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A máquina de escrever PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Edweine Loureiro   
terça, 03 de junho de 2008
Lembro perfeitamente: era uma Olivetti, portátil. Azulzinha. Herdara de minha mãe, a qual, por sua vez, herdara de meu avô. Lembro perfeitamente daquela máquina de escrever, em especial pela letra “l”, que sempre falhava – tínhamos que sempre voltar o rolo e bater duas vezes na tecla para que a letra aparecesse. E recordo principalmente que foi naquela máquina que tudo começou.

Foi naquela máquina, velhinha, a pintura azul já cedendo lugar à ferrugem, que escrevi a minha primeira tentativa de romance (melhor dizendo, uma novela). Digo acertadamente “tentativa”, pois a verdade é que meu primeiro livro – orgulhosamente intitulado “Ninho de Vespas” (suspense policial?) – jamais veio à luz. Tinha então quinze anos e sentia-me o gênio das letras; um talento nato que somente esperava o momento de despontar. E, catando milho na velha Olivetti, escrevi cinqüenta páginas daquilo que – entendia! – ser uma mistura de assassinato, sexo e política, ligando os parlamentares em Brasília aos membros do Cartel de Cáli, a temida Máfia Colombiana. Enfim, delírios juvenis (seriam?), mas que para mim, naquele momento, revolucionariam a Literatura mundial.

Não revolucionaram. Desapontei-me por um momento, mas não desisti. E continuei catando milho na minha velha Olivetti.

Até que, muitos rascunhos depois, numa tarde de Janeiro de 2001, a máquina parou de funcionar.

Triste, olhei para suas teclas estáticas, mas logo entendi. A morte (não tão súbita) da máquina era o sinal. E, naquela mesma tarde, comprei um computador.

Hoje, passados sete anos, cato milho em um notebook.

Se já publiquei meu “Ninho de Vespas”? Claro que não. Mas já comecei a escrever um novo livro: uma mistura de assassinato, sexo e política, ligando os parlamentares em Brasília aos membros do Cartel de Cáli...


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Comentários
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Beth Cerquinho  - E nada mudou...   |03-07-2008 21:13:41
Esse texto autobiográfico também nos remete ao passado que curiosamente o objeto de delirio na juventude é atualissímo.Não desista.
Mas uma vez a bola está com você.
Parabéns Ed.
Lilly Falcão  - To be continued...   |04-07-2008 15:05:27
lindo texto, Ed!!!

Mais lindo ainda é que tenho exatamente uma Olivetti azul cobalto que não largo nem a pau tb...rsrs

Foi grande companheira na facul, na magistratura e hoje permanece teclando "BLUES" comigo!

Delícia de texto, Ed! Postarei foto da minha e te mando! :zzz
Cibelly Correia   |05-07-2008 22:14:29
avatar opaaa. minha mamis ainda guarda cuidadosamente a sua maquininha de escrever... hehehe mas ela ainda funciona... hahaha
bjooo..
bom texto de uma lembrança boa...
Edweine Loureiro  - Obrigado, simpliamigas!   |09-07-2008 06:16:58
avatar Super-Beth, Lilly and Cibelly (Mulheres-Maravilhas), somente tenho a agradecer os elogios ao meu pequeno e nostalgico texto. E um viva as maquinas de escrever, eternas companheiras! :zzz Lilly, espero pela foto! Abracos. Edweine
Nao  - Escribir de epoca pasada....   |11-07-2008 05:00:55
Siempre te da mucha imagen desde las cosas pequenias....Me gusto mucho este texto, como siempre esta escrita bien suficiente para que nos deje imaginar, pero tampoco demasiado....
Marcos Claudino  - Olivettis     |16-07-2008 15:14:10
avatar Pois é amigo, os estagiários aqui do trabalho nem sabem que já existiu uma coisa chamada máquina de escrever. E nós mal lembrávamos que antes ainda, usavam-se penas, pedaços de carvão, pedras, ou os dedos... Quem começou não sabemos, mas foi uma grande idéia, não?

Parabéns pelo texto, muito bom!!
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