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O Curinga
Escrito por Afonso José Santana   
segunda, 24 de março de 2008

- a primeira testemunha apresente-se, por favor – pediu o juiz.

(feitas as formalidades a testemunha se senta)

- diga o que a senhora ouviu naquele dia – solicita.

- pois não, doutor juiz. Então, eu sou vizinha deles, moro no apartamento ao lado. Bom, eu estava passando quando ouvi barulhos e resolvi escutar melhor, porque me assustei pensando que tivesse acontecendo algum assalto, o senhor sabe: hoje em dia...

- minha senhora, pode ser mais lacônica possível, para não perdermos tempo?

- la... lacô... o que, doutor??

- Seja mais "objetiva", minha senhora – cuspiu o juiz.

- ah, sim, senhor doutor, então... eu grudei meus ouvidos na parede e ouvi ele dizendo para ela: “por favor, eu só quero a mala, pela última vez, pegar minhas roupas; depois disso vou embora e você nunca mais me verá” e ela falava “isso não! Você irá embora sem isso” e ele dizia “por favor eu preciso muito... a mala e vou embora” , e ela “ eu já disse que não! se depender de mim, não... isso não!”, e ele falou “olha, eu não quero brigar, me deixe a mala (mais irado) ou não verá nossa filha mais!, aí ela falou “está bem, darei o que você pede, mas não me separe da nossa filha!”...

- está bem – corta o juiz – já chega; outra testemunha.

(feitas as formalidades a outra testemunha se senta)

- diga o que a senhora ouviu naquele dia – solicita novamente o juiz.

- pois não, doutor juiz. Então, eu sou vizinha deles, moro no apartamento ao lado. Bom, eu estava passando quando ouvi sussurros e resolvi grudar meus ouvidos porque me assustei pensando que tivesse acontecendo algum assalto, porque hoje em dia o senhor sabe...

- ah não, de novo ?!? pode ser mais lacônica possível, para não perdermos tempo?

- la... lacô... o que, doutor??

- Seja mais "objetiva", minha senhora – vociferou o juiz.

- ah, sim, senhor doutor, então... eu grudei meus ouvidos na parede e ouvi ele dizendo para ela: “por favor, eu só quero amá-la, pegar minhas roupas; depois disso vou embora e você nunca mais me verá” e ela falava “isso não! Você irá embora sem isso” e ele dizia “por favor eu preciso muito... amá-la e vou embora” , e ela “ eu já disse que não! se depender de mim, não... isso não!”, e ele falou “olha, eu não quero brigar, me deixe amá-la (mais irado) ou não verá nossa filha mais!, aí ela falou “está bem, darei o que você pede, mas não me separe da nossa filha!”...

- já chega, minha senhora, pode ir para o seu lugar. Senhores, diante dessas palavras testemunhais eu declaro que o senhor (aponta para o marido) devolva sua mala, refaça-se com sua esposa e passe a amá-la mais. E quanto à senhora (aponta para a esposa) trate de esconder a tal mala para que não haja recaídas do seu marido para ir embora e trate de ser feliz com sua filha e seu marido, pois percebi nesta audiência como ele olhava para a senhora e a senhora para ele: ele quer muito amá-la!! Caso encerrado!!


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Comentários
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João Batista Santos   |21-11-2008 16:02:56
avatar É melhor ser uma mala amada ou ser uma mal-amada, eis a questão... Boa sacada, amigo.
Lilly Falcão   |23-11-2008 00:16:03
avatar Se ele quisesse, amá-la-ia...Por ordem do juiz, amá-la vai! AMEI!
Eduardo Hostyn Sabbi  - Quem julga sem escutar...   |24-11-2008 07:59:15
avatar Mas que MALA esse juiz! Aposto que ele era filho do casal! rsrsrsrsrsrsrsrs
Marcos Claudino  - Que mala?   |24-11-2008 19:30:52
Malas são essas vizinhas fuxiqueiras, isso sim...

Abração,

Mc
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