Simplicíssimo
Jornal Virtual de periodicidade aleatoriamente esclarecida e iluminada


melhor visualizado
em 800 x 600 pixels

 
Editorial
Rafael Luiz Reinehr

A Velocidade do Pensamento

Nada temo, não fujo das idéias
Que voam e invadem
Minha mente cansada

Não corro para longe
Pois não adianta fugir
De algo que vai sempre me alcançar:
meu pensamento

As dúvidas das quais fugia
Já não me preocupam
São elas que me inspiram
Me respondem o que quero saber

Da escuridão surge a luz
De um lampejo, o brilho enfim
Um sorriso e a resposta
Ao medo que já não existe

Às vezes encontro estas poesias que escrevia durante a adolescência e tento relembrar o que estava a acontecer em minha vida pessoal.

É sempre um bom exercício de memória.

No caso acima, se estou bem lembrado, o gatilho para sua confecção foi a perda de um amor e, em seguida, o surgimento de um novo amor.

Mas, poderia sim - e por que não? - ser somente um ensaio filosófico acerca da realtividade de todas as coisas, o pensamento como o mais rápido dos sentidos humanos concebíveis etecétera e tal.

Mas e o fim de ano chegando e você aí parado? Vamos logo ler os outros textos desta edição de número 105 do Simplicíssimo para depois tratar de fazer logo a lista de presentes natalinos! Vamos! Xispa!

Rafael Luiz Reinehr

E que tal mais uma citação?

"Sejam quais forem os sentimentos e os interesses humanos, o intelecto é, também ele, uma força. Esta não consegue prevalecer imediatamente, mas por fim os seus efeitos revelam-se ainda mais peremptórios. A verdade que mais fere acaba sempre por ser notada e por se impor, assim que os interesses que lesa e as emoções que suscita tenham esgotado a sua virulência."
Sigmund Freud

Línques relacionados:
Escrever Por Escrever
 

Comente este texto - 013 leitores comentaram.

subir


Um Presente
Juliana Robin

O Presente é tudo aquilo que o passado ainda não me tomou. É tudo aquilo que a saudosa ave do passado ainda não colocou suas garras afiadas e levou à gaveta onde está escrito "passado" - em letras caligrafadas. O presente ainda não foi para a gaveta.

E a gaveta do passado.é saudosa, tem um carinho nostálgico pelo que guarda e aceita a lembrança que eu quero lembrar. O que eu não quero lembrar?Fica guardado numa daquelas gavetas bem do alto. onde não se alcança direito.ou enfiada entre buraquinhos escondidos da estante.

No instante, imperceptível, em que o agora vira passado, ele tem um cheiro diferente. Um gosto diferente. Mesmo os sofrimentos (os que gostei de sofrer) têm esse gosto doce de passado.gosto de bolinho de vó. E o cheiro? Têm cheiro de incenso em dia chuvoso, às vezes têm cheiro de cigarro no outro dia, de fumaça no cabelo. O presente é tudo aquilo que ainda não tem cheiro, nem gosto de passado. O presente, não sei se tem gosto, não sei se tem cheiro.

O presente ainda é vago.e é bom! Mas não tem, não tem aquela nostalgia comovente, aquela saudade conformada, aquela beleza.quase melancólica do passado. Não vem à minha cabeça como frases de um diário antigo. O presente, está no jornal.e o passado, o passado só poderia estar no livro.

Comente este texto - 01 leitores comentaram.

 

R$2,50
Raquel Rodrigues

Eu sei
O que disse, o que não disse
As mentiras que contei, só eu sei

Eu sei dessa dor que me rasga,
Me transforma em trapos,
Me deixa em pedaços

Eu conheço todos os teus passos,
Ainda caio nos teus laços,
Mas não te pertenço mais

Privada entupida,
Alma perdida,
Te entreguei meu sangue,
Vendi teus jornais.

Só peço de volta meu tempo,
Meu temperamento, e acima de tudo,
Os meus sabiás.

Comente este texto - 03 leitores comentaram.

subir

 

Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

Subúrbio

Se você não mora por aqui, pode se incomodar com as dezenas de cachorros que perambulam por toda a volta. Eles são de todos os tipos possíveis, todas as raças inclassificáveis, todas as combinações improváveis, em todas as cores e tamanhos e aspectos; tomam conta do lugar, caminhando a esmo, em suas matilhas gigantescas e podem, por vezes, tornar tudo tão desagradável.

No entanto, se você já é morador destas bandas, se conhece o lugar como eu conheço, deve ter se acostumado com a multidão canina a lutar de maneira selvagem, disputando desesperadamente uma carniça ou um pedaço de carne encontrado num destes latões de lixo enormes que têm por aqui, em todas as esquinas, onde as famílias de negros colocam seus lixos domésticos, esvaziam sua cota semanal de papel higiênico, cascas de frutas, sapatos velhos e toda sorte de quinquilharias – eles são semelhantes àqueles latões grandes que vemos em filmes passados nos bairros norte-americanos do Bronx e do Brooklin, que mostram com exagerada freqüência improváveis negros maltrapilhos em torno do fogo entoando canções de blues ou protagonizando perfeitas performances vocais gospel como se fossem felizes e como se aquilo lhes preenchesse realmente a alma.

Em criança, víamos esta multidão de cachorros caminhando atrás de uma cadela no cio. Como que hipnotizados por aquele odor que emanava de suas entranhas, sinalizando-lhes sua condição de animal pronto para a cópula, formavam uma aglomeração gigantesca a perseguir a pobre fêmea. No entanto, embora fossem quadras e quadras a persegui-la, poucos se encorajavam a uma investida sexual por cima dela. Quando um dos pequenos tentava, era repelido pela cadela em seu comportamento extremamente seletivo. E eram aquelas correrias de cachorros pelas ruas de areia seca como são sempre as ruas daqui. Somente quando se aproximava o maior cão, o mais decidido, aquele que se atrevia a cheirar convenientemente o ânus da excitada cadelinha antes do bote final, é que a fêmea se deixava penetrar. E era um coito muito rápido, o cachorro desferia algumas estocadas e pretendia seguir o seu rumo, satisfeito. A cachorra não saciada retinha-lhe, no entanto, ansiando por sua parcela de prazer não proporcionado. Depois, aquelas cenas nojentas, os dois cães presos pelas traseiras, a cachorra não querendo soltar o macho enquanto ele não a satisfizesse como uma boa cachorra no cio merecia.

Incrivelmente, em nossa perversidade infantil, nos púnhamos a apedrejá-los, querendo que acabassem com aquele atrelamento que nos punha cheio de asco. Não adiantava, não corriam em disparada em sentidos contrários como esperávamos. Protagonizavam aquelas cenas medonhas, como carros rebocados. Os cães só se soltavam quando as mães, cansadas de ver seus filhos presenciarem aquela putaria os espantava com uma mangueirada d’água. E o casal era posto para correr. E a cadela, insatisfeita, seguia o seu rumo. E não, ninguém via a nossa boa ação. Nossa boa vontade em desatrelar os rabos daqueles cachorros nojentos, poluindo a visão da criançada em suas sacanagens pelas ruas. Tentando impor um pouco de respeito naquele subúrbio. Para eles, éramos somente uns crioulinhos perversos dados a maldades. Ainda que nós desde sempre fôssemos maioria por aqui. Aqueles brancos é que faziam de conta que não era assim. Diziam que nós perturbávamos a paz das ruas, que causávamos confusão, que éramos barulhentos demais. E que complicávamos suas vidas. Eles que queriam continuar suas vidas azedas enfiados dentro de suas casas, com medo de sair às ruas à noite, enquanto nós seríamos os donos da rua. A rua que sempre foi nossa.

Nós não tínhamos opções como eles, não tínhamos a televisão em cores de maior tamanho, o brinquedo que era lançamento, o lanche no final da tarde, a professora particular a dirimir as dúvidas que a escola pública plantava. A nós, eternamente, o resto. A coisa arranjada, mal-ajambrada que nos cabia sempre. Nossa liberdade absoluta em compor as coisas a nosso favor, no entanto. Nosso cenário absolutamente formulado a nosso bel-prazer. Nosso destino apresentado nas poucas diversões que nos sobravam, nos facilmente contáveis e pouco atrativos caminhos que nos restavam. Por isso à noite eram sempre os postes em frente às escolas, sempre “os crioulos” – como eles gostavam de encher a boca para falar – metidos em suas jaquetas e bonés de times de basquete, botando banca de tal, despertando os olhares das pretinhas nas escolas noturnas. E sempre a conseqüência inevitável, os números constantes nas pesquisas demográficas, as contagens populacionais aumentando estrondorosamente a cada ano, chamando a atenção para os filhos que não param de nascer nas zonas mais pobres.

O que para alguns é burrice, falta de ambição destes “crioulos burros que tem mais é que quebrar a cabeça e se embuchar até explodir”, para nós sempre foi o caminho natural das coisas. O curto trecho entre as pretinhas seduzidas, os beijos e agarramentos em frente ao portão que já não nos são suficientes, o sexo sem maiores preocupações, os rebentos inevitáveis e um emprego subalterno – a casa que vai continuar no subúrbio, a família que vai se formar no subúrbio, os cães que continuaremos a enxotar no subúrbio, os dias que nos devorarão no subúrbio.

Houve um tempo em que os negros usavam cabelo black power. Armavam a coisa com um pente que era chamado de garfo, pois fazia tornar o penteado o mais simétrico possível, em sua perfeita esfericidade. E isto acontecia aos puxões, trazendo o cabelo que se formava em maçarocas para o que seriam as “paredes”, os limites da esfera: era para o ar que o cabelo era repuxado, tornando o poder negro simbolizado por uma esfera capilar que os enchia de orgulho por sua plenitude e perfeita organização digna dos mais avançados estudos geométrico-espacial. Tal penteado era freqüentemente adornado por longas costeletas que se abriam até debaixo das orelhas, quase tocando as pontas do inevitável bigode – outro freqüente recurso que contribuía para uma imagem pré-concebida, uma noção mais ou menos igual que todos tinham de si próprio, portando-se, esteticamente, como esperavam que um negro se portasse.

Antigamente, todos os negros tinham uma idéia mais ou menos concebida de até onde deveriam chegar. Era quase sempre até onde os brancos nos permitiam.

Hoje, dizem que nós já não conhecemos mais o nosso lugar.

Línques relacionados:
Suburbana
 

subir


Parafernália
Ibbas Filho

Eric Fróid

No início tudo parecia mais uma tese de um jovem talentoso recém-formado e então desacreditado e semi-desempregado. Mas Eric Fróid tinha idéias fervilhando pelas suas vastas ramas neuronais. Também não era de dar muita atenção às desmotivadoras opiniões alheias, o que talvez explicasse sua persistência. E foi assim que chegou até sua mais admirado projeto: o alimento em cápsulas. Consistente, vitaminado, saudavelmente balanceado nas fibras, proteínas e tudo mais, demorou muito pouco para ser comprado pelas grandes multinacionais do ramo alimentício e então fabricados em grande escala. Não havia hipermercado ou quitanda que não tivesse trocado suas prateleiras atrolhadas pelas pílulas saborosas de Eric Fróid, muito embora os rótulos não contivesse seu nome. A onda consumista resolvia o problema do mundo capitalista e criava tempo aos para os mais apressados incorporarem novas tarefas em suas vidas. Aos poucos os pratos foram ficando supérfluos e desaparecendo das mesas dos mais variados restaurantes, o que gerou algum desconforto na indústria de máquinas de lavar louça. Já as serviçais tiveram suas funções ajustadas e passaram a trabalhar até mais, como sempre acontece nesses casos.

Mas sem dúvida alguma o problema maior foi com a indústria de medicamentos. Havia quem entrasse na farmácia achando que era o mercado e vice-versa e os gordinhos, os compulsivos e mesmo os desatentos passaram a apresentar sinais de intoxicação medicamentosas quando trocavam os tabletes da cozinha pelos da farmacinha. Os pediatras não cansavam de dar conselhos aos pais e ficavam de cabelo em pé com os casos que atendiam com freqüência. Boche® e Rayer® moveram ações contra o alimento encapsulado, mas os juízes estavam a tal ponto seduzidos pela novidade que indeferiam de imediato qualquer referência contrária ao produto. “A se os processos também fossem em pílulas”, pensavam enquanto folhavam laudas amareladas pelo tempo em que o processo estava tramitando sem definições, entre uma pílula alimentícia e outra que traziam sempre em seus bolsos.

E assim como as empresas de antivírus fazem hoje com esses espertinhos que criam problemas em nossos computadores, Boche® e Rayer® contrataram ninguém menos do que Eric Fróid para resolver o impasse. Não havia como ter tomado atitude mais certeira. Recluso ao seu gabinete por semanas, trabalhou com a luz do sol dia e noite graças aos seus inventos no campo da energia e entupindo-se com suas pílulas. Cultivou arduamente suas olheiras e quase explodiu de felicidade com seus promissores resultados, tirando da cama os donos dos laboratórios numa reunião emergencial para a revelação surpreendente à mesa de jantar (e agora de negócios):

“A solução para o nosso problema ...” - enfatizou aos seus atentos patrocinadores – “acaba de ser criada ...”. A batida da seqüência de duas palmas, era o sinal para Walter Fredo, o garçom, entrar com sua bandeja e servir um suculento prato à mesa. O sorriso no rosto de Eric Fróid parecia uma pintura de tão imóvel que se apresentava, enquanto os chefões aguardavam curiosos pela tão esperada solução. O silencia foi ficando constrangedor, menos para o cientista, que mantinha-se com a mesma máscara risonha. Depois de gastar alguma mínima energia pensando em como tais criaturas chegaram ao topo de suas empresas, foi explicando o óbvio. “A resposta para a comida que virou remédio, senhores, nada mais é do que o remédio que virou comida!”.

As farmácias ganharam mesas, pratos e máquinas de lavar (para alegria da Erastemp® e da Bletrolux®), os médicos saudaram a redução na prática da auto-medicação demonstrada pelas pesquisas publicadas nas principais revistas científicas, bem como a alta na taxa de aderência aos tratamentos. Pacientes lanchavam seus tratamentos de 6 em 6, 8 em 8, 12 em 12 horas ou como fosse prescrito pelo seu médico. Os remédios tinham cheiro e sabor jamais vistos antes e o faturamento da suas multinacionais triplicou. Ah sim, Eric Fróid, como todo cientista famoso, foi reconhecido muito tempo depois de sua morte, resultado de uma intoxicação medicamentosa quando se enganou em suas invenções e exagerou num calmante de quindim.

subir

 

Bacantes Literárias
Gilson Giuberti Filho

Um conto hollywoodiano

Descia do andar superior da cobertura de seu namorado – tinha ido retocar a maquiagem. Havia uma festa naquela noite: ele comemorava a compra de uma empresa em Hong-Kong.
A escada fazia uma elipse, lateral à parede do hall de entrada, que se abria para o imenso salão de festas. Por um instante percebeu que o lustre de cristal bacarat combinava com a atmosfera do apartamento naquela noite. Caminhou até a varanda para vislumbrar a eterna vista para o Central Park. Estava deslumbrante: havia comprado um Chanel apenas para estar à altura do sucesso do homem que sonhava dividir sua mansão em Long Island; em poder passear tranqüilamente com ele por aquelas praias mergulhadas em constante paisagem invernal.
Serve-se de uma taça de champanhe e procura por ele perscrutando o salão – nada...Começa a caminhar por outros aposentos...Em vão.
De repente encontra-se à frente da porta da biblioteca. Sem entender, seu coração bate mais forte. Empunha a fechadura de bronze e a gira lentamente. Sussurros...
Eis que o vê com as calças ao tornozelo cavalgando sua amiga, com o vestido de brocado prateado até a cintura. Choca-se. Ambos permanecem paralisados ante o olhar dela. A taça cai, despedaçando-se num ruído abafado pelo ambiente.
- Meu amor, por favor, vamos conversar...
Corre em desabalada carreira em direção à escada, sobe os três andares em direção ao heliponto. Seu helicóptero aguardava.
Adentra a cabine:
- Mike...Long Island!
A nave levanta vôo ao mesmo tempo em que ele, com o black tie em desalinho, acena em desespero tentando brecar-lhe o intento de fuga.
O helicóptero mergulha por entre os corredores de gigantescos arranha-céus - feéricos naquela noite de outono.
Lentamente ganha o cume do Empire State. Abaixo apenas luzes e movimentos surdos de carros entulhando a 7ª avenida numa faixa incandescente de cores.
Encosta a fronte na janela tocando com a mão, de leve, o vidro. As lágrimas escorrem sobre a pele lívida. Soluça. Mergulhada na escuridão da noite encimando um tapete de luz, energia e vida, ela se sente só...
Minutos se passam; dor.
De longe começa a avistar, do chão, movimentos frenéticos de lanternas vermelhas – sua casa.
Aporta. Desce da nave. O Lincoln já a aguardava de porta aberta – está a quinhentos metros de casa.
Já não chora mais; apática mergulha em depressão. Aquela seria a última noite de sua vida...

Comente este texto - 0 leitores comentaram.

subir

 

 

Utopias
Luiz Maia

Felicidade

O ser humano tem a felicidade como meta de vida e aspiração maior. O conceito de felicidade é muito relativo, variando de pessoa para pessoa.

Há quem pense que ser feliz é ter muito dinheiro, saúde e paz.
Alguns desejam todos esses ingredientes juntos, outros são menos exigentes.

Quase ninguém se contenta em ter apenas saúde, muito menos se lembra de citar o amor e a amizade como símbolos de verdadeira felicidade.

O filósofo francês André Comte-Sponville dizia que "estamos separados da felicidade pela própria esperança que a busca".
Isso implica dizer que imaginamos a felicidade como algo platônico, talvez inatingível.
Então nos acostumamos a buscá-la aleatoriamente, nos esquecendo de vivê-la plenamente ao ignorarmos sua presença tão perto de nós.

É sábio quem vive a felicidade real, por mais simples e pequena que seja, e não se encanta com promessas de felicidades outras que viriam pelas asas da imaginação.
A felicidade não é uma estação mas o próprio caminho que percorremos durante toda a nossa existência.
A forma ideal de traduzi-la é sentindo-a a cada amanhecer em sua vida.
Alguém que valoriza as pequenas conquistas, que se farta com o pouco do todo possível, que vê na dádiva da vida um bênção para si, é uma pessoa que faz a felicidade ser uma constante no seu dia-a-dia.

Devemos ter consciência de que podemos ser felizes, desde que procuremos a felicidade no lugar certo.
Se pudéssemos perceber que o reino da felicidade reside em nós, nos sentiríamos alegres e felizes no mais das vezes.
Cabe a cada um de nós efetivar a felicidade que podemos vivenciar, atribuindo felicidade à alegria de estarmos vivos.

A felicidade pode residir nas coisas mais simples da vida.
Ela vive no coração dos mansos, dos humildes, independente de serem pobres ou ricos.
Vive no peito daquele que tem o hábito de presentear com flores, quem costuma fazer do sorriso seu cartão de visitas.

Sejamos responsáveis pelo nosso próprio viver, impondo sempre às nossas ações um mínimo de dignidade que permita nos sentirmos inteiros e felizes.
Tudo que é feito com respeito a si e ao próximo eleva e engrandece quem o faz.
E o torna feliz!

Línques relacionados:
Luiz Maia

Comente este texto - 01 leitores comentaram.

subir

 

Um pouco de cada: luz e trevas
Sara Flech Neves

Céu

O céu azul me deprime.
Ele está tão lindo, tão sublime.
Não se importa com os meus problemas, com os meus anseios.

Até poucos dias atrás me inspirava, me fortalecia.
Sua grandeza me abraçava.
Agora é como se ele me soltasse no ar, me deixando vagar sem rumo.

O céu me diz que está na hora de voltar ao meu lugar,
Andar devagarzinho e sempre.
Aqui na terra ficar.

Comente este texto - 05 leitores comentaram.

subir

Musicalidade de Povinilpirrolidona
Roberto Yukio Iwai

De vez em quando eu pego as demos e raridades que o Roberto Panarotto me mandou, felicíssimo e cuspindo gramática mesmo, e me emociono.

Sempre por aí eu trombo com esse ou aquele diplomata da música, que teoriza sobre as maravilhas dos compassos e habilidades gaúchas. Eu mesmo já fiz isso, muito. Mas passou para uma fase que não há, não existe mais nada para falar, realmente. É fazer sentar a pessoa que você falaria sobre, e dizer: "ouve isso, que lindo".

Nas épocas em que eu nem pensava que ia ouvir algum dia trabalhos do Marcelo Birck, encontrei o "Em Amplitude Modulada" no soulseek, coisa de entidade superior. E de repente, estou ouvindo as demos desse álbum abençoado.

Birck e Leandro Blessmann (o Benga), dois únicos seres que me emocionam tocando apenas uma guitarra-base, e cantando. Não sei se todo mundo encara a música como produto, coisa para dar uns tapas nas orelhas, mas é meio que orgânico.

Musicalmente, esses caras já são canonizados no meu inconsciente. Se um dia eu tiver filhos, eles vão sentar e o velho deles vai dizer que ouviu isso na vida,e que acha genial. Até lá, espero que essas merdas de hypes e tralalás já tenham acabado, e meus pirralhos dêem ouvido, como eu não dei aos meus pais quando falavam que ouviam jovem guarda, e eu dei uma piaba e uma risada (claro, para vomitar no cuspe que depois comi).

É coisa de influência que não se tenta alcançar, justamente porque não dá vontade. Dá vontade de ouvir o que os caras fazem eles fazendo, e não terceiros. Falam de amor sem melança nem dose de glicose na veia depois, e sem rimas de recital infantil da quinta série do primeiro grau.

Para quem quer ouvir, eu sempre apresento. Mínimo que eu posso fazer. E nem é para que todos conheçam e eu me sinta o fodão por conhecer, mas para espalhar um nome que vale a pena ser espalhado (em detrimento a tantos outros que estão zanzando por aí porque sei lá).

A única vontade de ser famoso, acho: chegar em uma entrevista, rede nacional, e quando perguntaram aquela perguntinha ingrata, de quem foi minha influência, responder claro e alto: o Birck.

Conhece? Não? Pois conheça. Todo mundo.

Línques relacionados:
Pensamentos Destoados Pela Antítese
 

Comente este texto - 01 leitores comentaram.

subir


Suburbanas
Marcos Claudino

São Paulo, 06 de dezembro de 2004.

Pau que nasce torto...

Cansada da fama e grana, vindas apenas do traseiro rebolante, Sheila Carvalho resolveu mudar. Começou a ler Veríssimos, Sabino, Rubens Fonsecas, ouvir Chico (Science e Buarque), Hermeto, Milton, Clube da Esquina, etc...
Fugiu da mídia durante longos meses. Ou teriam sido anos? Cansou da grana, do assédio, da ilha de Caras e dos passeios da Quem Acontece. Trancada em seu quarto, lia e relia tudo, buscava informações, crescia tudo o que jamais conseguiu enquanto rebolava o lindo pandeiro aos baianos do mundo todo...
Um dia, ou melhor, uma noite, domingo, Fantástico no ar, a revelação. Zeca Camargo apresenta incrédulo o lançamento mundial ao vivo do novo CD da morena do Tchan... Sheila Bossa in Road.
Anhangabaú lotado. Expectativa de mais de quarenta mil pessoas, fora os milhões de telespectadores, que só o Fantástico consegue angariar. Ela entra no palco, vestindo uma túnica preta, que vai até os pés. Um óculos redondo no rosto. Senta-se no banquinho, apanha um violão, e começa a cantarolar uma canção do João Gilberto. Wave saía fino nos dedilhados espontâneos, a voz era adocicada, leve...
Três minutos. Foi o que durou a impaciência do povo. Vaias, e o pedido enlouquecido da multidão:
- Rebola, gostosa!!! Vai Tesão!!! Larga esse violão e vem rebolar na minha casa
delícia...!!! Ih, fora, ih, fora!!! É na boquinha da garrafa, Tchutchuca!!!
A deliciosa morena parou, respirou fundo... Não mais que um minuto. Uma lágrima não foi percebida nem pelas potentes câmeras platinadas...Sheila, desanimada, apenas espera o nada, apenas olha, sem ânimo para qualquer reação...
Sem serem percebidos, sobem ao palco o Jacaré, Cumpadre Washington, Beto Jamaica e Sheila Mello. Pegam um microfone, e saem a gritar:
- Pau que nasce torto, nunca se endireita, menina que requebra mãe, pega na Chupeta... Segura o Tchan, amarra o Tchan...
A galera enlouquecida delira, a Sheila Loira arrasta a morena para o centro do palco, a banda começa a acompanhar a música, e a morena se entrega. Deixa cair a túnica, mostrando seu bem torneado corpinho, agora emoldurado pelo sensual biquíni azul, quase mínimo. Festa geral, o povo pula de emoção, a morena sorri feliz, dança, rebola e pula no palco, feliz por ser querida novamente...
...
...
Subindo a Avenida São João, Toquinho acompanha João Bosco até o carro estacionado...
- Você sabia que seria difícil...
- É, sabia, mas cheguei mesmo a acreditar na moça... Ai, ai, deixa o Zeca Baleiro saber... Tanto trabalho...

Comente este texto - 04 leitores comentaram.

 

Ombudsman
Senhor Pimpolho

Já que ninguém se apresenta...

Mas que coisa não? Andam colocando galinha preta no cruzamento para este sítio.

Assumo hoje, interinamente, esta cadeira que já foi de pessoas ilustres no ideário nacional e mundial, basta ver as edições anteriores do site.

Alguns se saíram bem na função, outros nem tanto. De qualquer forma, as pessoas saem sem explicação ou com explicações esdrúxulas, quando mais fácil seria dizer: não dou conta do recado e portanto estou cedendo este honroso espaço.

Fui convocado totalmente de última hora (recebi este convite do editor há cerca de 5 minutos antes de me por a escrever isto que agora estás a ler) e portanto, obviamente, não li a edição de número 104 e vou restringir minha crítica justamente ao fato de que, para que o Simplicíssimo torne-se um site bem conceituado e seja respeitado pelos seus irmãos de arte, deve, em primeiro lugar, arrumar sua cozinha e contar em seu plantel com um grupo de pessoas COMPROMETIDAS com a idéia, a proposta e o objetivo do sítio, que é levar SEMANALMENTE, literatura, conhecimento, entretenimento aos Simplileitores e gerar discussão e debate em torno das questões levantadas.

Para isso que muitos que aqui já se encontram há mais de um ano trabalham.

Pela conversa que tive com o editor, está sendo realizada uma verificação sobre a possibilidade de indexar o sítio e desta forma, valorizar ainda mais os escritos aqui contidos.

A partir da próxima edição, passarei a avaliar a edição anterior semanalmente e - conforme combinado com o "digníssimo" editor (como ele mesmo gosta de nos denominar) - sairei tão logo encontrem um substituto para a função ou o Bernardo dê sinal de vida...

No mais, vão tomar no cú todos vocês.

Comente este texto - 021 leitores comentaram.

subir


O Simplicíssimo está concorrendo ao melhor site de Arte e Cultura no Prêmio Ibest!

Não deixe de ir votar e ajudar o Simplicíssimo a ir para a segunda fase desta honrosa peleia!

Clica no bagulho aí embaixo e manda ver vivente!

Agora você pode comprar seus livros preferidos aqui mesmo pelo Simplicíssimo e, ainda por cima, ajudar a manter o site funcionando!

Compra através do banner aí embaixo que estarás doando 4% do valor de suas compras ao Simplicíssimo!

Pegue o banner
do Simplicíssimo
e divulgue em seu
sítio ou blógue!


Línque para
http://www.simplicissimo.com.br
e depois nos avise!

 


Gentileza prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em tamanho maior no blógue do amigo.

 


Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 


 

 

Copyright © 2003-2009 - Rafael Luiz Reinehr - Todos os direitos reservados.
Sinta-se à vontade para reproduzir os textos do site, mas não esqueça de citar a fonte e o autor.