Sexta, Setembro 03, 2010
   
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Ex-cravo bem temperado

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Meu gosto por velharias conciliou-se com a era digital. Com essa brincadeira de mp3, consegui "queimar" o conteúdo de 10 CDs em um único CD de dados. (É, não se diz mais "gravar", o quente mesmo é "queimar"). Pois então, estive "queimando" todo o Cravo Bem-Temperado, os Concertos para Cravo(s), os Brandemburgo, as Suites Orquestrais , enfim, vários anos de trabalho do Sr. J. S. Bach. O cara já era "das antiga" há 200 anos, que dizer agora, quase nem se acha mais cravo para tocar, "neguinho" tem que se virar com piano mesmo.

É legal a visão da lista de reprodução do Cravo, basicamente uma seqüência com todas as tonalidades musicais, devidamente ordenadas, do Dó maior ao Si menor, passando por todos os bemóis e sustenidos. Tem-se uma sensação de totalidade... E mergulhar em cada prelúdio-e-fuga é encontrar-se com distintos microcosmos, cada um com algo de especial, apesar da impressionante unidade orgânica do conjunto. Viva a escala diatônica, outra velharia que me agrada irremediavelmente.

Há velharias, entretanto, que não fazem boa figura. Pois não é que encontraram remédio para queda de cabelo (finasterida) no sangue do Sr. Romário? Mesmo diante da possível suspensão, que pode se estender por quase 1 ano, pasmem (sim, por favor, pasmem), o tampinha cruz-maltino não se considera aposentado. Certa vez disseram de Júnior (não o irmão da Sandy, mas o jogador, craque do Flamengo e da Seleção), por ocasião de seus últimos e brilhantes anos de gramado: "é talvez o mais belo pôr-do-sol da história do futebol". Já se Romário não parar por aqui, temo que talvez venha a se tornar o mais ridículo entardecer jamais protagonizado por um jogador de futebol. Piada-de-casseta-e-planeta-prá-baixo.

Já no Senado Federal Superior da Res-púbica Pederativa do Brasil, instituição de genuína tradição tupi-romana com certificação ISSO 9069, o Senador En-Calheiros trocou sua renúncia por uma absolvição, e conseguiu. Algo nunca antes visto na história desse país. Fato novo! NOVO! Novíssimo como o ano que se aproxima, em que se há de rebaixar o Timão para que ascenda Plutão. Eu disse Plutão.

Por falar nisso, mais um es-cân-da-lo perfuma os corredores do congresso nacional: o enfeite de natal de Clodovil, considerado impróprio e inadequado aos limites da casa:

"O enfeite da discórdia foi feito artesanalmente pelo próprio deputado: um toldo de bambu coberto por folhas secas de imbaúba, árvore nativa da Mata Atlântica, pintado de dourado e verde, seguindo o estilo barroco. Luzinhas pisca-piscas completam o arranjo que ocupa as duas portas do gabinete, em um comprimento estimado de três metros. As duas portas também foram revestidas com painéis de vinil nas cores verde e amarelo com os desejos de "Feliz Natal" e "Feliz Ano Novo". A assessoria de Clodovil informou que o deputado levou um mês para confeccionar o arranjo e que a instalação do enfeite foi autorizada pelo departamento técnico da Casa. Clodovil está de licença médica, se recuperando em São Paulo de uma crise de hipertensão, e deverá voltar a Brasília na próxima semana". (o texto é de uma agência de notícias que não me lembro mais do nome)

Felizmente, esta obra "barroca" não pode ser convertida em mp3. Nem tudo está perdido. Vamos a Dubai ver o Romário (não) jogar.


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Comentários (4)
  • Eduardo Hostyn Sabbi  - Quanta coisa!
    avatar
    Ô Luiz, mas quanta coisa boa num texto só! Quer dizer que você anda queimando tudo até a última
    ponta?



    Pelo que entendi, o caso Romário é de outubro, mas foi abafado pela indubitável seriedade do nosso
    país. Do futebol à política. Lá (no congresso) se faz não o que é justo ou ao povo interessa, mas o
    que serve melhor aos "seus negócios" serve. Um nojo.



    Melhor voltamos ao futebol. Andei escrevendo esta semana no blog da Lenne (uma amiga e ex-colunista do Simplicíssimo) o seguinte:



    "Corintiano que acha que foi rebaixado por causa do Inter, está coberto de razão. Mas vejo que não
    sabem de tudo. Foi assim, igualzinho a 2005. Encontramos um juiz que aceitasse marcar penalti e
    mandar bater até a bola entrar, assim como o Edilson topou revelar um inexistente esquema em prol da
    MSI. Mas não paramos por aí, pois de nada adinataria perdermos para o Goiás se o eles ganhassem do
    Gaymio. Então que tivemos a belíssima idéia de oferecer nosso super estádio para eles treinarem. E
    no campo principal, como nem a gente faz. Aí foi uma barbada, criamos umas mandigas brabas para
    afetar o desempenho dos jogadores. Foi um abraço. O Gaymio até tentou, mas os curintianos estavam
    exauridos pela maldição da nossa mandinga. Isso sem falar no que fizemos no restante do campeonato,
    mas fica chato revelar tudo né? Vai ficar parecendo imitação do Dualib... :D :D :D
    "



    Sobre o Plutão e o Clodovil, ah deixa prá lá que já esta tudo escrito aí! :upset :grin
  • Luiz Eduardo Ulrich
    avatar
    Tudo, exceto a maria-joana e substâncias afins, correlatas, superlatas, de-latas, ou de caixinha,
    com ou sem soda cáustica, pois prefiro meus neurônios in natura, assim é mais gostoso. Também não queimo a rosca, ao contrário do que faz o deputado-estilista.
    Também digo não às queimadas florestais e quintais, de lixo ou de notas fiscais. Parece que o
    Romário vai ser treinador do Vasco agora, definitivamente, não se cansou de queimar o filme. Com
    relação ao curingão, concordo, tudo não passou de uma farsa pacientemente tramada, desde 2005, após
    a queda de Tinga-teu-povo-te-ama, toscamente punida com um cartão vermelho.

    Idéias não são metais, que se (a)fundem.
  • daiana  - amigas
    avatar
    daiana vc é uma pessoa muito legal comtinui assim bojos! de sua amiga anatalia
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Selo comemorativo alusivo ao centenário de Salvador Dali (em 2004), gentilmente criado pelo César Schirmer, do Animot, baseado na célebre pintura surrealista-simbolista "The Burning Giraffe", 1937 (serve como um minibanner do Simplicíssimo! É só pegar!)