que vamo. Falei ou tá falado?
Última atualização em Qua, 28 de Novembro de 2007 13:24 Escrito por Pedro Armando Furtado Volkmann Ter, 02 de Janeiro de 2007 15:43

Violentos Haikais 95/X
Nunca tinha visto
Criança de porre e velho tarado
Nada ajuizado
Faroeste 81/X
Mais um belo dia assim
Toda Manhosa, cheirosa
Rindo para mim
Existem alguns textos que servem para descrever qualquer tipo de coisa, tomar partido de alguma coisa que nunca se tenha visto ou mostrando que se está engajado em um projeto. Muitas vezes, podemos trocar algumas poucas palavras e saímos de um ambiente de uma padaria para o de um laboratório de pesquisas de ponta.
Textos que não tem nada a dizer nos cercam sem que nada possamos fazer ou dizer a respeito. Não que eu considere isto um fato relevante nesta questão, apenas chego a triste conclusão que a parte técnica de nossas vidas toma um tempo ínfimo. Talvez seja por isto que aquela música do Lulu Santos faça tanto sentido para mim: assim caminha a humanidade, a passos de formiga e sem vontade.
Escrevi isto sem ouvir os discursos do nosso reeleito presidente ou da primeira governadora mulher do Rio Grande do Sul. Porém acredito que isto tenha valido também lá.
Pois, frases bonitas, mas vazias que não enchem bocas famintas de alimento e compreensão.
De qualquer forma sigo atônito com este tipo de acontecimento neste setor da sociedade, no caso, os fazedores de textos e discursos que não dizem absolutamente nada. Fico com medo de também fazer parte deste tipo de gente, sujeitos desalmados, que não tem nada a fazer a não ser avisar pessoas que é necessário por mais lenha no fogo, porque sequer poderiam se mexer para fazer isto.
Proponho um exercício bem simplicíssimo, vá até o começo do meu texto e o transforme, falando de política, economia, futebol, engenharia, mudanças em uma empresa ou qualquer outra coisa que quiser e vais ver que tudo não passa de Lero-lero (este texto não foi copiado de lugar nenhum, mas poderia ter sido...)
De ré na contramão, porque estou cheio de Lero-lero.
-
|Seu IP:201.66.189.xxx |03-01-2007 04:21:01 RafaelReinehr - http://armazemdeideias.org
Comigo não tem essa de lero-lero nem vem cá que eu também quero: é osso no osso, lata na lata e vamo
que vamo. Falei ou tá falado?
-
|Seu IP:201.68.68.xxx |03-01-2007 14:39:53 rodrigomonzani
Eu tenho uma pergunta: Por que não podemos fazer nada contra os textos que não dizem nada? O que nos
impede? Decoro? Falta de capacidade crítica ou em entender o que, por força de algum efeito
primitivo, queremos criticar?
E ainda, por que não podemos, ao invés de apenas chegarmos a tristes conclusões que, via de regra,
não interessam a mais ninguém a não ser a nós mesmos, (essas conclusões sim, o verdadeiro lero-lero)
tentar fazer algo, no caso da literatura, escrever frases que demonstrem, por exemplo, o engajamento
em algum projeto?
‘Escrever sobre projetos não enche a boca de ninguém’. Discordo, mas esse sou eu e posso estar
errado, mas na linha do raciocínio: Música enche? E artes plásticas? Sexo liberal, feminismo,
técnicas de hipnose enchem a boca de alguém?
O que falta à humanidade não é ânimo. É habilidade em mudar, de bem se adaptar e relacionar com
mudanças, sejam elas sociais, religiosas, patronais. Habilidade para compreensão não do porquê ser
contra (isso somos nós justificando nossas atitudes por vezes covardes, por vezes egoístas a nós
mesmos), mas dos motivos de existir alguém a favor de algo, de um projeto pelo qual não damos nada,
nem a hombridade de uma crítica direta.
A conclusão até pode ser a mais execrável possível, mas esse tipo de compreensão é inteligência. A
mais relevante divisão não só no Brasil, mas no mundo, não é a social, mas a mental. E é com
engajamento, atitudes e textos que se pode mudar, ou ao menos tentar mudar a situação.
Quem sabe o Lulu Santos não nos responda melhor numa outra de suas músicas. Não... eu acho que ele
tá mais preocupado em dançar até sem saber dançar. E abrir as suas asas.
-
|Seu IP:189.6.226.xxx |04-01-2007 16:37:28 PedroArmando
A questão é aprender a ver o vazio que tem em certos comentários, como os que eu vi hoje ao meio-dia
da nova secretária da educação. MAs ela está certa. Se melhorarem o nível dos professores mais e
mais pessoas vão se dar conta dos discursos vazios dos políticos...
-
|Seu IP:201.42.115.xxx |07-01-2007 15:27:51 rodrigomonzani
Eu me pergunto se o vazio da politicagem não existe exatamente porque o que se busca, no discurso
partidário, é publicidade, basicamente.
Publicidade pessoal para os políticos, publicidade para os partidos. O vazio não viria dessa
auto-promoção, acompanhado posteriormente por mentiras mais substanciosas, quando as promessas
necessitam de explicação?
Você me deu uma boa idéia, Pedro. Vou escrever sobre o papel da publicidade no que hoje se entende
por revolução. Tenho a impressão (quase a certeza) que não somente a sua, mas a idéia de muitas
outras pessoas totalmente esclarecidas (que se dirá dos outros, meu caro...) sobre o que é revolução
acaba como que "eclipsado" por esse planeta de luz própria chamado publicidade; e seria
muito bom ouvir sua opinião, como publicitário, no texto da semana que vem.
No aguarde, aquele abraço!
-
|Seu IP:200.99.150.xxx |08-01-2007 13:12:40 claudino
Não sei não, Pedrão, mas por mais vazio que seja um texto, um discurso, aprendemos pelo menos de que
não se deve seguir por esta ou aquela linha. Nem sempre a inteligência produz resultados palpáveis,
mas empíricos, que nos guiam até pelos "não-caminhos" a seguir, se é que eu entendi alguma
coisa no contexto abordado.
abraço,
Mc
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