|
Enfim, silêncio. Estamos sós outra vez. A confusão
do local, iminente, enfraqueceu, desfalecendo-se. Cortei a barba e os
cabelos. Cansei.
Logo depois de lhe dizer que o mundo é ¨um engano¨... eu destrui meu mundo.
Meu
mundo era um casulo, sabia?! Uma mentira. Meu mundo era um casulo
completa e insistentemente cinza, repleto de uma polêmica inútil,
lembra?!
Lembra da exteriorização de nossos
sonhos? Do mundo bonito tanto quanto antigo que sonhávamos encontrar?
Ele não fazia parte destas notícias acidentadas... acinzentadas. Ele
não era um engano. O que sobrou? Pois bem, não nos tiraram nada para
que sobrasse alguma coisa.
Na verdade, meu
mundo desfaleceu pois era fraco feito eu. As coisas que a ele
pertenciam eram tristes. Pois então, agora que cortei cabelo, barba,
bigode e esse meu cordão ambilical triste, eu vou sair e pegar sol na cara, sentir cada ruido da minha respiração e dizer que ¨a utopia não precisa ser¨.
Saca?
É essa projeção de uma realidade desejada que me deixa feliz. O que me
motiva é saber que o silêncio é uma nota desconhecida, é quase que
música. Estamos sós outra vez e quem não quer estar? Solidão é uma
dádiva. Só que se ama o consegue. É feito escrever, deixar que pedras e
mais pedras rolem, até que o barranco inteiro despenque.
Seu
barranco quer despencar honey? Não sei... sinto uma exaustão no ar,
parece que nada mais se parece. No fim das cobtas desaparecer? Não,
papéis recicláveis não permitirão. Creio que a solução para uma breve
pausa do teu mundo seja conviver com as contradições e se necessário
viver as contradições. Essa pôlemica toda não quer mais ser discutida,
ela quer parar de ser pôlemica, uma batata na boca do povo, quer
tornar-se sua vida. Quer sair do meio de seus lábios e do impeto do teu
ser. E tu também, meu bem, tenho certeza de que quer conviver com
aquilo que diz detestar. A dor de hoje não é mais feito a de ontem, ela
é nova, tecnológica, ela fede mais intensamente. A dor ensina com mais
intensidade da mesma forma á que fere, então porque temer tanto?
A
morrer, todos estamos fadados, a descobrir um sentido pra vida pacata
que levamos prum lado e pro outro dia após dia ,a isso...não sei.
O
ser humano em si tem um casulo que parece ter grande importância. As
vezes isso o impede de crescer. O medo do contato com outro ser humano,
o medo de perder-se já estandpo perdido, o medo de não saber o que
dizer, o medo de crer e frustrar-se. Mas dizer que nada mais tem
sentido e que a dor é maior que qualquer meta também é inútil, sem
nexo, também é tão triste quanto ver as coisas mudando, de saco pra
mala.
De que adianta incompreender o
silêncio voluntariamente? Ele quer ser compreendido honey... tem muita
coisa por ai que o quer, o que não quer mesmo ver de outra forma são
nossos olhos, da mesma forma á como nossos ouvidos não se sentem
preparados para ouvir outro tipo de ruídos.
A
evolução se dá a partir do momento em que compreendemos a beleza de um
dia de chuva, ou a ponta de um cigarro queimando, ou as crianças no
balanço da praça, ou a arte que gostamos tanto de fazer. Evolução não
precisa ser compreendida, creio que precisa ser vista milimetro por
milimetro.
Afora isso, um passo ou dois ,
ou a caminhada inteira não pode ser dada a não ser por nós mesmos. Não
deve ser dificil caminhar com as próprias pernas, não é dificil
perdoar, não é dificil perder tempo pras pequenas coisas.
Tudo
está ao redor de tudo. Tudo necessita de tudo. Tudo quer ser visto, meu
bem. A vida não se desmistifica sem que nossas mentes queiram.
Parece
que tudo anda tão pacato... e depois vem a tristeza e ninguém nunca
sabe porque isso se repete constantemente, mas todos sempre se
perguntam o que gera o que ou porque isso gera aquilo? Parece que
ninguém quer ver uma realidade que todo mundo causa, pois todos
causamos aquilo que vivemos. É tudo uma série de premissas da lei da
atração, é tudo causado pelas nossas mãos, pelos nossos pensamentos,
por aquilo que sentimos e queremos almejar.
Sae,
não é dificl compreender o sentido de certas situações se olharmos pra
dentro. Se fecharmos os olhos, se sairmos do casulo que impomos a nós
mesmos. Junto com este casulo estão nossas dúvias, anseios, felicidades
instântaneas, dores, pavores e dificuldades. Tudo se mistura. Mas tudo
devia se separar e creio que pra que isso acontece, o casulo devia se
romper e todos devíamos respirar enquanto o sol bate na nossa cara.
Tem
sempre uma razão maior por trás de tudo isso, é só dinamizar as visóes
mais embaraçadas, mais velhas, tristes ou nocivas. O ideal seria
reciclar tudo e deixar crescer mais e mais as partes boas.
Senão, onde estaria a lógica de se estar no mundo então?
Casulos não são apropriados!

Leia outros textos deste autor ou coluna:
No frio gélido da fronteira (...)
Viver por ai ¨logia¨
A maçã
A arte me quer inteira (...)
Muito Bem!
Segredo
vê!
|