Simplicíssimo
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Editorial
Rafael Luiz Reinehr

Fotos pinhole





Quer saber de onde são essas fotos?

Galeria de Fotos Pinhole

Para quem não sabe o que são fotos pinhole, explico: a máquina fotográfica pinhole (do inglês "pin hole" = furo de alfinete) não possui objetivas, ou seja, não possui lentes, tendo em lugar delas um minúsculo orifício (pinhole) por onde a luz é captada para dentro. O resultado são imagens únicas, características próprias de uma pinhole e bastante diferentes de fotos de máquinas convencionais. Podem ser feitas com latas de leite em pó, caixas de chá ou até com o próprio recipiente que envolve o filme das máquinas comuns.

Não é só de literatura que vive o mundo! Precisamos de arroz, feijão, paz e fotografia também!

Rafael Luiz Reinehr

Estamos preparando uma Campanha de Natal para angariar brinquedos a serem doados para entidades assistenciais que cuidam de crianças. A coleta dos brinquedos ocorrerá em todas cidades em que colaboradores do Simplicíssimo se dispuserem a fornecer um endereço para que os presentes sejam entregues. Quem estiver disposto a participar, entre em contato através do simplicissimo@simplicissimo.com.br

A criançada agradece!

Ambas citações podem ser lidas à luz das fotografias acima apresentadas:

"O extremo poder dos símbolos reside em que eles, além de concentrarem maior energia que o espectáculo difuso do acontecimento real, possuem a força expansiva suficiente para captar tão vasto espaço da realidade que a significação a extrair deles ganha a riqueza múltipla e multiplicadora da ambiguidade. Mover-se nos terrenos dos símbolos, com a devida atenção à subtileza e a certo rigor que pertence à imaginação de qualidade alta, é o que distingue o grande intérprete do pequeno movimentador de correntes de ar."
Herberto Helder

"A memória é essa claridade fictícia das sobreposições que se anulam. O significado é essa espécie de mapa das interpretações que se cruzam como cicatrizes de sucessivas pancadas. Os nossos sentimentos. A intensidade do sentir é intolerável. Do sentir ao sentido do sentido ao significado: o que resta é impacto que substitui impacto - eis a invenção."
Ana Haterly

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O corpo amarelo
Bernardo W.K.

Hamed não quis acreditar nos olhos quando a multidão se aglomerou na frente de sua casa. O povo berrava cobras e percevejos para ele e sua família, o bruxo das areias e seus amados não mereciam a vida dourada do deserto. A porta já era preparada para possíveis arrombamentos com dois grandes pedaços de madeira, as janelas tinham trancas de ferro soldadas vindas da índia a cavalo. Estava tudo trancado e fechado, portas, cortinas, baús... Hamed ordenou a Samira e as crianças que ficassem no porão, pois a porta não agüentaria mais tempo.
No mesmo barulho que fez a porta do porão no chão, a da frente se arrebentou em farpas e cobras para todo lado, e o suposto bruxo se viu na frente da multidão amarela com labaredas cegas para queimar o que fosse vivo e pedras para matar o que devia ser morto. Hamed se ajoelhou ante a morte presente e pediu perdão pelos pecados que não cometeu em vida, pediu perdão pelas maldições do Egito e pelos carneiros assassinados. O profeta tomou a primeira pedrada na cabeça e caiu sangrando lesmas, o povo se afastou enquanto Hamed agonizava de olho invertido e coração virado.
Abaixo do agonizante, a família olhava pelas frestas do teto tentando ouvir algo com os olhos, mas só ouviram a pedrada e a poeira que caiu com a queda.
O povo voltou a apedrejar Hamed depois de segundos de admiração, cuspiram e mijaram em cima do bruxo negro. O povo, sábio, se dizia alerta para esse tipo de bruxaria antiga, nunca mais cairiam nas obras do Diabo, bicho que ficara conhecido devido a um inglês que trouxera um livro há uns dois anos.
O defunto ficou rodeado de gente trabalhadora e corajosa, gente com sede e vergonha, gente que matou e amanhã quando a fome bater vai ter que almoçar, gente com família, gente homem. A família de Hamed foi procurada para que o serviço ficasse completo, não acharam ninguém graças ao tapete que decorava a sala e escondia o porão. Deixaram a casa nua, levaram as jóias e os potes de barro, as roupas e os livros sobre o nada e as maldições de outra língua, só não levaram o tapete da sala. Deixaram o corpo de Hamed padecer meio aos vermes do vento.
Dois dias depois o porão já estava vazio, e Samira tinha que recomeçar a vida pelo amor, pelas crianças. A multidão enlouquecida já havia esquecido do bruxo e de sua prole. O corpo de Hamed, samira deixou no porão, semi enterrado.
Podia controlar a força do fogo dizia o poeta da esquina, e enganar o prefeito regente dizia a mulher do ferreiro, podia até comer sem usar a boca. Simples lendas que rodeavam a morte de um homem justo e injustiçado. Samira não ouviu ninguém, não acreditou em nada do que lhe foi dito, até que Ashik, assassino, ladrão, bandido e corruptor jurou já ter matado Hamed duas vezes.

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Nós e Eu
Camila Mello

Ao existir e pensar muitos gastam-se nas páginas discrentes de vários livros.

Eu não tracei objetivo para isto,
eu não quis pensar em nada antes de escrever,
apenas senti o tom do meu corpo agora,
que foi como o de Mozart, Caravaggio ou Gonzaguinha em seu leito de morte.
Eu não sei sentir
se não fechar os olhos,
e eu não sei amar
se não for como só eu sei.

Tudo pela música e pelas letras,
e algumas rimas falidas minhas.
Eu não sei desenhar teu rosto
se não for com o meu;
eu gosto de respirar puro e sempre,
e o me inspira é uma estrofe tão minha
que às vezes eu não sei compartilhar.

Acho que nasci para ter uma língua própria,
aquela nossa,
tão sonora, tão vazia, inexistente, absurda.
Nossa língua quando se toca é quase surda.

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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

Nossa melodia

Acabaram-se os brigadeiros e as risadas também
Enquanto o velho asmático a tossir no andar de cima,
(completamente abandonado - sem ninguém)
assistindo programas de auditório a madrugada inteira
Lembra que em nosso repertório findaram-se as fronteiras,
e, o que era ditado antigo,
fundimos,
em palavras
- oportunistas e rasteiras
para inventar nossas próprias canções
feitas dos restos dos escombros
e pingos de velhas torneiras
Cansados os nossos ombros,
onde apoiamos besteiras,
sobras dos quartos fechados
das velhas avós rezadeiras,
no ritmo devocional
do qual queria ter metade
"Mas ainda há tempo, nunca é tarde",
diria em tom casual, entre risos e fungadas,
nosso primo doente mental, fã incondicional
de torta de goiabada,
cansado da rejeição
de toda uma população
que se diz civilizada
e impõe constantemente,
quase que irracionalmente,
sua filosofia engomada e
sua lista de modismos
"E que se dane esta corja safada
e viva o pluripartidarismo!"
gritará, quem sabe, um dia,
(onde ele estiver),
aquele tio engraçado,
que morreu de anemia,
e se chamava Xavier.

Fundamental


Fundamental é pensar no que existe
do outro lado da porta que ninguém abriu.
O que se esconde sob a tênue máscara
do bêbado insano que te olhou por engano e,
ainda por cima,
riu.
O que se oculta sob o misterioso
sorriso franco daquela menina que,
em uma noite estranha,
parada ali na esquina,
resolveu te olhar.
Enquanto você se enganava
e mais e mais garrafas entornava,
perdido entre pensamentos loucos.
Do seu lado, o seu amigo rouco,
berrando que o armazém já vai fechar.
Por que o importante é saber porque
toda tarde de domingo é tão igual
E que se danem os gringos interessados
em te convencer da importância e da finalidade
da paz mundial.
Que seis minutos sejam o tempo necessário
para que você descubra o itinerário do que é
fundamental.
Que as noites de escuridão sirvam para te
libertar desta procura incessante de motivos tolos
para justificar teus anseios bobos
sem explicação.
Que a vida seja o bastante para poder contar
que tudo o que é atemorizante
São peças pregadas,
no devido instante,
por sua imaginação.

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en passant
Eduardo Hostyn Sabbi

A primeira volta

Bem no início eu me perguntava “Por que escrever” e já saia escrevendo em resposta. Algum tempo e muitos textos se passaram e é assombrosa a relação que se estabelece com o texto de estréia. E da mesma forma que comuniquei o começo, parece-me conveniente seguir a linha. Enfim, a vida é feita de momentos e como já dizia s Mutantes e seus cometas, “há sempre um tempo no tempo” e o momento atual é propício para uma pausa. Muito embora eu me sinta tentado a justificar reclamando da falta de tempo, como fiz há muito quando comprei o obsessivo livro “Socorro, não tenho tempo!”, que obviamente não terminei de ler por falta do dito cujo, tenho minha consciência reprimida (ou libertada) no insatisfeito Papalagi que serve de exemplo na introdução de Domenico De Masi.

De qualquer forma, peço a licença de todos os SimpliLeitores para um recesso durante o qual a coluna en passant repousará em alguma casa do seu virtual tabuleiro a reorganizar suas peças. Tempo para as Torres recomporem seus muros enquanto os Cavalos saciam-se no cocho e os Bispos celebram alguma missa ou dão uma passadinha no confessionário. Tempo para a vaidosa Dama escolher um novo sapato ou um belo vestido no shopping center da capital e tempo para o Rei ajeitar sua coroa (foi o que lhe restou). Os Peões? Ah sim, claro. Liberdade, ainda que tardia e até virem a servir sua majestade novamente, quando um novo jogo venha a começar. E então, talvez se faça claro à nossa sabedoria que esta foi apenas uma primeira volta.

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Utopias
Luiz Maia

Incompletude Humana

O destino de cada ser humano é a incompletude essencial.
Há dentro de todos nós uma eterna insatisfação com aquilo que temos, com tudo o que somos.
E assim o homem segue sua existência amealhando desejos que não se realizam, expectativas não satisfeitas, aspirações difíceis de serem alcançadas, fatores que o farão sentir-se frustrado.
O homem comum, na sua ânsia de "ter", geralmente esquece que o "ser" é que o conduzirá por caminhos que contribuirão para o seu crescimento moral e espiritual.
Enquanto buscamos apenas o "ter", fazemo-nos seres menores do que já somos.

Queremos saúde.
Todos nós necessitamos de muita saúde para viver.
Mas aí entendemos de querer muito mais.
Queremos um corpo saudável, aparentando menos que a idade real.
Se possível bronzeado, bem torneado, modelado, nem que para isso percamos dias e horas nas academias e clínicas de massagens.
Às vezes recorremos às cirurgias estéticas por não estarmos satisfeitos conosco.
Descobrimos, então, que só saúde apenas não basta.
Queremos dinheiro.
Todo ser humano carece de dinheiro para suprir as suas necessidades básicas diárias.
Mas aí entendemos de querer muito mais.
Queremos aquele dinheirinho que não sirva apenas para a sobrevivência, mas que dê para comprar aquela casa de praia, um belo sítio no campo, o carro esporte último modelo, as roupas de grife, que possam realçar a nossa aparência, além de termos sempre à mão passagens aéreas, visando nossas sagradas viagens de férias.
Tudo isso, claro, sem esquecer de privilegiar aquela poupança, pensando no dia de amanhã.
Descobrimos, então, que só dinheiro apenas não basta.

Queremos amar.
Sem amor é impossível sobreviver neste mundo.
Todo ser humano precisa dar e receber amor.
O mais insensível dos homens almeja ser amado um dia.
Somos todos carentes desse sentimento nobre.
Mas aí entendemos de querer muito mais.
E buscamos uma mulher que nos entenda, que nos ofereça incansáveis carinhos e sempre que quisermos faça amor conosco.
E, nos seus dias de exaustão, que ela possa igualmente fazer sexo sem amor, por ser uma forma generosa de amar também.
E queremos amar muito mais.
Já que é preciso e necessário amar a vida, amar as pessoas, a humanidade e todas as formas de vida.
Queremos, sobretudo, nos sentir plenamente amados.
Descobrimos, então, que só amar apenas não basta.

Queremos ser felizes.
O ser humano veio ao mundo para ser feliz, pois essa é a sua realização maior.
O homem que vem ao mundo e não é feliz não merecia ter vindo.
E o homem que busca ser bom, solidário e ama ao próximo passa a ser feliz.
Muitas vezes é preciso ver a felicidade estampada na face do outro para nos sentirmos felizes.
Mas aí entendemos de querer muito mais.
Então o homem tenta, desesperadamente, sentir-se feliz mergulhando na escuridão das drogas, buscando nas amizades fúteis algo que lhe dê a tão propalada felicidade plena.
Em busca da felicidade, o homem fraco começa a apostar em valores duvidosos, e já não crê que possa ser feliz.
A partir daí, a possível felicidade tende a fugir-lhe por entre os dedos.
Então o homem encontra-se envolvido num emaranhado de erros e de fartas ilusões, caminho largo para inúmeras reflexões.
Descobrimos, então, que ser só feliz apenas não basta.

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Luiz Maia

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Um pouco de cada: luz e trevas
Sara Flech Neves

Descubra-se

Receba-me em teus braços.
Pare o tempo para eu descer.
Diga-me que estou no lugar certo.
Diga-me que não irei morrer.

Trate-me com ternura.
Ame tudo que eu trouxer dentro de mim.

Escolha a palavra certa para dizer o que sou para ti:
Amante, amiga ou princesa?
Rainha seria mais digno de tua beleza!

Mostre-me teus encantos.
Desfaça o véu que encobre o meu rosto.
Destrua a armadura que trago em meu corpo.

Roube o meu tempo, penetre em meus desejos.
Conheça-me, descubra-se em mim.

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Suburbanas
Marcos Claudino

São Paulo, 16/11/2004.

Filho do Mundo

Vagas lembranças é o que tenho. Alguns flashes de um sujeito com a barba por fazer, dando uns sopapos numa moça que eu gostava muito. Acho que era minha mãe. Não sei quanto tempo isso durou. Quando me dei por mim, estava na rua, precisamente embaixo do Minhocão, na Amaral Gurgel. Confesso que foi uma infância diferente. As putas eram minhas mães. Então eu, como um bom filho da puta, tinha que sacanear pra sobreviver. Aos sete anos já era respeitado pela minha habilidade em levar carteiras de paletós bem cuidados. Olhava carros também. Comia o que minhas mães davam. Minha virgindade eu perdi com uma delas, aos 11 anos, de graça... Enfim, os amigos de boteco, quando me vêem chegando de carro do ano, sempre esperam que eu conte novamente a história, mas não tem muito o que contar.
Tava lá eu, cuidando de uns carros na General Jardim. O ponto não era meu, mas uma boa surra foi suficiente pra comprar o direito aos rendimentos. Almocei na Shirley, e voltei ao lugar. Sol escaldante, nenhum carro de marca boa. Só fuscas e chevettes, pode? Então o cara chegou. Sinistro. Olhando desconfiado pra todos os lados, se esgueirando pelas paredes. Aquele calor, e o nego de sobretudo. Nós que somos da rua já sacamos qual é a desses sujeitos... Me chamou de canto. Fui. Me ofereceu uma boa nota pra levar uma essência de perfume pra uma mina. Me deu um pacotinho branco, e pediu pra não abrir. Levei, na boa, dentro do tênis fedorento. A mina que recebeu ficou tão agradecida, que chegava a tremer as mãos. Voltei e continuei a fazer nada ao lado daqueles carrinhos velhos. No dia seguinte, outra vez o camarada sinistro. Outro pacote, desta vez maior, para um endereço mais longe. Deu até a grana da condução... Isso se repetiu por vários meses. Nunca abri o embrulhinho. Tornou-se meu amigo, me ofereceu umas putas pra comer, mas eu nem precisava disso. E eu não entendia como é que essência de perfume pode dar tanta grana. O que sei é que tornei-me empregado de confiança, sem sequer saber seu nome. Salário mensal, previdência privada, e, duvida só, pagou uns supletivos pra eu tirar diploma. Sete anos depois, eu com meus 24 anos, me formei na GV, com méritos. Hoje, o Sinistro morreu, eu já sei o que tinha nos pacotinhos, pois tornei-me sócio no negócio. Alavanquei a empresa na faculdade. Vendia muito, montei uns serviços delivery, disk-embrulho, vai na pizza, sabe. Tenho casa na praia pra ir todo final de semana, por conta dos filhinhos de deputado que eu abasteço regularmente.
Casar não casei não, tenho umas bundas aqui e ali. Não tenho do que me queixar. Volta e meia tenho aquele sonho, com o cara batendo na mina. Acordo assustado, mas esqueço logo... Sei lá, deve ser assombração trazida pelo Sinistro. Tem gente que acha que eu é que matei o cara. Logo eu, tão bem criado pelas minhas mães?

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Ombudsman
Bernardo W.K.

O novo alfaiate

Minha liberdade de expressão não passa por pessoas antes de passar pelas minhas cordas vocais.

***

“Um Vaso de Flores” é um excelente conto; ser um vaso de flores, uma excelente idéia. O fim da estória é valioso, mas não foi valorizado. É uma questão de escolha de palavras e uso de imagens: o gran finale poderia ter recebido uma roupagem lingüística mais rica. Mas isso é uma questão de prática de escrita, de exercitar e experimentar. Rafael Reinehr continua sendo o carro-chefe de outro do Simplicíssimo.

***

“Um gringo no samba” é o texto invisível desta edição, a começar pelo protagonista que jura ser um fantasma meia-bomba. O texto relata uma série de fatos não fantásticos, que são contados como se fossem, a atmosfera tenta seduzir o tempo inteiro, mas falta um sensacionalismo comercial. Os pontos mais interessantes do conto são deixados de lado, e é dada importância suprema para imagens pouco atraentes. Garcia Marquéz já avisava: contos são mais complicados que romances, é como ter a mão para cozinhar, tem um ponto exato. O texto guarda seu maior mérito no nome do autor, um nome tão bonito que fica difícil desvincula-lo da beleza da favela...

***

O poema de Claudia é uma coisinha tão miúda em tamanho e exercício que mal terminei de ler obtive a máxima que costumo buscar: esse poema é um comercial de margarina! Tentarei traduzir minha decisão antecipadamente precipitada. “O meu amor adeja por estes campos” é a cena clássica da câmera dando aquele rasante num campo de trigo todo amarelo e o sol ofuscando a lente antes de fechar, “Qual a menino à cata de pirilampos” é o segundo take, um guri (AHA!) correndo com aquela redinha de caçar bichinhos. “Igual a um colibri em busca de flor...” é aquele zoom no passarinho buscando a flor desfocada em segundo plano. O spot segue com uma alvorada ao fundo, duas mãos brancas se sobrepõem a linda luz e tudo se ilumina ao branco. A tela volta em preto noite e aos poucos o céu vai se enchendo de estrelas, a câmera desce um pouco e pega Cláudia Sleman admirando-as boquiaberta. A logo aparece no canto da tela e em off a voz de deus contempla: Estrela Infinita, Margarina Madrigal.

***

Acho que desta vez, o conto de Alessandro Garcia emperrou, a tentativa de enriquecer o texto com belas construções, tornou o texto áspero e sem fluência. Conturbados sejam os diálogos internos desse velho, que alem de covarde é medroso. A velha, em seu estado sem voz, resume-se a espectadora. O enredo não é dos melhores, e não há surpresas. O texto apesar de toda a riqueza detalhista é monótono e me doeram os ombros. Esse tipo de conto tem o rosto de alguém que escreve muito, muito bem na maioria das vezes, e algumas vezes assim, apenas bem...

***

Sinto uma tremenda vergonha pelo Lula, realmente esse pobre cidadão é desprovido de qualquer inteligência, e isso é provado no fato de que o cú-de-cana consegue dormir! Ele, sua comissão de coelhinhos da páscoa, e o seu partido estão direcionados a falência. Eduardo não precisava ter escrito nada quando diz “... sentindo que está no seu direito tirar o meu direito...”. É diarréico pensar que enquanto a gente perde os nossos direitos, Lula brinca de presidente. Só mesmo muito passeio pelo verde e ministro da cultura na mente pra agüentar esse atraso sul-americano.

***

Josiclelson que me perdoe, mas esse texto é horrível. Qual é o objetivo? Entreter alguém em especial? É uma piada interna do teu trabalho? Já sei, é uma promessa para santa coruja de Harry Porter? Sinceramente não vejo sentido em ler esse teu conto, não sei com quais qualidades você seria anunciado como escritor, nem sarcástico, nem bonito, nem poético, nem conciso... Meu deus... Você deve ser o gringo do samba.

***

É... Luiz Maia veio com o manifesto do feioso dizer a mais boba verdade: a mídia é podre. É... Sinto te informar Luiz, que a mídia não é o que você pensa, uma entidade controladora e formadora de padrões... Quem forma as coisas no mundo é a sociedade, somente ela é responsável por essa supervalorização do corpo e da beleza plástica. O povo só quer ver o que ele não tem... O triste mesmo, é o povo ser burro, e isso a televisão também não pode mudar.

***

A poeta sozinha à beira do precipício berra por liberdade. Essa é a imagem que tenho de Sara e seus poemas. Ficou impossível desvincular seus poemas da imagem da mulher sem rosto, da mulher que não é mais feminista, que já superou esse problema. Os poemas de Sara tem um poder todo especial, uma energia quase elétrica que me rói os ossos quando chove... Minhas imagens favoritas estão sempre inseridas nas poesias, perdão poemas, de Sara: o reflexo, o grito e o suor.

***

Marcos Claudino foi o poeta da edição, imaginei (desejei) George lendo (ouvindo) e chorando (de saudades)... Será que Colheum Pau pediu demissão por não gostar de certas brincadeiras reservadas a sala oval? Será que a referência ovo, do saco escrotal, tem algo a ver com a saleta presidencial americana? Certamente Comdorlisa Arroz deve esconder um trabucão preto debaixo do terninho para ter aceitado o encargo... hehehe
Lembranças!

***

Olga é mais um dos textos que narram situações cotidiotas, apáticas e similares a vida real. Com um humor muito sutil (tão sutil que enjoa), Gilson leva o leitor ao derradeiro fim da velha, o fim da edição 101.

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Gentileza prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em tamanho maior no blógue do amigo.

 


Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 


 

 

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