Quinta, Março 11, 2010
   
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Falando de livros

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Só recentemente pude ter o prazer de visitar alguns sebos. E foi uma oportunidade única, pois desde abril, mês de tal acontecimento, não tive outra oportunidade.

Talvez seja até melhor assim. Existe a grande possibilidade de, caso eu pudésse sempre estar visitando algum sebo, perder todo o meu (pouco) dinheiro em livros.

Na ocasião eu estava em Salvador para presenciar o lançamento do livro “Textorama”, do escritor e jornalista radicado na Bahia, Patrick Brock. Fui a alguns sebos com meu ex-professor, hoje meu “guru literário” (digo isso pelo fato de ele sempre me indicar boas leituras, além de trocar muitas idéias comigo), o escritor Mayrant Gallo.

Foram dois sebos que visitamos: Brandão e Berinjela.

Para quem não sabe, a vantagem de um sebo é a seguinte: poder adquirir livros bons e conservados por um preço bem menor ao de livrarias. Por exemplo: comprei “Os invictos” de William Faulkner por R$ 12,00 e “Até nunca mais por enquanto” de Luiz Antônio Giron, por R$ 10,00. Ambos novinhos em folha. Livros que juntos, me custariam a soma de no mínimo R$ 55,00 em qualquer livraria. Voltei com uma sacola cheia.

Além disso, ainda há a grande possibilidade de se encontrar raridades ou livros de autores inusitados. Darei apenas um exemplo, pois de outro não me recordo: sabiam que Silvester Stallone escreveu um livro? Sério. De ficção mesmo. Não anotei o título nem consigo encontrar o nome na internet, mas tenho o Mayrant como prova. Vou tentar encontrar o nome do livro. Se conseguir, coloco nos comentários do texto.

Aconteceu algo no mínimo curioso enquanto procurávamos livros no sebo: Mayrant puxou um e disse “rapaz, esse livro era meu, quer ver?” Tirou-o da prateleira e por meio de algumas anotações feitas nas páginas dele, provou que realmente fora seu aquele exemplar. Me contou que havia trocado por um outro título, há algum tempo atrás.

Onde moro não há sebos. Minto. Improvisaram um aqui, mas é provável que de hoje a um ano, eu tenha mais livros no meu quarto do que eles numa sala de uma galeria no centro da cidade. Mas enfim, toda (boa) iniciativa é válida, falando de literatura.

Outra boa oportunidade de se adquirir livros bons e baratos é indo a uma Bienal do Livro. Mas isso é assunto para uma outra crônica.


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Comentários (2)
  • Rodrigo Salme Monzani  - rodrigo_monzani@yahoo.com.br
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    Chegará a aurora em que o Sena, o Danúbio, o Arno, o Tibre e todos os outros serão percorridos por
    brigues e batéis que, carregados somente de livros, lentamente se dirigirão para algum lugar obscuro
    onde o firmamento é simples, o deserto, mudo e o tesouro é invencível; e os loucos que percorrem às
    margens, levando consigo sacos repletos de encadernações antigas e manuscritos desbotados, de onde
    pode-se entrever a sombra de uma palavra e os fantasmas de um ou outro verso, saltarão embarcações
    adentro, festejarão entre citações de Aristóteles e períodos incompletos dos livros de Jó, lerão
    enfim os livros todos para então, com pio coração, sucumbirem bem aventurados na tormenta, enquanto
    o resto da Terra dança a dança de Macabré.



    Todo sebo tem algo de barraco.

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Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)