Simplicíssimo
Jornal Virtual de periodicidade alguém me alcança o sal, por favor?


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Editorial
Rafael Luiz Reinehr

Tralaquilhas de sentalhortidão

O que será que um título assim poderia fazer pelo texto qe agora escrevo. Será que seria ele um astuto chamariz por aguçar a curiosidade de quem o lê para seguir adiante no texto e verificar o que porventura poderia ele significar ou, pelo contrário, seria um entrave ao entendimento e à objetividade e espantaria leitores?

Responda-me você!

A construção de um texto deve levar em conta todos estes aspectos, desde que não estejamos escrevendo um simples diário para ser escondido e guardado a sete chaves, mas sim para que seja lido por outros, comentado e gerar conhecimento ou diálogo entre escritor e leitor ou entre leitores.

Se eu quisesse falar por exemplo acerca de um tema específico como, digamos, "Será que podemos considerar uma tradução como um texto original"?, provavelmente um título mais adequado seria "O Tradutor e seu dilema" ou coisa que o valha.

Mas afinal, pode uma tradução de uma obra de Dostoiewski por Boris Schnaiderman ser considerada uma nova obra, uma obra original? E quem sabe uma tradução de Finnegans Wake (Finicius Revém) de James Joyce por Donaldo Schüler?

A favor? Contra? Argumentos, por favor...

Rafael Luiz Reinehr

E que tal mais uma citação?

"As necessidades do corpo são a justa medida do que cada um de nós deve possuir. Exemplo: o pé só exige um sapato à sua medida. Se assim considerares as coisas, respeitarás em tudo quanto faças as devidas proporções. Se ultrapassares estas proporções, serás, por tal maneira de agir, necessariamente desregrado como se um precipício te seduzisse. O sapato é exemplo ainda deste estado de coisas: se fores para além do que o teu pé necessita, não tardará muito que anseies por um sapato dourado, por um sapato de púrpura depois, finalmente por um sapato bordado. Uma vez que se menospreze a justa medida, deixa de haver qualquer limite que justos torne os nossos propósitos.."
Epíteto, em "
Manual"

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O Problema é o Tempo?
João Marcelo Pacheco

...ao passar pelo tempo não tenho noção de quem é , por que passa por mim mudo e sem graça , não tem cor ou forma , mas tem nome e isso é engraçado, alguns dizem que controlam , outros que tem "ele" no pulso , alguns mais "loucos" falam que - Não há tempo prá mais nada vamos!! , e existe tempo para alguma coisa , aliás o tempo existe? tempo é documento que se despacha , é o sol que põe , ou a lua que chega o que é esse tempo? Mas ele passa por mim sem dizer nada , penso que está tão tranqüilo que deve sorrir quando o ser humano diz depender dele para viver... Como assim , hora bolas??? e a água , ela está bem ali , poluída , mas não pelo tempo . E o alimento? Ah! dizem que este precisa do tal tempo para florir e produzir frutos, mas através de nós é claro , pois, ele também está ali . Bom não sei o que é o tempo, talvez seje mais uma invenção humana assim como seus valores morais e tudo mais que enjoa , por que é a mais densa ilusão , se pararmos um tempo para pensar acabamos rindo de nossos absurdos , viveríamos muito mais felizes sem se dar conta que o "cidadão" tempo , anda por ai passando por nós sem se preocupar que ele preocupa-nos, e como diz um filósofo amigo meu " ...imaginar se nesse dia não podemos dar alegria a pelo menos uma pessoa. Se isso pudesse valer como substituto do hábito religioso da oração , nossos semelhantes lucrariam com tal mudança." e não perderíamos tanto o tal "tempo" , em esperançar nossa compaixão ao NADA

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No interminável
José Mattos

No inacabável fastio da tarde
Arrastam-se meus pés sobre a incerteza
Ramagens ressequidas, no caminho
Agarram-me as pernas esfarrapadas

Parece agitar-se o bosque inteiro
Ouço o longo murmurar dos seres mudos
A incerteza do fadário a fronte arde,
E a alma é estocada por espadas

Daqui, só vejo o fim; não sei o meio
Por isso ando em círculos fugindo
Das armadilhas sorrateiras do destino

Mais logo deverá morrer a lua
A noite soturnal já se prepara
Com armas, armadilhas e mistérios

E, eu preparando cá meu epitáfio
Riscando a talhos de canivete:

Dês-existiu cá um poeta - sem amores
Que sonhou a vida inteira com a lua

Foi plantado entre as Palmeiras do Jardim
E o outono todo ano por caridade
Enfeita seu túmulo com lindas flores

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Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

Passagem

Certo é que por vezes as coisas parecem entrar por um sistema assimétrico qualquer que nos escapa à ordem que gostamos de dar – e pode ser tão sutil, nem nos damos conta de quantas alternativas nos são dadas e enveredamos por uma delas qualquer. Se com Ana as coisas não se davam da maneira como gostaria, também é verdade que não chegavam a ser desagradáveis. Por mais de uma vez quis que tudo fosse tão fácil, parecesse tão inesperado e surpreendentemente bom como sempre parece que é bom quando se olha uma relação de fora. O que lhe sobrava, no entanto, era a sensação pesada de que não fazia a coisa direito, que Ana não se lhe dava por que ele não dissera a palavra adequada, seu toque não foi suave como deveria ou esquecera de um agrado qualquer que poria Ana tão louca como esperava que loucas fossem todas elas. Não que Ana não gostasse de se dar a ele: dava-se. No entanto, com uma freqüência menor do que a que gostaria, com estipulações tão entremeadas de ais e assim todas as condições acabavam pondo-o um tanto irritadiço. Se havia o noivado também, como a impor um tabu que achava que o noivado, justamente, sepultaria, havia também toda a necessidade de parecer tão casta o tempo inteiro, e se forem se amar a toda hora não parecerá novidade quando vierem os enxovais, e as tias presentearem sempre com enxovais tão bonitos, e tanta renda, e tudo tão branco e para Renato já não é mais preciso tantos enxovais. Para Renato bastaria Ana dar-se mais a toda hora, não envolver-se em muxoxos em frente à casa e perturbar-se sempre com a mãe perto da janela e negar-lhe tanto os beijos que já nem tinha.

Certo é que todo o processo é demorado, mas Renato preparara-se para aquilo, suportara as novelas, as conversas que não lhe dizem bem a que vem, os cochichos como se houvesse coisa muito importante a se falar e a necessidade de se dar extrema importância para aquilo o que já nem importa tanto assim. Mas certo também foram as saídas no final de tarde, e como as ambrosias parecem estender-se quando se planeja um destino já tão ansiado. Mas logo foram os cinemas, as mãos e arrepios a elevar-lhe os poros na altura do pescoço – um compasso tão desejado quanto meticuloso, os beijos demoram-se mais, atreve-se a colocar mãos onde na claridade não deveriam estar e a aguardar com elas naquele lugar macio, procurar a profundeza dos seus decotes e achar-lhe os bicos, os bicos dos seios, tão cheios, tão quentes. Um caminho como que não arranjado os põe à porta de um hotel qualquer, um canto que lhes dê tempo para o amor e que tudo possa parecer tão natural como natural não é; não com os medos de Ana, as aflições de Ana, o desejo mas a quase negação de Ana. Se Renato não lhe põe segura, se não lhe garante que tudo está sob controle, para Ana não parece estar tudo sob controle em território tão hostil, em quarto tão iluminado, com lençóis que parecem sempre tão sujos, tão amarelados. Mas se Renato garante estar sob controle, quem é Ana para dizer que não, se Renato sabe os caminhos por onde se deve ir, se sua mão parece tão suave quando se conduz para os meios de Ana.

E a Ana não cabe perguntar, é óbvio, não tem cabimento, os gestos de Renato são arrebatados, os caminhos como se ele tivesse um mapa para decidir o toque, achar-lhe o ponto em que se põe tão relaxada – como suas pernas se abrem com tanta facilidade com Renato lhe tocando com tanta docilidade! Há as pressões que não gosta, a força que denota que Renato, ora, é claro que Renato... Não cabe perguntar, Renato é instruído, não é Ana sua primeira... Não esperava que fosse também. Não alimentava tamanhos romantismos, somente que Renato fizesse direito, lhe pegasse com carinho, lhe fosse paciente, não a ferisse, não a pegasse com tamanha sofreguidão. Não entendia a necessidade de Renato de se por tão violento, de vir com práticas que não lhe agradavam. A insistência em enfiar-lhe a língua, a camisola tão nova e já longe do corpo: o que entendia por preliminares julgava demorar mais, estender-se como um carinho sem fim. Em Renato, agora, a impaciência, o desejo que fizesse coisas que não queria, não lhe agradavam, aquele quarto também já não lhe agradava, tudo tão claro, malditas cortinas que não lhes garante nenhuma privacidade. Lógico que não esperava aquilo, ao menos o breu, que tudo fosse mais aconchegante, e não lhe parecesse tão apressado, Renato tão apressado, pegando-a daquele jeito, querendo arrumar-lhe as coxas de um jeito que não entendia, não sabia como fazer, e não havia como ficar à vontade como lhe pedia, sussurrando-lhe coisas no ouvido como se pudesse excitá-la, queria que tudo se acabasse de uma vez, e teria Renato novamente como o conhecia, e teriam então os cinemas, e somente os passeios e sorvetes, e todos veriam que eram noivos e se amavam, mas para Renato aquilo tinha tanta importância, e se lhe era assim, concordava, queria ser de Renato é certo, mas que a primeira vez se mostrasse tão demorada e se sentisse tão constrangida, e Renato parecia tão fatigado, insistindo e insistindo e por fim, ah, quem lhe disse que doía tanto assim, Renato feliz conseguira rompê-la, investindo mais e mais em cima de Ana, se não tivesse tão quente e não suassem tanto e Renato não chega nunca ao fim e tudo o que poderia fazer era esperar, aguardar somente, não iludir-se que seria a coisa mais linda do mundo por que não seria, já não estava sendo, não poderia sê-lo.

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Parafernália
Ibbas Filho

Paradinha I

O texto abaixo faz parte de uma série que estava aguardando pela presença de um desenhista que os formatasse em tirinha. Como ele ainda não apareceu, resolvi começar a publicação. Quem sabe alguém por aqui se habilite, não é mesmo? São brincadeiras em forma de propaganda e até mesmo uma paródia de algum comercial, como é o caso deste primeiro. OS demais seguirão em intervalos periódicos (isso não é uma redundância?) semelhante aos próprios reclames do dia-a-dia.

 

I - Rei Pelé

Num luxuoso ambiente hospitalar, Pelé aparece deitado ao leito com uma bata branca típica (daquelas com ventinho nas costas) e fala para a câmera:

_ Com esse convênio você é tratado como um Rei, entende?

Ao seu lado, dois súditos balançam de forma ritmada enormes plumas com penugens braço-acinzentadas.

_ Acomodações privativas, entende? - diz nosso atleta abrindo uma porta que revela um espaço com varal onde suas roupas íntimas estão a secar.

_ Você pode contar com todos os exames, entende?

Ao fundo, vê-se as pernas agitadas e ouve-se os gritos de um sujeito tentando escapar de ser sugado por uma máquina de tomografia.

_ A assistência é personalizada, entende?

Duas enfermeiras boazudas e insinuantes, uma mulata e uma loira de xuquinhas (assim mesmo) ajudam-no a vestir a camisa da seleção e a calçar as chuteiras.

_ Bom, mas também tem outra forma de você ser tratado como rei, entende? - diz ele mostrando um comprimidinho azul em meio a um sorriso imensurável e abrindo a porta que leva ao corredor.

O ídolo é imediatamente cercado, apalpado e esmagado por uma multidão de mulheres na maior tietagem. Mulheres de todo o tipo, assim como num buffet de sorvete. Com o uniforme desfigurado, chuteiras em punho e marcas de batom por todo seu rosto,, tomado agora por uma expressão de pavor, Pelé consegue livrar-se do bolo e sai em disparada, voltando-se para a câmera e perguntando:

_ Alguém aí sabe um atalho pro Maracanã? ... Entende?

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Utopias
Luiz Maia

Crescimento

Será que nos acostumamos de vez com a idéia de que só crescemos pelo sofrimento?
Apenas a dor da perda, a dorida experiência advinda de conflitos existenciais ou as inúmeras vicissitudes acumuladas no transcorrer de nossa existência podem nos fazer crescer?

É bom examinarmos melhor essa premissa e mudar de conceito.
Há que se investigar o porquê de não dizermos que é possível crescer, também,
quando adotamos uma postura mais humana diante da vida.

Passamos a crescer, como pessoa e cidadão que somos,
quando, por exemplo, buscamos ser solidários com o próximo,
interferimos a favor do bem-estar comum ou deixamos o egoísmo de lado
para partilhar a alegria com a pessoa mais próxima a nós.

Se utilizarmos melhor o tempo de que dispomos, colocando-o sempre a serviço do bem,
estaremos crescendo e fazendo com que outros cresçam na mesma proporção.

Ninguém precisa provar do jiló para conhecer o seu amargor.
Antes ofereça-lhe um fruto doce.
Claro que é possível!

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Luiz Maia

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Um pouco de cada: luz e trevas
Sara Flech Neves

Tudo passa

Tudo passa.
Passa por mim e por você.
Passa por nós e faz a volta.
Chega de repente.
Passa silenciosamente.
Derruba tudo e voa novamente.

Tudo muda.
Muda a mim e muda a você.
Muda a todos e traz revolta.
Chega de repente.
Muda sorrateiramente.
Contorna tudo e sorri delicadamente.

Tudo fica.
Fica em mim e fica em você.
Fica em nós e não informa.
Chega de repente.
Fica eternamente.
Revela tudo e dança loucamente.

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Musicalidade de Povinilpirrolidona
Roberto Yukio Iwai

É meio impossível falar de Continental Combo sem mencionar Momento 68. O primeiro, com nome inspirado em Momento 68, um dos festivais de moda no Brasil dos anos 60, foi fundada por Plato Dvorak e Sandro Garcia, sendo que as misturas heterogêneas de mentes tão voláteis só poderiam causar estardalhaço psicodélico. Plato, conhecido desbravador dos sons lisérgicos do sul do Brasil, tem em sua natureza o DNA de Syd Barrett e outros malucos geniais. Por caras como esse a música no Brasil ainda não sucumbiu a desesperos. Sandro, grande companheiro e fio condutor das estripulias de Plato. Deixaram para o futuro ótimos registros demo, e Tecnologia, álbum definitivo desse hibridismo 60's que assolou o cenário independente brasileiro, e que trazia Gregor Izidro, atual Fuzzfaces, na bateria. * sobre o Fuzzfaces, terei de começar uma verdadeira árvore genealógica sobre o independente em São Paulo. Várias bandas existentes tem em comum membros de banda que participam ou participaram entre si, e nisso, uma temática inédita para a cidade. Muitas dessas bandas vão ser citadas no decorrer do correr dos textos. Já sem Plato desde Tecnologia, Sandro formou o Continental Combo, com Carlos Rodrigues no baixo - que já fazia parte do Momento 68 - e Rogério Meni na bateria. O Continental Combo traz uma saudável natureza de lançamentos esporádicos de singles. O que significa, a herança de um grande tempo onde se lançavam sucessos em formato compacto, e após isso, algum álbum inteiro. Vezes ou outra, o tal compacto nem chegava a fazer parte da tracklist do disco, sendo praticamente um bônus para quem o comprava, ou os chamados "itens de colecionador". Sandro Garcia é responsável pelas letras que mais primam pela beleza e pela obra aberta da arte. Arte mesmo, música composta para status magnífico e enigmático. Com certeza, já com sua curta existência, os singles de "Nova Manhã" e "O Homem Retalho" já fazem parte dos clássicos do cancioneiro metrópole-urbano, e o Continental Combo a sempre soltar pérolas vez e outra. Essas duas citadas podem ser conferidas aqui. E mencionado Momento 68, procurem por Tecnologia, e ouçam o que se conveciona chamar de clássico. Clássico não é e nunca foi o álbum que mais vendeu, o artista que mais chamou atenção na mídia, ou a exposição matemática de uma série de fatores. Clássico é aquilo que existiu, e já nasceu espetacular.

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Suburbanas
Marcos Claudino

São Paulo, 13 de dezembro de 2004.

Um pouco de blasfêmia

O Pai estava triste. Tanto trabalho, tanto tempo no comando, e de nada parecia estar valendo. Das brumas do Monte Sinai ele observava tudo, e não gostava do que via. O dinheiro parecia estar vencendo. A busca pelo poder era maior que a vontade de viver. Os filhos, quase em totalidade, só lutavam entre si, e por motivos idiotas. Os mais fracos ficavam cada dia mais fracos. Eram exterminados, como que culpados pela própria fraqueza. Quem podia ajudar, não o fazia. Quem queria ajudar, juntava-se aos fracos, e desmoronava, ante a massa mentecapta de egoístas, dando amplos méritos ao opositor... A vida eterna não parecia oferecer qualquer atrativo... Nem mesmo o filho enviado, torturado e indefeso, valeu como exemplo...Sem saber bem que caminho dar à sua grandiosa obra, resolve bater um papo com alguém que não o idolatraria facilmente. Chama pelo interfone:
- Madalena, peça pra chamar o Lúcifer aqui, sim?
- Pode deixar, Senhor Deus Onipotente, Onipresente, Radiante...
- Tá legal, Madá, já entendi. Chama logo o garoto, sim?
Alguns minutos, e a porta se abre. Um anjo de asas vermelhas, longa capa preta, celular de última geração, lap-top a tiracolo, um terno Armani de primeira linha, lentes de contato azuis claras, sapatos envernizados, impecáveis, um olhar encantador e cativante, e a clara expressão no rosto de um típico vitorioso. O oposto do Pai...
- Mandou chamar-me, Big Deady?
- Já pedi pra não me chamar por essas expressões estrangeiras...
- Seu maior problema é negar-se a incrementar seus métodos aos tempos modernos... Olha à sua volta, Great Cheff... Tudo está mudando, as cabeças pensam mais, exigem mais, e eu sou a melhor opção pra esses seres tão carentes de novidades...
- Você pode até ter certa razão, garoto, mas o poder maior ainda está comigo, certo?
- Certíssimo, Old Super Man... Mas quem disse que eu quero? Quem disse que alguém o quer?
- Mas, não é por isso que você os atormenta? Não seria por acaso em busca do meu poder? Em busca da minha luz, do caminho, da verdade e da vida?
- Xiiiiii, já vi onde você errou... Esses meninos só querem um pouco de conforto no presente, eternidade é muito longe, martírios, jejuns, sofrimentos gratuitos não empolgam muito as pessoas, Lindão...
- Olha, filho, eu te deixei seguir seu caminho, sem interferir, agora vejo que você tem ampla vantagem sobre mim. Vamos fazer uma troca...
- Opa, tá começando a ficar do jeito que o Diabo gosta...
- Olha os modos...
- Ops, desculpa velho...
- Eu quero um artifício bom pra arrebanhar uma parcela que você me roubou. Pode me dar alguma dica? Em troca, te dou... Hum, deixa ver... Sei lá, pede alguma coisa, vejamos...
- Olha, pra não dizer que uma boa aposta não me atrai, pelo simples prazer do jogo, que é um dos meus vícios preferidos, não te peço nada em troca.
- Ok, seja feita a sua vontade filho. Manda lá a dica...
- Hum, não se zangue, mas é uma cartada de mestre. Olha, Big Ben, deixa eles usarem camisinha. Você vai ver como vai ajudar muito...
- O que??? Já me vem você também com essa história? Onde já se viu? Já te disse que sexo é só pra procriação. Nada de prazer, entendeu? Nada de prazer!!! Saia já daqui, antes que eu transforme o inferno em cinzas...
- Ok, eu bem que tentei... Depois não diga que eu não avisei...
Lúcifer desce as nuvens em direção ao inferno. Assobia uma canção do Rolling Stones (Lady Jane), rodopia a bengada bem ornamentada. Chega às portas do inferno, uma última olhada para o céu.
- Ô velho teimoso... Assim vai ficar fácil...

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Ombudsman
Senhor Pimpolho

Já que ninguém se apresenta... (II)

Revisando o capítulo anterior: depois do sumiço sem "aviso prévio" de mais um Ombudsman, fui convidado nos descontos da prorrogação para escrever este Ombudsman.

Com minha cachola acarpetada com afazeres mil, desembuchei qualquer coisa para fazer uma espécie de introdução ao meu trabalho vindouro. Usei termos pouco convencionais para cumprimentar os lustrosos leitores deste sítio e fui acachalhoado por Miltons e Silvias. Delícia.

Hoje parto do princípio de que o fim sucede o meio que, por sua vez vem logo em seguida ao próprio princípio do qual estava falando (no princípio) e de forma verborragicamente sucinta vos digo, sem medo de errar, já que opiniões são só isso mesmo:

1. O Editorial parece que foi feito de última hora. Tipo, de qualquer jeito mesmo. Parece que o Rafael estava sem tempo e pegou uma poesia guardada em um canto e colou ali e depois juntou uma ou duas palavras e uma citação. Me corrija se estiver errado.

2. O texto da Juliana chama atenção pelas passagens pontuadas do tipo "E a gaveta do passado.é saudosa", "Mesmo os sofrimentos (os que gostei de sofrer) têm esse gosto doce de passado.gosto de bolinho de vó." e "O presente ainda é vago.e é bom!". Fiquei encucado: o que significariam? Erro de redação? Erro de edição? Erro de revisão? Erro de pontuação? Ah!, não! Essa última de jeito algum! Deve ser um novo estilo sendo lançado.

3. Dois e cincoenta de Raquel Rodrigues chama atenção pelo título e também pelo fato de, pelo que eu entendi, a menina ter vendido seu sangue por meros dois reais e concoenta centavos (provavelmente o preço dos jornais pelos quais ela trocou o sangue). Te aviso: num banco de sangue privado te pagam mais.

4. O Alessandro foi o destaque da edição. Em um texto supimpamente brilhante, conduziu com maestria através de descrições de coitos caninos a vida com poucas opções de um grupo de crianças negras excluídas das periferias das cidades. Sem nada a apontar. Delícia.

5. Ah! Sim! Dá pra mudar meu voto? O texto do Ibbas sobre Eric Fróid e a inversão dos medicamentos e alimentos também foi genialmente elaborada. Quanta criatividade! Permaneça sempre, Ibbas!

6. Ufa! Bacantes chocantes literárias! Já achamos quem vai falar sobre sexo no Simplicíssimo (sim, pois está ganhando de forma disparada as eleições populares lá na Enquete)! Cavalgando na amiga e depois sou eu que levo as patadas! Pôxa! Que injustiça! Vão ler este conto se ainda não leram puta vida!

7. Me digam uma coisa: o Luiz Maia é autor daquelas "Gotas de Sabedoria"? Pois poderia ser! Apesar de falar sobre coisas complexas como Amor, Felicidade e Deus, ele quase sempre se sai bem (exceto neste último caso, diria eu). Bonitas lições seu Luiz.

8. O poema da Sara não comento. Já o foi suficientemente pro que oferece.

9. O Roberto é o cara mais injustiçado do Simplicíssimo! O cara escreve sobre música da forma mais bacana-delícia que já vi alguém fazer, com despreendimento e envolvimento síncronos, com propriedade sobre o underground (propriedade sobre o underground !) da música e ninguém dá bola pro cara! Vamos dar uma força para o rapaz people!

10. O Marcos ganha o Laurel Dentifrício de Ouro, prêmio que este Ombudsman concede ao texto mais comico-hilário de cada Simplicíssimo. Imaginar a situação já uma belezura. O fim então, é de sacar a rolha da champanhe e ir pra galera!

Deu. Acabei. Mas não sem antes dizer que, pessoas, simplicíssimos e simplicíssimas (ao som de Ana, de Cassiano) leitores, colunistas e colaboradores, ajudem este humilde e cada vez melhor ombudsman a fazer esta coluna. Quaisquer sugestões podem ser encaminhadas para o e-mail do site (simplicissimo@simplicissimo.com.br) com o título Ombudsman que o famigerado e temido editor encaminha para mim.

Outra, desta vez para os Editores (ou para O Editor, como preferir(em): dêem um jeito de manter a regularidade dos colunistas! Isso dá nos nervos!

Mais uma: o site demora muito para abrir em conexão discada. Creio que isso diminua em muito o acesso pela população sem acesso à banda larga.

Outra: mais campanhas do Simplicíssimo e mais edições especiais. Outras sugestões? Mandem para o e-mail acima.

Vão lamber urtiga todos vocês, amigos insondáveis, e até a próxima, quem sabe.

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Gentileza prestada pelo digníssimo Alvesto, do blógue Abstracto Concreto ao Simplicíssimo. "Riscador" de mão-cheia, criou esta obra de arte que pode ser vista em tamanho maior no blógue do amigo.

 


Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)

 


 

 

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