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Marcos Claudino
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Escrito por Marcos Claudino   
segunda, 05 de maio de 2008
São Paulo, 05 de maio de 2008.

Ah, menino, o que foi isso? Ninguém te perguntou, mas você quis explicar. Sua opção sexual nem me interessa. Aliás, pouco da sua vida me interessa. Aquela volta por cima nos longínquos terrenos orientais já passou. Somos brasileiros, lembra? Não lembramos de nada, a não ser do agora. E agora, ah, agora amigo, você se cobrou explicações e teve direito à auto-resposta no Fantástico, quer melhor? Se você não sabia ou sabia, se é hétero, bi, homo, mono ou polisexual, isso é uma questão particular, poupe-nos dos detalhes sórdidos. O contrato está garantido? Telefone e tênis de graça te satisfazem? Ok, seja feliz.

Tudo bem, tudo bem, isso interessa sim. Aqui tudo é novela. A menina morta pelo pai, pela madrasta, pelo irmão ou pela terceira pessoa é novela. O craque da Fifa, embaixador da Unicef que deita com travestis imperceptíveis é novela. O novo rombo da previdência, a candidatura da Dilma ou o terceiro mandato, é novela, amigo. Os assuntos se misturam, o Ferraço tem o mesmo valor que o Paulinho da Força, você não entendeu?

Ah, sim, você entendeu sim... Tanto que foi explicar. E olha que em horário mais que nobre, mostrar as gordurinhas, o novo cabelo, o chinelo de dedo, e a camiseta sem patrocinadores. Parece que esta emissora tem um grande interesse em preservar os ídolos (aqueles que interessam). Não que não seja interessante, mas não espere que nossa reação seja diferente de quando a filha da dona da Faculdade faz maldades com o filho da boazinha e inocente donzela da novela, tá?

Enfim, o que quero te dizer é que eu te entendo. Não adianta te colocar nos patamares idênticos aos dos mortais, porque você não está neste nível. Se eu, aos dezesseis anos de idade fosse morar na Holanda com um salário milionário e que, supostamente, nada tenha te faltado desde então, tudo que eu quisesse ter eu tivesse, fizesse o que eu gosto, fosse invejado e desejado como você, provavelmente aos trinta e um eu pudesse cometer algum deslize. Na minha opinião, você pode cometer deslizes a vida inteira, todos os dias, das mais variadas opções e posições, que no dia seguinte precisarei pegar o corredor Raposo – Rebouças – Consolação e chegar ao trabalho às 08:00 hs da manhã. Se eu faltar ou for demitido, não terei direito a uma justificativa em cadeia nacional e internacional, pois minha medíocre existência não dá associação a qualquer personagem interessante, seja de novela, filme ou noticiário esportivo, nem ganharei missa do Padre Marcelo.

Não se trata de uma opinião sobre o assunto, tenho muito mais o que fazer. Trata-se da constatação da banalização generalizada, deste eterno jogo da tostines, onde nos interessamos por besteiras porque só fornecem besteiras, e só oferecem besteiras porque nos interessamos tanto.

... agora eu já vou indo, senão perco a novela... (Renato Russo)

Marcos Claudino, 38 anos, a ainda não aprendeu nada...


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Comentários
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Eduardo H. Sabbi e Ibbas Filho  - Russo   |13-05-2008 12:12:31
avatar Bah, é isso aí!!! Na verdade essa e outras reportagens no Fantástico (como a do caso Isabella) nos parecem interessarem a muitos lados e terem sido bem pagas.

_ [os protagonistas] Sra. Globo, precisamos limpar nossa barra com uma entrevista bem encomendadinha onde vocês terão uma audiência recorde. Pagamos bem. Topa?

_ [A Globo] Claro! E te damos um brinde, trocadinho ou sanduíche nos camarins, ao melhor estilo banco de sangue. Podem vir que só perguntaremos o que vocês querem responder.

_ [em casa] Nêga, pega uma cerveja pra mim? Sim, sim, pode ser depois dessa entrevista. Tá boa, né?

:eek :eek :eek

Grande abraço!
Marcos Claudino   |13-05-2008 16:30:35
avatar É isso, Dú e Ibbas, mas parece que sempre queremos mais do mesmo... Vi ontem um especial na TV Cultura sobre o ano de 1968. Não que TV sirva só pra aprender, mas não precisa exagerar, certo?

abração,

Mc
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