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Escrito por Omar Incógnito   
domingo, 13 de novembro de 2033
Quero do inferno o diálogo, a loucura do caos, e o delírio, a insconciência, o instantâneo, o imediato olvido. Quero te amar sem arrependimento e te desamar como se me arrependesse. ah, que vontade de me rasgar...

Do jardim os cílios e os rompentes um tanto mortos, ou escondidos. Desfila faceira a filha do trigo, a filha do humor, e as cores irrepreensíveis. Ah, que sonho que não tenho, e por isso e não te encanto como cervantes ou seu cavaleiro desmiolado...

Batom mastigante tuas partes teus destinos
Eu tenho tanta vontade de me encontrar teus suspiros
E persigo nenhum enigma nem quero resolver o mundo
Este... Que desatino mais atinado!

E o brilho e a persistência, desconcertados como o ritmo
Tão distantes quanto tua ausência
Que não me enerva nem me enleva
Ai, sinta eu alguma coisa!

Simplesmente foge como os mandarins
Tua força de nuvens que eclode em seu fim
Incompreensível
Estorvo este tortuoso caminho
Suspeito
Que não é por aqui
Que hei
De virar achar alguma flor que me encante
E receio que não é por eu ou por mim
Que a desplante

Serei outro
Foi a promessa da minha vida inteira
Mas quando fui o mesmo
Eu sempre fui o mesmo
Prometendo a mesma coisa
E não cumprindo
E me enfadonho e me destruo
Ai, então era este o meu fim...

O desperdício não me engana
E não me encanta
Embora seja a potência
Pura
A morte
E o sentido desaparecido...

Se eu corro perigo!
É de me amares
Tanto assim e tão pouco
Que desprezo neste teu beijo
Que despeito este teu sussurro rouco...
Ai, rasgue-me por mim
Quero pôr a culpa em ti

Tu tens um mapa e não sabes para onde vai
E eu ia perguntar para ti
Ai de mim neste caminho

e você tinha uma casa
e eu desprezava
e eu te amava
e te desprezava
Ai, como era doce esta confusão!
Pra não chamar de amor que amor é não
Eu não sei o que é amor
E, pra ser honesto, não sei o que é confusão
Mas agora eu posso falar de você falando de mim
Ou algo ao contrário

Ou algo ao contrário do que é este fim
E, pra ser funesto, eu sofro a dor de não sentir
Que o céu é distante e eu o quero
E não caio em profusão de admirar as inutilidades
Ai, e sou eu que me reprimo
E, pra ser no duro, é mesmo difícil não ser
Quero te procurar e tu vais fugir de mim, como sempre fizeste
Te proteja de um amor que nunca tiveste
E que não machuca...
Porque não é amor e você não vai sentir nada
Coisa mais sem graça
Ai, queria tanto alguém para me jogar na cara
Estas incoerências que tenho em mim guardadas
Mas como eu sou tão sozinho que me dá uma mágoa
Eu fico remoendo e projetando em mim mesmo
Vem brigar comigo, vem pra perto
Que eu não agüento mais brigar comigo
E quero pôr a culpa longe de mim
Que, eu sinto (ao menos isso!), que ela deve existir
Que solução eu não invento
Só pra te botar pra dentro
E não há nada que resolva
Porque nem há problema algum...
Que tristeza, que pena! eu tenho de tudo e sobretudo de mim

Sombreamento
Não adianta pedir um momento
Eu não saberia o que fazer com ele
Não adianta pedir um aumento
Eu não saberia apreciá-lo
Eu só sei desperdiçá-lo


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Comentários
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Mourão  - Depois de ler vários textos desse Prima     |01-07-2008 15:57:24
Enfim um foi tão bom!
João Batista dos Santos  - Grande!   |30-08-2008 17:56:54
Grande poema, cara! Em todos os sentidos. E poesia, penso eu, talvez a mais difícil das literaturas, se compõe assim mesmo: visando o coração, o lado emocional da gente, mais que a razão. Parabéns e grande abraço.
João Batista Santos   |26-09-2008 09:43:34
avatar Não entendi patavina ((a boa) poesia não é mesmo pra entender) mas senti muuuitas emoções. Como uma cama elástica, seu poema nos leva ora pra cima, ora pra baixo, ora pro futuro, ora pro pretérito, ora pro céu e ora pro inferno. Parabéns, poeta!
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