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A insustentável dureza do poder... PDF Imprimir E-mail
Editorial
Escrito por Rafael Reinehr   
terça, 05 de julho de 2005
Está se tornando insustentável.

Aqui mesmo, no Simplicíssimo, um sítio predominantemente literário, já se levantou várias vezes questões políticas por este e por vários outros colunistas.

A situação política do Brasil, escancarada como nunca e discutida amplamente através dos veículos de imprensa, meios de comunicação de massa e dentro do coração do sistema democrático brasileiro, o Congresso nacional e o Senado Federal traz vergonha e profunda desesperança em um batalhão de militantes e simpatizantes do Partido dos Trabalhadores mas, certamente, também para qualquer cidadão brasileiro consciente da verdadeira importância do que é apresentado frente aos nossos olhos.

É fácil de perceber que a imprensa está dando uma conotação partidarista aos escândalos em investigação após denúncia da Veja e explosão da corrupção nos Correios, mensalão e dos empréstimos avalisados pelo publicitário Marcos Valério.

Enquanto é fato que este caso específico diz respeito ao governo do PT, é inegável e indiscutível que esta estrutura corrupta e escrota, na qual não há remédio que pareça surtir efeito, já vem se estruturando desde os tempos da ditadura militar. Desde a primeira vez que a Arena perdeu sua maioria no Congresso Nacional frente ao MDB, o “mensalão” correu solto.

O que aconteceu nos anos seguintes foi a formação de uma estrutura cada vez mais complexa, de atrelamento das campanhas políticas a grupos rivais privados que “patrocinavam” a campanha política em troca de grossas vantagens posteriores, quando da criação de licitações para prestação de serviços ou compra de materiais para as gigantes estatais.

Como afirmado pela Senadora Heloísa Helena, em entrevista ao Programa Jô Soares em 04/07/2005, até mesmo os editais eram forjados com pré-requisitos técnicos que favorecessem a empresa escolhida, aquela que patrocinara o atual governo. Cartas-marcadas.

A isso, chamamos de Seqüestro da Democracia. Como disse José Saramago, no último Fórum Social Mundial em Porto Alegre, vivemos em uma democracia seqüestrada, onde aqueles que elegemos não votam de acordo com as propostas que nos fizeram neles votar, mas sim de acordo com o que aquele que lhes paga um “mensalão” lhes dita votar.

Queremos de volta nossa democracia. A tensão aumenta a cada dia, e as forças políticas parecem não enxergar que se aproxima um momento de instabilidade social decorrente desta já esgotada confiança no poder público e nos governantes em geral.

Antes que o caos se instale, alguma proposta deverá surgir do único local possível de trazer alguma luz ao sistema tenebroso e sombrio que se apresenta: do meio do povo.

Desde já, antecipo que está sendo redigido a várias mãos um Manifesto para questionar e se opor a este quadro vergonhoso em que nosso país se encontra.

Que as brisas da sabedoria nos ajudem na elaboração do texto a ser apresentado neste sítio e em vários outros dentro das próximas 3 semanas.

Sempre firme na crença humanista de que se há alguém que pode mudar o homem, este alguém é o próprio homem, seguimos jornada, rumo ao futuro que buscamos não somente para nós mas também para nossos descendentes.

E, chegando ao fim do Editorial desta edição de número 134, quase 3 anos se passaram desde a edição número Zero de 25/10/2002, uma Carta Aberta ao Futuro Presidente da República. O tempo passa, mas andamos em espirais. Só não sei ainda se são ascendentes ou descendentes.


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Comentários
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ANTENOR PENHA  - antenorpenha@zipmail.com.br   |06-07-2005 08:47:22
TRISTE, MAS PROVEITOSO

NO CAMINHO DE NOSSA NAÇÃO, VER QUE O NOSSO PRESIDENTE LULA SE MOSTRA INCOMPETENTE PARA GERIR O ESTADO, SE MOSTRA INGENUAMENTE DESQUALIFICADO É TRISTE. POR OUTRO LADO, TUDO NÃO PASSA DE UM FASE IMPORTANTE NA DEMOCRACIA BRASILEIRA, ACHO QUE FICA AQUI UMA LIÇÃO SIMPLISTA, O PRESIDENTE DO BRASIL NÃO PODE SER ANALFABETO. NÃO QUE DIPLOMA VA GARANTIR QUALIDADE MORAL, MAS TEM QUE NO MINIMO SABER LER, CREIO QUE O CONGRESSO DEVE FAZER UMA EMENDA QUE EXIJA PARA PRESIDENTE DA REPUBLICA, NO MINIMO CURSO SUPERIOR (QUE JÁ NÃO É NADA NESTE MISERO PAÍS).

VAMOS ENCARAR ESTA CRISE COMO UM MOMENTO DE MUDANÇA, CASO SEJA NECESSARIO COM O PROCESSO DE "IMPEDIMENTO" DO LULA.]

VAMOS A LUTA.

ANTENOR

Luiz Maia  - l.maia@terra.com.br   |06-07-2005 11:12:50

Rafael,

Parabéns pelas ilações que nos levam à reflexão...

Lamento quando vemos opinões iguais ao do sr. Antenor, embasadas no ranço daqueles que são preconceituosos sem sequer notar que estão sendo.

O recente presidente FHC tem todos os títulos que um presidente poderia ter, no entanto só fez mal ao Brasil...

A grande imprensa é cooptada porque está nas mãos dos poderosos de plantão. O Estado, do Império à República, foi excludente e antipopular. Foi apropriado por elites que o usam para garantir seus privilégios e realizar seus interesses. Elas não têm um projeto Brasil que venha incluir a todos, mas projetos que excluem ou subordinam os demais. Falta credibilidade aos partidos que hoje se insurgem contra o governo. Aqueles que agora se proclamam os arautos da moralidade pública na verdade são os mesmos que jogaram o País no descrédito, numa desastrosa experiência de mais de 40 anos em que detiveram o poder. Esses merecem desse povo, eternamente esquecido por eles, o
mais veemente repúdio. O brasileiro não nasceu para ser subserviente, escravo e não ter o direito de pensar - embora isso seja uma máxima funcional na cabeça das classes dominantes. Sempre soubemos da nossa história pela ótica dos que detêm o poder econômico, exemplos dos maus empresários, banqueiros e certos políticos picaretas. Mas em breve esse País vai contar a sua história pelas mãos daqueles que sempre foram excluídos ao logo do tempo. É só esperar para ver.

Tenho dito!

Abraços,
Luiz Maia


claudino  - Vamos lá...   |06-07-2005 13:21:52
Rafa, sim, queremos a nossa democracia. Nunca a tivemos, não podemos tê-la de volta. Enquanto votarmos usando poucos ou inúteis argumentos, teremos Congressos corruptos, poderes corruptos, se é que deixaremos de ter corruptos pelo mundo...

Antenor, se o problema fosse o presidente, não haveriam muitos problemas. Se diploma quisesse dizer alguma coisa, nossos anteriores presidentes e congressistas, em sua enorme maioria com mais de um diploma, não teríamos essa sujeira deslavada que vemos hoje.

Enfim, parece futebol. O time inteiro joga mal, e o técnico é demitido... Vamos enxergar as coisas por inteiro, não por um único prisma...

abração,

Marcos Claudino :cry
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