

Última atualização em Sáb, 18 de Abril de 2009 17:38
Escrito por Marcos Claudino
Ter, 04 de Novembro de 2008 10:11

Capítulo VIII – A Festa, as Cervejas, e...
Uma tarde, ao voltar do mercado, Antonio encontrou Max deitado na rede, saboreando o primeiro café feito por ele mesmo.
- Ei Gringo, você já foi a uma festa?
- Não, mas posso conhecer, por que não?
- Então pegue uma das minhas calças, tome um bom banho, passe meu perfume, porque vamos conhecer uma mulherada boa no cais...
E no começo da noite Max e Antonio seguiam em direção à festa do Sindicato dos Estivadores. Um som alto já se ouvia ao longe, e dentro ensurdecia Max, nada acostumado com isso. Mas, como todas as demais novidades, acostumou-se rapidamente. Apresentações a uns e outros em meio à multidão, e Antonio perdeu-se no povaréu, deixando nosso amigo à sorte dos novos colegas.
- Fique por perto. Peça alguma coisa pra beber no balcão (apontando), que eu vou ver como está a festa, Gringo. Devagar hein?
E Max foi deixado ao lado do balcão com um copo de cerveja na mão. Olhou demoradamente para o copo, observou os outros bebendo à sua volta e fez o mesmo, de uma só vez. Tão rápido quanto bebeu, caiu. E foi rodeado por muitos, que ajudaram-no a levantar-se, ainda tonto.
- Vai devagar, irmão. Assim você não aproveita a festa.
Foi deixado sentado numa cadeira, com outro copo à sua frente. Mas desta vez era guaraná que, bebido vagarosamente, trouxe sensação de bem estar. Olhava tudo com muita atenção. Pensava se iria lembrar-se de tudo que estava vivendo quando acordasse. Poderia mesmo contar muitas coisas interessantes aos seus quando voltasse. Sentiria falta dos peixes e da boa e simples companhia de Antonio.
- Ei Gringo, parece que você é o único sozinho numa mesa por aqui... Podemos dividir nossas solidões?
Era Lena, trabalhava no mercado, e Max já havia notado um olhar diferente nas poucas vezes que foi negociar a pesca do dia.
- Oi Lena, tudo bem? Pois é, o Antonio sumiu no meio do salão e eu acabei ficando por aqui, perdido nos pensamentos.
- Você deve se sentir sozinho num lugar que não conhece... Fale-me de você...
- Sabe Lena, estou apenas deixando as coisas acontecerem. Mas sinto saudades dos meus. Tudo isso é muito novo, mas à medida do possível vou me acostumando e acabo gostando.
- E Max não se preocupou se Lena entendia ou não. Após mais um copo de cerveja, seguido de vários outros, contou toda a sua vida, sua história. Lena achava, antes de tudo, muito divertido.
Uma fresta de sol acordou-o. Tentou levantar-se, mas a cabeça doía. Resolveu ficar deitado, tentando lembrar-se como foi parar naquele quarto estranho.
- Vejo que o viajante do futuro acordou... Como se sente?
- Lena, o que estou fazendo aqui?
- Agora nada... – disse piscando maliciosamente. Não se lembra?
- Absolutamente nada...
Com esforço levantou-se e, sem se despedir, saiu em direção à casa de Antonio. No caminho teve que parar algumas vezes, pois o sol quente e a claridade deixava-o tonto.. Lembrava agora de pedaços de acontecimentos, que iam e vinham. Eram como flashes. E teve a certeza do que exatamente acontecera entre ele e Lena...
... continua...
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