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Escrito por Maurício Angelo   
quarta, 30 de agosto de 2006

Não tenho certeza de quase nada. Minha arrogância não chegou a este ponto. E olha que sou muito arrogante. Mas simplesmente não entendo como alguém pode ter muitas “certezas”. Eu tenho pouquíssimas. Talvez apenas uma: que amarei minha esposa para todo o sempre. Em toda relatividade que a afirmação sugere.

Mas dizer que “o amanhã nunca se sabe” é coisa pra criança. “O amanhã nunca se sabe” é o c******! Até hoje só vi fracos e covardes sugerindo isto. Não passa de historinha encantada de gente que não quer assumir responsabilidades. È imbecil tratar o “acaso” e o “incerto” a níveis tão baixos.

Estou cansado de filosofia. Não diria ela, em si, coitada. “A filosofia está morta e nós a matamos” seria uma boa paráfrase. Aliás, é sempre gostoso parafrasear Nietzsche. Pegue o idealismo e a metafísica, jogue num saco, e incinere. Não fará a menor falta. Mentira. Não pra mim. Se os intelectuais não fossem tão estúpidos, incoerentes e enfeitados. Mas são.

Se nós não fossemos tão burgueses. Tenho horror da minha burguesia. Que dirá da dos outros.  Se se. Se se se se. É incrível como passamos do mais puro louvor à vida ao mais profundo desejo de morte. Tenho medo de pensar no que os entediados fizeram à humanidade.

Hipocrisia, pieguice e ganância. Acabe com isso e nossa civilização ruirá. Não é uma má idéia. Mas ninguém, inclusive eu, quer deixar de ser mimado.

Acho que o bom leitor não está interessado em pessimismo, apocalipse e caos. Infelizmente, não sou uma droga vendida em farmácia. Não tenho a cura. Nem a fórmula, a solução, o ensinamento, etc, etecétera, etc. Aquele que vos escreve é igual a todos. Um pouco mais besta e chato, apenas.

Na verdade, não tenho do que reclamar. Sou um bem-aventurado, tenho uma boa vida, eis tudo. O resto é sordidez.


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Comentários
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claudino   |01-09-2006 13:51:03
Perfeitamente, distinto senhor. Pouquíssimas certezas, e assim é que é bom, senão estraga. Quanto menos certezas, menos empáfia, e outras coisas, ou não, não importa...

Abração,

Marcos Claudino
RafaelReinehr  - http://reinehr.org   |01-09-2006 19:16:23
Defina "bom leitor".
RaquelDrummond   |03-09-2006 06:59:43
Pura verdade.

Tenho as mesmas opiniões. Existem as filosofias e as filosofias. Eu prefiro as que se vivem, de paixão, de instinto, de "não pensar" às que são vaidades bestas e metafisicas, racionaizinhas e matadoras de tempo de quem não tem nada melhor pra escrever ou pensar.

Amo. E tbm meu esposo para toda a vida...
RaquelDrummond   |03-09-2006 07:06:53
ps: O seu melhor dos melhores textos que já li.



MauricioAngelo   |04-09-2006 10:42:26
Rafael: "bom leitor", aquele que lê. Simplesmente.
RafaelReinehr  - http://reinehr.org   |04-09-2006 21:06:10
Sem querer ser pedante, menos ainda arrogante: mas porque não simplesmente "leitor" se quiseste te referir a "aquele que lê"? O leitor adjetivado pela palavra "bom" denota algo mais, que pode fazer grande diferença na conclusão do seu texto. Não consegui entender porque um leitor deixaria de se interessar por apocalipse, pessimismo e caos. São assuntos muito interessantes. Que bom fofoqueiro não gosta de uma tragédia, de um desastre? Morte não é assunto que dá notícia? Confusão, bagunça e guerra também não?
Dúvidas, só dúvidas...
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