Quinta, Maio 17, 2012
   
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A guerra civil que se viu

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Lula pariu. Agora finalmente sabia-se que ele tinha sido o pai da criança. Um órfão a menos no mundo, caras pintadas a mais nas ruas. Não pararam os comícios e inflados discursos embalados a “meus companheiros”. Dois povos nas ruas. De um lado, vermelhos biletrados estrelados em amarelo defendiam (que ofensa!). De outro, multicolores que dizem haver vencido o Collorido tempos atrás ofendiam (que defesa!). Descendo a ladeira, um grupo aproximou-se do outro que aglomerava-se na praça. Queria o seu espaço. Mas a praça cheia que estava não arredou pé. E seguiu o Brasil descendo a ladeira, agora com força nos pés, agora com força nas mãos. E seguiu a praça erguendo as bandeiras, já há muito sem razão. Quem acompanhava nos meios de comunicação não pode conter-se e saiu às ruas. Quem não sabia de nada foi arrastado junto. Outras praças e ladeiras, todas elas. Pouco importava se não havia mais armas em seu poder (“maldito plebiscito”, pensaram alguns). Mas o poder do sangue fervendo fazia do que estivesse à mão a mais poderosa arma. E por fim o sangue espalhou-se. Manchou as praças embrulhado em estrelas e correu pela ladeira tingido por todas as cores. Ninguém poupou, tão pouco foi poupado. O mundo assistia incrédulo a maior tragédia dos últimos tempos. Talvez de todos os tempos. Uma nação inteira dissipando-se por ela própria. Em meio a tudo, lojas começaram a ser saqueadas e os policiais entraram em cena. O tráfico desceu o morro, queria garantir o patrocínio. O exército saiu dos quartéis, queria garantir a ordem. Mais sangue, menos vidas. Homens, mulheres e crianças. Ouviram-se batucadas e realizaram-se sacrifícios dos animais como forma de curar aquela doença social. Mas os protetores dos animais silenciaram as rumbas e morreram junto aos tambores e seus tocadores, aos bichos e suas dores. Mais sangue ... mais sangue .. mais sangue. Em Brasília, no melhor aposento do luxuoso Hotel Grand Bittar, os únicos sobreviventes que seriam, políticos que sempre foram, não conseguiram sequer esperar a última morte da rua e jogaram-se a procriar meretrizes naquilo que viria a ser, 9 meses depois, o nascimento do futuro de uma nação, assim mesmo, como teria adorado Darwin, na mais pura e bela seleção natural evoluindo as espécies.



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Comentários (4)
  • Rafael Reinehr  - http://armazemdeideias.org
    avatar
    Argh! Que amargura! Quanto pessimismo! Mas, se pensarmos um pouquinho... Por que não...
  • IbbasFilho  - ibbasfilho@brturbo.com.br
    avatar
    Mas bem capaz tchê! Amargura e pessimismo é esse teu comentário :grin . Imagine um futuro sem a
    necessidade de respeito à moral e ética, na base do toma-lá-dá-cá e uma-mão-lava-a-outra! Tudo se
    realizando em perfeita harmonia para o interesse de todos individualmente! Grana extra no fim do
    mês, acordões, jogos de faz-de-conta, os fins justificando os meios, os meios os fins e o início não
    justificando nada, mas não importa porque já passou mesmo! Ipi ipi hurrraaaaaaa!!! :grin 8) :roll
  • claudino  - Demais!!
    avatar
    Coerente este teu texto, amigo meu... Mas, creio que as meretrizes não mereceriam estes fins. Creio
    que elas teriam morrido junto com a turba popular, na defesa deste ou daquele, porque elas, meu
    amigo, sempre foram do povo... hehehe...

    Creio mesmo que a procriação dos sobreviventes seria feita por osmose, como as amebas (não querendo
    desmerecê-las)... Aí sim, teríamos a nova nação, que não teria sequer a necessidade de fazer uma
    única coisa descente, ou seja, procriar como homens...



    Espetacular, na minha opinião, teu melhor texto!!



    Abração,



    Marcos Claudino
  • IbbasFilho  - ibbasfilho@brturbo.com.br
    avatar
    É mesmo MC, como eu pude incorrer em tão lamentável infâmia? E das amebas, tens toda razão, seria
    uma partidocitose só!!! :grin



    Obrigado pelo elogio, prometo seguir me esforçando!
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