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01/12/2004 - Edição número
104
Flores de
plástico não morrem
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Editorial
Rafael Luiz Reinehr |
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Tico
"Essa criança tinha hérnia
abdominal... usa uma sandália havaiana azul e branca
até hoje. Só que a vez que eu engrossei com
ela para dar banho na criança... Deve ser do mesmo
pai da Angélica... eu achei eles completamente loucos...
ela sentada naquela escada... e ela puxou o guri pelo tico...
ela tu nota que ela tem um distúrbio... é
bem animal o troço.. um dia tava olhando lá
do consultório.. tinha uma cachorra que tinha dado
cria... ficaram ali num, né aí ele se assustou
e ficou do lado dela... e já tá com 5 anos...
tinha que tirar essa criança dela... depois arranca...é
brabo... um cheiro de fumaça, parece que eles dormem
do lado do fogão, do fogão a lenha... tu imagina
ela ganhando esse guri... uma vez ela veio me dar um beijo..
ela e a mãe dela..."
O que acabaram de ler aí em cima nada
mais é do que um exercício de livre ouvir
e redigir. Como funciona?
Pegue um pedaço de papel ou qualquer
outra superfície na qual possas escrever assim como
um objeto com o qual possas registrar, como caneta, lápis
& afins.
Sente-se (é mais confortável
sentado) em algum lugar que possas ouvir a conversa de alguém
que não tem a mínima idéia do que você
está fazendo ali (tente não interferir com
o que está acontecendo na cena).
Comece a registrar tudo que escutar da forma
mais rápida possível. No momento em que sua
memória esquecer do que havia sido dito ou acabar
o que você estiver conseguindo ouvir e registrar,
vá passando adiante e registre o máximo que
puder do diálogo.
Podem ser duas, três ou mais pessoas
falando (quanto mais pessoas mais difícil é
o exercício) ou até mesmo um monólogo
(encaminhe o sujeito a um psiquiatra, em não se tratando
de um ator ensaiando para uma peça de teatro).
Experimente.
Rafael Luiz Reinehr
Digníssimos Simplileitores. Uma notificação:
anunciamos nas últimas semanas que estaríamos
realizando uma Campanha de Natal para angariar brinquedos
para crianças carentes no mês de dezembro.
Infelizmente, gostaria de pedir desculpas às crianças
mas o site não mais realizará a Campanha de
Natal, por absoluta falta de tempo da Equipe de Marketing
e Desenvolvimento de Campanhas. Como nossos Simplileitores
não estão realizando compras no site da Cultura,
não há como pagar o abono de Natal para nossa
Equipe e a mesma está fazendo uns bicos extras no
Pólo Norte auxiliando o Papai Noel e os duendes a
encaixotar os presentes. Quem sabe não realizamos
uma campanha "fora de estação" logo
mais adiante???
De qualquer forma, como diz uma canção
gaudéria, aqui mesmo dos pampas gaúchos:"Não
podemos se entregá pros hôme de jeito nenhum,
amigo e companheiro; não tá morto quem luta
e quem peleia, pois essa é a marca do campeiro".
E que tal mais uma citação?
"Apenas as palavras quebram o silêncio,
todos os outros sons cessaram. Se eu estivesse silencioso,
não ouviria nada. Mas se eu me mantivesse silencioso,
os outros sons recomeçariam, aqueles a que as palavras
me tornaram surdo, ou que realmente cessaram. Mas estou
silencioso, por vezes acontece, não, nunca, nem um
segundo. Também choro sem interrupção.
É um fluxo incessante de palavras e lágrimas.
Sem pausa para reflexão. Mas falo mais baixo, cada
ano um pouco mais baixo. Talvez. Também mais lentamente,
cada ano um pouco mais lentamente. Talvez. É-me difícil
avaliar. Se assim fosse, as pausas seriam mais longas, entre
as palavras, as frases, as sílabas, as lágrimas,
confundo-as, palavras e lágrimas, as minhas palavras
são as minhas lágrimas, os meus olhos a minha
boca. E eu deveria ouvir, em cada pequena pausa, se é
o silêncio que eu digo quando digo que apenas as palavras
o quebram. Mas nada disso, não é assim que
acontece, é sempre o mesmo murmúrio, fluindo
ininterruptamente, como uma única palavra infindável
e, por isso, sem significado, porque é o fim que
confere o significado às palavras.."
Samuel Beckett, em "Textos para Nada"
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Samsas
Gabriel Mingo Silveira |
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Tendo encontrado o amarelo ao sol e o azul
ao céu, só lhe faltava o rubro para
começar o dia na tonalidade que bem entendesse. Por
isso, na esquina da XV com
a Júlio, pegou à direita, buscando a padaria
que adorava nos fundos da galeria
Oscar Niemeyer. "A arquitetura não faz por merecer
o nome", pensou. E não
fazia mesmo. Era uma destas pequenas galerias que tentam
renovar suas faixadas
quebrando todo o uniformitarismo e o balanço que
o design da metade do século
passado prezava tanto. Em passos lentamente medidos chegou
até a porta da
pequena Padaria Kafka. Este nome, que a tantos já
seria razão suficiente para
tornarem-se clientes do lugar, a ele nada importava. "Que
porra de nome é
esse?", foi o que pensou na primeira vez que viu aquela
faixada mal pintada em
estilo construtivista, coisa que também desconhecia.
Mas o que importava
realmente para o nosso herói era que ali, naquele
café, naquela manhã em que
buscava o rubro para completar-lhe a trama colorida, naquela
vertente em que
despejava sua força decorrente da madrugada silenciosamente
bem dormida, veria
a deusa que havia transformado suas duas últimas
semanas em sonhos constantes
de fervor apaixonado; haviam feito do homem cético
e frio que sempre fora, um
Dom Quixote de carteirinha e militância. No trabalho,
restava a ele passar os
dias contemplando a janela que lhe mostrava as ruas cheias
de sonhadores e
céticos, pessoas como ele é e como ele fora.
Entrou no café sentindo o piso de
lajota vermelha levemente úmido sob seus pés.
Olhou o relógio grande e de
design moderno atrás dos atendentes no balcão:
7h47, faltando, exatamente como
ele prevera, três minutos para que ela viesse buscar
seu café levemente
mentolado e sem açúcar, os três pequenos
biscoitinhos amanteigados, sem
esquecer os dois guardanapos dobrados como leques e a bala
7 belos, certamente
para tirar o sabor forte que o café deixa na boca
dos melancólicos viciados na
soturna rotina de cafeinar-se todas as manhãs. Ele
sentou-se à mesa do fundo,
escondeu-se atrás da fumaça de um cigarro
e pôs-se a fitar o relógio que ainda
encontrava-se no mesmo lugar mas que olhava-o de um modo
diferente, mais
nervoso. Colocou o açucareiro para o meio da mesa,
como se precisasse de mais
um esconderijo. Seus dedos ficaram adoçados, seu
olhar também. 7h50. Ele
hesitou em sua respiração. Da porta, um vento
cheiroso e ludibriante entrou sem
esquivar-se à beleza de Picasso e Dali que sentavam,
à altura do olho dos
mortais, nas paredes de gelo. Gelou a alma. Imagine, prezado
leitor, tamanha a
muralha de admiração que pode um homem construir,
tendo como inspiração somente
o superficial de uma mulher explicitamente linda, como a
seguir iremos
especificar, mas sem ter, ainda, conhecimento de toda a
profundidade
intelectual e moral que poderiam habitar sob os negros cabelos
que lhe brotavam
maciamente da cabeça; sem saber, ainda, do puro e
adorável coração que o busto,
engrandecido pelo grande decote, escondia roubando-lhe a
atenção. Nosso herói
quase faleceu passionalmente quando ela adentrou o ambiente
com suas longas e
fortes pernas, a meia-calça valorizando-lhe as formas,
a saia valorizando-lhe
as nádegas, o delicado cinto valorizando-lhe a mínima
cintura, tudo ali era
valorizável. Ela postou-se à frente do balcão
enquanto ele a seguia
harmonicamente com seus olhos arrogantes em desejo. Convenhamos
que a tentação
que o momento lhe rogava não era das pequenas, ao
contrário, era quase surreal.
Um momento de tal forma descrito por nosso amigo em seu
ambiente de trabalho
que, se ele dispende-se algum segundo de sua atenção
para algo que não fosse
sua Deusa, veria dois ou três novos adeptos frutos
de sua apaixonada
explanação. Ela virou-se deslizando suavemente
o sapato preto, já com seu
pedido em mãos, e tomou o caminho da porta. Ele,
literalmente um boca-aberta,
ousou levantar o traseiro da cadeira como se buscasse segui-la.
Faltava-lhe
coragem. Depois correu até a porta e fitou-a até
que ela parasse na entrada da
galeria com seu porte forte e magnífico de rainha
absoluta, olhasse para ambos
os lados e saísse carregando toda aquela carga sensual
que lhe derivava do
corpo esbelto. Olhou novamente para o relógio, 7h54.
Entrou, tomou o pequeno
copo de água que ainda o esperava sobre a mesa e
recostou-se na cadeira como se
uma ressaca nervosa o invadisse. Então levantou-se,
deixou duas ou três moedas
sobre o balcão, pensou no trabalho e no inferno que
lhe esperava naquele
escritório abafado e cheio de vermes prepotentes.
Depois saiu com passos
rápidos pela porta e foi seguido por seus colegas
até entrarem novamente,
hesitantes e medrosos, na realidade cruel.
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Hematopoético
Cláudia Sleman (Rahna) |
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Espremo versos
E rimas...
E sonhos...
Entre meus dedos hirtos
E disformes
E tudo o que brota
É este sangue espesso
Com o qual tinjo
Todas os muros
Que me cercam...
Todos os rostos
Que me fitam...
Todo o dia
Que me envolve...
Todas as flores
Pelo chão...
Tudo se torna rubro, então:
Os versos...
As rimas...
Os sonhos...
(- E este ar quase irrespirável...)
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Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia |
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Elipses
Nesta semana que passou li dois romances
que, coincidentemente, têm na narrativa circular o
ponto em comum. São duas obras em que os narradores
apostam nos fatos que lhe vêm a memória, ainda
que não com absoluta precisão, como é
comum nas lembranças que afloram em detalhes desordenados
e acabam resultando na criação de um tela
de cenas do passado não passível de total
confiança. Por isso as narrativas se tornam circulares,
elípticas. Sem qualquer pudor em contar as memórias
de um passado não muito claro, os narradores acabam
retornando muitas vezes à narrativa de um mesmo fato
para tentar jogar mais luz sobre ele. Este é, aliás,
o exercício ao qual os narradores se propõem:
voltar sua memória quantas vezes forem necessárias
às lembranças não-precisas a fim de
extrair o máximo possível de detalhes destituído
de emoções, de vislumbres irregulares que
as primeiras análises lhes tinham oferecidos. Assim
funciona em “Dois Irmãos”, de Miltom
Hatoum, bem como em “Música Anterior”,
de Michel Laub.
Em “Dois Irmãos”, Hatoum nos apresenta
os dramas já tradicionais da casa que se desfaz.
Da mesma maneira que Machado de Assis em “Esaú
e Jacó” – que, aliás, Milton Hatoum
em oficina ministrada em Parati a qual fui seu aluno, confessou
ter utilizado-o como “romance base” –,
o autor centra seu drama na história de dois irmãos
gêmeos, Yaqub e Omar, descendentes de imigrantes libaneses,
desde a infância irreconciliáveis, cujo ódio
aumenta conforme os irmãos crescem em idade e se
distanciam em ideais. Conforme o narrador faz uso de sua
memória para contar as relações dos
dois com a mãe, o pai e a irmã, novas luzes
vão sendo lançadas sobre a narrativa, descobrindo-se
lances que, ou não foram analisados em profundidade
primeiramente, ou se mostravam modificados pelo viés
emocional com que vinham carregados – ou por descrição
de terceiros ou por uma observação comprometida
do próprio narrador.
O romance cobre um período que vai da década
de 20 até os anos 60, em uma Manaus que vai se modernizando,
progredindo social e tecnologicamente, ao passo em que a
família vai se desintegrando, caminhando vagarosa
e indelevelmente para uma decadência moral que não
encontra caminho de retorno, tal qual é impossível
estancar o progresso que toma conta da cidade amazonense.
Tal jogo de contradições se mostra uma boa
maneira de contar o drama que toma conta das vidas dos gêmeos,
mais Rânia, sua irmã, e os pais, Halim e Zana.
O narrador, muito próximo a família, narra
todo o drama familiar buscando, na realidade, a identidade
de seu pai entre os homens da casa. Por isso a sua narrativa
em verdade se mostra como uma busca, um exercício
de reconstituição do passado que não
será possível sem uma observação
criteriosa e de julgamento daquela família cujas
características parecem sob encomenda para uma vida
repleta de percalços no sofrimento e na angústia.
Assim, o narrador nos apresenta sem hesitar, ainda que os
personagens existam para nós sob o viés comprometido
do seu olhar amargurado, os protagonistas de tal drama familiar:
Halim, um pai omisso desde o princípio, apaixonado
pela mulher Zana, de quem não queria filhos para
viver em plenitude uma paixão que o atormenta e lhe
faz odiar o filho Omar, o gêmeo mimado doentiamente
pela mãe e entregue somente aos folguedos, a uma
vida desmesurada de prazer e irresponsabilidades, e que
se mostra cada vez mais capaz de atrocidades e crises ilimitadas
de ciúmes e egoísmo para com o irmão
Yaqub, introvertido e passivo, relegado pela mãe
por não ter nascido tão “fraco e necessitado
de tantos cuidados” quanto seu irmão, mas que
se mostra o único a alçar vôos tão
altos quanto o progresso que se instala em Manaus, mas que,
para Yaqub mostra o caminho ao se ver livre da família
e rumar para São Paulo, tentando se livrar das amarras
de ódio que o prendem a Omar. Tentando atar estes
nós, fingindo não ver o quanto são
irreconciliáveis, está a filha caçula,
Rânia, cuja relação amorosa com os irmãos
se apresenta em um crescendo de estranheza que nos aponta
o incesto, antes da total reclusão e negação
a quaisquer pretendentes, vendo somente os irmãos,
juntos, como partes separadas de um “homem ideal”.
Desta maneira, Rânia se equipara a personagem Flora
Batista de “Esaú e Jacó”. No entanto
aqui, Rânia não é o objeto de disputa
amorosa dos dois irmãos, como Flora é no livro
de Machado. É só que, da mesma maneira que
Flora, Rânia por vezes parece delirar que os gêmeos
se fundam em uma única pessoa, como se um sem o outro
não faça sentido.
A outra personagem é Domingas, a empregada da casa,
menina índia que não pôde fazer escolhas
e cresce naquele cenário agregando-se a família,
sem outro destino que não envolver-se por eles.
Quando o romance de Hatoum se faz tão cheio de dramas,
de desavenças, de carnalidade, tal qual o narrador
nos demonstra, é no não-dito que parece repousar
a verdade, as razões que fizeram a família
caminhar para tal degradação; é no
não-dito que se apega o narrador a fim de centrar-se
na casa, uma vez tão corroído por dúvida
e por amargura, para encontrar-se ele mesmo, confiando somente
em sua memória para buscar a verdade onde ela não
parece querer ser encontrada.
Da mesma maneira que o romance de Hatoum, “Música
Anterior”, de Michel Laub se concentra mais sobre
o não-dito, sobre aquilo o que as lacunas insinuam
para contar a sua história. Da mesma forma, o narrador
tem consciência da falibilidade da memória,
por isso são muitas as voltas, são recorrentes
os regressos às cenas que a memória alude
com certa dificuldade e as quais é preciso debruçar-se
para conseguir algum resultado favorável. Assim,
o romance de Laub é todo com um exercício
narrativo em que não se tem uma história linear
pronta, infalível; desconfia-se do que é dito
uma primeira vez, olha-se com atenção uma
segunda retomada do narrador, repara-se nas vírgulas,
nos tempos verbais hesitantes, nos titubeios. Tudo faz parte
do jogo não apresentado, na dificuldade do narrador-protagonista
em contar sobre a descoberta da sua esterilidade, do fim
de planos tão certos deste narrador que é
juiz, junto com a mulher, uma advogada, dos dois que imaginavam
um futuro que se mostrava tão seguro, tão
concreto. Talvez tanto quanto o do irmão mais moço,
um endocrinologista, casado com uma mulher baixinha (secretamente
chamada pelo juiz-narrador de Dona Pequeninha), com um sobrinho
que, se pelo gosto do pai também deveria se tornar
médico escolhe tornar-se odontologista.
A história de Laub é elíptica. Vai
e vem para nos contar da infância, do irmão
que nasce quando a mãe morre, do levar o irmão
ao puteiro, da curiosidade com o que aconteceu lá.
E é clara para nos contar que o juiz condenou o personagem
Luciano – que passou a infância sendo assombrado
por um homem a quem chama O Louro – por estupro de
uma criança em uma festa de aniversário, e
demora, mas nos conta, da escassez de provas comprobatórias,
da dúvida, de uma infância perturbada de Luciano,
de problemas pessoais que podem ter comprometido o veredicto
do juiz.
Na trama de Laub, silêncios, brechas e acelerações
são vitais para criar camadas adicionais à
leitura – que não querem nos confundir, no
entanto, pois o narrador nos faz cúmplices na sua
dificuldade de organizar as memórias, em dar significado
à elas. O que somos é acompanhantes de seus
volteios, de sua busca de importância nos silêncios
e nos instantes – que pareciam – menos importantes.
Por isso as vírgulas em demasia, os detalhes das
dificuldades para chegar a juiz na capital, depois de passar
por muitas cidades do interior. Aquilo o que parece menos
necessário vem em uma fôlego só: “Saí
e passei novamente na recepção. Tinha deixado
a carteira de identidade para que a recepcionista preenchesse
uma ficha e ganhasse tempo. Meu plano de saúde cobre
exames, todo mês eu pago o carnê, antes eu ia
até o banco e fazia isso, agora uso o computador,
imprimo o recibo em casa, junto-o a uma pasta onde guardo
documentos importantes”. É preciso falar a
respeito, mas não estender-se em demasia sobre estes
detalhes. Quem sabe eles acabam revelando os passos que
acabaram conduzindo o protagonista até a comarca
da capital? De criança que não tinha mais
o pai para contar a história, que começou
a alterar os finais conforme lhe parecia mais conveniente,
talvez para chegar à figura do homem que julga –
na obra de Laub são todos movimentos que psicologicamente
influenciam na formação do narrador, dando-lhe
a vida hesitante, não-pronta, trazendo-o a um mundo
muito humano nos seus relacionamentos e frustrações.
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A linha
Péricles Raimundo, estudioso e detalhista como só
vendo, não pôde deixar de realizar mais uma
minuciosa pesquisa antes de ir, pela enésima vez,
a um psiquiatra. Suas tentativas anteriores não o
haviam frustrado, pelo contrário, reforçavam
sua certeza de quão difícil de ser compreendido
ele era, o que tomava como seu troféu particular.
A indicação desta vez foi de um amigo da
campanha. Aquele com quem brincara enredado nos novelos
vivos de lá durante muito tempo de sua infância,
juventude e ... opa ... nos dias de hoje também.
Sabe como são as paixões antigas, vem e vão,
vão e vem.
Abotoou sua camisa branca de colarinho impecavelmente engomado,
bateu três vezes na madeira do móvel da cozinha
(tinha que ser lá) com o indicador direito (tinha
que ser com esse) e partiu em direção ao consultório,
desviando as frestas desenhadas naturalmente na calçada
pela conformação das pedras.
Na sala de espera, tocou a campainha e estendeu seu lenço
branco na poltrona antes de sentar-se. “Nunca se sabe
quem sentou aqui antes”, pensou. Não demorou
muito para um homem abrir a porta. Estranhou a bombacha
e a alpargata. Realmente nada convencional. Estava aí
algo de novo, pensou.
Ao lado do divã coberto por um pelego maleado, a
térmica, cuia e bomba denunciavam o chimarrão.
Detestava essas coisas que passam de mão em mão.
Impossível não ter o pensamento remetido ao
folclórico Analista de Bagé, dos contos de
Luís Fernando Veríssimo. “Seria o próprio?”
_ Já vi que tu gosta de um mate. (diz o doutor na
tentativa de quebrar o gelo, batendo-lhe forte às
costas). Pois fica à vontade e te abanca!
Nem precisava dizer. O tapa nas costas fora tão forte
e o pegou de forma tão desprevenida que subitamente
viu-se confortado pelos carrapatos do pelego malhado.
_ Mas e daí, desembucha!
Ainda meio tonto, resolveu ir direto ao assunto:
_ Qual a sua linha doutor?
_ Mas que linha vivente, eu lá tenho cara de vovó
tricoteira?
_ Não doutor, a linha, como se comunica ...
_ Ah sim, linha telefônica. Tenho celular também,
mas é só pra nêga veia e pros guri lá
de casa.
_ Não doutor, linha, entende? Preciso saber da sua
opção.
_ Não me venha com frescuras, sou é macho.
E se não gostou, a porteira de saída é
a mesma da entrada.
_ Eu me refiro à sua corrente, é importante
para eu ver se vou me ajustar.
_ Putz, mais um fresco sadomazoquista! Olha aqui ô
cidadão, (disse o doutor apontando para um dos cantos
da sala) aquele relho é enfeite, mas não te
empolga que ele ta loco pra ser inaugurado.
_ O que quero saber é se você segue Freud,
Young, Lacan, Winicot, Bion ...
(interrompeu-lhe abruptamente o doutor)
_ Pêra lá! E eu lá sou de seguir homem
por aí? (batendo as esporas de brabo)
_ Ah, então você prefere a Melanie!
_ Hmmm, buenas isso depende. (recostando-se novamente na
poltrona finamente decorada com uma sela). Como é
essa prenda?
_ Não doutor você não está me
entendendo. Minha dúvida é sobre sua linha,
sua posição ...
_ Nunca fui muito do futebol. Mas no GFC (essa era a abreviação
de Guasca Futebol Clube, ainda na época da peleia
com bucho de boi) ia pela linha lateral até a linha
de fundo. Mas também fazíamos a linha de impedimento
...
_ Vou tentar de outra forma: você é ortodoxo?
_ Católico apostólico romano. Praticante.
Todo domingo tô lá no padre Alfredo. Duas óstias
por missa pra garantir a benção.
_ Não é a esta linha que me refiro ... Você
é biológico ou psicológico?
Era a gota d’água. Sem mais compostura, o doutor
perdeu definitivamente a linha (ainda não sabemos
qual), arremessando Péricles porta afora, acompanhado
de tantos impropérios quanto seu vocabulário
alcançava.
E voltando ao consultório, vestiu o lenço
chimango no pescoço e colocou seu chapéu de
couro legítimo enquanto servia aquele mate ardente
falando consigo mesmo:
_ Cada maluco que aparece. Não sei como o patrão
agüenta. Ainda bem que amanhã ele já
tá de volta ...
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I-racional
Pedro Armando Furtado Volkmann |
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De Ré Na Contra-Mão
Violentos Haikais 23/23
Mendigos usavam
armas de brinquedo
que medo.
Faroeste 10/10
Mil vezes 10
és como és
alguém como você
Josiclelson
Pessoal, o Josiclelson vai nascer dentro de poucas semanas.
Assim, quando tiver mais notícias dele, voltarei ao
meu habitual espaço no Simplicíssimo.
Muito obrigado simplileitores, ficarei com muitas saudades
de vocês e de seus comentários.
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Nostalgia
As pessoas, quando se sentem nostálgicas,
estão expressando gratidão a um instante divino,
a um momento findo de um tempo que passou.
Alguém certamente já sentiu saudade do primeiro
amor, da adolescência, de uma música romântica
que acalentou o coração, das brincadeiras
do tempo de criança.
Enfim, saudade de um tempo que deixou eternas e boas recordações.
Ser nostálgico é ser reverente à vida.
E ser agradecido a Deus por sua existência;
é ser contemplativo a uma época importante
em sua vida.
Momentos que ficaram marcados no passado daquele que não
nega seu valor e significado na própria
condução de seu destino.
Nostalgia é instante maior na alma do poeta que
sonha transformar
o futuro no passado ameno por ele vivido.
É quimera de quem sonha em viver o amanhã
como se fora seus anos áureos, já longe adormecidos.
A nostalgia consegue trazer à mente até os
momentos sofridos de pura dor e solidão
sentidos por alguém num remoto passado.
Quando há nostalgia para valer,
todos dariam a vida para retomarem aquela conversa interrompida,
aquele namoro fogoso, aquele beijo lembrado, aqueles dias
em que tudo era festa e até a dor sentida
tinha, no carinho da mulher amada ou do companheiro querido,
a recompensa esperada.
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Um
pouco de cada: luz e trevas
Sara Flech Neves |
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Como saberia?
Ouvindo o saudoso poeta Raul Seixas cantar
a música “How could I know?” ocorreu-me
o seguinte: como saberíamos de tantas coisas se não
fossem os mestres e os poetas?
Como teríamos vontade de aprender se não houvessem
descoberto tanto?
Como saberíamos que caminho seguir se não
houvessem desbravado essa trilha antes?
Nos caminhos que seguimos sempre haverá exemplos
de pessoas que o trilharam antes de nós, pioneiros
e aperfeiçoadores, estudiosos e curiosos, enfim,
centenas de seres interessados pelo mesmo assunto.
Nós constituiremos modelos úteis, ainda que
não completamente brilhantes, mas exemplos de coragem
ou de fracasso.
Por quê mencionar coragem? Porque é preciso
vestir a armadura da coragem para encarar o desconhecido,
o caminho escolhido, mesmo que ele seja conhecido de uma
grande parcela da humanidade, para nós sempre será
novo. Novo por não sabermos inteiramente o que ele
nos proporcionará de fato. Podemos escolhê-lo
e depois não entendê-lo, não nos sentirmos
capazes de continuar, por fim abandoná-lo. O medo
do fracasso nos faz abandonar os sonhos antes mesmo de completarmos
o caminho, então desistimos. Se soubéssemos
do final antes do meio escolheríamos o caminho certo
sempre? Não seria justo com os que tentaram primeiro,
não seríamos capazes de escolher porque sempre
verificaríamos todas as possibilidades antes de nos
dedicarmos à alguma de fato pois teríamos
o poder de enxergar o desfecho.
Então concluo: o que não nos é permitido
saber antes de tentar, persistir e lutar, não nos
será mostrado, pois tudo aquilo que nos atrai e fascina,
todo o conhecimento que buscamos ter, teremos de ser dignos
dele, tanto quanto foram todos os outros antes de nós.
Como saberia? Não sei, apenas continuo buscando.
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Musicalidade
de Povinilpirrolidona
Roberto Yukio Iwai |
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A questão é que nunca gostei
de Engenheiros do Hawaii, e assim, seria
idiota, incoerente e indie falar que agora gosto, e sempre
venerei. Calma lá.
Assim como nunca gostei muito (como fã
inveterado que todos são) de Elis Regina, Raul Seixas,
ou Legião Urbana. Essas instituições
nacionais que me dão coceira.
O Engenheiros era (ou é, não
sei bem meu tempo e espaço) a instituição
do ruim: todo crítico mala tem de escrever um texto
falando mal da banda do senhor Gessinger. E todo crítico
mala à décima potência tem de falar
mal do crítico que fala mal do Engenheiros do Hawaii.
E qual é a moral nisso tudo? Não
sei. Mas eu sei do seguinte: desde que li uma entrevista
que Humberto Gessinger concedeu à Revista Zero, de
repente não existia mais gente chata falando mal,
fãs xiitas babando ovo, comentários de que
a banda era um Rush ruim: havia simplesmente um homem, vivido,
falando sobre sua vida, sua música.
Ou seja, tudo que aprendemos de sensato ou
cabecista ou idiota é aplicado à vida e seus
apêndices. E é isso que eu vi dele, respostas
sensatas a perguntas idiotas.
Respostas despidas de egocentrismos, ou propaganda
de disco, ou panfletagem de que somos felizes e tudo mais.
Nada. Tudo despido, como se estivesse conversando com um
moleque estranho na rua, ou chupando picolé na esquina
da Avenida Paulista olhando os carros passarem.
Depois disso, compreendi as letras e o que
a banda se tratava. Em tempo, esqueci definitivamente o
que havia aprendido sobre o Engenheiros na minha vida que
terceiros haviam me dito, e vi que Gessinger não
é chato, ele é humano. um humano um pouco
mais coerente e aprofundado que os outros, ainda que de
forma simples.
Ora, ler as letras que antes eu achava sacais
demais, em base no conhecer da pessoa que as escreveu, é
muito mais coerente do que querer posar de intelectual aos
quinze anos de idade. O de dar tempo ao tempo: eu gostei
mais de Nenhum de Nós antes do que Engenheiros, e
sou feliz por isso.
Tudo isso para dizer: "shhhh mãe,
eu estou ouvindo Engenheiros!..."
Eu nunca tive um cd do Engenheiros do Hawaii
na minha vida. Um comentário simples, sem presunção
ou orgulho. Mas eu assisto e vejo tudo que passa pela banda.
Por muito tempo, eu gostei muito mais das declarações
de Humberto Gessinger do que da banda.
Em letra, eu achava chato. Em música,
eu achava chato. Em tralalá, eu achava chato. E antes
que me digam que fui nessa onda de "fez acústico,
todo mundo gosta", espere lá... na época
em que eu não gostava de Engenheiros não significava
que não ouvia o que eles faziam.
Vá lá, até gostava de
"Números", "Eu Que Não Amo
Você", aquela da parabólica... achava
lindo demais que Gessinger tinha Os Incríveis como
uma banda preferida (assim como eu).
Ouvindo todo o histórico dos Engenheiros
até aqui, ignorando termos técnicos, e só
filtrando o que meus ouvidos sentem, vejo que em formato
acústico MTV (e explicito o MTV, já que a
banda já gravou discos acústicos antes), os
clássicos ficaram mais palatáveis para ouvidos
chatos.
Meus ouvidos chatos. Não suportava
os seis minutos daquela música que todo insuportável
cabeçal idolatrava como a letra da vida, e achava
"O Papa É Pop" o sacrilégio sonoro,
onde os instrumentos usados na gravação deveriam
ser queimados e nunca mais usados.
Mas agora, os versos dessa canção
fazem mais sentido, são mais absorvidos. Os Engenheiros,
independente do que a crítica falar, não se
vendeu ao fazer o acústico. Eles lançam discos
ao vivo periodicamente, e não estão sumidos
da mídia. Tem os seus fãs fiéis, que
sempre vão estar tentando catequizar seu priminho
mais novo, e por isso, a banda nunca morrerá de fome.
Uma das coisas mais difíceis de ser
no meio pop, é parecer pop, mas com um aprofundamento
e sentimento de minoria certa que irrita a maioria do meio
musical. Com o acústico, os Engenheiros do Hawaii
conseguiram parte disso.
O vocal da filha de Gessinger em "Pose"
é agradável, muito mais do que o moleque sem
voz de D2, que tem crítica babando ovos com seu acústico
miúdo. "Armas Químicas e Poemas"
é uma bela canção inédita, muito
mais do que "O Girassol" que, mesmo eu sendo grande
fã de Ira!, não aturo. Gravar "Era Um
Garoto..." novamente, sendo que a mesma acabou de ser
lançada em uma coletânea de bregas pelo Ratinho,
é muito bom. Exercício de personalidade: fã
que nunca vai parar de ser fã, não importa
o que.
E assim no final desse texto, entendo os fãs
dessa bendita banda que é o Engenheiros do Hawaii,
compreendo a estética, compreendo porque os críticos
falam tão mal da banda... acho que, no fundo, todas
as bandas pop desejavam ser como o Engenheiros, na teoria
prática: banda que grava como quer, o que quer, por
uma gravadora que distribui seus trabalhos decentemente,
para fãs legais para com a banda, que dificilmente
vai ver o fim da linha tão cedo.
O Acústico MTV é agradável,
com convidados antigos, que tem algo a ver com a banda,
com uma orquestra que faz papel de coadjuvante, e não
de toda estrutura pomposa que está sendo adotada
pela MTV, e com as canções praticamente peladas.
Sendo isso, entendido, sim, eu ouço
agora Engenheiros. Com todos os pontos cumpridos. Não
sou aquele fã ferrenho, e nem aquele intelectuóide
- que até compreende a banda, mas que iniciou a falar
que o faz bem antes de o fazer.
E por isso, espero que todos ouçam
esse disco simpático. E dêem valor às
coisas, quando estas merecem, independente de suas profundidades
mesquinhas e ranhetas.
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Suburbanas
Marcos Claudino |
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Dezoito toques
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Não, não vou atender... Pode ser que seja
ela de novo, me pedindo pra voltar...
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Se ela pensa que desta vez eu vou voltar
atrás, está muito enganada...
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Sempre a mesma coisa... Me despreza, me maltrata,
depois que eu largo, vem me procurar...
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Nas primeiras vezes, ela ainda vinha aqui
em casa, olhava nos meus olhos, me pedia perdão pessoalmente...
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Depois, nem isso... Bastavam os telefonemas,
e eu perdoava... Não, isso acabou, isso tem que acabar...
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiimmmmmmmmmmmmm...!
Sei muito bem viver sozinho... Não
nasci grudado a ela. Eu vivia muito bem antes, quando não
conhecia seus beijos, seu olhar de desejo, suas costas suando,
sua respiração ofegante, seus cabelos no meu
peito... Ai, que puta saudade!!!
Trrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiimmmmmmmmmmmmm...!
- Alô!!! Oi mãe... Não, tudo bem...
Pensei que fosse outra pessoa... Tudo bem, na correria de
sempre... E o papai, melhorou? Manda um beijo pra ele...
Tchau!!
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Que coisa!
Até agora, nada de texto do Senhro
Ombudsman...
Parece que está nas Bahamas, mas só
ele mesmo poderá dizer...
Falta número 1!
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Gentileza
prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto
Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de
mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em
tamanho maior no blógue do amigo.
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Selo
comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em
2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot,
baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The
Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo!
É só pegar!)
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