Simplicíssimo
Jornal Virtual de periodicidade que uniu os caboclos e construiu o amor


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Editorial

Indefesa comilança

Um dos momentos em que nós, seres humanos, estamos mais desprotegidos é aquele em que acabamos de ter servido em nossa mesa o prato que havíamos solicitado no restaurante.

Pois, é justamente naquela hora em que os olhos estão voltados para a refeição que antecipamos em imaginação nos minutos que antecederam, que os odores primeiros que se desprendem do manjar percorrem os caminhos das narinas, que as glândulas salivares iniciam ferozmente seu trabalho e as mãos ansiosas se dirigem aos talheres ou se entrecruzam esperando as palavras últimas do garçom que sinalizam o começo do regozijo:

- Mais alguma coisa?

É aí, justamente aí que nossos sentidos se despreendem de tudo o mais que não diz respeito àquela esperada refeição. O ambiente à nossa volta - mesmo que por vagos instantes - deixa de ter significado ou importância.

Em pouco tempo, a rotina de olhares em volta pode novamente retomar seu lugar, tão cedo quanto imediatamente após a primeira prova do alimento escolhido, motivo principal de nossa indefesa.

Rafael Luiz Reinehr

 

PS: é decepcionante: fiquei 10 dias sem computador, estando o mesmo em manutenção para resolver um problema sério de superaquecimento e puf! nada feito! Tempos difíceis estes nossos... Ainda bem que lido com a vida humana... Se por acaso der puf!, a pessoa certamente não voltará para reclamar... $#@*&%!!!

As boas vindas para a Ana Cordeiro, que diretamente de Portugal estréia no Simplicíssimo. Também a nota pelo retorno do Gabriel Silveira e do Bernardo WK, grandes participações. E, é claro, a grande satisfação de contar com os brilhantes e espetaculares colunistas que sempre maravilham nossas mentes cansadas da mesmice do dia-a-dia e nos fazem enveredar pelo mundo maravilhoso das letras e sentidose criam a história deste que já é, em número de edições e pela longevidade, um dos maiores sites de literatura do Brasil.

"Bem comido, a minha alma de nada quer saber. E nem os maiores desgostos a conseguem comover "
Jean Molière

"Qual o melhor momento para o jantar? 'Se alguém é rico, quando quiser, se é pobre, quando puder' "
Diógenes

"Não existe maior loucura no mundo do que um homem entrar no desespero"
Miguel de Cervantes

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O Julgamento de Caim
Bernardo W K

As lágrimas escorriam desenfreadamente me fazendo soluçar de tanto que as engolia, meu reflexo no espelho mostrava como os olhos podem ficar vermelhos de sangue podre e coagulado. A pia estava gelada, tentei enxergar-me melhor, tinha o olhar das pessoas que sabem que vão morrer. Olhando o espelho berrei de novo, desta vez tão alto que ecoou pelos cantos do nada. As penumbras se tornavam escuridões muito rápido, não pensava, ou pela dose de remédios ou pela falta de ar. Já havia virado mais de duzentos comprimidos de todas as tarjas. Não conseguia levantar a cabeça, meu corpo pesava tranqüilos trezentos quilos e só o reflexo me mantinha de pé naquele momento, por ele só enxergava minhas mãos. Ainda apoiado na pia, abri o espelho babando líquidos que jamais imaginei existir dentro de mim, agarrei um vidro de alguma coisa, o ultimo remédio do armário que antes mais parecia uma farmácia, engoli tudo de uma vez num susto reumático e senti meus músculos explodindo sincopadamente. Milênios depois recobrei minhas forças para andar. Atravessei o corredor com pés de elefante até a porta do apartamento, agarrei a fechadura e puxei três vezes para fugir dali, fui cuspido escada abaixo pelo impulso contrário. Despenquei uns quarenta degraus de mármore e azulejos. Fiquei no chão do andar de baixo com a cabeça aberta, sangrando e tendo alguns espasmos. Cravei os punhos no chão, fechei os olhos de sangue e levantei. Tarde demais, com um rombo na cabeça e todo disritmado, percebi que só havia rolado até o descansar da escada, me desequilibrei de bebiçe vertiginosa e fui tragado para o centro da terra, mais quarenta degraus de história. Mal havia arrebentado as costelas, me levantei do chão, com a cabeça berrando o eco da dor e os pés pesando elefantes, as mãos em lascas vermelhas, subi os dois lances da escada pintada de sangue, entrei em casa e fui até o quarto vomitando órgãos vitais e arrotando células-mãe, abri a gaveta do criado mudo, tirei o 38 e atirei na minha cabeça da forma mais certa de morrer, por dentro da boca, onde nada poderia sobreviver para dizer quem fui. O tiro me desconstruiu e não me dei conta de que ainda estava em pé quando por impulso suicida me taquei do sétimo andar.
Acordei deitado num acolchoado roxo, vestido de festa e sem me lembrar de nada. Haviam pessoas chorando em volta de mim, num ato reflexo de lucidez, levantei e corri.

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Julgamentos Salomónicos
Ana Cordeiro

Em 1989 Jon Elster, um dos pensadores de ciências sociais que mais admiro, publicou a obra Solomonic Judgments. Studies in the limitations of rationality (Cambridge University Press). Nesta obra exploram-se os limites de uma teoria: para demonstrar as limitações da perspectiva da escolha racional e utilitária, Elster propõe-se estudar o que acontece quando as decisões são tomadas por processos aleatórios. Qual é a racionalidade das lotarias? Qual é a racionalidade da escolha ao acaso? - pergunta o autor. Repare-se no interesse deste ponto de vista uma vez que quebra a sólida ligação utilitária entre o acto de decidir e as consequências desse acto.
Baseada nesta ideia escrevi uma história publicada no blogue http://historiaspequenas.blogspot.com/.
Espero que aguce a curiosidade.


Julgamentos Salomónicos


Apoiou-se em mais um cigarro:
- Fazemos assim, deitamos uma moeda ao ar: se sair caras a Presidência é para nós e se sair coroas é para vocês.
O outro dirigente recostou-se na cadeira sem parar de rabiscar figuras:
- Moeda ao ar não me parece francamente o processo de decisão indicado.
- Mas é preferível do que concorrermos em listas separadas. E uma vez que ninguém abdica do lugar de presidente… uma vez que não chegamos a acordo ao fim de três horas de discussão…
O outro parou de escrevinhar:
- Tira-se à sorte? Já mediste bem as palavras? Os associados vão votar, convencidos que exercem um direito de opção, depositam a sua confiança nos candidatos e afinal esses candidatos são escolhidos à sorte: tanto podia ser este como aquele... É a mais completa inversão de valores. Ora nós não podemos transformar uma eleição numa escolha arbitrária. Imagina que alguém descobre como as coisas se passaram. Com que cara é que ficamos?
O fumador coçou atrás do pescoço. Depois chegou-se à frente e contra argumentou:
- De qualquer modo os eleitores participam sempre em escolhas feitas por outros. Votam em listas e quem faz as listas somos nós. Lamento mas é assim que as coisas funcionam. Vivemos numa democracia representativa e não numa democracia directa. Além disso esqueces um pormenor fundamental: a partir do momento em que alguém mostra vontade em eleger determinado presidente o que era uma escolha aleatória converte-se numa escolha intencional. A última palavra cabe aos eleitores. Eles eliminam o acaso.
A ideia era razoável e estava satisfeito por ter utilizado as palavras "aleatório" e "intencional". O outro, porém, não se deu por vencido:
- Segundo esse teu raciocínio, se o lançamento da moeda favorecer o pior candidato, os eleitores vão acabar por julgar essa decisão.
O fumador concordou mas o dirigente fez questão de repetir a pergunta de modo a obter uma resposta claramente audível:
- O candidato é mau, portanto não o elegem. É isso?
- Em princípio, sim.
- E quem é o responsável pelo fracasso? A moeda?

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Soneto da lembrança
Gabriel Mingo Silveira

Não fossem teus olhos profundos
como é profundo o por Netuno presidido,
outros olhos talvez me fizessem encanto
e por rasos mares talvez fosse coagido.

Não fosse teu lábio o mais saboroso
tal qual a mais saborosa das frutas a brotar,
outros lábios, por certo mais desgostos,
no amargo contemplariam o meu beijar.

Não fossem teus negros cabelos,
mais negros que o firmamento estrelado,
outros fios, mais secos, mais mortos,
à diurnidade obscura me fariam condenado.

Não fosse tua face linda
de beatitude não esperada
Eu estaria ainda no que finda.

Não estivesse, em tua alma tenaz,
minha poesia perdida, ainda,
eu cairia, morto desta paixão Ferraz.

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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

O último do Zaragalli

Até onde eu me lembro, a perspectiva sobre o lançamento do último do Zaragalli foi, como sempre, cercado de toda a expectativa tão típica que sempre cercou um lançamento do Zaragalli – resultado dos incessantes apelos que a mídia, amante do que fosse que Zaragalli estivesse despejando no mercado, se apressava em veicular de todas as maneiras. O próprio Zaragalli não se esforçava em mostrar-se tímido, modesto, ou o que quer que fosse que pudesse emprestar uma aura de intelectualidade reservada a mais um dos seus lançamentos. Ele fazia o tipo participante, sempre disposto a uma fotografia junto a um de seus contemporâneos, a um drinque de última hora em uma coletiva organizada às pressas no lobby de algum grande hotel da cidade. Zaragalli era assim, e respeitávamos aquele jeito dele. Na verdade, somente alguns de nós aprendeu a acostumar-se verdadeiramente com este seu novo método mais propício às necessidades do mercado. Se nem todos sabíamos nos adaptar ao mercado – e se você conhecesse Zaragalli na época em que nós o conhecemos, é provável que estranhasse a súbita mudança de comportamento de Zaragalli, tanto do ponto de vista artístico quanto logo depois, quando com mais uma de suas obras já concluída, ele se mostrava como o mais disposto do mundo para lançá-la com todo o estardalhaço possível. Era previsível, no entanto, que, conforme a ascensão de Zaragalli se mostrasse mais e mais contundente a todos nós que acompanhávamos desde o princípio a enorme cena que se formava ao seu redor, começasse a ficar cada vez mais claro que eram os reais seguidores de suas propostas, quem compactuava com as suas idéias ou quais aqueles que somente até o momento haviam se aproveitado de sua sombra promocional para tentar crescer sem, contudo, deter metade das qualidades que Zaragalli sempre demonstrou ter em cada uma de suas realizações.

Eu, que acompanhei desde os seus passos iniciais, com a distância crítica de um colega de atividade, – apesar de portadora de afeto, que, como amigo de Zaragalli não deixaria de ter – poderia ser uma das testemunhas mais isentas sobre todo o seu método de criação. Chegar naquele momento, às vésperas de mais um lançamento que estava para se fazer, com toda a pompa a que Zaragalli ultimamente tinha direito, de acordo com os mimos possibilitados por seus patrocinadores e parceiros em seus projetos, trazia-me à tona o ritmo enlouquecedor que tomava conta de seus dias quando sua obra estava prestes a se tornar táctil, apresentável a todos aqueles sedentos por apreciá-la, com gana mais e mais voraz. Por que as obras de Zaragalli, a bem da verdade, possuíam estas duas capacidades tão intrínsecas quanto díspares: ao mesmo tempo em que provocava engulhos em uma parcela dos que o acompanhavam (e, convenhamos, sempre houve um prazer mórbido naqueles que chegam a acompanhar com tanta obsessão os que são frutos de seu ódio, pelo simples prazer de poder odiá-lo mais e mais, conforme mais uma de suas obras é lançada), naqueles que o rechaçavam de toda forma, inclusive através de organizações que se uniam para tentar apontar defeitos em cada elemento pertencente às suas criações, havia aqueles, lógico, fiéis seguidores de todas as etapas que envolviam a sua arte. Zaragalli, sempre solícito, atendia de braços abertos a estes últimos, não se portava como um ídolo longínquo; seguidas vezes podíamos encontrar Zaragalli participando de animadas mesas nos mais baratos botequins, somente por que algum de seus admiradores o encontrara de passagem, e Zaragalli não resistira ao pedido para que se sentasse e dividisse com eles algum acepipe ou uma rodada de cerveja. Era este o tipo tão peculiar de Zaragalli: considerado um gênio por tantos, aclamado por críticos até então tão sedentos de um realizador do porte de Zaragalli, e, ao mesmo tempo, tão simples e modesto em suas ações, tão próximo de seu público.

É notável que até este seu aspecto poderia servir de mote para aqueles que gostavam de acusar Zaragalli de demagogo, falso amigo do proletariado, amante mentiroso dos pobres. Volta e meia teciam considerações nem um pouco amistosas sobre o caráter excludente de suas obras, sobre a falta de representatividade dos marginais em suas realizações. Do quanto Zaragalli era, na verdade, um sádico, um aproveitador da ilusão daqueles que gostavam de sentir-se, nem que fosse por um momento apenas, o mais próximo possível de uma estrela da elite. Chegaram a chamá-lo, certa feita, de vampiro! Que sua fonte criadora era sugada da retumbante alegria que, não obstante tantos dissabores, sempre continuava presente no coração dos menos favorecidos.

Tantas acusações! E eu, mesmo ciente de toda a verdade a respeito dele, tinha que me manter quieto, cumpridor de meu princípio de discrição. Se o acusavam em minha frente, e muitas vezes isto me doía, forçava-me a um silêncio pontiagudo. Eu tinha, conforme o próprio Zaragalli havia me incumbido, de guardar segredo sobre a sua vida. Espantava-me, a bem da verdade, este teto de vidro tão resistente com que Zaragalli se mantinha durante toda a sua carreira. Recebia tantas pedradas de um lado, tantas acusações vãs, tanto ódio gratuito, tanto crítico querendo se autopromover a inventar as mais sórdidas teorias a respeito de um passado não-sabido de Zaragalli; ao mesmo tempo, penso que o que continuava a manter Zaragalli no topo de sua categoria de realização, era o carinho que recebia, não obstante, daqueles que sempre foram seus fiéis apreciadores, seus verdadeiros e não vis admiradores, aqueles capazes de encontrar em suas obras toda a significância que Zaragalli fazia tanta questão e sentia-se tão feliz quando encontravam.

Como definir um verdadeiro gênio? Como separar do meio de uma horda de fraudes intelectualóides aquele que não pretende engambelar o público com meia dúzia de idéias prontas, com meandros enganosos, com meias-voltas confusas e soluções forçadas? Pessoas assim eu encontrava aos borbotões nos meios em que, junto com Zaragalli, acostumei-me a participar. Criadores que se divertiam ao empregar soluções tão complexas que a própria crítica não se atrevia a contestá-los com medo de ser tachada de ignorante, não percebedora. Se optavam por análise sobre um viés depreciativo, estas fraudes travestidas encarregavam-se de dizer, através de suas assessorias de imprensa, que o crítico era um néscio, um desconhecedor do princípio básico de composição de sua arte, que não servia nem mesmo para servir cafezinho, que dirá tecer críticas argumentativas sobre sua obra! E os críticos, pobres, acabavam caindo no ostracismo, assustados com sua própria falta de visão, deportados a comentários em colunas sociais e outras trivialidades.

É fácil concluir que este era outro dos motivos por que festejavam tanto Zaragalli. Custa-me muito lembrar de quando Zaragalli conseguiu ser violento com um crítico que fosse! Sempre optou pela mediação, por aceitar – não com passividade, comiseração ou demagogia, mas como opção, mesmo – as outras possibilidades analíticas sobre a sua obra. Afinal, compreendia as nuances diversas de percepção que podem envolver um olhar sobre o que realizava com tanto prazer e dedicação. E, uma vez as críticas não sendo gratuitas, rançosas, ainda que distantes de uma verdade com a qual concordasse, Zaragalli se recolhia em um mutismo simpático e continuava a sorrir e a manter-se agradável com todos.

Desta maneira, como não enchermo-nos de expectativas às vésperas do lançamento do último de Zaragalli? Da mesma maneira que o que o podia aguardar era uma cadeira voando em sua direção de algum de seus detratores, sabíamos aquilo o que, com certeza não iria faltar: uma multidão que parece não ter mais fim de ansiosos fãs, verdadeiramente cheios de vontades de, em abraços, beijos e afagos, resumir toda a felicidade que somente a obra de Zaragalli era capaz de lhes proporcionar.

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en passant
Eduardo Hostyn Sabbi

Vale a pena LER de novo?

Parece incrível, mas depois de mais de 365 dias eu bem que poderia repetindo exatamente o mesmo texto da edição 42, intitulado “Transgênicos, da Revolução Farroupilha ao cinema de Schwarzenegger”.

Entre uma viagem e outra (nos países ou nos seus discursos mesmo) Lula ora diz que assina, ora recusa uma medida provisória. E lembro que já estamos provisórios há 1 ano. Pior, encontra-se numa difícil disputa de beleza entre os textos da Câmara e do Senado e as idéias de Rigotto e Requião. Com toda cautela, vai pisando nos ovos do agricultor que, imagino eu, não tenha ficado esperando pelo “pátrio poder”. E não pára por aí: nesse país de constituição exemplar e exemplo desconstituído, ainda não se sabe o tema é de competência da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), do Movimento dos Sem-Terra (MST) ou do Partido Verde (PV).

E quando tudo parecia bem ou mal encaminhado, a votação da Lei de Biossegurança não acontece e você já deve imaginar o porquê. “Os senadores começaram a deixar Brasília na quarta-feira e na manhã de ontem, para participarem das campanhas municipais.” Redige Luis Renato Strauss, jornalista da Folha de S.Paulo, na sexta-feira (17/09/2004), dia seguinte ao que deveria ser realizada votação. Parece que a vontade de ser político supera de longe a de fazer política. Aliás, fazer o que não se sabe é uma regra escancarada nessa bagunça toda. Falta espaço para pitacos, emendas, substitutivos e afins.

Como se pode ver, o assunto segue sendo tratado como uma obra política destituída do auxílio da ciência e receio que pouco se possa ressaltar como mudança desde aquele meu texto original. A não ser, quem sabe, a vitória de Schwarzenegger para o governo da Califórnia.

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I-racional
Pedro Armando Furtado Volkmann
 

De Ré Na Contra-Mão

Violentos Haikais 16/X

Sou o cara, não nego
não gosto de nego
isto faz bem para o meu ego

Faroeste 3/X

Tenha isto em mente
Só mais um pouquinho
não é suficiente

Tempo Tinha

Falar sobre o universo da comunicação é muito complexo, justamente porque muita gente acha muito simples. Não nos entendemos nunca, de jeito algum. Sempre temos que nos dar conta disto, pois, normalmente, nosso interlocutor vai achar que está entendendo tudo o que dizemos ou escrevemos. Vamos por partes, já diria o Jack. Veja o título: muitas pessoas podem pensar bobagens, em um texto que vai falar sobre o tempo. Só sobre isto.

Certamente você já ouviu todas aquelas baboseiras sobre quanto vale um segundo, um minuto, um ano etc.

Tudo isto é relativo, diria nosso amigo Einstein. Já o dono de uma emissora de rádio e tv sabe, mais do que ninguém, o valor do tempo. Para ele, não tem volta. Se não entrou no ar naquele segundo, é dinheiro que escorreu pelo ralo.

E o seu tempo? Você faz coisas úteis com ele? Ih! Pergunta tola! Todo mundo aproveita o seu tempo da melhor forma possível. Basta saber que estou fazendo este texto as 3 horas e 20 minutos da quarta-feira. Sim, do texto que deveria ter sido publicado a meia-noite.

Acontece. E é muito triste. Talvez você seja daquelas pessoas que o tempo está sempre ao seu favor, ou você a favor dele. Sim, você pode ser uma daquelas pessoas que chega sempre nos compromissos alguns minutos antes, com toda a calma do mundo. Pois saiba que tenho inveja de você.

Quando fui para a Austrália, comecei a fazer minhas malas às 18 h e 10 minutos. O processo foi muito rápido. Às 18 h e 45 min eu já estava com elas prontas. Foi ótimo, afinal de contas, tinha que estar no aeroporto às 18h. Pelo menos embarquei.

Minha amiga Wilsi, de Curitiba, disse que não consegue seguir ao pé da letra os conselhos de um amigo, o Raphael que diz que tempo é uma questão de preferência.

Tenho que concordar com ele. Gosto de dar tempo ao tempo. Pena que nem todos entendam o tempo como eu.

Uma vez tive uma conversa muito séria com um amigo em Porto Seguro. Ele me disse que estava lá, na terra da festa, há quase uma semana e não tinha conseguido transar. Então eu disse:

Caro amigo, não conseguiste transar de babaca, pois aqui Tempo Tinha.

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Utopias
Luiz Maia

Transcender

O dia-a-dia da maioria dos seres humanos é de muita luta. Absorvidos com a lei da sobrevivência, pouco tempo lhes sobra para conseguir um padrão de vida com um minimo de dignidade. Em lugar de receberem estímulos, as pessoas interagem diariamente com o pessimismo imposto por centenas de más notícias, que as conduzem por caminhos cinzentos que levam à frustração.

Os homens carecem de boas notícias que ampliem a esperança em seu coração, afastando em definitivo o fatalismo que vem justificar o porquê de o mundo ir de mal a pior. Enquanto muitos ficarem indiferentes à necessidade de se interagir mais com a natureza, a qualidade de vida da humanidade e do Planeta estará comprometida.

Abdicar da verdadeira essência da vida é um preço alto demais que os homens pagam por não mudarem seus conceitos de vida. É preciso transcender às questões menores, inerentes ao corriqueiro dia-a-dia em busca do quantitativo. Tem-se que crescer na escala de valores.

Ser feliz, fazendo os outros igualmente felizes, visar sempre o bem-estar comum, são metas que todo ser humano deve buscar para si. Para isso é necessário compreender de transcendência, traduzida pela criatividade e pelo amor. Amor holístico, que abrange todas as formas do que é benigno.

Inteirar-se, como ser e cidadão, de sua infinda responsabilidade com a vida do Planeta.
Transcender é canalizar a energia do sonho e da esperança no bem em tudo que é amável, decente e construtivo.

Ao contrário daquilo que alguns imaginam, transcendência nada tem a ver com o sobrenatural. Significa adotar costumes, em geral simples e práticos, que fogem aos padrões estabelecidos pela sociedade industrial e moderna, que preocupa-se apenas em oferecer conforto, luxo e superficialidades ao conjunto da população, indo de encontro aos verdadeiros desejos e carências da humanidade.

Transcender é a necessidade prazerosa que temos em observar, por exemplo, a natureza com a intimidade de quem desfruta de amor pela vida. É contemplar o amanhecer e beijar o sol que aquece a nova manhã. É meditar e refletir na inteireza do Universo e sentir-se parte integrante dele.

Transcende aquele que reconhece sua responsabilidade perante o meio ambiente e tudo faz para preservá-lo. Saber transcender é alimentar-se sem pressa ao mastigar, fazer da alimentação um prazer e agradecer a Deus pela comida, de forma emocionada.

Você transcende quando ama as pessoas sem preconceitos, quando contempla um pôr-de-sol, quando ouve uma música. Transcender é estar eventualmente triste e, mesmo assim, alegrar-se com a felicidade do outro. Uma maneira valiosa de transcender é quando você ora agradecendo ao Pai pela ventura da vida!

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Luiz Maia

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Um pouco de cada: luz e trevas
Sara Flech Neves

Tempo honesto

O tempo todo, o todo inteiro.
Inteiro o sonho, o sonho imenso.
Imenso o verso, o verso insano.
Insano o vento, o vento incerto.
Incerto o preço, o preço certo.
Certo o apego, o apego inverso.
Inverso o meio, o meio esperto.
Esperto o tempo, o tempo honesto!

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Suburbanas
Marcos Claudino

São Paulo, 28 de setembro de 2004.

O início do caos

No princípio eram só as trevas, o nada, ou o tudo. O Big Bang, o estalo do Criador, a obra prima do acaso, ou qual seja a denominação a que quisermos dar a isso, mas sabemos que algo aconteceu...

Enfim, muito tempo se passou, e aquele macaquinho, morto de fome, cansado da dieta de brotos e folhas de árvores, desceu, arriscou-se, foi atrás de alguma coisinha mais suculenta. Pode até ser que o primeiro não conseguiu seu intuito, então um segundo desceu, tentou de novo, e foi devorado por um faminto tigre dente de sabre. E assim foi, um a um, descendo e morrendo.

Então, um dia, ninguém saberia dizer o por que, resolveram descer dois, não apenas um, daquela árvore. E, enquanto um distraía o tigre, o outro conseguiu pegar do chão alguns petiscos diferentes. Não precisamos nem contar que o outro infeliz morreu abocanhado.

Mais alguns séculos, e descobriram que, se descessem todos, apenas um seria sacrificado, e o restante cumpriria com certa tranqüilidade a tarefa de pegar da terra o melhor alimento. Pouco tempo foi necessário para que esse macaquinho transformasse a ameaça dos predadores em seu próprio alimento. Organizaram-se, evoluíram, e dominaram todo o planeta.

Enfim, agora, dono do reino inteiro, outra ameaça surgia. O maior inimigo do frágil primata era ele mesmo. Agora nem tão curvado, braços mais curtos e ágeis, pernas bem melhor equilibradas, e um cérebro que conseguia raciocinar, faziam dos mais espertos os líderes. Estes aproveitavam-se da ingenuidade de seus súditos, e gozavam de sua soberania com desdém.

Chegou então o tempo em que os dominados dominaram, e trocavam o dono do poder por outro menos injusto, sucessivamente (matando-os, é lógico), pois a necessidade de ter alguém a obedecer sempre existiu. Certa feita, algum grego sem muito o que fazer, contemplando as maravilhas da natureza, disse que o povo precisava se organizar para escolher seus representantes legítimos. Ouviram-se gargalhadas, alguns quiseram matá-lo (talvez tenham conseguido, quem sabe?), mas, enfim, alguns séculos depois, uma tal de Democracia já fazia parte da vida da maioria dos habitantes deste planeta.

Neste ponto, era necessário que se identificassem, no meio da medíocre população, algum líder, capaz de guiar aquela coletividade de almas ao caminho do progresso. E muitos perceberam que, deste meio, seria fácil aproveitar-se das honrarias do poder, em benefício próprio. E isso verifica-se até os dias atuais, e, para nosso desespero, ainda muito se verificará...

E criou-se o horário eleitoral, os debates na TV, o voto obrigatório, e a sensação de que, por mais que tentemos dar crédito à política, menos ela nos ajuda, menos ela nos corresponde, menos ela nos acode... Dizem alguns, que o único bom político, que nasceu com o dom da justiça, com o carisma e a aceitação de seu povo, com o dom da palavra e atos, com o poder de convencimento jamais vistos, foi crucificado, e, daí pra frente, nenhum outro líder seguiu seu exemplo... Não duvido não...

Hoje, olhando a patifaria que se transformaram as disputas políticas, principalmente nessas épocas eleitorais, as mentiras de todas as partes, o jogo sujo, o uso da ingenuidade das massas, as mesmas carinhas de santo, as promessas que entendemos impossíveis, mas que convencem, sinceramente, chego a maldizer aquele bendito macaquinho, que desceu da árvore para tentar uma vida melhor...

Cito o Barão Vermelho, num momento de felicidade: “... invejo os bichos, invejo os bichos, que no mundo não procuram nexo. Vivem em paz, sem ganância ou capricho, e só brigam por comida e sexo...”.

Quero ser desmentido, ajudem-me...

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Musicalidade de povinilpirrolidona
Roberto Yukio Iwai

Noventa e nove por cento dos americanos e europeus ouviram este disco, e com ele aclamaram a glória do renascimento de Tom Zé (que vai lá saber se eles caso
sabiam). Noventa e nove por cento dos brasileiros bradavam Tom com a classificação de "São, São Paulo"
nos anos 60.

Dez por cento assistiam Tom Zé antes do lançamento de Com Defeito de Fabricação, o disco que sucedeu The Hips Of Tradition (As Ancas das Tradições, no português).
Mas o bem da verdade é que The Hips Of
Tradition
foi o álbum que auxiliou Tom a
solidificar a escalada, que o levou aonde está hoje.
Nos primeiros shows de Zé que eu fui, não conhecia muitas das músicas, por essas pertencerem a esse disco, e eu ainda não conhecer.

(Há o episódio em que paguei muito caro pela versão importada, porque o Brasil oh vergonha tinha retirado de catálogo. E colocado logo depois que desembolsei
muito pelo cd...)

Quase metade dos shows de Tom até o lançamento de Jogos de Armar, o disco que sucedeu Com Defeito de Fabricação (fabrication defect, no inglês) foram baseados em The Hips Of Tradition. Que é um grande álbum.

Porque Nave Maria, o disco que antecedeu The Hips..., também era. Mas como em Estudando o Samba (disco que antecedeu todos aqui citados), não houve abertura popular. E nunca houve, desde a época em que "São, São Paulo" ecoava como grande
sucesso e grande vencedora, pelo noventa e nove por cento dos brasileiros.

The Hips Of Tradition trazia o que
Estudando... trazia: canções que não eram
convencionais, comparado aos (grandes) sambas que Tom Zé compunha em 72. Um caminho que, acredito eu, era o que Tom queria.
E The Hips... trazia o que Nave Maria já trazia: grandes canções. Se "Nave Maria", a música, era uma das composições mais impactantes de Tom,
"Ogodô, Ano 2000" era a música mais verdadeira de Zé.
Competindo com "O Pão Nosso de Cada Mês" (dizendo ironicamente "Passarei/esta década/Num chiqueirinho bem burguês/Comendo/Minha culturinha de massa todo mês/Sentado no sofá da sala"), que em show, vira um festival de esmeril, faíscas, luzes apagadas, leitura do jornal do dia, e afins.
O mesmo para "Lua-Gira-Sol", que é canção que dá aberturas totais para uma representação de uivos, metáforas, pacto com a platéia, o grande show mesmo de Tom Zé. Onde tudo é o que não deveria ser, e mesmo
assim, deveria ser o que todos não são.

O disco ainda traz a bela releitura de "Taí", clássico da música brasileira, que dura pouco apenas porque as coisas boas da vida duram pouquíssimo. As mais inspiradas canções de amor (podendo acreditar no
estilo único e realmente amoroso no sentido de amor sem falsidades) de Tom Zé estão representadas por "O Amor é Velho-Menina", ou "Sem A Letra 'A'" ("Sem você
nem tristeza teremos/Pra nos lamentar/Sem você nem morrer de saudade/Nem mesmo chorar/Pois não há chorar/(...) Palavra vazia ninguém mais namorará").

Noventa e nove por cento dos americanos e europeus ouviram The Hips Of Tradition, mas não sabiam realmente o que havia acontecido para ter o subtítulo
de "The return Of Tom Zé". Dez por cento dos brasileiros ouviram, clamavam a volta. Outros nem lembravam, outros não queriam lembrar.

O mundo em 1968 só estava aberto a melodias bonitas e rimas perfeitas. O disco de estréia todo de Tom Zé é perfeito em todas as formas. The Hips Of
Tradition
é perfeito por inteiro. Todo mundo que já foi em show de Tom Zé já ouviu quase o disco inteiro. Não é mero álbum de retorno, é um grande trabalho.

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Ombudsman
Alessandro Sachetti

Não queira limitar-se!

Vamos juntar nossas lápis e pintar nossos dias com cores que nunca usamos. Não importa quantas cores você tenha, o segredo é o que você faz com elas. Não se preocupe em colorir somente dentro das linhas. Pinte por fora das linhas e fora das páginas. Não queira limitar-se! Nós nos movemos com o oceano, não estamos ancorados! A viagem não requer explicações, apenas passageiros. Siga!

Luiz, concordo quando dizes que é mais fácil se esconder atrás de belas palavras, mesmo que vazias; só não te enganes (e isso serve para todo mundo) e não penses que todo o simples é belo ou que todo texto difícil é feio.

Triste Dona Bia esperando o fim, vive como se já tivesse morrido, não é, Camila? Bom texto.

O tema, sempre recorrente – desigualdade em nossa nação. Bom trabalho, Haroldo, mas tomes um pouco mais de cuidado para não caíres tanto em lugar-comum nem usar muito os chavões. Pode acabar cansando quem lê; afinal, nada do que disseste é novidade para nós brasileiros.

Alexandre, achei teu conto muito peculiar, me lembrou muito o filme Dogville, de Lars Von Trier, pela maneira como é narrado, pela lentidão do que não acontece, pela repetição do “Santa Teresa do Bem Aventurado Coração de Jesus”. É um bom texto, e a maneira com que escreveste acentua bem como as coisas aconteciam no lugar. Outra maneira que não fosse essa, outro ritmo que não esse, deixaria um tanto sem sentido, ou pelo menos daria um outro sentido – que, imagino, não seria o certo.
Eduardo, eu penso que nós somos o grande quebra-cabeça a ser montado, que cada pessoa que passa por nossa vida nos atribui uma nova peça ou até mesmo muda a disposição do que somos, a maneira como somos construídos, os valores, o número de peças, enfim.

Há muito desisti de entender, ou tentar entender, alguém por inteiro, aprecio a companhia ou não, resolvo se aceito ou me mando. Talvez aceitar seja ainda mais difícil do que entender. Mas nem tudo precisa ser entendido, não há razão para dar sentido a tudo o que acontece. Deve-se apenas sentir mais, não atropelar os sentimentos. E quem sabe assim o quebra-cabeça que sou fará mais sentido em existir. Não sei ao certo, mas é o que penso.

Grande Pedro, ficamos de conversar sobre o texto e acabou que não falamos antes de eu mandar minha coluna ao nosso tenente. Mas, vamos lá. Sou tão feliz no meu trabalho que quero deixá-lo ontem. Nesse momento estou no trabalho, mas não há trabalho por ora. Então aproveito para escrever minha coluna, pensando parado, pois assim penso melhor, tal qual dizia Raul. Mas não é o parado em relação a movimento que importa, mas é liberar o pensar, como tu mesmo disseste: deixa fluir.

Também li o Ócio Criativo de Domenico de Masi, e aprendi muito pouco para a vida prática. A teoria, sim, é interessante. Mas na prática funciona pouco, ou talvez eu não tenha entendido direito a idéia. Intriga-me muito a frase do autor: Quem trabalha muito não tem tempo para ganhar dinheiro. Antes fosse simples assim; isso cabe, a meu ver, aos gênios, que precisam do ócio mesmo para criar. Concordo que meus melhores textos foram criados no ócio total, mas mesmo o ócio inspira tanto ou desmotiva ainda mais? Tudo depende do estado de espírito.

Luiz Ribeiro, eu sou pai, sei quão complicada é essa tarefa, ao meu ver teu texto tem acertos e erros, e ainda bem, pois acertar em tudo é muito chato – se tudo fosse acertado, do que eu falaria agora? Os pais nos preparam para muitas coisas, mas muitas coisas apenas nós podemos fazer e descobrir. Nunca te atrevas a pular todos os obstáculos por teu filho, é um erro. É preciso aprender errando, mas errar com o filho não é uma boa idéia. A família, penso eu, está falida há décadas. O pai repressor, a mãe protetora são erros gigantes que tentamos corrigir e separar de nosso âmago. Amor demais faz mal.

Sara, gostei muito desse poema, muito bem-construído, há harmonia entre as linhas, estrofes. Tudo bem feito e tudo em seu lugar. Levado com calma.

Quanto à pergunta que me fizeste na edição anterior. Acho importante rever a maneira pela qual escrevemos, nem sempre é bom reler/refazer/reconstruir um texto. Tudo é sentimento quando tu escreves? Ótimo, continua assim, és mais visceral. É mais emoção ou mais razão pra escrever? Tudo depende de como crias teus textos. Há maneiras para treinar, o mais importante é saber quando parar, quando dar por acabado teu escrito. Às vezes ao se insistir em continuar comete-se o erro fatal e o texto perde o sentido quando já devia ter acabado.
Caro Marcos, belo texto, percepção de realidade ao extremo, relato das pequenas coisas que fazemos todo dia e a que nem sempre damos atenção. O que descreveste é mais um processo automático do que prazeroso, por mais que se usem produtos interplanetários. Há cem, duzentos anos a expectativa de vida era de 30, 40 anos. Hoje um tanto mais, 60, 70 – em alguns países, até 80. Mas me digas, o que perdemos e o que ganhamos?

Roberto Yukio, por sorte fui apresentado a várias das bandas que citaste há algumas semanas, bandas gaúchas, coisas que raramente chegam até aqui hoje em dia. Júpiter Maçã foi uma bela surpresa. Weezer, que faz um punk-rock aveludado, surge como uma das grandes bandas do cenário mundial e influencia muito pelo estilo nerd de ser e pelo nova tocada punk. Agora, como falaste do cenário porto-alegrense, onde fica a banda Cachorro Grande nessa história?

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Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 


 

 

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