Terça, Maio 22, 2012
   
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Deus, o grande barbeiro

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Sabiam que de minha estreita relação com Deus, sabiam de meu relacionamento privilegiado com o criador, e que diariamente falo com Ele e que Ele fala comigo.

Mesmo sabendo disso, ou exatamente por saberem disso perguntaram-me:

– Porque o homem precisa de Deus?

Antes de qualquer outra coisa tenho que pontuar um par de coisas importantes para o norteamento deste pensamento:

1. Deus é uma pessoa.

2. Deus é o criador de todas as coisas.

Talvez esta não seja a ordem, contudo não quis considerar a maior ou menor importância destas afirmações, o fato fechado é que são absolutamente fundamentais, e não posso pensar na idéia de Deus sem estes preceitos, além do mais, estabelecendo isso evito ficar elencando motivos e listando razões e fatos aleatórios. Fazer isso seria uma boa, mas fica pra uma próxima.

Comparo Deus a um pai, ou a uma mãe, daqui pra frente vou classificar como pai simplesmente, mas a idéia exata está mais próxima dos pais, mãe e pai, do que apenas da figura masculina. É possível dispensar os préstimos de um pai? Abrir mão daquilo que um pai legítimo pode oferecer aos seus filhos?

É evidente que para estabelecer uma relação de paternidade com alguém, seja ele quem for, é preciso posicionar-se, posicionar-se e permanecer na posição. No caso da paternidade divina esta posição é feita de duas coisas, nesta ordem: Fé e amor.

Pensar na função ou utilidade de Deus é como pensar na ação de um pai no decorrer de toda vida de uma pessoa.

Pra começar toda criatura é fruto de uma criação a qual depende de um criador parque haja de fato. Um filho pressupõe um pai.

O pai cria, provê, protege, auxilia, ensina, encaminha, orienta, exorta, corrige e apóia entre outras várias coisas que faz pelos seus filhos. Minha experiência como filho e como pai me diz que isso é uma daquelas coisas que parecem estar corretas e estão corretas, digo que não há engano nisso!

Filhos precisam de um modelo de aparência moral, coisa que naturalmente os filhos buscam na pessoa do pai. Pense num filhote de falcão, por exemplo, ele não escolheria saltar do ninho feito na encosta da montanha por conta própria, isso é coisa do pai, por ele ficaria no ninho indefinidamente e com isso jamais voaria.

É evidente e claro que para o homem ter um pai como Deus é uma questão de escolha. Lanço mão de um exemplo sobre o acreditar e dispor de Deus como pessoa e como a pessoa de um pai:

 

Um homem conversa com seu barbeiro enquanto este lhe corta a barba, conversam sobre a situação atual do mundo, guerras, desordem, violência, fome, miséria. Em certa altura da conversa o barbeiro disse:

- Sabe, pensando bem não acredito que exista um Deus como aquele que aprendi que existia em minhas aulas na escola dominical.

- Mas porque está falando isso? Perguntou o homem com espuma no rosto.

- Oras como posso acreditar que haja um Deus que nos ama e que criou tudo e que deixa todas estas barbaridades acontecerem pelo mundo? Que pai é este? Indignado brandiu a navalha no ar.

Naquele momento o cliente não respondeu nada, compreendeu a indignação do barbeiro e posicionou-se solidário a ele, mas deixou claro não concordar que não houvesse Deus, apesar disso não entrou nesta discussão, afinal o homem tinha uma navalha que cortava até pensamentos.

Acabando o serviço, despediram-se muito educadamente, como de costume. O cliente saiu da barbearia foi pensando naquela coisa de que não existia Deus, e tudo mais o que o barbeiro, seu amigo de muitos anos, havia dito.

Andado pela calçada viu vários homens com os cabelos e barbas compridos e despenteados, lembrou-se do amigo da barbaria, voltou lá e ao entrar disse:

- Sabe, pensando bem não acredito que existam barbeiros nesta cidade.

Assustado o barbeiro diz:

- Como assim? Eu estou aqui o dia todo, como pode dizer que não existo?

- Oras como posso acreditar que existam barbeiros se andando pelas calçadas daqui só se vêem homens com os cabelos e as barbas compridas e despenteadas?

- Mas como posso fazer algo se estes homens não vêm a mim?Se vierem poderia cortar-lhes cabelos e barbas, e digo mais, se vierem numa boa poderia até fazer desconto ou não cobrar pelo serviço, conforme o caso!

(!!!)

Em minha opinião é exatamente isso que ocorre com o homem, Deus está lá, pronto para cortar a barba e cabelos de quem se dignar a entrar em seu salão e sentar-se em sua cadeira de barbeiro.



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Comentários (6)
  • anonimalista  - http://domquixote.multiply.com/journal
    avatar
    Veja só, o assunto da minha coluna dessa semana é mais ou menos esse tbm. Nunca fui de acreditar em
    deus. Só to me fodendo. To precisando de algo em q acreditar, nao sei pq to achando isso, mas to.
    Mas quero logo meu paraiso. Uma direçao. ehj achei uma carteira na rua, mas nao a juntei. Vai ver
    tava aí e resposta.
  • claudino
    avatar
    Também não acredito naquele Deus ensinado nas escolas dominicais. Aquele era vingativo e
    punitivo...



    Acho mesmo que Ele faz cabelo barba e bigode de muitos que nem vão à barbearia...



    abração,



    Marcos
  • hjesu  - http://horabsurda.com/hora
    avatar
    Muito bem visto, adorei o tipo de humor (e não só, tem algo de verdade).

    Abraços
  • Albino
    avatar
    -_- Também não entendo como milhares de crianças morrem de fome e de doenças como tétano, difteria,
    malaria, outras de maus tratos, por enchentes, terremotos etc, se o barbeiro esta ali esperando
    aquelas criancinhas que se dignarem a ir até Ele ...
  • Anônimo
    avatar
    "DEUS E O BARBEIRO": UM TEXTO CONFUSO E DEMONÍACO

    A estória acima se baseia no seguinte raciocínio:

    A afirmação (1): “Se há mal e sofrimento no mundo, não há Deus” é comparada a afirmação (2):“ se há
    pessoas cabeludas e barbudas, não há barbeiros”; porém se é verdade que há pessoas cabeludas e
    barbudas no mundo, e há barbeiros, então, por comparação, a primeira afirmação, sobre Deus, está
    errada também, já que assim como a existência de pessoas cabeludas e barbudas não implica na
    não-existência de barbeiros, a existência do mal e do sofrimento no mundo não implica também na
    não-existência de Deus, logo, por comparação, existe, sim, Deus.

    É obvio que sua simplicidade é logo de cara um grande atrativo, e que também seduz por sua forma
    poética, mas o problema é que esta simplicidade não trata a questão como deve ser tratada, pois as
    afirmações (1) e (2) não são de modo algum semelhantes, EXIGÊNCIA IMPRESCINDÍVEL para que a estória
    tenha coerência, pois todos irão concordar comigo que existe infinita diferenças entre um barbeiro e
    Deus; que também há uma enorme diferença em como chegamos à ideia de Deus e de um barbeiro: a ideia
    de Deus (ser infinito, infinitamente bondoso, todo-poderoso, infinitamente sábio, etc.) alcançamos
    por meio de uma religião (entre milhares de religiões, com deuses de todos os tipos) enquanto a
    simples ideia de barbeiro chegamos à ela por meio da experiência direta; o barbeiro, é um ser
    finito, enquanto Deus é um ser infinito, e etc. Além disso, podemos conceber, sem nenhum problema,
    pessoas que queiram usar cabelos e barbas longas, mas não podemos conceber que o mundo possa
    escolher ser ou não criado por um Deus.

    Portanto, A ESTÓRIA É FALHA E ENGANOSA, já que a base dela é comparar, equiparar, o barbeiro a Deus,
    afirmando que o mesmo efeito possui causas similares, levando-nos a entendermos, sem dúvida de modo
    intencional, que o que cabe a um cabe a outro: se o barbeiro existe independente de haver ou não
    pessoas barbudas e cabeludas, então Deus também existe independente de haver ou não o mal e o
    sofrimento no mundo; mas vimos que há infinitas diferenças entre um e outro, o que é permitido a um
    não é a outro; ademais, sendo o barbeiro finito e simples e conhecendo sua existência diretamente,
    torna-se muito mais provável a existência de um barbeiro do que de um Deus com toda sua
    complexidade. Além disso, a estória depende de Deus ser de fato bom, o que deveria ser demonstrado
    antes.

    MORAL DA ESTÓRIA: no fundo a comparação entre Deus e o barbeiro, além de ser erronia, é ofensiva a
    Deus, já que não apenas iguala Deus ao barbeiro, como aqueles que vão até ao barbeiro, para terem os
    cabelos e as barbas cortadas, vão somente mediante pagamento (por isso que existe mendigos barbudos
    e cabeludos); o que contradiz com a ideia de um Deus bonzinho.

    FONTE: CEREBRAU.COM.BR: UM SITE DE FILOSOFIA E LITERATURA DE TERROR.
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