Terça, Maio 22, 2012
   
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Emoções à flor da pele

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Nada mais exigia, além de simpatia e chocolate; e alguém para ouvir a história de seus tormentos e labutas naquele instante. Ou apenas uma companhia em silêncio empático, cúmplice, solidário. Estava disposta a tirar a armadura e soltar os rios de ternura mescladas a raivas e outras emoções prontas a serem elaboradas, organizadas e finalmente nomeadas, além das renomeadas existentes desde que o primeiro humano percebeu-se como tal.

Resolveu encarar pelo mais profundo, a pele(conforme a visão de Paul Valéry). Encarou-se no espelho, devagar, timidamente, até que os lábios, cabelos, seios da face, nariz, olhos, olhos, olhos. Estes, os verdadeiros traidores que tudo contam da alma sem permissão. Mostraram que a janela estava e sempre esteve aberta. Apenas devia voltar a visão para o interior e tudo surgiria nitidamente para si. Olhos para fora e para dentro, agora. Embora a novidade continuasse adorável, ainda se fazia misteriosa e estranha devido à intensidade da solidão, o passar dos séculos, gerações de minutos, o findar das estrelas e do luar.

Acende o cigarro apagado na metade e curva-se à magnífica prontidão, pois qual o mal em prestar homenagem à beleza do mundo, cataclismas, perfeições e imperfeições do ser e da Natureza?

Compreensão era o que ela queria. Que a convencessem de suas qualidades, confirmassem repetidamente que os espectros mentiam ou exageravam quando lhe dizia que para nada prestava e não merecia viver e matar-se seria o melhor para todos e era covardia quando se machucava apenas um pouco, fraca e patética. Enfim, ansiava a voltar à vida,seu esforço não sendo em vão e sentindo-se aquecida, reconfortada para seus sentidos físicos e metafísicos serem restituídos, sua motivação estimulada, seus pequenos gestos construtivos considerados, suas características pessoais fertilizadas e todo seu ser abarrotado de vida, criatividade e estima.

Contudo,o esgotamento é inexorável e cruel, incutindo o gozo de se deliciar ao abandono no cansaço, exaustão mental, espiritual, social, por sobre a página das Contemplações poéticas de Victor Hugo, enquanto palpitava através dela - como a vibração de uma mola retesada ao máximo e que, agora, cessasse gradativamente de pulsar - o êxtase da criação, vitoriosa. Inveja! E dizem que inveja mata... Então como ainda respira?


O interromper esa aura por um terceiro desapercibidamente é um perigo!Energias condensadas podem desequilibrar o ambiente. stranhamente olhos brilham seja de desprezo,ódio do mundo ou outras obscuridades até então adormecidas.Tristeza,sofrimento,cansaço tornam,então,o recanto pouco acolhedor e de acessível comunicabilidade. os seres ali se veem sugados por uma forte fadiga.  o efeito de todo o proceso reverte-se numa incorrigível ansiedade e esperança, sem consolação. 

Estranhos devaneios apossam-se duma mente fragilizada. A carne fragmenta-se em átomos varidos pelo vento e espalhados pelo universo.Estrelas emfogo ardente lampejam no peito, ferindo e queimando ferozmente o coração: de rochedos,nuvens, céu, mar, galhos, assim ligados propositalmente ansiando a reunir numa forma exterior os fragmentos desorganizados no caos da visão interior d`alma.

Impossível resistir ao ímpeto de vaguaer de um lado para o outro à procura de si mesmo.Um impuldo isolado, duradouro, brilhante e pungente, distante do cotidiano entre família, amigos e gestos conhecidos. Um intermitente estímulo ao que extinguiria o paradoxo, o desespero, o medo, a carne em humana forma e conduziria à paz eterna, descanso do espírito exausto, à segurança absoluta do nirvana em tensão zero.

 



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Comentários (3)
  • Afonso José Santana
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    É verdade, Tania, estranhos devaneios tomam posse de uma mente fragilizada; há de se vigiar sempre;
    abraços.
  • Nadja  - Emoções A flor da pele
    avatar
    Devaneios, angustia, quem é que não tem? Mas materializá-los numa folha de papel ou numa tela de
    computador através de textos bem escritos requer aquele "algo mais" que emociona,
    sensibiliza e nos faz ter vontade de abraçar, compartilhar, reconfortar e ajudar a vislumbrar
    emoções mais prazeirosas pois o sol sempre brilha novamente, por mais intensa que seja a tempestade,
    não é?

    E é este "algo mais" que faz de vc, Tania, uma grande escritora. Parabéns!!!!
  • Clarice Villac
    avatar
    Seus escritos nos trazem luz, esclarecimento, vislumbres da totalidade de nossos icebergs.

    Ao nos reconhecer em suas traduções do invisível, podemos nos organizar melhor, quase nomear nossos
    deslimites,

    e então,

    se olharmos para a harmonia da Natureza em seu equilíbrio simples,

    acontece o milagre da vida reenergizada em nós.

    Escreva sempre, Tania !

    um abraço amigo.
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