo por inteira,
aos poucos, às vezes de forma mais rápida
outras vezes lentamente e por vezes nunquinha mesmo (aproveitando
o que Caetano dizia: “De perto ninguém
é normal”).
Então vamos recortar todos essas imagens em pedaços
menores, com encaixes positivos e negativos (assim como
as qualidades e defeitos), como se fossem peças de
um quebra-cabeças. E suponhamos que por algum mérito
exclusivo do nosso supremo arquiteto do universo, para algumas
peças ele possa ter usado a mesma forma e, ainda,
vamos imaginar que o verso de todas as peças resultantes
possuam uma mesma cor, ou simplesmente a ausência
de qualquer uma:
E só ele mesmo poderia separá-las, misturá-las
bem, e jogar por aí, como quem sopra um punhado de
plumas ao vento. Caídas aos pedaços, de frente
ou verso, sem que soubéssemos nem ao menos o que
isso queria dizer. Um trabalho nada fácil para encontrar
os recortes certos de cada imagem.
Mas enfim, em nossa viagem finita (ou não) saímos
por aí encontrando pessoas e as conhecendo-as, muitas
vezes encaixando-as em nosso mundo de relações
e nos aproximando cada vez mais, como se procurássemos
completar algo, ou a nós mesmos. E, em nossa ânsia
contemporânea, por vezes acabamos formando imagens
erradas das pessoas, com peças incompletas ou com
representações (que
bem podem ser nossos anseios e desejos projetados nos versos
vazios das imagens).
Façamos mais um esforço. Com todas as peças
ao avesso, tudo é muito parecido. E se encaixarmos
com perfeição, ao virar o conjunto teremos
a grande surpresa desilusória:
Percebam assim, que aquilo que à primeira
vista nos parece estar perfeitamente encaixadinho (principalmente
para quem vê de fora, para quem não está
montando o quebra-cabeças), por vezes nada mais é
do que um ledo engano, um emaranhado pouco compreensível.
Ah sim, no quebra-cabeças da vida, nem sempre tudo
é perfeito. Aliás, deveríamos mesmo
estar esperando algo diferente? (...)
“Mas louco é quem me diz .. que não
é feliz”. E por falar em música,
isso tudo me lembrou do poema "Peças de Pessoas",
lindamente interpretado pela cantora gaúcha Adriana
Deffenti.
PEÇAS DE PESSOAS
(Mateus Mapa/Leonardo Boff)
Uma pessoa não pode
agir de qualquer maneira
Senão da maneira que lhe faça sentir pessoa
Cada pessoa possui em si, peças de pessoas
Uma pessoa em todas as pessoas
Um general está para
um Gabeira
Uma cabeça pertence a um universo Globo
Da mesma forma que o fogão pra geladeira
Assim como a vovó pertence ao lobo
A caligrafia está para
a letra torta
A minoria do mundo vem chocando o povo
Assim como o espantalho está para o corvo
Assim como a galinha está no ovo
Uma pessoa não pode
agir de qualquer maneira
Senão da maneira que lhe faça sentir pessoa
Cada pessoa possui em si, peças de pessoas
Uma pessoa em todas as pessoas
No ovo de um João Gilberto,
um João Gordo
Assim como para o quilograma o metro
Como para o feto, o morto
Nessa feira a caixa está à venda
Do conteúdo nem se faz a encomenda
De uma pessoa,
Uma cabeça numa fogueira
Libertada, qualquer maneira
No lado inverso, o destino da poeira
Capoeira, Capoeira
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I-racional
Pedro Armando Furtado Volkmann |
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De Ré Na Contra-Mão
Violentos Haikais 15/X
Para ser como antes
vou viver congelado
e não fazer nada errado
Faroeste 2/X
Amo tuas caras
teu jeito, teu rosto
e tua tara.
TRABALHO
Disse o sábio para o parvo:
- Não podemos ter certeza de nada!
O parvo perguntou?
- Você tem certeza disto?
E o sábio retrucou:
- Claro, que tenho.
Eu tenho que concordar com o Raul Seixas quando ele canta, na sua música Metro linha 743, que, quem pensa, pensa melhor parado. Tudo bem, você acredita em meditações em movimento e eu também. Você tem as melhores idéias no banho, eu também, ou dirigindo. Claro, nossas melhores idéias vêm quando libertamos nosso cérebro para que ele pense livremente, sem stress. Não adianta você fazer isto no meu da fogueira, ou fazer algo deliberadamente, o que tem que ser feito é deixar os seus pensamentos fluírem naturalmente.
Acredito que o que é pensar parado, naquela música, seja um momento como aquele, onde o cara acende um cigarro e fica a toa (e é capturado). Concordo e ao mesmo tempo não concordo com o Domenico de Masi, em seu Ócio Criativo. É bom ter um certo tempo para pensar, mas não demais.
Por que você trabalha? Você gosta do que faz? Você considera seu trabalho escravidão? Até que ponto você sente prazer ou sofrimento no seu labor? Você é daquelas pessoas que conseguiria viver todo o tempo sem trabalhar, sem se achar produtivo? Você tem um trabalho que aparece no final do dia e do qual você pode se sentir orgulhoso? Ou seu trabalho é daqueles que só aparece quando não é feito? Será que isto não é apenas um dos nossos impossíveis (ou pelo menos o meu impossível)?
Não sei se tenho certeza se gosto de trabalhar ou de escrever, apenas sou compelido a fazer isto. Talvez eu seja um sábio, talvez eu seja parvo.
Você é feliz no trabalho? Vamos ver quem tem algo a dizer sobre isto.
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A família
Reside na família o alicerce mais importante para
que nos tornemos homens de bem,
pautando com seriedade e respeito nossas ações
no mundo.
É no núcleo famíliar que estão
os pais, que nos preparam para superarmos os obstáculos
que a vida nos reserva,
impondo-nos os rigores necessários da disciplina
para obtermos
resultados satisfatórios na longa caminhada.
Geralmente nos ensinam nobres e sólidos valores,
cobrando-nos sempre um
bom desempenho do nosso papel social e humano.
Às vezes esse objetivo é alcançado.
Apesar de todas as dificuldades, vemos alguns pais levando
a bom termo a
condução de seus filhos, fazendo-os homens
de bem.
Muitas pessoas integram uma família bem estruturada,
equilibrada e feliz.
Mas não é fácil a tarefa de um pai
ou de uma mãe, principalmente na sociedade de consumo,
onde predominam o materialismo e o imediatismo que destróem
estruturas morais frágeis.
Os inúmeros apelos dessa sociedade têm infelicitado
a vida das famílias,
realçando o lado negativo em seus destinos.
Jovens são levados pelo desejo do ter em detrimento
do ser.
Muitos sucumbem diante do brilho falso, das relações
banais e dos valores fofos.
E aí não há medidas nem regras de boa
convivência que resistam.
O jovem começa a cavar o seu próprio poço.
Não raras vezes vemos conflitos intermináveis
entre pais e filhos, alguns com finais trágicos.
As drogas são um componente desagregador, criando
filhos e/ou pais
que cometem as mais absurdas atrocidades.
Que falar da gravidez indesejada da filha, da descoberta
do filho que faz do sexo ponte falsa
que suspenda a sua angústia, do envolvimento com
drogas de outro.
E dos filhos que são verdadeiros tiranos, que acolhem
em seu íntimo o que de pior possa existir no ser
humano.
Nem sempre os pais são culpados pelos desvios de
conduta de seus filhos,
embora às vezes cooperem para isso.
É fundamental que os pais eduquem seus filhos com
sabedoria e relativa tolerância.
Que possam sempre saber dizer "não" quando
necessário,
impondo-lhes os limites desejáveis para não
virem a se arrepender mais adiante.
Tudo isso permeado por doses de amor ilimitadas.
Pois sem amor nenhuma fórmula será bem sucedida,
nenhum esforço terá sentido na condução
da educação de seus filhos,
preceito básico e incondicional para o fortalecimento
de uma família saudável, ajustada e feliz!
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Um
pouco de cada: luz e trevas
Sara Flech Neves |
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Restaurada
Largo o passo com o qual atravessava a sala
A sombra da lua se mostrava inquieta pelo pequeno buraco
da cortina da janela
O desenho dos teus braços abertos
Sentia o cheiro do suor, o cheiro da boca entreaberta
Como se crisálidas repentinamente se transformassem
em borboletas
Como se tuas lágrimas fossem pequenos cristais tilintando
sinfonias de dor
O rangido da madeira velha me denunciava, não podia
mais espiar
Percebeste a minha presença e moveste os braços
Abriste a janela e todas a borboletas que via sumiram ao
luar
Teu olhar era de desespero, o meu de agonia
Súbito arrepio, forte magnetismo encolheu a sala
em uma única viga
Naquele momento encostamos um no outro, olhos nos olhos
Instante em que adormecemos
Um pequeno segundo movimentou muitas horas
A viga não suportou, dobrou diante do peso de nossas
almas
A sala restaurou-se ao acordarmos tocando os lábios
Perdoamos tudo, os erros de outrora
A sinfonia então era de amor, acordes de boas novas
Cada fragmento de luz que ali entrava, revelava partes
da nossa morada
O sol nos iluminava, dançávamos sem tocar
o chão
As borboletas enfeitavam as paredes e o chão revestido
de madeira nova
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Suburbanas
Marcos Claudino |
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São Paulo, 20 de setembro (Já??)
de 2004.
QUEM SOUBER QUE CONTE OUTRA
Acordo pela manhã e escovo os dentes.
Minha pasta de dentes contém própolis, pó
de juá, menta americana, e gel extra protetor. Tomo
um banho, e o meu xampu contem aloe vera natural do campo,
fragrância aromatizante, anti-caspa u.v.j., melanina,
rena e anti-oxidante para as pontas. Meu sabonete só
pode ter sido fabricado pela Nasa. Ele vem com pigmentos
especiais que acariciam a pele ao esfregar, contém
anti-germes canadense, creme hidratante, e não irrita
os olhos. Isso tudo, e não se passaram quarenta minutos
do meu dia.
Vou me trocar, e escolho minhas roupas, claro,
todas lavadas com o especial sabão em pó com
oxigênio ativo, que retira as manchas, sem prejudicar
o tecido, amacia e perfuma ao mesmo tempo, além de
nunca tirar a cor natural.
No almoço, evidente, acompanhando
minha refeição, tomo um refrigerante light
diet extra lemmon, que contém 0% de calorias, ajuda
a combater as doenças cardíacas, respiratórias
e intestinais, mesmo que meu almoço seja uma bela
feijoada. Na saída, tomo um cafezinho, que não
fica atrás em suas propriedades mirabolantes. Este
café não foi cultivado com adubos químicos,
contém aromatizantes especiais, e ingredientes que
auxiliam na digestão.
Saindo do serviço, não posso
esquecer de passar na farmácia, pois minha mulher
pediu-me que levasse absorventes. Mais e mais maravilhas
das mãos do bicho-homem. Escolho um que absorve o
fluxo por inteiro, deixando em minha esposa uma agradável
sensação de ter acabado de vestir uma calcinha
nova. Isso por conta dos flocos de gel ultra aromatizados,
porque incomodada, ficava a sua bisavó...
Não quero jantar, e resolvo comer
um cereal com leite. Meu leite tem ingredientes que a pobre
da vaquinha nem imaginava produzir. Meu cereal só
falta falar comigo, pois contém todas as vitaminas
necessárias pelo resto do dia, e olha que a noite
requer muita vitamina... hehehe...
Enfim, parei dia desses a observar as embalagens dos produtos
que consumimos em nosso dia a dia. Fiquei pasmo. Não
importa a marca, um é melhor que o outro. Desde o
achocolatado, até os ingredientes de uma buchada
de bode, tudo, hoje em dia, traz algum ou muito benefício.
Olha, não é que eu não
queira duvidar da força do progresso, do domínio
cada vez maior da tecnologia em nosso favor, mas, a dúvida
que não quer calar é: Como é que as
pessoas conseguiam viver há cem, duzentos anos, antes
do aparecimento destas maravilhas que consumimos hoje?
Abraço!!
Marcos
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Musicalidade
de povinilpirrolidona
Roberto Yukio Iwai |
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A ideologia dos gaúchos às
vezes beira ao passado mais reluzente que o próprio
presente daquela época. É sempre assim com
os estilos que pegam e fogem daquela estética boba:
"atualizam". O que o Weezer fez sem nem saber
o que é jovem guarda, mas pegando Beatles nas alcunhas,
e juntando peso e outros itens que os tornam alternativos.
Jé no sul do Brasil, localizado lé
em alguns pontos do mapa, há um pessoal que não
quer saber de atualizar não. E quer mais é
que soe autêntico mesmo. A lágrima
que escorre quando se ouve, pode-se jurar também
nenhuma emulação de um choro.
Pois por mais que eu não tenha vivido
em 1967, transpirado os efervescentes anos dos programas
musicais e festivais da TV Record, me recordo bem de uma
vida que não vivi. E nela há guitarras, bateria,
beat e órgãos. E quem reside nos órgãos,
nesse histórico do país mais rico musicalmente,
mas tão cabisbaixo e desmemorado?
Ora, Lafayette simplesmente revolucionou a
jovem guarda. Até porque a jovem guarda foi uma revolução
tremenda para os jovens na época. Não temos
lá nossos LSD's, raves e sons eletrônicos no
começo do século XXI? Não
soará assim tão ingênuo para uma juventude
que caminha com tapadeiras de olhares de burros, com o mais
"moderno" em forma de cenoura?
Não seja prepotente, é claro
que tudo vai se tornar obsoleto a medida que o tempo passa.
E é por isso que 1969 se torna tão
atraente em 2004. Afinal, o que é ser moderno? Com
timbres assim, eu quero morar em Porto Alegre. Jesus Voltará,
e lá ele vai estar.Astronauta Pinguim e seu Petiscos:
Sabor Churrasco - Switched-On Bah! fez tudo isso. É
lágrima? É timbre? É
Órgão choroso? Sim, são todos por
todos os lados.
Quem imagina o ser que vivesse nos anos 60.
Que nunca imaginaria um dia fosse ouvir
uma versão instrumental de uma canção
que estava presente em seu recinto todos os dias, que cantarolava
as letras e não concebia nem por decreto outra forma
mais perfeita do formato som em seus ouvidos, ver de repente
Lafayette transmutar a música em bailes fervorosos
por toda a sociedade da época?
Assim é o mesmo com Astronauta Pinguim,
versão 2004. Eu, ser que vivo fisicamente no ano
2000, que ouço algumas das músicas presentes
no disquinho de estréia do tecladista no recinto
no qual estou instalado, com emoção de não
poder mais, presenciar uma total revitalização
do estilo Lafayette de soar, de crescer e boquiabertar.
Em minha mente, já no imaginário
pontuante, são os órgãos, vocoders
e moogs que Astronauta usa, em substituição
à voz na original canção. Versões
baile de hinos como "Um Lugar do Caralho", de
Júpiter Maçã, ou "Nunca Diga",
da Graforréia Xilarmônica, parecem ter sido
tiradas de alguma das antigas coletâneas
de hit parade e canções de ternura de amor
e rouquidão com catarro nas goelas. É quase
terapêutico degustar as transformações
que as canções sofreram, ver cada detalhe,
os sons peculiares que a banda que o acompanha, e ele próprio,
escolheram para identificar uma composição
de terceiro em uma interpretação particular
de música.
A versão samba de "Epilático"
de Doiseu Mimdoisema equivale ao contrário é
linda versão de "London, London" (de Caetano
Veloso) que Lafayette concebeu nos anos 70. Muta para algo
diferente, mas sem perder a postura de dignidade sonora.
E no mais, belas harmonias jovem guarda, que fizeram de
"Melissa" (da Bidê ou Balde) ou de "Eu
Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo" (de Wander Wildner)
verdadeiras experimentações dentro daquilo
que agrada aos ouvidos mais atentos em forma de refrão.
Astronauta transforma em linha sonora hi-fi.
O que é ser moderno? Astronauta Pinguim
eu não sei. S? espero agora uma série
de Petiscos: Sabor Churrasco, em outros mais volumes. Sem
ir na rasteira ou comparação é Lafayette
todo o tempo, mas o delicioso disso tudo é o passado
em si, que nos volta e nos morde no tendão.
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Ombudsman
Alessandro Sachetti |
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Vamos Viver
Brilhante idéia, como sempre, essa do Rafael,
porém que o banner não seja apenas para o site, mas estampe
o peito e o sorriso de todos.
Por vezes me pego meio no fluxo do que disse, vivendo bem
assim, fazendo as coisas por fazer e não pelo prazer no
que faço, automático e robotizado. Mastigando por mastigar,
por saber que tenho que o fazer, bebendo, até rindo e muitas
outras vezes conversando. Percebem o perigo disso? Logo
depois que saio do meu trabalho venho pra casa e me afogo
em mais trabalho, faço mil coisas ao mesmo tempo e deixo
muita coisa pra depois. Mas será que há o depois? Não há
certeza de nada a não ser o que vivemos agora, então mude
agora - parafraseando Edson Marques: Mude, mas comece
devagar porque a direção é mais importante que a velocidade.
Apoio e me proponho a divulgar esta campanha. Viva!
Belo retorno do Gabriel - vejo vingança em tuas linhas,
vingança na dor que tem, vingança em forma de amor.
Luiz, eu penso que o amor não seja isso. É mais, muito mais.
Amar é dar o que não se tem, já disse Lacan. Sempre
achei o amor platônico algo estranho: é ter a musa e não
tocá-la, o que me faz concluir que, ao toque, acaba-se o
encanto, destrói-se o amor, vira-se outra coisa.
Sê bem-vindo, Paulo, gostei do teu texto, gosto deste tipo
de poema, viagem ácida sabe? Surreal e muito bom. Mas um
tanto contraditório. Por que não há mais a visão?
Conto maravilhoso, Alessandro. A cada semana estamos sendo
presenteados com contos excelentes, é ótimo esse revezamento
impensado. Entrei totalmente na tua história, como se entrasse
em um sonho e fosse acordado no ápice.
O Sabbi tem me surpreendido a cada semana; prova ser, além
de ótimo colunista, também ótimo em contos e agora em poemas.
Bons teus versos, rimas não-forçadas. Suaves como devem
ser os poemas rimados. E ao mesmo tempo forte em conteúdo.
Pedro, começaste muito bem tua coluna, gostei do neologismo
em circunsgrito. É engraçado como sempre temos
textos que se interligam ao acaso, vejo muito do teu texto
nas idéias do nosso tenente. E, se este for teu mal, não
te cures nunca.
Gostei muito do texto do Luiz Maia, mas o que mais me chamou
a atenção foi a frase Lágrimas são palavras que calam
fundo no coração. Percebes a força dessa frase? Muito
bem-construída e muito dentro do teu texto. Eu sou chorão
e não tem essa de que homem não chora, é alívio em dor ou
alegria. É esvaziar o peito pra encarar a batalha novamente.
Sara, gostei da construção e da desconstrução em teu poema,
mas me diz: Teu processo criativo funciona como? Lê, relê
e "trelê" teus escritos antes de publicá-los?
É, Marcos, tem gente que ganha pra perder. Um tanto estranha
essa frase, mas me parece bem verdade. Sou fanático em Fórmula
1 desde que me conheço por gente, via Piquet ganhar campeonatos
quando ainda nem sonhava em dirigir. Sofro demasiadamente
com a falta de um ídolo tupiniquim no topo desse esporte.
Mas vejo uma luz no fim do túnel. O nome? Nelson Ângelo
Piquet, ou Nelsinho Piquet, se preferirem. Aguardem!
O que dizer sobre Arnaldo Baptista depois desta bela explanação
do Roberto Iwai? Não há muito a ser acrescentado, apenas
considerações. Mutantes foi e ainda é uma das maiores bandas
nacionais. Mas não vejo o Arnaldo como único e acho que
ele não funciona tão bem sozinho - entretanto, música é
coisa estranha, são vibrações que chegam aos nossos ouvidos
e decidimos se nos agradam ou não. É extremamente pessoal,
só isso já explica o motivo de haver tantos e tão variados
estilos musicais. Sê bem-vindo, espero trocar muitas "figurinhas"
sobre música contigo. Pois não vivo sem música.
Só reforçando a campanha do nosso tenente: Vamos viver,
sentir, sorrir e chorar!
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Copyright © 2003 - Rafael Luiz Reinehr - Todos os direitos
reservados. Sinta-se à vontade para reproduzir os
textos do site, mas não esqueça de citar a
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Gentileza
prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto
Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de
mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em
tamanho maior no blógue do amigo.
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Selo
comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em
2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
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