Sexta, Setembro 03, 2010
   
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Tenho medo

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Eu tenho medo de ver novos amanheceres, de sair à noite e de me apegar às pessoas que só nos fazem bem. Eu tenho medo doutor, eu tenho medo. Tenho medo dos sinais de trânsito, das madrugadas sombrias, dos quartos escuros que só nos ensinam a conhecer a dor. Por isto eu fujo da frieza perpétua daquelas salas de mármores, dos corredores silenciosos e das portas de indicam que "é proibido visitas".Sou frágil e não resisto à fraqueza humana, à falsidade das pessoas que nos reservam o riso falso, que nos oferecem diversão em forma de vã alegria, provenientes da falta de amor. Eu tenho medo que você fuja dos meus braços, esqueça os meus afagos e pensamentos sem fim. Eu sinto medo de olhar em seus olhos e não mais reconhecer você. Eu tenho medo da distância que separa, da proximidade que não une, de ver o tempo passar sem ter mais a chance de rever você. Eu tenho medo de voltar a caminhar pelos mesmos parques, pelas praças desertas onde antes se avistavam crianças, o vendedor de sorvete e aquele casal de velhinhos lendo o jornal. Eu tenho medo de não mais ver a flor que era a razão de meus dias, que me dizia certas palavras que só mais tarde eu pude entender. Eu tenho medo de calar minha voz por não saber mais falar de amor.

Eu queria em breve reunir forças e me renovar para o mundo, ser feliz novamente e valorizar o amor à vida. Mas eu tenho medo de olhar para trás e não mais enxergar você. Eu tenho medo de voltar a sentir saudade da alegria que havia naqueles nossos encontros, momentos simples onde imperava a felicidade ao colher as flores que encontrávamos no caminho. Eu tenho medo de negar o ciclo do dia, que ao iniciar não tarda para findar, assim ocorre com os seres humanos. Ao ver um pôr-do-sol, começo a refletir na noite que chega trazendo consigo o silêncio revelador do quanto que é  inútil este nosso apego à vida. Mas eu tenho medo da irresistível sensação de que partimos a cada instante. Sutil e suavemente vamos deixando tudo para trás. Não basta somente amar a vida, mas compreender que o Universo está em permanente mutação; sobretudo que a espécie humana envelhece e que novas gerações haverão de surgir. Eu só não tenho medo de ver no rosto da criança a mulher que um dia foi você!

Luiz Maia
SITE - www.luizmaia.blog.br 
BLOG -
http://luizpmaia.blogspot.com/
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skipe: luizmaia1
Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar", "Cânticos" e "À flor da pele". Recife-PE.
 
"São as palavras a dona do meu destino. Quando sinto meu coração partido ou noto a minha alma leve pela alegria que pulsa em minhas veias, eu tomo pela mão a felicidade e falo ao mundo deste sentimento que me invade."
(Luiz Maia)



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Comentários (4)
  • Rafael Reinehr
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    Luiz, obrigado por estar presente também ao final de nossa jornada. Sua presença durante boa parte
    da história do site foi marcante. Obrigado pela sua criatividade, pela sua sensibilidade.

    Um abraço, meu amigo. Que a vida lhe reserve boas surpresas.
  • Marcos Claudino  - Até breve.
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    Luiz, conheci o primeiro e o último momento de suas participações, e você sempre se manteve na
    condição de nos modificar com seus textos.



    Continue sempre, amigo.



    Forte abraço, até breve.



    Marcos Claudino
  • Anônimo  - Saudade
    avatar
    Meus caros Rafael, Marcos e Eduardo.



    Estou deveras emocionado, meus amigos. Ao ler o 'Simplicíssimo' hoje lágrimas me vieram à face. Não
    é de hoje que estamos juntos. Mas ao saber que estamos nos separando, por razões já explicadas, fica
    impossível não sentir um nó na garganta neste momento. Saibam todos que foi um prazer imenso
    conviver este período ao lado de pessoas especiais. Até breve!



    Ps) Sintam-se todos os que aqui participam representados nessas minhas palavras, num derradeiro
    gesto de amor a cada um de vocês. Até mais ver...



    Abração,

    Luiz Maia
  • Afonso José Santana
    avatar
    "...me apegar às pessoas que só nos fazem bem...". Amigo Luiz, fiquei emocionado ao ler seu
    texto, e me peguei nessas primeiras palavras suas. Foi isso que aconteceu comigo e com certeza com
    todos que participaram desta família. Um grande abraço e tudo de bom.
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Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)