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Heróis Esquecidos - Clodoaldo Santana PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Luiz Emanuel Campos   
terça, 11 de julho de 2006

Festa importante, cheia de figurões.
Minha noiva, minha mãe e eu querendo aparecer no meio daquela gente famosa.
O homenageado era um prefeito de uma cidade vizinha, primo do amigo de um amigo do meu primo.
Lá pelas tantas eu olho emocionado entre a turba tumultuada e quem vejo? Clodoaldo, o grande volante da copa de 70, a seleção que deu o Trí para o país! E o melhor, poucos dias atrás eu o tinha conhecido pessoalmente e tive a chance de trocarmos umas figurinhas. Vê-lo, ali na festa, era minha chance de: continuar meu bate papo com ele e ser visto batendo papo com ele, que afinal eu não ia perder a chance de impressionar a minha noiva! Bom, voltando à história, eu não podia simplestemente ir até o Clodoaldo e cumprimentá-lo, eu precisava que minha noiva e minha mãe soubessem que eu era próximo a ele, e precisava saber se elas sabiam quem era ele, assim, tratei de fazer um comentário sem pretenções, algo que apenas aguçaria a curiosidade delas:
- Vejam como o mundo é pequeno, olha lá não é meu velho amigo Clodoaldo, acho que vou até lá cumprimentá-lo e já volto, tá bom amor?
-
Quem é Clodoaldo? Quem é Clodoaldo?
Eis que meu mundo ruiu e meu noivado estremesse, fazendo minha aliança queimar em meu dedo. Como pode? A mulher que escolhi para ser esposa um dia, aquele monumento de mulher, me fazer uma pergunta destas? Eu, não quis acreditar, tentei argumentar algo sobre ele, quem sabe ela apenas tivesse esquecido? - Ele é da seleção tri-campeã, amor, jogou a copa que deu o Tri para o país!
-
Ah, em 94, né? Nossa, ele tá velhinho já!
Aquilo era quase um divórcio pré-nupicial. Eu já sabia que brasileiro não tem memória, que nunca sabia quem descobriu o Brasil, Pedro Alvares Cabral ou Cristóvão Colombo. Que não saiba o que se comemora em 15 de novembro ou 7 de setembro, também passa, nada mais natural. Mas esquecer do esporte símbolo do país? Das conquistas de nosso esporte? Não, nunca esperava tal prova de falta de memória! Foi quando minha mãe, salvadora, interveio:
- Querida, ele foi campeão na copa de 70, quando o Brasil foi tri campeão! Mãe é mãe, e que orgulho eu tinha da minha. Ela deve ter me percebido orgulhoso, por que mal acabou de falar isto e emendou:
- Querida, vou eu lá cumprimentá-lo, tá? Pronto! Era bom demais para ser verdade. A segunda coisa que as mães são melhores em fazer é fazer os filhos passarem vergonha. Ela foi sorrindo e gritando um sonoro "Crodoaldo", para um assessor de imprensa de sei lá quem, que já olhou meio fugindo, se esquivando de um abraço da minha mãe, enquanto eu tentava esconder minha cabeça no bolso da calça! Fui até minha mãe com o melhor dos meus sorrisos amarelos, peguei-a pelo braço e dei um olhar para o cara que diz, "ela esqueceu os remédios hoje, sinto!". Realmente era o fim da festa, apunhalado pela minha mãe e pela minha noiva na mesma noite, passei pelo Clodoaldo, dei-lhe um tapa no ombro e dormi triste aquele dia! O Clodoaldo, para quem procura saber, fez parte da melhor seleção que o Brasil e o mundo já viram, foram campeões absolutos da copa de 70, dando o Tri e a taça Jules Rimet definitivamente para o Brasil, jogando um futebol de sonhos. Tá certo que a taça seria roubada, mas o futebol já estava na história e isto sequer vem ao caso! A seleção que vinha abalada de 66 fez uma eliminatória em 69 arrasadora, goleando todos os adversários e revelando a dupla de ataque Pelé e Tostão para o mundo. Nas vésperas da copa vários problemas assustariam o país, Tostão, com um deslocamento da retina seria afastado da copa e o próprio técnico, o comunista João Saldanha, seria derrubado após muitas confusões internas em pleno regime militar. Ele seria substituído por um jogador bi-campeão mundial, Zagallo, que estreava como técnico de forma vencedora no Botafogo. Mas o time não precisava de técnico, foi de Clodoaldo o gol de empate contra o Uruguai, na primeira eliminatória da copa, jogo que seria vencido aos 31 do segundo tempo pelo gol do "Furacão" Jairzinho.

Por Emanuel Campos – This email address is being protected from spam bots, you need Javascript enabled to view it

Contador das histórias de um certo Robson Galiano e auxiliado pelo Dr. Debone na correção.


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Comentários
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claudino   |13-07-2006 13:47:09
Podemos entender que elas te livraram daquela figuração e interpretação falsas...

Rafael, obrigado pelo envio do texto do amigo.

abrações,

Marcos Claudino
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