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Tempos miúdos esses... A televisão, de fácil digestão (até mesmo sem mastigar se engole), é a preferida de 99,9% da população brasileira. Os outros 0,1% estão divididos entre aqueles que preferem passar o dia inteiro na Internet (0,09%) e aqueles que não deixam de lado uma boa leitura (0,01%). Esta caricatura, se peca pela hipérbole, vence pelo sentido da flecha. Aponta para o cerne do problema com o qual nos defrontamos em nossos dias. A mídia televisiva é extremamente poderosa e influencia não milhares, mas dezenas de milhões de brasileiros todos os dias. A distorção, er, digo, a seleção das notícias a serem apresentadas (e a forma como são feitas) é uma clara demonstração desta verdade. A mídia independente não consegue nem debilmente enfrentar o poderio de bundas, novelas, reality shows e música popular que realiza, diuturnamete, uma lavagem cerebral no povo brasileiro. Normalizado, massificado, este povo não questiona e aceita, tacitamente, tudo aquilo que lhe é oferecido, cortadinho em pedaços minúsculos ou até liquidificado, para que não seja necessário usar os molares e pré-molares. Ouço uma voz lá do fundo dizer: - “Mais um maluco comunista querendo subverter a ordem das coisas.” Pra começar, não sou comunista, nem tampouco acredito que boa parte de quem critica o comunismo, o socialismo ou o socialismo libertário (anarquismo) saiba do que realmente estas correntes de pensamento tratam. E para terminar, subverter a ordem das coisas é o que qualquer pessoa decente, vendo a roubalheira descarada e a exploração e opressão massificadas que grasnam por aí tenta fazer. - “Então porque não cria um partido político e te candidata a presidente?” Novamente, começo: não acredito em partidos políticos. Não é um novo partido político ou um novo candidato de um partido de esquerda, centro ou direita que vai resolver a situação. Somente quando cada um de nós tiver liberdade e igualdade social e econômica que poderemos saber qual o caminho que nos levará à solução desta barafunda onde nos encontramos. Em segundo lugar, meu partido político – se é que faço parte de algum – está aqui: é o Simplicíssimo, com seus leitores, colunistas e colaboradores. Um espaço onde posso discutir com quem quiser ser meu interlocutor, assuntos de meu interesse e de interesse comum a outras pessoas. É por aqui que me sinto bem, e é aqui que vou, pedindo sua licença agora, sentar em minha almofada e passar a ler os textos desta edição. 
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