Quarta, Maio 23, 2012
   
Text Size

Ainda somos os mesmos...

Avatar

 

Olhando pra trás, tentando identificar uma identidade, um fato específico que me fez começar a perturbar as pessoas com meus escritos, não encontro nada em específico.
         Fato principal, sempre carreguei comigo uma não-aceitação imediata. Na verdade podemos classificar isso como pura e simples pré-potência. Aquele complexo de super-homem que em certa idade nos faz sempre ter razão, ou simplesmente achar que temos razão.
         Passado algum tempo sem me dedicar aos escritos, tentando uma inspiração em meio à falta de tempo sempre presente, reli muitos daqueles meus filhos. Ao invés de me animar, desanimei.
         Algo como a sensação do Belchior ao escrever a letra da música “Como Nossos Pais”. Hoje entendo o bigodudo procurado pelo Pânico.
         Não que eu ache tudo que escrevi uma “lhosta”, mas principalmente as crônicas sobre o dia-a-dia, as impressões sobre as atitudes dos outros, as opiniões que emiti sobre o mundo, sempre me colocando num patamar acima. Isso me irritou.
         Não que a pré-potência seja uma característica pura e simplesmente desta besta que te escreve, mas a minha incomoda a mim, a dos outros que incomode aos outros, ou não...
         A cada dia mais pessoas à minha volta chamam-me de “senhor”, a cada dia uma ruga e um fio de cabelo branco jogam-me à cara que estou me tornando meu próprio criticado, e a cada dia as teorias que critiquei com afinco no passado tornaram-se parte de mim.  As guerras que travei, as trincheiras que me enfiei trocaram as bandeiras e eu nem percebi.
         Hoje tenho pouca energia para defender teorias, talvez porque consegui praticar poucas delas. Hoje sou um conjunto de práticas erradas que não consegui mudar, ou nunca sequer tentei.
         Até pra isso eu me atrasei. Talvez esteja tendo a crise dos trinta aos quarenta, ou talvez tenha simplesmente caído a ficha, e eu finalmente tenho a noção mais clara de que minha voz tenha se perdido no universo virtual, sem resposta sequer de mim mesmo.
         Enfim, amigos, precisava passar a vocês alguns porquês de minha ausência, talvez precisasse deixar sair isso de mim para continuar, ou me calar para sempre.
         Parafraseando o final da música, quem dera eu me tornasse um pouco do que foi minha mãe, do que é ela hoje, de sua energia, de seu amor incondicional e despretensioso, de sua honestidade e dignidade, aí sim este texto estaria bem melhor...
         “Nossos ídolos ainda são os mesmos, e as aparências não enganam não...” – Belchior, melhor na voz da mãe da Maria Rita.
 
         Marcos Claudino, 40 anos, profissional de Recursos Humanos, motociclista, corintiano, talvez tenha tomado sol demais na cabeça, mas promete melhorar após o primeiro copo gelado em boa companhia.


Adicione este artigo à sua Rede Social favorita
Digg! Reddit! Del.icio.us! Google! Live! Facebook! StumbleUpon! Yahoo! Joomla Portal
Comentários (0)
Escrever um comentário
Your Contact Details:
Gravatar enabled
Comentário:
[b] [i] [u] [url] [quote] [code] [img]   
Security
Por favor coloque o código anti-spam que você lê na imagem.

Viagens Etéreas e Psicodélicas Impressas no Éter Universal

Poesia a Toda ProsaPor dentro e por fora
23/05/2012 | Frank Santos

A vida é como surf
altos, baixos,
tudo ondulado
e o que mais importa?
aquilo que passa
ou aquilo que fica?


Líricas BulhufasINVENTÁRIO DE WANDU
22/05/2012 | Marcelo Sguassabia




Passada a consternação que assolou o país com o desaparecimento de um dos maiores nomes de nossa música, a família de Wandu deu entrada na tarde de ontem ao processo de inventário, para a partilha do pa [ ... ]


Contos MissioneirosConcurso, professores e resultados INEP
21/05/2012 | Mauro Rodrigues

    Toda pessoa pode errar e emitir seu conceito sem o devido cuidado, mas um comentarista de TV como Lasier Martins, não.


Daqui & De LáCatasetuns, Abelhas & Mamangava
16/05/2012 | Clarice Villac

colorido encontro –
Catasetum cassideum
abelhas em festa !


Líricas BulhufasENSEBADO
15/05/2012 | Marcelo Sguassabia

 Troco numa boa mil megastores de livros novos com cybercafés por um sebo mal arrumado e labirintuoso. Daqueles encravados nos centrões das metrópoles, com as paredes caindo aos pedaços como os volumes que abrig [ ... ]


GaijinSou finalista do Brazilian International Press Awards
13/05/2012 | Edweine Loureiro

Simplimigos, sou um dos cinco finalistas, na categoria Destaque Literário, ao Brazilian International Press Awards no Japão: – o maior prêmio da Comunidade Brasileira residente no exterior (Inglaterra, E.U.A.  [ ... ]


Poesia a Toda ProsaCom a racionalidade de um trator
09/05/2012 | Frank Santos

A formiguinha tímida chegou perto do tamanduá e perguntou: eu sei que já já você vai me devorar, assim como também outras das minhas amiguinhas, mas vou te falar, tu é muito feio.
O tamanduá por sua vez, parado [ ... ]


Líricas BulhufasANÁLISES CÍNICAS
08/05/2012 | Marcelo Sguassabia

 I   Não tenho nada a perder, daqui a pouco vou dar um basta definitivo na minha vidinha sem parasitas, vírus, fungos e meningococos. O negócio agora é bagunçar esse coreto arrumadinho de tubos e lâmina [ ... ]


Líricas BulhufasESTAÇÃO PARADISO
01/05/2012 | Marcelo Sguassabia

 Abre com lua e estrela, a pleno brilho em lugar qualquer. Clima de épico bíblico. Cena 2: panorâmica nos trilhos da linha azul do metrô. O filme dentro do filme dentro do filme. Metrô é espaço de passagem e  [ ... ]


Líricas BulhufasA LUNETA
24/04/2012 | Marcelo Sguassabia

Na embalagem havia um enorme splash, onde se lia: “Montagem fácil e rápida”. Bom, dois dias e duas noites não é tanto tempo assim. O suficiente para encaixar nos lugares certos as lentes, roldanas, parafu [ ... ]


GaijinLançamento do livro “Em Curto Espaço"
22/04/2012 | Edweine Loureiro

Amigos, no dia 27 de Abril, será lançado meu livro “Em Curto Espaço” (Editora Multifoco, Selo 3x4), um conjunto de sessenta microcontos, muitos premiados em Concursos Literários. Eis o anúncio do livro,  [ ... ]


Contos MissioneirosInsetos, rãs e Rorschach
19/04/2012 | Mauro Rodrigues

     Você conhece os Watchmen? Eles têm um integrante que se chama Rorschach. O cara é o Batman ainda mais maluco...


Poesia a Toda ProsaO Abraço
18/04/2012 | Frank Santos

Na areia da praia a caminhar, pareço sozinho? Não estou, carrego ela em meu coração. E de repente começo a correr, não tão veloz, mas de uma maneira de quem quer chegar um pouco mais rápido, como uma criança que [ ... ]


Fabulando!O pedaço de pão
10/04/2012 | Douglas Eraldo dos Santos

 Havia no reino o maior pão já feito por um padeiro. Ele ficava exposto no coração do castelo para adoração e cobiça do povo e dos nobres. Era um pão enorme, capaz de acabar com toda a fome dos pedintes, da  [ ... ]


Líricas BulhufasCLUBE DA ESQUINA, 40
10/04/2012 | Marcelo Sguassabia


A agulha sulcando o vinil é arado rasgando as serras das Gerais - sem meias medidas, num quase estupro consentido. Segue a girar como Minas gira coração e miolos adentro, em quem é de lá de nascença, por costume  [ ... ]


Daqui & De LáEcos...
04/04/2012 | Clarice Villac

um ponto de luz –
a potencialidade –
repouso das coisas...


Líricas BulhufasDOIS DENTES
03/04/2012 | Marcelo Sguassabia

Foi na sala de espera do dentista, enquanto matava o tempo lendo uma história em quadrinhos, que caiu a ficha. Me dei conta que os personagens, quando humanos, apresentavam no lugar dos dentes duas fileiras brancas sem  [ ... ]


A Bíblia Demons[trada]A BÍBLIA DEMON’S [TRADA] -VERSÃO DO DIRETOR
03/04/2012 | Mephistopheles Pionus Maximilliani

 DEPOIS DA MORTE DE JACU ZÉ ACOLHE SEUS IRMÃOS APROVEITADORES  
Percebendo que o pai morreu Zé voltou e chorando o beijou. Ordenou depois que os médicos embalsamassem o corpo do seu pai. Depois de embal [ ... ]


A Bíblia Demons[trada]A BÍBLIA DEMON’S [TRADA] -VERSÃO DO DIRETOR
30/03/2012 | Mephistopheles Pionus Maximilliani

  JACU NAS ÚLTIMAS  
Quando percebeu que chegara a hora da morte Jacu chamou o Zé e disse: 1. Se eu tenho o seu afeto coloque a mão debaixo da minha coxa, e prometa tratar-me com amor e fideli [ ... ]


Daqui & De LáOutono
28/03/2012 | Clarice Villac

Frescor de tardes douradas...
e vão voando as folhas,
as lembranças bem-amadas,
para que tu as acolhas...


Fabulando!Bicho-preguiça
27/03/2012 | Douglas Eraldo dos Santos

 Lá pras bandas do norte num descampado de árvores secas havia um bando de bichos-preguiça. Entre eles, uma chamada Teobaldo que vivia numa árvore grande e sem folhas. Seus galhos se ramificavam por todos os lad [ ... ]


Líricas BulhufasUM CONTROL Z DE PRESENTE
27/03/2012 | Marcelo Sguassabia

Dedicado ao meu amigo e ilustrador deste texto, Thiago Cayres, que faz aniversário no mesmo dia que eu. E também para o meu pai.  
Como de costume, estava eu à noite na varanda, curtindo o fastio da janta e d [ ... ]


Poesia a Toda ProsaO Bom de Amar
21/03/2012 | Frank Santos

Como uma pluma ou pétala de rosa que se esvai, uma espécie de bruma chega aos sentidos, aos sentidos de quem anda devagar sem muito se apressar, aproveitando cada momento de modo calmo e intenso. E nesse momento mergul [ ... ]


Líricas BulhufasAPARTAMENTO 607
20/03/2012 | Marcelo Sguassabia

Naquele cubículo eu a amei mais do que seria o bastante a dois mamíferos normais. Ou mais do que seria conveniente aos olhos e ouvidos dos vizinhos. - Essa penugenzinha mais espessa caminhando pro seu umbigo, olha só [ ... ]


A Bíblia Demons[trada]A BÍBLIA DEMON’S [TRADA] -VERSÃO DO DIRETOR
20/03/2012 | Mephistopheles Pionus Maximilliani

                                                             &nbs [ ... ]


Daqui & De LáDia Nacional da Poesia
14/03/2012 | Clarice Villac

A Poesia permanece aberta, 
no ponto de ser ressignificada
pelo leitor...


Poesia a Toda ProsaZunindo de Felicidade
14/03/2012 | Frank Santos

Uma abelhinha gordinha pousou em mim e sem que eu percebesse me deu carinho. Carinho vai carinho vem até que acordei. Acordei sem entender, virei pra lá, virei pra cá e voltei a dormir. Minutos depois uma muriçoca pe [ ... ]


Fabulando!Torrões de Açúcar
13/03/2012 | Douglas Eraldo dos Santos

Diz-se que há muito tempo, quando as formigas eram mais ingênuas, e quando não havia espaço para elas fossem ardilosas, as coisas começaram a mudar no formigueiro. Um dia, uma formiga achou por bem que não era nece [ ... ]


Divulgue o Simplicíssimo

 
 

(by Carla)

Login